segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Perspectiva aérea da avenida Beira Mar em Fortaleza. Lá ao fundo, do lado esquerdo, o moínho (moagem) Dias Branco, a maior fortuna feminina do Brasil. Logo mais à direita, naquele primeiro prédio de 17 andares, separado dos outros, todos os dias se escreve um texto para Tomar a dianteira 3.

Situação política local

O inferno são os outros

Sartre, outrora uma celebridade da extrema esquerda maoista, agora praticamente um desconhecido, escreveu algures que "o inferno são os outros". Viu bem o ilustre filósofo gaulês. Sobretudo nas terras e nos países pequenos, é prática comum procurar um bode expiatório para nele integrar todas as frustrações dos pensadores com recalcamentos da urbe.

Ainda recentemente o autor destas linhas foi vítima dessa prática nefasta, adorada pelos frustrados ditos de esquerda. Que à falta de argumentos, recorrem ao insulto mais reles, como foi o triste caso. Um deles escreveu aqui depois, em estilo amigável, (sob nome suposto, bem entendido), que este escriba é agora de direita "uma vergonha, um desperdício". Ignora-se onde foi a criatura sacar semelhante informação, mas pronto. Aceite-se. É bem sabido que burro velho já não aprende línguas. Mas continua por demonstrar que ser de direita, ou de qualquer outra tendência política, seja uma vergonha e um desperdício. Só cabeças sectárias podem pensar assim.

A última desse ilustre areópago local de comentadores sob nome suposto, é que quem isto escreve só pode ser um inimigo de Tomar, porque, ao ir-se para outras paragens, encorajou e encoraja outras e outros a seguirem-lhe o exemplo. Forçoso é reconhecer que está bem achado. Tem porém um senão.

Embora não o reconheçam, porque não lhes convém e estragaria tão brilhante raciocínio, quem escreve estas linhas tem a noção muito clara de ter servido Tomar, sempre que lhe pediram e sem esperar retribuição, perfeitamente consciente de que na política não há gratidão. Os milhares de visitas guiadas gratuitas à cidade e ao convento, o estatuto de "património da humanidade" para o Convento, a agora dissolvida comissão regional de turismo, aí estão como exemplos para mostrar quem fez mesmo algo em prol de Tomar, e quem se limita a fazer de conta que fez ou faz.

Dito isto, para o autor, uma coisa é servir Tomar desinteressadamente, como simples contributo cívico, outra muito diferente sacrificar a sua vida a favor da terra onde se nasceu e cresceu. Por conseguinte, não contem comigo para voltar atrás. Tenciono continuar por terras brasileiras, indo à querida terra natal apenas durante o verão.

Têm portanto razão os que pensam que escrever sobre Tomar a partir do outro lado do Atlântico, pode ser um encorajamento à emigração dos tomarenses. Na mesma linha de raciocínio, temos de reconhecer igualmente que a maioria PS vem procedendo em sentido oposto. Ao facilitar a vida aos ciganos locais, nomeadamente, fornecendo-lhes alojamentos gratuitos ou quase, e condições de vida que não teriam alhures, está indiscutivelmente a atrair mais ciganos para Tomar, uma forma de compensar a fuga da população. Falta saber se é mesmo isso que os eleitores tomarenses querem. Até agora, a julgar pelos resultados eleitorais, parece que tem sido. Mas há cada vez mais atritos e, por isso, mais reclamações. Demasiado tarde? Na política tudo é provisório, menos os custos.

Vai sendo tempo de pensar um bocadinho, antes de confundir tudo. Os causadores são os que criaram as causas de determinada situação. Não aqueles que depois escrevem sobre a mesma. Antes de fazer a cruzinha e meter o papel na urna, convém pensar duas vezes. Não há almoços grátis, nem festas à borla, por exemplo. A factura vem sempre mais tarde. A da Tejo Ambiente, e não só. Porque alguém tem de pagar a água e o resto, consumidos pelos que dizem que não têm meios para pagar. Essa de pensar que são sempre os outros os prejudicados, não passa de mais uma ilusão. Quem anda à chuva, molha-se forçosamente. Mesmo com chapéu de chuva, gabardine e galochas.





Imagem Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.


Habitação e política local

Prioridades erradas e vizinhos ciganos

Após várias decisões que não foram propriamente as mais indicadas em termos de prioridade, como por exemplo a requalificação da Várzea grande, da Nun'Álvares, da Torres Pinheiro e de parte da Estrada da Serra, antes do degradado sector sudoeste da cidade antiga, a srª presidente acaba de agravar singularmente o problema. Em vez de virar a agulha para este sector, único ainda não requalificado do Núcleo histórico, quase confinante com os Paços do concelho,  resolveu ao que parece divertir-se à custa dos que nele habitam.

Segundo a informação local, foi aberto concurso para a requalificação de apenas dois terços da Rua Nova, a rua da Sinagoga, pois o troço nascente já está recuperado há dez anos. É lamentável! Gastaram-se milhões na Várzea, milhões nas avenidas do lado sul da cidade, milhões na Estrada da Serra, e quase um milhão num museu inútil, porque de facto de coisa nenhuma, ou quase. Agora, tudo parece indicar que sobraram apenas 250 mil euros para requalificar dois terços da Rua Joaquim Jacinto. Então e o resto do sector, que é a maior parte, fica para quando? Para as eventuais sobras do ano que vem? Os seus habitantes devem continuar a usar água proveniente de degradadas canalizações em amianto? Devem continuar a pagar a taxa de tratamento de esgotos, que não são tratados? A calcorrear calçadas irregulares de seixo da idade média?

Outra medida controversa, já anunciada pelo menos duas vezes na imprensa local e regional, é a recuperação de prédios antigos degradados, e a edificação de outros, todos no regime dito de "construção a custos controlados" e destinados a arrendamento. A maioria PS local disporá certamente de dados que o signatário ignora, os quais lhe terão eventualmente servido de base para esta tomada de decisão. Infelizmente, nunca a autarquia disse aos eleitores em que se apoia para avançar com habitação destinada a arrendamento, e a oposição com assento no executivo também não fez, que se saiba, qualquer esforço para sacar informações nessa área. O habitual. Não convém molestar os pares, só para agradar ao povoléu.

Assim, praticamente "às escuras" por força das circunstâncias, fica-se com a ideia de que é tudo feito à trouxe-mouxe, (para usar uma expressão do saudoso Mário Soares), sem temer as eventuais consequências negativas, designadamente ao nível financeiro, porque de qualquer maneira são dinheiros públicos para gastar, e não se fala mais nisso.

Ainda assim, antes de gastar mais milhões, talvez valha a pena pensar um bocadinho na seguinte questão: Para além dos que não têm rendimento que lhes permita optar, ou sequer para pagar uma renda normal, quem vai querer arrendar apartamentos camarários novos, em prédios onde é grande o risco de vir a ter vizinhos ciganos? Os exemplos existentes não são nada entusiasmantes.

domingo, 4 de setembro de 2022


Conflitos étnicos

Problemas com os (que foram) do Flecheiro

Numa iniciativa louvável a todos os títulos, a maioria PS que está na autarquia decidiu acabar com o acampamento ilegal do Flecheiro. Meteu mãos à obra, gastou bastante dinheiro, e está quase a conseguir transformar aqueles terrenos em espaço de fruição pública. Falta só alojar mais 10 famílias. Até esta data. Aplausos portanto? Sim, mas nem tanto. Ao solucionar um problema complicado de forma pouco hábil, criaram outros óbices. Multiplicaram por quatro ou cinco o foco inicial.

Era praticamente só no Flecheiro que havia questões delicadas com a comunidade cigana tomarense. Agora há episódios violentos na Srª dos Anjos, no 1º de Maio, no Bairro Calé e no da Caixa. Por enquanto. Sem que a autarquia pareça muito preocupada com a nova situação que provocou. Cujas origens vêm de longe. Para se ter uma pequena ideia, em 1974 a população era praticamente a mesma e os ciganos junto à Praça de toiros apenas uns 20. 48 anos mais tarde, a população mantém-se, ou perto disso, mas os ciganos já são quase 300.

Ante situações cada vez mais desconfortáveis, provocadas quase sempre pela recusa de integração dos calés, a pacífica e pachorrenta população tomarense começou a sentir o cheiro da mostarda no nariz, e excepcionalmente decidiu reagir a medo. Começou a queixar-se, mediante comentários com frequência sob nome suposto. É no que dá uma maioria PS que não aceita críticas e retalia pela calada.

Perante a por enquanto pequena vaga de protestos, dos que acreditam que "os ciganos são boas pessoas, mas ninguém os quer como vizinhos", um dos defensores da actual maioria viu-se forçado a atacar forte. No Tomar na rede, com um pseudónimo que até parece nome de baptismo:

Antonio Branco

"a manada está histérica. Há muitos parasitas que não são ciganos…"

https://tomarnarede.pt/sociedade/camara-compra-terreno-junto-a-platex-para-habitacao-social/#comment-8076

Tendo o suposto cidadão Branco escrito anteriormente, no Tomar na rede, aqui há semanas, que quem faz Tomar a dianteira 3 "diz mal de Tomar e dos tomarenses", esclarece-se que, mesmo supondo apenas que assim seja, nunca aqui foram os conterrâneos tratados como "manada histérica". Quanto ao resto, o suposto Branco tem razão. "Há muitos parasitas que não são ciganos". E até ciganos que não são parasitas. Não serão muitos, mas há. O problema é outro.

Concluindo, por agora, talvez não fosse pior o suposto Branco propor soluções para um problema cada vez mais grave, em vez de procurar, pelo insulto reles, intimidar os poucos tomarenses que ousam tentar enfrentar por escrito a triste realidade. A de uma terra cuja população diminui, enquanto os ciganos são cada vez mais. Incluindo autores de ciganices que nem pertencem à dita etnia. Como o suposto Branco, por exemplo.


sábado, 3 de setembro de 2022


Estranha forma de vida?

Há algo pouco normal no meio bombeiral

Duas notícias chamaram a atenção do cronista nestes últimos dias. Ambas sobre socorro urgente, ambulâncias e bombeiros. No primeiro caso, perante uma indisposição súbita de uma cliente, um comerciante, que por acaso também é autarca, telefonou para o 112, como mandam as normas em vigor, e ficou surpreso ao ver chegar, quase meia hora depois, uma ambulância do Entroncamento. O local da ocorrência fica a duzentos metros dos Bombeiros municipais de Tomar.

No dia seguinte, uma residente estrangeira sentiu-se mal em plena Corredoura e houve chamada de socorro. Desgraçadamente, a informação local não menciona quem fez a chamada, nem qual a origem das ambulâncias, o que é pena. Ficou mesmo assim a saber-se que compareceram três ambulâncias. Uma passados 15 minutos, as duas outras um pouco mais tarde.

Tendo em conta a relativa rapidez, a pobre cabecita que escreve estas linhas conclui que era nabantina a primeira ambulância, porque em 15 minutos nenhum veículo de concelhos vizinhos consegue chegar à Corredoura. E as duas outras de onde vieram? E porque vieram, se havia apenas uma cidadã em dificuldade? Quem ordenou que viessem? Com que objectivos?

Esta questão dos bombeiros e das ambulâncias não é nova em Tomar. Já em 2013, houve necessidade de chamar uma ambulância de Constância, para conduzir uma doente a Coimbra, aos HUC, após os bombeiros de Tomar terem informado que não dispunham de ambulância disponível em condições para fazer 160 quilómetros. A situação mantém-se em 2023?

Seja ou não o caso, não é preciso ser muito perspicaz para perceber que há algo pouco normal no meio bombeiral. Pelo menos a nível regional. Porque é muito questionável que num dia apareça uma ambulância que percorreu 20 quilómetros, para socorrer uma paciente a 200 metros de um quartel de bombeiros municipais, e no dia seguinte apareçam três ambulâncias para outra enferma nas mesmas condições. Tal como é muito estranho que quando ocorre um acidente, mesmo ligeiro, apareçam várias viaturas e pelo menos meia dúzia de socorristas. Que se passa afinal? É tudo mais a mim, mais a mim?

Não se ignora que há um centro regional de coordenação, com um acrónimo pomposo, cuja missão consiste em receber as chamadas do 112 e distribuir os serviços, em conformidade com as necessidades. Mas a que propósito aparecem quase sempre em Tomar ambulâncias de outras corporações? Os bombeiros agora municipais de Tomar carecem de meios humanos capacitados? Não dispõem de material suficiente e de qualidade? 

Se é o caso, há que denunciar, pois se abunda dinheiro para subsídios, festas e eventos de toda a ordem, seria muito criticável sacrificar os esforçados soldados da paz, envergonhando-os perante os seus pares de outros concelhos. Mas se o problema é outro, eventualmente mais grave, estão à espera de quê para providenciar um inquérito e esclarecer o pessoal pagador de impostos? Já se esqueceram que, eleitos ou funcionários, são afinal só e apenas servidores públicos? Tomar não tem donos. É de todos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022


Candidatura UNESCO

TABULEIROS A PATRIMÓNIO MUNDIAL?

Sabem todos os tomarenses, com fundas raízes locais, que a Festa dos tabuleiros é algo de sagrado. Uma religião, por assim dizer. Alterada e posta ao gosto da época, por um estrangeirado talentoso, em 1950, assim tem ficado até agora. Quem ouse discuti-la, mesmo só na sua forma organizativa, é logo amaldiçoado e excomungado, acusado de manifesta má intenção, que todavia nunca é especificada. Et pour cause...

Estava-se nisto, quando em 2019 os jovens eleitos camarários, ignorando deliberadamente o passado, cuidaram que bastava querer e crer, para alcançar. Equivocaram-se. Três anos depois, continuamos na estaca zero. Apesar de entretanto a câmara já ter gasto mais de 100 mil euros, com a mal preparada candidatura dos tabuleiros a património imaterial da humanidade.

Estaca zero, significa neste caso que ainda não se conseguiu sequer a inscrição na lista do património imaterial nacional, condição sine qua non para a posterior candidatura à UNESCO. Porquê? Eis o que falta apurar. Recentes declarações lastimosas da vereadora responsável parecem indicar que desgraçadamente ainda não estamos no bom caminho.

https://radiohertz.pt/tomar-festa-dos-tabuleiros-aprovacao-da-candidatura-a-patrimonio-cultural-imaterial-nacional-continua-em-banho-maria-infelizmente-nao-depende-de-nos-lamenta-filipa-fernandes/

Segundo a referida eleita, a DGPC solicitou várias outras coisas, além das já entregues desde 2019, entre as quais uma carta justificativa do vigário de Tomar. É um mau indício. Não só porque a festa sempre se fez fora da "igreja clerical", com a independência atestada pelas coroas do espírito santo, não fazendo portanto qualquer sentido pedir agora a opinião daquele ministro da igreja, que sempre  se tem limitado a celebrar as missas aquando das saídas das coroas, e a abençoar os tabuleiros no dia do cortejo, mas também e sobretudo porque a eventual segunda fase da candidatura, uma vez alcançada a inscrição nacional, é extremamente exigente.

Muito concretamente, informações colhidas nos meios adequados indicam que a tendência actual na UNESCO - ICOMOS é a rejeição das candidaturas referentes a actos de culto católico e/ou cristão, entre outros pelos delegados dos países muçulmanos, o que se compreende, pois os crentes desta religião opõem-se a procissões e outras manifestações públicas de cunho religioso.

Sendo assim, ao exigir a opinião do vigário católico, como condição prévia para a inscrição na lista do património imaterial nacional, estão a meter-se na boca do lobo, se calhar sem disso se darem conta. Por outras palavras, estão a fornecer lenha para queimar a candidatura na UNESCO-ICOMOS, pois os delegados não cristãos vão servir-se dessa carta para demonstrar que a cortejo dos tabuleiros mais não é afinal que um acto de culto católico. E naturalmente votar contra a candidatura, arranjando qualquer outro pretexto mais consensual.

Temos por conseguinte que, ou a candidatura é cuidadosamente revista e expurgada do que possa não convir, mediante conversações prévias aprofundadas com a DGPC e o ICOMOS, ou nunca mais os tabuleiros serão património imaterial da humanidade, mesmo se entretanto inscritos na lista nacional.

Fica aqui este humilde oráculo, sobretudo para memória futura como sempre.

Imagem manuelina da Virgem do leite, na igreja de Santa Maria dos Olivais

Impostos, turismo e demografia

Nem tudo é mau

Lá diz o povo, na sua sabedoria milenar, que ninguém consegue fazer tudo bem, nem tudo  mal. A srª presidente Anabela Freitas acaba de confirmar isso mesmo. Tendo decidido devolver, em 2023, 1% do IRS aos eleitores (um esforço camarário de 360 mil euros), (naturalmente por razões de equidade, que nada têm a ver com as eleições de 2025, não senhor!), houve logo um simpático vereador laranja que tentou ajudar a maioria PS a compensar a perda. Aconselhado pelo chefe da divisão financeira da autarquia, avançou com a ideia de uma taxa turística, que já existe em vários concelhos, por esse país fora.

Evitando cair na armadilha, uma contradição insanável, que seria a cobrança de uma taxa adicional aos turistas, por parte de uma autarquia que não assegura as estruturas básicas de acolhimento, a srª presidente recusou a ideia. Fez bem. Sobretudo na política, é sempre nefasto quando se põe o carro à frente dos bois, como seria o caso com a dita taxa. 

Outra tendência que vai no bom sentido, é a acção municipal contra o despovoamento. Embora evitem falar no assunto, continuando a fingir que ignoram o problema, cada vez mais grave em Tomar e na região, os senhores eleitos em idade de procriar lá vão providenciando. Só este ano já nasceram três novos tomarenses, filhos de membros do executivo (Filipa Fernandes, Hugo Cristóvão, Tiago Carrão). Concebidos portanto no exercício das funções que lhes foram confiadas pelos eleitores. Assim é que é! Ir fazendo o trabalho de casa, além de beneficiar os ciganos e fecundar os eleitores em geral.

Continuem, caros conterrâneos! E que sejam todos muito felizes! Não atacam a raíz do problema demográfico, é verdade.  Mas pelo menos vão contribuindo para o minimizar, ainda que muito modestamente. Em qualquer caso, "quem faz o que pode, a mais não é obrigado".

ESCLARECIMENTO

Porquê a imagem da virgem ou de nossa senhora do leite, que encima esta crónica ?

Porque procriar implica forçosamente amamentar, com leite materno ou comprado no comércio. Nada melhor portanto que a protecção  da santa adequada. Mesmo para os que não são crentes, mal não fará decerto. Afinal, de certo modo, há muito que em Tomar andamos todos à mama, de uma maneira ou de outra. Mesmo os que ignoravam até ao presente que há uma imagem da virgem do leite, com mais de cinco séculos, na agora também igreja paroquial, antes só panteão templário.




quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Imagem Rádio Hertz, com os nossos agradecimentos

Turismo e arqueologia

Só nos faltava mais esta

Após meses de pesado silêncio, a Câmara resolveu agora informar os súbditos de que vão recomeçar as obras, junto aos bombeiros, do alegado forum romano. Trata-se de algo tão peculiar que praticamente ninguém se mostrou preocupado com tal interrupção dos trabalhos: TOMAR – Já foram retomadas as obras no ‘Fórum Romano’, que tiveram de parar devido a achados arqueológicos - Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Compreende-se. Em arqueologia, é fácil dizer que o que resta de duas igrejas católicas, mencionadas nos livros antigos (Santa Maria de Selho e S. Pedro Fins), são afinal indícios de um alegado forum romano de Sellium. O mais difícil vem depois. Admitindo que se trate dos tais vestígios romanos, hipótese nunca confirmada cabalmente, o que há para mostrar aos futuros visitantes, uma vez que se entendeu "musealizar"? Pouco. Muito pouco mesmo. Apenas restos de alicerces, com um ou outro elemento mais vistoso, aqui e ali, que até pode ter sido trazido de outro lado.

Com tão curto rol de atractivos, é claro que, exceptuando os coitados dos alunos do ensino obrigatório, nas suas visitas ditas de estudo, praticamente ninguém ali irá perder o seu tempo, suputando hipóteses e olhando para coisa nenhuma. Abundam em Portugal os exemplos de ruínas romanas, às moscas durante todo o ano, mesmo com entradas gratuitas. A excepção é Conimbriga, que mesmo assim não consegue nem metade das entradas no Convento de Cristo, apesar da sua imponência, e de estar próximo de Coimbra e ao lado da A 1 e A 13.

Neste contexto, a inopinada interrupção das obras, alegadamente porque apareceram novos vestígios, bem como a imagem publicada, com tudo bem tapado, (ver imagem supra), apesar de não se prever chuva, levantam sérias dúvidas na comunidade científica sobre a credibilidade de tudo aquilo. E quando há dúvidas sérias, mesmo antes de concluída a obra...

É duvidoso que o executivo municipal tenha ponderado com cuidado todos os aspectos do empreendimento. Pode ter-se tratado simplesmente de mais um projecto que havia necessidade de comprar para satisfazer compromissos antes assumidos. Como quer que seja, um local de visita como o pretendido vai implicar a criação de vários empregos, com os respectivos custos. Como acontece com a Sinagoga, por exemplo. E, não se prevendo receitas com as entradas, terão de ser os contribuintes a arcar com mais esse fardo. Para quê? Só para angariar mais alguns votos? É caro demais.

Há uma derradeira hipótese para sair honradamente do mal entendido. Uma vez pago o projectista, (que se ignora quem seja) e a empresa que adjudicou a obra, alegar que as escavações entretanto efectuadas mostraram que as novas construções estão afinal sobre vestígios importantes, pelo que devem ser demolidas. E depois tapar aquilo tudo, após identificação adequada a deixar no local, e vender o terreno para construção de apartamentos. Ou aproveitá-lo para ampliar o quartel dos bombeiros.

A não ser assim, vamos ter mais um mono, tipo museu polinucleado da Levada, com muito mais moscas do que visitantes. E onerosos aborrecimentos sem fim.

Os eleitos PSD do executivo pensam alguma coisa a este respeito? Ou, como sempre, limitam-se a apoiar mais esta asneira camarária? Vai sendo tempo de se posicionarem, tendo em vista novos tempos que terão de vir forçosamente.