terça-feira, 27 de setembro de 2022

Eleitos e funcionários

Façam um favor a Tomar a dianteira 3

TAD 3 ia a escrever sobre um assunto camarário, quando se deu conta que podia estar a ser injusto. Dado que, a sete mil quilómetros de Tomar, não é fácil recolher opiniões, pede-se que tenham a amabilidade de ouvir e ver este video:

TOMAR – Posto de Turismo já tem uma ‘Loja do Turismo’, onde os artesãos e produtores locais dão a conhecer aquilo que de melhor fazem (c/vídeo) - Rádio Hertz (radiohertz.pt)

Já está? Então agora faça o favor de dar a sua opinião, que não será publicada, para anfrarebelo@gmail.com

O pomo da discórdia é, para TAD 3, a insistência da senhora nos elogios às funcionárias, que parece querer transformar em heroínas, quando afinal se limitam a cumprir as suas obrigações funcionais. Não é a primeira nem a segunda vez que tal acontece. Está mesmo a tornar-se repetitivo, e por isso penoso, para não dizer outra coisa mais pesada. Afinal as autárquicas ainda vêm longe. Os franceses têm um verbo para o efeito, infelizmente sem tradução perfeita em português: "radoter = Répéter de façon ennuyeuse les mêmes propos, les mêmes thèmes."

Muito obrigado a todos que ousarem colaborar.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Bombeiros

Autarcas poupados 

e eleitos com a mania que são ricos

Lê-se na informação local que houve em Ourém, no passado domingo, um cortejo de oferendas para os bombeiros voluntários, que rendeu 157 mil euros e materiais de vária ordem, faltando ainda apurar os donativos recolhidos durante o desfile: https://radiohertz.pt/ourem-cortejo-de-oferendas-dos-bombeiros-regressou-as-ruas-da-cidade/

O concelho vizinho de Ourém tem actualmente 40 mil eleitores inscritos, (mais 7 mil que em Tomar) e quatro corporações de bombeiros voluntários, em Caxarias, Fátima, Freixianda e Ourém. Assolados por vários incêndios de grandes proporções, durante o verão, não consta que nenhuma delas se tenha queixado de falta de material ou de recursos humanos. Beneficiaram da habitual ajuda solidária, a nível nacional, sempre desencadeada quando necessário. Mesmo assim, a autarquia resolveu incentivar um cortejo de oferendas, que já não se realizava há seis anos.

Vinte quilómetros ao lado, banhada pelo Nabão, Tomar tem agora menos habitantes que Ourém e uma única corporação de bombeiros municipais, que inclui alguns voluntários. Há queixas de falta de recursos humanos e de material operacional. No caso das ambulâncias, são frequentes as queixas de que têm de vir de fora do concelho, para levar doentes a Coimbra ou a Lisboa. Apesar de tal penúria, não consta que a autarquia tomarense tencione organizar qualquer cortejo de oferendas, para recolha de donativos.

É o mesmo país, com a mesma língua, mas costumes e mentalidades diferentes, separadas por 20 quilómetros! Gente remediada em Ourém, que se vai esforçando para ajudar os seus bombeiros voluntários, que não são funcionários da Câmara, mas estão bem equipados. Gente rica em Tomar, que municipalizou o velho "Corpo de Salvação Pública", agora Bombeiros Municipais de Tomar. Poucos e mal equipados, porque financiados pela Câmara e o orçamento municipal não dá para tudo. "Quem quer festa sua-lhe a testa", diz o povo. Excepto em Tomar, onde basta aguardar que a Câmara organize as suas frequentes festarolas.

Então, e o cortejo de oferendas a favor dos bombeiros? Nem pensar! Câmara rica não recorre à caridade popular. Era só o que faltava! Houve em tempos idos, até à primeira metade do século passado, um cortejo de oferendas nas margens do Nabão, destinado a matar a fome aos seus habitantes pobres. Era a Festa dos tabuleiros, no seu figurino original, com tabuleiros e outros donativos oferecidos pela população.

Com a reforma de João dos Santos Simões, em 1950, e sobretudo após o 25 de Abril, os Tabuleiros passaram a ser um cortejo municipal de beija-mão, quase integralmente financiado pela autarquia. Custou mais de 700 mil euros aos cofres municipais em 2019, e prevê-se que vai custar à roda de um milhão em 2023. Entretanto, os bombeiros que se vão governando com o que têm e chega muito bem, pensam os autarcas, pois quando necessário vêm sempre as corporações vizinhas para ajudar.

Vivam as festas, os eventos, as festanças, os passeios e as comezainas! Importa é ganhar as eleições e em Tomar não é com cortejos de oferendas ou bombeiros bem equipados que vamos lá! Assim devem pensar os que mandam na autarquia nabantina. Ou julgam que mandam...

ADENDA

Os meus queridos conterrâneos que não fiquem zangados nem tristes. Em Tomar há só um corpo de bombeiros, mas temos no concelho quatro bandas de música (Gualdim Pais, Nabantina, Paialvo e Pedreira) e os oureenses não. Portanto, a Câmara nabantina tem razão com as suas festarolas. O pessoal tomarista quer é música! Além disso, nós temos o Convento, o Politécnico, o RI 15 e um Hospital médio, e os oureenses não. Mas têm Fátima, dirão alguns oráculos locais, sempre muito esclarecidos e esclarecedores. Pois.

O Atlântico sul visto a partir da varanda do autor, no 7º andar. Vista bem melhor que a do 75 da Aurora de Macedo.

Política local

PROVEDOR DO CIDADÃO

O Tomar na rede aborda de novo a problemática do Provedor do cidadão, uma promessa da actual maioria PS que, quase a meio do 3º mandato, continua por cumprir: https://tomarnarede.pt/politica/provedor-do-municipe-continua-so-no-papel/

Quem escreve estas linhas sente-se na obrigação de confessar que se sente culpado por tal situação. Conquanto nunca tenha sido formalmente convidado para o cargo, soube em tempo útil que era ele o escolhido. Desde então, ou porque não encontrou substituto à altura, ou porque nenhum dos sondados aceitou meter-se em semelhante camisa de onze varas, por 200 euros mensais, a srª presidente mantém prudentemente o processo em banho-maria. Que é como quem diz na gaveta.

Após várias críticas de amigos, todas insistindo na incoerência que é criticar a falta de quem ajude os cidadãos, e ao mesmo tempo recusar-se a ser o elo de ligação legal com a autarquia, resolvi mudar de opinião. É capaz de ser demasiado tarde, mas logo se verá.

Assim, declaro para os efeitos tidos por convenientes, que estaria disposto a assumir o cargo de provedor do munícipe, nas seguintes condições:

1 - Mudar a designação para "provedor do cidadão";

2 - Poder continuar a escrever livremente em Tomar a dianteira 3, respeitando sempre a verdade factual;

3 - Atender os cidadãos presencialmente durante dois meses, e via Net nos restantes 10.

4 - Prescindir das senhas de presença;

5 - Responder unicamente perante a AM.

Aqui fica a oferta sincera, com o único intuito de contribuir para desbloquear a situação. Caso a opção seja outra, até ficarei agradecido.

Imagens Tomar na rede (alteradas), com os agradecimentos de TAD3

Informação local

UMA TERRA DE COMENTADORES 

DOENTES QUE SE IGNORAM

O que segue procura ser apenas descritivo. Para facultar aos leitores de TAD3 uma imagem pouco conhecida de Tomar, que não deve prestigiar muito a cidade.

Publicou o Tomar na rede uma notícia com o título "Miguel Relvas com nova imagem". É um texto curto, no qual se pode ler que o retratado tem um currículo político invejável:

-Deputado PSD na AR entre 1985-2009

-Presidente da AM de Tomar de 1997 a 2012

-Secretário de Estado de Durão Barroso

-Ministro de Passos Coelho

A notícia registou até agora 507 visualizações, uma miséria, num blogue em que uma outra local, sobre caloteiros numa tasca, já vai nas 316 mil. Fraca audiência portanto, mas mesmo assim quatro comentários. Pelo estilo, dos mesmos comentadores que aqui há tempos conseguiram afastar o autor destas linhas do Tomar na rede. Faltam apenas dois, mas se calhar mudaram entretanto de nome suposto. Tudo gente séria...

O primeiro comentário, eliminado pelo administrador do blogue, mas que ainda se conseguiu ler, era do suposto sr. "Silva" e dizia: "Uma "poia" gentelha assim..." O vocabulário escolhido, que embora ordinário não está ao alcance de muita gente, leva a supor tratar-se de um funcionário municipal, agora igualmente de confiança política, cujo nome não é Silva, mas também começa por S. É apenas uma suspeita.

O segundo comentário, assinado "Residente", é sintético: "As pragas voltam ciclicamente". Que pragas? fica por saber. Já o terceiro, de "António Pina", é bastante mais elaborado e longo, o que obrigou a fazer como com os chouriços: Cortar e servir às rodelas. "Este sr. Relvas é o exemplo do que não deve ser um servidor da causa pública... ...Só envergonha a cidade." Falta saber porquê? onde? como? e quando? Mas pronto é uma opinião, digamos desfavorável.

O quarto comentário, do sr. "Carlos Martins", tem mais que se lhe diga: "Parece o avô cantigas. Está mais gordo, mais branco e certamente mais grunho. ...Este Relvas é um verdadeiro calhau com olhos. Para terminar peço ao "artista" que publicou esta "notícia" que tenha pena de Tomar. Já bem basta a fauna que cá existe ser da qualidade que é. São notícias imprecisas como esta que fazem muita gente pensar que o Tomar na rede é um reduto de jornalixo."

Os argumentos, o vocabulário, o tipo frásico, levam a considerar que Residente, António Pina e Carlos Martins são respeitáveis cidadãos com a síndrome do "estalinista frustrado", particularmente grave nesta altura, por causa da Ucrânia. Carlos Martins é particularmente requintado na sua arte: Vai semeando merda nos seus escritos, aproveitando para qualificar o suporte dos seus comentários de "jornalixo". É o que se chama fazer o mal e a caramunha. 

Em conclusão: Uma terra de comentadores doentes que se ignoram. Ou talvez nem tanto. Porque se é certo que denotam todos evidentes "pancadas", também é verdade que em geral os psiquiatras aconselham que vão escrevendo, para aliviar a cabeça. Podemos estar portanto perante gente que se limita a seguir a terapèutica recomendada pelo clínico respectivo. Boas melhoras, é o que se deseja!




domingo, 25 de setembro de 2022





Património 

PEGÕES AO ABANDONO

AGORA NEM TÊM DONO

Já se desconfiava, mas agora é oficial. Segundo uma resposta da DGPC ao leitor Hugo Neves, o Aqueduto dos Pegões pertence à Câmara de Tomar, excepto na sua parte final, confinante com o Convento de Cristo. Eis a transcrição que o amável leitor antes citado teve a amabilidade, que se agradece, de transmitir a TAD3:

"(...) a DGPC só tem a responsabilidade direta, isto é, obrigação de conceber/executar obras nos imóveis que lhe estão afetos, o que não é o caso do Aqueduto do Convento de Cristo (com exceção do troço final que liga ao corpo conventual). Segundo cremos, este imóvel estará afeto à Câmara Municipal de Tomar, numa extensão significativa do seu percurso. Nestas situações, o município envia os projetos, seus e de particulares, quer respeitantes a intervenções no monumento, quer os respeitantes a intervenções nas zonas de proteção (zona geral de 50 m / zona especial de proteção), para que a DGPC se pronuncie, como consta da Lei de Bases do Património Cultural, Lei n.º 107/2001, de 8 de setembro.
(...)
A DGPC tem colaborado com a Câmara Municipal de Tomar nas obras levadas a efeito no aqueduto, nomeadamente na campanha levada a efeito em 2016, no troço que inspirava maiores cuidados. A monitorização do estado de conservação do aqueduto cabe, em primeira instância, à Câmara Municipal de Tomar."

Temos assim mais uma situação muito peculiar. Numa altura em que o executivo do Município de Tomar está em litígio com o CIRE, sobre um terreno cuja propriedade reivindica, embora não apresente qualquer documento comprovativo, a DGPC - Direcção-Geral do Património Cultural atribui à Câmara Municipal de Tomar a propriedade do Aqueduto do Convento de Cristo, também sem qualquer documento oficial comprovativo.

Pela forma como está redigido o texto citado, percebe-se em que se apoiam, por analogia, para tal atribuição de propriedade. Tomam como exemplo o Aqueduto das Águas Livres, agora tutelado pela EPAL, mas antes propriedade da Câmara de Lisboa, o que se compreende, uma vez que abastecia a cidade-capital. Mais precisamente, a DGPC toma como exemplo paralelo o caso dos ramais de abastecimento doméstico de água. O que está na rua é da Câmara, (na ciscunstância da Tejo Ambiente em Tomar, da EPAL em Lisboa), o que esta na parede é da casa. Assim no caso dos Pegões: A parte confinante com o Convento seria da DGPC e o restante da Câmara de Tomar.

Trata-se, como é óbvio, de uma interpretação errónea. Ao contrário do Aqueduto das Águas Livres, o dos Pegões foi construído e sempre serviu exclusivamente para abastecer o Convento e regar os terrenos anexos. Por conseguinte, a Câmara de Tomar nunca foi vista nem achada na sua propriedade ou gestão, pois Aqueduto e Convento sempre pertenceram à Ordem de Cristo, dona da região.

Houve é certo, já com esta maioria PS, obras importantes de restauro, custeadas pela Câmara com o apoio técnico da DGPC, mas isso não significa que a Câmara se tenha assumido ou assuma como dona do monumento. Apenas como cuidadora dos problemas concelhios mais urgentes. Conviria, isso sim, que o executivo municipal debatesse o assunto quanto antes, e assumisse uma posição clara. Que poderá ser esta, por parecer a mais favorável para todas as partes: O município de Tomar não se considera proprietário do Aqueduto dos Pegões, por não dispôr de qualquer documento nesse sentido, mas declara-se pronto a assumir tal encargo, desde que o governo se comprometa a transferir também, além da propriedade do monumento, as verbas correspondentes e necessárias para as várias tarefas pendentes e urgentes. 


sábado, 24 de setembro de 2022


Obras numa rua entre duas escolas

Construção civil e direitos dos cidadãos

Mais abusos...

A evidente falta de respeito pelos direitos dos cidadãos, levou alguém a enviar a TAD3 as duas fotos supra, o que se agradece. São de uma obra de construção civil, situada entre a Escola Gualdim Pais e a Escola Nun'Álvares. Uma é de Junho, outra de Setembro de 2022. Nelas se pode ver que há abusos evidentes na ocupação do espaço público, e que esses abusos não respeitam os direitos fundamentais dos cidadãos.

Deixando de lado, a cércea, a volumetria e outros, que se ignora se respeitam ou não a legislação vigente, saltam à vista dois abusos inaceitáveis:

1 - Contrariando normas legais em vigor, a fachada da obra não está resguardada com mantas de tecido sintético, de forma a evitar quedas fortuitas de líquidos ou sólidos. Qualquer cidadão menos atento que transite no local e se aproxime demasiado, para fugir dos carros, arrisca-se a ser atingido por um tijolo, ou um balde de massa de cimento, por exemplo. Sobretudo a partir das varandas.

2 - O tapume e as grades instaladas, impedem a passagem de caminhantes pelo que resta do passeio, mormente junto ao candeeiro de iluminação pública, obrigando a usar a faixa de rodagem. E quanto a carrinhos de bébé, cadeiras de rodas e cidadãos com canadianas, ou com sacos de compras, é melhor nem falar. Dirão os defensores usuais da autarquia que a largura do passeio não dá para mais. É possível. Mais uma razão para fixar uns prumos e instalar umas grades no asfalto, de forma a criar um corredor de passagem para peões.

Houve um tempo, que terá durado mais de uma década, em que a burocracia camarária tomarense foi conhecida no país como demasiado miudinha, demasiado caricata, demasiado exigente e demasiado cara. Foi a época do anterior PDM, dos Planos de pormenor, da protecção do património e da protecção do ambiente, que serviam para justificar as exigências mais abstrusas, geralmente ultrapassáveis mediante adjuvantes submesa, também conhecidos por "luvas".

Perante o evidente definhar da urbe e a fuga dos construtores civis e outros empreendedores, cansados de aturar mesquinhices interesseiras, passou-se pouco a pouco de um excesso a outro. Do controle estrito para o deixa andar. As duas fotos acima testemunham isso mesmo. Há pelo menos 6 meses que as ilegalidades se mantêm e ainda ninguém reparou? A Câmara já não têm fiscais de obras? Os cidadãos andam todos a dormir? A informação local não tem repórteres ? O medo de represálias camarárias não será afinal mais que uma cómoda desculpa?

É pouco provável que este texto de intervenção venha a conseguir alterar a condenável situação acima denunciada.. Os senhores camaristas gabam-se privadamente de nunca fazerem ou mandarem fazer o que nestas colunas se propõe ou denuncia, como forma de mostrarem que TAD3 não tem qualquer audiência ou importância na urbe. Se assim acontece, resta lamentar, e relembrar que não tem grande relevância. Aqui, conforme já dito e redito anteriormente, escreve-se para memória futura. Para a história local. Para que daqui a uns anos, quem resolver escrever a história de Tomar, possa dispôr de elementos sobre o modus vivendi e o modus operandi dos políticos e dos simples cidadãos. De forma a perceber então quem ficou bem e quem ficou mal nas sucessivas fotografias. Incluindo os eleitos, que entretanto também passarão ao esquecimento, embora possam estar convencidos do contrário.

ADENDA

A desculpa alegando que o perigo é diminuto, porque no local há muito pouco trânsito, também não colhe. Por três motivos. Primeiro porque seria caso único no país, uma via entre duas escolas EB 2-3 a funcionar, e com pouca circulação. Depois porque basta um veículo conduzido por um cidadão sedento, após um almoço bem regado, para atropelar mortalmente um peão. E há um excelente restaurante muito popular mesmo ali ao lado... Finalmente, porque as normas legais em vigor são de aplicação geral, e não só para locais de grande trânsito.

 

Imagem Tomar na rede. Aspecto do acampamento do Flecheiro.

Realojamento dos ciganos do Flecheiro

Afinal, o PSD não parece, mas até sabe...

"A problemática é complexa, possivelmente daqui a 10, 15 ou mais anos, o assunto não estará debelado. Há questões de interculturalidade por resolver, em que a radicalidade e o extremar de posições só dificultam. Parece haver um caminho a percorrer."

"Ao que consta, no passado também existiam hipóteses de resolução, talvez mais eficazes, só que efectivamente não chegaram a ser concretizadas... ...depois a liderança da governação camarária mudou de partido."

Luis Francisco, vereador pelo PSD, Flecheiro 1,2,3, 

Cidade de Tomar de 23/09/2022, página 10

Surpreendente? Também quem escreve estas linhas ficou atónito. Apesar do mar de bonança que têm sido as reuniões do executivo tomarense, pelo menos um dos eleitos pelo PSD não parece concordar com a solução adoptada para o realojamento dos ciganos de Flecheiro. Duvida até que o problema possa estar ultrapassado daqui a 15 ou mais anos. Não é pouca coisa!

Imagine-se! Uma questão de tanta gravidade e os social-democratas nunca discordaram em público, que se saiba, nem apresentaram alternativas no lugar próprio -as reuniões do executivo camarário. Porquê? Por falta de propostas próprias? Não parece ser o caso. No próprio texto é dito que "no passado também existiam hipóteses de resolução, talvez mais eficazes..."

Tolhidos porque "Há questões de interculturalidade"? Se é o caso, estão equivocados. Não existe no contexto, salvo mais fundamentada opinião, qualquer interculturalidade. Os ciganos em questão têm a mesma nacionalidade, a mesma língua, a mesma religião, em muitos casos a mesma naturalidade, e praticamente os mesmos costumes dos tomarenses. Pelo contrário, há é evidente falta de cultura, de abertura de espírito, de parte a parte, porém muito mais óbvia nos ciganos, tradicionalmente avessos à mudança de hábitos.

Existe também, e não é pouco, uma generalizada recusa de integração social, de assimilação, do chamado "povo calé de origem romani", que tende a marginalizar-se, para daí extrair benefícios (não pagar impostos, auferir o RSI, beneficiar de alojamentos gratuitos ou de rendas baixas, que em muitos casos não  pagam, conseguir auxílio alimentar das IPSS, praticar pequenos delitos, não obedecer a certas normas sociais, etc).

Perante tal comportamento geral, as autarquias têm agido de forma menos adequada, em geral aconselhadas por assistentes sociais formados num sistema de ensino que assimila os ciganos a estrangeiros exóticos e renitentes, que reivindicam o direito ao seu próprio estilo de vida, camada social abundante na periferia de Lisboa, por exemplo, mas praticamente inexistente em Tomar. Donde um certo receio de os levar a cumprirem  normas sociais que a todos obrigam.

Dois exemplos, para que não restem dúvidas, nalguns espíritos menos abertos: 

1-Quando finalmente foi imposto aos ciganos que só podiam receber o RSI depois de matricularem a descendência no ensino obrigatório, e apresentarem o respectivo certificado, praticamente  todos abandonaram o costume tradicional de não mandar os filhos (sobretudo as filhas) à escola, como no Afeganistão. Foi remédio santo, nesse aspecto. Aguardam o quê, para prosseguir nessa linha de exigências sine qua non ?

2 -Uma das queixas mais frequentes contra os ciganos é o barulho excessivo fora de horas. Lamentam-se os vizinhos, que chamam as autoridades e estas nada podem fazer, pelo que a pouca vergonha continua. Aqui em Fortaleza, onde não há ciganos mas há favelas, chamadas comunidades, nos condomínios e respectivos arredores, quando há casos de altercação nocturna ou excesso de barulho, chama-se a polícia militar, que avisa, processa e multa os faltosos. Geralmente resolve. Mas o Brasil fica no 3º mundo, e tem muita violência urbana. É melhor a "paz podre" tomarense. Rende mais votos, e isso é que importa.

Regressando ao escrito de Luís Francisco, vereador pelo PSD, salvo outra e melhor opinião, parece-me lamentável que discorde das opções camarárias, que considera erradas e onerosas para o município, sem todavia o dizer no local próprio, ou apresentar propostas alternativas. Mostra assim que os eleitos pelo PSD também praticam afinal o "quanto pior melhor" da velha extrema-esquerda, ao agirem deliberadamente no sentido de deixarem os socialistas enterrar-se quanto mais melhor, pois 2025 é já ali adiante. Conseguirão?