sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

 

Ponte dos suspiros, em Veneza, ligando o palácio dos doges (governo) à prisão. A altura explica-se por razões de segurança, na primeira ponte, e para os gondoleiros de pé poderem operar com a vara, na segunda ponte. Em Tomar, como não há por ali prisão nem gôndolas, para que serve aquela altura?

Política local - parques e jardins

O Mouchão vandalizado pelos novos apóstolos da ecologia

Durante décadas, quando ainda ninguém falava de ecologia, o Mouchão foi a sala  de visitas de Tomar. Mesmo depois da inauguração do estádio, e da subsequente mudança do cine-esplanada, continuou um mimo. Tinha sanitários com guarda, barcos para alugar, uma ponte de madeira desmontável, apoiada no açude,  e um sistema de rega tradicional, aproveitando a água da roda.
Sem que ainda hoje se perceba muito bem porquê, durante os mandatos do eng. Paiva destruíram os sanitários, substituiram o sistema de rega tradicional por um de aspersão, montaram uma ponte totalmente desadequada, com perfil a imitar a dos suspiros, em Veneza, e repararam o piso. Tudo isto praticamente sem um protesto, sem um pio sequer, da parte dos que se consideram defensores de Tomar. Curiosa situação!
A partir de então tem sido um fartar vilanagem. Eventos semanais e bi-semanais para todos os gostos, incluindo até uma missa campal, tudo em cima da massacrada  relva. Dirão os apoiantes dos novos vândalos que antes até houve cinema no Mouchão, o que é verdade. Acontece porém que o recinto do cinema (do lado esquerdo de quem olha para a Estalagem) não tinha relva. Ainda lá está uma parte do rectângulo original, coberto de saibro. 
Quando se esperava que os sucessores tomarenses do nortenho Paiva reparassem o que está mal, é o contrário que tem acontecido. Devido aos sucessivos eventos, a actual relva pouco tem a ver com a anterior ao Paiva. A rega por aspersão vai dando banho a um ou outro visitante incauto, sendo visível a falta de manutenção. E assim se vai gastando água da rede, com a da roda a voltar para o rio, mesmo ao lado.
A nova ponte continua a desfigurar o que já foi muito bonito, no tempo da ponte de madeira. E claro, cesteiro que faz um cesto, faz um cento. Tal como a ponte de madeira foi abandonada para evitar o trabalho anual de montagem e desmontagem, uma maçada para os funcionários camarários, chegou a vez de fazer o mesmo ao açude da roda. Torná-lo fixo e permanente, para evitar os trabalhos anuais dos mesmos sacrificados trabalhadores municipais.  As primeiras reclamações já apareceram. Atirada a tradição para o lixo, o Nabão lá vai comendo as margens pouco a pouco. Aguardemos.
Falta agora conhecer o aspecto definitivo da acrescentada estalagem, bem como o inevitável aumento dos espaços para estacionamento. Vai ser mais uma maravilha, a acrescentar às já existentes. Coitado do Mouchão! Coitados dos tomarenses, que mereciam melhor sorte na altura de votar.

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