quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Imagem copiada de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.

Avacalhamento nabantino

Cada cavadela cada minhoca

No mesmo dia, com poucas horas de intervalo, o Tomar na rede, a única informação relativamente livre que resta em Tomar, prenda os seus leitores com duas notícias na área da cultura e do património, que evidenciam o avacalhamento cívico a que já se chegou na urbe templária.
A primeira dessas notícias é sobre a roda do Mouchão, cuja estrutura cedeu ao uso demasiado intensivo. Antes do açude permanente, (que não agrava eventuais inundações, segundo garantiu a srª ex-presidente), a roda não funcionava entre Outubro e Abril, o que permitia a manutenção anual. 
Para melhorar a condição laboral de alguns funcionários camarários, uns escravos do trabalho, como todos bem  sabemos, abrigados todos os anos a montar e desmontar o açude tradicional, a autarquia recorreu a meios externos, que instalaram um açude fixo, e estava o assunto resolvido, julgavam os socialistas da geringonça de facto.
Mas não está. Sucedem-se os percalços. Aqui há tempos a roda empenou, mais tarde faltaram alcatruzes e agora a estrutura está a pedir cuidados urgentes. No Mouchão, cujo aspecto geral deixa muito a desejar, devido aos desmandos da vereadora Filipinha,  e que a maioria socialista continua a desprezar, preferindo continuar a acusar o malandro do Paiva de ter acabado com o sistema de rega tradicional por regadeira com água da roda, que era mais ecológico e barato, em vez de providenciarem a mudança. É o avacalhamento dos políticos locais, que não tarda estão em pleno abandalhamento, quiçá sem disso se darem conta.
Logo ao lado, no ex-estádio, notícia o José Gaio que apareceu uma nova pintura mural. A maioria socialista local parece gostar muito dessas coisas. Já em tempos encomendaram e pagaram  aquela beleza a que chamaram "Velhos do Restelo", que orna o muro da velha Horta Torres Pinheiro. Com o tempo, não sei se os tomarenses  -alguns pelo menos- já terão atingido o carácter reles da coisa. Mas gostos não se discutem. N'est pas Da Vinci qui veut.

Imagem copiada de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.

Nessa mesma linha, aparece agora outra pintura mural (quanto terá custado aos cofres da autarquia?), cuja qualidade não vou aqui discutir, pois já não alcanço coisas assim tão modernas. Há no entanto um detalhe que me deixou na dúvida: vê-se uma cruz da Ordem de Avis em fundo azul, quando é do conhecimento geral ser o verde a cor daquela  ordem. A minha pergunta é simples: qual a ideia e porquê? Tanto mais que nas obras espalhafatosas da Várzea grande aparecem na calçada umas cruzes da Ordem de Malta, que nunca percebi o que estão ali a fazer. Alguém pode me explicar? Ou é parte integrante do tal avacalhamento, considerar que cruzes templárias, de Cristo, de Avis e de Malta, "vai tudo dar ao mesmo"?

ADENDA

Se fizerem o favor de reparar com alguma atenção nas fotos oficiais dos presidentes da República, notarão que há em todas elas uma faixa tricolor na diagonal do peito. Significa que, por inerência da função, é também grão-mestre das três antigas ordens de cavalaria portuguesas -azul representa a Ordem de Santiago, verde a de Avis e vermelho a de Cristo, sucessora dos templários.

 



quarta-feira, 25 de dezembro de 2024


Património tomarense nas mãos do Estado

Mais vale tarde que nunca

Pressionado pelas circunstâncias, como quase sempre acontece na política, o presidente Cristóvão foi sincero: Admitiu que a autarquia terá de recorrer a recursos humanos externos para poder assegurar, espera-se que capazmente, a manutenção da antiga Cerca conventual, que assim deixa de facto de ser Mata nacional, (ver imagem supra), para passar a ser Mata municipal dos sete montes.

Embora não sendo uma novidade, posto que a Câmara já recorre a empresas exteriores, designadamente para a recolha do lixo, para a manutenção de alguns espaços verdes, para a água e saneamento e até para as visitas à Sinagoga, é mais um passo na boa direcção. Embora tenha mais de 600 empregados, o Município não tem funcionários à altura, nem trabalhadores suficientes. Há excepções, bem entendido, mas no geral, é a velha questão dos "cavalos de estado". Têm de os sustentar porque não os podem despedir e no privado ninguém os quer, salvo casos específicos, mas há cada vez menos servidores empenhados na coisa pública.
Assumir finalmente a gestão da Mata dos sete montes é sem dúvida uma decisão corajosa e que vai na boa direcção, mas não basta. Mesmo com a contratação de recursos externos para a indispensável manutenção.
A recente esperteza saloia da Câmara, então ainda liderada pela anterior presidente, ao decidir a perfuração de um oneroso furo artesiano junto ao Tanque da cadeira d'El-rei, para assegurar a rega da velha Horta dos frades, agora jardim francês da entrada, permitiu dar dinheiro a ganhar a alguns camaradas e amigos, mas não resolve o problema do Chouso conventual, do Laranjal do castelo e das encostas nascente e sul da Mata. Para já não falar da Ribeira dos 7 montes, nem da nascente da Charolinha.
Só quando a água voltar a correr todos os dias nos Pegões, da Boca do cano até à Torre de Dª Catarina, como aconteceu durante mais de três séculos, é que teremos de novo em pleno o tradicional eco-sistema, com as encostas verdejantes e a queda de água da Racha.
Uma vez que a direcção do Convento de Cristo não se tem mostrado muito interessada na urgente e indispensável requalificação do aqueduto filipino, que é parte integrante do monumento, se calhar por ter sido obra dos reis espanhóis, resta à Câmara, incluindo a oposição, reivindicar junto do governo central a gestão integral do Convento. Não só por ser necessária e justa, mas também porque já há outros exemplos por esse país fora.
Se os monumentos de Sintra e Queluz, por exemplo, são geridos com geral agrado pela empresa pública "Parques de Sintra Monte da lua", com a participação da autarquia sintrense, porque há-de ser diferente em Tomar? A situação actual é muito pouco justa. A Câmara tem de assegurar os acessos, o estacionamento e a iluminação do monumento, mas as receitas das entradas, agora a 10 euros por pessoa, são arrecadadas pela nova empresa pública Museus e monumentos de Portugal, sem qualquer percentagem para a autarquia, que se vai calando. E, como bem diz o povo, "quem cala consente".
Estão à espera de quê, senhores autarcas? O ano passado visitaram o convento 311 mil pessoas. Mesmo excluindo as "borlas", sempre serão para aí dois milhões e meio de euros de receitas. Não fazem falta em Tomar, designadamente para financiar os tabuleiros? É tudo na área do turismo. Na extrema-esquerda ninguém gosta, mas as coisas são o que são.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2024


Clima de insegurança na cidade

Procrastinar para continuar a governar-se

O texto seguinte tenta ser um exercício de análise política a nível local, feito por um amador. O autor nunca foi nem é jornalista ou analista político, mas tem alguma experiência de vida e, de acordo com os tradicionais parâmetros escolares, "compreende o que ouve e lê quando escrito em português; expressa-se oralmente e por escrito com alguma correção." Acrescente-se que não tem qualquer interesse particular em "dizer mal" ou "dizer bem" da política ou dos políticos locais, simplesmente porque já não tem idade para ser candidato ou participante activo. Dito isto, vamos aos factos.
Desde há anos que se sente na cidade um desconfortável clima de insegurança, sobretudo nos bairros sociais, mas não só, provocado por incidentes com origem sobretudo na comunidade cigana local. A situação tem sido agravada por queixas de moradores nalgumas zonas urbanas, mas também por inconfidências de alguns agentes da autoridade que asseguram haver ordens superiores, com origem na autarquia, no sentido de usar de benevolência para com a comunidade calé.
Procurando ultrapassar pela positiva um tal estado de coisas, a oposição do centro para a direita tem-se esforçado, embora não o suficiente, no sentido de se instalar na cidade um sistema de videovigilância, naturalmente ligado às e vigiado pelas forças de segurança. 
A partir do momento em que houve deliberação para implementar a videovigilância, tem sido evidente a manobra camarária no sentido de ir protelando, alegando a colaboração com a PSP e a necessidade de escolher o melhor material ao mais baixo preço. Na verdade, ansiando por câmeras capazes de filmar só a realidade conveniente, coisa que infelizmente ainda não há no mercado.
Após meses adiando, quando se começou a tornar incómodo tanto empenhamento em não instalar o pretendido sistema, mudou-se de argumentação:


Aceitando de bom grado esta justificação, pois tratando-se de dinheiros públicos a parcimónia nunca é demasiada, admite-se naturalmente que não se trata de evitar a todo o custo que possam aparecer imagens menos agradáveis de videovigilância antes das próximas eleições. Surge todavia uma pergunta pertinente, mas talvez desconfortável: Nessa nova lógica de fracionamento de gastos dos previstos 500 mil euros, caso o PS ainda esteja no poder, a próxima Festa dos tabuleiros, com um custo previsível da ordem dos dois milhões de euros, também vai ser por fases, tipo saída das coroas em 2027, cortejo dos rapazes em 2028, jogos populares em 2029 e assim sucessivamente? Aguardam-se esclarecimentos a respeito, pelo menos durante a próxima campanha eleitoral, dentro de dez meses...




Nómadas SDF e sem abrigo

É para rir ou para chorar?

Mais um tema tomarense de contornos bizarros. Quando na Assembleia municipal o presidente de Além da Ribeira-Pedreira se queixa da falta de informação sobre as contas dos tabuleiros, que já foram há ano e meio, surge outro berbicacho.
Num inquérito a nível nacional sobre realojamento de sem abrigo, Tomar aparece em 5º lugar, com 48 realojamentos, tantos como no Porto e mais que em Coimbra, com 45:

(Copiado de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.)

Tomar com 48 sem abrigo, ou SDF, em 2023? É realmente estranho, como escreve TNR. Deixem-se de exageros. Tomar é à escala europeia uma vilória de 5ª categoria, com um único ponto de interesse -o Convento de Cristo-Património Mundial. Nunca teve, não tem nem virá a ter, salvo alguma tragédia, dezenas de sem abrigo, segundo a definição europeia.
Salvo melhor opinião, que a distância tolda-me a vista, ocorreu neste caso um episódio de simples iliteracia, ou melhor dizendo, em linguagem chã, uma burrice. Os 48 sem abrigo realojados em 2023, terão sido afinal os últimos a sair do acampamento de Flecheiro. Só que os ciganos dos acampamentos precários não são sem abrigo ou SDF, mas simples nómadas em alojamentos transitórios.
É claro que os senhores engenheiros sociais da zona vão alegar que "vai tudo dar ao mesmo", como é costume. Mas estão enganados, como demonstra a aberração de Tomar com tantos realojamentos como o Porto e mais do que em Coimbra. Estão a tentar enganar quem?
Sem abrigo, SDF ou sem casa é alguém vítima de algum percalço. Já teve alojamento fixo mas perdeu-o, por doença, desastre, desemprego ou outro. Pelo contrário, os ciganos são considerados em toda a Europa como nómadas ou "gente da viagem", autorizados a acampar provisoriamente em terrenos públicos, como aconteceu em Tomar.
Mas também pode dar-se o caso dos citados 48 sem abrigo serem já mais uma  consequência nefasta da problemática política municipal de realojamento seguida em Tomar. Ao tomarem conhecimento de que nas margens nabantinas entregam casas ao preço da chuva no inverno, a quem se inscreve na autarquia, aproveitaram a boleia. Se foi o caso, como eu os entendo! É aproveitar enquanto está a dar.
Aguardam-se esclarecimentos por banda da autarquia, certamente debalde, pois Tomar a dianteira 3 aguarda outros desde Fevereiro deste ano. De qualquer modo, este tema dos realojamentos faz parte do amplo acordo da geringonça local, pelo que não se pode criticar. Prova disso é este comentário de um conhecido CDU nabâncio:

"O título da noticia coloca logo uma suspeita sobre a mesma: “Ação Social diz que…”. Se o pretenso jornalista tem dúvidas, devia esclarecer antecipadamente. Tomar na Rede parece ser cada vez mais um manifesto de oposição (às escondidas) quando devia ser um local de informação independente."

(Copiado de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.)



domingo, 22 de dezembro de 2024


Obras extravagantes no Convento de Cristo

Que gente somos afinal?

Quando há tempos anunciaram obras extravagantes na parte mais antiga do Convento de Cristo, a Alcáçova templária e os Paços do Infante, estranhou-se que não tenha havido antes apresentação pública e debate dos projectos, ao contrário do estabelecido pelas directivas da UE, que financia o empreendimento no quadro do PRR.
Igualmente bizarro foi o surgimento de um movimento cívico para a salvaguarda do "jardim formal" da entrada do Convento, sob a forma de uma petição pública, cujo texto não é da melhor qualidade, contém inverdades e contribui naturalmente para descentrar a atenção, apesar de mencionar o problema das obras com projectos conhecidos apenas pelos iniciados.
Decorrido mais de um mês, verifica-se que a dita petição para a salvaguarda do jardim formal do Convento de Cristo conseguiu apenas até agora 192 assinaturas. Porquê? Tomar a dianteira 3 é um blogue maldito, boicotado por quem se sabe, e mesmo assim averba todos os dias mais de 200 visualizações. Nestas condições, para quê tentar arranjar à pressa  movimentos ditos cívicos, cuja orientação política é geralmente conhecida, e que apenas contribuem para desviar a atenção do essencial?
Numa outra vertente do problema, cabe perguntar: Que gente somos afinal? Anunciam obras extravagantes e inadequadas de milhões de euros no principal monumento da cidade e da região, e ficamos quase todos calados? Como diz o povo no seu vernáculo, "cagam-nos e mijam-nos em cima e o pessoal amocha?" A Câmara não tem nada a dizer? A oposição PSD também não? E a Assembleia municipal? Dos outros partidos nem falo, por saber o que a casa gasta.
É sabido que há na prática uma "geringoncinha" em Tomar, desde 2013. Mas tudo tem limites, pessoal da extrema esquerda. A cadela começa a não poder com tanto cão, vítima de impostores políticos muito calejados, porém de outra época e outro local. Boicotem, mas depois não se lastimem, nem estranhem que por aqui se pergunte de quando em vez Que gente somos afinal? Há eleições dentro de 10 meses e, como disse o presidente americano A. Lincoln, "é possível enganar as pessoas durante um certo tempo, mas impossivel enganar todos durante toda a vida." Vão tomando nota, por favor.
Votos de bom Natal para todos, mesmo para os incréus.





sexta-feira, 20 de dezembro de 2024



Divorciar freguesias casadas pela Lei Relvas

Comédia burlesca 

na Assembleia Municipal de Tomar

É bem sabido que, sobretudo nos países latinos e latino-americanos, a política tende por vezes para o folclórico, com eleitos nos papéis de comediantes, a irem para o espalhafato escusado. Foi o que aconteceu na AM de ontem, porque dentro de 10 meses há eleições e convém ir dando nas vistas.
Num país de pouco mais de 10 milhões de habitantes e com 308 concelhos, há milhares de Juntas de freguesia, cuja existência não tem grande justificação nos tempos que correm. Com as novas tecnologias, bastava um eleito ou um funcionário com o respectivo terminal informático, em contacto permanente com a Câmara.
Consciente de tal situação, Miguel Relvas conseguiu em tempos a aprovação na AR de uma lei de redução de freguesias, por união livremente consentida. Não foi nada fácil, mas algo se alcançou. Em Tomar, por exemplo, havia 16 freguesias e passou a haver só 11. Mas foi sol de pouca dura. Somos um país de pequenas rivalidades entre iguais, de forma que algumas dessas uniões livres cedo se revelaram problemáticas, de tal forma que houve necessidade de nova lei, permitindo o divórcio dos casados pela Lei Relvas.
Azar dos azares, nem todos os pedidos de divórcio foram aceites pela competente comissão da AR, entre os quais o da União de freguesias da Serra e Junceira, "um ninho de fachos" como dizia a extrema-esquerda, logo a seguir ao 25 de Abril. E houve comédia de má qualidade na recente sessão da Assembleia Municipal.
Para evitar mal entendidos, estamos a falar de uma união de freguesiaa com apenas 1,704 eleitores inscritos, alguns residindo na capital e inscritos na santa terrinha apenas por razões sentimentais. Nada contra, mas convém saber. De tal forma que, nas últimas autárquicas, 807 eleitores não votaram, 17 votaram nulo e 43 não fizeram a cruzinha, entregando o papel em branco. Por conseguinte apenas 837 votos válidos. E mesmo assim querem separar-se? Para haver dois presidentes eleitos com menos de 400 votos cada um, em vez do modelo actual? Tenham dó!
Sentindo-se ultrajado, o eleito da Serra-Junceira, um ex-policial da PJ, do melhor que há na actual AM, resolveu abandonar a sessão de forma espalhafatosa, em sinal de protesto. Está no seu direito, é evidente. Noutro país, e até noutro concelho, logo lhe teriam dito, à maneira espanhola, "no hay para tanto". Em Tomar, contudo, a evolução foi outra.
Atrapalhação evidente na bancada social-democrata,  e um brilharete deslocado do representante da CDU, que resolveu apresentar uma proposta no sentido de se discutir o caso da recusa da cisão, registado na Assembleia da República. A proposta foi aprovada, de forma que lá vamos ter mais algumas intervenções tipo "serrar presunto", uma vez que a CDU teve 20 votos na freguesia em 2021, e o BE 28. No conjunto, 48. Menos 23 que o Chega. Sem surpresas. Vai ser um debate sobretudo para "arranhar os tomates" aos social-democratas.
Com tantos problemas graves,  na cidade e nas freguesias rurais,  do saneamento ao estacionamento e do acolhimento ao equipamento, passando pela poluição do rio, a falta de limpeza pública e o mau estado dos jardins, é uma lástima assistir a cenas como esta da recente sessão da AM, com alguns dos melhores a desperdiçarem tempo com problemas menores. Se a isso juntarmos o péssimo sistema eleitoral que temos, o qual só permite escolhas em listas, compreende-se que haja cada vez menos votantes. Nas zonas urbanas, metade já não vota. Por este caminho, para onde vamos?


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Durante anos, tomarenses que pensam têm-se interrogado, para além do punho da espada: Para onde vai o Gualdim com o processo na mão? O orçamento para 2025 agora em debate faculta a resposta. Vai-se queixar ao sr. vigário, mesmo em frente, porque o documento camarário não agrada nem ao menino Jesus, apesar de estarmos no Natal.

Orçamento municipal para 2025

Contas feitas, somos mesmo os pelintras da zona

"Desconfiando de tal versão, após ter lido as declarações de voto social-democratas, fui procurar perceber a situação geral na região. Comparando Alcanena com Abrantes, Ourém e Tomar, o orçamento oureense é de 78 milhões, o de Alcanena de 66 milhões, o de Abrantes de 62 milhões e o de Tomar de apenas 59 milhões. Ou seja, já fomos liderantes no norte do distrito. Agora estamos em 4º lugar quanto a orçamento. Mau sinal. Muito mau mesmo. Tem sido sempre a descer. E continua! como dizia o outro."
Se leu e descodificou o parágrafo supra, copiado da crónica anterior, ficou com uma ideia do posicionamento de cada uma das autarquias em relação à respectiva capacidade de investimento=despesa. O chamado efeito pulmão. Assim, Ourém destaca-se ao ascender ao 1º lugar na zona norte do distrito, enquanto Alcanena surpreende, ao colocar-se em segundo lugar.
Há contudo aquilo a que os economistas costumam chamar a ilusão dos grandes números. Ou seja, perante grandes números, a falta de hábito leva o leitor comum a conclusões incorrectas. Neste caso, por exemplo, fica-se com a ideia que Ourém e Alcanena estão bem acima de Abrantes e Tomar, quanto a despesa por eleitor inscrito. Será mesmo assim?
Dividindo o total do orçamento/despesa pelo número de eleitores inscritos, obtém-se como é lógico a despesa por eleitor inscrito. Efectuada a operação, eis os resultados:

ALCANENA 5.625€/eleitor inscrito
ABRANTES 1.962€/eleitor inscrito
OURÉM.......1.908€/eleitor inscrito
TOMAR.......1.740€/eleitor inscrito

Afinal, ao contrário da ideia inicial, só Alcanena se destaca nitidamente, prevendo vir a gastar quase o triplo de cada um dos outros concelhos, caso o orçamento venha a ser executado na sua totalidade. No segundo grupo estão Abrantes e Ourém, com aquele a gastar um pouco mais por eleitor, apesar de como vimos Ourém liderar a série. Efeito da variável "eleitores inscritos". O total orçamentado por Ourém impressiona, por ser o mais elevado da zona, mas uma vez dividido pelo total de eleitores do concelho, representa afinal uma previsão de despesa por eleitor inscrito ligeiramente inferior a Abrantes.
E chegamos à nossa querida terra e aos nossos amados eleitos. Com uma despesa prevista de apenas 1.740€/eleitor inscrito, que é nitidamente a mais modesta da zona, certamente não iremos longe. Tanto mais que é bem conhecida a tendência da actual maioria para esbanjar em festas, festarolas e obras ornamentais, tudo para dar nas vistas e sem retorno transacionável. Os totais apurados mostram, quando comparados, que somos afinal, infelizmente e cada vez mais, os pelintras da zona norte do distrito. Desculpa lá ó Gualdim, mas é mesmo assim.