Autárquicas 2025
Um excelente golpe promocional
"Quem gosta de escrever mas não tem muito para dizer, vai para jornalista." Frase certeira, que vale o que vale, mas descreve bem o que acaba de fazer o tomarense social democrata Tiago Carrão. Anunciado candidato à Câmara tomarense, lançou um podcast através do qual dará voz à gente da nossa terra, segundo anunciou.
É sempre de saudar e louvar o aparecimento de mais um órgão informativo, mormente numa terra como Tomar, onde os existentes quase todos, coitados, padecem de falta de ar. Sentem-se sufocados sem todavia se queixarem, pois sabem muito bem qual a origem da maleita. E não me recordo de alguma vez o PSD ter protestado contra tal estado de coisas, com todo o aspecto de censura, embora conheça muito bem a origem.
Deve ser porque o grande problema deste país e desta terra é a existência de dois partidos "irmãos inimigos", situação que creio única na Europa. Refiro-me, como quem lê percebeu logo, ao duo PS/PSD, ou vice-versa. Simplificando e abreviando, onde os dois se têm sucedido no poder local, "c'est du pareil au même". Farinha do mesmo saco, segundo um ex-lider do PCP. Se um pouco faz, o outro faz pouco. Se um não fala, o outro cala-se. Se um aplaude, o outro bate palmas.
Daqui resulta que estão ambos enrascados. Subtilmente, o velho PS de Mário Soares tem vindo a adoptar a cartilha woke, esquerdizou-se, enquanto o velho PPD de Sá Carneiro, em vez de renegar, tem vindo a apoiar. Só ainda não arranjou coragem para apoiar a Palestina.
Inesperadamente, a recente balbúrdia nos arredores de Lisboa veio revelar que a agenda BE/PCP, com especial insistência nos ciganos e nos imigrantes, está tornar-se cada vez mais impopular por essa Europa fora e Portugal não é excepção. Pressionado pelos acontecimentos e antecipando a folgada vitória de Trump, que anunciou durante a campanha eleitoral a expulsão de centenas de milhares de imigrantes, o autarca socialista de Loures votou favoravelmente uma moção do Chega, no sentido de serem expulsos dos alojamentos sociais da Câmara os provados intervenientes nos incêndios de carros e outras acções criminosas.
Foi um sacrilégio! Até o ex-secretário-geral Costa lhe caiu logo em cima, repudiando semelhante heresia. E aumenta a contestação no partido, cada vez mais partido entre apoiantes e adversários do autarca de Loures.
È neste contexto e a cem quilómetros de Lisboa, numa terra até agora calma e segura, mas com cada vez mais problemas com os ciganos residentes, que Tiago Carrão decidiu lançar o seu órgão informativo, convidando para primeiro entrevistado o meu bom amigo e colega Carlos Trincão. Cidadão de alto coturno, com uma cultura fora do comum, tomarense "à antiga", que nunca critica publicamente quem lhe dá a mão, (não é portanto má-língua, segundo o vocabulário tomarista), todos sabemos todavia que nunca foi nem é do PSD ou do PS. Embora já tenha colaborado com ambos em assuntos locais, é um dos militantes mais antigos do BE em Tomar.
Tiago Carrão sabia isto. Por conseguinte, ao convidar alguém do Bloco de Esquerda para abrir o seu show, pretendeu decerto vincar que será um candidato tão ou mais esquerda que Hugo Cristóvão. É pelo menos essa a ideia que resulta do aparecimento do podcast e do seu primeiro convidado.
Desejando tudo de bom a Tiago Carrão, não posso deixar de acrescentar oxalá não lhe saia o tiro pela culatra, como acontece bastas vezes na política.
Um podcast não è um órgão informativo, é entretenimento. Eu vi e gostei, mas se me permite a "modéstia", na minha opinião o engenheiro Carrão não consegue ganhsr ss eleições com os podcasrs e as redes sociais, que ele domina. Ele em 4 dias tem 12 subscritores do canal, sendo eu um deles, e tem 170 visualizações no YouTube!!! Quem quiser desafiar o PS tem de ir para o mercado falar com as pessoas. O Trump foi para o McDonald's fritar batatas e servir os clientes no Drive-in. O trump vestiu o fato reflector e foi no camião do lixo falar aos jornalistas. Eu se fosse o Nuno Ferreira do CHEGA matava duas ou três vacas, o que para ele não é nada, e fazia um evento na cidade, provavelmente no mouchão, onde assava carne para a malta. Isso é que dá votos.
ResponderEliminarO povo de Tomar é na sua maioria ignorante, infelizmente, alguns até com canudos. A mensagem assim não passa...
Então nesse caso, será entretenimento informativo, ou não? Depois de ter visto e ouvido, não ficou a saber um pouco mais sobre ambos os prezados intervenientes, amigo Helder? Olhe que ficou. E sempre é mais educativo que a sua ideia do evento da carne de vaca no Mouchão, penso eu...
EliminarO podcast está na moda no Brasil, o brasileiro gosta de saber tudo ao pormenor, gosta de entretenimento. O maior é o flow, mas há muitos outros. Eu disse que gostei deste episódio mas se calhar não, estou a exagerar. Adorei ouvir os Podcast com as histórias de vida interessantíssimas do Roberto Justus, do João Apolinário, dono da polishop, do Erik Jacquin, etc...,etc..., e com todo o respeito pelo professor Trincão, que é muito, não dá para comparar as experiências de vida!!!
EliminarOs eleitores de Tomar não se interessam por política, se o Zé Gaio fosse para o mercado ou para o continente perguntar ás pessoas o que pensam da vitória do Trump iria obter a resposta na maioria:"Não sei, não tenho opinião!!!". Os Tomarenses, como a generalidade dos Portugueses, vêm as notícias mas não compreendem as coisas. Votam no A ou B porque se vestem bem, têm boa aparência, votam numa senhora só porque é mulher, etc... Os programas, o deficit, a divida, etc..., isso não interessa. Ainda há muito semi-analfabeto em Tomar. Se o professor Rebelo ver bem as coisas são muito poucas as pessoas que seguem as reuniões de câmara ou da assembleia municipal. É a minha opinião.
ResponderEliminarPara reforçar a minha percepção que o eleitor médio tomarense não se interessa por estas coisas da política, das contas, do défice, etc..., ontem houve assembleia municipal extraordinária, com 59 visualizações, poucas mais do que os presentes, e ficam algumas notas interessantes no meu ver: só falam meia dúzia em mais de quarenta presentes que lá vão "chular" a senha de presença (VIVA A DEMOCRACIA). Os presidentes de junta, á excepção do Augusto Barros e o de S.Pedro não abrem a boca. Os deputados dos extremos: Paulo Mendo, Bruno Graça e Américo Costa são uma grande seca, lerem as intervenções é horrível, ninguém absorve nada do que eles dizem e eles não dão conta disso. Mal posso esperar pela assembleia municipal extraordinária para comemorar o 25 de Novembro.
Bem observado, amigo Helder. Mas olhe que o caso dos deputados municipais que lêem as intervenções, é sem remédio, pelo menos no toca à CDU e ao BE. É que eles falam um nome de um colectivo, sendo isso possível só mediante leitura do que foi aprovado no comité local. Quanto à sessão comemorativa do 25 de Novembro, caso não venha a ser anulada por falta de energia eléctrica, ou coisa assim, já não será nada mau, para começar...
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