quinta-feira, 19 de dezembro de 2024


Orçamento municipal para 2025

Uma autarquia manhosa e esbanjadora 

mas pouco investidora

Parece um paradoxo, e pode bem ser mesmo o caso. A AM de Tomar vai debater e votar amanhã, 20 de Dezembro, o Orçamento para o próximo ano, que é de eleições autárquicas. O que quer dizer que a maioria socialista nabantina terá feito o possível para apresentar um orçamento à altura das circunstâncias. O actual presidente até referiu, n'O Mirante, que o dito orçamento representa um aumento de sete milhões de euros em relação a 2024. Tudo bem portanto? O MIRANTE | Tomar aprova orçamento de 58,8 milhões com destaque para habitação e obras nas escolas
Se fosse o caso, o PSD teria metido a pata na poça uma vez mais, dado que votou contra, situação algo rara em Tomar. Regra geral, a oposição laranja alinha com a maioria rosa, tipo Dupont e Dupont, e lá vamos indo cantando e rindo,  como no antigamente, quando havia unanimidade forçada.
Desconfiando de tal versão, após ter lido as declarações de voto social-democratas, fui procurar perceber a situação geral na região. Comparando Alcanena com Abrantes, Ourém e Tomar, o orçamento oureense é de 78 milhões, o de Alcanena de 66 milhões, o de Abrantes de 62 milhões e o de Tomar de apenas 59 milhões. Ou seja, já fomos liderantes no norte do distrito. Agora estamos em 4º lugar quanto a orçamento. Mau sinal. Muito mau mesmo. Tem sido sempre a descer. E continua! como dizia o outro.
-Má-língua. É só má-língua, vão alegar os PS locais e respectivos apoiantes à roda da gamela. Será mesmo? Na verdade, se Ourém que já teve menos população que Tomar,   e nos ultrapassa agora nitidamente, com 40 mil eleitores inscritos, contra apenas 33 mil, o que pode justificar o diferencial de mais vinte milhões orçamentados pelo concelho vizinho. Milagre de Fátima? Mas como explicar a nossa situação de dependentes do Estado, uma vez que mesmo Abrantes, com os seus 62 milhões orçamentados, tem menos eleitores inscritos ? (31.591 em Abrantes, 33,892 em Tomar)
Também aqui ao lado, Alcanena é um caso ainda mais significativo. Apresenta um orçamento de 66 milhões de euros, mais sete milhões que Tomar, e que é o segundo mais elevado da região, quando tem apenas 12 mil eleitores inscritos, muito menos de metade de Tomar. Há portanto aqui algo que não está a funcionar bem. Não bate a bota com a perdigota. Um concelho mais pequeno, com bem menos de metade dos eleitores, apresenta um orçamento superior ao de uma terra que gastou em 2023 milhão e meio de euros sem retorno com a sua festa grande, e a oposição limita-se a votar contra, sem mais comentários? Quem acode aos tomarenses de boa vontade?
Sem querer cravar ainda mais a faca na ferida, é-se todavia obrigado, para respeitar a verdade inteira, a acrescentar que em Tomar governa o PS desde 2013, tal como em Abrantes desde 1976, enquanto em Alcanena e Ourém o PSD é maioritário. Res non verba, diziam os nossos antepassados latinos. Factos, sem conversa fiada. 
Arranjaram tempo para ler e perceber, senhores da Assembleia municipal? Depois não venham com desculpas de ocasião, como é costume.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024


Realojamento dos ciganos do Flecheiro

Problemas por resolver que se vão agravando

Foi um grande sucesso o desmantelamento do acampamento precário do Flecheiro, consideram com razão os socialistas e respectivos apoiantes. Era uma das bandeiras do partido, cujos militantes se sentiam bastante incomodados com aquela ferida social na principal entrada da cidade, causada pelo presidente Luís Bonet, ao aceitar a mudança da Quinta de Santo André para o Flecheiro, em vez de expulsar os então nómadas do concelho, em conformidade com as normas nacionais da época.
Bem vistas as coisas, quase meio século mais tarde, o dito sucesso foi só aparente, ou pelo menos de curta duração. A óbvia falta de preparação impediu que fossem ponderadas todas as consequências, e elas aí estão. É do adagiário popular que "cadelas apressadas parem cães cegos", e neste caso foi o que aconteceu, em sentido alegórico, bem entendido.
Logo de início, com aquele entusiasmo típico dos neófitos pouco habituados ao trabalho intelectual bem estruturado, pensaram em três locais, para alojar outros tantos clãs -Róflin, Fragoso e Pascoal. E vá de encomendar um pequeno bairro em préfabricado pesado, para instalar nos terrenos anexos à ex-prisão da comarca.
Só depois os entusiastas municipais vieram a saber que a UE considera ilegais os bairros de uma só etnia, o que se compreende. Já não implementaram mais nenhum dos três antes previstos, optando então pelo realojamento nos bairros sociais pré-existentes, ou em habitações municipais recuperadas para o efeito, com todos os inconvenientes daí resultantes, que estão agora bem à vista do eleitorado, e incomodam seriamente as vizinhanças.
A tal ponto que forçaram os autarcas a solicitar às autoridades policiais que usem de compreensão para com a minoria étnica. Em resumo, um estatuto especial para os ciganos, para que tenham tempo para se integrarem, segundo o ponto de vista autárquico. Como se alguma vez nalguma localidade os ciganos em geral se tivessem esforçado no sentido da integração na sociedade em que vão vivendo.
O mal está agora consumado, havendo cada vez mais consequências desagradáveis, mas entretanto autarcas e funcionários superiores da área social não querem nem ouvir falar das nódoas que vão aparecendo e são cada vez mais frequentes. 
Longe de Tomar, em Bruxelas,  a UE continua a dizer que o agora chamado "bairro calé" é ilegal, porque só lá habitam famílias ciganas, enquanto a Câmara vai alegando que se trata de um Centro de acolhimento temporário. Temporário até quando? Onde estão os acolhidos não ciganos? E a troca de bola promete continuar.
Como se não bastasse, surgiu também a contestação de todo o processo de realojamento nos bairros sociais e outras casas camarárias, com acusações de compadrio e falta de respeito pela normas europeias, naturalmente equitativas, e com a autarquia a esquivar-se ao cumprimento do direito à informação, o que impede Bruxelas de obter os dados indispensáveis para poder aquilatar da conformidade com as regras da UE.
Se bem se entende, será a microdimensão concelhia a salvar a tripulação municipal do opróbio. Numa comunidade de trezentos milhões de habitantes, os serviços de fiscalização não podem perder muito tempo com concelhos minúsculos, de menos de 50 mil habitantes. E assim vamos definhando sem controlo real, rumo à irrelevância. 
Entretanto, coitados dos conterrâneos que padecem com vizinhanças indesejadas, geralmente barulhentas e pouco amáveis. Mas isto já é racismo, dirão os acólitos da gamela, enquanto não lhes toca directamente. Um bom Natal para todos, apesar de tudo, é o que sinceramente deseja Tomar a dianteira 3, que critica mas não odeia ninguém.







terça-feira, 17 de dezembro de 2024


Entradas gratuitas no Convento de Cristo

União Europeia não aceita borlas nos monumentos só para nacionais e residentes

Bruxelas exige fim de “discriminação” por museus gratuitos apenas para residentes – Observador

Estava-se mesmo a ver, mas somos quase sempre assim. Temos uma tendência doentia para a "esperteza saloia". Arranjamos soluções impecáveis para problemas insolúveis, que depois se verifica serem apenas ilegalidades manhosas. É o que está a acontecer agora com o Convento de Cristo e os outros monumentos geridos pela Empresa Pública Museus e Monumentos de Portugal, desde o ano passado.
Durante muito tempo, foi possível entrar de borla nos monumentos, aos domingos até ao meio dia. Veio depois a época da esperteza saloia, geradora de ideias luminosas. Só aos domingos de manhã era pouco. Melhor arranjar um bónus anual de 52 entradas gratuitas mediante registo prévio, mas só para nacionais e residentes. Os turistas estrangeiros que paguem, já que têm dinheiro para passear...
Foi sol de pouca dura. Bruxelas acaba de notificar o governo português de que iniciou um procedimento por infracção ao artigo 56º do regulamento comunitário, que se refere à livre concorrência, o que implica a igualdade de todos perante as leis. Ou seja, as entradas gratuitas nos monumentos e museus não podem ser só para nacionais e residentes. Ou são para todos, incluindo os turistas estrangeiros, ou deixam de existir e todos os visitantes pagam. Lá se foi o golpe genial da esperteza saloia. A notificação de Bruxelas refere-se ao regime imediatamente anterior, que sucedeu às borlas aos domingos de manhã. Mas como o actualmente em vigor não é  diferente no essencial, a empresa pública Museus e Monumentos de Portugal vai ter de acabar com a ilegalidade. Eventualmente repondo a situação anterior, com entrada gratuita aos domingos durante a manhã para todos os interessados.
Como uma desgraça nunca vem só, Tomar a dianteira 3 sabe, apesar de estar no hemisfério sul,  a sete horas de avião de Lisboa, que a mesma DG de Bruxelas continua a passar a pente fino todo o processo tomarense de realojamento dos ciganos do Flecheiro, que envolveu verbas europeias. Estão em causa o chamado Bairro calé, onde só residem ciganos, o que Bruxelas considera ilegal, e a igualdade de oportunidades para todos, durante os concursos para concessão de outros alojamentos sociais aos calés. Assunto para a próxima crónica de Tomar a dianteira 3. Esta já ultrapassa as 25 linhas, limite para a capacidade média do nabantino que gosta de ler. Textos simples, como referia há pouco um estudo internacional.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024


Autárquicas 2025

Se for ela 

é só mais um evento sacado da cartola...

A nível nacional, o PS já anunciou que os cabeças de lista do partido para as autárquicas de Outubro 2025, só serão conhecidos em Março. Assim, haverá tempo para sarar algumas recentes feridas internas, como a de Loures. É oficial que os actuais presidentes de câmara socialistas terão via aberta para a recandidatura, se assim o desejarem, mas a recente tomada de posição do presidente de Loures, pondo em causa a linha partidária em relação aos migrantes e outras minorias, tornou incómoda no PS a sua eventual recandidatura. E já depois, a Sanfona, em Alpiarça, também se alargou demasiado...
Enquanto isto, em Tomar continua o habitual deixa andar, que depois logo se vê. Autárquicas 2025? -Isso é ainda lá muito longe. Cada coisa a seu tempo. Só os mais preocupados com as coisas da urbe vão reparando que a complicada herança PS vai pesar muito na campanha e no voto. Obras falhadas, degradação evidente dos serviços públicos, abandono dos espaços verdes, outras  carências várias, os socialistas locais só podem apresentar como trunfo eleitoral o realojamento dos ciganos, realmente um êxito, porém com todos os inconvenientes inerentes. Os tomarenses (incluindo os da gamela) estão longe da unanimidade no que concerne à ida dos calés para os bairros sociais. Sobretudo os vizinhos. Daí, dúvidas sobre a futura candidatura PS, pois o realojamento foi oficialmente obra de Hugo Cristóvão, embora na realidade feito pelo pessoal do pelouro de Filipa Fernandes, entretanto também das obras e da vice-presidência, numa ascensão que não passou despercebida aos que realmente dirigem a autarquia. (Os eleitos passam, os funcionários vão ficando e alguns sabem muito...)
Estava o escriba neste ponto da reflexão, quando foi alertado por vozes vindas do norte (lembra-se que Fortaleza fica no hemisfério sul): O próximo cabeça de lista do PS-Tomar pode não ser Hugo Cristóvão. Há nesta altura várias manobras, sobretudo de fora para dentro, no sentido de se conseguir a candidatura de Filipa Fernandes, considerada mais mobilizadora, mais empenhada, mais realizadora (artistas da cor e bem pagos) e mais à esquerda.
A própria vai fazendo o que pode para reforçar a sua imagem, que é excelente excepto na área financeira. Além de presidir as reuniões do executivo, deu nas vistas a recente sessão sobre os Direitos Humanos, no Convento de Cristo. Esteve toda a extrema-esquerda local, nomeadamente o Agrupamento templários e até uma representação do Agrupamento Nuno de Santa Maria e do CIRE, que são mais para o laranja, numa cerimónia largamente difundida pelos competentes serviços camarários,  que o presidente Cristóvão boicotou ao não comparecer. Porquê? Férias? Saúde? Protesto? Opção política? Eis o que falta saber.
Paralelamente, os aparelhos partidários da extrema-esquerda parecem estar a apostar todas as fichas na vice-presidente Filipa Fernandes, o que se compreende. Até nos parques zoológicos, os animais mostram sempre que gostam mais dos respectivos tratadores, do que dos outros visitantes. Porque será?
Naturalmente por mero acaso, no contexto tomarense, têm-se multiplicado os comentários contra o Huguinho e contra o ATL sobretudo no Tomar na rede, culminando com um deles, nojento,  direccionado à vida privada do actual presidente. Referia-se a alegadas figuras tristes com amantes e sob o efeito do álcool, num estabelecimento nocturno de Tomar. É um indício que não engana. Normalmente, são os comunistas que usam e abusam deste método, uma tarefa para militantes devotados, como forma de arruinar a reputação dos potenciais candidatos que lhes não agradam
É certo que a recente comemoração do 25 de Novembro em Tomar forçou o presidente Cristóvão a um óbvio acto da vassalagem ao BE/PCP, ao boicotar a AM, mas pelo que se nota, não terá sido suficiente, e os dados estão lançados. A extrema esquerda local aposta na vereadora Filipa Fernandes como sucessora de Anabela Freitas, se calhar também por considerarem que Cristóvão é apenas um discípulo de Luís Ferreira, queimado no PS Tomar desde 2015, nas circunstâncias conhecidas, mas ainda por explicar.
Naturalmente, se contactados para confirmar, todos os intervenientes desmentiriam o que acima se alinha. É o costume.  Por isso, dá tempo ao tempo, irmão, e terás todas as respostas.


domingo, 15 de dezembro de 2024

Imagem copiada de Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.

Só para entreter quem gosta de ler

A história é escrita pelos que se consideram moralmente vencedores...


Com muita oportunidade, (a extrema-esquerda lembra sempre os erros cometidos pelos adversários, mas nunca os dela própria), o blogue Tomar na rede recorda hoje a destruição do Cine-Esplanada, pelo então presidente António Paiva, do PSD, o autarca mais odiado pela extrema-esquerda tomarista desde o 25 de Abril: Cine-esplanada foi demolido há 20 anos | Tomar na Rede
Lida a matéria, fica-se com a ideia que António Paiva-PSD matou e fez o funeral do velho cinema ao ar livre "do Marino", numa atmosfera de forte contestação, embora sem a extrema-esquerda local conseguir grande gente para uma manifestação de protesto: "Foram poucos os participantes nessa manifestação, mas a destruição do cine-esplanada foi alvo de muitas críticas."
Sem querer de forma alguma atacar o jornalista, se calhar apenas vítima da formação académica recebida, é-se forçado a esclarecer que ele usa "língua de pau", tão do agrado de uma certa esquerda bem-pensante. O que diz a notícia não é falso, mas tão pouco revela a verdade toda, assim dando ao leitor uma ideia que não corresponde exactamente ao acontecido na época, e beneficiando a imagem da esquerda local.
Neste caso, Paiva-PSD foi apenas o coveiro de um cine-esplanada já antes morto pela falta de público e pela maioria PS. Foi o então vereador Lino Cotralha que deu a machadada final, ao pagar ao Centro de Cultura Popular a máquina de projectar e a desocupação do local.
Anteriormente houvera duas épocas bem distintas. Antes do 25 de Abril, com pouca televisão e muita assistência, devido à então existente guarnição militar e respectivas famílias, e alguns anos mais tarde, já sem guarnição militar e com mais televisão, o que limitou drasticamente os espectadores.
Entretanto, na sequência do falecimento inesperado de Marino Costa, o concessionário de sempre, o presidente Murta, da AD, entregara o cine-esplanada ao Centro de Cultura Popular, para ajudar na realização anual do Festival internacional de cinema para a infância e juventude, subsidiado pela autarquia e com grande sucesso. Infelizmente, os tempos tinham mudado e de que maneira, o que forçou o novo concessionário a procurar filmes rentáveis, tarefa nada fácil e um martírio em termos ideológicos para alguém de extrema-esquerda.
Vieram os filmes pornográficos e outros de fraca qualidade, mas com assistência razoável, houve protestos vários, o que levou a Câmara PS a dar por finda a concessão, ficando pendente o material existente, o que veio a ser resolvido pelo vereador Cotralha, conforme já referido anteriormente. Por conseguinte, as fotos publicadas impressionam, mas deixam uma ideia errada da realidade envolvente. Paiva limitou-se a fazer o funeral do defunto, já em câmara ardente quando ele tomou posse. Mas ficou com a fama de carrasco para os esquerdistas locais, que vinte anos mais tarde, não tendo aprendido nem esquecido nada, continuam acusando o malvado do PSD, o autarca mais votado no concelho até hoje.
Há até um outro detalhe, nessa área de "fazer o jeito" à extrema-esquerda. Talvez um simples lapso, porém muito revelador a tal respeito. Está na notícia sobre o encerramento temporário do parque de autocaravanas, para manutenção:
Lido e relido o edital camarário, constata-se que realmente o parque está interditado durante o mês de Janeiro, mas também no dia 31 de Dezembro, por mero acaso antes e durante a passagem de ano, que costuma trazer muitos caravanistas a Tomar. Sem qualquer intenção malévola? Custa a crer.




Imagem copiada da Rádio Hertz, como os agradecimentos de TAD3.

Respeitar os semelhantes

Câmara e  Convento de Cristo 

há anos a brincar com a República

TOMAR – Dia Internacional dos Direitos Humanos foi assinalado no Convento de Cristo | Rádio Hertz

Foi uma cerimónia em grande. Daquelas para dar nas vistas. E ninguém se terá dado conta de que afinal estavam deslocados. Uma comédia, portanto. Refiro-me à celebração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, no Convento de Cristo. Desde logo, comemorar os direitos humanos no monumento onde funcionou o primeiro tribunal português da Santa Inquisição, só pode ser uma de duas coisas: Ou pura ignorância, ou uma piada de mau gosto. Assim do tipo celebrar o dia do trabalhador num dos antigos campos de concentração alemães.
Mas há mais. Muito mais. Durante o evento, com pouca substância e muito vento, a srª vice-presidente da Câmara, afirmou: "Para que os direitos humanos sejam efectivamente cumpridos, todos temos de fazer também a nossa parte, que é cumprir os direitos inerentes, que começam no respeito pelo outro e pelas suas singularidades." Vindo de uma autarca eleita que, como é sabido, não respeita os outros nem as leis do país, nem sequer o direito à informação, que é isto senão brincar com a República?
A própria direcção do Convento de Cristo, agora mais uma vez em fase de concurso internacional, para selecção de novo dirigente máximo, não parece ter-se dado conta do ridículo da situação. Evocar os direitos humanos numa celebração com pompa e circunstância, num monumento que nunca cumpriu nem cumpre as condições mínimas nessa área. 
Os visitantes são todos os dias violentados numa entrada sem quaisquer condições, perdem-se num circuito mal sinalizado, num monumento assaz complexo, e pagam 10 euros por pessoa para admirar obra arquitectónica complicada, que nem sempre entendem, mesmo quando conseguem explicações especializadas, quanto mais agora quando se limitam a olhar como animais para palácios.
Conquanto grave, embora quem dirige o não admita, a questão das visitas é apenas um detalhe. Há vários outros problemas, a começar pelo autoritarismo sectário. Estão nesta altura a decorrer obras cujos projectos nunca foram debatidos publicamente, ao contrário do que estabelecem as normativas da UE, que subsidia, como sempre. E lá se vai o direito à informação...
Há depois a questão do estacionamento, que é da responsabilidade da autarquia, e o manifesto abandono do Aqueduto dos Pegões, que abasteceu de água o Convento durante mais de três séculos, mas agora está seco e a provocar a definhamento do pomar do Castelo e da própria Cerca, com a direcção do monumento fazendo orelhas moucas, mas não se esquecendo de celebrar uma invenção sua - A feira da laranja conventual- enquanto as laranjeiras sobreviventes forem aguentando a falta de rega.  Se nem respeitam os direitos das plantas, para quê celebrar os direitos humanos? Propaganda barata.
Tanto a srª directora do Convento de Cristo, como a srª vice-presidente da Câmara, quando tomaram posse, disseram "Juro cumprir com lealdade as funções que me são confiadas." Estão de consciência tranquila nesse aspecto? É que há aquele dito popular francês, segundo o qual a política é como certo prato da culinária tradicional da Gália -deve cheirar um bocadinho a caca, mas não demasiado. (La politique c'est comme l'andouillette, ça doit sentir um peu la merde, mais pas trop." Edouard Herriot - 1872-1957)

sábado, 14 de dezembro de 2024


Parque de autocaravanas

Pode ser que seja só mais um susto...

TOMAR – Câmara proíbe estacionamento no Parque de Autocaravanas durante um mês para trabalhos de manutenção | Rádio Hertz

A notícia é de Hertz, sempre bem informada em matéria de assuntos camarários, mas já antes alguns grande apoiantes da "maioria PS esquerda unida" tinham sugerido/acicatado: -"Carregue nos cachopos. Aquilo é uma vergonha. Agora voltaram-se outra vez contra os "turistas de pé descalço", porque há hoteleiros e AL que se vão lastimando, e querem acabar com a concorrência das autocaravanas. Não conseguem engolir os 90 mil euros municipais aos Bons sons, para acolher turistas-mochileiros nas hortas circundantes."
Trata-se, como decerto quem lê já percebeu, do inopinado encerramento "para manutenção", do parque de estacionamento de caravanas, no antigo parque de campismo. Têm razão os alarmistas. Encerrar aquela estrutura municipal de 31 de Dezembro a 30 de Janeiro, cheira demasiado a sacanice propositada, para obrigar os autocaravanistas a recorrer à hotelaria clássica ou ao AL.
Simples suspeita sem fundamento? Que não, que não. De todo. Porque, se no 1º da Janeiro ninguém trabalha, qual a utilidade do encerramento do parque em 31 de Dezembro? Não seria mais lógico de 2 de Janeiro a 1 de Fevereiro? E vem à memória a morte provocada do parque municipal de campismo, outrora classificado como dos melhores do país.
Primeiro encerrou para facilitar as obras de transformação do estádio numa espécie de campo de treinos mal amanhado e pior equipado. Depois, quando se tentou reabrir, apareceu aquela interdição fabricada pelos srs. técnicos superiores da própria autarquia. Não podia haver ali um parque de campismo, porque o respectivo plano de pormenor tal não previa, transferindo-o para o Açude de pedra, com ETAR à entrada e tudo.
Mais de dez anos depois, continuamos sem parque de campismo e a argumentação usada na época mostra agora toda a sua natureza: simples desculpa infantil, para não assumir o questão essencial. O campismo encerrou porque reputados conselheiros da presidência propunham o turismo de luxo em vez do campismo, confundido com o turismo de pé descalço.
Agora que os primeiros resultados menos bons na área do alojamento turístico começam a mostrar que afinal o problema não era, há dez anos como agora, o "turismo de pé descalço", mas sim a falta de estruturas de acolhimento, de organização e de planos fecundos, o inesperado encerramento temporário (???) do parque de caravanas pode bem ser mais uma tentativa para orientar campistas e caravanistas para os alojamentos hoteleiros ou AL. Como se tal fosse viável.
Mas também pode ser apenas mais uma decisão mal enjorcada da maioria que temos, mais voltada para festarolas e outros divertimentos, do que para a honesta administração das questões municipais. Logo veremos, uma vez que, como habitualmente, a oposição PSD, se algo pensa  a respeito, nada diz, o que é pena. Ainda traumatizados pelos "anos Paiva"?