sábado, 29 de janeiro de 2022

 

Imagem Tomar na rede, a quem agradecemos.

Crónica avinagrada

A futura região de turismo Tejo-Atlântico - 2

Aquele edifício devoluto, do lado esquerdo quando se entra na Corredoura, é um exemplo perfeito  do descalabro tomarense. Inicialmente sede da agência do Banco de Portugal, foi mais tarde comprado pelo então vereador Duarte Nuno, da AD, para sede da nova comissão regional de turismo., sendo pago por todos os municípios que integravam aquele organismo promocional. Após anos e anos de peripécias, umas trágicas outras cómicas, mas todas evidenciando a falta de capacidade dos autarcas para geriram capazmente a comissão regional de turismo, o governo decidiu extingui-las em todo o país, integrando o seu património noutros serviços.
No caso do Turismo dos templários, começou por fazer parte do turismo de Lisboa. Mais tarde, passou a integrar a Entidade regional de turismo do centro, com sede em Aveiro. A propriedade do prédio seguiu o mesmo caminho. Quando era tutelado pelo turismo de Lisboa, consta que a actual maioria PS  terá tentado a sua devolução, mesmo sob a forma de arrendamento. Sem sucesso, uma vez que seria original o Estado alugar um imóvel ao seu próprio proprietário, daí terá resultado a incongruência da situação e posterior transferência para a Entidade de Turismo do Centro.
Temos assim um prédio devoluto, oficialmente propriedade de 9 câmaras da região, conforme podem provar com documentos, entregue a uma entidade estatal que nem sequer existia quando foi comprado. Confuso? Apenas uma consequência evidente da falta de habilidade camarária, o que lhe retira credibilidade. Quem acredita num executivo municipal que leva 5 anos para modernizar uns simples sanitários públicos? Que necessitou de dois mandatos para concluir a revisão do PDM? Que ao cabo de mais de 10 anos recusa, de forma obstinada, reparar o erro cometido durante as obras da Estrada do Convento? Só os crentes. Os sinceros e os comprados.
Sejam quais forem os argumentos apresentados, não colhem porque é uma situação recorrente. No tempo da guerra em África, dizia-se que na tropa havia três ritmos de trabalho: devagar, muito devagarinho e parado. A experiência tem mostrado que na Câmara de Tomar tem havido só dois: muito devagarinho e parado. Excepto quando se trata de comprar votos. Aí, aceleram um bocadinho. Porque será?
Não fora tão triste situação e Tomar poderia ter nesta altura um plano local de turismo, o qual lhe permitiria aspirar à sede da futura Região de Turismo Tejo-Atlântico, a mais rica do país em termos de recursos. Alcobaça, Batalha, Caldas da Rainha, Nazaré, Fátima, Leiria, Óbidos e Tomar, é uma listagem de respeito, que infelizmente virá decerto a ser gerida a partir de Leiria. Porque ninguém está a ver tão imponente conjunto gerido a partir de Aveiro, ou mesmo de Coimbra. Mas quê?! "Quem nasceu pra lagartixa, nunca chega a jacaré." E mesmo jacaré, é brasilês para crocodilo, animal que voa, mas é muito baixinho, como se sabe.

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