quarta-feira, 24 de abril de 2024




Repovoamento urbano e limpeza de terrenos

AVENIDA DO CANAVIAL ?

TOMAR – Não se esqueça: tem até 30 de Abril para limpar os seus terrenos | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Leu-se um dia destes, ainda no hemisfério sul, que para resolver a crise na Avenida Nuno Álvares, a principal entrada na cidade, onde há cada vez mais alojamentos e estabelecimentos devolutos, basta instalar duas ou três empresas-âncora. Daquelas que atraem muita clientela só com a própria marca.
Quem assim opinou foi o presidente Cristóvão, que certamente estará convencido daquilo que disse. Não o desmentirei pelo simples prazer da contradição, até porque há naquilo que disse uma parte de verdade: as empresas mais conhecidas atraem sempre uma uma vasta clientela, assim contribuindo para a recuperação comercial e o repovoamento de ruas e bairros afectados pela crise, neste caso pelo acampamento calé que entretanto foi desmantelado. Donde a designação de empresas-âncora.
No caso da Avenida Nuno Álvares, são porém evidentes dois obstáculos que tornam muito difícil a ansiada recuperação. Por um lado, uma infeliz requalificação fez de uma larga avenida um simples arruamento urbano, para instalar duas ciclovias, numa terra onde são bem poucos os ciclistas, assim impossibilitando o estacionamento "em espinha", numa zona afastada do centro e sem parques de estacionamento próximos. Há aquele ao lado da estação de caminho de ferro, é certo, mas já não chega para as encomendas.
Por outro lado, que empresa de prestígio aceitará vir instalar-se numa via urbana com um canavial e fartura de vegetação espontânea? (ver imagem) Dirão os defensores do "rumo certo" que a Câmara não tem nada a ver com o assunto, porque é um terreno privado. Estão equivocados, como é costume. O terreno é realmente privado, mas a autarquia tem tudo a ver com a insólita situação, uma vez que passam uma parte do ano a avisar os agricultores e proprietários rurais que têm de limpar ou mandar limpar os seus terrenos, para reduzir o risco de incêndio, mas entretanto nada fazem em relação a um pequeno bosque com canavial na principal entrada da cidade.
A eventual desculpa de que nunca se deram conta será descabida, porquanto a altura das canas mostra que a situação existe há anos, sem que alguma vez os eleitos se tenham incomodado com o risco de incêndio, ou com a proliferação de ratos, cobras e outra bicharada. Façam o favor de continuar a comentar que "lá está o gajo na má-língua do costume", mas acabem com o escândalo, porra! Se o dono do terreno não faz nem manda fazer, avancem vocês e obriguem-no depois a pagar pelos meios legais ao vosso dispor. Foi também para isso que vos elegeram, e não só para as festarolas e obras de duvidosa utilidade para a comunidade em geral.

terça-feira, 23 de abril de 2024








Excursionismo e turismo

Viajar para continuar 

a entender a época e o povo

Apenas regressado, fui numa excursão de turismo popular até Oleiros, com paragem em Vila de Rei para o pequeno almoço. Coisa sem pretensões nem novo-riquismos. Apenas almoçar um cabritinho estonado com arroz de miúdos e depois visitar um novo miradouro, da autoria de Siza Vieira. Correu tudo às mil maravilhas, que o pessoal já se conhecia de andanças anteriores, e nestas coisas o amigo Freitas é um verdadeiro artista. Sobretudo quando reconta aquela anedota do gato e da água quente, para aquecer os pés em determinada pensão. Hábitos antigos.
Apesar de ser um pequeno concelho de cinco mil almas, perdido algures no interior do país, Oleiros sabe receber e preparar-se para acolher com dignidade todos os visitantes, e não só os de turismo de nível, como se apregoou em tempos e em vão aqui por Tomar. Houve visita guiada gratuita, proporcionada pela Câmara local, notou-se limpeza nas ruas e esmero por todo o lado, e havia estacionamento com fartura, mesmo para autocarros, bem como instalações sanitárias abertas, limpas, com papel higiénico e limpa-mãos, apesar de não haver nenhum monumento património da humanidade, nem rio, nem Tabuleiros, nem a mania de cumprir a tradição.
Os quarenta e tantos visitantes corresponderam à evidente simpatia local e à arte de saber receber. Compraram queijos, bolos, enchidos, presuntos, mel, e por aí adiante. Muito mais rentáveis para o comércio local do que os milhares de visitantes do Convento de Cristo, que logo a seguir se põem a andar sem sequer visitarem a cidade, porque não têm onde estacionar.
O cabritinho estava uma delícia, houve repetições e quem escreve estas linhas fez um esforço considerável para resistir à aguardente de medronho, oferta da casa, tal como o aperitivo com vinho da região. Quem sabe sabe, e os oleirenses mostraram na prática que bem merecem umas visitas gastronómicas.
A fechar, a visita ao novo miradouro do Zebro, nos arredores e ainda por inaugurar,  desiludiu um bocadinho. A vista é soberba, mas o acesso pedonal terá de ser melhorado e o espaço para estacionamento alargado. A estrutura em betão, com o traço de Siza Vieira, parece que custou meio milhão de euros, mas não se nota muito. (ver imagem). A União Europeia paga tudo, desde que se tenha capacidade e o mamar doce.


segunda-feira, 22 de abril de 2024

Imagem copiada da Rádio Hertz, com a devida vénia e os nossos agradecimentos.

Autárquicas 2025

Excelente entrevista do líder local do CHEGA
com duas lacunas graves


Ensinou-me a experiência que convém ouvir atentamente os oráculos. Foi o que fiz ontem. Segui com atenção a entrevista do líder concelhio do CHEGA! na Rádio Hertz. Nuno Basílio Ferreira esteve bem. Passou a ideia de pessoa ponderada e humilde, designadamente quando referiu que por enquanto ainda não é cabeça de lista designado. Candidatou-se à concelhia para isso mesmo, mas há ainda outras hipóteses. Na devida altura se verá. Nada de arrogância portanto, o que vem sendo cada vez mais raro por estas paragens.
A sua enumeração serena dos problemas citadinos e concelhios mostrou alguém interessado e conhecedor, ficando a ideia de estar mais motivado para recuperar Tomar do que para uma carreira política, ao contrário do que acontece com os outros dois putativos candidatos com hipóteses de vencer.
Faltando apurar se intencionalmente ou por lapso, Basílio Ferreira nunca mencionou na sua nutrida série de problemas concelhios as carências na área da hospitalidade turística, nem a causa principal de algumas das maleitas que anunciou. Colocou-se assim na desconfortável posição daqueles oncologistas que graças às TAC conseguem identificar e localizar as várias metástases, mas não o tumor inicial que lhes deu origem.
No caso, o futuro candidato referiu problemas graves com o PDM, falta de parques industriais à altura, carências habitacionais, défice grave de estacionamento na Várzea grande, onde teria ficado bem um parque subterrâneo, incidentes vários com os ciganos, dificuldades na área da saúde, ausência de ensino profissional eficaz, e assim sucessivamente, sem contudo identificar a causa principal de todas estas maleitas. Situação problemática, uma vez que, caso vença as autárquicas de 2025, não conseguirá solucionar o que está mal, por não saber como nem onde agir para suprimir a causa principal. Ou sabe, mas preferiu  calar, por não ser politicamente oportuno?
Seja-me permitida uma outra comparação alegórica, para melhor entendimento. Fiquei com a ideia de que o candidato identificou com clareza vários ramos da mesma árvore, mas descurou a pernada principal, tendo também omitido falar do tronco e da raíz. Deliberadamente? Inadvertidamente? Só ele poderá esclarecer, sendo certo que ignorando as causas não é possível acabar eficazmente com as consequências.
Em conclusão, um excelente defensor do concelho que não é funcionário público, ponderado e atento, porém sem mundo nem arcaboiço político suficiente para a tarefa a que se propõe, até prova em contrário. Falta apurar ainda se sabe ouvir e rodear-se de gente capaz, o que em Tomar não é fácil, porque os melhores ou já emigraram ou estão sem paciência nenhuma para aturar os tomarenses e as suas bizarrias.
Tomar a dianteira 3 deseja-lhe boa sorte, tal como a todos os outros que estejam na política para servir e não para se servir, continuando atento ao que daí virá.


domingo, 21 de abril de 2024

Turismo e paisagens

Tomar cidade jardim
Não há no país outra assim

Por causa do desastre ambiental da Mata dos sete montes, cuja responsabilidade principal não é da Câmara, vai por aí um certo desânimo. Alguns cidadãos desencantados referem que antigamente Tomar era uma cidade jardim, mas que depois, infelizmente, se viraram os senhores da autarquia para "Tomar cidade templária".
Cumpre esclarecer que nem o expressão original era essa, nem a situação é a descrita. A frase original era "Tomar terra templária", que não colidia com "Tomar cidade jardim". Agora já está, já está, e para pior já basta assim. Mas continuamos numa cidade jardim. Não só os jardins estão como estão, como até as ruas e algumas paredes são autênticos minijardins, como mostram as imagens infra:

Aspecto da Rua do Pé da Costa de Baixo, ao cimo da Rua Aurora Macedo, onde mora o escriba, em imagem colhida ontem, 20 de Abril de 2024. Digam lá se não está uma maravilha de asseio, de reboco e de verdura, a dois paços da Câmara. O muro da esquerda é uma verdadeira originalidade, a lembrar os famosos jardins suspensos da Babilónia de outrora. Mas a calçada também não está nada mal nas bermas.

Cinquenta metros ao lado as típicas Escadinhas do Alto da Piçarra, que ligam a Rua do pé da costa de baixo à sua irmã do pé da costa de cima. Não sabe qual é? Quando sai com o seu carrinho do Parque T1, vai por que rua?
Quanto à designação oficial "Alto da piçarra", significa em cima de uma rocha sedimentar. Mas "piçarra" pode ser também um nome próprio, e até um nome comum, para designar uma piça das grandes. O que significa neste caso, que as escadinhas têm uma cobertura de erva do ca..... Alguém se incomoda, entre os eleitos? Que ideia! Devem pensar que os turistas gostam assim. E realmente, esta manhã estava uma jovem chinesa a fotografar o muro, e não terá fotografado as escadinhas porque não se vêem da Rua do pé da costa de baixo. Por gostar? Ou para documentar a decadência de algumas pequenas cidades ocidentais?




sábado, 20 de abril de 2024


Continuidade

Vai tudo como de costume

Pois é. Leitora ou leitor fiel (muito obrigado!), viu que não havia nada de novo e ficou preocupada ou preocupado. Peço desculpa aos amigos, e os outros que tenham paciência. 7 horas de avião e o resto que acompanha sempre, começa a ser demasiado para as minhas oito décadas bem vividas. Cheguei cansado e resolvi parar um bocadinho para pensar melhor o que fazer doravante.
É que além do cansaço, há um início de depressão, uma angústia difusa, que são inerentes e habituais. Vir de uma terra de largos horizontes e 2,5 milhões de habitantes em 298 anos de existência, para outra sem horizontes por estar numa cova, e com menos de 50 mil habitantes em 864 anos de vida, dá forçosamente que pensar, sendo deprimente para alguns, entre os quais infelizmente me incluo.
Melhores dias hão-de vir, penso eu, e quando tal acontecer, voltarei à escrita com o mesmo entusiasmo, uma vez que não ambiciono lugares, nem desejo homenagens, nem luto por vantagens pessoais. Entretanto desejo a todos um dia a dia o melhor possível, tendo em conta o triste contexto.

quinta-feira, 18 de abril de 2024



António Pina
diz:

O Politécnico está encalhado tal como a cidade e a. câmara municipal. A da Anabela, do Hugo, do Carrão, do Corvelo e do maior encalhador: o Paiva! Todos viraram a cidade para o turismo. Faz sentido um Politécnico numa cidade em que se orientou a economia para a hotelaria e tuk-tuks?

(Comentário copiado do Tomar na rede, com a devida vénia e os nossos agradecimentos.)

TURISMO ACADÉMICO 
É QUE ESTÁ A DAR

É um excelente comentário, todavia de resposta óbvia e algum vocabulário equivocado. Cumpre porém começar pelo princípio, continuar pela meio e acabar no fim, como diria o secretário do senhor de Lapalisse. Comenta-se aqui, e não no suporte original, porque de lá se foi corrido em tempos, mostrando assim que, numa terra de turismo, não se tolera contudo o turismo jornalístico. Nada de visitantes perturbadores. Só servidores obedientes do partido. Adiante.
Retornando ao tema original, Paiva não terá sido o maior encalhador, mas sim o principal encanador. Não por ter andado a encanar a perna à rã, que não andou. Porque é dele a maior parte do actual encanamento urbano dos esgotos. O seu a seu dono. Foi também, e além disso, um dos raros turistas eleitorais que não deslustrou a função. Muito acima dos actuais ocupantes do Hotel Paços do concelho, mesmo tendo cometido alguns erros graves. Ainda assim, era outro nível, noutro tempo, também é verdade.
Outro equívoco vocabular é aquele da "hotelaria e tuk-tuks", parecendo-me que o respeitável autor melhor andaria se escrevera "truca-truca" em vez do que lá está, como demonstra a proliferação  entre nós de "hotéis de passe", a que no estrangeiro chamam "motéis", e sobretudo o específico turismo almerinense, que após a sopa de pedra, com o chouriço e as caralhotas, acaba de abrir um "bar da Quicas", anunciado no Tomar na rede e tudo, se me faço entender. Transição feliz do turismo gastronómico para o turismo da cambalhota. Foi só acrescentar algumas febras, e está feito. A Quicas é que sabe! Faz tudo às claras. Não é como outras que por aí andam... E outros, que não se cansam de fecundar o pessoal, situação com mais de uma década.
Segue-se que em Tomar faz todo o sentido um minipolitécnico, justamente para a prática de turismo académico. Há um consagrado e respeitado professor da casa, há muito em turismo residencial em Mação, e vários outros em turismo de passagem por Abrantes. Acresce que, na própria sede, abundam os professores turistas, que turistificam por aqui mas residem alhures. Até os próprios alunos, quando bem conversados, admitem passar a maior parte do ano a fazer turismo, destacando-se a já célebre especialização em turismo de libação, na conhecida "rota das tascas".
Por conseguinte, tudo devidamente ponderado, Vivó Politécnico!, Vivó Turismo cultural!, Vivó Turismo académico! Vivó turismo autárquico! Vivó turismo eleitoral! E vivó Direito à preguiça, cuja leitura atenta se recomenda. Porquê? Ora ora! Porque o ócio é o turismo do pensamento e Paul Lafargue, o autor da obra, estava particularmente bem informado. Além de médico e pensador, era também genro de Marx. Esse mesmo, o do Capital.


quarta-feira, 17 de abril de 2024



Tribuna do PSD Tomar

TIAGO CARRÃO 
REELEITO PRESIDENTE DO PSD TOMAR


No passado dia 13 de abril, realizaram-se as eleições para os órgãos da secção de Tomar do Partido Social Democrata. Destas eleições resultou a renovação da liderança de Tiago Carrão na Comissão Política e a reeleição de Lurdes Ferromau Fernandes como Presidente da Mesa da Assembleia de Militantes. Apesar de ser lista única, a participação dos militantes e a unanimidade dos votos são reflexo da união do partido em Tomar e da ambição partilhada pelos militantes: vencer as eleições autárquicas do próximo ano e devolver aos tomarenses a esperança no futuro. Os órgãos da secção do PSD de Tomar são agora compostos por:


Comissão Política

Presidente
| Tiago Manuel Henriques Carrão

Vice-Presidente | Ricardo Jorge Martins Carlos

Vice-Presidente | Ana Isabel de Oliveira Palmeiro Calado

Tesoureiro | José António Marques Figueiredo

Secretário | Alexandre Gabriel Mateus Horta

Secretário-Adjunto | Paulo Alexandre Matos da Silva Melo

Secretário-Adjunto | José António Fernandes Ferreira

Secretário-Adjunto | Fernando José Filipe Cândido

Coordenador Autárquico 
Joaquim Dias Palricas


Mesa da Assembleia de Militantes

Presidente | Maria de Lurdes Ferromau Fernandes

Vice-Presidente | Paulo José Pedro Mendonça

Secretária | Elizabeth Yureima Marquez Torres

Suplente | Marisa Manuela Coelho Marques

Após o anúncio dos resultados, Tiago Carrão agradeceu a confiança dos militantes, reconhecendo a responsabilidade acrescida que este resultado significa para os novos órgãos do PSD Tomar, apelando ao empenho de todos para o trabalho em curso, rumo às eleições autárquicas de 2025 e à preparação de um "projeto sério, mobilizador e transformador para o concelho".

Tomar, 16 de Abril de 2024

PSD Tomar



De longe, na véspera de mais um regresso

O 25 DE ABRIR ABRIU MESMO TUDO?

Abriu sim senhor, dirão os mais afoitos. Quase, opinarão os prudentes. Olhe que não! responderão os autoritários. Mas abriu mesmo uma imensidão de coisas. Das nacionalizações e da descolonização à liberdade de imprensa, dos partidos políticos ao passaporte para todos. Em Tomar é que nem tanto assim. Deve ser porque somos provincianos do interior. Seja como for, o open your mind ainda não chegou a todos por estas bandas. Nem sequer ao pessoal que gosta de street food e de pó.
Vamos ter, é certo, um portentoso conjunto de actividades para celebrar os 50 anos do 25 de Abrir. A mostrar que certas pessoas erraram a vocação. Em vez de vereadoras a despachar obras particulares, deviam ser era animadoras culturais. Mas não ganhariam tanto, também é verdade. Pela parte que me toca, uma vez que sou um verdadeiro labrego em termos musicais, por exemplo, gostaria mais de ruas limpas, passeios sem ervas, jardins mais cuidados, processos de obras despachados mais rapidamente, respeito pelo direito à informação, diálogo cordato, obras estruturais, e assim sucessivamente. Não se pode ter tudo, é bem verdade!
Deve ser da idade. É bem possível que esteja a mencionar coisas que já não se usam, como honestidade, respeito pela verdade e pelos outros, por exemplo. Mesmo sem se cumprir integralmente o 25 de Abrir, se calhar também por causa dos que continuam apregoando 25 de Abril sempre! sem cuidar do resto, se tudo continuar como até aqui, em Outubro 2025 vamos acertar contas. Essa é que é essa!





TRIBUNA DO PSD TOMAR - António Pedro Costa

DESAFIOS E OPORTUNIDADES 
NA PROTEÇÃO CIVIL


No passado dia 22 de março de 2024, tive o privilégio de moderar uma conferência sobre
proteção civil, promovida pela Comissão Política do PSD de Tomar. Este importante
encontro visou não apenas discutir os desafios enfrentados pela proteção civil, a nível
nacional, mas também propor soluções concretas para tornar as nossas comunidades
mais resilientes e preparadas para eventuais crises. A conferência contou com a presença
de dois oradores distintos, cada um trazendo a sua experiência e visão sobre o tema em
questão.
Uma das palestrantes, Dra. Cláudia Duarte, destacou o exemplo de implementação de
Unidades Locais de Proteção Civil (ULPC) em freguesias do Norte do concelho de Leiria.
Esta implementação impulsionada por um projeto social que facilitou a criação dessas
unidades foi inspiradora. A existência de ULPC não apenas promove a consciencialização
dos riscos e a preparação para reagir face a ocorrências em nível comunitário, mas
também abrem portas para o voluntariado local. Esta é uma abordagem louvável e que
merece ser replicada. O PSD de Tomar estará sempre na linha da frente para replicar e
adotar boas práticas como a apresentada, no que toca a práticas de prevenção e
intervenção face à proteção das populações e seus bens.
A reflexão sobre este assunto leva a reconhecer que as ULPC representam não apenas
uma estratégia de resposta a situações de catástrofe (porque constituída por quem
conhece bem as suas localidades e pessoas que as constituem), mas também uma
oportunidade para fortalecer os laços comunitários e incentivar o espírito de
solidariedade e cooperação entre os cidadãos. A sensibilização e identificação dos riscos
não apenas capacitam os indivíduos a agir em momentos de catástrofe ou acidente
grave, mas também promovem a prevenção e preparação que é essencial para enfrentar
os desafios futuros e fomentam uma cultura de segurança.
No entanto, é muito importante ressaltar que as ULPC devem ser vistas como entidades
de apoio e sensibilização e não como forças operacionais. O seu papel fundamental é
fornecer informação, suporte logístico e assistência caso exista alguma ocorrência.
O segundo orador, Dr. José Manuel Moura, trouxe uma perspetiva abrangente sobre o
sistema nacional de proteção civil. A sua análise detalhada sobre a implementação dos
novos comandos sub-regionais levantou preocupações legítimas sobre a possível
sobreposição de autoridade entre diferentes agências de proteção civil. A distribuição
geográfica dos comandos sub-regionais poderá criar desafios de coordenação e
comunicação, especialmente com entidades como a PSP e a GNR, que operam numa
estrutura diferente.
Por outro lado, o Dr. José Manuel Moura, trouxe à tona questões prementes sobre o
sistema nacional de proteção civil, com um foco particular na situação dos bombeiros
em Portugal. A sua análise franca sobre as limitações das Equipas de Intervenção
Permanente (EIP) como forma de assegurar um socorro completo e seguro,
especialmente fora do horário de expediente, foi um alerta necessário. Este aspeto,
particularmente relevante para os concelhos vizinhos, onde operam corpos de bombeiros
voluntários, exige uma reflexão aprofundada.
Ou seja, é importante repensar o sistema de socorro, garantindo que esteja disponível
24 horas. Além disso, é crucial valorizar e apoiar o voluntariado nos corpos de bombeiros,
reconhecendo sua importância como uma força vital na proteção e segurança das
comunidades locais.
Há uma crise atual no voluntariado, conforme destacado pelo Dr. José Manuel Moura,
que não pode ser subestimada. A evolução sociológica na sociedade portuguesa trouxe
desafios significativos, afetando diretamente a dinâmica dos corpos de bombeiros. Nesse
sentido, é imperativo reconhecer que o voluntariado não é apenas uma tradição, mas
uma parte essencial da identidade dos bombeiros. Portanto, é crucial oferecer incentivos
tangíveis para atrair e reter voluntários, além de considerar o voluntariado como uma
das portas de entrada para o profissionalismo.
Ao refletir sobre estas questões, e olhando para a estrutura mista dos bombeiros de
Tomar, o voluntariado deve continuar a ser uma referência, e acarinhado, para cumprir
a sua missão. Embora as circunstâncias possam ter mudado ao longo dos anos, é
importante reconhecer o valor e a experiência de muitos voluntários que têm sido pilares
fundamentais ao longo da história centenária do Corpo de Bombeiros de Tomar.
Concluo estas reflexões reconhecendo os desafios complexos que enfrentamos no
domínio da proteção civil. É crucial que o novo governo, agora em posse, adote uma
abordagem equilibrada que valorize tanto os profissionais como os voluntários. A gestão
dos recursos disponíveis deve ser feita de forma prudente, sem comprometer a qualidade
dos serviços prestados. A proteção civil é uma responsabilidade compartilhada que exige
o compromisso de todos os cidadãos, e é através da colaboração e cooperação que
construiremos comunidades mais seguras e resilientes.

António Pedro Costa
Vogal do PSD Tomar

terça-feira, 16 de abril de 2024

Imagem desactualizada, do tempo em que ainda corria água nos Pegões, que enchia os tanques da Mata, copiada do Facebook sem indicação de autor.

Protecção do património

Nem tudo o que vem à rede é peixe...

TOMAR – Gestão da Mata dos Sete Montes. ICNF sugere protocolo em que a Câmara deve pagar todas as intervenções e terá colocado cenário de entradas pagas (c/vídeo) | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

https://tomarnarede.pt/cultura/tomar-na-rede-denuncia-destruicao-de-patrimonio-camara-marca-visita-guiada/

Nem tudo o que vem à rede é peixe, e nem todo o peixe é bom para tudo. Dois temas do património local figuram nesta altura na agenda noticiosa: a Mata do sete montes e o alegado forno romano do Flecheiro. Em ambos os casos está em causa o seu estado de conservação, com o executivo camarário manifestamente confuso, e a dar mais um exemplo daquela situação denunciada pelo ex-vereador PS e actual provedor António Alexandre: "Os tomarenses não aprendem."
Quanto ao apregoado forno romano, em vez de, imediatamente a seguir ao achado, a Câmara ter providenciado a sua protecção, mediante uma adequada cobertura provisória, para depois proceder a uma melhor classificação das ruinas, errou-se mais uma vez. Está a repetir-se a lamentável experiência do pretenso fórum romano.
Deixou-se aquilo ao abandono, tal como apareceu, e perante os raros protestos, ao invés de se proceder com dignidade, procura-se "tapar os olhos" dos raros cidadãos que se interessam pelo assunto. Nada de cobertura provisória, ou de estudos complementares do alegado forno, por arqueólogos vindos de outras universidades, vai haver uma visita guiada ao local, pelo mesmo especialista que acompanha a obra. Útil sem dúvida, mas na realidade é chover no molhado. Se há ou não problemas de datação e de identificação, só o saberemos depois. Demasiado tarde, como no caso do alegado fórum de Sellium, um triste equívoco.
Com a tragédia ecológica da Mata dos sete montes está a acontecer algo semelhante. Sucessivamente alertada ao longo dos anos sobre a alteração do ecossistema da velha Cerca conventual, provocado pelo corte da água dos Pegões, a autarquia foi fazendo ouvidos de mercador até que, pressionada pela exposição dos tabuleiros,  reclamou junto da entidade estatal gestora da Cerca. Apareceu então a providencial argumentação do "fungo do buxo", que depois nunca conseguiram identificar e muito menos debelar.
Agora que o jardim da antiga Horta dos frades está a pedir reforma total, o presidente Cristóvão foi repetindo que não é nada com a câmara, mas ao mesmo tempo solicitando providências ao ICNF, que formalmente toma conta da Mata, através do pessoal do PNSAC, com sede em Torres Vedras. Perante o evidente desastre, aquele instituto governamental sugeriu à autarquia um convénio de cogestão da Mata, que a maioria socialista estava pronta a aceitar, até se dar conta das condições leoninas: o ICNF pretende continuar a participar na gestão até agora desastrosa da Mata, mas desde que a Câmara assuma todas as despesas. Impõe-se a pergunta: Se o Município tem de pagar tudo, o que impede que se transfira também a propriedade da antiga Cerca conventual? O governo pretende manter a Câmara sob tutela de facto?
Perante tal situação, os socialistas locais têm muitas dúvidas. Esperavam mais verbas e estão afinal a oferecer-lhes mais hipóteses de despesas consideráveis. o ICNF até fala na eventualidade de entradas pagas. (ver link Rádio Hertz)
Vendo a maioria algo baralhada, os vereadores PSD foram logo dizendo que apoiam a decisão do PS na questão da Mata, mesmo sem cuidar de antes ponderar adequadamente o assunto. Como diz o outro "Os tomarenses não aprendem." No mínimo, vêm revelando muitas dificuldades de aprendizagem e de adaptação à nova realidade nacional e europeia.


segunda-feira, 15 de abril de 2024





Património Imaterial

É PRECISO CUIDAR DA FESTA GRANDE

Acabo de ouvir e ver, na Euronews em português, que vamos ter mais uma candidatura a património imaterial nacional, etapa indispensável para a posterior entrega na UNESCO, em Paris. Desta vez trata-se das Marchas populares de Lisboa. Será a 35ª candidatura portuguesa, só este ano. Por este caminho, um dia destes ainda vamos ter também a candidatura das bifanas do Canal Caveira. Já faltou mais.
Veio-me naturalmente à ideia a candidatura da Festa dos tabuleiros, encalhada algures na DGPC desde 2019, e sem data marcada para a submissão à UNESCO, mas que já custou aos cofres públicos mais de cem mil euros. Sendo a realidade factual aquilo que é, com candidaturas a surgirem de todos os lados e de manifestações que nem sempre as merecem, não seria melhor repensar o assunto, encarando a hipótese de retirar a candidatura tomarense? 
Por duas razões essenciais. Em primeiro lugar, se a nossa candidatura não singrou com a DGPC sob a égide do governo socialista, como a Câmara que a submeteu, vai avançar agora com o governo PSD? A que propósito? Porque a secretária de Estado da Cultura é tomarense? Mesmo que se venha a alcançar tal classificação, que ganhará a nossa querida Festa grande com isso? Penacho de fantasia? Cada tabuleiro e cada portadora ou acompanhante, passam a desfilar ostentando uma  etiqueta com os dizeres "Património Imaterial da UNESCO"?
Em segundo lugar, colhendo os ensinamentos da Festa de 2023, aquilo de que os tabuleiros tomarenses precisam não é de uma candidatura vulgarizadora, mas de uma nova visão, que dignifique a Festa grande, evitando a repetição das centenas de queixas justificadas que houve na última edição, e apontando desde logo para outro modelo de organização, pois parece-me evidente que a futura Câmara, qualquer que venha a ser a sua composição partidária, não poderá assumir um custo, sem retorno efectivo, da ordem dos 3 milhões de euros, ou mais. Pois não é verdade que a festa de 2023 custou mais do dobro da edição anterior? Assim sendo, em 2027 a Câmara terá de desembolsar perto de 3 milhões de euros à cabeça, se nada for feito entretanto. Quem estará disposto a votar numa câmara tão gastadora? Que partido ou formação partidária vai assumir, durante a campanha eleitoral para as autárquicas 2025, que financiará a Festa grande, sejam quais forem os custos finais? É que entretanto apareceu o Chega, mais realista na questão das festas, subsídios, ajustes directos, corrupção e companhia...
Convém portanto ir pensando nestas coisas, antes da palhaçada da pseudo-escolha do mordomo pela população, alegadamente reunida nos Paços do concelho, que provoca o riso nos concelhos à volta. Porque tal tipo de escolha faz-se nas aldeias das redondezas, não em cidades dignas desse nome, sob pena de descrédito.
Trata-se afinal de começar a tentar salvar um concelho agora de funcionários públicos e reformados, transformando-o pouco a pouco numa área geográfica de cidadãos  empreendedores virados para o futuro, sem complexos nem carências patológicas de indústria pesada e operariado. Um plano abrangente, robusto e coerente, em que a nova organização da Festa grande será apenas um capítulo, porque é preciso e urgente cuidar dos Tabuleiros e do resto. Sobretudo do resto, sem o qual a dada altura não haverá mais Festa grande, por falta de recursos e de condições políticas.


(Texto ligeiramente alterado às 15H15 de Lisboa)

domingo, 14 de abril de 2024


Japon - Les ruelles des geishas interdites aux touristes à Kyoto

Japon - Les ruelles des geishas interdites aux touristes à Kyoto
©zasabe - stock.adobe.com

"À partir d’avril 2024, l’accès aux ruelles privées de Gion, le quartier des geishas à Kyoto, sera interdit aux touristes. Des panneaux de signalisation indiqueront quelles rues sont concernées. La principale rue de Gion, Hanamikoji, restera ouverte aux touristes.

Les autorités de Kyoto ont pris cette mesure pour protéger l’intimité des geishas importunées par le flux grandissant de touristes curieux qui les mitraillent de photos.

Les geishas distraient leurs clients avec des danses traditionnelles et des spectacles musicaux dans les maisons de thé du célèbre quartier de Gion."

(Reprodução do Guia do mochileiro newsletter de 27/03/2024)

Turismo

O futuro é já hoje

É mais uma curiosidade útil para os candidatos a turistas que somos todos nós, tendo em conta que "turista bem informado vale por dois", e o Japão é longe e muito caro para o nosso nível de vida. Após as taxas turísticas diárias e obrigatórias (Lisboa 2 euros para os passageiros dos cruzeiros, Veneza 5 euros para os turistas que não pernoitam), apareceram as restrições, como por exemplo no Bairro vermelho, em Amsterdão. Segue-se agora Kioto, milhão e meio de habitantes, a cidade mais tradicional do Japão.
Embora você já tenha percebido perfeitamente o texto do Guide du routard, aqui vai uma ajudinha, só para quem necessite:

"A partir de Abril de 2024, o acesso às ruas privadas de Gion, parte do bairro das geishas de Quioto, será proibido para turistas. Painéis de sinalização indicam quais são as ruas interditadas. A principal rua de Gion, Hanamikogi, continua aberta aos turistas.
As autoridades de Quioto resolveram proibir o acesso a algumas ruas para proteger a intimidade das geishas, importunadas pelo fluxo cada vez maior de turistas que as metralham com máquinas fotográficas e telemóveis.
As geishas são uma profissão tradicional japonesa que consiste em distrair os clientes com danças tradicionais e espectáculos musicais nas casas de chá do célebre bairro de Quioto." (Texto traduzido do Guide du routard newsletter de 27 de Março de 2024)

Enquanto isto, em Tomar a autarquia continua a não se incomodar com os problemas de falta de  estacionamento junto ao Convento e no Centro histórico, ou com os constantes roubos nos automóveis estacionados no parque pago da Cerrada do cães. Enquanto houver dinheiro para festas, subsídios, ajustes directos e comezainas, o resto não interessa. Querem lá saber se os visitantes não acompanhados por um guia ficam danados quando se perdem dentro do Convento, o que é frequente. Não é nada com a Câmara, é o que dizem,  mesmo estando em causa a reputação da cidade e do concelho.


sábado, 13 de abril de 2024

Imagem de Cristina Ferreira - Facebook, com a devida vénia e os agradecimentos de TAD3.

Mata dos sete montes

Agora é que vai?

https://radiohertz.pt/tomar-camara-vai-passar-a-mandar-tambem-na-gestao-da-mata-dos-sete-montes-icnf-propoe-protocolo-de-co-gestao/

O jornalista da Rádio Hertz foi feliz na formulação da notícia, como pode ler-se no link supra: "Câmara vai passar a mandar também na Mata dos sete montes." Na verdade, passará a haver dois comandos, um em Tomar (Câmara) e outro em Torres Vedras (PNSAC). Co-mandos portanto, ou gestão partilhada. Manda a boa educação política conceder o benefício da dúvida, esperar para ver, mesmo em relação aos que habitualmente condenam de antemão quem ouse criticar, seja qual for o motivo.
O dito benefício da dúvida não impede contudo que se mencione desde já a fraca expectativa existente. Sabe-se em que estado se encontram outros espaços verdes na cidade, com duas notáveis excepções, que são a Rotunda do Tabuleiro e a Várzea Pequena, cuja manutenção está entregue a duas empresas privadas. A maioria socialista tenciona fazer o mesmo com a Mata dos sete montes, concessionando a manutenção e o funcionamento? A ser o caso, quanto custará anualmente? O Estado comparticipará?
Cabe perguntar desde já, pois o problema da antiga Cerca conventual nunca foi a gestão, mas a falta dela, ou a sua evidente má qualidade. Agravada por quem, perante os sucessivos avisos de catástrofe ao longo dos anos, provocada pela seca do Aqueduto dos Pegões, adoptou sempre uma atitude altaneira e sectária, típica dos que tudo sabem e já nada aprendem.
A Câmara apadrinhou em 2023 a argumentação coxa dos técnicos do PNSAC, que afirmaram ser o desastre do jardim provocado por um fungo, tendo até custeado várias pulverizações com insecticida, que deram o resultado agora à vista de todos, apesar do inverno excepcionalmente chuvoso.(Ver imagem supra). Além disso, falou-se na altura, em Junho do ano passado, em contratar uma empresa privada para fazer um furo artesiano, junto ao Tanque da cadeira d'el-rei, para tentar assim compensar a água dos Pegões, ilegalmente desviada desde há anos na zona dos Brasões.
Ignora-se se tal furo artesiano já existe ou não, sendo certo que se trata de uma péssima solução. Naquele sítio, tudo indica que um furo artesiano só poderá fornecer água para rega mediante a instalação de uma bomba submersível, que não é barata e consome electricidade. Teríamos assim um retrocesso, nesta época de grande preocupação com poupança e energias limpas. Em vez de água com fartura, obtida por simples gravidade, como era a dos Pegões, haveria alguma água, obtida mediante consumo de electricidade, e adeus poupança de energia.
Sendo a esperança a última coisa a morrer, como diz o povo, resta esperar com alegria, pois a vox populi também garante que "hora a hora Deus melhora". Não vejo nada, mas continuo crente. Com um pouco de sorte, o problema da Mata só virá a ser resolvido capazmente quando a Câmara passar a mandar, ou co-mandar,  também no Convento de Cristo. Mas aí é mais difícil o governo ceder, porque são quase 40 funcionários e mais de dois milhões de euros de receita anual...
E continuamos assim, não é Gualdim?



sexta-feira, 12 de abril de 2024

 


Copiado da página de Laura Rocha no Facebook, com a devida vénia e os meus agradecimentos.


Informação?

A pancada foi tão forte 

que provocou mazelas a nível cognitivo?


Já com mais de oito décadas vividas, fácil é deduzir que já vi, ouvi e li muita coisa, tanto na faixa atlântica como alhures. Devo confessar, porém, que nunca antes tinha lido, que me lembre, uma coisa assim. 
Sei que há crianças extraordinariamente precoces, mas como conceber a situação relatada acima? Alguém que nasceu em 1974, que se lembra perfeitamente dos tempos do PREC, que foi em 1975, tinha a criatura um ano de vida, ultrapassa o meu entendimento.
Melhor ainda, a criança em questão já conhecia noções complexas, como por exemplo "revolução vermelha" ou "mensagens extremistas". É isto, ou estarei a perceber mal e a baralhar tudo? Faltará contexto?
Bem sei que em 10 de Março passado, a pancada foi forte e inesperada. Estava todavia longe de imaginar que provocou estragos de monta na área cognitiva de alguns cidadãos mais virados para a esquerda em termos políticos.
Será pedir demasiado, que parem um bocadinho para pensar e afinar o discurso?


quinta-feira, 11 de abril de 2024

 

"Alcáçova do castelo de Óbidos. Não é possível visitar, mas pode-se lá dormir, desde que se parta antes o mealheiro, para poder pagar."

Turismo

Turistas franceses comentam aquilo a que chamam  o centro de Portugal


O Guide du routard (guia do mochileiro) envia periodicamente a todos os interessados inscritos uma newsletter em francês com as impressões de viagem dos seus leitores. Esta semana descreveram uma viagem no centro de Portugal, em Fevereiro, viajando numa autocasa. Eis alguns excertos da longa descrição, que pode ser lida em francês no link supra.


"Hoje descemos tranquilamente de Coimbra para sul, com duas paragens para visitar o Convento de Cristo, em Tomar,  e o mosteiro da Batalha, ambos espantosos. O Convento de Cristo, Património da Humanidade da UNESCO, foi no início uma fortaleza dos templários.
A ordem foi dissolvida em França por Filipe o Belo, mas em Portugal mudaram-lhe o nome para Ordem de Cristo. O Convento tem sete claustros, dois góticos e cinco renascença, construídos nos séculos XV e XVI, e uma extraordinária capela em rotunda que nos deixou de boca aberta. Cereja no topo do bolo, a fachada oeste do coro da igreja tem uma janela fantástica, de estilo manuelino, a fazer pensar no claustro dos Jerónimos, em Lisboa.
Após esta visita, que considero magnífica, partimos para a Batalha, para visitar o Mosteiro, outra maravilha da arte gótica, a meia hora de Tomar.
Se tivesse que recomendar algumas visitas no centro de Portugal, colocaria à cabeça, destacados, o Convento de Cristo e o Mosteiro da Batalha, seguidos das aldeias fortificadas de Óbidos, Monsaraz e Monsanto.
Quanto às cidades, depois de ter visitado Lisboa e Porto, Coimbra e Évora pareceram-me de interesse limitado, ainda que bastante agradáveis.
O país tem uma grande riqueza arquitectónica, as paisagens são lindas e os habitantes são muito simpáticos. Que mais se pode pedir?"


quarta-feira, 10 de abril de 2024

A Praça do Município, ou de D. Manuel I, mais tarde da República, com árvores e ainda sem o Gualdim com o foral, mas de costas viradas para a Câmara. Deverá ser uma das tarefas da próxima maioria autárquica: mudar finalmente o Gualdim para o lugar que desde 1960 lhe está destinado, lá em cima na Cerrada dos Cães, à entrada do castelo que fundou, sob a forma de um círculo relvado. Nunca tinnha reparado, pois não?

Autarquia

Políticas de cacaracá

TOMAR – Câmara foi unânime na necessidade de contratar empréstimo de três milhões para intervir nas vias mais degradadas do concelho | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Políticas de cacaracá, de pouco valor, insignificantes, de caca, para usar o vernáculo. Uma maioria PS já exausta e sem ideias fecundas, fortemente fustigada pela fraca oposição, a 18 meses das próximas eleições, viu-se forçada a recorrer aos estrategas do partido, a quem colocou a célebre dúvida de Lenine: "Que fazer?"
A resposta foi rápida e pronta a usar: recorram ao "gancho" do costume. Encontrem algo a fazer que "engate" a oposição, forçando-a a votar a favor, assim conseguindo a unanimidade que vem desmentir, aos olhos da opinião pública local, as sucessivas picardias laranja, que tão incómodas e nefastas têm sido para a imagem concelhia.
Até a informação local caiu no logro, ao publicar um link que engana involuntariamente o eleitorado. Em boa verdade "A Câmara [não] foi unânime na necessidade de contratar empréstimo de três milhões para intervir nas vias mais degradadas do concelho." É uma unanimidade de circunstânciaO PSD foi forçado, pelo ardil do PS, a votar a favor de um empréstimo que podia ser evitado, se houvesse melhor gestão dos dinheiros de todos nós, por parte de uma maioria esbanjadora.
Votar contra um empréstimo apresentado como indispensável,  destinado a financiar obas de manutenção de vias públicas, nomeadamente nas freguesias lideradas pelo PSD, entre as quais a martirizada S. Pedro, seria para os laranjas um suicídio político, no actual contexto local.
Esta unanimidade praticamente imposta pelos socialistas põe a nu a triste realidade concelhia: Nem o PS, nem o PSD, nem a extrema esquerda, têm nesta altura qualquer programa, ou quaisquer ideias para salvar o concelho do pântano em que se está afundando a pouco e pouco. Nada! Só golpes.
O aparelho de propaganda bem pago pela ex-presidente, difundiu recentemente, como aqui foi publicado, a ideia de que a senhora deixou serviço bem feito, designadamente na área do turismo, causando a inveja das principais cidades vizinhas. É rotundamente falso. As principais cidades vizinhas, com a notável excepção de Ourém por causa de Fátima, não têm vocação para o turismo, por carecerem de atracções-âncora. Os turistas vão a Torres Novas ou Santarém, por exemplo, para visitar o quê?
No que concerne a Tomar, Anabela Freitas anda toda entusiasmada porque deixou meia dúzia de novos estabelecimentos hoteleiros. Esquece ou ignora alguns detalhes que reduzem substancialmente a qualidade e importância da sua prestação política.
Em primeiro lugar, de todos os novos hotéis, só o Vila Galé é investimento "de fora". Todos os outros são de tomarenses, ou radicados em Tomar. E mesmo o Vila Galé limitou-se a aproveitar uma autêntica pechincha, ao comprar por 700 mil euros umas ruínas antes avaliadas em três milhões  de euros. Foi um tal brinde aos pobres, que até a própria senhora veio a aproveitar. O mandatário da lista PSD onde acabou por ser inserida à última hora, foi Jorge Rebelo de Almeida, o dono do Vila Galé. Há cada coincidência!
Um outro detalhe geralmente omitido é que, de todos os novos estabelecimentos hoteleiros, só o Vila Galé dispõe de 15 lugares de estacionamento coberto, para os clientes dos seus 100 quartos. Os outros, nem isso. Os clientes que estacionem na via pública, ou nos dois parques pagos existentes. Conseguirão singrar, na concorrência com a Estalagem e sobretudo com o Hotel dos Templários, o único com um amplo parque para ligeiros e autocarros? O tempo o dirá, quando tiver amainado o vento da gabarolice parola.
Voltando ao "gancho" inicial, o PS local é fraquito, mas dispõe de recursos a nível nacional, aos quais recorre quando se vê mais aflito. Não é decerto por mero acaso que uma simpática conterrânea, fotografada ao lado do Pedro Nuno Santos, em plena campanha eleitoral, escreveu há poucos dias candidamente no Facebook que "a limpeza urbana está muito mal, desde que deixou de ser competência da Câmara."
Como é que disse?! A limpeza urbana e concelhia, tal como a água e os esgotos, continuam a ser competência da Câmara, que se limitou a transferir esses serviços para empresas intermunicipais, em geral muito aquém do desejável. Uma maneira ardilosa de intrujar o povo, que sustenta mais de 600  funcionários municipais, para ser cada vez mais mal servido.
Em conclusão, PS e PSD andam aflitos por falta de ideias, de programas e de quem os saiba fazer. E sobretudo por causa de um papão chamado Chega. O caso não é para menos, porque em 50 anos de liberdade, tudo indica que vamos ter em 2025 três forças partidárias, cada uma delas valendo à partida mais de 10% do eleitorado, o que acontece pela 2ª vez, após a malograda aventura IpT. Falta apurar ainda como e com quem vai aparecer  o partido de Ventura, o papão do momento, geralmente apresentado como futuro ditador, por aqueles que em 1974-75...

terça-feira, 9 de abril de 2024




"Filipa Fernandes, vereadora na Câmara de Tomar, eleita pelo PS, também quis intervir nesta troca de argumentos para acusar o PSD de insinuações: «Não podem chegar aqui e dizer tudo o que vos apetece, chamarem-nos de arrogantes, dizer que não temos uma política séria, que não somos sérios, e nós estarmos aqui calados. Seriedade faz-se com seriedade. Não podem dizer o que vos apetece, insinuar que nós devemos isto e aquilo e depois não querem ouvir as respeito. Política séria é o que se exige, seja ela de quem está no ativo, seja ela da oposição».

Copiado de:
https://radiohertz.pt/tomar-animos-exaltados-entre-ps-e-psd-na-reuniao-de-camara-a-proposito-de-presencas-em-iniciativas-de-associacoes-do-concelho/

Política local - Autarquia

A ditadora encapotada


Numa daquelas sessões "de faca e alguidar", também conhecidas por "peixeiradas",  lamentavelmente cada vez mais comuns no executivo municipal tomarense, a vice presidente Filipa Fernandes parece ter perdido as estribeiras, dizendo coisas pouco compatíveis com a sua condição de eleita maioritária, numa vereação plural. 
Segundo a referida senhora, que dizem ser muito simpática e uma joia de pessoa, o que não me custa nada a crer, os eleitos da oposição "Não podem chegar aqui e dizer tudo o que vos apetece. Chamarem-nos de arrogantes, dizer que não temos uma política séria, que não somos sérios..."  Sucede que a simpática senhora está enganada. A oposição pode e deve dizer tudo o que lhe apetece durante as reuniões de Câmara. Sem qualquer limite, além do bom senso. É mesmo para isso que foram eleitos.
Se tivessem ganho, teriam de fazer e mandar fazer. Tendo perdido, e sem pelouros atribuídos, a estrita obrigação de cada um é criticar, dizer o que lhe apetece, o que lhe vai na alma, devendo a maioria alvo das críticas, ouvir e calar, ou responder como lhes parecer melhor. Não devem é assumir um comportamento autoritário, ditatorial, como agora voltou a acontecer com a senhora vice presidente.
Houve depois, é certo, uma tentativa para reduzir a enormidade, mas com uma frase extemporânea "e nós estarmos aqui calados." Que se saiba, a oposição nunca exigiu tal coisa, que resulta pelo contrário de normas societais e da própria natureza do órgão. Como bem diz o povo, na sua rica linguagem chã, "Quando um burro fala, os outros baixam as orelhas para ouvir melhor."
De forma que, procurando ser imparcial, há duas hipóteses plausíveis para a infeliz intervenção da senhora: Hipótese A -Enervou-se e disse o que lhe veio à cabeça, sem cuidar de saber que no final prevalece sempre aquilo que as pessoas ouvem ou lêem, em detrimento do que se diz ou escreve. Hipótese B - Filipa Fernandes tem perfeita consciência daquilo que disse, pois essa era a sua intenção -passar a mensagem subliminar "quem manda aqui somos nós e não admitimos exageros da vossa parte, sob pena de retaliação, mesmo com elementos falsos." Ou seja, uma disfarçada ameaça para procurar intimidar e assim moderar a oposição, que se está tornando demasiado cáustica em relação aos dois mandatos anteriores.
Neste último caso, será a chamada política do quanto pior melhor, muito do agrado da nossa extrema esquerda, que tudo faz para ir semeando merda pelo caminho. Ainda nem sequer havia governo e já um dirigente partidário da extrema esquerda anunciava que iam apresentar no parlamento uma moção de rejeição. Vindo de um partido com 4 deputados, num parlamento de 230, qual é a ideia subjacente?

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Imagem copiada da página Facebook de Luís Santos, com a devida vénia e os nossos agradecimentos, na qual se pode observar uma silhueta de mulher com tabuleiro à cabeça, e como se trabalha em Tomar. Um faz e três fiscalizam.

Política e informação

Crónica dominical 

a 7 mil quilómetros e no hemisfério de baixo

https://observador.pt/opiniao/a-bandeira-e-o-logotipo-ou-porque-a-republica-e-o-governo-nao-sao-o-mesmo/

Começo por aconselhar a leitura da crónica de Helena Matos, no Observador. Basta usar o link supra, para ficar com a ideia que a extrema esquerda portuguesa, se não anda mesmo a brincar com o pessoal, imita muito bem. Confundir o logótipo do governo e os símbolos da República é de alunos cábulas. Dos de antigamente, que agora já não há disso. Todos aprendem e todos são bons. Por isso apelidam os governantes de centro direita de pacóvios e retrógrados, porque progressistas são o que ainda julgam poder continuar "a caminho do socialismo". Em 2024 e na Europa dos 27. Foi assim que lhes ensinaram.
Enquanto isto (ia a escrever entrementes, mas depois dei-me conta que nem todos conhecem o vocábulo, sinónimo de entretanto), em Tomar, um revolucionário post-25 de Abril, há muito em hibernação forçada, questionava no Face: "Com a idade começa-se a fazer mais disparates?" A resposta só pode ser afirmativa, se por disparates se entender actos fora da norma. Induzidos por doenças que afectam a massa encefálica, ou por uma irresponsabilidade deliberada, que permite ser mais solto e dizer finalmente o que se pensa. A tal liberdade.
Neste último caso, corre-se um grande risco, em sociedades menos evoluídas, como a nabantina: ser-se considerado louco em vez de adversário político, só porque não se partilha o catecismo político em voga. Foi o que aconteceu na segunda metade do século passado, com os internamentos psiquiátricos forçados na então União Soviética. Porque quem é contra o socialismo, um regime que visa o bem universal, só pode ser louco, devendo portanto ser tratado com medicação adequada, nem que seja à força. 
Entretanto, a situação mudou bastante. Agora já não parece haver por ali nem socialismo nem internamentos psiquiátricos forçados. A tendência é mais para envenenamentos, desastres de aviação, mortes súbitas nas prisões, ou quedas de varandas...
Em Tomar, com problemas de toda a ordem, que vão da falta de emprego e de habitação, até à péssima limpeza  urbana, à medonha burocracia camarária, ou às estradas cheias de buracos, o tema prioritário para debate entre alguma malta de esquerda, é... a recolocação das silhuetas "mulher com tabuleiro à cabeça", retiradas da Rotunda antes da colocação do tabuleiro monumental, que custou o preço de uma ambulância nova e só serve para mostrar. (Ver imagem)
Está na página Face de Luis Santos e já ultrapassou os 50 comentários, o que mostra bem a pertinência da questão, com alvitres para todos os gostos e dois grandes grupos -os que acham muito bem, com ferrugem e tudo, e os que preferem com uma limpeza prévia, seguida de pintura ou cromagem, supõe-se.
Se me é permitida uma achega, embora não faça parte da confraria, parece-me que o ideal seria uma silhueta  em cada uma das três entradas da cidade (Coimbra, Leiria, Lisboa), mas no sentido da saída e com o braço direito no ar, a dizer adeus. Era mais adequado à realidade actual. 
Na minha tosca opinião, é mesmo "Tomar dos pequeninos", que perde na comparação com o "Portugal dos pequeninos" de Coimbra, porque lá ao menos as entradas são pagas e rendem bom dinheiro. É uma atracção turística que não custa quase milhão e meio de euros, a cada quatro anos. Outro mundo e outra maneira de ver, no mesmo país e logo ao lado.
A concluir, usando uma frase introdutória que ficou célebre no jornalismo tomarense, só que agora muito adequada, dada a forma como começa, "chega-nos a notícia" que nas próximas autárquicas os principais candidatos vão ser Cristóvão o ocupante (PS), Carrão o pretendente (PSD) e Ferreira de Santa Cita o aspirante (CH). No estado actual das coisas, o meu prognóstico é por enquanto X, no usual totobola autárquico.







domingo, 7 de abril de 2024

 







CAVALEIRO ANDANTE - CARICATURA E IRONIA

Provedor dos Munícipes de Tomar, que tem a missão de responder às reclamações dos habitantes do concelho, fez sete atendimentos em seis meses.

(Copiado de O Mirante online, com a devida vénia e os nossos agradecimentos.)

NÃO BATE A BOTA COM A PERDIGOTA


O Cavaleiro andante publica o curto texto supra, a caçoar com o ilustre provedor do munícipe de Tomar, mas há algo que não cola. Há uns dias o mesmo Cavaleiro andante escreveu sobre a presidente que escolheu e nomeou o provedor isto:
"Anabela Freitas deixou trabalho feito e a cidade num mimo com uma economia em crescendo, nomeadamente ao nível do turismo, sendo um exemplo para as principais cidades da região."
Afinal em que ficamos? Com uma presidente assim tão eficaz, e que deixou a cidade tão bem, não faz sentido esperar que o provedor do cidadão tenha muitas queixas. De quê? De terem uma presidente tão realizadora e tão boazinha? Ou o texto laudatório do Cavaleiro andante sobre a ex-presidente  é uma treta, ou este sobre o provedor é anacrónico. Diz o povo que a mentira tem a perna curta. E o popular Aleixo deixou escrito que "Prá mentira ser segura/E atingir profundidade/Deve trazer à mistura/Qualquer coisa de verdade". É bem capaz de ser o caso.