terça-feira, 10 de outubro de 2023



Política local - Partidos

Os números da desgraça 

social-democrata nabantina


Perante a hesitação do PSD, quando se trata de "fazer oposição", ou de anunciar estratégia para 2025, nada melhor que lembrar alguns resultados eleitorais, copiados de autarquicasresultadosmai.gov.pt que não são propriamente muito abonatórios ou animadores para os laranjas locais:

RESULTADOS DAS AUTÁRQUICAS EM TOMAR

                          PS.................... PSD.......................Diferença

2009...............4.756..................7.959.......................PSD + 3.203

2013...............5,479..................5,198.......................PS + 281

2017..............7.972..................6.817... ....................PS + 1.155

2021.............7.157...................6.248........................PS + 908

Quadro elaborado por TAD3, com dados de autarquicasresultadosmai.gov.pt

Não se tratando de tentar glorificar ou achincalhar qualquer dos dois grandes partidos, ou o estreante incómodo, mas apenas de olhar friamente para os números,  o primeiro facto que salta à vista é a estrondosa derrota do PSD em 2013, que perde 2.761 votos em relação a 2009, quando o PS apenas recupera 728 votos durante o mesmo período. Trata-se portanto de um caso de evidente inépcia política social-democrata e não de vitória socialista.
Traumatizados com o desastre de 2013 -o que se compreende- em 2017 os laranjas nabantinos não conseguiram endireitar o barco, perdendo por uma diferença superior à de quatro anos antes, na sequência da dissolução dos IPT. Situação estranha, a denunciar incapacidade para recuperar eleitorado suficiente, mesmo não estando no poder.
As autárquicas de 2021 confirmaram isso mesmo. A manifesta incapacidade social-democrata para atrair eleitorado, quando  na oposição, logicamente por carência de propostas alternativas. Entre o original e a cópia implícita, os eleitores preferem o original. Os socialistas perderam 815 votos em quatro anos, devido ao natural desgaste do poder, mas o PSD também perdeu 569 votos, eventualmente naquela situação que se ouvia em Tomar, sobretudo em 2022: "esta câmara socialista é fraca, mas os outros ainda são piores."
Poderão os do PSD alegar que entretanto surgiu o CHEGA, susceptível de justificar essa descida de votos. É possível. Mas o CHEGA obteve só 1.168 votos e o conjunto PS-PSD perdeu 1384, o que demonstra quão diminuta terá sido a influência do novo partido de protesto, tanto mais que, enquanto existiu uma outra formação credível -os IPT- socialistas e social-democratas acabaram por se situar ambos na patamar dos cinco mil votos, conforme mostra o resultado de 2013. A mostrar que, na prática e em Tomar,  são gémeos separados à nascença.
Nestas condições, com os socialistas em perda de votos, devido ao usual desgaste do poder, e órfãos da sua líder, os social-democratas a perderem votos, à falta de políticas alternativas, mesmo estando na oposição, a extrema esquerda em queda acentuada, e o CHEGA a não ter ainda conseguido capitalizar o evidente descontentamento, por carência de recursos, como vai ser em 2025?
Para Tomar, o pior seria que todos continuassem a fingir que vai tudo bem, como até agora, mostrando-se irritados com as críticas, em vez de irem preparando um programa, uma estratégia  e uma campanha eleitoral, capazes de voltar a motivar o eleitorado. Porque sem isso, a abstenção passou de 41% em 2009, para 46% em 2021, tendo mesmo alcançado 56% nas últimas presidenciais, cujo vencedor era óbvio de antemão.




segunda-feira, 9 de outubro de 2023



Política local

Vamos ter drama ou comédia?


Quem sustenta que a história nunca se repete, também acrescenta que, quando tal sucede, se da primeira vez foi drama, da segunda é comédia, ou vice-versa. No caso da algo inopinada saída da nossa presidente, a dois anos do final do mandato, pela própria classificada como "oportunidade", mas a parecer mais uma fuga, devido à inesperada integração numa lista antes adversária, como não pensar no "drama Carrão", já lá vão dez anos?
Representando 15 mil votos, contra menos de 8 mil de Anabela Freitas, que perdeu 785 votos entre 2017 e 2021, António Paiva aproveitou então a oportunidade oferecida pelos fundos europeus, e foi-se para Coimbra.
Deixou obra e cometeu alguns erros, enquanto a presidente socialista está convencida que nunca errou, mas deixou uma herança de esbanjamento, obras ornamentais, festarolas, alergia à crítica e compra de votos. Que se segue?
A António Paiva sucedeu Fernando de Sousa e a este Carlos Carrão, que se espalhou ao comprido em 2013, por excesso de autoconfiança, perante uma lista PS sem programa nem liderança capaz. Como se veio a constatar em 2015, numa purga socialista ainda por explicar. O vice-presidente Serrano e o chefe de gabinete Ferreira, foram empurrados porta fora por quem? Porquê? Para quê?
Oito anos depois, temos na presidência Hugo Cristóvão, da mesma loja maçónica do expulso Ferreira, e como vice Filipa Fernandes, dos eventos e festarolas à borla, mas que custam milhões anualmente. Caso aconteça com Cristóvão, o que sucedeu com Fernando de Sousa, a vereadora da cultura e turismo assumirá a presidência? Será, nesse caso, a próxima cabeça de lista PS, como aconteceu com Carrão e o PSD? Ou Cristóvão vai assumir a herança, aguentar até ao fim, e encabeçar a futura lista PS? Em qualquer dos casos, as perspectivas não parecem muito risonhas para os socialistas. Mas, lá está. Muito depende dos adversários. É como no futebol, por exemplo.
Nem sei,  no momento, qual a minha reacção perante tais hipóteses, considerando que o PSD local ainda está aquém do desejável para uma campanha vencedora. Tiago Carrão é um eleito com qualidades. Empresário da área tecnológica, não depende do Estado e parece ter ideias arejadas estilo europeu. Denota porém proximidade excessiva com a sua antecessora de triste memória, quanto à forma de actuar.
Para tranquilizar aqueles tomarenses "mais por dentro" nestas coisas da política local, conviria que o líder social-democrata local dissesse quanto antes se tenciona ir a votos sozinho ou em coligação, e neste caso com quem. Alguns poderão dizer que ainda é muito cedo, mas é oportuno lembrar que "candeia que vai à frente alumia duas vezes", sendo também útil acrescentar que, em política, o silêncio torna-se cada vez mais pesado.
 

domingo, 8 de outubro de 2023


O aqueduto de Segóvia (Espanha) e o de Tomar. Semelhantes mas separados por 15 séculos. Segóvia é do século II d.c. e Tomar do século XVII

Saneamento urbano

Candidatar o pivete templário 
a Património imaterial da UNESCO



Em menos de uma semana, já são três pessoas que se queixam do fedor em certas zonas da cidade antiga, que pomposamente passaram a designar como "centro histórico". (ver cópia infra). É um problema antigo, como bem sabem os que lá moram há décadas, nomeadamente o autor destas linhas, agravado pelo desmazelo da actual maioria, que deixou de desinfectar as sarjetas antigas com creolina, contrariando o que antes acontecia com regularidade. 
Dado que o saneamento ainda é de colector único, naquela parte que ficou por modernizar desde o tempo do Paiva, e as velhas sarjetas não têm sifões, quando faz calor é cá um pivete que só cheirando se acredita. E com ratazanas bem nutridas, que dá gosto ver.
Uma vez que esta maioria PS considerou mais urgente a ornamentação da Várzea grande e as ciclovias na Nun'Álvares, Torres Pinheiro e Combatentes, o melhor será deixar tudo como está, para cumprir a tradição e promover Tomar. Candidata-se o mau cheiro ambiente, também denominado fedor ou pivete, a Património imaterial da UNESCO, alegando que é um cheiro tradicional com séculos de existência. Uma vez que a Câmara até já tem a equipa para a candidatura dos tabuleiros, desde 2019, vai ser coisa rápida e de sucesso garantido.
É certo que ultimamente o executivo municipal tem falado em obras na zona, acrescentando que estão a fazer o projecto ou os projectos. Todavia, tal como em Carvalhos Figueiredo, outro bico de obra, quem acredita? Se até os presidentes de Junta já se lastimam na informação local que foram enganados, como pode o simples eleitor fiar-se na palavra de políticos que querem é manter-se no poder, custe o que custar?
Posto que Tomar a dianteira 3 não é um órgão de informação como os outros, tem liberdade para alargar a notícia. Há a mania de que somos uma sociedade muito limpa e asseada, e até rimos muito com aquela do alentejano que dizia ao amigo ter resolvido instalar o porco debaixo da cama, para aproveitar o calor do animal no inverno. Quando o outro lhe perguntou -Atão e o mau cheiro?! a resposta foi pronta: -O porco habitua-se!
Não será bem o caso dos tomarenses, que também se vão habituando, mas o passado  não é nada brilhante nessa área. Basta pensar que o Convento de Cristo só teve água corrente a partir de 1613, e que foram os espanhóis que mandaram construir o aqueduto dos Pegões, com seis quilómetros de extensão. Por essa altura, já os habitantes de Segóvia tinham um aqueduto com 15 quilómetros, edificado pelos romanos 1.500 anos antes.
De forma que, se nem o Convento, -que era dos mais ricos do país-, tinha água corrente, imagine-se a situação cá em baixo, com a água do rio e os poços nos quintais ou logradouros. Havia uma pia em cada casa, na cozinha, que servia para tudo, e cujas escorrências iam para uma regadeira que corria a céu aberto, no meio das ruas mais largas, e de um dos lados, nas mais estreitas.
Daí vem o nome de Corredoura, que a nossa tradicional mania das grandezas e da heroicidade, interpreta como via onde os templários passavam a cavalo. Uma espécie de  hipódromo urbano, quando não era nada disso. Havia na verdade várias corredouras, com uma regadeira a céu aberto no meio, todas no sentido poente nascente: Largo do Pelourinho, Rua Serpa Pinto, Rua da Graça e Rua dos Arcos. 
Sem água corrente nas casas, devia ser cá um cheirete... E a água da rede pública só apareceu nos anos 30 do século passado. Para quando a sua modernização na parte que ainda falta ? Prioridades invertidas. Fazem-se ciclovias onde não há ciclistas, Não se modernizam canalizações e esgotos com mais de oitenta anos. Defensores do mau cheiro como património a preservar? 
Parece andar tudo trocado. Os abrantinos queixam-se de javalis na área urbana, mas em Tomar é que cheira a curral de porcos. Querem ver que os animais passeiam em Abrantes, mas cagam em Tomar ?!

"Tenho estado nesta cidade, nos últimos dias. Uma pergunta: será que ninguém se apercebe do mau cheiro, na zona histórica, nas ruelas estreitinhas?! Não há lixo acumulado, mas a calçada está suja e há cheiro a esterco e, então, com este calor!...
Que tal, de madrugada, umas agulhetas dos bombeiros?!
Eu nem sou de cá, mas, sinceramente, fiquei dececionada e sem vontade de continuar o passeio por aquela zona da cidade.
Não é só a preservação dos monumentos que conta. O turista tem de se sentir bem, enquanto calcorreia a cidade, para os ir visitar ou, mesmo, para passear."

Copiado do Facebook às 19H29 de Fortaleza - Brasil, em 06/10/2023

sábado, 7 de outubro de 2023

 

Palhaço profissional brasileiro TIRIRICA. Foi eleito deputado com o slogan 
"Vota  Tiririca! Pior do  que está não fica!" Em Tomar também não !

Mais uma cena da tragicomédia nabantina

https://tomarnarede.pt/politica/hugo-cristovao-distribui-pelouros-e-nomeia-vice-presidente/

Afirmar que "a escrita é a montra do pensamento", eis um lugar comum, para quem está habituado a matutar. Acrescentar que a tragédia tomarense não é só a ignorância, mas também e sobretudo o facto dos ignorantes se julgarem inteligentes e sabedores e competentes, pode ser polémico, mas é a outra vertente da tragicomédia nabantina.
Trágica, por ser uma tragédia para todos, incluindo os que disso se  não dão conta.  Ou fingem que não. Comédia, porque ainda vai dando para rir, tendo em conta que enquanto há vida há esperança. Tempos melhores virão!
O tema do nosso estimado homólogo Tomar na rede era a distribuição de pelouros, na sequência da posse de Hugo Cristóvão, como presidente da Câmara de transição. (link supra) A dado passo, a notícia referia que a Câmara  de Tomar não publica no seu site o CV dos vereadores, ao contrário das outras autarquias da região. É uma alfinetada diplomática nos fracos currículos profissionais dos membros da maioria PS local.
Foi quanto bastou, para um dos "aselhómetros" de serviço vir a terreiro escrever a sua opinião, naturalmente favorável à "equipa Cristóvão", e mostrando porquê. Realmente, quem escreve "ver-mos", numa frase alambicada e interrogativa, mas sem ponto de interrogação, só pode ter interesse em esconder o seu CV, sobretudo a parte escolar/académica. Porque ou é reles, ou falsa, ou ambas. Como a outra do "exitou".  Parece ser tudo da mesma família!

"Para que é preciso ver-mos o CV, esperamos é que desenvolvam um bom trabalho, agora o resto pouco importa., para mim claro."  (Copiado de Tomar na rede - Comentários.)


Digam-me lá, se não é de rir com condescendência, para não chorar de raiva e desespero. Esta gente realmente não se enxerga mesmo, nem para lá caminha. Então não era muito melhor manter um prudente silêncio? Como diria um conhecido presidente de junta, já falecido, "Com gajos assim com'é que querem qu'esta merda progreda?!"

sexta-feira, 6 de outubro de 2023



Autarquia

Um HÊSITO a nova  distribuição de pelouros


Isto de análise política não é só criticar, "dizer mal", "má-língua". Deve ser também, ou devia ser,  louvar, gabar, "crítica construtiva", o sonho dos canastrões locais, que nem sabem bem do que falam. Em resumo, pretendem que se diga bem do que está mal, e quando tal não sucede, acusam de dizer mal do que está bem. Balelas. Tomar a dianteira 3 limita-se desta vez a duas figuras locais, para poupar recursos e evitar dramas prematuros.
Diz-se, com alguma crueldade, ali para as bandas do quartier latin, que o ensino é uma bela carreira, desde que se saiba sair a tempo. A ser verdade, o nosso presidente já conseguiu uma saída airosa por duas vezes. Primeiro, quando veio para a política a tempo inteiro, onde não se anda a toque de campaínha e de assinatura de livro de ponto. Agora, transferindo esse pelouro trabalhoso da educação para a senhora vereadora Filipa Fernandes. De um docente para uma leiga na matéria. A mostrar como vão as coisas na política em Tomar. Depois lastimam-se...
Apesar disso, é suposto que o novel presidente nem tenha EXITADO na escolha.  Não só a nova titular é reconhecidamente partidária da educação pela música à borla, (e o senhor presidente já foi um bom executante na Banda Gualdim Pais), como o seu HÊSITO nos pelouros anteriores, que mantém, leva a supor que estamos perante uma nova prática pedagógica no ensino da ortografia e da língua materna em geral. Refiro-me à aprendizagem por osmose, em clima de veraneio permanente. De tanto contactar com educação e ensino, em simultâneo com turismo e cultura, é quase inevitável ir aprendendo qualquer coisinha nessa área, mesmo em regime estival. Dá cá uma sede!
Oxalá venha a ser um um grande sucesso, de forma a passar a escrever-se petiscos em vez de street food e ÊXITO em vez de HÊSITO. Já vai sendo tempo, ao cabo de dez anos como política a tempo inteiro, e não obstante com coragem para escrever que nunca viveu da política, apesar de até ter ido à Índia, representando Tomar, como o Vasco da Gama nos bons tempos de antanho. Um sucesso, ou quase.
Temos porém de reconhecer a evidência. Os cidadãos não se queixam de falta de música, de falta de ajuda aos desvalidos ou de falta de animação cultural. Apenas de excesso de ervas nas ruas, de lixo por recolher, de falta de estacionamento  e de ambulâncias. Mas o que é isso, comparado com um bom concerto à borla, ou uma comezaina bem regada? Para já não falar na Festa grande, o que seria para alguns uma blasfémia.
Os campomaiorenses há oito anos que não fazem a festa grande deles, dita Festa da flor. Mas esses são alentejanos. Gente que fica assarapantada com pouca coisa.




Se dúvidas houvesse, eis aqui a prova de que a Câmara está mesmo torta. Demasiado inclinada para a esquerda...

Autarquia

Casa onde não há pão...




O provérbio é bem conhecido: "Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão." Ainda não é bem o caso em Tomar, que Bruxelas é mãe de muitos filhos brutos. Tem havido e há pão, mas muito mal distribuído, graças a Deus. De forma que será melhor adaptar o anexim aos tempos que correm nas margens nabantinas: Casa onde não há orientação, todos reclamam e todos têm razão.
Exagero? "A má-língua do costume", na infeliz expressão dos lambe-ténis de serviço? -Olhem que não, diria o Cunhal, um respeitado adversário político de envergadura. Simplesmente o registo do brusco agravamento do estado do tempo no concelho, numa altura de mudança de timoneiro, com o barco a abanar e a meter água, devido aos ventos adversos.
Numa mesma semana, e após aquela comédia lamentável do auto-elogio na AM, populares queixam-se da falta de limpeza e das ervas daninhas por todo o lado, um presidente de junta PSD lamenta-se que o enganaram, e outro do PS diz não ser invejoso, mas sentir-se prejudicado. Faça o favor de consultar os links acima, para ficar mesmo ciente que é demasiada fruta  para uma semana, na óptica de quem julga que manda. Mesmo sem falar na reclamação do PSD na AM:

A falta de orientação, que é antiga, tinha forçosamente de dar nisto, tanto a nível local como nacional. É impossível enganar toda a gente durante muito tempo. Uns a receber pão em excesso, que acabam por estragar ou deitar fora, e outros com fome, ou perto disso, só podia dar "buraco". Tudo em sentido figurado, bem entendido. Discriminados, em suma. Filhos e enteados. Câmara madrinha e Câmara madrasta.
E agora? Agora,  tudo indica que vêm aí tempos de borrasca, com mar cada vez mais encapelado e dúvidas sobre a capacidade do novo capitão para manter o rumo em plena tempestade, remediando na medida do possível o que está mal, que é muito. Conseguirá?
Tomar a dianteira 3 pensa que vai ser bem difícil, por dois motivos principais. O primeiro é que para emendar o que está mal, é preciso reconhecer antes que se errou, uma vez que culpar o PSD já não resulta ao fim de dez anos, e esta maioria PS nunca vai admitir tal enxovalho na folha de serviço. O outro é colectivo. Resulta da vontade da "panelinha", que na realidade controla de facto a autarquia, só fazendo e deixando fazer aquilo que lhe convém.
Há no Município demasiados funcionários a trabalhar pouco ou nada, porque já perceberam há muito que estão praticamente em autogestão, do tipo salve-se quem puder, que depois Deus nosso senhor vai reconhecer os seus. Se assim acontecer, já não será mau de todo. Mas entretanto convém abrigarem-se, que os próximos tempos, até 2025, vão ser cada vez mais agrestes. Ó se vão!




quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Imagem Rádio Hertz, com os agradecimentos de Tomar a dianteira 3.

Conforme se pode ver na imagem, no Flecheiro também havia pelo menos uma habitação precária bem melhor que algumas permanentes. Não era só acampamento...

Política local

Após as festarolas o triunfo dos gabarolas

 TOMAR – Assembleia Municipal congratulou-se pelo «final das barracas no Flecheiro» | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

É agora do conhecimento geral no concelho que a maioria PS gasta excessivamente com eventos festas e festarolas, mas nem sempre assim foi. Bem pelo contrário, os autarcas envolvidos e seus apaniguados tudo têm feito para desmentir essa ideia de exagero, de esbanjar, acusando os que ousam criticá-los, de má-língua e outras más intenções. Enquanto isso, vão insistindo no divertimento à borla para os eleitores, que entretanto já o pagaram e bem, no IRS, IRC, IMI, IVA, Saneamento, Resíduos sólidos, taxa audiovisual e assim. 

Não todos, infelizmente. Há quem tenha ao fim do mês bem mais que o salário mínimo, sem todavia pagar IRS, e também aqueles que pagam mais de água e luz -quando pagam!- do que de renda de casa, atribuída pela autarquia. O que não impede celebrações após os eventos, imagens nas redes sociais, comezainas bem regadas e à borla, ou até um voto de congratulação da Assembleia Municipal, proposto pelo próprio PS. É preciso ter muita lata!
Tudo indica estarmos assim a mudar de paradigma, entrando na era dos gabarolas. Os que vão cumprindo tant bien que mal as suas tarefas corriqueiras, convencidos de que estão praticando actos heróicos, devido à sua mentalidade de cabotinos. Quem não reparou nas fotos de grupo, após as demolições no Flecheiro, ou naquele evento "a festa continua", justamente para comemorar a Festa grande, ocorrida dois meses antes?
Nessa senda, chegou agora a vez de algo antes inimaginável para quem escreve estas linhas. A maioria PS apresentando na Assembleia Municipal (onde está em minoria) uma moção de congratulação pelo sucesso da "operação Flecheiro" (ver link supra). Foi totalmente inesperado e deslocado, vista tratar-se de pura gabarolice, confundindo propositadamente o trivial com o heróico.
Mais inesperado ainda foi o facto da oposição em peso -com a notável excepção do Chega, que se absteve- ter votado a favor da moção gabarola, que naturalmente foi aprovada por larga maioria. Ninguém parece ter-se lembrado da velha máxima bem conhecida "À mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo", para concluir de antemão que a dita moção não é séria, nem decente, nem sequer aceitável, por se tratar de elogio em causa própria, mais propriamente de auto-elogio, sempre ridículo, sobretudo em democracia plena.
Até o povo, que os eleitos que temos presumem ignorante nestas minudências, tem um dito ancestral que não perdoa: "Gaba-te cesto roto, que vais para a vindima!" 
Entretanto, nos concelhos à volta e em Lisboa, vão gozando com as vicissitudes da bizarra política tomarense, em que a oposição não se opõe, antes colabora, e os partidos de protesto não protestam, antes ajudam os gabarolas. A coisa chega a tal ponto que já lamentam os emigrantes nabantinos, obrigados a deixar Tomar atrás, quando se vão embora. Sem um queixume sequer, porque já começa a ser habitual. 
Rir ainda continua a ser um bom remédio, mesmo tratando-se de riso amarelo, por força das circunstâncias.