sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Sobre Património da Humanidade


Tomar a ver passar os comboios

António Freitas

A lista de monumentos, locais e manifestações bem portuguesas que integram a lista do Património Mundial da UNESCO, não pára de crescer. O cante alentejano foi classificado em 2014 e em 2015 a UNESCO reconheceu também o fabrico de chocalhos em Portugal, ofício e manifestação cultural que tem no Alentejo a sua maior expressão a nível nacional, em Alcáçovas. Antes os "Bonecos de Estremoz" haviam sido os últimos a serem considerados Património Cultural Imaterial da Humanidade. Porém, a Torre de Belém e o Convento de Cristo foram dos primeiros, e foi igualmente a primeira vez que Portugal entrou na citada lista daquela organização das Nações Unidas, em Dezembro de 1983, quando a UNESCO decidiu, em Friburgo, classificar em simultâneo seis monumentos portugueses como Património Mundial: Centro histórico de Angra do Heroísmo (Açores), Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro da Batalha (Leiria), Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém (Lisboa), e Convento de Cristo em Tomar. 
A falcoaria portuguesa e o processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real, são os mais recentes na lista, que passaram a integrar no final de 2017.

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Foto Tomar na rede

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Foto Igreja a cores

Voltando a Tomar, muito já se falou sobre a candidatura da Festa dos Tabuleiros ou, melhor dizendo, do Culto do Espírito Santo.  Instituído pela Rainha Santa Isabel, tem as suas máximas expressões em Tomar, Alenquer e Pendão ( Sintra), bem como nos Açores, para onde foi  levado pelos primeiros povoadores da Ordem de Cristo, e onde hoje mostra o seu máximo fulgor. 
Mas voltando à referida lista, em 2011 foi a vez do Fado ser classificado pela UNESCO, numa decisão tomada durante o VI Comité Intergovernamental da organização, que reconheceu a importância deste género musical como parte da identidade cultural portuguesa. 
No mesmo ano, a maior fortificação abaluartada do mundo, modelo Vauban, em Elvas, passou a ser classificada como Património Mundial. Não sabemos do que Tomar está à espera quanto à Festa Grande Tomarense, mas a lista de candidaturas não pára. Agora é a Câmara de Idanha-a-Nova, que formalizou a candidatura dos Mistérios da Páscoa, manifestação de religiosidade popular ligada ao ciclo quaresmal e pascal, a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, anunciou a autarquia.
O dossiê de candidatura já foi entregue, na Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). "A sustentar este projeto estão 250 manifestações de piedade popular que se desenrolam ao longo de 90 dias em todo o concelho, desde a Quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Pentecostes, as quais se traduzem numa grande riqueza cultural", explica em comunicado enviado aos jornais,  o presidente deste município do distrito de Castelo Branco, Armindo Jacinto. Entretanto, Idanha-a-Nova é já um território UNESCO, cruzando património material e imaterial, que lhe conferem o estatuto de Cidade Criativa da Música, Reserva da Biosfera do Tejo Internacional e parte integrante do Geopark Naturtejo, da UNESCO. 
 Perante tudo isto, a pergunta impõe-se: Mas afinal Tomar está à espera de quê?

Texto editado e ilustrado por Tomar a dianteira 3

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