sábado, 28 de janeiro de 2023


Capturas de ecrã da googlemaps.pt, em 28/01/2023

Rotunda da ARAL

Deixem-se de balelas!

Façam!

O processo é sempre o mesmo, e de tão batido até já fede. Frente a qualquer crítica, as sumidades socialistas que nos pastoreiam, tanto locais como nacionais, recorrem a todos os meios e artimanhas para tentar sacudir a água do capote. O mais corriqueiro consiste em atribuir a culpa a outros, ainda que a alegada ignorância também seja bastante usada. "Não sabia de nada, não me foi comunicado, a pergunta é facciosa, os jornalistas não gostam do meu modo de governar, não é de todo verdade, a oposição só sabe atacar, mas não apresenta soluções, esse senhor só sabe dizer mal...", o rol das tretas é infindável. A tal ponto que até um indiscutível artista na arte de endrominar, como o primeiro-ministro Costa, está totalmente desacreditado, perante uma situação política tão degradada que até o presidente começa a ter dúvidas...
A nível local, uns toscos aprendizes que não chegam nem aos calcanhares do Costa, tendem para as afigurações. Perante a evidente escandaleira da falta que faz a rotunda da ARAL, e respectivos anexos, tentam desdobrar-se em argumentos pouco convincentes. Resumindo, segundo eles, o que foi escrito é tudo mentira, e nunca houve luvas. Ou vice-versa. Com luvas, que este frio não se aguenta.
Sendo assim, pouco adianta esfalfar-se a encontrar mais balelas, ainda com alguma eficácia. Obtenham o terreno e façam a rotunda, porra! É para isso que vos escolheram e vos pagam. Para servir a população e não para se servirem. Tanta treta já irrita, chiça!




Cultura e património

TOMAR A PATRIMÓNIO MUNDIAL? 

PARA QUÊ?

O conceituado economista e mestre em estratégia Sérgio Martins, além de cidadão de fino trato e muita cultura, tem o extraordinário mérito de andar há décadas a malhar no ferro frio nabantino, o que denota um ânimo fora do comum, que aqui se saúda.
Desta vez resolveu dissertar sobre TOMAR  A PATRIMÓNIO MUNDIAL. Está n'O TEMPLÁRIO de 26 /1/2023, página 6. Os seus argumentos são sólidos, conquanto demasiado optimistas, e alguns até excessivamente entusiásticos. Esquecem no entanto o que está para trás, e que aqui se relembra. Em 1983, seguindo as indicações recebidas, elaborou-se e apresentou-se uma candidatura geminada Tomar / Convento de Cristo.
O ICOMOS, e depois a própria UNESCO, acabaram por aprovar unicamente a do Convento de Cristo, alegando que era quanto bastava para promover Tomar. E realmente a nossa imagem turística poderia bem ser "CONVENTO DE TOMAR - PORTUGAL - PATRIMÓNIO DA HUMANIDADDE", ou ainda "Convento de Cristo - Tomar - Portugal -Património da Humanidade". Mas quê?! Sabichões locais na matéria optaram por "Tomar cidade templária" Eles lá saberão porquê e com que intenções.
Não me oponho, mas tão pouco apoio a proposta de Sérgio Martins, simplesmente porque me parece anacrónica e supérflua. Anacrónica porque esse tempo das candidaturas já lá vai. Sei do que falo, porque perdi umas noites a fazer a candidatura aprovada em 1983, que até hoje ninguém me agradeceu, nem é preciso que o venham a fazer, pois não trabalhei com essa intenção. Basta-me estar bem com a minha consciência.
Supérflua também porque, uma vez aprovada, teríamos o quê como imagem? Tomar- Património da Humanidade e Convento de Cristo - Tomar - Património da Humanidade? Um bocado confuso, ou não?
O que faz falta a Tomar nesta altura, digo eu, não é mais um título internacional, por muito prestígio que tenha, mas uma estratégia desenvolvimentista, nomeadamente na área do turismo.
Infelizmente, 40 anos após a autorga pela UNESCO do título de Património da Humanidade, o Convento de Cristo no seu todo está bastante melhor na área da conservação e restauro, mas uma desgraça na área da gestão turística, quando até existe no IPT uma licenciatura nessa área. 
Antes de 1983, todas as visitas eram gratuitas e guiadas. Agora, custam 6 euros por pessoa e para ter um guia de competência muito variável,  só requerendo com dias de antecedência. Isto para não falar da falta de sinalética, de acessos capazes, de estacionamento e de instalações sanitárias. Ou de horários de função pública, inadequados para o turismo. E falta uma ligação rápida não poluente Convento-cidade-Convento. Tudo isto perante o alheamento total da Câmara. Até parece que o Convento não faz parte da cidade e do concelho.
Em conclusão, obrigado Sérgio Martins por continuar a batalhar, mas desta vez parece-me que visou um alvo já ultrapassado.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Junta da Freguesia Urbana

É no campo 

que se distinguem os bons jogadores...

TOMAR – Festa dos Tabuleiros. Todos os que esperavam na rua tentando a sua sorte para levar tabuleiro, podem dormir tranquilamente em casa | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

https://tomarnarede.pt/sociedade/sistema-de-senhas-evita-que-candidatos-aos-tabuleiros-passem-a-noite-ao-relento/

Ora aí está! É no campo que se distinguem os bons jogadores. Ou, se preferirem, é no palco que se revelam os verdadeiros artistas. Num movimento que me abstenho de qualificar, porque prometi anteriormente não me intrometer nas questões da Festa dos Tabuleiros, até 11 de Julho próximo, dezenas de pessoas começaram a aglomerar-se junto à porta da sede da ex-Junta de Freguesia de Santa Maria, para marcar vez e depois ter direito a levar um dos 145 tabuleiros ainda disponíveis, a armar pela Junta urbana.
Franco como sempre, o presidente Augusto Barros manifestou publicamente a sua insatisfação perante a inesperada aglomeração, e a perspectiva de ali terem de passar a noite ao relento, com temperaturas negativas. 
Ignoro se houve ou não concertação prévia, e de quem partiu a ideia. Certo é que o inesperado problema já foi ultrapassado, e está resolvido da melhor forma. Foram distribuídos a todos cartões numerados, que garantem a respectiva prioridade relativa, em função da ordem de chegada, pelo que puderam regressar descansados a suas casas, voltando amanhã para a inscrição definitiva, após uma boa noite de sono.
A hábil política assim manifestada pela junta, mostrou "jogo de cintura" e muita capacidade de adaptação perante imprevistos, como se espera dos políticos em geral, contrariando designadamente um comentador, que já previa "batatada" para a manhã de sábado, à porta da Junta. 
Ultrapassado com êxito o problema imprevisto, resta fazer votos para que futuramente o executivo municipal demonstre igual habilidade para se adaptar à complexa situação tomarense. O tal "jogo de cintura" que caracteriza no palco da vida os verdadeiros artistas, e os distingue dos vigaristas que recorrem sistematicamente a truques entre o rasca e o reles.
Aplausos sinceros para a Junta Urbana! Assim é que deve ser sempre. Resolver da melhor forma os problemas das pessoas. É para isso que são eleitos.

Vista aérea parcial de Santarém

Tomarenses a nascerem em Santarém 

Manter a tradição...

Começando de modo clássico, ainda sou do tempo em que havia uma grande rivalidade entre Tomar e Santarém. Vinha do século XIX, quando Santarém foi elevada à categoria de cidade , em 1868, para ser capital de distrito, roubando a primazia a Tomar, cidade desde 1844. Lembro-me da organização da Feira do Ribatejo, mais tarde Feira nacional da agricultura, ter vindo a Tomar solicitar um subsídio para colocar a bandeira nabantina entre todas as bandeiras ribatejanas, no pórtico da feira.
O então presidente da Câmara, major Fernando de Oliveira, indagou qual era o montante do subsídio pretendido e já informado exclamou: "-Com esse dinheiro ponho os cegos do concelho todos a tocar pífaro, e ainda me sobram uns tostões." E nesse ano não houve bandeira nabantina à entrada da Feira do Ribatejo. Bons tempos! 
Pensava-se que, mais ano menos ano,  a capital do distrito seria em Tomar, a tal ponto que o engenheiro Vilas Boas e outros, congeminaram nas mesas do café Paraíso a criação de uma nova provínc -a Beira Central- com capital em Tomar, e o Templário, então semanário da oposição possível, feito por Nini Ferreira (Papa-Figo)e Alfredo Maia Pereira (Zé Bumba), até chegou a publicar uma ampla notícia sobre a nova província, com mapa e tudo. Foi o oposto que acabou por acontecer.
Nas sessões de teatro de revista, que então tinham lugar em Tomar, aparecia sempre uma cena em que uma personagem perguntava "O que é que Santarém tem?" e outra figura respondia "Inveja como ninguém!" Mudaram-se os tempos, acabaram-se essas sessões (a última, celebrada na Nabantina já depois do 25 de Abril, está na origem do Fatias de Cá que agora conhecemos), foram-se os anéis e foram-nos cortando as unhas. E sem unhas ninguém  toca viola como deve ser.
Santarém não está bem. Vai mesmo de mal a pior. Como Tomar, que entretanto perdeu quantidade de serviços públicos, com destaque para a comarca, que foi para Santarém, e a maternidade, que foi para Abrantes. 
Agora, com a crise crescente no SNS, descobriram mais uma maravilha à portuguesa: o encerramento escalonado das maternidades e serviços de ginecologia e obtetrícia. Um ultrage para os tomarenses que insistem em manter a tradição, designadamente gastando milhões com festas para promover a cidade. Agora, quando acontece virem a ser pais, com algum azar, se a maternidade de Abrantes estiver encerrada, ainda acabam por ver os filhos nascer na de Santarém. A suprema ofensa a um nabantino à antiga. Ter descendência nascida na outrora inimiga de Tomar. Agora também cidade do bispado, quando antes o bispo nabantino era o próprio Papa.
Ninguém pára o progresso. Mas será isto progresso?

Vista parcial de Porto Velho, capital do estado brasileiro de Rondónia. Ao fundo, à direita, o rio Madeira, afluente do Amazonas.

Visita do Papa a Lisboa

Indignação clubística

Chegam aqui a Fortaleza, a sete horas de avião de Lisboa, os ecos da indignação contra o exagerado custo de um altar onde o Papa Francisco vai celebrar missa. Quatro milhões e meio de euros, é realmente um escândalo no país que somos, mas os meus amados conterrâneos, eventualmente indignados, não perderiam nada se pensassem um bocadinho antes de continuarem com a sua atitude de reprovação.
Como é sabido, as obras da Várzea grande custaram mais de três milhões de euros, nunca esteve prevista a vinda do Papa para celebrar missa em S. Francisco, nem muito menos umas jornadas mundiais da juventude católica, excelente promoção para Lisboa, com elevado retorno previsto, segundo o presidente Moedas.
Apesar disso, alguém protestou em Tomar contra as obras falhadas da Várzea Grande? Houve sequer indignação geral? Então porquê tanta celeuma em Tomar, por causa do altar em Lisboa? Porque o Moedas é do PSD, o clube adversário? Certas atitudes clubísticas nem na área do desporto ficam bem, quanto mais agora na política. 
Em vez de tanta indignação clubística, os amáveis (quando calha) conterrâneos, poderiam ter a amabilidade de pensar um bocadinho no seguinte: Porto Velho, no estado brasileiro de Rondónia, a quatro mil quilómetros da costa Atlântica, em plena floresta amazónica, foi fundada há cem anos e tem agora 500 mil habitantes. Em teoria, cresceu à média de 5 mil habitantes/ano. Tomar tem 863 anos e cerca de 40 mil habitantes, praticamente a mesma população de há cem anos. Porque será que os tomarenses se reproduzem tão pouco? Se calhar porque gostam mais de se indignar, só para fecundar os adeptos do clube adversário. Feitios!

 


Imagem Tomar na rede, com os nossos agradecimentos

Cruzamento-ratoeira da ARAL

UM REMEDEIO MAL ENJORCADO

https://tomarnarede.pt/sociedade/cruzamento-da-aral-depois-dos-acidentes-camara-aplica-sinalizacao-horizontal/

Acossada pelas críticas, cada vez mais frequentes e ácidas, na sequência de vários acidentes, a maioria PS viu-se constrangida a encontrar uma solução, susceptível de acabar com os ditos no cruzamento da ARAL, que as obras ornamentais transformaram numa ratoeira. Basta ir ao googlemaps.pt para ver a asneira. (Ver imagem supra). A ligação entre a Nun'Álvares e a Torres Pinheiro, ou vice-versa, deixou ser directa e intuitiva, como era antes das obras, e foi transformada numa espécie de S às avessas e muito aberto, um perigo grave para os condutores mais distraídos, ou que não conheçam aquela via.
De tal forma que obriga um veículo, vindo de sul para norte, a mudar para a faixa da esquerda, como se fosse virar nessa direcção, quando afinal pretende apenas seguir em frente, mas deixa de ter faixa disponível mais adiante. Donde resulta que um veículo em sentido inverso, norte>sul, tem de fazer o mesmo. Mudar para a faixa da esquerda, quando queira seguir em frente. O que significa que, com semáforos avariados, faltando sinalização horizontal bem visível, ou em caso de desatenção de um dos condutores, haverá colisão inevitável no eixo da avenida Luís Bonet. Conforme tem vindo a acontecer.
A solução definitiva do problema está à vista de todos. Uma rotunda acabaria com tais incongruências. Acontece contudo que, para a fazer, outros valores mais altos se levantam, porque estamos em Tomar, uma terra em acentuada decadência, tanto a nível material como ético. Factores convergentes indicam que quem quem manda de facto na Câmara, quando se trata de urbanismo, obras municipais e assim, são determinados dirigentes com muitos anos de casa e os vícios inerentes.
No caso, alega a autarquia que não se pode fazer a rotunda alí, porque a família proprietária do terreno do ângulo noroeste se recusa  a ceder uma nesga indispensável. É duvidoso que assim seja, até porque, segundo engenheiros contactados por Tomar a dianteira 3, até seria perfeitamente possível fazer a rotunda, mesmo sem a tal nesga de terreno. Bastaria deslocar um pouco para sudeste, aproveitando o terreno ainda livre de construção.. Mas pensar cansa muito a cabeça. Sobretudo quando há outros interesses em jogo. 
Aprofundando a questão, chegou-se à conclusão que a família proprietária da tal nesga de terreno, possui no local dois estabelecimentos de alojamento turístico, o Central Family Palace e o Granmy's Flat. Cujos projectos de requalificação, les choses étant ce qu'elles sont, devem ter sido apresentados com luvas de alto preço, tipo Louis Vuitton, como forma de assegurar a respectiva aprovação. O que explica a posterior atitude da Câmara, em relação à nesga de terreno. 
Porque afinal, a legislação em vigor até prevê a expropriação por utilidade pública, quando não haja outra via de acordo. A maioria PS está à espera de quê? Teme perder demasiados votos? Os votos da tal família valem mais que os dos condutores prejudicados? Ou estará a autarquia manietada pelos tais técnicos das luvas Louis Vuitton e  Chanel?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A secretária de Estado da cultura, a presidente da Câmara e a directora do Convento, ouvindo um técnico, no claustro de Santa Bárbara.

Tomar 2020/2030

O Convento de Cristo fica em que concelho?

 Secretária de Estado da Cultura anuncia obras profundas de restauro no Convento de Cristo (c/vídeo) | Médio Tejo (mediotejo.net)

A recente sessão da Assembleia Municipal continua a provocar celeuma, e o caso não é para menos. Sucedem-se as acusações de "armadilha política", "esperteza saloia", "pesca de ideias", "propaganda reles", e assim sucessivamente, após se ter verificado que a presidente se limitou a apresentar uma lista de hipóteses de obras financiáveis, sem qualquer enquadramento estratégico que permitisse aferir da sua maior ou menor pertinência.
Mais grave ainda, a lista apresentada à Assembleia Municipal não era exaustiva, longe disso. No link supra pode ler-se que "O Convento de Cristo, classificado como Património Mundial pela UNESCO, em 1983, vai ainda beneficiar de um investimento de 4,4 milhões de euros, no âmbito do PRR, a executar até 2025, que permitirá reabilitar o Paço henriquino e Alcáçova/Castelo, o jardim, os claustros, a Torre da Condessa e o corpo das Necessárias."
Donde se conclui que os tomarenses nada terão a dizer, directamente ou através dos seus representantes, uma vez que a Câmara nem sequer julga útil pronunciar-se, ou apresentar o assunto para debate na Assembleia Municipal. Apesar dos projectos governamentais anunciados ignorarem a obra de longe  mais urgente -a recuperação dos Pegões- pondo de novo a água a correr até à Torre Dª Catarina. Porquê? Porque foram os reis espanhóis que os mandaram fazer? É um argumento bacoco, mas em Tomar nunca se sabe...
Obras no valor de 4,4 milhões de euros de fundos europeus, não merecem debate público prévio, assim contrariando as directivas de Bruxelas? Em que concelho está situado o Convento de Cristo? Conviria talvez que a oposição questionasse a maioria PS sobre tão estranho comportamento, que faz lembrar os tempos anteriores a 1974, em que Lisboa decidia e estava decidido. 
Meio século mais tarde, há melhorias, mas não em tudo, como se pode ver. E a srª presidente não poderá alegar, respeitando a verdade, que não sabe de nada. A imagem acima mostra que "estava lá" e ouviu tudo. Agora só falta informar o executivo e a Assembleia Municipal. Ou nem vale a pena, porque regressámos ao manda quem pode e obedece quem deve do sr. de Santa Comba?