domingo, 11 de setembro de 2022



Actividade camarária e informação

Obras fundamentais e obras ornamentais

Julgarão talvez os leitores que, mesmo longe da terra, se está sempre com as informações em dia. Nada menos certo. Ainda hoje digitei isto:

 https://www.cidadetomar.pt/category/ultimas/

e apareceram-me notícias de Julho de 2020. Podia ser pior. Felizmente a internet é coisa relativamente recente. Se assim não fosse, ainda acabaria por acessar a certidão de nascimento do Gualdim, quando procurasse a do saudoso Nini Ferreira.

Sob reserva de ter percebido bem, a autarquia vai mandar fazer obras na Rua Nova, oficialmente Rua Joaquim Jacinto, que não sei quem foi. Coisa para 600 mil euros no total. Uma parte fundamental, outra ornamental.

A parte fundamental consiste na substituição do piso, das redes de água, esgotos e electricidade, bem como na instalação da rede de gás, nos dois terços oeste da citada artéria, uma vez que o troço entre a Rua dos Moinhos e a Levada já foi requalificado em 2010. Trata-se de obra fundamental, da chamada infra-estrutura, que só peca por tardia e por ser demasiado modesta. A Rua Aurora Macedo, a Rua do Pé da Costa de Baixo, o Largo do Quental, a Rua do Teatro e parte da Rua Infantaria 15 ficam para quando? Decerto para outra maioria autárquica, mais realista e menos comichosa.

Sob a cobertura da obra útil, a autarquia aproveita para fazer obras no quintal anexo à Sinagoga, que entretanto adquiriu, não se percebe porquê nem para quê. Obras meramente ornamentais, por conseguinte, pois nunca aquele logradouro fez parte do templo judaico, tanto quanto se sabe. Assim sendo, vai servir para quê? Como jardim público?

A câmara já possui, na Rua de Pedro Dias, um terreno equivalente, que lhe foi doado por uma ilustre família tomarense. Além do ligeiro arranjo, que consistiu na consolidação do muro, com a abertura de uma porta gradeada, para que tem servido?

Compreender-se-ia que a autarquia adquirisse o prédio a nascente da Sinagoga, cuja edificação implicou a destruição de metade do templo judaico. Seria uma condição prévia para se poder sondar a existência de eventuais vestígios da parte desaparecida da Sinagoga. Ao que se diz, a parte reservada aos homens, sendo a parte agora visitável a das mulheres. Como se sabe, os judeus continuam a praticar a separação homens/mulheres nos locais de oração, incluindo no Muro das lamentações, em Jerusalém.

O arranjo do referido quintal é apenas mais uma obra ornamental, praticamente inútil à nascença, pois não se vê para que possa servir. Para espectáculos intimistas? Não adianta vir com argumentação que envolva os "banhos rituais", mesmo ao lado. Trata-se de uma balela de todo o tamanho. Nunca foram tal coisa. Aquela sucessão de grandes talhas enterradas mais não era que um esconderijo para cereais, azeite e vinho, muito necessário para obstar ao "direito de comedoria".

O autor destas linhas recuperou quatro prédios antigos no centro histórico e em todos eles encontrou talhas enterradas, que ainda lá estão, com vestígios de azeite e vinho. Querem melhor prova da falsidade do alegado "mikva" da sinagoga? Mas em Tomar já começamos a estar habituados. Se "na política o que parece é", na vida em geral raramente o que parece é. As aparências iludem. A começar pelo pénis do Gualdim (ver imagem supra).

 

Cultura - Teatro

VIRIATO CARVALHEIRO

Fatias de Cá, a companhia de teatro amador cujos actores até chegam  a pagar para representar, vai levar ao público, mais uma vez, a peça Viriato. Agora na praça de toiros de Tomar. Conquanto até já tenha sido Beresford, em Felizmente há luar, de Luís Sttau Monteiro, ainda na emigração, quem escreve estas linhas não é grande apreciador de teatro. O que não impede que recomende fortemente a ida ao Viriato, no próximo dia 24 de Setembro.

Não só pela peça, mas também por se tratar de mais uma aposta muito corajosa do incansável Carlos Carvalheiro, que merece todo o apoio dos tomarenses de boa vontade. Aqueles que gostam de ajudar, sem disso se vangloriar. Essa aposta implicou a colaboração, que aqui se aplaude por ser positiva para todos, entre a Câmara Municipal, que patrocina, a Misericórdia, que disponibiliza a praça de toiros, e o Fatias de cá.

Podendo parecer que não aos menos atentos, tal concordância de vontades, em Tomar e em 2022, é algo novo e muito positivo, que se saúda e aplaude, pelo que pode vir a representar par o futuro da cultura local. Isto porque, se bem se lembra quem lê, não há muito tempo, Carlos Carvalheiro, a alma do Fatias, recusou publicamente a distinção que a autarquia lhe pretendia atribuir. Mostrou assim o seu descontentamento e a sua independência em relação à política municipal, tal como há quase dois milénios Viriato fez de forma bélica com os romanos, muito mais poderosos.

Que apenas alguns anos mais tarde duas entidades dirigidas por socialistas tenham conseguido esquecer  a afronta, aceitando colaborar lealmente, em vez de procurar retaliar, eis algo que se saúda, pois evidencia que em Tomar, apesar dos percalços, ainda nem tudo está perdido.

Parabéns Município! Parabéns Santa Casa da Misericórdia! Parabéns Fatias de cá! Oxalá o Viriato e todos vós venham a ter o sucesso que merecem! Tomar só tem a ganhar com atitudes assim.

sábado, 10 de setembro de 2022

Paços do concelho de Abrantes

Autarquia e oposição

Oposição come "palha" 
e oposição "beija-me depressa"

É do domínio público que os vereadores laranja nabantinos ficam muito abespinhados, quando por aqui se escreve que em Tomar não há oposição. Compreende-se. Dado que quase toda a informação local está às ordens do PS, e a que ainda não está pende para o PSD, ninguém aborda o assunto. Nunca fiando... porque, citando o saudoso ministro Jorge Coelho, "quem se mete com o PS leva!" E uma oposição fraquinha é o que tem valido aos socialistas.

Interessa por isso aos eleitores tomarenses a leitura desta local d'O MIRANTE:

https://omirante.pt/politica/clima-de-tensao-nas-reunioes-do-executivo-de-abrantes/

Noutros termos, em Abrantes, terra cujo doce regional é a "palha de Abrantes", um feudo socialista praticamente desde as primeiras autárquicas em liberdade, dois vereadores, um laranja o outro independente, estão de caldo entornado com o presidente Valamatos, com 5 eleitos em 7. Inversamente, em Tomar, cidade do doce regional "beija-me depressa", igualmente controlada pelo PS, mas só há três mandatos, os três vereadores social-democratas parecem viver no melhor dos mundos possíveis com a presidente socialista Anabela Freitas. Porquê?

Eis várias respostas possíveis. Quem lê fará o favor de assinalar as que mais lhe convenham:

1 - Em Tomar, os eleitos não comem "palha de Abrantes" e isso nota-se no seu feitio;

2 - Anabela Freitas é sempre muito simpática e colaborante com os eleitos da oposição;

3 - A maioria PS acolhe sempre muito favoravelmente as propostas laranja, embora depois a rejeite;

4 - Os socialistas da maioria deixam os laranjas falar livremente durante as reuniões, desde que sejam moderados, como convém;

5 - Os vereadores laranja não têm propostas alternativas, a maior parte das vezes;

6 - O PSD absteve-se na questão do tarifário Tejo Ambiente, permitindo a sua entrada em vigor, como convinha ao PS;

7 - Todo o executivo nabantino vem partilhando, desde 2013, umas caixas de "Beija-me depressa", em sentido figurado.

8 - Temos uma boa maioria e uma excelente oposição, ou vice-versa. O cronista é que só sabe dizer mal, mesmo escrevendo bem. Ao invés de muitos eleitores que, pelo contrário, só sabem dizer bem, quando lhes convém, mesmo escrevendo mal. E a escrita não engana. Quem escreve mal, é porque não consegue pensar bem.

As próximas autárquicas são já ali adiante, Anabela Freitas está legalmente impedida de se apresentar, salvo lei excepcional de última hora. Logo veremos então, aquando do inevitável balanço dos três mandatos, se antes houve ou não oposição capaz. Como em Abrantes, por exemplo, apesar de por ali comerem "palha" e de em Tomar preferirem "beija-me depressa". Feitios, diria o Solnado, se ainda por cá estivesse.



Política local

Força TOMARENSES! Assim vamos longe!

Aqui há tempos, fiquei algo abismado com o leitorado conseguido por uma notícia sobre a morte de um gato, ao que parece muito popular numa parte da Rua da Graça. Conseguiu congregar 15 mil visualizações no Tomar na rede. O que me levou a pensar então que os tomarenses somos um povo curioso. Tratamos do acessório, a morte do gato, mas desdenhamos o principal, os múltiplos problemas da urbe.

Sou agora forçado a penitenciar-me em parte. Face aos acontecimentos mais recentes, a evidente popularidade do falecido gato, bem como o interesse dos tomarenses pelo seu falecimento, passaram para plano secundário. Imagine-se que Sua Majestade o Rei Carlos III de Inglaterra, digno herdeiro de sua falecida mãe, usando pela primeira vez da palavra como soberano do Reino Unido e de mais 14 nações, prometeu servir com lealdade, respeito e amor. Isso mesmo: servir. Um soberano com a noção de servir o seu povo.

Se bem se lembram, ao tomarem posse, os nossos representantes eleitos apenas juram cumprir com lealdade. Nada de servir, de respeito ou de amor. Era só o que faltava! Eles é que mandam. São os chefes. O rei de Inglaterra é um simples criado do seu povo. E cada povo é como é. Por isso o resultado final também é tão diferente. Excluindo os "bifes" e as "bifas" (para usar vocabulário algarvio) reformados, que vêm passar o inverno em Portugal, sobretudo no Algarve, por ser muito mais barato, quem é que emigra mais? Os ingleses para Portugal? Ou os portugueses para terras de Sua Majestade? Porquê, com aquele clima?

Como se não bastassem o caso da morte do gato e do soberano inglês, surgiu agora outro tema, muito mais importante em Tomar e na região. Tomar na rede -sempre ele- noticiou o dramático caso de um cão preso por uma corrente a uma figueira. O que o José Gaio, administrador daquele blogue, foi fazer! Sem contar com o facebook e similares, já há 146 mil visualizações e 59 comentários. Até ficamos a saber que há donos que fazem judiarias aos seus animais, outros que os masturbam, e outros ainda que dormem com eles na cama, mas isso não dizem! O que não lembra aos animais irracionais, enche a cabeça de alguns considerados racionais.

O assunto é tão grave, tão profundo, e assumiu tais proporções, que um comentador confuso pergunta: as ovelhas devem andar a pastar (ele escreveu pastorear...) quando está a chover? Fica a interrogação, numa terra de 40 mil habitantes, pelo que pelo menos os restantes 106 mil leitores são forçosamente de outros burgos, porém com idiossincrasias semelhantes às de alguns tomarenses. Desculpem o palavrão, mas é mesmo disso que se trata. Daquilo a que o popular Solnado apelidava de feitios.

Neste enquadramento, vê-se finalmente uma luz ao fundo do túnel da indiferença nabantina para com os problemas locais, logo que são sobretudo políticos. O amigo António Freitas meteu-se inadvertidamente numa alhada de todo o tamanho, ao noticiar que gente do PSD andava a tramar a separação das freguesias da Serra e da Junceira. A líder dos laranjas, que em tempos até recusou debater em directo com Anabela Freitas -lembram-se?- encheu-se agora de brios e veio desmentir o Freitas. Para ela, uma coisa é o PSD, outra bem diferente os laranjas das citadas freguesias. Imagine-se a importância da destrinça, sobretudo a partir do momento em que, no comunicado social-democrata, se reconhece que existe mesmo o tal movimento pró-separação, que inclui, segundo escrevem, sociais-democratas, socialistas e independentes. O que não surpreende. Surpresa seria que incluísse, por exemplo, eleitores PCP ou BE, formações que por ali nunca conseguiram singrar.

Tanto barulho para bem pouca coisa. Em 2009, antes da agregação livremente decidida, a Junceira tinha 759 eleitores inscritos e a Serra 1.229. Um total de 1.988, num concelho então com 38.724 mil. Treze anos mais tarde, com a fuga da população a acentuar-se, (já somos só 33 mil eleitores inscritos), e com muitos habitantes das duas freguesias a residir de facto em Lisboa, mas mantendo a inscrição eleitoral na freguesia de origem por bairrismo, faria sentido procurar novas agregações para ganhar dimensão e peso político. Mas não senhor. Dividir para reinar. Por este caminho, já faltou mais para que cada dúzia de eleitores possa constituir-se em freguesia. Como sucede em Ana Loira, no Alentejo, com 32 habitantes em 2011. 

Saiam umas doses de bom senso para aquelas bandas serranas, antes de se afogarem no Poço redondo da emigração.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022


Espectáculo no Mouchão, com cadeiras em local que já teve relva.

Cultura que voa baixinho

 Animação cultural com ideias fixas

Tomar a dianteira 3 acaba de ler o programa de animação cultural municipal para Setembro:

https://radiohertz.pt/tomar-artin-rua-com-street-food-estatuas-artes-circenses-musica-e-muita-animacao/

Visa-se substituir com vantagens o Festival de estátuas vivas, cuja última edição, antes da pandemia, foi um falhanço parcial, sem cuidar agora de apontar culpados. Esta nova versão de festarolas cheira a novo-rico, com muito dinheiro e pouca capacidade de discernimento, tal é a amálgama e a pobreza de propostas. O turismo municipal comprou tudo o que a Tenda promoções lhe quis vender. Pronto a usar. Uma ofensa involuntária aos eleitores com menos recursos, e aos contribuintes todos. Em período de grandes dificuldades para toda a população, será sensato esbanjar assim dezenas de milhares de euros do orçamento camarário, com cultura a metro, mesmo se já estava programado há muito? Mas a intenção desta crónica é outra.

Com palcos no Mouchão, no Nabão, na Praça da República e no Convento, ficam de fora a Mata, a Várzea Grande, a Várzea pequena, (que até já tem palco), a Praceta Raul Lopes, o ex-estádio, o claustro sul de S. Francisco e o Largo do mercado. Porquê? Há pulgas ou outros parasitas em todos estes espaços excluídos? Não são em Tomar? Não são "locais nobres"? São locais em zona de eleitores de 2ª? Ou de quem vota mal?

Estão previstos para o Mouchão dois eventos. Um de marionetes e uma banda. Esta última com a curiosidade de antes se ter exibido no palco do Nabão, logo ao lado. Não convinha ir mais longe, por causa do material demasiado pesado? Seja como for, ressalta tratar-se de verdadeira obstinação da parte de quem manda nestas coisas. Não se sabe em virtude de que recalcamentos, mas a verdade é que continuam os espectáculos no Mouchão, apesar de ali não haver nenhumas condições objectivas para tal. Nem há sequer instalações sanitárias. Já houve, em tempos idos, quando havia também um sistema de rega ecológico, com água proveniente da roda. E tudo o Paiva levou...

Porquê então a insistência, quando há vários outros locais, disponíveis e mais adequados? Simples birra infantil? Prazer sádico de espezinhar e degradar a relva do Mouchão, pois não há espaços livres sem relva para a assistência? Quem souber que responda, mas esperava-se mais de uma presidente nascida e criada em Tomar, que por isso mesmo deve saber o que o Mouchão representa para os tomarenses. Ainda há tempo de corrigir asneiras intencionais do tamanho de arranha-céus.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022


Política municipal

O PORCO, O CHOURIÇO 

E A ÉGUA DO INGLÊS

Tenho o raro privilégio de poder conjugar, na escrita, duas vertentes da mesma posição. Discorrer sobre a minha querida terra de longe e de cima, tanto fisicamente, como intelectualmente. De forma que, quando me acusam de dizer mal dos tomarenses e de Tomar, forçam-me a sorrir. Na realidade, bem vistas as coisas, não digo mal de nada, nem de ninguém. Limito-me a descrever as coisas e as pessoas tal como elas são, na minha perspectiva, sem palavrões nem má educação.

Serve esta entrada para introduzir um tema delicado, que é o da mentalidade infantil de alguns adultos eleitores, naturalmente com o devido respeito. Infelizmente, não se pode escolher inteligência ou mentalidade, como quem compra uma camisa. Cada um é como cada qual. Um exemplo para mim chocante pode ser consultado no colega Tomar na rede. Ao noticiar o caso de um cão acorrentado a uma árvore, desencadeou uma série de comentários de cidadãos indignados. Normal.

https://tomarnarede.pt/sociedade/esclarecimento-sobre-o-caso-do-cao-preso-a-uma-arvore/

São contudo, em grande parte, os mesmos cidadãos que mantêm um persistente silêncio face aos graves problemas provocados pela governação local, à qual estamos todos acorrentados até às eleições de 2025. O que leva a supor estarmos confrontados com algumas mentalidades  infantis. Tal como as crianças, sabem distinguir o bem e o mal em situações objectivamente simples, e reagem em conformidade.  Mas não conseguem envolver-se em problemáticas complexas, como na política local, por exemplo. Ou não querem, o que não melhora nada a situação.

Em tal enquadramento humano, agindo de motu próprio ou devidamente assessorada por spin doctors desconhecidos dos eleitores, Anabela Freitas resolveu levar à prática o conhecido dito popularucho "oferecer um chouriço, a quem der um porco".  Deliberou, como presidente da Câmara, devolver em 2023 a cada contribuinte 1% do imposto anual, o tal chouriço, depois de anteriormente lhe ter sacado, como presidente da Tejo Ambiente, mais 23% em média na conta da água, o tal porco, e que animal! Repare-se que não é tão fortuito quanto parece. 1% de BÓNUS ANUAL representa apenas 20% dos 5% que a autarquia pode conceder, ou seja mais ou menos o mesmo, em teoria, que o aumento de 23% MENSAIS, da conta da água. Habilidoso, não é?

Mesmo assim, dirão, ou pelo menos pensarão, os apoiantes socialistas, "é bem bom!". Ou no mínimo "é melhor que nada!". Têm razão. Mas convém ir tendo cautela, pôr-se a pau, para não cair na situação da égua do inglês. O dono decidiu habituá-la a não comer, para ficar mais barato, e o animal foi-se acostumando, porque as éguas não emigram nem protestam, não lhe restando portanto alternativa.  Até que a dada altura morreu de fome, levando o inglês a exclamar "Azar! Logo agora que já estava a ficar habituada,  é que  morreu!" 

De qualquer forma, é tudo legal e feito às claras. "Nada na manga!", como diziam dantes os ilusionistas de circo. Só falta saber durante quanto tempo mais vão os tomarenses deixar-se enganar com semelhantes práticas. "Com papas e bolos se enganam os tolos", é um conhecido anexim popular, cuja versão tomarense parece ser "com festarolas, subsídios e descontos, se vão enganando os tontos." 

Para que conste. Sem qualquer intenção de ofender quem quer que seja. Apenas de mostrar a (desagradável) realidade, tal como ela é, na perspectiva de quem escreve e paga impostos, como é lógico. A tal liberdade de opinião, que quase todos aceitam, todavia uns mais do que outros.

terça-feira, 6 de setembro de 2022



Resultados eleitorais

UMA  IMAGEM NUMÉRICA

DA MAIORIA SOCIALISTA LOCAL

(Este texto pode incomodar. Não leia, se prefere notícias agradáveis, mesmo pagas.)

Foi uma das ideias dominantes, que me ficou da recente permanência em Tomar. Ao vencer inesperadamente em 2013, por nítida falta de habilidade dos principais adversários, a maioria PS local assumiu a ideia de que são excelentes e por isso incriticáveis. Donde o ódio aos adversários que ousam dizer o que pensam, os quais são logo considerados inimigos, a calar por todos os meios. 

As duas vitórias seguintes, que permitem à equipa de Anabela Freitas continuar no poder municipal durante 12 anos, reforçaram essa tendência, de pesadas consequências para os tomarenses. A de que os eleitos maioritários são excelentes, não cometem erros, e são por isso mesmo imbatíveis. Será de facto assim? Os números são como o algodão do conhecido anúncio, não enganam. E que mostram eles realmente?

CONCELHO DE TOMAR

VOTOS PS...........2005...............2009...........2013.............2017.............2021.............2022

                              4.235..............4.756..........5.479............7.972............7.157............8.240

ELEITORES......38,518.............38.724........37.310..........34.814..........33.892..........33.705

(eleicoes.mai.gov.pt/autarquicas...)

Temos assim as seguintes diferenças, para + e para -

                  2005-2009.........2009-2013.........2013-2017..........2017-2021............2021-2022

Votos..........+521....................+723..................+2.493..................-815....................+1.083

Eleitores.....+206..................-1.414..................-2.496...................-922.......................-187 

São, como se vê, resultados muito inconvenientes, que contrariam totalmente o "balanço muito positivo" dos actuais mandantes locais. Os socialistas nabantinos subiram até 2017, tendo alcançado nesse ano um resultado meritório, porém não excepcional, pois houve anteriormente pelo menos um candidato PSD que obteve resultados superiores a 15 mil votos. Quase o dobro do melhor ano socialista.

A partir de 2017, apesar do crescente triunfalismo, tem sido sempre a descer. De tal forma que até chega a ser pouco abonatório. Nas legislativas de 2022, o PS conseguiu em Tomar mais 1.083 votos do que a sua campeã local. Dá que pensar, não dá? Tanta festa, tanto evento, tanto subsídio, tanto ajuste directo, tanta obra ornamental e vai-se a ver...  Como vai ser em 2025, já com outra senhora ou cavalheiro?

Uma curta referência para o concomitante êxodo da população, que se regista desde 2009. No quadriénio 2013-2017 foi mesmo uma hecatombe, apesar de ainda não haver pandemia. Porquê? É tentadora a hipótese de relacionar com o 1º mandato PS, e sobretudo com a troca de governo, em 2015, apesar da vitória do PSD nas legislativas. Ou será o inverso?

De qualquer modo, aquele resultado de 2.496 eleitores tomarenses que desapareceram entre 2013 e 2017, torna-se ainda mais assustador quando comparado com os concelhos vizinhos. Durante o mesmo período, Abrantes perdeu 1.812 eleitores, Torres Novas perdeu 907 e Ourém, que tem mais população, apenas 1.107, menos de metade.

Que aconteceu em Tomar, entre 2013 e 2017, para além da vitória socialista a nível local e da mudança de governo a nível nacional, do PSD/CDS pra a Geringonça, que possa explicar o desastre demográfico? Se algum leitor, ou alguma leitora, tiverem outros elementos explicativos, apoiados em factos verificáveis, agradece-se desde já o seu envio para anfrarebelo@gmail.com