domingo, 28 de abril de 2024


Turistas visitando o conjunto monumental de Angkor Vat, no Cambodja.

Desenvolvimento económico local

O equívoco tomarense àcerca do turismo

Nota prévia

Numa terra em que escasseiam os comentadores, em boa parte não por prudência, mas por carência de capacidade para tanto, ao não conseguirem elaborar fraseado e com ele construir textos, o que segue não é uma crítica, mas apenas mais uma tentativa de esclarecimento, em prol de Tomar e dos tomarenses.

Li ontem de novo, no Tomar na rede, que esta Câmara optou pelo turismo para desenvolver o concelho, sobretudo a partir do mandato de António Paiva, o que não corresponde à verdade. Facilitar o licenciamento de alojamentos locais, ou de unidades hoteleiras, não é de todo o mesmo que optar pelo turismo como motor do desenvolvimento local.
Quem procura estudar com alguma profundidade o fenómeno turístico, sabe que o mais importante nessa actividade em termos económicos, não é para os locais visitados o maior ou menor número de turistas, mas sim aquilo que gastam. No caso específico de Tomar, ao nítido aumento de visitantes durante todo o ano, não tem correspondido igual incremento no comércio e indústria locais, excepto na área hoteleira e da restauração e cafés.
É assim porque, embora não haja ainda estudos sobre o tema, é consensual que a esmagadora maioria dos visitantes, sobretudo estrangeiros, vem a Tomar para visitar o Convento de Cristo, não parando em geral na cidade por falta de condições, designadamente estacionamento. Ao assim proceder, nada gastam fora do Convento de Cristo, quando conseguem um lugar de estacionamento próximo do monumento, que lhes permita visitar. Porque durante a alta estação há muitos que se vão embora sem visitar, por não conseguirem estacionar nas proximidades.
Perdem os comerciantes citadinos, tanto os da área hoteleira e restaurativa, como sobretudo os outros. Isto porque, quem conhece bem Fátima, Alcobaça, ou os centros turísticos por esse mundo fora, sobretudo na Ásia, sabe duas coisas: 1 - É imprescindível haver estacionamento abundante nas proximidades de cada local a visitar, ou com ligação rápida entre o estacionamento e os monumentos ou atracções; 2 - Os percursos entre os locais de estacionamento e os de visita são os mais rentáveis em termos comerciais por esse mundo fora.
Nas condições actuais, em que nem há estacionamento suficiente próximo da área urbana ou dos monumentos, nem sequer um esboço de estudo para a sua implementação, falar de turismo como opção de desenvolvimento  escolhida pela actual maioria camarária, é manifestamente um abuso de linguagem, que procura iludir os eleitores. Sobretudo aqueles comerciantes que, não sendo de natureza turística, muito teriam a ganhar com outra organização do turismo local, mais  eficiente e mais proveitosa para todos.
Em caso de dúvidas a esse respeito, aconselha-se que visitem três locais relativamente próximos e aí verifiquem quais os estabelecimentos entre os locais de paragem e as atracções a visitar. Vão ter surpresas. Essas localidades são Fátima, Alcobaça e Óbidos.

3 comentários:

  1. Eu a mim admira-me o Paiva ter sido eleito para três mandatos, tal como a Anabela, e não ter conseguido criar empatia com os Tomarenses, só os amigos dizem bem dele, ao contrário da Anabela, em quem eu tendencialmente votaria por não ser da minha área política, mas ouço e leio muitos elogios ao trabalho dela enquanto presidente. Não leio ninguém a dizer bem do trabalho do Paiva nas redes sociais ou no Tomar na Rede, além do professor Rebelo. Nunca li ninguém a dizer: "No tempo do Paiva é que era..... Saudades....!!!" Ninguém diz isso!!!

    Quanto ao desenvolvimento económico o turismo é o sector mais fácil para se empreender. É muito difícil montar uma indústria do que quer que seja, requer muitos meios, muito dinheiro. E não é para qualquer um, é preciso cabeças e nós temos muita falta de empreendedores. Ás vezes leio que a câmara não aposta na indústria, e só no Turismo, mas isso é malta que não sabe o que diz!!! Vão aparecendo umas fabriquetas mas são poucas e pequenas, 40 a 50 trabalhadores, no máximo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu não digo bem do Paiva, até porque nunca votei nele. Limito-me a tentar emendar os que dizem mal dele, lembrando que deixou obra, ao contrário de outros que conheço. Embora tenha cometido erros graves por falta de oposição, teve a coragem de enfrentar a camarilha da DGT calçando os patins à chefe Paula, que foi para a Câmara de Lisboa. Tudo boa gente neste país, entre os funcionários superiores. Os críticos é que são uns malandros desavergonhados.

      Eliminar
    2. O problema com a popularidade do Paiva é semelhante ao que acontece com o Cavaco a nível Nacional, e começa a acontecer com o Montenegro: não fazem parte da boa sociedade local. O Paiva veio lá do norte, ensinar para o Politécnico, o Cavaco é filho do merceeiro de Boliqueime e o Montenegro vem da zona de Aveiro. Por isso o Marcelo já começou a dizer que o primeiro ministro é meio rural. Não é lisboeta, como o Costa ou o Soares.

      Eliminar