sexta-feira, 30 de junho de 2023

 

Imagem copiada do Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.

Jornalismo e realidade envolvente

Deixar fugir ou forçar a sair?

Câmara de Tomar deixa fugir investimento de 7 milhões para a Barquinha | Tomar na Rede

A língua portuguesa é muito complicada, e por vezes traiçoeira,  o que obriga, ou devia obrigar, os profissionais da escrita a usá-la com cautela e rigor. Noticia o Tomar na rede, do bom amigo e excelente jornalista José Gaio, que a "Câmara de Tomar deixou fugir investimento de 7 milhões para a Barquinha".
É o ponto de vista -a narrativa se preferirem- do profissional da informação, que certamente lhe foi transmitida pelas suas fontes, e que não sendo de todo descabida, tão pouco corresponde inteiramente ao que aconteceu de facto até agora, sem que pareça haver contudo intencionalidade orientadora. O investimento não fugiu, nem a entidade investidora tem na ideia fugir, parece-me a mim. Apenas deixar de investir em Tomar, por força das circunstâncias adversas. 
O que aconteceu neste triste caso é que a manifesta falta de capacidade negocial da Câmara, obrigou a Santa Casa de Tomar, após mais de três anos de espera em vão, a procurar uma solução alternativa, a qual lhe foi facultada pela autarquia da Barquinha. E o investidor aproveitou, emigrando, como sempre acontece com os empresários sensatos. Migram para onde lhes proporcionam mais vantagens.
Vai tudo dar ao mesmo, dirão alguns mais simplórios. Mas não vai de modo algum. Se a autarquia "deixou fugir", subentende-se que terá havido incompetência, falta de atenção ou de interesse pelo assunto. Negligência, em suma. Que também houve. Todavia, se o investidor foi forçado a partir, a sair de Tomar,  a migrar para concelho mais acolhedor, estamos perante um caso evidente de política deliberada, culposa, que visa servir outros interesses, que não os da comunidade tomarense no seu todo. O que não significa que os autores dessa política sejam os próprios eleitos. Estou até convencido de que são apenas os seus executores involuntários, por manifesta falta de coragem para a denunciar, pois isso implicaria alguma perda de votos, além de outras complicações previsíveis. 
Como todos sabemos, os socialistas vencem eleições graças sobretudo aos votos dos funcionário públicos, que em tempos foram servidores do Estado, mas agora começam a estar mais virados para servidores de quem der mais. Com honrosas excepções, é certo, porém as nódoas sujam o pano todo. 
Muita cautela portanto,  sobretudo quando se escreve para ganhar a vida. Por vezes o que conta mais, não é aquilo que se diz, mas a maneira como se diz. Não o que está escrito, mas aquilo que os leitores são levados a perceber, tendo em conta a sua bagagem prévia. Uma questão de subentendidos. De Understatement, diriam os anglo-saxónicos, mestres na matéria, posto que têm até uma disciplina universitária que não existe em Portugal -a pragmática linguística.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

 


Urbanismo e gestão do território

Misericórdia de Tomar forçada a emigrar

Câmara de Tomar deixa fugir investimento de 7 milhões para a Barquinha | Tomar na Rede

A Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Tomar votou por maioria, com apenas uma abstenção e um voto contra, a implantação do futuro centro assistencial daquela instituição, um investimento de sete milhões de euros, na Atalaia, Barquinha, em cooperação com a Santa Casa daquele pequeno concelho. Ao cabo de mais de cinco séculos de trabalho em prol dos mais necessitados, até a Santa Casa tomarense é praticamente forçada a emigrar, como já aconteceu a outras empresas. Prova disso é que estão mesmo a tentar vender o hospital velho e os outros imóveis do quarteirão propriedade da instituição. Porquê? Como foi possível chegar aqui?
Para quem não acompanha com cuidado a marcha caótica da traquitana nabantina, o assunto é simples. Um proprietário local -o eng. Luís Alvellos- doou à Santa Casa um terreno, na Quinta das Avessadas, para construção de um conjunto assistencial, mas exige em troca algumas contrapartidas na futura ocupação do solo. Apoiada na Lei vigente, que é como quem diz num PDM que está longe de ser uma maravilha, a Câmara diz que lamenta, mas não pode satisfazer tal pretensão, pelo que o dito terreno pode considerar-se "uma carta fora do baralho", segundo a expressão da própria presidente da Câmara,  que todavia manifestou disponibilidade para encontrar outras soluções.
A Assembleia geral da Misericórdia pode considerar-se portanto como uma decisão definitiva de emigração, mas também como tentativa de pressão sobre a Câmara de Tomar, perante a evidente falta de diálogo produtivo. Isto porque, ironia do destino, o agora provedor era vereador na altura em que foi elaborado e aprovado o PDM de Tomar. Sabe portanto como as coisas se passaram e que o citado documento de gestão do território está longe de ser perfeito, mesmo depois da recente revisão.
Tanto na fase da elaboração, como mais tarde na sua revisão, imperaram outros interesses, que não os da população nabantina no seu conjunto. E são esses interesses espúrios que constituem forte obstáculo ao desenvolvimento da cidade e do concelho, ao erguerem barreiras que alguns dizem intransponíveis, para daí sacarem depois benefícios materiais à margem da legalidade.
Esses interesses são os de um grupinho local identificado, que até já esteve na origem da renúncia do arquitecto Serrano, em 2015, quando este tentou alterar o que estava e continua a estar mal. Por conseguinte, com a saída surpresa de Anabela Freitas para Aveiro, Cristóvão e os seus camaradas têm agora duas hipóteses. Ou afrontam finalmente, e vencem, o dito grupinho, cedendo depois no caso da Misericórdia e noutros, ou consideram que está tudo bem assim, e o futuro Centro de cuidados continuados da Santa Casa vai mesmo para a Atalaia, seguindo-se a venda do hospital velho. O problema é que se optarem pelo confronto, alguns podem vir a perder os lugares, pois conforme diz o provérbio "Quem tem telhados de vidro, pode acordar com um corno partido." q.e.d.
Resta aguardar as cenas dos próximos episódios, tendo em conta o que acaba de ser dito e indiciado. Os estragos começam a ser demasiado importantes, para que tudo possa continuar na mesma, mudando só qualquer coisinha...




quarta-feira, 28 de junho de 2023

A coroa do espírito santo no meio das ervas. Segundo o vice- presidente Cristóvão, são espaços concessionados, ou do governo, onde a Câmara não pode fazer nada. Seguindo tal lógica, se um dia destes houver um incêndio no quartel do regimento local, por exemplo, os bombeiros municipais estão  impedidos de lá ir apagar o fogo.

Festa dos tabuleiros

872 mil euros  

já custou a Festa à Câmara

A previsão inicial era de 600 mil

TOMAR – Câmara confirma que já gastou 872 mil euros na preparação da Festa dos Tabuleiros | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

É sempre a somar. Informa a Rádio Hertz, reproduzindo declarações da presidente Anabela Freitas, que até agora a Câmara já gastou 872 mil euros com os tabuleiros. Mais de 20 euros por cada habitante. E  a conta pode vir a subir, acrescentou a autarca. O que significa que vai aumentar mesmo. Extraordinário! Uma festa popular de oferendas com 718 tabuleiros, que ficam a mais de mil euros cada um, só para cumprir a tradição e promover Tomar, afirmam os seus organizadores. E com falhas e abusos tão gritantes, que só não vê quem não quer. Vinte mil euros para o lanche dos convidados, por exemplo, ou vinte eventos musicais gratuitos durante a festa, dois por noite,  são autênticas barbaridades em tempos de crise. E 718 tabuleiros para quê? 500 não chegavam?
Uma vez que, noutra vertente autárquica, se prevêem "buracos" consideráveis para tapar, nomeadamente na Tejo Ambiente, Tomar Polis, ex-Resitejo e Escola Profissional de Tomar, não se estranharia que, a dada altura, a manta municipal não consiga tapar a cama toda, havendo necessidade de recorrer à banca. Para já, conforme consta de documentos distribuídos aos deputados municipais, os ROC recusaram-se a certificar essa parte das contas autárquicas. E deixaram escrito. Mau sinal. 
Tal como o dinheiro, as mantas também não esticam. Isto numa altura em que a presidente se prepara para abandonar o barco nabantino, já em Setembro próximo. Dois anos antes do final do mandato, preferindo os moliceiros aveirenses para os próximos cinco anos, mesmo como subalterna do presidente do Turismo do Centro, que tem a sua sede junto à Ria de Aveiro. Aguardemos atentamente, que a coisa promete emoções fortes para todos os gostos, embora em princípio estejamos protegidos durante a nossa atribulada viagem rumo ao futuro. Desde há séculos que, nos países católicos, S. Cristóvão é o protector dos viajantes. O problema é que em Tomar a situação está cada vez menos católica. Mas os tomarenses  continuam calados e contentes, se calhar pensando que não são eles que vão pagar os gastos sumptuários da autarquia e a mania das grandezas de eleitos sempre em festa, mas sem planos capazes.


terça-feira, 27 de junho de 2023

 

Comunicado:

PSD VISITA 

FREGUESIA DE CARREGUEIROS

O PSD de Tomar deu continuidade à iniciativa “Volta às Freguesias”, visitando a

freguesia de Carregueiros. Este conjunto de visitas desenvolvido pela Comissão

Política envolve os autarcas das freguesias, vereadores da Câmara Municipal, eleitos

da Assembleia Municipal, militantes e simpatizantes.

Estas visitas têm como objetivo o conhecimento detalhado do território, do potencial e

dos desafios de cada comunidade e o contacto com empresários, dirigentes

associativos e cidadãos para entender as suas necessidades e expetativas.

A “volta” à freguesia de Carregueiros iniciou-se precisamente em Carregueiros com

momentos de contacto com a população, seguindo-se a reunião de trabalho com o

executivo da Junta de Freguesia, onde foram abordados diversos temas, desde a

preparação para a Festa do Espírito Santo e a Festa dos Tabuleiros, às obras a

decorrer no edifício da Junta de Freguesia, assim como a educação e a saúde na

freguesia.

A comitiva visitou depois várias localidades e pontos de interesse da freguesia, como a

Associação dos Brasões, onde escutámos os anseios dos dirigentes associativos, e percorremos parte do

imponente Aqueduto do Pegões, onde registámos, mais uma vez, o potencial

desaproveitado deste Monumento Nacional, parte integrante do Convento de Cristo.

O PSD de Tomar considera essencial este trabalho de envolvimento e proximidade

local para uma ação política equilibrada e sustentável, conduzindo à elaboração de

propostas e projetos capazes de produzir respostas eficazes para o futuro do

concelho.

A iniciativa "Volta às Freguesias" regressará no mês de setembro, prosseguindo as

visitas às restantes freguesias, com o objetivo de percorrer todo o concelho até ao final

deste ano.

Tomar, 27 de junho de 2023

PSD de Tomar

 






Gestão municipal

O Flecheiro para lá das obras de 3 milhões

Houve visita de membro do governo, explicações técnicas e vasta cobertura dos órgãos de informação avençados, mas mesmo assim, quer-me parecer que no Flecheiro nem tudo está bem. Nem coisa parecida. As imagens acima mostram o estado em que se encontra a parte mais a sul, ainda habitada, e até o início da Nun'Álvares para quem entre na cidade por ali.
Como se pode ver, o aspecto geral está longe de ser brilhante. Montes de entulho, destroços de toda a ordem, erva a crescer por todo o lado, incluindo nos novos passeios da avenida. E um contador de água ao ar livre, rodando a alta velocidade. Rotura? Roubos? 
É certo que já cortaram as ervas do passeio do lado poente, mas deixaram tudo como estava do lado oposto, o que não se compreende de todo.  Os que lá moram são filhos de outras mães? O trabalho ainda não está concluído? 
Também não se compreende o comportamento de alguns autarcas PS, e outros cidadãos mais esclarecidos, ligados à Festa dos tabuleiros. Ficaram todos ofendidos porque, segundo consideram, um cartaz legal do Chega polui o percurso do cortejo e a estética do local onde está, a Rotunda da Ponte nova. Então e o entulho, o lixo e as ervas do Flecheiro, documentados nas imagens, não poluem a paisagem, nem incomodam quem passa por ali? Cada vez tenho mais dificuldade para compreender os meus queridos conterrâneos. Sobretudo os mais lidos e vividos.


segunda-feira, 26 de junho de 2023

Raul Almeida, o autarca de Mira que provocou o naufrágio da candidatura templária, para depois a salvar, numa solução à sua medida. Bela jogada política!

Eleições no Turismo do Centro

A candidatura de Anabela Freitas já foi...

Contrariando alguma opinião pública local, que considerava ser a candidatura presidencial nabantina ao Turismo do Centro, praticamente "trigo limpo e já no papo", o Diário de Coimbra de ontem avançou que houve acordo entre as duas candidaturas anunciadas, a de Anabela Freitas e a de Raul Almeida, presidente PSD da Câmara de Mira, um concelho com 12 mil habitantes.
Segundo a mesma fonte, na lista conjunta a que se chegou, e que será votada no próximo dia 26 de Julho, Raul Almeida concorre a presidente e Anabela Freitas a sua vice, uma curiosa situação. O presidente de um pequeno concelho sem qualquer experiência prévia na área turística consegue ter como subalterna a até agora poderosa lider dos tomarenses e do Médio Tejo. É uma queda e tanto. Mesmo assim muito conveniente para a autarca tomarense, que consegue uma ocupação para os próximos cinco anos, eventualmente seguidos de outros tantos, após os quais poderá então aspirar à presidência do Turismo do Centro.
Bem ao seu estilo proclamatório, com acentuada tendência para tentar transformar derrotas evidentes em vitórias indiscutíveis, a presidente tomarense já foi dizendo: "Há muitos anos que tenho dedicado parte da minha vida a desenvolver o Turismo do Centro de Portugal, enquanto membro da Comissão executiva liderada por Pedro Machado. Vou continuar a dar o melhor nesta lista conjunta com o Raul Almeida, para que a região tenha cada vez mais notoriedade e atratividade para os visitantes. É esse o nosso desejo comum e é esse caminho de unidade que vamos pôr em prática."
Resumindo, mais uma grande vitória para a autarca socialista tomarense. E naturalmente para a cidade templária. Resta aguardar que o seu sucessor não seja afinal tão mau como o têm pintado alguns freitistas locais. Pelo que me toca, a esperança não é muita, mas mesmo assim será sempre a última a morrer. De qualquer maneira, pior do que antes é difícil. E já vamos na terceira fase do poder socialista nabantino. Após dois anos de "Luís manda nela", oito anos de "Na câmara manda ela". Seguem-se quase dois anos finais com "Cristóvão lá vai ela". É a vida, como diria o Guterres.



domingo, 25 de junho de 2023

 Tabuleiros e propaganda política

O cúmulo da má-fé

A #FestadosTabuleiros contradições
Enquanto a nossa linda cidade, vai vestindo o seu melhor trage, para a festa maior, numa das artérias mais movimentadas da cidade, situada numa das entradas para o centro histórico (Praceta Alves Redol) um cartaz de propaganda política "ornamenta" o espaço.
Este outdoor prejudica a beleza e o enquadramento de um espaço patrimonial "Casa dos Cubos" que é de interesse público, cujo projeto já valeu, entre outros, um prêmio Contractworld Award e a nomeação para o Prémio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia
Na minha opinião a omnipresença deste outdoor polui visivelmente este espaço, e retira-lhe toda a harmonia estética, para além de ser um contrassenso colocar um cartaz que defende a cultura a ocultar um edifício que serve a mesma.
Assim deixo a pergunta, não há regras?"

Julgava eu, sempre ingénuo, que com o espalhanço monumental dos dois vereadores PS (uma vereadora e um vereador, para evitar questões de género), estava encerrado o lamentável episódio do cartaz do Chega, colocado na Rotunda da Ponte nova. Enganei-me.
O texto e a imagem supra, reproduzidos do Facebook, com a devida vénia e os meus agradecimentos, testemunham um caso de evidente má-fé, e de um cinismo difícil de ultrapassar. Para os eleitos antes citados, e alguns outros cidadãos ligados à festa, essa propaganda política do Chega prejudica a beleza e a pureza do desfile dos tabuleiros. É uma opinião algo estrambólica, que deixa perceber a intenção subjacente -a retirada obrigatória do cartaz, apesar de estar na mais estrita legalidade.
Decerto após ter concluído que por ali não se ia lá onde se pretende de facto, a senhora Ana Coutinho, no uso do seu direito de opinião, recorreu a outro prisma -o dito cartaz polui a visão estética de um imóvel premiado de interesse público. E até pergunta se não há regras.
Há regras sim senhora. Há até uma ortografia oficial, na qual "traje" se escreve com jota, e uma Lei, que o Chega cumpriu e cumpre integralmente. Quanto à visão estética de um imóvel premiado de interesse público, por favor não abuse da ignorância dos tomarenses em geral, minha senhora. O edifício em questão não é de interesse público, porque nunca foi classificado como tal, visto tratar-se de um celeiro do século XVI, em estilo chão, e já amputado nomeadamente do lado poente, para o adaptar ao figurino da rotunda.
É certo que as velhas tercenas da Ordem de Cristo, vulgarmente conhecidas como Edifício dos cubos, cujo primitivo portal renascença é agora o do edifício do turismo municipal, recebeu um prémio de arquitectura, como de resto também aconteceu com a requalificação da avenida Nun'Álvares, apesar do que está à vista de todos. Esse prémio galardoa a recuperação do imóvel, mas só pode referir-se ao seu interior, uma vez que o exterior se manteve tal qual era antes, exceptuando a tal amputação tornada inevitável.
O que significa que exteriormente a referida construção, em arquitectura chã, não tem na prática qualquer valor estético excepcional, como de resto intuiram os próprios autores do restauro, ao mandarem plantar uma cortina de verdura para esconder quase toda a fachada norte, a tal que o cartaz polui, segundo alega a senhora. Então o cartaz polui, e a cortina vegetal não?
Por conseguinte, mesmo com a alusão a uma candidatura a um prémio europeu de arquitectura contemporânea, para galardoar uma singela obra utilitária já com cinco séculos, a argumentação da senhora não consegue esconder o seu fito último: -eliminar o cartaz do Chega, por muito que vá proclamando o contrário. Como diz o povo, "a mim não me enganas tu".
O cartaz do PSD na rotunda da Ângela Tamagnini, não impede a perfeita visão estética da Praceta Raul Lopes e do ex-CNA? O cartaz do Papa, que esteve ilegalmente pendurado na torre sineira de Santa Maria dos Olivais, e agora está em plena Corredoura, não ofendia a estética do local? Aquele suporte de cartazes, muito maltratado, encostado a uma árvore ao fundo da Corredoura, do lado esquerdo de quem olha o castelo, não vai prejudicar a beleza do cortejo dos tabuleiros? A senhora Ana Coutinho alguma vez escreveu sobre esses casos? Mas não tem nada contra o Chega, pois não?

Nota final
Não sou advogado nem militante, nem eleitor, nem simpatizante do Chega. Os tomarenses conhecem-me, sobretudo os que lêem. Limito-me a tentar lutar contra os ataques dissimulados, visando acabar paulatinamente com as liberdades fundamentais neste país, como é o caso. Censura nunca mais ! Venha de onde vier, encapotada ou não.


Cumprir a tradição e promover o turismo?

Concertos à borla 

para promover Tomar é só treta

Quando questionados sobre os objectivos dos sucessivos eventos à borla, pagos pela autarquia, com destaque para os tabuleiros que custam uma fortuna, a resposta é sempre a mesma: "Para cumprir a tradição e promover Tomar". Apenas uma treta, mais uma, porquanto os factos demonstram algo bem diferente. 
Concertos gratuitos podem promover os autarcas que os pagam, e agora, no caso de Tomar, podem também alavancar a inesperada candidatura da presidente ao Turismo do centro, quando não se lhe reconhece qualquer aptidão para o cargo, mas não parece que cumpram qualquer tradição, ou promovam a cidade e o concelho. 
Não cumprem qualquer tradição porque, antes desta maioria, os concertos ligados à Festa dos tabuleiros sempre foram na Mata e com entradas pagas. Também não promovem, ou promovem mal, a cidade e o concelho porque, a uma semana da festa e com 20 concertos gratuitos, uma anormalidade megalómana, mesmo em Tomar e com esta maioria, o panorama promocional ao nível do país não é nada animador, quanto a resultados práticos observáveis.
O EXPRESSO, o principal semanário português, publicou na sua edição de ontem, na Revista, aquilo que se pode ler na imagem acima. Na secção Boa cama e boa mesa, e nas suas recomendações para o Médio Tejo, excelente forma de promoção não publicitária, aconselham 6 restaurantes da região, em Abrantes (2), Constância, Entroncamento, Ourém e Torres Novas, mas nenhum em Tomar. Come-se mal nas margens do Nabão? Ou é a tal promoção que está a falhar? Vão longe os tempos em que o conterrâneo e amigo José Quitério, promovia no EXPRESSO a Céu das Algarvias, antes cozinheira na casa paterna, ali ao cimo da Corredoura...
O mesmo acontece com a hotelaria. O EXPRESSO recomenda três unidades de alojamento, em Abrantes, Constância e Fátima, mas nenhuma em Tomar. Se calhar por considerar que estarão esgotadas durante os tabuleiros. E durante o resto do ano? Vivem dos lucros conseguidos com a festa?
Depois, a um canto e na secção Boa vida (nem de propósito, pensando nos eleitos), lá aparece então a modesta recomendação da Festa dos tabuleiros, com destaque para a frase "o impressionante Cortejo dos Tabuleiros". (Convém fixar o vocábulo IMPRESSIONANTE, em vez de magnífico, notável, excepcional, garrido ou esplendoroso, porque pode vir a fazer toda a diferença, pela negativa, quando na UNESCO se apreciar a candidatura dos tabuleiros, mas isso é outra questão para posterior abordagem, se houver oportunidade). 
Não consta porém nenhuma referência aos Jogos populares, ao cortejo do mordomo, à exposição dos tabuleiros na Mata,  ou à autêntica bebedeira de música, com 20 eventos gratuitos, ao ritmo de dois por soirée. Um na Várzea grande, outro no Mouchão. É obra! Que custa quanto, aos cofres municipais? Isso agora não interessa nada. Importante, imprescindível mesmo, é ir iludindo os pacóvios, com a treta de cumprir a tradição e promover Tomar, de forma a votarem bem nas próximas eleições.
E Tomar vai definhando, com os tomarenses todos contentes, e muito empenhados na festa, como se não fosse nada com eles. "Ganda" povo!!! Excelentes dirigentes!!! Bem hajam!!!

sábado, 24 de junho de 2023

 


Reparo do leitor atento

Com estradas assim...

Um leitor enviou-nos a imagem acima, que mostra o estado lastimável da estrada, em Valdonas, mesmo às portas da cidade. A culpa não será directamente da Câmara, mas de uma daquelas empresas nas quais delega as suas tarefas. De qualquer forma, o que conta é o resultado, que não é nada brilhante.
Com estradas assim, valerá a pena gastar milhões em eventos para promover a cidade e o concelho? Os tomarenses conscientes não podem estar contentes, e os visitantes se não se queixam, também não voltam. E vão transmitir uma imagem negativa.

 

Cumprir a tradição e promover o turismo

Outras maneiras de ver...

Numa altura em que aumenta em Tomar a excitação colectiva, à medida que se aproxima mais uma edição do cortejo dos tabuleiros, e respectivos acompanhamentos, "para cumprir a tradição e promover Tomar", tarefas de tal forma importantes e delicadas que até um singelo cartaz político, colocado legalmente num local por onde passa o cortejo, incomoda os festeiros e chega a  irritar dois vereadores socialistas, manifestamente alérgicos às liberdades cívicas, um amigo que muito estimo, enviou esta citação:
"A FeirOurém..."foi um sucesso e superou as melhores expectativas." A afirmação é do presidente da câmara de Ourém, que acrescentou: "A decisão de cobrar bilhetes para os concertos não afastou o público, que aderiu em massa. Os espectáculos foram pagos com a receita das bilheteiras, sem prejuízo para o orçamento municipal."
Está-se mesmo a ver que, no vizinho concelho de Ourém, há outras maneiras de ver a promoção turística e o cumprimento da tradição. Outra gente, é o que é. Pessoas que se vão adaptando às mudanças societais. 
-Às mudanças quê?!? perguntarão os eleitos socialistas nabantinos.


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Alergia ao CHEGA?

 Dois vereadores socialistas 

contra a liberdade de propaganda política que está na Lei

Estamos numa terra e num país que são como são, e cuja comunicação social me abstenho de qualificar, por uma questão de recato. Noutro país do norte da Europa, e noutra terra desse país, forçosamente com outra comunicação social, o que acaba de acontecer  em Tomar seria um escândalo nacional de grandes proporções. Em Portugal, vamos a ver, mas deve prevalecer o habitual silêncio cúmplice.
Pode-se lá imaginar, por essa Europa fora, que dois vereadores eleitos pelo Partido socialista decidam atacar fortemente uma acção de propaganda legal do 3º partido mais votado no seu concelho, e que um deles tenha mesmo sugerido que se tape o cartaz em causa! Tudo isto no exercício das suas funções, e não em qualquer acção de campanha eleitoral...
Semelhante atitude ditatorial ocorre num concelho em que o partido atacado conseguiu, em 2022,  9,86% dos votos expressos, o que o torna a 3ª formação política mais votada, logo a seguir ao PS e PSD, com mais votos que o conjunto Bloco de Esquerda + PCP. 1906 votos para o Chega, 1.687 para o par BE+PCP.
Mais significativo ainda, o Chega obteve as suas melhores votações em Paialvo (outrora do PCP), em S, Pedro (do PSD)  e na Madalena-Beselga (do PS). Como explicar então o estranho comportamento dos dois aludidos vereadores PS, um deles independente? Terá sido um caso óbvio de endeusamento da Festa dos tabuleiros, a que atribuem uma importância que ela não tem de modo nenhum? Ou será apenas um caso evidente de intolerância mal disfarçada, com tendência para o partido único?
Ficam estas reflexões à consideração dos tomarenses, para que possam eventualmente servir de experiência e evitar estrambóticas repetições. Não adianta recorrer ao catecismo dito de esquerda, para acusar quem isto escreve de estar a defender o Chega. Há apenas uma enumeração de factos verificáveis e a tentativa de defesa das liberdades fundamentais, entre as quais avulta a liberdade de expressão para todos, quer isso nos convenha ou não.
Só quem já foi alvo de censura após o 25 de Abril, e impedido de facto de expor livremente os seus pontos de vista num site independente, por calhordas com afigurações, em serviço partidário, pode dar o devido valor às leis que garantem a liberdade de expressão para toda a cidadania, e perceber devidamente a gravidade da actuação dos dois vereadores PS nabantinos. Que Deus lhes perdoe, que eu não posso.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

 


Polémica com um cartaz do Chega

Hipocrisia, afigurações e sobranceria

Para que dúvidas não restem, começo por reproduzir, com a devida vénia, do seu site no Facebook, a posição da vereadora socialista Filipa Fernandes sobre o cartaz do Chega, colocado na Rotunda da Ponte Nova:

"A Festa não merece isto!
Na politica como na vida, nem tudo é válido….
Independentemente de não me rever nesta cor politica e de não concordar com os seus ideais, não é de todo isso que me leva aqui a escrever.
Estamos, num esforço conjunto, a ornamentar a nossa cidade.
Pessoas, instituições públicas e privadas estão juntas e trabalham arduamente com um só objetivo: dignificar o nosso concelho, erguendo, uma vez mais, a nossa Festa maior (agora Património Cultural Imaterial Nacional) para quem cá vive e para quem nos visitará.
Colocar propaganda política em locais nobres da Festa, não é valorizá-la! Sabemos que a Lei, a meu ver mal, permite que os partidos o façam, contudo deve haver respeito pela cultura e pela tradição, afastando dos holofotes, publicidades partidárias.
A Festa não tem uma só cor… a Festa é uma multiplicidade de cores.
RESPEITAR A CULTURA E A TRADIÇÃO É NÃO A USAR EM BENEFÍCIO PRÓPRIO E SIM, DAR DE SI PARA O BEM COMUM.
Respeitem a Festa!"

Começa a respeitável vereadora com uma proclamação pretensiosa, arvorando-se em representante única da Festa. Em virtude de quê? Por integrar um executivo de sete eleitos, que financia os tabuleiros com dinheiro dos impostos? Como compaginar tal proclamação com "A festa não tem uma só cor...a Festa é uma multiplicidade de cores", que se pode ler na parte final do mesmo texto? Afinal a festa é do povo? Ou só dos eleitos do partido socialista?
Segue-se um fraseado tipo "double talk", em que deve entender-se o contrário do que está escrito: "Não é de todo isso que me leva aqui a escrever" = É exactamente isso que me leva a escrever, pois não consigo suportar esses cheganos.
Simples lapso, ou hábito de quem escreve, para tentar confundir quem lê? A própria conclusão do curto texto não permite dúvidas. Trata-se mesmo de tentar intrujar os eleitores com grandes proclamações, tal como na frase da parte final: "Respeitar a cultura e a tradição é não a usar em benefício próprio e sim, dar de si para o bem comum."
Mas então os concertos à borla, os eventos gratuitos e os abundantes subsídios camarários para a cultura, incluindo os 700 mil euros para os tabuleiros, é "dar de si para o bem comum" com o dinheiro de todos nós? Ou será antes uma maneira ardilosa de angariar votos, para se manter no poder, onde se ganha mais que no emprego de origem, quando o havia?
"Respeitem a Festa!" incita a senhora vereadora. Pois que assim seja. Mas então respeitem-se também as leis do país e os eleitores, todos os eleitores, incluindo os 9% do Chega, senhores vereadores! Discordar publicamente e por escrito de leis que garantem as liberdades de todos, não fica bem a uma vereadora que disso faz profissão: "Sabemos que a Lei, a meu ver mal, permite que os partidos coloquem propaganda política em locais nobres da Festa..." Se não concorda com a Lei, tem uma excelente solução -renuncia e passa a combatê-la como simples cidadã. Não lhe fica bem cuspir na mão que lhe dá de comer -a nossa República- quando isso lhe convém. Fazendo exactamente aquilo que recusa aos outros -o direito à crítica. E o vilipendiado cartaz do Chega nem sequer critica,

quarta-feira, 21 de junho de 2023

 

Imagem Tomar na rede, com os agradecimentos de TAD3

Política local eventos e propaganda

A alergia dos que se julgam donos da cidade e da festa

Nem de propósito. Na mesma altura em que redigia a crónica anterior, sobre a lamentável atitude da maioria socialista e dos festeiros, em relação à crítica e à mudança, surgia uma polémica local de todo o tamanho, sobre um cartaz partidário colocado na rotunda da Ponte nova. Porque o dito cartaz mostra ou diz algo de ofensivo para os leitores em geral?
De forma alguma. Apenas porque é um cartaz do CHEGA, e sobretudo, penso eu, porque afirma defender a cultura e as tradições. Algo intolerável para a esquerda em geral e para o PS Tomar em particular, que há já três festas gasta milhões para alegadamente "cumprir a tradição" e "promover Tomar" através da cultura. Numa curta frase, os freitistas locais consideram-se e agem como se fossem donos das tradições e da cultura. Em nome do povo, claro está. O truque é velho e já não passa impune.
O pessoal do Chega teve portanto o azar, ou agiu deliberadamente nesse sentido,  de invadir propriedade alheia na área política. Crime grave que as tropas ditas de esquerda não podem perdoar e não vão perdoar, usando quantos pretextos sejam necessários para conseguirem a retirada do cartaz. Esquecendo que um dos grandes princípios da esquerda europeia não marxista é o respeito pela liberdade de todos e de cada um. Sobretudo quando o exercício dessa liberdade incomoda.
Não me recordo que os agora indignados com o cartaz legal do Chega, por estar em pleno centro histórico, tenham tido igual atitude em relação ao cartaz do Papa, ilegalmente pendurado na torre sineira de Santa Maria dos Olivais, que entretanto já foi retirado.
Esta polémica tomarense é afinal mais uma vergonha local em termos políticos, a mostrar que, em grande parte, os tomarenses ainda não aprenderam nem esqueceram nada, quase 50 anos após Abril. No fundo, estes protestos contra o cartaz do Chega são da mesma natureza da acusação de racismo, feita por António Costa a propósito de um cartaz de mau gosto, que o mostra como um dos animais do "Triunfo dos porcos". Os actores são outros, mas a peça é a mesma. Tenham vergonha na cara! Deixem de se armar em donos da cidade! Respeitem os adversários, e os que pensam de modo diferente. Deixem estar o cartaz, que não incomoda ninguém livre e de bons costumes.



Política local e eventos

A angústia da incerteza

Desde 2013 e da inesperada vitória PS em Tomar, que vinha estranhando a intolerância agressiva dos eleitos socialistas, antes cidadãos muito frequentáveis. Só agora, volvidos dez anos no poder, sempre com a mesma acrimónia em relação aos críticos, julgo ter encontrado uma explicação plausível para essa bizarria política local, a qual me foi facultada pelo comportamento homólogo dos que fazem a festa dos tabuleiros.
Manifestação multicentenária, a nossa Festa grande já passou por múltiplos figurinos. O actual, mais coisa menos coisa, data de 1950 e das orientações de João dos Santos Simões, o estrangeirado director da então Fábrica de Fiação de Tomar. Só que entretanto a envolvente sociedade local mudou tanto que tornou anacrónicos os cortejos de oferendas, e os tabuleiros continuam sendo isso mesmo -um desfile de oferendas.
Profundamente entranhada na alma tomarense, "a festa" é uma extraordinária empreitada comunitária, tendo como principal e quase único financiador o município. O que tornou necessário encontrar novas justificações para um cortejo obsoleto quanto ao principal objectivo -as oferendas ao Espírito santo.
Apareceram então, após o 25 de Abril, dois pretensos objectivos susceptíveis de justificar a realização da festa, ambos não mensuráveis - "cumprir a tradição" e "promover Tomar". Trata-se na verdade de argumentação abstrata algo balofa, visando esconder o objectivo real da festa -a angariação de votos que permitam a permanência no poder de quem a financia.
Donde a mesma reacção da maioria autárquica e dos festeiros. Ambos os grupos têm dúvidas sobre a real pertinência das suas apregoadas opções, daí lhes advindo a angústia da incerteza. O que os leva a não tolerar as críticas, e ainda menos as indispensáveis mudanças. Não por opção ideológica ou meditada, mas apenas por medo. São conservadores por necessidade. Incapazes de discernir o que escreveu Lampeduza: "é preciso que algo vá mudando, para que tudo possa continuar na mesma." Acabar com, ou limitar o foguetório, por exemplo, para que a festa possa prosseguir sem entraves de maior.
E o concelho vai definhando, e a cidade vai decaindo, para que palonços com afigurações  possam continuar a mandar e a asneirar, com a sua atitude agressiva em relação a quem discorda.