domingo, 6 de outubro de 2024


Feira de Santa Iria - 2024

Perspectiva-se mais um grande sucesso...oficial

A lengalenga camarária é bem conhecida. Foi um sucesso. Vieram milhares de pessoas. Promoveu-se Tomar. Triunfalismo bacoco. E bruscamente, ainda antes do começo, aparece  um imprevisto, que põe em dúvida a habitual cantilena. Segundo a Rádio Hertz, a 15 dias do início da edição 2024, ainda há quatro locais disponíveis no sector empresarial, com candidatura possível até à véspera da inauguração. Ou seja, a adesão empresarial ao evento, a mais importante, está aquém do esperado. Azar.
Temos assim uma situação curiosa. Na cerimónia pública de apresentação do programa da feira, o presidente Cristóvão julgou útil referir que "os princípios de edições anteriores são para manter", sem todavia indicar quais. Havia dúvidas? 
Enquanto isto, a vereadora do pelouro respectivo mencionou a participação das colectividades locais, com destaque para a Universidade sénior na edição deste ano, o que convenhamos é um reforço de peso. Era mesmo o que estava a fazer falta no certame -a presença da universidade da 3ª idade. Sobretudo para modernizar a feira, faz todo o sentido, não faz? É sabido que do velho se faz novo. Mas trata-se de tentar reciclar a Feira ou a Universidade senior, ou ambas?
Seja como for, ainda estão livres os locais de exposição e venda  22b, 22c, 22d e 22e do sector B, de 1,6 metros quadrados a unidade, pela módica quantia de 42 euros cada um. Seis euros por dia num certame de uma semana. (As mencionadas colectividades pagam quanto cada uma?). Mas não pensem os eventuais candidatos que é possível escolher um dos lugares ainda vagos. Era demasiado simples! É a Câmara que atribui cada lugar, de acordo com o regulamento da coisa, e em função da data/hora de entrada de cada candidatura (Dizem eles...). Bizantinices que muito têm contribuído para o extraordinário progresso local, que só não vê quem não quer.

sábado, 5 de outubro de 2024


Estacionamento ilegal na Praça da República

Isto é uma República ou uma choldra?

Foi das notícias mais lidas da semana, senão mesmo a mais lida e comentada de todas. "Carro estacionado toda a noite na Praça da República", no Tomar na rede, conseguiu quase 15 mil visualizações e 105 comentários no Facebook. Praticamente todos de protesto e vindos de gente em geral calada, para não levantar ondas e assim poder manter a mama.
Horas mais tarde, outra notícia do mesmo órgão procurou sossegar a bruscamente exaltada opinião pública nabantina. "Desfeito o mistério do carro estacionado na Praça da República", ficou-se pelas 3.700 visualizações e meia dúzia de comentários. O que mostra que o povo se acalmou, aceitando as coisas como elas são. Tratando-se da segurança do primeiro magistrado da nação, está tudo explicado.
Erro crasso de interpretação. O facto de se tratar do carro da segurança do sr. Presidente da República, em vez de resolver a situação agrava-a. Todos sabemos, ou devíamos saber, que as autoridades, com destaque para o presidente, o governo e as polícias, devem respeitar estritamente as leis em vigor, até para dar o exemplo.
Neste caso espantoso ocorreu exactamente o oposto. Um veículo da segurança do sr. Presidente da República estacionou toda a noite na placa da Praça da República, onde é proibido estacionar, salvo para urgências, cargas e descargas, o que não era o caso. 
Tratando-se do primeiro magistrado da Nação e porque o exemplo deve vir sempre de cima, como convém, um dia destes vamos ver o carro de função do sr Presidente da Câmara estacionado durante a noite à frente dos Paços do Concelho. Ou o carro do sr. Presidente da Assembleia municipal estacionado em plena rua Silva Magalhães, enquanto o dono despacha no prédio da antiga biblioteca.
Os tomarenses não estranharão de certeza, e eventualmente até acharão muito bem, visto que o sr. prior da paróquia já dispõe de estacionamento reservado em permanência, na Rua de S. João, frente à porta da sacristia. Ainda não se chegou ao nível daquela povoação do norte do país, com lugar de estacionamento "Reservado para o sr. prior e esposa". mas já faltou mais.
O que leva a questionar: Somos mesmo uma cidade da República portuguesa? Ou isto é tudo uma choldra, como dizia a personagem queirosiana? Cada qual fará o favor de responder perante a sua própria consciência.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

 

Quando a Várzea grande ainda não tinha sido transformada pelos socialistas numa praça estilo novos ricos.

Para promover Tomar?

Uma feira que esconde outros mercados

Vem aí mais uma edição da tradicional Feira de Santa Iria, um certame que data do tempo da dinastia filipina, esfrangalhado já depois do 25 de Abril e pouco confortável para os visitantes, que têm de andar do mercado para o deck, e daí para o que resta da Várzea grande passando pela Rua dos Arcos, de onde nunca devia ter saído a multi-secular Feira das passas, único sector com tradição a nível nacional, que vem sendo abandalhado desde 74, sem proveito para ninguém. Só Torres novas é que tem sabido como agir, com a sua Feira nacional dos frutos secos.
Apresentando o certame 2024, o presidente Cristóvão julgou útil acentuar que "os princípios das edições anteriores são para manter." Que princípios? Porquê? Para quê? A informação local não perguntou, naturalmente porque o açaime municipal não consente, de modo que ficamos na mesma.
Há ainda assim uma vertente tão evidente que só passa despercebida aos olhos dos conformistas tomarenses, que são muitos. Trata-se da chamada animação cultural da feira. No tempo das câmaras PSD ou AD, havia uma comissão, mas toda a parte musical do certame estava a cargo da Rádio Cidade de Tomar, naturalmente sem encargos para o orçamento municipal.
Tal como fez com os bombeiros, a gestão PS municipalizou os espectáculos musicais da feira, cujos artistas contratados por ajuste directo são agora pagos pelo orçamento municipal, sem que sejam evidentes as vantagens daí advenientes, excepto quanto a compra de fidelidades e de votos. Mas as explicações tardam em aparecer... como habitualmente.
A oposição que temos não se interessa por estas coisas, que considera menores, em relação às vantagens que vai sacando para as colectividades amigas e/ou os artistas da cor, mas algum dia virá em que a gravidade da crise obrigará finalmente a debater o assunto, procurando então vias para reabilitar uma feira que já é praticamente um cadáver adiado. A feira ainda respira porque ligada à máquina camarária dos euros, mas está cada vez menos capaz de promover a cidade e o concelho, oficialmente o seu grande objectivo. Até quando vai prevalecer o silêncio conveniente?

quarta-feira, 2 de outubro de 2024



Conflito na Junta de Freguesia urbana

O PSD local ACORDOU FINALMENTE?

Há um conflito na Junta de Freguesia urbana, com o PSD acusando o PS de ilegalidades numa eleição interna, já comunicadas à entidade competente, com pedido de intervenção. Não é costume, mas estamos assim em Tomar. O PSD nabantino acordou finalmente?
Todos os que andámos na política desde antes do 25 de Abril, sabemos bem que PS e PSD são irmãos siameses ou, para chocar menos, a edição portuguesa dos conhecidos inspectores Dupont e Dupond. (na imagem supra). Quando convém, um torna-se mais esquerdista e o outro mais direitista, mas regra geral c'est du pareil au même, bonnet blanc/blanc bonnet. Farinha do mesmo saco, em português popular.
Assim, nos anos 80 a AD (PSD + CDS + PPM) conseguiu ascender ao poder, tanto a nível nacional como local. Não se saiu mal de todo para a época, mas foi sol de pouca dura. Trinta anos mais tarde, o PS usou a mesma táctica. Uniu-se ao PCP e ao BE, assim impedindo o PSD de governar, apesar de ter ganho as eleições.
Em Tomar é o que se tem visto. A dada altura, as irmãs siamesas foram cabeças de lista  e a do PSD até recusou um debate com a sua homóloga. Com toda a razão, diga-se, pois à luz dos costumes locais teria sido uma vergonha duas irmãs digladiando-se em público. Situação que o PS aproveitou para ir vencendo sucessivas eleições (já lá vão 3 seguidas), tratando sistematicamente os social-democratas do executivo como simples jarrões chineses. Excelentes para ornamentar, mas só mesmo para isso.
Ante a evidente passividade laranja, não dispondo infelizmente de maioria na Assembleia municipal, os socialistas arranjaram de facto um sucedâneo nabantino da geringonça, retribuindo generosamente os votos favoráveis da CDU, do BE e de Carregueiros nos momentos mais delicados.
Inesperadamente, a um ano das próximas autárquicas, zangaram-se as irmãs e, como bem diz o povo, "zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades." Adoptando o modus operandi dos seus camaradas da Câmara, Celeste de Sousa, presidente da Assembleia da Freguesia, fez de conta que não ouviu os vogais laranja, porque os jarrões chineses não falam, e vá de cometer ilegalidades, ao que consta usando uma linguagem menos aceitável.
Vai daí, o que podiam fazer os eleitos social-democratas, sob pena de perderem a face? Protestaram por escrito e apresentaram o caso às entidades oficialmente competentes, mas na prática nem tanto, e agora aguardam os acontecimentos. Já os tomarenses, ou pelo menos quem escreve estas linhas, ficam na dúvida: O PSD nabantino acordou finalmente, e agora já compreende que se não muda radicalmente, nunca mais volta a ganhar nas margens do Nabão? Ou pelo contrário é só fogo de vista, continuando as linhas vermelhas em relação à direita e à política agressiva para com o irmão siamês? Mais adiante logo veremos, que na política ninguém consegue enganar o eleitorado todo durante muito tempo.



Festarolas, tachos, subsídios e contas públicas

Mais vale ir prevenindo do que depois remediar

Como bem sabemos, desde há muito que em Portugal as novidades vêm de França. Mesmo a bem conhecida Festa do Avante, orgulho dos comunistas lusos, é uma cópia da francesa "Fête de l'Humanité", o antigo jornal dos comunistas gauleses, agora também com fraca expressão eleitoral.
Quanto aos bébés, estamos entendidos. Dantes também vinham de França no bico da cegonha, mas entretanto algumas mães lusas já se modernizaram um bocadinho. Segundo li há pouco, respondendo a um filho pequeno que lhe perguntara para onde ia a cegonha depois de deixar o bebé, uma mãe foi bastante realista: -Fica aí no sofá a ver televisão, a beber cerveja e a arrotar.
Este introito para informar que em França, de onde também nos vêm a moda política e a moda tout court, a situação orçamental não é nada brilhante, e a política está pelas ruas da amargura. O governo Barnier, parido a ferros ao cabo de dois meses de tormentas, vê-se forçado a reduzir despesas e aumentar os impostos, logo ao iniciar o mandato, que não se prevê muito longo.
Ocasião aproveitada pelo Tribunal de contas francês para apresentar mais um relatório pouco amável. Nele se pode ler, segundo o Le Monde de hoje, que as colectividades locais e regionais custam ao governo anualmente 18% do orçamento, só em despesas de funcionamento. E vá de propor uma redução drástica de 100 mil funcionários públicos, o equivalente a apenas 5% do efectivo gaulês.
E daí? questionarão os muito competentes comentadores e outros técnicos ao serviço da maioria que está. E dai, apesar dos esforços das contas certas governamentais e do extraordinário incremento das receitas turísticas, não tarda vai ser imperativo fazer como em França: reduzir despesas, aumentar impostos e despedir funcionários. Não poderá ser de outro modo, com obras, festas e subsídios que custam cada vez mais caro, e fundos de Bruxelas que não são inesgotáveis...
Quando tal acontecer, isto é, quando houver inevitavelmente despedimentos nas autarquias, só para terem uma ideia, se adoptarem a fasquia dos 5%, a Câmara de Tomar terá de mandar embora 40 funcionários, naturalmente daqueles que custam mais caro e fazem menos falta.
É só para ir avisando...


Promoção turística, propaganda política ou cortejo religioso?

A moda parece ter pegado...

Copiado da página Facebook de Daniel Hernandez Macareno em 01/10(2024 

A moda parece ter pegado, ou não podem ver nada? É só escolher. Algures no México, um cortejo de tabuleiros de modelo local, rumo à Festa do Avante, que deverá ser no caso "Fiesta del Adelante".  Como dicen nuestros hermanos castellanos, el mundo es ancho y ajeno!

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Imagem copiada de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.

Política à nabantina

A jogada do Zé Maria da Junta

Foi a notícia sensação da semana, à falta de melhor, o que mostra bem a azáfama política usual no vale do Nabão. O tesoureiro da junta urbana desde há onze anos demitiu-se. "Bateu com a porta" segundo a informação local que temos. Em sentido figurado, bem entendido, dando porém a perceber que pode bem ter sido mesmo o caso. 
Quanto aos motivos e às intenções subjacentes, ficaram-se por aqueles que o próprio indicou. Esmiuçar é complicado e analisar ainda mais. Temos assim que o agora ex-tesoureiro se sentiu, segundo disse, ultrapassado, humilhado e mesmo subtilmente convidado a sair. Empurrado. Acredita-se. Mas então porquê abandonar só agora, após onze anos de leal colaboração e excelentes serviços prestados, e logo a um ano das futuras eleições?
Porque as situações denunciadas se acentuaram ultimamente, no âmbito da normal luta pelo poder? É bem possível, mas não explica mesmo assim o timing escolhido. José Maria é um cidadão bem formado e com recursos acima da média. Tinha portanto perfeita consciência desde do início de que no duo com Augusto Barros, ele era a técnica, a administração, a escrita, e o outro a execução, o trabalho empenhado. Daí a ideia do Zé Maria, segundo a qual a junta era sobretudo ele, pelo que deveria ser o sucessor natural do actual presidente, que não se pode recandidatar.
Ao verificar que a tendência no PS e na junta era cada vez menos essa, porque o agora ex-tesoureiro é um moderado e no partido mandam desde 2013 os esquerdistas, José Maria agiu de forma inteligente. Retirou-se inesperadamente, para assim demonstrar que sem ele a junta não funciona como deve ser. Repare-se que até falou acidentalmente em "falta de planeamento na limpeza urbana"...
Com o tempo veremos se o autarca demissionário agiu da forma mais eficaz ou conveniente para o seu objectivo escamoteado. Entretanto  vai decerto comentar que não foi nada disso, que não houve calculismo político algum, que nem está interessado em ser candidato, tendo saído apenas e só por se sentir humilhado. Pois seja. Contentemo-nos portanto com mais uma demonstração prática de que, em matéria de análise política, os jornalistas e outros interventores locais estão a precisar de uma urgente acção de reciclagem.