quinta-feira, 23 de março de 2023

 

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Ambiente e património

Afinal o buxo da Mata parece que

morreu afogado ou de pneumonia galopante

Finalmente, um outro órgão de informação local noticia capazmente o grave desastre ecológico da Mata dos sete montes. A Rádio Hertz publica um trabalho, que inclui video com declarações da presidência da Câmara, e citações de um esclarecimento conseguido pela Hertz junto do Instituto de conservação da natureza e das florestas, o qual pode ser lido aqui:

TOMAR – ICNF garante que atual estado desolador do Mata dos Sete Montes «não tem a ver com a manutenção». «Há a expetativa de recuperação» a tempo da Festa dos Tabuleiros mas há fatores que podem comprometer essa esperança | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Trata-se de uma publicação sem dúvida útil, sobretudo porque o vídeo mostra a miséria a que chegou a Mata. O resto mais parece um texto humorístico, não por culpa do jornalista redactor, mas devido à argumentação avançada. Cabe de resto esclarecer que a própria designação oficial do ICNF - Instituto de conservação da natureza e das florestas - já resulta um pouco cómica. Todos sabemos que "da natureza e das florestas" é uma redundância infeliz, pois não se conhece floresta alguma que não faça parte da natureza. Mesmo as modernas florestas de cimento, que fazem parte da natureza das coisas.
O título da notícia é assaz  elucidativo da atrapalhação reinante: "ICNF garante que actual estado desolador da Mata dos sete montes não tem a ver com a manutenção", o que é verdade. Em bom rigor estamos perante o resultado evidente da falta de manutenção. Segue-se outra argumentação do mesmo calibre, que pode ser lida no link acima, com destaque para estes dois excertos: "Há a expectativa de recuperação a tempo da Festa dos Tabuleiros, mas há factores que podem comprometer essa esperança." Uma frase do tipo "Amanhã vai estar um lindo dia de sol, a não ser que chova por causa das nuvens." E estamos conversados a respeito.
Noutro parágrafo "O ICMF alerta para factores biológicos, fisiológicos, e climáticos a considerar", sendo que acertou parcialmente, sem querer. A água dos Pegões, que há mais de vinte anos deixou de correr e escorrer para a Mata, após mais de três séculos, alterou assim o microclima  daquele espaço, provocando a morte dos buxos, mas também de muitas árvores, que aparentemente o ICNF ainda não viu. Após uma lengalenga sobre outros alegados casos idênticos, imprestável porque não cita nomes nem locais que permitam verificar, o ICNF tem esta tirada de almanaque: "Ou seja, aparentemente, justifica o Instituto [o buxo seco] deve-se a pluviosidade acima do normal e períodos mais prolongados de temperaturas baixas." Por outras palavras, uma parte do buxo morreu afogada, por excesso de chuva. Ou terá sido de congestão? A outra parte foi vítima de pneumonia galopante, devido ao frio e à falta de agasalho. Falha de manutenção capaz e de água,  é que não foi de certeza!
Tomar a  dianteira 3 já conhecia diversas correntes do socialismo democrático. Só pode portanto ficar contente, ao constatar que a maioria rosa local, com a notável colaboração de outros organismos do Estado, vai procurando implementar o "socialismo brincalhão". Tipo programa TV do RAP.
Sempre nos vamos rindo, o que parecendo que não, pode ajudar um pouco, em plena crise, pois não muda de preço. E substitui com vantagem o clássico "Tenha santa paciência!".

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