sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Imagem alusiva, copiada da internet.

Descalabro nabantino

Proibir manifestações favoráveis a Israel é objectivamente apoiar a Palestina, mas também o HAMAS, o HEZBOLÁ e o IRÃO

O que segue é apenas uma conversa comigo próprio. Escrever para memória futura. Para mais tarde recordar. Tal como o algodão do anúncio tv, os números também não enganam. As recentes crónicas sobre o estranho caso da Sinagoga e a inopinada declaração filipina sobre o abalroamento na Nun'Álvares, registaram uma invulgar descida na audiência diária. Menos de 150 visionamentos de página. Abaixo do total diário durante o período em que não escrevi. Estranho não é?
As boas almas do costume (admitindo que existam almas boas ou más) vão alegar que as crónicas em questão são muito fracas e que os tomarenses não gostam de coisas de fraca qualidade, ainda por cima sempre a dizer mal. É bem possível que os textos sejam realmente fracos, posto que cada qual só escreve o que pode e não as obras-primas que ambiciona. Não creio contudo que sejam a má qualidade ou a maledicência a afastar os leitores usuais. Julgo que se trata sobretudo de não querer ler sobre as próprias entranhas políticas, que não serão as mais aprazíveis. Vejamos.
No peculiar caso da Sinagoga, houve primeiro algumas declarações com partes da verdade, e depois textos mentirosos, porque contando apenas aquilo que interessa a quem os escreveu. Tanto de um lado (Câmara) como do outro (grupo judaico). Já no caso do acidente da Nun'Álvares, a declaração filipina é demasiado óbvia para ser honesta. Mas ambas têm uma base comum. A política local do Bloco de Esquerda. Directamente ou via jeringonça implícita. Fica para outra oportunidade o esmiuçar do abalroamento, seus antecedentes e consequências. Ainda há muito tempo. As autárquicas são só daqui a um ano. Uma eternidade para alguns. Um aperto de tempo para outros.
O escândalo da Sinagoga, visto a frio e com algum recuo, é a perfeita imagem do funcionamento da Câmara. Há muito que os eleitos controlam pouco  ou nada, e os funcionários só não estão em autogestão porque a maior parte nunca aprendeu a gerir e muitos nem sabem o que isso possa ser. Num tal quadro tão pouco definido, em que nem se sabe bem quem manda em quem, quando e como, uma criatura eleita ou funcionária, homem ou mulher, mas com algum estatuto interno, teve conhecimento de que um pequeno grupo de cidadãos resolvera fazer na Sinagoga um cerimónia de apoio a Israel. Apoiante do Hamas, do Hezbolá, do Irão e da Palestina, deu imediatamente ordem interna para impedir o acesso à Sinagoga do dito grupo, com a alegação de que não estão autorizadas cerimónias naquele templo. O que foi feito e provocou algum escândalo, pois puderam entrar outros visitantes, mas não os do tal grupo de judeus. Caiu-se assim num claro atentado aos direitos de cidadania, praticado por alguém funcionário municipal ou ao serviço da autarquia.
Os posteriores comunicados e outras declarações, bem como o comentário de um guia turístico publicado num blogue local, referindo pedinchice na Sinagoga, mais não são afinal que toscas manobras de diversão, mesmo quando anormalmente muito bem escritas. Embora por razões diversas, ninguém quer mandar fazer o que se espera: um inquérito apurando responsalidades, e posterior registo nos processos individuais respectivos. É melhor continuar a alimentar o descalabro.
Em resumo, o Bloco de esquerda, que nas recentes eleições teve menos votos que o Chega no concelho, e à escala nacional tem quatro vezes menos deputados que a extrema-direita, desde 2013 que vem envenenando a situação política local, via jeringonça implícita com o PS e o PCP. Cabe aos tomarenses, agora que a coisa foi explicada, decidir se assim se pode continuar ou não. Por mim, tudo bem. Já me resta pouco tempo e enquanto por cá andar procurarei estar em Tomar só quando necessário. É a vida, como disse o outro.



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