quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024





Tribuna de António Freitas

Concelhos da CIM Médio Tejo 
com “pouca visibilidade” promocional 
no mega Stand do Turismo do Centro.

Em todas as edições da BTL de há uns anos a esta parte, no Stand do Turismo do Centro, ao qual pertencem os concelhos da CIM Médio Tejo, há muita palestra, muitas apresentações, muito show off, em que se fala para uma plateia de “amigos” - outros autarcas que assistem e que tem zero impacto para os visitantes profissionais, noticias na imprensa nacional ou especializada, nos dois primeiros dias da feira. Vale o que vale, mas para alguns o turismo passa por estes “institucionalismos”. Concelho que não invista em stand próprio, pode esperar sentado. Nunca se entendeu, aquando da fusão das Regiões de Turismo, que eram mais que cogumelos, que por exemplo os nossos concelhos não tivessem passado para a Entidade Regional de Turismo do Ribatejo, pois a “água nunca corre para norte”, e o Turismo do Centro é uma mega região com tantos concelhos que se perde, a meu ver, pelas “bandas do Mondego”
Não é preciso ser muito esperto para reparar e ver, olhos nos olhos, que neste Pavilhão 1, onde está sempre o "Turismo do Centro “ esmagado entre os mega Stands dos Açores e Madeira, mesmo em frente a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, reúne todos os seus municípios, duas comunidades intermunicipais e mais de 50 empresas na edição deste ano da BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa.
A ERTAR teve uma “preenchida agenda de eventos” e “o maior stand do certame – numa área superior a 1290m2”, destacando ainda como novidades, duas áreas de atendimento ao público e de exposição distintas, uma dedicada ao Alentejo e outra ao Ribatejo, com marcas e comunicações próprias: Alentejo Caiado de Fresco e Ribatejo, Viva a Festa.
Segundo nos disse José Santos, presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo, durante estes dias, é mostrado “o melhor que o destino Alentejo tem para oferecer, pois, é a oportunidade de mostrarmos aos operadores turísticos, ao público em geral, à imprensa especializada, a escala do nosso território”, acrescentando que “é uma oportunidade de mostrar de uma forma sólida e integrada tudo aquilo que o Alentejo tem para mostrar e tudo aquilo que o Ribatejo tem para mostrar.”
“Na parte do Alentejo, temos cerca de 50 expositores, entre municípios e empresas, e no caso do Ribatejo temos cerca de 19 expositores. Há depois uma área rotativa, que é uma área nova que começámos a fazer este ano, onde temos cerca de 12 expositores temporários, que estão essencialmente a promover o enoturismo, o património natural e o património cultural”, concluiu.
O mesmo se esperava do Turismo do Centro, mas em 2024 é igual a 2023, e em 2025 vamos continuar a ver, não os concelhos mais bem representados, mas o “show off” das apresentações que não duram mais de 15 minutos!
Será que, entre tantos presidentes de Câmara, não seria de repensar a nossa saída do “Centro” e passar a pertencer ao que sempre fomos e somos -”ribatejanos”?

António Freitas

 

Imagem Rádio Hertz online, com os nossos agradecimentos.

Política local

A Câmara está a precisar 

de uma boa limpeza

TOMAR – António Lourenço dos Santos (PSD) questiona ‘utilidade’ dos eleitos da Assembleia: «O que estamos aqui a fazer? Só para assinar folhas de presença e receber umas dezenas de euros nas nossas contas?» | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

O título esteve para ser diferente: Durante o naufrágio a festança continua. Depois de amanhã vamos ter mais festa rija. Com homenagens, condecorações, discursos, muitos aplausos, música, paparoca e bebida. Com um progresso e um retrocesso. Progresso, porque a música já não vai ser à borla. Entradas  a 7 e 10 euros, o que se aplaude. Já ia sendo tempo. Retrocesso, porque não lembra ao cabeça rachada, mas lembrou ao actual presidente: vão ser condecorados todos os presidentes de câmara vivos, desde o 25 de Abril. Alguns, se soubessem o que é ter vergonha na cara, nem lá apareciam, ou já teriam recusado. É o poder local a homenagear-se a si mesmo. Um despautério.
Enquanto isto, tal como no afundamento do Titanic, em que a orquestra continuou a tocar durante o desastre, também em Tomar a desgraça se agravou durante as festanças. Dois respeitáveis cidadãos, não dependentes do estado a que isto chegou, protestaram contra a inépcia camarária, e foi grande a repercussão. Um dos queixosos, arquitecto em regime liberal, insurgiu-se contra o indeferimento de um projecto de sua autoria, com fundamento em documentação que não está em vigor, o que considera um inaceitável atentado de tipo mafioso à sua competência profissional.
O outro, empresário,  deputado municipal eleito na lista do PSD, clamou em plena Assembleia Municipal (ver link) que requereu documentos há dois anos, através da mesa da quele órgão, os quais ainda não lhe foram fornecidos. Pergunta por conseguinte o que está a fazer de facto no parlamento municipal. Realmente, a dúvida é legítima.
À primeira vista sem ligação, ambos os casos têm afinal uma origem comum a camarilha mafiosa que dirige de facto a autarquia na área da gestão do território, e cujos integrantes se recusam obstinadamente a comportar-se como honestos servidores públicos. Procuram, pelo contrário servir-se, havendo provas disso mesmo.
No caso do arquitecto, apesar de já terem reconhecido que houve um erro dos serviços, e até indicado a culpada, tardam em anular  o despacho anterior e aprovar o projecto. Pretendem retaliar, punindo o queixoso por ter ido para alguma informação local que está banida, em vez de lubrificar adequadamente os decisores. Há hábitos difíceis de abandonar...
Na mesma linha, recusam fornecer os documentos solicitados pela mesa da AM, usando argumentos falaciosos, porque entendem que os deputados municipais, mesmo do PSD, não têm nada que andar a tentar meter o nariz onde não são chamados. Tudo isto contando com a anuência tácita da maioria PS, que apenas almeja manter-se no poder, e da oposição, incluindo a extrema-esquerda, mantida em obediente silêncio pelos subsídios.
De forma que, para os membros da camarilha, foram três vitórias importantes. Contra o arquitecto, contra os deputados municipais PSD, e beneficiando da festança do 1º de Março. Lamentando ter de desiludir, parece-me que terão sido triunfos pírricos. Mais uns quantos, e estarão derrotados sem remédio.
As próximas legislativas poderão dar já alguma indicação útil. Veremos. Mas são as autárquicas de 2025, que vão modelar o futuro. Não estou a ver, a esta distância, grandes hipóteses para os socialistas, nem mesmo, em certa medida, para os social-democratas, tantas são as queixas. Vai depender de inúmeros factores. Entretanto o partido do Ventura já encontrou o slogan adequado: "Vamos limpar Portugal".
Em Tomar, vem mesmo a calhar. A Câmara está a precisar de uma boa limpeza. Com decapante e tira-nódoas. Quatrocentos servidores públicos trabalhadores, podem muito bem executar capazmente as tarefas dos actuais 618 funcionários camarários. Uma vez sufocada a camarilha, tudo se torna muito mais fácil e agradável para todos.


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

 Ensino público e exames

Resposta improvisada com sentido de humor

No Brasil, país-continente, com mais de 215 milhões de habitantes, os exames à escala do país são uma coisa séria. Em 2023, o ENEM -Exame Nacional do Ensino Médio, indispensável para aceder ao ensino superior, registou 3,9 milhões de inscrições, e 89,5 por cento dos inscritos realizaram mesmo o exame. Não espantará por isso que certos candidatos elaborem respostas originais, à falta de melhor. Eis um exemplo:



 


Política local

Laranjas equivocados

TOMAR – PSD desafia Hugo Cristóvão a «dar um mergulho no Nabão para demonstrar que o rio não é poluído» | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Tornou-se um bocado estranha a política tomarense, nestes últimos tempos. Influência das legislativas e da AD? Saudades dos dois mandatos anteriores, durante os quais os PSD-Tomar estiveram com o PS como Deus com os anjos? Certo é que algumas posições me causaram surpresa, e como nunca fui de me calar...
Sobre as contas dos tabuleiros, nada, Quase um milhão e meio de euros, alegadamente para promover Tomar, mas que na realidade só despromovem e até desacreditam, e os social democratas calados. Até o BE achou um gasto exagerado, mas o PSD nem reagiu. Parece temerem que qualquer crítica os classifique como anti-tabuleiros, um crime de lesa-pátria tomarense, como escrevia Gonçalo de Macedo. 
Idem, idem em relação ao escândalo da REN ilegal, mas mesmo assim usada pelos técnicos superiores da autarquia para prejudicar os requerentes, e procurar extrair vantagens materiais. Nem um pio dos laranjas. Não devem saber de nada, é o que é. Ou fingem?
Se calhar para compensar, têm-se atirado à poluição do Nabão, como gatos a bofe (ver link). A tal ponto que até acabaram por exagerar, colocando-se numa posição incómoda. Desde logo porque, se as minhas informações são boas, os poluidores do Nabão são eleitores do PSD. Tanto faz que a origem da poluição seja Ourém, via  ETAR da Sabacheira, ou determinada exploração suinícola no concelho de Tomar, ou ambas.
Segue-se que, para desgosto meu, nessa matéria os laranjas estão equivocados. Apesar do banzé que já fizeram, o presidente Cristóvão tem razão. O Nabão não é um rio poluído. Tem episódios, focos, ocorrências de poluição, mas a maior parte do tempo é um rio relativamente limpo. Além disso, ao contrário do que ocorria  por vezes no século passado, os numerosos episódios poluidores são agora de matéria orgânica. Desagradável para quem vê e com cheiro pouco convidativo nalguns casos, porém inofensiva para  a fauna e a flora, fluvial e ribeirinha. Até contribui para nutrir os peixes.
Tratando-se portanto de algo de muito difícil solução, pois nem sequer há garantias de que a modernização da ETAR possa acabar com o problema, o PSD não devia ter insistido na matéria, tendo presente que os resultados das análises oficiais nunca foram conhecidos, eventualmente porque revelaram bastos coliformes fecais de origem porcina, e nem todos os oureenses comem carne de porco todos os dias.
Agora o mal está feito.  Resta aguardar as consequências. Desafiado em plena AM a mergulhar no Nabão, para provar a sua tese, estou convencido de que Cristóvão não deixará de o fazer, lá mais para o Verão, levando consigo a informação local, para testemunhar e participar na risada final. É a opinião fundamentada de quem escreve estas linhas, e que aprendeu a nadar no Nabão, à saída do esgoto do velho matadouro municipal (onde está agora a Ponte do Flecheiro), bem mais grave que os focos poluidores actuais, e setenta anos mais tarde ainda cá está com saúde suficiente para contar. 
Outros tempos, outras gentes...



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024



PDM obras e urbanismo

Por isso em Tomar vamos de mal a pior

TOMAR – Arquiteto acusa Câmara de aplicar REN ilegal na avaliação de processos relativos a construções/obras (c/vídeo) | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Já se desconfiava, mas o presidente Cristóvão acaba de confirmar indirectamente que os técnicos superiores camarários, e os próprios eleitos, ainda não estão habituados a viver em democracia, nem a respeitar as leis do país. Respondendo à grave interpelação do arquitecto Nuno Madureira, na AM, o presidente reconheceu haver dúvidas na interpretação das leis e disse esta frase,  espantosa na boca de um presidente de Câmara,  mesmo eleito como vereador:

"O autarca recordou, porém, que a CCDR disse que os municípios «devem seguir o que está definido pela nova Reserva Ecológica Nacional». Assista ao vídeo editado pela nossa redação." (Copiado da Rádio Hertz online -ver link supra)

Desde quando, e em que outro país da UE, é que as autarquias devem seguir as indicações de órgãos administrativos não eleitos nem referendados pela população, como por exemplo as CCDR? Somos um país ocidental, em que as leis a cumprir foram discutidas e votadas nos locais próprios, sendo depois publicadas no Diário da República, sem o que são nulas e de nenhum efeito.
No caso concreto do projecto do arquitecto Madureira, os técnicos usaram indevidamente a REN 2021, que não está em vigor, porque nunca foi publicada em Diário da República, na parte que se refere a Tomar.
É triste que um presidente de Câmara, visivelmente condicionado por burócratas que têm tanto de democratas íntegros, como o autor destas linhas de monje tibetano, tente defender a posição de tecnocratas que ninguém elegeu, que se armam em donos da República para mandarem palpites aos que consideram como súbditos.
Numa democracia transparente, enquanto houver leis votadas, publicadas e em vigor, não se aceitam outros documentos, por excelentes que possam ser. 
O arquitecto Madureira tem razão. A própria Câmara já reconheceu que errou, através da vereadora das obras e do chefe da DGT. Até apontaram a responsável pelo erro. (Cf. Contra a camarilha, de 23/02/2024) Estão à espera de quê, para anular a decisão anterior e aprovar o requerimento em causa? Que a CCDR forneça instruções nesse sentido? Olhem que eles não dependem dos votos dos tomarenses...



Imagem copiada de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.

Vida local

Somos assim mas já fomos piores

https://tomarnarede.pt/insolito/cidadao-indignado-com-estacionamento-em-zona-proibida/

Um cidadão contrariado, resolveu denunciar um caso flagrante de estacionamento ilegal em plena cidade. (ver link). Ainda bem, é a primeira reacção, numa terra em que a população pouco ou nada se preocupa com os problemas da urbe onde habita. Porquê? Julgo que em virtude de uma curiosa atitude: não se deve "dizer mal". É feio. Abaixo a franqueza. Viva a hipocrisia.
Há algumas semanas, um antigo revolucionário, agora reconvertido no Facebook introspectivo, falava de um animal doméstico, que fotografou numa rua imunda, sem passeios e com as bermas cheias de ervas daninhas. Escrevi-lhe que seria mais útil falar do péssimo estado da rua, em vez do animal doméstico. -Gosto assim. É típico, foi o que me respondeu. Que fazer? perguntaria o Vladimiro.
Felicite-se portanto o denunciante do estacionamento ilegal, e o Tomar na rede que lhe deu guarida. Foi uma bela ocasião para constatar que ainda há uns resquícios do velho Santo ofício, confirmados pelos vários comentários: "Furem-lhes os pneus!" "Pode-se fotografar as matrículas e ir à PSP, que eles passam as multas." "É alguém que os tem grandes, por isso ocupa a ciclovia." Imagine-se o crime! Estacionar numa ciclovia com um movimento constante de ciclistas em passeio, como aquela que circunda o ex-estádio.
Por fim, lá apareceu a voz do bom senso, a que o novo pessoal da pretensa esquerda chama "velhos do Restelo", e fica todo satisfeito pelo achado. Dizia essa voz solitária que se perdeu uma bela ocasião para fazer bom jornalismo. Ouvindo várias fontes e alargando a incidência. Perdeu-se mais um ensejo para destacar o essencial na circunstância: há carros parados em locais proibidos, porque é cada vez mais premente a falta de estacionamento em Tomar. Sobretudo na cidade velha e junto ao Convento, no verão. Calcula-se que muitos turistas acabam indo-se embora sem visitar, por não encontrarem estacionamento.
Mas há parques, dirão os pacóvios do costume. Pois há senhores. Há dois grandes parques na cidade, e um pequeno junto ao castelo, todos mandados fazer pelo Paiva, que não é tomarense nem nunca quis ser. Como eu o entendo!
Ia-me a esquecer: Há também aquele parque descoberto junto às estação da CP, do tempo da presidente Anabela Tretas, que é gratuito, mas muito central, como se sabe. Para fazer compras na Corredoura é mesmo o ideal. Dá direito a duas belas caminhadas urbanas sem aumento de preço. 
Quanto aos outros três aparcamentos, o do castelo não chega para as encomendas e os dois citadinos são pagos e bem pagos. Por isso os desenrascados preferem arriscar, estacionando em locais proibidos, quando o parque ao lado está quase sempre vazio, ou próximo disso.
Quem é que convence uma população que habituaram a festas à borla, concertos à borla, espectáculos à borla, assistência hospitalar à borla e alojamentos sociais quase à borla, a pagar estacionamento?
Se quer evitar graves problemas futuros, a Câmara deve providenciar quanto antes soluções para o estacionamento, tanto na cidade como junto ao Convento. É urgente, pois os senhores urbanistas da casa não parecem nada preocupados com a carência de lugares para parar os carritos, uma vez que têm lugares gratuitos no P1, atrás dos Paços do concelho. Por isso, ainda recentemente deram parecer favorável à construção de um hotel de quatro estrelas e cem quartos, mas com apenas 15 lugares de estacionamento coberto. 15% de estacionamento, numa cidade carente nessa área, não lembra ao careca, mas lembrou aos senhores decisores, que o requerente deve antes ter lubrificado de forma adequada. Assim vamos...

domingo, 25 de fevereiro de 2024

 


Urbanismo e gestão do território

Finalmente em Tomar 

um profissional com coluna vertebral 

ousa erguer-se contra a prepotência

Conforme crónicas anteriores, considerando-se prejudicado, o arquitecto Nuno Madureira ousou erguer-se contra a pequena mafia local. Mostrou ter ainda a coluna vertebral bem direita e foi à Assembleia municipal, reclamar e expôr o seu ponto de vista.
Correu riscos. Pode vir a haver retaliação. Represálias. Ele próprio tem consciência disso.  Escreveu na sua página Facebook "E fui lá. E sou arquitecto. E gosto de transparência. E quero acreditar que valeu a pena."  Oxalá sr. arquitecto! Oxalá. Mas parece-me que o pior ainda pode estar para vir.
Como singela homenagem à sua atitude cívica corajosa, transcrevo uma adaptação do poema de Francisco Sá de Miranda, durante o reinado de D. João III, quando começou a nossa decadência. Onde isso já vai!

Homem de um só parecer
De um só rosto, uma só fé
D'antes quebrar que torcer
Ele tudo pode ser
Mas da gamela não é!


sábado, 24 de fevereiro de 2024

A quinta das Avessadas vista a partir do satélite Eutelsat.

Desenvolvimento urbanismo e obras

Estamos no rumo certo para onde?

O presidente Cristóvão admitiu há pouco tempo, numa entrevista publicada n'O Mirante, haver na Câmara técnicos superiores que mandam mais do que o presidente. Acrescentou que não é fácil dispensá-los, ver-se livre deles, noutros termos, bem entendido. Por sua vez, o eng. Luís Alvellos, proprietário da Quinta das Avessadas, escreveu n'O Templário de 22/02/2024, página 9, isto: "Tive ao longo dos anos várias dissidências com o Dr. Pedro Marques e o Eng. Paiva, mas sempre houve respeito e consideração mútuos. Não posso afirmar convictamente o mesmo sentimento relativamente à actuação política do dr. Hugo Cristóvão."
Qu'en des mots savants ces choses-lá sont dites, ou seja, apesar da linguagem perifrástica, Cristóvão admite que não consegue liderar com eficácia todo o pessoal superior da autarquia, enquanto o eng. Alvellos deixa perceber que não tem respeito nem consideração pela actuação política do presidente da Câmara, por perceber que tão pouco o respeitam a ele enquanto cidadão queixoso.
Neste ambiente deletério, ecoou como um trovão a reclamação do arquitecto Nuno Madureira, denunciando que lhe indeferiram um projecto de obras particulares, em Santa Marta, perto das Avessadas, com base em legislação que não está em vigor. Mais precisamente, invocaram a REN de 2021, quando afinal foi rejeitada em Lisboa e nunca publicada em DR, pelo que continua em vigor a REN de 1996 (ver crónica anterior)..
Qual vai ser a atitude do eng. Alvellos, ao tomar conhecimento de que o Plano de pormenor das Avessadas foi revogado com base na mesma legislação que não está em vigor, pelo menos no que concerne á REN que foi chumbada? Porque a situação não oferece dúvidas. A maioria PS do executivo, e o próprio presidente, foram na conversa insinuante dos técnicos superiores da autarquia, garantindo que a  nova REN contundia com o plano de pormenor, nomeadamente quanto a linhas de água, tornando inconstrutíveis os respectivos terrenos.
Vai-se a ver, era só treta, para camuflar outros interesses menos legítimos, posto que a nova REN invocada não está em vigor, nem se sabe quando virá a estar, e de qualquer forma não terá efeito retroactivo. E agora? Como vai a maioria PS descalçar mais esta bota?
O proprietário das Avessadas e os restantes 46 prejudicados da mesma zona dispõem de todos os argumentos para recorrer aos tribunais e ganhar. Quando tal acontecer, a indemnização por perdas e danos patrimoniais vai ser gigantesca. A Cãmara vai deixar chegar a tanto? Ou vai alegar que foi mal assessorada e reverter todas a medidas já tomadas? É que há também, convém não esquecer, a Santa casa de Tomar, que foi praticamente escorraçada com maus modos para a Atalaia, concelho da Barquinha, sendo pouco provável que o seu provedor não insista nas suas pretensões, pelos jeitos ilegalmente rejeitadas, com base em legislação que ainda não está em vigor.
Tempestades em perspectiva para os próximos tempos, com tendência para o agravamento à medida que se aproximam as autárquicas de 2025...
 


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Plano Director Municipal

Contra a camarilha 

nem Santa Marta os salva


Após o escândalo das Avessadas, temos mais uma situação do avesso. Esta é a história muito resumida das atribulações de um casal de britânicos, que se fiaram no clima e nas aparências, estando agora a sofrer as passas do Algarve em Tomar. Compraram uma pequena propriedade agrícola com uma casa, em Santa Marta, nos arrabaldes da cidade e pretendem adaptá-la às suas necessidades.
Para isso, começaram por encomendar um projecto ao arquitecto Nuno Madureira, o qual consiste basicamente na construção de um barracão agrícola, uma garagem e ampliação do edifício de habitação existente. Apresentado o respectivo processo, aguardaram o deferimento para iniciar as obras.
Foi grande a surpresa, sobretudo para um dos requerentes que é engenheiro com experiência na área do urbanismo e do licenciamento de obras, ao receberem a informação de que o requerimento havia sido indeferido. Habituados à administração britânica, que age sempre com imparcialidade, pensaram imediatamente em falta de idoneidade profissional do arquitecto, pelo que decidiram ouvi-lo antes de iniciarem um eventual procedimento judicial.
Tiveram então mais uma surpresa, ao serem informados pelo arquitecto que fora a Câmara  que errara, ao justificar o indeferimento com a REN de 2021, a qual foi rejeitada pela CCDR, pelo que a que está em vigor é a REN de 1996. 
Após várias tentativas goradas, conseguiram em 23 de Outubro de 2023 uma reunião com a vereadora Filipa Fernandes, agora com o pelouro das obras e urbanismo, o chefe da Divisão de Gestão do Território, e o arquitecto autor do projecto, durante a qual "concordaram que a decisão da Câmara estava errada",  atribuindo a respectiva responsabilidade à arquitecta Ana Fontes.
Foram então aconselhados a fazer uma exposição à Câmara, para se resolver o assunto. Um perfeito disparate, posto que, se a decisão está errada, é só emendar,  aprovando o projecto mediante novo despacho, e emitindo a respectiva licença, pois os cidadãos nunca devem ser prejudicados pelas asneiras da administração, neste caso local.
Sabendo o que a casa gasta, dado que trabalha há muito em Tomar, o arquitecto prontificou-se a elaborar a dita exposição, para cuja fundamentação tinha necessidade da planta da REN de 1996. Seguiram-se vários requerimentos até que finalmente, em Dezembro de 2023, conseguiu obter o almejado documento e entregou a exposição solicitada.
Entretanto, a senhora inglesa endereçou, em 15 de Dezembro 2023, uma carta ao presidente Cristóvão, na qual se lastima e pede providências, dando a entender que está a ser vítima de discriminação por parte da Câmara, pelo que já não sabe se terá feito bem ao escolher Tomar para viver. Decorridos dois meses, o presidente ainda não lhe respondeu. Falta de tempo, certamente.
Perante tais tranquibérnias, que mostram bem como são acolhidos em Tomar os cidadãos requerentes, excepto se forem ciganos, resolveram expor o assunto na Assembleia Municipal, mas deram-se conta que só têm direito a cinco minutos cada um, pelo que optaram pela exposição escrita, sendo certo que os deputados municipais pouco podem fazer. Farão?
E assim, uma camarilha vai prejudicando toda uma população, está-se mesmo a ver com que intenção, que todavia não se pode escrever, para evitar ser acusado de difamação e calúnia, quando todos sabemos bem que os funcionários superiores das autarquias, e mesmo alguns autarcas, estão acima de qualquer suspeita. Muito acima.
Neste caso concreto, havendo o reconhecimento do erro cometido pela funcionária superiora, porque tardam tanto em o corrigir? Dá a ideia que temem que algum funcionário visado resolva pôr a boca no trombone, e aí lembram-se do aforismo "quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras para o ar", cuja versão actual é mais incisiva: "Quem tem telhados de vidro, sujeita-se a acordar com um chifre partido." 
Mais este lamentável processo reforça a ideia que alguns quadros superiores da autarquia estão como os nobres franceses que regressaram após a revolução: Não aprenderam nem esqueceram nada. Também por isso, a Câmara precisa mesmo de um tratamento em profundidade. Será já a seguir a 10 de Março? Ou só depois das autárquicas de 2025?


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Cópia de parte da página 4 d'O POVO, de 22/02/2024.

Serviços públicos básicos

No paraíso PS tomarense não há multas 

porque estamos "no rumo certo

e a oposição é só conversa

A imagem supra é uma copia do jornal diário de Fortaleza CE, O POVO de 22 de Fevereiro. Com chamada de primeira página, o periódico notícia e faz uma reportagem sobre as multas a pagar pela ENEL, empresa concessionária da distribuição de electricidade, de origem italiana.  72 milhões de reais (a moeda brasileira) correspondem a 14 milhões de euros de multas, só no ano passado e este ano.
Isto acontece no Brasil, um país do terceiro mundo, que ainda por cima teve durante quatro anos um presidente de extrema direita. Em Tomar, uma cidade oficialmente do primeiro mundo, administrada pelo PS e "no rumo certo", quando é que a Tejo Ambiente, por exemplo, começa a pagar multas, devido à má qualidade do serviço prestado, com frequentes interrupções de fornecimento? E quando é que a oposição, no seu conjunto, começa a trabalhar com mais eficácia? A política é diálogo. Mas não pode ser só conversa.

Aspecto de Targoviste medieval

Autarquia

Geminar para quê?

https://radiohertz.pt/tomar-municipio-prepara-geminacao-com-a-cidade-romena-de-targoviste/

A geminação de cidades ou municípios, é uma matéria tão particular que, se interessar duas dezenas de pessoas em Tomar, já será muito. A notícia da Hertz (ver link) despertou a minha atenção, provocando borbulhas no estômago devido a incongruências e deselegâncias protocolares, que podem significar algo mais.
A ideia inicial é geminar Tomar (40 mil habitantes), com a cidade romena de Targoviste, antiga capital, agora com 75 mil habitantes e a perder população desde o fim do regime comunista. Para quê? Tomar já é cidade gémea de Vincennes (França) e Hadera (Israel), e daí, bem vistas as coisas, só tem havido resultados negativos. 
Foi um desastre a visita da delegação de Hadera a Tomar, no tempo de Pedro Marques, e uma fantochada a ida de Anabela Freitas a Hadera, de onde regressou com promessas de investimentos israelitas e árabes (!!!), que naturalmente nunca mais se concretizaram, porque era tudo blábláblá só para mobilar.
Agora com Targoviste, as coisas também não estão a começar nada bem. A abrir, quer se goste ou não, por inerência de função, o presidente da Câmara é protocolarmente a mais importante personalidade do concelho. Quando o presidente da República, o primeiro-ministro, ou um ministro, vêm a Tomar, avisam da vinda por escrito e a primeira coisa que fazem, uma vez chegados, é cumprimentar o presidente, como representante legal de toda a população.
Neste caso da geminação, o Politécnico falhou e a Embaixada da Roménia também. O presidente do IPT mandou um seu adjunto e a embaixada um encarregado de negócios, em vez do embaixador. Ambos tiveram sorte, porque o presidente Cristóvão não reparou na afronta, se calhar porque nem sabe destas questões protocolares. Mas a asneira existiu e não adianta vir com a frase estafada "Não tem importância!" Na política "o que parece é" e parece que houve desconsideração por parte do presidente do IPT e do senhor embaixador romeno em Lisboa. Quem não se sente não é filho de boa gente, e o presidente Cristóvão também me representa. Donde o meu protesto. Não é assim que se devem fazer as coisas.
Segue-se que esta questão da geminação com Targoviste tem contornos pouco nítidos. A cidade romena já é geminada com Targovichti (Bulgária), Trakai (Lituânia), Orvault (França), Miami (USA), Villiirde (Suécia) e Santarèm (Portugal). Que virá fazer Tomar neste rol? Só para confortar o Politécnico, como no caso de  Pelotas RS (Brasil)
Para esclarecimento, acrescenta-se que a cidade de Targoviste está a perder população, desde os anos 90, tal como Tomar e que a Roménia tem uma população de 21 milhões de habitantes de várias etnias (mais do dobro de Portugal), incluindo 600 mil rom, (os ciganos da Europa central) e 1,2 milhões de habitantes que, no recenseamento de 202, recusaram indicar a sua etnia.
Entretanto em Lisboa, agentes da PSP à paisana têm tido a ingrata tarefa de vigiar e deter quadrilhas de romenos, que nos elétricos da capital se dedicam a aliviar os turistas das suas carteiras, logo a seguir libertados pelo poder judicial, com termo de identidade e residência. Como são muitos, uma vez detidos dão a vez a outros, os quais, quando libertados, seguem para Madrid, Barcelona ou Sevilha, onde prosseguem com a sua actividade, pois são verdadeiros artistas. O que nos pode safar por enquanto é que em Tomar não há eléctricos, e os TUT são pouco frequentados de tal forma que não compensaria, por falta de carteiras recheadas.


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Imagem copiada de Tomar na rede, com os agradecimentos de TAD3.

Eucaliptização

Há falta de pau no concelho e na Câmara?

Câmara aprova quase 40 hectares de eucaliptos | Tomar na Rede 

A pergunta pode parecer descabida e até inconveniente. Há sobretudo gente jovem na autarquia, onde tal carência não costuma ser habitual, mas temos de ter em conta que a maioria é feminina, o que, mesmo em época de paridade de género, pode ter os seus problemas. 
Devo contudo reconhecer que já me constou, na mesma linha de reflexão, haver no Município um problema de falta de planeamento agrícola, com excesso de nabos e falta de tomates. Quanto a pau, contudo, é a primeira vez que leio a respeito, embora esteja tudo ligado, como é bem sabido.
De qualquer forma, a interrogação do título, podendo ser pouco conveniente, tem a sua justificação. Segundo o Tomar na rede, a autarquia acaba de aprovar mais quarenta hectares de eucaliptos no concelho. Poderá alegar-se que são requerimentos bem lubrificados de empresas privadas. Mesmo assim a maioria socialista, tudo gente acima de qualquer suspeita, sempre poderia indeferir, caso notasse que não há falta de pau, nem na autarquia nem no concelho.
Trata-se de eucaliptos, árvores de origem australiana e de crescimento rápido, muito do agrado das empresas de celulose e dos pequenos proprietários rurais em geral. É certo que "bebem" muita água, de tal forma que tendem a secar tudo à sua volta, (como aconteceu com o  Cavaco a dada altura...) mas os pequenos proprietários rurais gostam muito porque, conforme costumam dizer "crescem tão rápido, que está um homem deitado na cama e vê o pau a crescer." Deve ser também por isso que a Câmara aprovou tanto eucalipto. O pessoal dos Casais (terra da minha mãe e do meu pai), não costuma deixar essas questões por paus alheios, e ainda bem, que o concelho está desde há anos em encolha demográfica.


Tribuna do PSD - Tomar 

David Cascaes

NÃO HÁ OMELETES SEM OVOS

Viver no equilíbrio foi e é, desde sempre, uma tarefa difícil ou quase impossível para o Ser Humano. Essa dificuldade reflete-se em vários setores primordiais para o desenvolvimento de um país e Portugal não é exceção, sobretudo na área da Educação.
Desde 1974, as Políticas em Educação seguiram o confiante caminho da democratização. Um período onde se massificou a escola, chegando a todos os lugares e pessoas. Milhares de crianças passaram a ter mais oportunidades, com campo aberto para dar andamento aos seus potenciais talentos e aptidões.
Para acompanhar a democratização e os mecanismos inerentes à Educação e ao Ensino, num esforço louvado, conciliou-se simultaneamente a construção de escolas, modificação de currículos, bem como o recrutamento de professores e estabeleceram-se parcerias com outros profissionais do ensino. Nos locais mais recônditos do interior esquecido, em cada cidade ou vila, nasceu, ainda que insuficiente, uma escola secundária, catalisadora de uma nova ordem social e de uma cidadania mais robusta e promotora de ações efetivas. A volúpia foi de tal forma sedenta que, em pouco tempo, até as escolas de ensino superior chegaram a muitos pontos do país. Efetivamente, foram criadas as condições para só ficarem para trás os que não queriam acompanhar.
Será que este esforço para melhorar a educação de um país se manteve até aos dias de hoje? Segundo dados do INE e Eurostat, comparativamente com os restantes países da UE, não. Lembro que, o ainda primeiro-ministro em funções, em setembro de 2017, de visita à Escola Básica e Secundária de Padrão da Légua, Matosinhos, veio a terreiro dizer, que o investimento na Educação era “absolutamente essencial para podermos ter um País que não se envergonhe”. Todavia, no ano seguinte, Portugal acabaria por registar o rácio da despesa pública em educação/PIB mais reduzido desde que há registos oficiais. Efetivamente, a realidade dos números não casa com o discurso político.
A análise das últimas duas décadas, relativamente à evolução da execução orçamental dos gastos públicos com a Educação, dá-nos algumas pistas que ajudam a desenhar um cenário de desinvestimento. Segundo os dados mais recentes, em 2020 o Estado português gastou em Educação 7 850,1 milhões de euros, um investimento maior face a 2019, mas ténue e explicado pelas evidentes circunstâncias do momento. Mas, em termos absolutos, os estudos apontam para um claro desinvestimento ao longo dos últimos oito anos de governação socialista (de 4,2% para 3,5% do PIB).
Se analisarmos a situação na ótica do desempenho escolar dos nossos alunos, também podemos retirar algumas ilações. O Programme for International Student Assessment (PISA), em 2015, refere que Portugal registou uma evolução no desempenho crescente em todas as áreas. Contudo, em 2023, a mesma entidade registou uma vertiginosa queda em todas as áreas.
Estes resultados vêm comprovar o claro desinvestimento em matéria de educação e parecem ser um sinal evidente de que Portugal pode ter invertido o trajeto educativo apontado a partir 1974. Às portas de se comemorar os 50 anos da nossa democracia, o próximo governo desta nação deverá perceber que a EDUCAÇÃO é o pilar fundamental de qualquer democracia. Sem ela, não teremos cidadãos conscientes, profissionais competentes, bons serviços, economia robusta e tudo o que daí advém.
Naturalmente que à escola compete garantir aprendizagens e valores que se transformem em conhecimento consolidado. Todavia, cabe ao governo o investimento com base numa estratégia credível, avaliando os resultados, interpretando-os, contextualizando-os e comparando-os com as políticas positivas de outros países. Se esse estudo não for feito, continuaremos eternamente a desenvolver políticas educativas com base no “achismo e no idealismo”, entrando numa espiral de “monta e desmonta” sem termo. Não se pode, de maneira nenhuma, adotar políticas educativas que “empurrem com a barriga” os problemas e hipotequem o futuro de um país e de uma sociedade que se deseja com altos níveis de literacia e bem preparada.
Vários são os fatores que têm vindo a ser considerados como fundamentais para a derrapagem geral dos últimos resultados. Mas o que é que falhou nos últimos anos? Apesar das evidências apontarem para grandes fragilidades no sistema educativo, foi em 2020, com a chamada crise pandémica, que mais se acentuaram e que nem o Plano de Recuperação de Aprendizagens e os seus projetos associados, mais as suas sucessivas renovações conseguiram mitigá-las. É com a análise dos resultados deste período, que se percebe o que é que verdadeiramente falhou.
Durante esse período conturbado, no meu entender, os planos e as estratégias avulsas adotadas falharam em três pontos: em primeiro lugar, partiu-se do pressuposto errado, quando se “achou” que os défices de aprendizagem eram, apenas e só, consequência da pandemia (as escolas, já antes da pandemia, estavam a esgotar o motor por falta de uma manutenção a médio e longo prazo); depois, não foram dadas às escolas as ferramentas necessárias, principalmente no que respeita às horas de crédito horário, para a concretização dos respetivos planos; por fim, uma falha diagnosticada por todos nós, que se vem arrastando ao longo dos últimos anos, com grande impacto nas aprendizagens dos nossos alunos é a falta de professores nas escolas.
De acordo com os últimos dados, o envelhecimento da classe fará com que 30.000 professores abandonem o sistema de ensino até 2030. Já diz o ditado, “não há omeletes sem ovos”, neste caso, “não há escola sem professores”. Estes números traduzem-nos a necessidade de se atuar urgentemente para inverter esta situação. Não só é pertinente, como é inadiável, uma estratégia nacional que recupere verdadeiramente a essência da escola, reforce e transporte a importância de uma educação como pilar de uma nação. A escola não pretende milagres, mas sim ações concretas e pensadas.
Bem sabemos que há falta de professores e esse é um dos problemas de base. Gradualmente tem-se assistido a uma desprofissionalização da carreira, ao contrário do que deveria acontecer, que seria uma maior atração pela profissão. Mas como podemos atrair profissionais a uma carreira tão descredibilizada?
Facilmente se pode concluir que só com políticas adequadas à realidade do século XXI, salários justos, com perspetiva de progressão na carreira e com uma cultura de valorização social da profissão, se pode resolver a crise sistémica na educação. Neste momento, é cada vez mais difícil atrair e reter os bons professores, bem como, encaminhar jovens com talento e predisposição para escolherem uma profissão que anda com a casa às costas e deixa na estrada grande parte do salário.
Sou Professor desde 2007, há quase duas décadas e com experiência na educação em dois contextos de ensino: o Privado e o Público. Contudo, não gosto de apelidar a escola de pública ou privada, escola é escola e é nela que devemos focar a nossas energias sem distinção. Ao longo destes anos, senti a escola muito flutuante, como uma instituição que vai sobrevivendo na esperança de dias melhores. Mas, os últimos oito anos foram de desgaste atroz, colocando a nu todas as suas carências e fragilidades. Aqui a governação Socialista e aliados falharam unilateralmente.
Dignificar a profissão deve ser a principal medida na educação, porém certo de que ficar por aqui seria muito pouco; existem outras medidas urgentes que são um fortíssimo sinal de que vale a pena acreditar na educação como motor do desenvolvimento de um país. Assim, sendo a Educação “absolutamente essencial”, é tempo de verdadeiramente ser uma prioridade na política nacional.

David Cascaes

Deputado Municipal eleito pelo PSD - Tomar

Vogal da Comissão Política do PSD - Tomar

Imagem copiada de mediotejo.net, com os nossos agradecimentos.

Festa dos tabuleiros 2023

Esta foi a pior de todas as festas !

Ângela Oliveira

Desde os dois anos e meio que vejo a festa, e até há poucos anos atrás, sempre colaborei com os moradores da minha rua e outros. Tornou-se esta tradição numa guerrinha desenfreada de comadres e compadres, com muita pena minha! Esta foi, sem sombra de dúvidas para mim, a pior de todas as festas! 
Falta de criatividade, de papel, arame, cola e afins...Zangas e mais zangas! Falta de estacionamento, incómodo sobre incómodos. Desde a música insuportável, nos altifalantes das ruas principais, à falta de higiene e cheiros nauseabundos, até à multidão exagerada. Não cabe cá tanta gente. Incomodam-se uns aos outros.
A continuação de pares mal trajados no cortejo. Fitas mal colocadas, maquilhagem em excesso, óculos escuros, relógios e pulseiras a mais. Unhas pintadas e postiças. Ruas com poucas flores, enfim um rol que nunca mais acaba!
Tabuleiros mal montados, cabelos despenteados e a tapar a visão de quem os levava. Saias transparentes, de se ver a lingerie (vistam um saiote meninas, ou ponham mais folhos nas saias, para não se ver as pernas por aí acima!). Nada disto pertencente à tradição.
Levar um tabuleiro não é para todas, mas apenas para quem sabe e pode!
Quanto aos gastos, cobrassem os bilhetes dos concertos, em lugar delimitado. Gerir também é para quem sabe e pode!
Não incomodem sempre os mesmos. Não fazem falta alguma os altifalantes todos os dias a berrarem aos nossos ouvidos!
Antes que alguém se lembre de perguntar, tenho fotos e vídeos ilustrativos destes péssimos exemplos que nomeei!
O pior mordomo de sempre!!!

Ângela Oliveira (texto editado por TAD3)

ADENDA

Para melhor entendimento das contas dos tabuleiros, apresentadas sete meses após a conclusão do evento, eis um excerto da entrevista do mordomo Mário Formiga ao mediotejo.net, republicada em 24 de Junho de 2023, menos de três semanas antes do início da festa:

"O subsídio da Câmara que foi atribuído em 2019 foi de 200 mil euros. Este ano é de 270 mil euros, e é com esse valor que vamos ter de trabalhar. As pessoas podem achar que o subsídio é avultado, mas não é. Neste momento, pelas nossas contas, esse valor apenas é para a logística da Festa propriamente dita, ruas, papel, tabuleiros. Tudo o restante em volta da Festa, teremos nós, Comissão, de trabalhar nisso para que tenhamos os espetáculos [de música], o fogo de artifício, essas coisas que complementam a própria Festa." 

Como é agora do conhecimento público, o subsídio camarário de 270 mil euros, indicado pelo mordomo nesta entrevista, acabou por ser de 1,3 milhões de euros. Uma ligeira "derrapagem", por assim dizer, para promover Tomar.

Houve uns tabuleiros desalinhados, e gente a mais no meio do cortejo, mas sejamos tolerantes. É um desfile de amadores, que correu muito bem.

Festa dos tabuleiros 2023

Não sabia que tinham vindo 

tabuleiros de tão longe...

Crónica que pretende ser irónica, porque rir ainda é um excelente remédio, quando há sentido de humor.

A mais completa reportagem sobre a apresentação das contas dos tabuleiros 2023, está publicada no site mediotejo.net. Assinada por Jéssica Filipe, (a frequentar o Mestrado em Jornalismo da Universidade da Beira Interior), procura explicar tudo muito direitinho, coisa rara na informação local, que a levou a citar uma parte algo cómica. Ora tenha a bondade de ler com atenção o excerto seguinte, copiado do site antes referido:

"Em 2023 foram 33 as ruas ornamentadas, tendo existido a necessidade de encomendar papel seda para as ruas e papel crepe para os tabuleiros da Alemanha, o que permitiu uma poupança em cerca de 30% a 40% do valor. O que gastámos em papel equivale, em termos lineares, a 1200km, uma distância de Tomar a Barcelona. Em área foram cerca de 60 hectares de papel. O principal custo que temos é, de facto, com o papel, pelo que as ruas têm um subtotal de 219.671, 16€”, afirmou."

Pelo jeito, vieram tabuleiros da Alemanha, para os quais a Comissão pagou papel crepe, e eu convencido de que só as onze freguesias tomarenses é que participavam no cortejo, executando os seus tabuleiros Sendo assim, sugiro que para a próxima festa, em 2027 se o povo assim o decidir, a Comissão providencie também tabuleiros  dos Estados Unidos, da Rússia, da China da Inglaterra e da União Europeia, por uma questão de equilíbrio diplomático. 
Não deverá ser difícil, porque felizmente há tomarenses em todos esses países, que terão muito gosto em colaborar na Festa grande nabantina. É verdade que este ano as coisas não correram muito bem no Carnaval carioca, com os tabuleiros da Escola de Samba Unidos da Tijuca, mas deve ter sido a excepção que confirma a regra: tabuleiro é um produto exclusivamente tomarense, que não resulta em desfiles fora do vale nabantino. Escreveu o Nini algures, que "os forasteiros admiram os tabuleiros, mas os tomarenses vêem a festa com outros olhos."
Uma dúvida final, que talvez o mordomo me possa explicar. Tendo em conta a enorme diferença de nível de vida, e portanto de custos de produção, entre os dois países, como raio é que na Alemanha o papel de seda e crepe custou menos 30 a 40% em relação a Portugal? Que eu saiba, estão ambos  na UE, pelo que não há direitos alfandegários. Querem ver que foi papel chinês transitando pela Alemanha...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Contas da Festa dos tabuleiros 2023

Gestação difícil e  parto fácil

Festa dos Tabuleiros deu saldo positivo superior a 66 mil euros | Tomar na Rede

TOMAR – Festa dos Tabuleiros. Câmara e Comissão apresentaram a contabilidade final e explicam diferenças com anos anteriores (c/vídeo) | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Refiro-me às contas dos tabuleiros 2023. Gestação difícil, que durou sete meses,  parto fácil, que alegrou toda a gente e não chocou ninguém. À moda de Tomar. Contas límpidas e transparentes, sem margem para dúvidas ou reclamações. E que todos perceberam muito bem.
Prova disso é o saldo que transita para a edição de 2027 (se houver). Tomar na rede diz que são mais de 66 mil euros (ver link), enquanto a Hertz escreve que são só 19 mil euros. (ver link). Estarão a falar da mesma coisa?
Surpreendente, pelo menos para quem escreve estas linhas, é a informação do mordomo, noticiada pela Hertz (ver link), segundo a qual os concertos não custaram um cêntimo à Câmara, pois foram financiados por patrocinadores. O que significa que os 1,3 milhões de euros de fundos camarários se destinaram exclusivamente aos tabuleiros, às ruas ornamentadas e aos jogos populares. Como o mordomo, baseado segundo ele disse em informações da PSP,  calcula em um milhão de visitantes a vinda aos tabuleiros, pode dizer-se que ficou a um euro e trinta cada um, tendo em conta o subsídio camarário de 1,3 milhões de euros. Outra vertente muito curiosa e assaz tomarense é o estranho caso dos patrocinadores. Geralmente dispendem somas elevadas para se promoverem, para serem conhecidos, como acontece por esse país fora. Em Tomar ignora-se quem tenham sido os patrocinadores da Festa grande. Bizarro.
Uma aberração, nos tempos que vão correndo, em que falta tanta coisa de primeira necessidade, gastar verbas que poderiam ser usadas noutros sectores, se a festa fosse organizada de outra forma, mais profissional e mais eficaz. Poderia até dar lucro, quando no modelo actual custou o equivalente a 40 euros por cada habitante do concelho. É obra!
Aberração que não é única em Tomar. Há também o extraordinário realojamento dos ciganos do Flecheiro. Um sucesso que ninguém sabe bem quanto custou e custa, tanto em termos materiais como de qualidade de vida. Sabe-se apenas que foram realojadas cerca de 250 pessoas. Proporcionalmente, à escala nacional, algo como realojar 57.500 ciganos, uma vez que um concelho de 40 mil habitantes realojou 250, e somos dez milhões. Estão a ver Portugal, ou algum outro país europeu, a realojar tanto cigano? São as chamadas aberrações nabantinas, que em geral passam despercebidas, porque os dependentes convertidos são muitos e pensar cansa um bocadinho a cabeça. Sobretudo quando se trata de raciocinar em termos de modelo económico sustentável a longo prazo.
Disse o presidente Cristóvão, durante a apresentação das contas, que "seria possível fazer uma Festa mais barata, mas não seria a mesma coisa." Sendo assim, registe-se para memória futura. No próximo ano há autárquicas...
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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Imagem O Mirante (editada) com os agradecimentos de TAD3.

Funcionários superiores municipais 

Há uma camarilha no Município 

que manda mais que o presidente

 

Recordando. Algo inesperadamente, o PS venceu as áutárquicas em Outubro de 2013, e assumiu o poder em Tomar. Anabela Freitas era presidente, o arquitecto Serrano, ex-vice-presidente de Abrantes, ficou com a vice-presidência e o pelouro da obras e urbanismo, sendo Luís Ferreira, na época companheiro de Anabela Freitas havia nove anos, seu chefe de gabinete.
Pouco tempo depois, numa clara tentativa de saneamento, alguns técnicos superiores da autarquia foram "emprateleirados", num anexo criado no Pavilhão municipal, logo apelidado de "unidade de queimados". Foi sol de pouca dura. Ainda os louvores a tanta coragem não tinham cessado e, em 2015, inesperadamente, o vice-presidente da Câmara e o chefe de gabinete foram afastados e renunciaram, não tendo havido até hoje qualquer esclarecimento público sobre o assunto. Hugo Cristóvão assumiu então a vice-presidência, e não se falou mais no assunto a nível interno. Que se saiba.
Nove anos mais tarde, o agora presidente Cristóvão foi entrevistado por um semanário regional,  e disse coisas algo surpreendentes, que podem ser lidas na edição impressa d'O MIRANTE, edição papel de 15 de Fevereiro de 2024, páginas 24 e 25. 
À pergunta "Há técnicos municipais que mandam mais que o presidente da Câmara?" Cristóvão nem hesitou: "Ao longo dos anos fui dizendo que isso acontece em algumas situações, por ausência de liderança, sem cedências, embora não me custe reconhecer que há culturas de organização que não mudam de um dia para o outro."
Disse mais: "Há no município de Tomar... ...várias chefias intermédias. Algumas ainda abusam do seu cargo e do seu estatuto, mas é um problema que queremos resolver." Acicatado por esta última adversativa,  (ou de acordo com o guião combinado), quem entrevistou foi lesto: "Devia ser mais fácil despedir essas chefias que tentam contrariar decisões superiores?" -"Devia e tenho essa opinião há muito tempo", respondeu o presidente Cristóvão.
Contrariando alguma opinião local de lambe-botas, segundo a qual este blogue "é só má língua", o próprio presidente da Câmara confirma assim, usando outro vocabulário, que há nos Paços do concelho uma camarilha que manda mais que o próprio presidente, sempre e quando estão em causa projectos a necessitar de adequada lubrificação. Como por exemplo as Avessadas...
A velha receita, que consiste em criar dificuldades por cima da mesa, para depois vender facilidades por baixo da mesma. Já o Lavoisier enunciava, há três séculos que "as mesmas causas nas mesmas condições exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos." Resta agora ao presidente Cristóvão, caso pretenda "betonar" a sua posição, esclarecer finalmente o estranho imbróglio de 2015.
Quanto à tal camarilha municipal, pelo menos ao nível das intenções presidenciais, o seu reinado tem os dias contados. Aproximam-se sucessivas tempestades, a vinte dias das legislativas de 10 de Março. Finalmente um bom sinal para Tomar e para os tomarenses de boa vontade? Já vai sendo tempo, ao cabo de dez anos de uma governação algo caótica.

domingo, 18 de fevereiro de 2024



Imagem Rádio Hertz, com os nossos agradecimentos.

Habitação social

A moda das tranças pretas 

e dos apartamentos a custos controlados

É música antiga, do século passado. Um fado nobre, do titular Vicente da Câmara, no qual canta a tendência das meninas da alta sociedade lisboeta de então para imitarem a pobre mas bela vendedora de violetas, a menina das tranças pretas. Era a moda.
Décadas mais tarde, sucedem-se as modas, e o hábito imitador mantém-se. Maiorias autárquicas eleitas sem programas nem ideias, não têm outro remédio senão adoptar o que se vai fazendo nas homólogas liderantes. Seguem a moda. Temos assim em Tomar ciclovias sem bicicletas, "encosto" de caravanas sem parque de campismo, ou skatódromo quando  faltam ambulâncias, instalações sanitárias e lugares de. estacionamento. Há mais exemplos.
Fiados na sua boa estrela, Cristóvão e seguidores resolveram agora seguir a moda da "habitação a custos controlados". Excelente, pensam eles, para criar mais dependentes do Estado. Esqueceram porém dois detalhes essenciais. De forma algo surpreendente, a acreditar nas sondagens, nem todos os dependentes do Estado tencionam votar PS, nem coisa que se pareça. É um dado novo, que a confirmar-se nas urnas, pode vir a  pôr em causa toda a política do governo e das autarquias que controla.
Mais grave ainda, no caso de Tomar, onde o presidente Cristóvão não se cansa de falar na construção de perto de cem alojamentos a custos controlados, impõe-se a pergunta: Faz sentido construir habitação subsidiada, numa terra cuja população está a diminuir há mais de vinte anos? Estão convencidos que os novos alojamentos vão atrair cidadãos pagadores de impostos?
Casas novas de renda moderada para quem, se a população residente é cada vez menos, o que logicamente deixa alojamentos devolutos? Só podem ser portanto para desprotegidos, migrantes, imigrantes ou oportunistas. Vizinhos problemáticos. que regra geral ninguém quer, o que leva a mudar-se logo que possível. Com um pouco de azar, em vez de atraírem população, os novos alojamentos podem pelo contrário vir a contribuir para acentuar o êxodo. Como já está a acontecer com o caso Flecheiro.
Acresce um detalhe importante, que pode  mexer no meu bolso. Tenho na cidade alguns alojamentos modestos, em casas recuperadas no centro histórico, arrendados a preços de mercado, pois não herdei nada, nem sou nenhuma instituição de solidariedade social, financiada pelo Estado com os meus impostos. Uma vez concluídos os tais "alojamentos a custos controlados", as rendas serão logicamente muito mais acessíveis, o que pode levar alguns dos meus rendeiros a mudar-se para muito mais barato e mais moderno.
Pergunto: A ser assim, que mal fiz eu a Deus para o PS local me prejudicar duplamente, mandando edificar com os meus impostos alojamentos mais baratos para os meus rendeiros? O voto deles é mais importante que o meu? A autarquia e o governo vivem dos meus impostos, ou dos dependentes do RSI?
Em tempo de campanha eleitoral, será melhor pensar mais um bocadinho, pois quem anda à chuva molha-se, pelo que é conveniente vestir a gabardine antes de sair de casa. Refletir atempadamente nunca fez mal a ninguém.

ADENDA

Após ter lido a crónica supra, António Alexandre, provedor da Santa Casa, publicou no Facebook este comentário, que aqui se reproduz, com a devida vénia ao autor e ao Face:

António Alexandre
Mais uma vez o meu caro fala do que interessa a Tomar e com clareza mostra, que o caminho está errado, foi errado e querem continuar no sentido errado das coisas.
Propaganda errada, investimento errado.
Espero que nas próximas eleições, os eleitores comecem a dar sinais claros de que o voto é a arma do povo e que deve ser usado com eficácia.
Tomar merece mais e tem pouco.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024


Imagem promocional Vila Galé - Tomar

Auto Acessórios e Convento de Santa Iria

O turismo facilita muito 

mas não justifica tudo

Chineses compraram a dada altura, por preço ainda por apurar, a maior parte das instalações da falida Auto Acessórios Lda, na Rua de Coimbra. Mantiveram o aspecto exterior, não fizeram qualquer acrescento e renovaram a cobertura. No interior limitaram-se a instalações sanitárias, reboco e pavimentação. Tudo devidamente pintado e guarnecido, abriram ao público e foram fazendo pela vida, com a designação comercial de Fórum Oriente.
A dada altura, em 2021, alguém da autarquia, ignora-se se funcionário ou eleito, concluiu que o estabelecimento, tipo armazém, estava a funcionar ilegalmente. Seguiram-se os respectivos procedimentos administrativos, que culminaram, três anos mais tarde, com uma proposta municipal irrecusável: 91 mil euros, ficam legalizados e não se fala mais nisso. Não sei se já pagaram ou não, mas a situação era esta quando saí de Tomar em Setembro passado.
Tratando-se de um investimento assaz modesto, que até respeitou o edificado existente e o ramo de negócio (comércio e indústria), pareceu-me exagerado aquele castigo de 91 mil euros, o que me levou a procurar outros casos para comparar. Acabei por conseguir saber, apoiado em documentação oficial, que o Hotel Vila Galé teve outro tratamento, muito mais favorável, decerto por ser um investimento turístico e não "uma loja dos chineses".
Compraram por 706 mil euros um convento arruinado, antes avaliado em 3 milhões, transformaram-no num hotel de 4 estrelas com 101 quartos, e até acrescentaram ao edificado existente uma piscina e 15 quartos, num terreno que é leito de cheia. Quanto é que pagaram oficialmente por tudo? 4,940,78€ pela licença de obras, e 1.199,37€ pela licença de utilização, num total de  6.140,15€. Muito longe dos 91 mil euros do Fórum Oriente...
Pois. Será isso que está a pensar, mas não há provas. Apenas indícios. Fortes indícios. Fiquei com a ideia que o caso do Fórum Oriente levou muito tempo e ficou demasiado caro, por se ter transformado em retaliação contra investimentos sem lubrificação adequada. Já no caso Vila Galé, foi o oposto. Projecto aprovado em 8 meses, obras sem entraves, mesmo quando de legalidade duvidosa, custos oficiais muito mais modestos,  tudo a indiciar facilitismo, devidamente oleado. O turismo facilita muito, mas não justifica tudo.