quinta-feira, 16 de março de 2023

Imagem Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.

Informação local

Agora o contexto é outro...

Alguém da informação local publicou no seu Facebook esta citação do americano Robert Frost: "Uma parte do mundo é composta por pessoas que têm algo a dizer, mas simplesmente não podem, e outra parte que não tem nada para dizer, mas não se cala." Tribuna do alentejo.
Feitas as leituras anexas, necessárias para melhor entender o texto, conclui-se ser obra da primeira metade do século passado, e referir-se implicitamente à divisão do planeta em regimes ditatoriais ("...pessoas que têm algo a dizer, mas simplesmente não podem...") e governos do tipo ocidental, onde agitadores profissionais procuram difundir doutrinas totalitárias (...que não tem nada para dizer, mas não se cala.")
Transposto para a realidade tomarense de 2023, sem as necessárias cautelas, é um texto enganador. Pode levar a supor que vivemos em regime ditatorial, onde não se pode falar ou escrever livremente, o que obviamente não é o caso. Há, é certo, situações condenáveis de autocensura, provocadas por políticas erradas da autarquia, que exige obediência para subsidiar. Não se citam casos, por serem bem conhecidos. Todavia, a outra parte, que não tem nada a dizer, mas não se cala, é simplesmente algo que não existe nessa acepção.
Quem não se cala, é porque chora ruidosamente, grita, fala ou escreve. Em qualquer dos casos diz alguma coisa, para quem queira e saiba interpretar. Pode é não ser conveniente perceber-se o que diz. Ou simplesmente faltar arcaboiço cultural para tanto. Citar é também uma arte, que exige cautela, muita cautela. Em democracia plena, não há heróis nem mártires, mesmo se condecorados pelo poder local. Cada qual deve limitar-se a cumprir o melhor que puder e souber os seus deveres de cidadania.



quarta-feira, 15 de março de 2023



Militares e funcionários públicos civis

A BANDALHEIRA É INACEITÁVEL

Com a Câmara de Tomar a gastar mais de cem mil euros para reparar os erros cometidos nas obras da estrada da Serra, surgiu uma notícia, insólita neste país desde 1975. No Funchal, treze militares profissionais, metade da guarnição de um navio patrulha da Marinha de Guerra, recusaram embarcar, alegando que a embarcação não tinha condições mínimas de segurança.
Embora possa não parecer, houve em ambas as ocorrências grave falha disciplinar, com contornos de clima de bandalheira. No caso dos militares profissionais, ocorreu desobediência qualificada, ao recusarem cumprir ordens legítimas da cadeia de comando. Não têm por isso qualquer atenuante, quaisquer que venham a ser as alegações justificativas. Nas forças armadas é assim, como sempre foi: obedece-se sem hesitação desde que a ordem seja legítima. Protestos e reclamações só depois, sendo proibidas as manifestações colectivas. 1974/75 foi apenas um epifenómeno sem continuidade, e ainda bem para o prestígio do país e de todos nós.
No caso das obras da Estrada da Serra, é óbvio que ocorreram manifestamente várias falhas graves, da parte dos autores do projecto, dos técnicos que o examinaram e aprovaram, dos eleitos, bem como da fiscalização da obra. Uma vez que na função pública as coisas não são tão rígidas como nas forças armadas, em termos disciplinares, não havendo queixa fundamentada de actos ilícitos, por incapacidade para documentar, e tendo em conta que os eleitos dependem também dos votos dos funcionários, os abusos vão continuar e agravar-se, sem que haja sequer tentativa para endireitar a situação na autarquia. Até que um dia, tantas vezes vai a mosca ao mel, que fica presa pelas asas. Algo raríssimo no país, onde bem sabemos que reina a impunidade.
Já o caso da desobediência qualificada dos militares profissionais da Marinha, tudo parece indicar que vai ser rapidamente resolvido. Nesta altura, a dúvida será entre prisão e expulsão das forças armadas, ou só prisão. Menos seria ridículo, e um convite implícito a mais actos de bandalheira, inaceitáveis nas forças armadas de qualquer país.

ADENDA
Fui militar nos anos 60 do século passado. Estive na guerra, no norte de Angola. (CCAÇ 593) Limitei-me a cumprir o serviço militar, então obrigatório para todos. Foi na tropa que aprendi a obedecer e a mandar. A respeitar e a ser respeitado. A honrar o meu juramento de bandeira, compromisso com o meu país.

terça-feira, 14 de março de 2023



Serviços públicos

APÊNDICES MUNICIPAIS DISTO E DAQUILO 

https://tomarnarede.pt/economia/quem-da-mais-autarquias-em-concorrencia-pela-captacao-de-medicos/

Após oito décadas bem vividas, tenho tendência para procurar ver além das evidências. Quando a Câmara mandou restaurar uns arcos dos Pegões, interroguei-me, por se tratar de uma tarefa do governo, cuja DGPC gere, ou devia gerir, aquele conjunto monumental.
Voltei a discordar, já com mais intensidade, quando anunciaram as obras em S. João Baptista. Visivelmente, dois milhões de euros para comprar votos dos católicos locais. Uma vez que se trata de um monumento à guarda da DGPC, que outra explicação para uma despesa que devia pertencer ao governo?
Entretanto os costistas tentaram transferir para as autarquias algumas responsabilidades governamentais. No ensino, nos assuntos sociais, umas vezes com êxito, outras nem tanto. Com origem numa manifesta vigarice, quando em 2015 culparam os vencedores das eleições de tudo e mais alguma coisa, o governo Costa acabou premiado. É bem sabido que quem semeia ventos, colhe tempestades, e elas aí estão, cada vez com maior intensidade. Médicos, professores, enfermeiros, ferroviários, funcionários judiciais, todos protestam e vão contribuindo para a ruína da já fraca economia portuguesa.
Cansados de tanta bagunça, com o PS negando agora o que antes prometera, para chegar a S. Bento, são muitos os presidentes de Câmara que procuram honrar o seu compromisso de servir quem os elegeu. Nesse sentido, perante a crescente desertificação médica no interior, viram-se forçados a encontrar uma solução aceitável, e começaram os incentivos mensais. Os rebuçados para adoçar a boca aos clínicos.
Mação, um pequeno concelho do Médio Tejo, com apenas seis mil eleitores inscritos, oferece um acréscimo mensal de 2.500 euros a um médico que queira fixar-se lá. Não é caso  único, conforme pode conferir no link supra. Até Ourém, o mais populoso e menos encravado concelho da região, a apenas vinte quilómetros de Leiria, já oferece incentivos de 600 euros mensais, para médicos e enfermeiros.
Onde vamos parar por tal caminho? Está aberta a nova corrida ao ouro, sendo certo que o médico que vai para o concelho A, poderá trabalhar igualmente no B, mas dificilmente num terceiro. Como dizia certo primeiro sargento, "pode-se trabalhar 24 horas por dia, mas depois há a noite." E temos o caso da manta pequena para uma cama grande. Quando se puxa para cobrir um lado, está-se a descobrir o outro.
Com o tempo, tudo indica que vamos ter serviços nacionais, cada um com os seus apêndices concelhios. Exactamente o que os socialistas sempre ambicionaram. Transferir para as autarquias aquelas responsabilidades mais onerosas e complexas, ficando só com as nobres -Defesa, Relações diplomáticas, Justiça e Administração interna.
Não tarda, os incentivos terão de chegar também ao ensino e aos transportes, por exemplo. Já estou daqui a imaginar a Câmara de Tomar a contratar professores, mediante um acréscimo mensal, para assegurar a continuidade das aulas. Ou até a atribuir um subsídio mensal aos ferroviários do Ramal de Tomar, para acabar com as greves na nossa ligação umbilical à capital.
No caso de Tomar, um concelho rico, na opinião da maioria socialista, não haverá problema de maior. Quem distribui subsídios de mais de um milhão de euros anuais, a cerca de 150 associações, mais do dobro das existentes em qualquer outro concelho da região, e faz obras de três milhões de euros só para ornamentar, como foi o caso da Várzea grande, também pode subsidiar os profissionais indispensáveis ao bom andamento da vida local. O problema são os concelhos pequenos e pobres. Quem lhes acode, na nova realidade competitiva? Mesmo os pretensos ricos, uma vez que o dinheiro não é elástico, quando não esticar para tudo, como é? Trocam-se três subsídios a associações, e duas festarolas, por um médico avençado? Ou volta a dizer-se que "a Câmara não tem nada a ver com isso", como tem acontecido com outras desgraças?
Diz-se que "Quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré". O problema tomarense agrava-se, em vez de se ir resolvendo, entre outros óbices, porque há no poder local  lagartixas convencidas de que são jacarés. Uma delas, costuma até dizer que "Ninguém é mais forte do que eu." Poderá ser verdade, mas apenas na respectiva categoria. O resto é só bazófia. E a falta de médicos, por exemplo, não se resolve com balelas.

 


O caso do Flecheiro

Acentua-se a alergia à crítica

É também por isso que chego a temer pela salvação de Tomar. A afundar-se pouco a pouco, como todos podem constatar sem óculos partidários, a situação tende a piorar, e não a melhorar, como seria desejável. O mesmo que se passa com os eleitos da maioria. Desde o início do primeiro mandato que se tornou notória a alergia à crítica, nitidamente por falta de arcaboiço cultural para amortecer os choques.
Tratando-se apesar disso de pessoas frequentáveis, com alguma formação e experiência de vida, seria de esperar que, com o tempo, a tal alergia se fosse esbatendo. Puro engano! É o contrário que está a acontecer. Quanto mais mudam, mais estão piores, diria o povo.
Sobre a questão do Flecheiro, até nestas colunas já se disse que foi uma política corajosa, infelizmente mal executada e sem medir capazmente todas as suas consequências. Pois mesmo assim, aos que mandam não lhes agrada a dissidência. Quem não comunga das suas ideias, é um inimigo a abater, mesmo e sobretudo se for tomarense. Está em causa a manutenção no poder, custe o que custar.
Agora deu-lhes para o ataque disfarçado, tendo por fim desacreditar quem contesta. Um intelectual respeitado, que em tempos foi maoista, mas agora também é anabelista, ao que parece, saiu-se com uma no  Facebook, que só podia lembrar a gente ligada à revolução cultural chinesa. Escreveu ele que, face à evolução do problema, está à espera, e já prevê, que acabem por acusar a maioria socialista local de deportação em massa, estilo Estaline, quando se referem ao realojamento dos ciganos do Flecheiro.
Nem tanto prezado conterrâneo! Deixe-se de exageros pestilentos. O caminho não é por aí. Passa antes por reconhecer os erros, aceitar a crítica e abster-se de malévolos processos de intenção. O pior ainda está para acontecer, e então veremos qual era a linha justa e a outra, para usar prosa caduca. Por agora resta adoptar a velha consigna: "Não responder a provocações."


segunda-feira, 13 de março de 2023

 



Comunicado:


PSD DE TOMAR INICIA 

“VOLTA ÀS FREGUESIAS” EM OLALHAS

A Comissão Política da Secção de Tomar do Partido Social Democrata deu início ao ciclo de visitas às Freguesias, cumprindo uma das principais propostas para este mandato. A primeira visita decorreu em Olalhas, com a presença do Presidente da Junta de Freguesia, Rui Lopes, e do seu executivo.

Esta iniciativa, que conta com a participação dos dirigentes concelhios do partido, vereadores da Câmara Municipal de Tomar, elementos da Assembleia Municipal, autarcas e militantes da freguesia, tem como objetivos visitar os principais projetos e obras nos territórios, ouvir empresários, dirigentes de associações e instituições de solidariedade social, e conhecer as preocupações e ambições dos cidadãos das freguesias.

Nas palavras do Presidente do PSD de Tomar, Tiago Carrão, “com a Volta às Freguesias estamos a cumprir com o nosso compromisso de estar no terreno, a ouvir os nossos concidadãos, para que possamos trabalhar juntos para melhorar as suas condições de vida”, acrescentando ainda que “através desta iniciativa, estamos a obter uma visão mais completa e detalhada da realidade atual do concelho, o que nos permitirá apresentar propostas concretas que vão ao encontro das necessidades e objetivos da população”.

Durante a visita à freguesia de Olalhas, o PSD identificou várias situações a necessitar de intervenção: a colocação de piso antiderrapante em curvas na zona de Aboboreiras; a reparação da estrada que liga Aboboreiras à Dejusta, na freguesia de Casais e Alviobeira, e que permitiria uma rápida ligação entre as duas localidades; a obra do Lar de Olalhas, que visa aumentar a oferta em 20 camas, com um custo estimado de 1.3M€ e cujo financiamento pelo Programa PARES contempla apenas 500 mil€; na localidade de Vendas do Rijo existe a preocupação com a insegurança rodoviária devido aos excessos de velocidade em local de passagem para utentes do Lar, não encontrando a Junta de Freguesia uma resposta satisfatória da parte da Câmara Municipal; a cobertura de rede móvel insuficiente no território da freguesia; a estrada do CM1108 que liga a Ferreira do Zêzere, numa extensão de 1,3 kms em más condições.

Além disso, houve ainda oportunidade para conhecer dois importantes projetos na freguesia: o “Museu das Azenhas”, na antiga escola primária do Alqueidão, integrado no projeto “Rota de Olalhas”, dedicado à promoção do património da freguesia, promovido pela Junta de Freguesia; a Praia Fluvial do Alqueidão, projeto apresentado pela Junta de Freguesia e vencedor do Orçamento Participativo de 2017 que, apesar da obra feita desde o ano passado, continua por inaugurar devido à falta de um parecer da APA que impede a ligação de água e eletricidade e, consequentemente, a concessão do espaço – uma situação que preocupa os autarcas da freguesia que esperam que este Verão a praia já esteja em funcionamento.

 


Cultura popular

Trocadilhos e  outros pecadilhos

Agência de publicidade repesca trocadilho brejeiro sobre Tomar | Tomar na Rede

É do adagiário regional: "Quem vai para Abrantes, deixa Tomar atrás". Uma vez  que o doce regional de Abrantes é a palha homónima, pode dizer-se também, por analogia, que "Quem come palha de Abrantes deixou Tomar atrás", o que não altera grande coisa, posto que se pode deixar Tomar atrás, ficando, ou indo para muitos lados. Para Lisboa, por exemplo, onde vivem milhares de nabantinos, que em vez de deixarem Tomar atrás, fazem o possível para Tomar no sítio mais adequado. Tal como certas senhoras tomarenses, que o pudor impede de citar, as quais na política local tudo têm feito para, no final do mandato, deixar Tomar na frente. E até há quem aproveite, quando possível, para Tomar a dianteira de cada uma delas. Mas garante-se que Tomar a dianteira 3 não tem nada a ver com as três eleitas do executivo. É apenas a sucessão de Tomar a dianteira 2.
A ideia de usar o verbo tomar no lugar do topónimo Tomar, e vice-versa, é bem achada, sem dúvida alguma, porém sem grande requinte, algo popularucha, no ar do tempo, que tudo corrompe. Pode até recomendar-se ao autor da coisa, que no próximo ensejo, em vez de pensar só no canal anal, trate também de Tomar o lado oposto. Depois, se ainda houver para tanto, suba um bocadinho até à cachimónia. Tomar juízo, deve ser algo que por vezes faz alguma falta. Tal como saber manter o sangue frio para Tomar a decisão que se impõe em cada caso.
Pense-se, por exemplo, na complexa posição do pároco da colegiada de Nossa Senhora da Nazaré, que mesmo durante a celebração da santa missa, e cheio de boas intenções, está sempre com ele no Sítio. Exactamente aquilo que vem fazendo cada vez mais falta em Tomar: gente com eles no Sítio, capaz de Tomar conta disto e de Tomar a dianteira, em vez do traseiro. Mas a Nazaré fica a 60 quilómetros.
Mais perto, temos só aquela malta vinda de alhures, de compras pela Venda da Gaita,  à procura do Coito no Cu da mula, agora com passeios vermelhos para facilitar o achamento. Ali, próximo das Cabeças, a nossa capital nacional dos chifres, como o seu nome indica, uma vez que todos os chifres nascem nas Cabeças. Muitos só em pensamento. Sem ofensa para os nabantinocabecenses.

domingo, 12 de março de 2023

Mosteiro de Lorvão - Penacova

Autarquias 

Aqui tão perto e tão diferente

Câmara de Penacova cancela festas do concelho em julho por razões financeiras – Observador

-Olha para o que lhes havia de dar! exclamarão com ar indignado os partidários das festarolas. -Olhem para o exemplo de Penacova, responderão os mais prudentes. E estamos nisto. Num concelho a 95 quilómetros de Tomar, com maioria PSD e 16 mil habitantes, a presidência da Câmara, levada a optar entre obras e festas, escolheu as obras.
Trata-se de um concelho com menos população que Tomar. Cerca de metade. Equivalente à antiga freguesia de Santa Maria dos Olivais. Mesmo assim, a situação parece-me semelhante à do início da pandemia. Em pouco tempo, havia doentes por todo o lado.
Como bem diz o povo "Quando vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho". Quanto mais não seja porque "Cautela e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém."
Vêm aí os tabuleiros, mas depois...