Imagem Rádio Hertz, com os nossos agradecimentos.
Política autárquica
No seu evidente descaramento, a srª vice-presidente tem razão num ponto - "a mudança é visível".
Já aqui referi anteriormente que não tenho pachorra suficiente para a política tomarense. Por isso nunca arranjei coragem para assistir a uma reunião do executivo. Sempre tive e tenho medo daquilo que acabaria por fazer se lá fosse. Incapaz de reter a minha exasperação, dispararia uma série de considerações, forçosamente disparates para os instalados, uma vez que somos de tribos diferentes, cada uma com a sua linguagem própria, e acabaria retirado da sala pela autoridade competente, se houvesse coragem para tanto, podendo também dar-se o caso de usarem a violência física. Há gente capaz de tudo, e como bem diz o povo, "se queres conhecer o vilão dá-lhe poder e põe-lhe um pau na mão".
Felizmente ninguém pára o progresso, o que permite à informação local, quando quer e a deixam, manter a população ao corrente daquilo que ocorre nos Paços do concelho:
Os dois curtos excertos gravados não abonam mesmo nada, nem a maioria nem a oposição. O vereador social-democrata Luís Francisco, lendo a sua intervenção, com um vocabulário cuidado mas fora de sítio, faz lembrar os deputados municipais da CDU e do BE, forçados a ler as suas tomadas de posição por determinação partidária (colectivo a quanto obrigas). O tom geral é praticamente o mesmo, com vantagem para os da CDU e do BE, que estão muito mais habituados e já têm um vocabulário adaptado.
Na resposta, a srª vice-presidente usou do descaramento costumeiro, que mesmo assim não a livrou de dizer uma verdade inconveniente, sem disso se dar conta. Afirmou que a mudança é visível, acertando em cheio no alvo. Realmente há 11 anos, antes do PS subir ao poder em Tomar, havia mais gente no concelho, pois entretanto foram-se mais de 5 mil eleitores, mais cuidado com a limpeza urbana, mais regularidade na distribuição de água, mais manutenção nos jardins, mais funcionários no registo civil e menos na autarquia, o horário do pessoal camarário era de 40 horas semanais, havia mais estacionamento, a Festa dos tabuleiros custava à Câmara menos de um milhão de euros e só havia problemas com os ciganos no Flecheiro, enquanto agora...
Paralelamente a estes aspectos menores, mas que estão bem à vista de todos os cidadãos que não usem óculos partidários, aparece a outra mudança. Aquela que a srª vice-presidente apregoa com entusiasmo. A fase das festarolas e da esquerdização do PS, que tem funcionado em Tomar desde 2013 numa geringonça de facto. A CDU e o BE não estão no poder, mas as suas organizações cívicas e personalidades próximas, têm sido bem subsidiadas ou beneficiadas com vantajosos ajustes directos. Em troca, sempre os socialistas contaram na AM com os votos do BE, da CDU e de Carregueiros, quando tal foi indispensável. (Evitam uns e outros de protestar ou de se indignar, Está registado nas actas. Basta consultar.)
Concluindo, Filipa Fernandes tem razão, mesmo mentindo sem querer ao dizer a verdade. Coisas da política tomarista. Quanto a "não querer regressar ao passado", se bastasse querer ou não, minha senhora... Infelizmente é o que se vê. Quem nunca percebeu bem o passado, jamais será capaz de contribuir para um futuro melhor, pois julgando estar a fazer bem, está na realidade a contribuir para a ruína de todo um concelho. Obras puramente ornamentais só servem para gastar fundos de Bruxelas e tentar enganar a população. Ou estará convencida de que os tomarenses têm vindo a votar com os pés desde 2013, pondo-se a andar para concelhos mais dinâmicos, só porque o inverno nabantino é demasiado agreste? Não será também, por exemplo, por não gostarem de certos novos vizinhos? Ou talvez por falta de emprego? De casas não, que isso a Câmara providencia, com rendas para amigos...
Quando puder, srª vice-presidente, levante-se p.f. um bocadinho mais cedo e vá observar a quantidade de conterrâneos que todas a manhãs vão nos primeiros comboios, rumo aos respectivos postos de trabalho. Talvez assim comece a entender melhor o mundo em que vive e que julga governar...
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