Imagem copiada de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.
Avacalhamento nabantino
Cada cavadela cada minhoca
No mesmo dia, com poucas horas de intervalo, o Tomar na rede, a única informação relativamente livre que resta em Tomar, prenda os seus leitores com duas notícias na área da cultura e do património, que evidenciam o avacalhamento cívico a que já se chegou na urbe templária.
A primeira dessas notícias é sobre a roda do Mouchão, cuja estrutura cedeu ao uso demasiado intensivo. Antes do açude permanente, (que não agrava eventuais inundações, segundo garantiu a srª ex-presidente), a roda não funcionava entre Outubro e Abril, o que permitia a manutenção anual.
Para melhorar a condição laboral de alguns funcionários camarários, uns escravos do trabalho, como todos bem sabemos, abrigados todos os anos a montar e desmontar o açude tradicional, a autarquia recorreu a meios externos, que instalaram um açude fixo, e estava o assunto resolvido, julgavam os socialistas da geringonça de facto.
Mas não está. Sucedem-se os percalços. Aqui há tempos a roda empenou, mais tarde faltaram alcatruzes e agora a estrutura está a pedir cuidados urgentes. No Mouchão, cujo aspecto geral deixa muito a desejar, devido aos desmandos da vereadora Filipinha, e que a maioria socialista continua a desprezar, preferindo continuar a acusar o malandro do Paiva de ter acabado com o sistema de rega tradicional por regadeira com água da roda, que era mais ecológico e barato, em vez de providenciarem a mudança. É o avacalhamento dos políticos locais, que não tarda estão em pleno abandalhamento, quiçá sem disso se darem conta.
Logo ao lado, no ex-estádio, notícia o José Gaio que apareceu uma nova pintura mural. A maioria socialista local parece gostar muito dessas coisas. Já em tempos encomendaram e pagaram aquela beleza a que chamaram "Velhos do Restelo", que orna o muro da velha Horta Torres Pinheiro. Com o tempo, não sei se os tomarenses -alguns pelo menos- já terão atingido o carácter reles da coisa. Mas gostos não se discutem. N'est pas Da Vinci qui veut.
Nessa mesma linha, aparece agora outra pintura mural (quanto terá custado aos cofres da autarquia?), cuja qualidade não vou aqui discutir, pois já não alcanço coisas assim tão modernas. Há no entanto um detalhe que me deixou na dúvida: vê-se uma cruz da Ordem de Avis em fundo azul, quando é do conhecimento geral ser o verde a cor daquela ordem. A minha pergunta é simples: qual a ideia e porquê? Tanto mais que nas obras espalhafatosas da Várzea grande aparecem na calçada umas cruzes da Ordem de Malta, que nunca percebi o que estão ali a fazer. Alguém pode me explicar? Ou é parte integrante do tal avacalhamento, considerar que cruzes templárias, de Cristo, de Avis e de Malta, "vai tudo dar ao mesmo"?
ADENDA
Se fizerem o favor de reparar com alguma atenção nas fotos oficiais dos presidentes da República, notarão que há em todas elas uma faixa tricolor na diagonal do peito. Significa que, por inerência da função, é também grão-mestre das três antigas ordens de cavalaria portuguesas -azul representa a Ordem de Santiago, verde a de Avis e vermelho a de Cristo, sucessora dos templários.
"O título da noticia coloca logo uma suspeita sobre a mesma: “Ação Social diz que…”. Se o pretenso jornalista tem dúvidas, devia esclarecer antecipadamente. Tomar na Rede parece ser cada vez mais um manifesto de oposição (às escondidas) quando devia ser um local de informação independente."
(Copiado de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.)