sábado, 5 de agosto de 2023



Vida local

É a época do papa, mas do outro, do papa-figo


Que é como quem diz, tempo de férias e dos figos. E, mesmo queixando-se do custo de vida e do dinheiro, cada vez mais raro, muitos preferem viajar, buscando nalguns casos outros alfabetos, ilegíveis mas muito mais baratos. Foi neste quadro que houve uma Assembleia municipal, na freguesia de Paialvo, tendo como ponto central "o estado do concelho". Vasto assunto, que segundo alguns escritos posteriores, foi mal abordado e pior preparado. Ou vice-versa?
Estavam à espera de quê? De milagres, devido à vinda do Papa? Todos sabemos que tem havido no concelho, até agora, apenas dois partidos vencedores. "Do arco da governação", como se diz para as bandas de Lisboa. Tão iguais na acção, que apenas o nome difere. De tal forma que quando um ocupa o poder, o outro evita levantar ondas altas. Só anãs. Diz que não, mas sempre assim tem sido. Se a isto acrescentarmos que um não tem projecto local e o outro também não, está explicado o malogro relativo da AM que, de qualquer forma, sendo as coisas aquilo que são, já mostrou existir apenas para ornamentar, fazendo de conta.
Num tal quadro, tão pouco auspicioso, as pequenas formações vão-se sentir melindradas, alegando que fazem o que podem. Reconhece-se que fazem, mas é demasiado pouco. Ainda para mais, (que no caso é para menos), de cada vez que o partido maioritário está em apuros, por não ter maioria absoluta na AM, há sempre uma pequena formação caridosa que lhe dá a mão, a troco de uns subsídios jeitosos a colectividades amigas, que passam momentos difíceis. Foi assim nomeadamente na questão do preçário da Tejo Ambiente, ou na aprovação do provedor municipal, para não ir mais longe.
Com semelhante ambiente, só pode estranhar-se que, numa altura de férias, e a dois anos do final do mandato uma dessas pequenas formações políticas, ocasionalmente colaborantes por conveniência, venha agora pugnar pelo retorno ao início, na infeliz aventura da Tejo Ambiente. Todos sabemos, (é uma maneira de dizer), que a situação não é boa e vem exigindo medidas saneadoras urgentes, enquanto a água ainda corre nas torneiras. Mas daí a implicar a saída do município de Tomar e o regresso dos SMAS, vai uma distância que muito poucos querem percorrer.
Assim, enquanto as formações partidárias representadas na AM insistirem nos jogos florais do costume, em vez de elaborarem e apresentarem propostas globais adequadas e com futuro, não devem estranhar o péssimo contexto político local. A situação está de tal forma degradada que, para além da transmissão em directo nas redes sociais, seguida por muito pouca população, quase ninguém se interessa pelos trabalhos do parlamento local, cuja monotonia usual é bem conhecida. Ainda nem consegui perceber o que terá levado um semanário local a quebrar o silêncio do costume, fazendo desta vez um relato aceitável da sessão de Paialvo, justamente quando não ocorreu nada de extraordinário. Falta de outro assunto "para encher"?
Ando há dias para me lembrar do nome daquele sucessor do "camarada grande educador da classe operária", Arnaldo Matos, líder do MRPP, que numa memorável entrevista teve a coragem de descrever a situação política tal como a via, e que no meu entender não difere muito da actual em Tomar: "É tudo o mesmo putedo, senhor Alfredo!" Desculpem lá a franqueza, mas não consegui calar por mais tempo, sabendo que assim pensam também muitos dos meus queridos conterrâneos, embora o escondam. Incluindo alguns daqueles que vão continuando a lamber botas, como forma de ganha-pão. Precisão, a quanto obrigas!


sexta-feira, 4 de agosto de 2023

JMJ e festarolas à borla

A coerência nunca fez mal a ninguém


Gosto de ler e leio muito. Todavia,  nem sempre gosto do que leio. Seguem alguns excertos de intervenções do conterrâneo Alfredo José, que leio sempre com grande satisfação e simpatia.

"Não sou contra as JMJ. sou contra sim, que o dinheiro dos nossos impostos mais uma vez cubra os desvarios de políticos, que não têm o mínimo respeito pelos contribuintes, pelos que trabalham. A Igreja Católica, tal como os partidos políticos, não pagam impostos, logo deviam pagar as festarolas."

Alfredo José, Facebook, 04/08/2023

"Em comparação, a grande Festa dos Tabuleiros, com a grande dimensão que sempre teve, esteve, para uma pequena cidade, muito bem. Só que em Tomar por motivos de politiquice, está sempre tudo mal. Atenção, não defendo partidos nas autarquias, apenas critico o que se faz bem ou se faz mal. Mas em Tomar a fama já vem de longe. Se se faz é porque se faz, se não se faz é porque não se faz."

Alfredo José, Facebook, 03/08/2023

Afinal em que ficamos, respeitável cidadão e conterrâneo Alfredo? A festarola de Tomar  esteve muito bem e a de  Lisboa muito mal, porquê?
1 - Porque a de Tomar só custou à Câmara um pouco mais de um milhão de euros, e a de Lisboa muitos milhões?
2 -Porque em Lisboa, na câmara, governa o PSD e em Tomar o PS?
3 -Porque Sua Santidade o Papa é idoso e a Dona Anabela muito mais nova?
4 -Porque em Lisboa pode-se criticar, por ser a capital, mas em Tomar já não, porque é  província?
5 -Porque o senhor tem o direito de criticar, mas os outros nabantinos não têm esse mesmo direito?
6 -Porque em Lisboa esteve muito mais gente que em Tomar?
7 -Porque em Tomar as bebidas são geralmente mais acessíveis?
8 -Porque as portadoras de tabuleiros são em geral mais idosas que as peregrinas das JMJ?
9 -Porque o Papa não vem a Tomar, numa flagrante injustiça, pois foi aqui que foram preparados e financiados os descobrimentos, que permitiram a expansão do catolicismo pelo Mundo?
10 -Porque a organização tomarense mostrou ser melhor que a lisboeta, apesar das falhas publicadas?

Continuando a citá-lo, respeitável cidadão e estimado conterrâneo Alfredo José, "Eu parei de me explicar quando percebi que as pessoas entendem apenas no nível de percepção delas", escreveu o senhor no Facebook. Permita-me que me sinta ofendido. (porque "quem não se sente, não é filho de boa gente"), se agora não se explicar, neste estranho caso de evidente incoerência, de dois pesos e duas medidas, duas festarolas à borla, uma muito boa e outra muito má, pois isso significará implicitamente que me considera de baixo nível de percepção, sabendo os tomarenses lidos que não é de todo o caso.
Rogo-lhe que aceite os meus antecipados agradecimentos, bem como eventuais desculpas, caso o tenha involuntariamente molestado. Como bem sabe decerto, "Quem anda à chuva, molha-se". Ou, se preferir, quem escreve o que lhe apraz, corre o risco de ler depois o que não lhe agrada. A escolha é sua.
Sem acrimónia, antes com estima e consideração, apesar da normal divergência opinativa,

António Rebelo

 JMJ e Política local

Tão bem apanhado que não consegui resistir

Do Facebook de Ana Paula Pereira, com a devida vénia e os agradecimentos de TAD3:



Turismo e vida local

Se percebem, por favor expliquem-me


Em declarações ao PÚBLICO, um arquitecto lisboeta, reconvertido há dez anos como guia turístico, lamentou-se amargamente. As restrições impostas pela visita do Papa e as JMJ, impedem-no de trabalhar, uma vez que não é possível circular com grupos em grande parte da zona histórica da capital. Justamente revoltado, o profissional de turismo rematou dizendo que não estava surpreendido, "A cidade não está preparada nem para os próprios moradores, quanto mais agora para grandes manifestações como esta."
Aqui em Tomar a Festa dos tabuleiros foi como se sabe, mas as críticas e as reclamações foram poucas, apesar da situação ser semelhante. "A cidade não está preparada nem para os próprios moradores...", havendo por exemplo falta de estacionamento e de limpeza. Mesmo assim, houve apenas algumas críticas leves, no Facebook e aqui no Tomar a dianteira 3.  Os outros não viram nada. O costume, desde 2013. A festa foi um imenso sucesso. Com um pequeno problema. Em 2019, custou pouco mais de 600 mil euros à Câmara, este ano já ultrapassou o milhão de euros. Um detalhe sem importância nenhuma.
Ou seja, perante situações comparáveis, enquanto os lisboetas protestam, os tomarenses calam-se e, pior do que isso, parecem estar contentes, defendendo o stato quo. Como está, está muito bem, parecem pensar. Conservadores? É pouco. Talvez múmias, que por enquanto ainda andam, mas raramente falam. Em qualquer caso, se percebem, por favor expliquem-me. Não quero ofender ninguém, mas também não consigo ficar calado.
Num tal caldo social, uma sumidade local, escrevendo sob pseudónimo, o que mostra a sua coragem, sinceridade e honestidade,  foi categórica ao defecar no Tomar na rede: "Os que criticam têm dois caminhos. 1 - Candidatam-se à Câmara; 2 -Metem a viola no saco e calam-se."
Ideia luminosa e peregrina, coincidente com a vinda do Papa em peregrinação! Como é que ainda ninguém tinha pensado nisso? Há apenas um pequeno óbice, mas coisa sem importância de maior. Em Portugal ninguém se pode candidatar individualmente. Ou arranja apadrinhamento partidário, e vai numa lista cozinhada, ou reúne e apresenta milhares de assinaturas de apoiantes, integrando uma lista independente, igualmente negociada. E com gente como a que há, se é contestatário, resta-lhe enfiar a viola no saco e calar-se. O conformismo em todo o seu esplendor. "Reina a calma em todo o país", como se lia nos comunicados de Salazar, quando se agravava a repressão, na sequência de raros protestos populares. É exactamente isso que pretende o nosso ditador falhado e encapotado. Ou será uma?
Com pascácios assim, torna-se cada vez mais deprimente viver em Tomar, mas ao dizer isto sei bem que estou a perder leitores, que se consideram ofendidos. Tomarense é assim. Só aceita a verdade quando é agradável. Se for incomodativa, é uma ofensa. Pobre terra, pobre gente, como venho escrevendo há anos, e o ambiente político local vai confirmando. Com notáveis excepções, felizmente!
Os leitores que vou perdendo? Escrevo para memória futura e nunca dependi nem  dependo do que escrevo. Por isso, "cantarei até que a voz me doa!" Para mais tarde recordar.


quinta-feira, 3 de agosto de 2023


Engenharia social camarária

Destruída a última barraca 
do acampamento cigano do Flecheiro


Começo por publicar a imagem do grupo municipal, cujo trabalho conjunto permitiu que agora já não haja barracas no Flecheiro. Vai passar a haver relva para passear o cãozinho ao cair da noite, quando o sol já se escondeu atrás do pinhal de Santa Bárbara. Com uma curiosidade já visível. Quando o terreno é acidentado, vêm as máquinas para terraplanar. Ali, como é plano, resolveram acrescentar uns montinhos. Passaremos assim a ter a Mata dos Sete Montes e o Flecheiro dos Montinhos. 
Era uma promessa do PS, que acaba de ser cumprida, ao cabo de 10 anos. Por isso, Vice-presidente, vereador, presidente de Junta, engenheiros, técnicos de serviço social, e outros, posaram sorridentes para a imagem. Merecem os parabéns pela tarefa cumprida, mas isso não os dispensa do que segue, que é apenas uma crítica política, porque os resultados previsíveis não serão os melhores, e aquilo que fizeram ali não foi nenhuma façanha. É para isso que os contribuintes lhes pagam.
Dirão decerto que foi a solução possível, porque não havia outra. Mas havia, e para aí terão de se encaminhar mais tarde. Só falta saber quando. Entretanto, a solução encontrada, uma operação de engenharia social, visando transformar nómadas em sedentários, acampados em residentes e seres humanos em cidadãos, só foi possível e inevitável tendo em conta a preparação académica peculiar dos seus impulsionadores, conjugada com  as opções partidárias socialistas. Aprenderam que proletários, imigrantes, ciganos e outras minorias, são vítimas indefesas do sistema capitalista, uma narrativa política como outra qualquer, e vá de tentar salvar algumas vítimas, o que até agora conseguiram com êxito relativo. O pior é o que está para vir. Mas também posso estar a ver mal. Por favor abram-me os olhos, se puderem e souberem. Deixem-se de preconceitos.
Enquanto tal não conseguem, façam o favor de pensar um bocadinho num caso curioso, relacionado com as alegadas vítimas do sistema capitalista: Porque será que os mexicanos, que têm segurança social e outras regalias, a caminho do socialismo, insistem em fugir para os Estados Unidos, país capitalista por excelência, onde tais benefícios sociais não existem? Serão masoquistas?
Há desde logo, em todo este caso do Flecheiro, uma evidente discriminação pela positiva e uma  óbvia impreparação dos técnicos e dos assistidos. Quanto a  estes, não basta facultar alojamento a quem sempre viveu em acampamentos improvisados. Tem de haver toda uma preparação, nomeadamente em relacionamento social, que até à data não foi efectuada, nem consta que esteja prevista. Que se saiba, as únicas obrigações dos realojados são o pagamento da renda, da água e da luz, e mandarem os filhos à escola. Regra geral, só esta última condição é mais ou menos cumprida, sob pena de deixarem de receber as prestações sociais a que têm direito.
Água, luz e renda de casa bonificada, são um verdadeiro mistério. Na Azambuja vão agora começar a expulsar quem não paga rendas mensais de 5 a 50 euros, segundo O MIRANTE, (ver link infra), mas em Tomar não se consegue saber quanto paga cada família, nem se têm ou não os pagamentos em dia. Perguntou-se à Câmara, em tempo útil e ao abrigo da Lei do direito à informação, quantos alojamentos sociais possui, qual a renda de cada um e quantos não pagam a renda há quanto tempo, mas a resposta foi bem curta. Apenas forneceram o total de alojamentos sociais -220 naquela altura. Porque será?


Temos assim casos evidentes de discriminação pela positiva, havendo cidadãos que são beneficiados em função da sua etnia, como é caso, uma vez que pagam (ou deviam pagar) rendas inferiores às de outros cidadãos, sob pretexto que têm menos rendimentos, quando afinal até têm mais, mas não os declaram. Por esta via, começa a valer a pena, por ser bem mais confortável, deixar de trabalhar e passar a viver das prestações públicas assistenciais e das actividades não declaradas ao fisco.
Tal é o nó do grave problema de convivência dos nossos dias, como se viu há pouco tempo em França. Os privilegiados pelo sistema assistencial europeu consideram-se acima das leis, que por isso mesmo não respeitam, revoltando-se quando as autoridades apenas procuram manter ou restabelecer a ordem e a paz social.
Neste caso do Flecheiro, havendo efectivamente um avanço evidente, bem vistas as coisas, acabaram com um problema (o acampamento ilegal), mas arranjaram vários outros em potência, no Bairro Calé, na Senhora dos Anjos, no 1º da Maio, no Bairro da Caixa e por ai fora, quiçá sem disso se darem conta nos altos escalões.
E daí, já não sei bem. A Câmara acaba de contratar cinco novos técnicos de serviço social, assim como quem compra guarda chuvas em Novembro, quando começa a invernia. Mas a outra solução possível -aquela que sempre defendi- continua disponível. Coragem, precisa-se. Os problemas não tardarão, e serão cada vez mais graves. Como sucede por essa Europa fora, com os mesmos minoritários mal integrados na sociedade.




terça-feira, 1 de agosto de 2023

 

Política local

Autarcas alérgicos a qualquer crítica

Autarquias e bombeiros, os novos tabus – Observador

É bem sabido que temos em Tomar, sobretudo desde 2013, uma maioria autárquica de elevadíssimo gabarito e que nunca falha, com eleitos que por estarem convencido disso e de si próprios, se mostram  alérgicos à crítica. Quando ainda assim algum energúmeno, (na óptica deles), como por exemplo quem escreve estas linhas, ousa comentar de forma menos favorável a actuação de suas sumidades sempre competentes,  a resposta é imediata. Lamentavelmente, em vez de se defenderem explicando, preferem atacar difamando, tipo peixeirada. Avançam que o crítico abusador é um indivíduo lélé da cuca, (eles dizem maluco, porque não são elegantes na linguagem, mesmo os que vestem bem), ressabiado, invejoso, com mau feitio, e que critica tudo e todos, entre outros mimos. Quanto aos seus apoiantes - seus deles, bem entendido- com medo de perder a gamela, vão louvando os benfeitores e amaldiçoando o  desavergonhado, que insiste em macular tão excelentes eleitos. Só não vê quem não quer. É particularmente evidente nos comentários Facebook àquela notícia Rádio Hertz sobre a última barraca do Flecheiro.
Infelizmente para tão excelsos eleitos, e honrados eleitores, habituados a seguir as normas dos seus pastores, vivemos agora, para o melhor e para o pior, numa aldeia global. As notícias viajam muito mais depressa que as pessoas, de tal forma que a actualidade tomarense, daqui a pouco já é conhecida em Vieira do Minho, Paris, Helsíquia ou Tóquio. Mesmo se, para lá de Vilar Formoso, muito poucos estrangeiros são capazes de situar Tomar num mapa do país. Assim, recordando alguns reparos feitos nestas linhas, numa altura em que a líder local, e mentora de tais comportamentos, pouco aceitáveis em democracia, já está noutra, indo agora provar enguias de escabeche e ovos moles para Aveiro, eis o que escreve a jornalista Helena Garrido, no OBSERVADOR de hoje (ver link supra):

"... Mas hoje há autarquias, salvo honrosas exceções, que se concentram menos na qualidade de vida dos seus munícipes, e mais a agradar sem critério às associações, que vão dos bombeiros às coletividades, e ainda mais a gastar dinheiro em festas e festanças, sem que se vislumbre uma estratégia cultural. (Sublinhado nosso) Tudo o resto, vão dizendo que não é competência sua, atirando para outros a sua responsabilidade, ou ignorando simplesmente o problema." E nunca dando explicações para justificar a sua actuação, acrescente-se.

Helena Garrido, Autarquias e bombeiros, os novos tabus, OBSERVADOR online, 01/08/2023.

Só uma pergunta final: Na sua opinião, a Câmara de Tomar faz parte das "honrosas exceções", ou das outras, das gastadoras com subsídios, ciganos, festas e festanças? E você ainda não se arrependeu, caso tenha votado neles? É Tomar a dianteira 3 que diz mal? Ou são eles que não governam de jeito e procuram ludibriar o eleitorado, com uma narrativa já datada?


Conjunto de estudantes-trabalhadores da aldeia de férias Univerland, no Perigord.

Turismo e estudantes trabalhadores

Sobre guias improvisados 

de turismo cultural em Tomar


Foi há pouco notícia na informação local, que jovens alunos do Agrupamento Nuno de Santa Maria acompanham turistas, como guias improvisados, no Convento de Cristo, e prestam informações aos visitantes, numa pequena banca ao fundo da Corredoura. Esta actividade de férias já dura há vinte anos, informa a notícia, acrescentando que tem sido um grande sucesso, de acordo com os organizadores. Como tudo o que se faz em Tomar na área da cultura, se os leitores bem se recordam. Jamais uma actividade cultural "correu mal" na urbe. Nem sequer menos bem. Tudo êxitos atrás de triunfos retumbantes.
Sem qualquer intuito crítico, apenas para facultar informação suplementar útil, segue a tradução de parte de uma reportagem publicada no LE MONDE e assinada por Eric Nunés, obviamente um jornalista francês de origem portuguesa, a julgar pelo nome. Os estudantes franceses mencionados têm entre 18 e 22 anos e já estão no ensino superior. Os alunos de Tomar andarão pelos 15-17 anos.

"NA REGIÃO DO PÉRIGORD - FRANÇA UMA ALDEIA DE FÉRIAS FUNCIONA GRAÇAS AOS ESTUDANTES-TRABALHADORES TEMPORÁRIOS"

"Do Verão como trabalhadores temporários, com salário líquido de 1.450 euros, acrescidos de prémios vários, os estudantes não levam só algum dinheiro e as boas recordações das festas rurais. "Aprender a estar em contacto com todos os tipos de público, não se improvisa. Os estudantes-trabalhadores ocasionais frequentam obrigatoriamente vários módulos de formação, como por exemplo aprender a falar em público  sem apoio escrito", diz-nos Fabrice Durand-Allisé, o director do empreendimento, que todos os anos tem de contratar 150 colaboradores precários, para trabalhar entre Julho e Setembro.
A estudante Solène começa agora a sua quinta temporada estival na Aldeia de férias Univerland: "Este emprego precário, durante as férias, permitiu-me desenvolver capacidades de comunicação. Aprendi a escutar as necessidades dos clientes. Deixei de ser tímida", diz-nos feliz a jovem estudante de direito.
"Os exercícios de oralidade em público, apresentando a aldeia de férias nos campismos dos arredores, com campistas franceses, ingleses e holandeses -que vieram sobretudo para beber à borla- foram muito úteis. Agora sei colocar a voz e despertar o interesse dos auditores. Na Faculdade de direito, sou agora boa aluna nas alegações bilingues." Valor acrescentado académico como...preparadora de crepes e de tostas numa aldeia de férias."

Eric Nunés, Le Monde online, 31/07/2023
Tradução e adaptação de António Rebelo 
UPARIS VIII

Comentário de Tomar a dianteira 3

Gostaria de ter a certeza de que os jovens tomarenses referidos no início, apesar de mais novos, também beneficiam de módulos de formação adequados, antes de iniciarem as actividades estivais, bem como de constante e eficaz acompanhamento pedagógico, por professores e profissionais de turismo, durante as mesmas. Como acontece em França, ou mesmo na China, como tive ocasião de constatar, quando por lá fiz um circuito de 15 dias, com início em Hong Kong, passagem por Macau, Cantão, Xian, Guilin, Xangai, e terminando em Pequim.
Experiências profissionalizantes prematuras, se mal preparadas e sem adequado acompanhamento pedagógico competente, podem prejudicar gravemente a evolução dos adolescentes cobaias, bem como a reputação das entidades envolvidas. Só uma cuidada avaliação posterior poderia eventualmente detectar falhas e traumas, para emendar erros eventuais, mas tal nunca foi feito em Tomar de modo consistente, tanto quanto se sabe. É sempre tudo uma imensa alegria e um enorme sucesso. Uma brincadeira, em suma. Tanto assim que, na banca ao fundo da Corredoura, ora estão dois ou três jovens sozinhos, ora não está ninguém, vindo horas depois um funcionário municipal para empurrar a banca, com rodinhas daquelas das malas dos turistas, até ao prédio Vieira Guimarães.