terça-feira, 12 de novembro de 2024

 Vida local

Os casmurros, a decadência 

e a pretensa aposta no  turismo

Tem sido duro para mim este regresso temporário a Tomar, por razões de saúde. Para além da evidente hostilidade de tantos conterrâneos, se calhar culpando-me por males a que sou alheio, já cansa ouvir sempre a mesma ladaínha.
Um habitual comentador num blogue local, por tudo e mais alguma coisa, culpa a pretensa aposta da Câmara no turismo, pela cada vez mais evidente crise nabantina. Mas qual aposta? Lá porque alguns particulares conseguiram abrir novas estruturas hoteleiras, mediante adequada lubrificação nos locais próprios, chama-se a isso aposta no turismo?
É fácil acreditar que sim, porque a maré está a encher de ano para ano, facultando lucros algo inesperados. Mas esperem pela volta. Há para já sinais evidentes de que o turismo não cresceu tanto em Tomar como noutros centros com património e condições comparáveis. Basta ler com atenção as estatísticas sobre a entradas nos monumentos património da humanidade. Qual será a origem dessa fraqueza? A tal aposta, ou justamente a falta dela?
Ando agora pouco pela rua e mesmo assim, já por três vezes fui abordado de noite por visitantes em locais inesperados, solicitando informações que deviam constar de sinalização que não há. Na rua do teatro, três pessoas num carro moderno, eram para aí dez da noite, pretendiam saber onde fica o "Hotel residencial Luz". O leitor sabe? E qual a melhor maneira de lá chegar, a partir da Rua do Teatro? E onde deixar o carro depois?
Ontem foi na Levada. Um carro vindo do lado dos correios parou e uma pessoa com ar aflito perguntou "Pró hospital é por aqui?" Face à aparente indiferença dos jovens interpelados, acabei por responder: "Vão até à Rotunda e cortem à esquerda. O hospital é lá em cima, ao lado da estrada de Coimbra." "Mas é por aqui?" insistiu a senhora. Atrapalhações usuais em tempos de angústia.
Mais adiante reparei que na principal rotunda da cidade, não há uma placa indicando o hospital, pelo menos do lado da Rua da Graça. Será normal? Os instalados vão dizer que agora há o GPS, dispensando-se as placas. É natural. Só quem viaja é que sabe de viagens. Os outros até podem estar convencidos de que não há falta de estacionamento em Tomar, designadamente na parte velha e junto ao Convento. Como é bem sabido, o GPS resolveu essa lacuna. Dobram-se os carros e os autocarros bem dobradinhos, metem-se no dito aparelhómetro e guardam-se no bolso, que ainda é o sítio mais seguro contra a ladroagem.
E viva a aposta municipal tomarense no turismo! Mais uma assim e até conseguem acabar com os funcionários municipais, tal como com a primeira acabaram com o proletariado tradicional, que dava tanto jeito a alguns aprendizes políticos que por aí há, que  resolveram substitui-los pelos calé. O que vem mesmo a calhar, porque esses pelo menos não ocupam o emprego de ninguém. Por enquanto é só os alojamentos sociais, à borla ou quase.
Ia a esquecer o terceiro caso de visitantes perdidos na urbe. Foi junto ao Continente, naquela rotunda. Procuravam a Quinta da Anunciada velha. Não foi nada fácil explicar a dois belgas francófonos como atravessar uma pequena cidade praticamente sem adequada sinalização de trânsito, pois tinham de encontrar a estrada de Paialvo e então seguir em frente. Mas para chegar ao turismo municipal vindo do Continente...

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