Cortejo dos Tabuleiros
NÃO HAVIA NECESSIDADE !!!
"Casais gays não entram no cortejo da Festa dos Tabuleiros", titulou o nosso estimado colega Tomar na rede. Difundia assim a decisão tomada pela "Comissão da festa", liderada por Mário Formiga, e dava início a mais uma querela nabâncio-nabantina. Veio logo um usual comentador, sob pseudónimo, (ou será comentadora?) garantir que a Festa grande tomarense "religiosa é que não é".
Porque se fosse, continua o mesmo, "seria uma festa de partilha e de integração", pelo que os casais gays poderiam participar. E podem, realmente. Sempre puderam. Nunca se ouviu falar de testes prévios para apurar o sexo, ou as inclinações sentimentais de cada qual, nem se acredita que vão começar agora. Só não convém mesmo nada que haja homens vestidos de mulher, ou vice-versa. Para não abandalhar a festa, que não é de carnaval.
Por conseguinte, homos, lésbicas, mistos, ciganos, africanos, asiáticos, índios americanos e companhia, todas as minorias residentes no concelho, cabem e podem perfeitamente desfilar no grande cortejo tomarense, desde que não sejam coxos, nem marrecos, nem manetas, nem demasiado obesos, e publicamente formem um par -um rapaz e uma rapariga, ou um homem e uma mulher.
Ninguém lhes irá perguntar se dormem juntos, ou com quem passam as noites. Salvando as aparências, tudo está salvo, pelo que a tomada de posição da comissão era perfeitamente escusada. Não havia necessidade!!! diria o diácono Remédios. Mas tratou-se, tudo indica, de responder atempadamente à provocação artística que foi aquele tabuleiro mal enjorcado, exposto na montra da casa Vieira Guimarães, a vitrine oficial dos Tabuleiros, cuja comissão está sediada no primeiro piso.
Tudo bem portanto, com a Festa dos tabuleiros, edição de 2023? Nem tanto! Com os custos a aumentar cada vez mais, vai sendo tempo de debater novas formas de organização, naturalmente respeitando o essencial da tradição, antes que a autarquia atinja o limite. Tarefa para o próximo mandato. Outro aspeto a rever, é o próprio desfile do cortejo, tanto quanto ao percurso como ao total de tabuleiros. Em 2019 e anos anteriores, deu pena ver dezenas e dezenas de autocarros de turistas, abandonando a cidade quando o cortejo ainda desfilava nas ruas. Uma lástima. Visitantes que muito dificilmente voltarão a Tomar, para ver os tabuleiros. Publicidade negativa.
Para o próximo ano, o mordomo já informou que só aceitam um máximo de 600 tabuleiros. Mesmo assim é um exagero, tendo em conta a necessidade imperiosa de reduzir o tempo de desfile do cortejo, de quatro para duas horas e meia. Nesta altura, sendo a festa paga pelo orçamento camarário, tudo aponta no sentido de se fixar antes um limite máximo de pares por freguesia. Até para ficar mais barato. e encurtar o cortejo. Mais pequeno, leva menos tempo a percorrer o mesmo percurso.
Sendo onze, o ideal aponta para 40 tabuleiros por freguesia, podendo cada uma delas ceder depois, ou receber, lugares de outras freguesias, como compensação. Teremos assim um máximo de 440 tabuleiros a desfilar, total ideal para contentar toda a gente, excepto os aproveitadores da festa. No cortejo de 1950, que inaugurou a atual fase João dos Santos Simões, desfilaram 400 tabuleiros, num percurso bem mais pequeno, (só existia a Ponte velha) e não houve querelas nem queixas. Mas nessa altura o ambiente também era outro. Muitos tabuleiros tinham sido oferecidos pelos tomarenses, as portadoras eram operárias da Fábrica de Fiação, do próprio João dos Santos Simões, e os seus pares para a ocasião soldados do RI 15.
Só muitos anos depois é que a Câmara se transformou em patroa de fato do acontecimento. Sobretudo desde a vinda das verbas de Bruxelas... Saia mais um evento para entreter o pagode e angariar votos!
Dizia-se em tempos idos, no século passado, quando ainda havia alguma agricultura, que era a arte de empobrecer alegremente. Desde então, os tabuleiros vêm desempenhando em Tomar esse mesmo papel. Mas como a Câmara é que vai pagando, e o pessoal não enxerga que somos afinal todos pagantes, (menos os do Flecheiro e pouco mais) a festança continua nos mesmos moldes. Até quando?
Na sua aparente indignação, trata-se afinal de uma bem urdida sacanice de evidente má-fé. Antes de mais, a autoria, embora anónima, mostra tratar-se de alguém "da casa", pois os comentadores comuns não usam termos como "antecedentes" ou condicionalismos". Só profissionais da arte, ou eleitos com relativa experiência.
Nessas condições, escrever que "antes de emitirem opiniões e críticas era bom primeiro que se informassem quais os antecedentes e condicionalismos que existiram aquando do licenciamento..." é puro cinismo, e falta de vergonha na cara. É do domínio público que tais informações só podem ser obtidas na Câmara, que praticamente nunca as dá, salvo quando requeridas ao abrigo da lei do direito à informação, passados alguns meses. E mesmo assim... Tomar na rede já informou ter requerido a consulta do processo. Vamos ver quanto tempo vai levar. E, a haver consulta, se o processo ainda estará completo. Há naquela casa alguma tendência para dissimulação e evaporação de dados menos convenientes para alguns.
Acresce que, no caso de Tomar a dianteira 3, o que se criticou e mantém é sobretudo a óbvia falta de proteção para os transeuntes e a ocupação abusiva do passeio, aspetos que não dependem nada de "condicionalismos" ou "antecedentes". Se a largura do passeio não é suficiente, pois faça-se ao lado um corredor para peões, com o recurso a grades metálicas, fixadas em pilares cravados no asfalto. Por conseguinte, o comentário em causa é uma forma desavergonhada de tentar enganar os cidadãos, está-se mesmo a ver porquê. E as duas frases finais são apenas e só uma lamentável patranha esquerdelha, sem qualquer fundamento. Haja vergonha!