terça-feira, 4 de outubro de 2022

Em vez de mais uma imagem da campanha eleitoral, ou dos candidatos, eis algo mais curioso. Uma montra na Avenida da Abolição, paralela à Avenida Beira-mar, e uma das mais nobres de Fortaleza, ontem à noite.


Eleições brasileiras

Em Fortaleza e no Estado do Ceará 

a esquerda venceu largamente

Foi de alguma ansiedade a tarde de ontem no Ceará. As sondagens, por aqui chamadas pesquisas, indicavam que Lula poderia vencer logo na primeira volta. Vai-se a ver, não conseguiu por pouco. Obteve 48,3" no país inteiro e precisava de 50% mais um. Ainda assim, venceu em 13 dos 27 estados, mas nos três mais importantes, S. Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por esta ordem, só ultrapassou Bolsonaro neste último.

Em Fortaleza e no Estado do Ceará, foi um verdadeiro triunfo para o Partido dos Trabalhadores, a formação de Lula da Silva. Venceu as presidenciais com 67%, elegeu o governador do estado, o senador e os deputados, todos com maiorias confortáveis.

No segundo turno, marcado para 30 de Outubro, tudo indica que Luís Inácio da Silva, que é natural daqui do nordeste, voltará a vencer. O problema reside nos estados do centro e sobretudo nos do sul, bastante mais povoados (só S. Paulo são 20 milhões de votos) e geralmente afetos a Bolsonaro. Vai ser uma campanha eleitoral bastante agitada, com dezenas de milhares de carreatas (desfiles automóveis) e motociatas (cortejos de motos), muito ao gosto de Bolsonaro.


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Política local

Desencontro de maneiras de estar

Resilientes, como se diz agora, os integrantes da maioria PS nabantina continuam na deles. Quem não os apoia é forçosamente contra, e sendo contra é inimigo. Donde resulta a sua atitude frente aos eleitos da oposição, tanto no executivo como na AM, ou nas freguesias. Quem não concorda é considerado inimigo, e só não sofre retaliações se de todo não for possível. Até o vice-presidente e o chefe de gabinete foram atirados pela borda fora, continuando sem se saber porquê oito anos mais tarde. Nada acontece por mero acaso, e não terá sido decerto por estarem de acordo com a senhora. Falta saber o resto.

Mais surpreendente ainda, mesmo na área da informação, o entendimento dos governantes PS locais tem pelo menos o mérito da clareza: "se não concorda, cale-se ou sofra as consequências", parece ser a ideia mestra deles. Evidenciam falta de experiência política e de mundivivência, trazendo para o campo político e praticando a velha máxima futebolística, "a melhor defesa é um bom ataque". Por isso, nunca respondem diretamente às críticas, venham de onde vierem. Preferem o ataque pessoal, tanto frontal como mais frequentemente através de avençados de fraco arcaboiço, que os melhores já não vão na conversa, pois 2025 é ali adiante e a barca já conheceu melhores dias de viagem.

Cada vez mais sós, e sem som de retorno, porque rodeados de serventuários que só lhes dizem aquilo que querem ouvir, julgam-se superiores por se dizerem de esquerda e também pela evidente condescendência da oposição PSD no executivo (na AM a situação já está a mudar) que interpretam como apoio, quando se trata apenas de submissão servil, por serem a cópia perfeita uns dos outros. Se fossem palavras, seriam sinónimos.

Esta análise sucinta tem como único fim mostrar aos leitores tomarenses que se interessam mesmo pela política local, (e dispõem de recursos para a entender plenamente), a triste situação em que estão todos os cidadãos que realmente gostam da sua terra, sejam de esquerda, de centro ou de direita Não visa portanto, de forma alguma, provocar uma mudança de mentalidade do núcleo duro do poder local, o executivo municipal. Não só porque estão convencidos da sua razão, contra tudo e contra todos, mas também e sobretudo porque se burro velho não aprende línguas, ainda menos pode aprender política e maneiras de estar, matérias muito mais árduas. Que venham as eleições!

Gestão municipal - Obras particulares

Onde já chega a pouca vergonha... 

A crónica anterior terá desagradado bastante no seio do chamado poder local. Compreende-se. Ninguém gosta que lhe descubram a careca. Prevendo isso mesmo, embora TAD 3 não escreva para o contador de visualizações, resolveu-se fazer um destaque, que documenta onde já se chegou no domínio da sacanice e da má-fe. Da pouca vergonha, em suma.

Na notícia sobre o prédio que está a ser edificado sem respeitar algumas normas legais elementares, (ver foto) o nosso estimado colega Tomar na rede já conta 319 mil visualizações e 23 comentários. Além dos já reproduzidos na crónica anterior, aparece em 4º lugar este:

"Antes de emitirem opiniões e críticas era bom primeiro que se informassem quais os antecedentes e condicionalismo que existiram a quando do licenciamento, se calhar, perceberiam melhor o porquê das coisas e as críticas destrutivas deixariam de ser publicadas, a não ser por pessoas que só sabem dizer mal independentemente de por vezes nem conseguirem argumentar o porquê.
Não sejam críticos só porque sim……"

Na sua aparente indignação, trata-se afinal de uma bem urdida sacanice de evidente má-fé. Antes de mais, a autoria, embora anónima, mostra tratar-se de alguém "da casa", pois os comentadores comuns não usam termos como "antecedentes" ou condicionalismos". Só profissionais da arte, ou eleitos com relativa experiência.

Nessas condições, escrever que "antes de emitirem opiniões e críticas era bom primeiro que se informassem quais os antecedentes e condicionalismos que existiram aquando do licenciamento..." é puro cinismo, e falta de vergonha na cara. É do domínio público que tais informações só podem ser obtidas na Câmara, que praticamente nunca as dá, salvo quando requeridas ao abrigo da lei do direito à informação, passados alguns meses. E mesmo assim... Tomar na rede já informou ter requerido a consulta do processo. Vamos ver quanto tempo vai levar. E, a haver consulta, se o processo ainda estará completo. Há naquela casa alguma tendência para dissimulação e evaporação de dados menos convenientes para alguns.

Acresce que, no caso de Tomar a dianteira 3, o que se criticou e mantém é sobretudo a óbvia falta de proteção para os transeuntes e a ocupação abusiva do passeio, aspetos que não dependem nada de "condicionalismos" ou "antecedentes". Se a largura do passeio não é suficiente, pois faça-se ao lado um corredor para peões, com o recurso a grades metálicas, fixadas em pilares cravados no asfalto. Por conseguinte, o comentário em causa é uma forma desavergonhada de tentar enganar os cidadãos, está-se mesmo a ver porquê. E as duas frases finais são apenas e só uma lamentável patranha esquerdelha, sem qualquer fundamento. Haja vergonha!

domingo, 2 de outubro de 2022


Não, não é erro de paginação. Apenas uma ilustração do modo como muitos tomarenses vêem agora a Câmara. Demasiado inclinada para a esquerda. A cheirar a marxistas radicais. Sobretudo quando lhes falam dos realojamentos do Flecheiro, ou de animação cultural, por exemplo. De resto, acusar de direitistas velhos socialistas, só pode significar que emigraram para o esquerdismo, por puro oportunismo circunstancial, sem sequer se darem conta.

Política local - Comentadores "Dá cá o meu"

VOLTA A CRISE, VOLTAM OS COMENTÁRIOS DOS LAMBE-BOTAS

 Manuel

"A maioria dos comentários são verdadeiras aberrações, os velhos do Restelo do costume, zangados com tudo e com todos.
Tomar a cada dia que passa, está mais virado para o futuro, para o progresso e isso mexe com os retrógrados.
Tomar e os verdadeiros Tomarenses, são positivistas e progressistas…
Grande trabalho Socialista."

"Miguel Relvas, envergonha os verdadeiros Tomarenses, aqueles que o são de corpo e alma. Os outros são simplesmente” nada”."

"Criticar é sempre mais fácil que apresentar ideias ou soluções que promovam o crescimento e o bem estar, neste caso da nossa cidade.
Enquanto noutras se cresce com ajuda de todos, mesmo com críticas, a nossa avança devagar demais, a maioria das pessoas só vê problemas, a mente pequena e mesquinha abunda cada vez mais.
Pergunto-me se estas pessoas e as suas ideias fossem avante, se não viveríamos ainda com o desenvolvimento dos tempos pré históricos e selvagens.
Quem promove desenvolvimento e cria motivos para a cidade crescer e atrair pessoas, simplesmente aos olhos desta gente são uma espécie de traidores da nação que só pensam neles.
Quem quer prosperar, crescer e criar desenvolvimento para todos, apenas deverá ignorar e desvalorizar quem tanto critica, só critica e nada faz.
E mesmo que seja só de vez em quando, agradeçam o que estas pessoas fazem em prol de todos."


Estes três comentários foram copiados do nosso estimado colega Tomar na Rede, ao qual agradecemos. Neles se pode perceber que a barca socialista camarária está outra vez a meter água, num mar cada vez mais agitado. São dois anónimos, um mais recatado que o outro, mas ambos ilustres membros da bandalhocracia local. Esta é composta por dois pelotões -o dos lambe-botas e os dos dá cá o meu- sendo que alguns integram os dois. A grande diferença é que os lambe-botas são aparentemente mais comedidos, menos exaltados e menos reles. O seu expoente máximo é, mesmo assim, o simpatizante nazi "Manuel", convencido de que ninguém consegue ver, por detrás do seu vocabulário, que ele julga progressista e positivista, os princípios do seu ídolo Adolfo. Através do seu fraseado de comentador muito satisfeito, topa-se a habilidade pouco subtil do pequeno industrial de balcão na área dos cafés e pastelarias, para pagar favores e angariar facilidades templárias.

Faz lá algum sentido, falar de "verdadeiros tomarenses", ou de "tomarenses de corpo e alma", quando se escreve apenas para procurar encobrir asneiras da atual maioria, ou atacar figuras locais, retiradas do vale do Nabão há pelo menos dez anos? Aparentemente faz, quando são usadas como granadas de fumo, visando facilitar a fuga para a frente dos queridos autarcas no poder. Pobre gente, que recorre a tais artimanhas para tentar intrujar os cidadãos. Tristes figuras!

O outro pelotão, o dos "dá cá o meu", usualmente mais arruaceiro, viu-se constrangido a mudar de tática, após a infeliz manobra no Tomar na rede, a qual resultou, mas em vez de resolver complicou ainda mais a situação. Pretendiam calar um escriba. Conseguiram correr com ele, mas acabaram por dar-lhe ainda mais audiência. Não se lembraram de que, há mais de dois mil anos, na Palestina, os romanos não gostaram dos propósitos de certo pregador judeu, e condenaram-no a morrer na cruz. A continuação é sobejamente conhecida...

Voltam agora ao combate, tentando usar a técnica que consiste em "afogar o peixe na água". Com algum êxito, reconheça-se. O "Inventor" tem jeito e tem arte. Comentando uma notícia sobre um "prédio construído em cima do passeio", sabe Deus em que condições gerais de legalidade, consegue uma proeza. Atribui todas as culpas a quem critica, sem nunca mencionar sequer o próprio prédio, usando uma série de frases prontas a escrever, mais ou menos relacionadas com o assunto. Só o troço final é que lhe escapou, ao clamar que os da crítica deviam também agradecer de vez em quando o que a maioria PS faz em prol de todos. Mas agradecer o quê? Música e fantochadas? Realojamentos contestados? Obras só para vista? Sanitários caríssimos, que não há meio de abrirem? Atitudes arrogantes e autistas? Artimanhas toscas?

Talvez não fosse pior, deixarem-se de manobras escusas e ouvir finalmente as queixas e os anseios dos eleitores descontentes, e até dos eleitos da oposição, com espírito aberto, em vez daquela condenável atitude "podem opinar livremente, que nós é que temos razão, porque vencemos as eleições." Em 2022, mesmo na extremidade da Europa ocidental, só provincianos mal formados, sem polimento, e com nítida falta de mundo, é que ainda pensam assim, embora possa parecer que não.

E a conhecida passividade da oposição PSD, não significa no essencial que concordam com a maioria PS. Apenas revela que são exatamente como eles, em termos de carências. Fatos convergentes parecem indicar que, se liderassem o poder, não fariam diferente. É uma pena!



Eleições no Brasil

Outra cidade, outro país, outra realidade

Hoje é dia de voto no Brasil, mas ontem não foi dia de reflexão. À noite ainda havia campanha eleitoral na Av. Beira-Mar, com muitas bandeiras, muita música, e os próprios candidatos distribuindo propaganda. Esta manhã  O POVO, o único jornal em suporte papel que ainda resta em Fortaleza, titula a toda a largura da 1ª página: "Um dia para reafirmar a DEMOCRACIA."

Na quinta coluna, do lado direito, os resultados das sondagens mais recentes: "Governo do Estado do Ceará-Pesquisa IPESPE: Elmano Freitas [tendência Lula] 39%, Capitão Wagner [tendência Bolsonaro] 37%, Roberto Cláudio [centrista] 23%. "Presidência da Federação-Pesquisa DATAFOLHA: LULA 50%, BOLSONARO 36%."

Na página 10 do primeiro caderno: "No Estado do Ceará, Lula tem 58% dos votos válidos, contra 22% de Bolsonaro e 15% de Ciro" [Ciro Gomes, cearense, antigo governador do Ceará].

Na página 3, exclusivamente com citações:

"É uma sala como vocês puderam ver: é uma sala aberta, é uma sala clara, não é? Não é nem sala secreta, nem sala escura." Alexandre de Morais, Presidente do Supremo Tribunal Eleitoral e Juiz do Suprema Tribunal Federal, durante a visita à sala de totalização dos votos eletrónicos -que Bolsonaro chama de "sala secreta" em tom de denúncia- acompanhado por observadores internacionais, dirigentes partidários, ministros e outras autoridades."

Noutro caderno, na página 22, Alexandre de Morais insiste na defesa da segurança e eficácia das urnas eletrónicas brasileiras: "Somos uma das quatro maiores democracias do mundo, e a única que apura e divulga os resultados eleitorais no mesmo dia, com agilidade, segurança, competência e transparência."

Tudo isto em dia eleitoral, no Brasil, um país dito do 3º mundo, que fala português, mas está a sete mil quilómetros da ponta da Europa. Dá que pensar, mas se calhar só a quem já está habituado a refletir.

sábado, 1 de outubro de 2022

Cortejo dos Tabuleiros

NÃO HAVIA NECESSIDADE !!!

"Casais gays não entram no cortejo da Festa dos Tabuleiros", titulou o nosso estimado colega Tomar na rede. Difundia assim a decisão tomada pela "Comissão da festa", liderada por Mário Formiga, e dava início a mais uma querela nabâncio-nabantina. Veio logo um usual comentador, sob pseudónimo, (ou será comentadora?) garantir que a Festa grande tomarense "religiosa é que não é".

Porque se fosse, continua o mesmo, "seria uma festa de partilha e de integração", pelo que os casais gays poderiam participar. E podem, realmente. Sempre puderam. Nunca se ouviu falar de testes prévios para apurar o sexo, ou as inclinações sentimentais de cada qual, nem se acredita que vão começar agora. Só não convém mesmo nada que haja homens vestidos de mulher, ou vice-versa. Para não abandalhar a festa, que não é de carnaval.

Por conseguinte, homos, lésbicas, mistos, ciganos, africanos, asiáticos, índios americanos e companhia, todas as minorias residentes no concelho, cabem e podem perfeitamente desfilar no grande cortejo tomarense, desde que não sejam coxos, nem marrecos, nem manetas, nem demasiado obesos, e publicamente formem um par -um rapaz e uma rapariga, ou um homem e uma mulher. 

Ninguém lhes irá perguntar se dormem juntos, ou com quem passam as noites. Salvando as aparências, tudo está salvo, pelo que a tomada de posição da comissão era perfeitamente escusada. Não havia necessidade!!! diria o diácono Remédios. Mas tratou-se, tudo indica, de responder atempadamente à provocação artística que foi aquele tabuleiro mal enjorcado, exposto na montra da casa Vieira Guimarães, a vitrine oficial dos Tabuleiros, cuja comissão está sediada no primeiro piso.

Tudo bem portanto, com a Festa dos tabuleiros, edição de 2023? Nem tanto! Com os custos a aumentar cada vez mais, vai sendo tempo de debater novas formas de organização, naturalmente respeitando o essencial da tradição, antes que a autarquia atinja o limite. Tarefa para o próximo mandato. Outro aspeto a rever, é o próprio desfile do cortejo, tanto quanto ao percurso como ao total de tabuleiros. Em 2019 e anos anteriores, deu pena ver dezenas e dezenas de autocarros de turistas, abandonando a cidade quando o cortejo ainda desfilava nas ruas. Uma lástima. Visitantes que muito dificilmente voltarão a Tomar, para ver os tabuleiros. Publicidade negativa.

Para o próximo ano, o mordomo já informou que só aceitam um máximo de 600 tabuleiros. Mesmo assim é um exagero, tendo em conta a necessidade imperiosa de reduzir o tempo de desfile do cortejo, de quatro para duas horas e meia. Nesta altura, sendo a festa paga pelo orçamento camarário, tudo aponta no sentido de se fixar antes um limite máximo de pares por freguesia. Até para ficar mais barato. e encurtar o cortejo. Mais pequeno, leva menos tempo a percorrer o mesmo percurso.

Sendo onze, o ideal aponta para 40 tabuleiros por freguesia, podendo cada uma delas ceder depois, ou receber, lugares de outras freguesias, como compensação. Teremos assim um máximo de 440 tabuleiros a desfilar, total ideal para contentar toda a gente, excepto os aproveitadores da festa. No cortejo de 1950, que inaugurou a atual fase João dos Santos Simões, desfilaram 400 tabuleiros, num percurso bem mais pequeno, (só existia a Ponte velha) e não houve querelas nem queixas. Mas nessa altura o ambiente também era outro. Muitos tabuleiros tinham sido oferecidos pelos tomarenses, as portadoras eram operárias da Fábrica de Fiação, do próprio João dos Santos Simões, e os seus pares para a ocasião soldados do RI 15.

Só muitos anos depois é que a Câmara se transformou em patroa de fato do acontecimento. Sobretudo desde a vinda das verbas de Bruxelas... Saia mais um evento para entreter o pagode e angariar votos!

Dizia-se em tempos idos, no século passado, quando ainda havia alguma agricultura, que era a arte de empobrecer alegremente. Desde então, os tabuleiros vêm desempenhando em Tomar esse mesmo papel. Mas como a Câmara é que vai pagando, e o pessoal não enxerga que somos afinal todos pagantes, (menos os do Flecheiro e pouco mais) a festança continua nos mesmos moldes. Até quando?

Imagem Tomar na rede, com os agradecimentos de TAD 3

Executivo Municipal

Para quê sujar a democracia 

se é melhor honrá-la?

A recente denúncia de abusos evidentes na construção daquele prédio entre as escolas Gualdim Pais e Nun'Álvares Pereira, aqui em Tomar a dianteira 3, e depois no Tomar na rede, citando o texto de origem, desencadeou uma vaga de indignação. Para terem uma ideia, o texto de Tomar a dianteira 3 chegou às 400 visualizações, apesar do boicote em vigor, e o de Tomar na rede já ultrapassa as 145 mil.

Perante tal vaga, parece ter havido alguma desorientação em certas cabeças eleitas, menos habituadas à vivência em democracia. Em vez de fazerem o mais simples e lógico, resolveram recorrer à fórmula usual. Fecharam-se e fomentaram a "plantação" de comentários, tentando desviar a atenção, desorientar e confundir os eleitores. Nesta altura são já 18, só no Tomar na rede, para todos os gostos, com predominância de implicados e costumeiros defensores do executivo.

Recomenda-se a leitura atenta de todos eles, mas aqui vão alguns excertos, para os leitores com menos tempo livre terem uma ideia: "Nada demais, numa terra onde as esplanadas impedem a circulação das pessoas." "Antes de emitirem opiniões e críticas era bom primeiro que se informassem quais os antecedentes e condicionamentos." "Criticar é sempre mais fácil que apresentar ideias e soluções." "Está muito bem, os críticos que metam uma rolha." "A maioria dos comentários são verdadeiras aberrações." "Claramente um artigo encomendado."

Tenta-se compreender a habitual posição da maioria PS. nabantina. Como autarcas, raramente respeitam a Lei do direito à informação, como deviam, quanto mais agora a democracia. São respeitáveis cidadãos sem dúvida alguma, todavia educados numa época em que bastava controlar a imprensa para gerir descansado. Agora, com o aumento exponencial de suportes de comunicação que não se "vendem" porque não necessitam, a coisa complicou-se singularmente. Já com o camarada Sócrates, por exemplo, foi uma maçada, por causa de certo blogue.

Em vez de insistirem no modelo "nada a declarar" e no recurso a serventuários encapotados, para fazerem o "trabalho de sapa", não seria mais fácil ousar mudar? Ou têm "coisas" escondidas? No caso, bastaria enfrentar a situação com coragem e dignidade, enviando para os dois blogues, que publicaram sobre o tema, um texto deste tipo: Caros munícipes: Lemos a vossa publicação sobre o prédio em construção... Temos o prazer de informar que o respetivo processo de licenciamento, incluindo o projeto, se encontra disponível para consulta todos os dias das 9H30 às 17H30, no edifício dos Paços do concelho - Divisão de Gestão do Território. Estarão presentes técnicos municipais, para responderem às eventuais questões, e para ajudarem na medida do possível.

Já foi enviada às obras agora em litígio uma brigada de fiscalização municipal, aguardando-se o respetivo relatório. Caso o mesmo venha a confirmar os abusos denunciados nos vossos textos, o executivo municipal notificará o empreiteiro, no sentido de repor a legalidade e pagar a eventual coima,  se for caso disso.

Respeitosamente,

Não era muito mais simples rápido e eficaz agir assim? O problema são os maus hábitos, mas na política tudo tem cura. Só falta saber quando.