domingo, 30 de janeiro de 2022

 



Procedimentos administrativos

Uma burocracia lamentável

É melhor começar assim:
A notícia é do Entroncamento, mas os procedimentos são os mesmos no país inteiro. Os burócratas têm uma longa experiência. Sabem como proceder para subjugar os cidadãos, obrigando-os a vergar-se à normas oficiais. Complicar para reinar.
Neste caso, quase que dá para rir de escárnio. É assim: Cinquenta anos depois de terem sido obrigados a andar em Àfrica de arma na mão "a defender a Pátria", o governo lembrou-se finalmente de dar uma pequena esmola aos antigos combatentes, agora todos com mais de 70 anos. Mandou-lhes para casa um "Cartão de antigo combatente - Titular do reconhecimento da Nação", informando-os que concede isenção de taxas moderadoras, entrada gratuita nos monumentos tutelados pela DGPC e passe gratuito nos transportes urbanos.
Ignoro como será nos monumentos, museus, hospitais e postos de saúde. Para os transportes públicos é uma verdadeira maravilha burocrática. Para obter o passe gratuito, é necessário fazer o requerimento, apresentar o cartão de antigo combatente, o cartão de cidadão, o comprovativo de morada fiscal de residência habitual e uma fotografia, aguardar três dias e depois renovar mensalmente.
A título comparativo, em Paris, para obter o passe NAVIGO, que faculta viagens a preços reduzidos nos transportes urbanos e interurbanos, basta apresentar um documento de identidade e entregar uma foto. Não é preciso requerimento, identificação fiscal ou documento de residência. E recebe-se o passe, com uma protecção em plástico rígido, poucos minutos depois. Pelos jeitos, não têm o problema da administração portuguesa. Funcionários sem tarefas atribuídas que lhes ocupem o tempo de presença, procurando infernizar a vida dos cidadãos, só para estarem mais entretidos. O problema é tão grave que já não lhes basta o computador de serviço, com acesso a vasto cardápio nem sempre muito católico. Para quando uma reforma geral da administração pública, retirando funcionários nos serviços onde são excedentários e colocando-os onde façam falta? Pode custar milhares de votos, não é?

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