sexta-feira, 11 de agosto de 2023



Conservação do património

Apanha-se mais depressa 

um mentiroso que um coxo


É bem conhecido o dito popular, "apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo". Quando se soube que iam branquear a Janela do capítulo e todo o exterior do Coro alto manuelino, Tomar a dianteira 3 foi o único suporte informativo local que alertou para os perigos da tal intervenção. Todos os outros se calaram. Não por se terem vendido. Só porque lhes compram o silêncio. De uma maneira ou de outra.
Havia boas razões para o protesto, nomeadamente o eventual uso de projecção de água com areia, como método rápido de limpeza, que já antes causara danos importantes no portal dos Jerónimos e no da Igreja da Atalaia. Vieram logo garantir que não senhor, nem pensar. Vai ser tudo feito à mão, com muito cuidado,  por técnicos altamente especializados, etc. etc. A música do costume.
Taparam tudo e fizeram o trabalho. Estão agora na fase final, a reparar as mazelas. Logo se verá se houve estragos e qual a sua amplitude. Entretanto, numa visita ocasional, tendo em vista o reconhecimento do percurso, para depois conduzir um grupo de tomarenses, interessados em conhecer melhor o Convento, obteve-se a imagem supra.
Não tendo havido -segundo garantiram- recurso à limpeza com jacto de água e areia à pressão, supõe-se que aquele depósito plástico que se vê agora na imagem, uma vez retirada a manta protectora, com um compressor e uma mangueira comprida, esteja ali apenas para ornamentar. Vamos aguardar que retirem os andaimes todos, para então examinar com cuidado toda a fachada. Para já os indícios não são nada tranquilizadores.
Quanto à visita guiada para tomarenses, prevista para o próximo dia 20,  fica a aguardar melhor oportunidade, lá para 2024, se ainda houver saúde para tanto. Jamais ousaria mostrar e explicar a Janela e a fachada manuelina com todos aqueles andaimes. Tenho consideração e respeito pelos meus conterrâneos que o merecem, e sei bem que, mesmo sem andaimes a obstruir, não é nada fácil compreender aquela obra-prima manuelina, quanto mais agora com aquele obstáculo inconveniente. Se repararem bem, até o gigante Adamastor virou a tromba, para não ver semelhante desgraça. Não consegue localizar o depósito de água com o compressor, nem o "bicho" inventado por Camões?
O depósito está no ângulo inferior direito da imagem. O Adamastor, vomitando as vagas do oceano, está do lado direito, logo abaixo da segunda plataforma do andaime, a contar de cima. Mais detalhes na visita do próximo ano. Se houver.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

 

A beleza da Janela do Capítulo, com a sua patine de cinco séculos, antes da recente lavagem, que lhe deu um aspecto de publicidade a uma empresa de construção.  Há gostos para tudo, quando se trata de lamber botas para sacar bom dinheiro. A "ganhunça", condenada por Nini Ferreira.

Passatempo de verão

Conhece bem o Convento de Cristo?


AS RESPOSTAS


1 - Onde se pode ver a assinatura do arquitecto João de Castilho?

No Portal da virgem (entrada da Charola), do lado direito. 

2 - Onde está o túmulo do frade que trouxe a bula da Inquisição para Portugal?

No Claustro do cemitério.

3 - Como se chamava esse frade?

Frei Baltazar de Faria.

4 - Há um único mestre da Ordem de Cristo sepultado na Charola. Qual o seu nome?

D. Lopo Dias de Sousa.

5 - A assinatura de Fernão Gonçalves está num dos 7 claustros. Em qual deles?

No ângulo sudoeste do Claustro do cemitério.

6 - Quantas janelas irmãs tinha primitivamente a sala do capítulo?

Cinco. Duas a norte, duas a sul e uma a poente. Restam duas e vestígios das outras três.

7 - O gigante Adamastor está no botaréu direito ou esquerdo?

No botaréu direito.

8 - O cão e o gato estão na Janela do capítulo de que lado?

Do lado direito, à esquerda da esfera armilar.

9 - E o rato, está ao lado da esfera armilar da direita ou da esquerda?

Está do lado direito da esfera armilar da esquerda.

10 -Onde pode ser visto o rosto do frade com azia?

No capitel esquerdo do púlpito do lado nascente do Refeitório conventual.

11 -O Convento é na realidade um conjunto de dois: o Convento Velho e o Convento Novo. Quantos claustros tem o Convento velho?

Tem dois claustros. O da Lavagem e o do Cemitério.

12 -Que outro nome se costuma atribuir ao Convento velho?

Paços do Infante D. Henrique.

Nota final

Se conseguiu fraca pontuação, não desanime. Todos somos ignorantes, uns mais do que outros, dependendo do assunto. Procure melhorar o seu desempenho, lendo, vendo e ouvindo. Com tempo, quase tudo se consegue. Há 67 anos que estudo e mostro o Convento de Cristo. Tenho obrigação de saber qualquer coisinha.



 


Passatempo de verão

Conhece bem o Convento de Cristo?

Falou-se do Convento na crónica anterior, um monumento que você, cara leitora/caro leitor, se calhar julga que conhece bem, porque nasceu e/ou vive em Tomar, já tendo até visitado várias vezes aquele Património da humanidade. Em tempo de calor, propício para ficar em casa ao lado da ventoinha, ou no ar condicionado, publica-se um passatempo, para aferir se realmente conhece mesmo  o Convento de Cristo:

1 - Onde se pode ver a assinatura do arquitecto João de Castilho?_________________________________

2 - Onde está o túmulo do frade que trouxe a bula da Inquisição para Portugal?________________________________

3 - Como se chamava esse frade?
________________________________

4 - Há um único mestre da Ordem de Cristo sepultado na Charola. Qual o seu nome?________________________________

5 - A assinatura de Fernão Gonçalves está num dos 7 claustros. Em qual deles?________________________________

6 - Quantas janelas irmãs tinha primitivamente a sala do capítulo?________________________________

7 - O gigante Adamastor pode ver-se no botaréu direito ou esquerdo? _______________________________________

8 - O cão e o gato estão na janela do capítulo de que lado?_______________________________________

9 - E o rato, está ao lado da esfera armilar da direita ou da esquerda? ______________________________________

10 -Onde pode ser visto o rosto do frade com azia? _____________________________________

11 -O Convento é na realidade um conjunto de dois: o Convento Velho e o Convento Novo. Quantos claustros tem o Convento velho?
____________________________________

12 -Que outro nome se costuma atribuir ao Convento Velho?
____________________________________



Responda e veja as respostas na próxima crónica. Atribua-se um ponto por cada resposta certa. Se obteve menos de sete pontos, está a precisar de se actualizar, numa nova visita ao Convento, acompanhada por quem saiba. Não é fácil.
Também pode aguardar a publicação das respostas, e só depois responder. Nesse caso estará a fazer batota e a enganar-se a si própria/o. Uma situação que não é muito rara em Tomar, mas que as vítimas raramente reconhecem, apesar de ser o primeiro passo para remediar o erro e reparar os danos causados.
Boa sorte!


quarta-feira, 9 de agosto de 2023

 


Património e turismo

Visitar o Convento de Cristo
passa a custar 10 euros a partir de Setembro


Somos uma terra assim. Com gente culturalmente como sabemos, cuja grande maioria ignora o que possa ser tolerância ou convivência. Mesmo os que vão à missa, e gostam muito do Papa Francisco. Não espanta por isso que haja certas reacções menos comuns.
Desta vez, bastou noticiar que a entrada no Convento de Cristo vai aumentar de 6 para 10 euros já em Setembro. Choveram logo críticas suaves, do tipo ladrões, é uma roubalheira, é para pagar as obras da janela, assim o tipo dos bilhetes tem mais margem de manobra, etc.
Opiniões desajustadas, que os apaniguados da maioria PS se abstiveram de apelidar de má língua, uma vez que não está em causa a querida senhora presidente de abalada. Compreende-se. Numa terra onde a maioria da população está habituada a depender do Estado para quase tudo (emprego, habitação, saúde, transportes, educação, cultura, divertimento, etc) lógico seria que a entrada no Convento fosse gratuita, como aconteceu durante décadas, uma vez que pertence ao Estado.
Só que, fora do vale do Nabão, os tempos foram mudando, de tal forma que agora se paga para entrar em qualquer monumento. Até no Castelo de Belver (4 euros, 2 euros para aposentados):

Palácio de Versalhes e jardins...................................................59 euros/pessoa
Palácio dos Doges de Veneza....................................................30 euros/pessoa
Alhambra de Granada e Generalife...........................................25 euros/pessoa
Sagrada família de Barcelona....................................................33 euros/pessoa
Mesquita-Catedral de Córdoba..................................................25 euros/pessoa
Jerónimos Lisboa.......................................................................12 euros/pessoa

Argumentarão os mais afoitos que isso é no estrangeiro, onde o nível de vida não se compara. Cumpre esclarecer desde logo que Lisboa não é no estrangeiro, e que o bilhete de 12 euros é só para o claustro, dado que a entrada na igreja dos Jerónimos é livre, por imposição da Concordada. 
Além disso, a alusão ao estrangeiro é um argumento sem consistência. Em Espanha, por exemplo, o gás e a gasolina até são mais baratos que em Portugal, o mesmo acontecendo com os produtos alimentares, apesar de o ordenado mínimo espanhol ser superior ao português. Tomarenses pouco informados, porque pouco saem da cova nabantina, e ler cansa um bocadito. Mas convencidos do contrário e inflexíveis.
Segue-se que o aumento de preço das entradas no Convento pode ser considerado escandaloso, mas por razões bem diferentes. Designadamente porque nada muda, além do preço dos bilhetes, e há carências gritantes. Não há estacionamento suficiente, sobretudo para autocarros de turismo. A entrada no monumento está longe de ser a mais adequada ou sequer confortável. Faltam pórticos de controle. Não há cacifos para guardar os sacos e outros volumes dos visitantes. Os sanitários são poucos e mal situados. Visitas guiadas, só mediante pedido prévio, com pelo menos um dia de antecedência.
É esta estranha situação que choca. Aumentam os bilhetes, mas não eliminam as carências, que inclusivamente provocam a desistência de candidatos à visita, que não conseguem estacionar a uma distância razoável, aos fins de semana durante a alta estação.
É claro que a Câmara nada tem a ver com tal situação, embora o estacionamento seja da sua responsabilidade. O costume. Quanto à gestão do monumento, que vai passar para uma empresa pública, só ainda não foi entregue à autarquia porque tal nunca foi reivindicado. Mesmo com mais de milhão e meio de euros de receita anual, gerir 40 funcionários daria muito trabalho a eleitos sem experiência na área... Mais uma oportunidade perdida, no alegado rumo certo.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Aspecto da aldeia de Iseltwall, na Suiça

Turismo

É tudo uma questão de educação 

e de mentalidade dominante


Informação prévia

ISELTWALL é uma aldeia suiça, da região de Berna. Tem 398 habitantes e não perdeu população nos últimos dez anos. Comparativamente, Tomar tem pouco mais de 36 mil habitantes, de acordo com o censo de 2021, e perdeu 10% da população residente (4.300 habitantes) entre 2011 e 2021.
A suiça é uma federação com três línguas oficiais -alemão, romanche (francês) e italiano- e 9 milhões 927 mil habitantes em 2023, mais 1,16% em relação ao ano anterior. Não faz parte da União Europeia, e tem o mais alto nível de vida da Europa.

..."Vivemos num planeta onde a informação circula depressa e por todo o lado. Um mundo no qual bastou que uma série sul coreana da Netflix tenha mostrado uma cena romântica, filmada num pontão do lago Brieuz, na Suiça, para que a tranquila aldeia de Iseltwall tenha sido invadida por milhares de turistas asiáticos, obrigando as autoridades locais a instalar um pórtico electrónico de acesso, mediante o pagamento de 5 francos suiços (5,20 €) por pessoa.
Não se trata portanto de negar os efeitos perniciosos do turismo em excesso, ou sobreturismo, quando é evidente, mas a designação é usada em demasia, porque se trata de um domínio onde reina a confusão, habilmente fomentada."

Rémy Knafou, professor emérito de geografia da Universidade de Paris I, Réinventer le tourisme - Sauver nos vacances sans détruire le monde, LE MONDE online, 07/08/2023

Se fossem tomarenses a administrar a aldeia, em vez de instalar o pórtico de acesso e cobrar 5 euros  a cada visitante, ornamentavam as ruas com flores de papel importado da Alemanha, faziam uma festa com cortejo de dois mil figurantes,  e organizavam vinte concertos, tudo  à borla. Para os numerosos convidados, encomendavam um lanche de 20 mil euros, para promover a aldeia e cumprir a tradição, gastando um dinheirão a candidatar a coisa a património imaterial da UNESCO. Depois discutiriam, durante semanas, para apurar quantos visitantes vieram assistir à festa. Ou estarei enganado?
Afinal, a experiência demonstra que é tudo uma questão de educação e de mentalidade dominante. Na Suiça, a mentalidade dominante incita a ganhar dinheiro, para não depender de ninguém. Em Tomar, a mentalidade dominante é mais no sentido de depender do orçamento do Estado, directamente ou via Câmara municipal. E quanto a esta, sem os fundos europeus, pouco ou nada fariam, como está à vista. 
É capaz de ser por isso que os suiços têm o mais alto nível de vida da Europa, e nós estamos na cauda da mesma tabela. Ou não? Também pode ser do clima...ou da alimentação. E porque não da bebida?



segunda-feira, 7 de agosto de 2023

O Parque Eduardo VII e o Marquês de Pombal durante a JMJ.

Tabuleiros -  Polémica

Nem aversão nem embirração


Tentando pôr-me a pensar como um tomarense da classe média baixa, dei comigo a cismar que após leitura da crónica "Coerência nunca fez mal a ninguém", de 5 de Agosto, alguns leitores terão ficado com a ideia de ser um caso evidente de aversão e de embirração entre conterrâneos de ideários diferentes. Pois não senhor. De todo. O  que me levou a confrontar o estimado tomarense Alfredo José, foi o que está no título: coerência. No caso, óbvia falta dela.
A bem dizer, eu já estava de atalaia, desde que em tempos uma senhora contestou um escrito meu, no qual comparava Paris com Tomar, porque era uma heresia segundo ela, uma vez que não se pode comparar uma coisa com a outra. Fiquei estarrecido, como se calcula, ao constatar que para os tomarenses é impossível comparar coisas comparáveis, logo que sejam muito afastadas em termos de escala. Noutros termos, que impede a comparação entre Tomar e a capital francesa, se tivermos em conta que Paris tem milhões de habitantes e Tomar nem aos 50 mil chega?
Apesar da enorme diferença de tamanho, ambas as cidades têm milhares de pontos comuns. Ruas, avenidas e praças, por exemplo. Ou saneamento e trânsito. Obviamente ninguém de bom senso se vai pôr a comparar a pontualidade do metropolitano que há nas margens do Sena, com a do metro que não há nas margens do Nabão.
Todavia, pelo que consigo entender, para alguns tomarenses que se manifestam nas redes sociais, não se podem comparar coisas muito diferentes no tamanho ou no aspecto geral. Como fez o estimado conterrâneo Alfredo José, considerando que os tabuleiros e a JMJ não são comparáveis, para depois louvar o evento tomarense e condenar o lisboeta. Sendo para ele coisas não comparáveis, considera que a despesa camarária com os tabuleiros está certa, mas os gastos públicos com as JMJ estão errados. Creio que não terá sido intencional, mas a verdade é que caiu nesse logro de considerar de facto como diferentes, duas manifestações semelhantes nas suas grandes linhas. Tanto os tabuleiros como as JMJ são eventos organizados sobretudo para juntar dezenas ou centenas de milhares de pessoas, com o objectivo anunciado de promover as localidades onde têm lugar. Não é assim?
Por conseguinte, se é esbanjamento de recursos públicos, gastar milhões com a vinda do Papa, também é dinheiro mal gasto quando uma autarquia pobre, com um orçamento de pouco mais de 40 milhões de euros, decide gastar mais de um milhão com uma festa de promoção. Ou não ?
Com uma agravante. Enquanto as concentrações no Parque Eduardo VII, no Parque Tejo e em Fátima, tendo como atracção a presença do Papa,  não podiam ser rentabilizadas monetariamente, sob pena de o público não afluir, como de resto aconteceu em Fátima, onde segundo as entidades oficiais, eram esperadas 500 mil pessoas e estiveram menos de metade, em Tomar os tabuleiros só não dão lucro substancial devido a uma organização em certos aspectos caduca, porque completamente desfasada dos tempos que correm. Intencionalmente? Creio que não. 
É meu entendimento que os tomarenses, incluindo os eleitos, são apenas vitimas  de uma educação deficiente, ou da falta dela. Pense um bocadinho comigo. Sabe certamente que Nini Ferreira, um dos profetas locais com grande aceitação, escreveu a dada altura algo assim: "Os visitantes gostam da festa dos tabuleiros. Mas os tomarenses vêem-na com outros olhos." Eis o âmago da questão. O Nini viu bem. Educados de certa maneira, os tomarenses vêm a sua Festa grande como algo de sagrado, intocável e inalterável, devido à sua própria natureza. Um caso de evidente idolatria, que conduz depois aos piores excessos de toda a ordem. Como por exemplo a essa ideia peregrina de obrigar toda a gente, excepto os espectadores, (por manifesta impossiblidade prática), a trajarem de determinada maneira. Como se o cortejo fosse uma missa com todo o seu clero, incluindo os jornalistas. 
Ou a imediata excomunhão de quem ouse criticar, com a terrível frase falsa "O gajo sempre foi contra a festa", que nunca é transmitida ao visado. Tal como nos processos da Santa Inquisição, em que as vítimas nunca sabiam com precisão de que eram acusadas, o que impedia qualquer defesa eficaz. Estavam condenadas de antemão, como acaba de acontecer com o opositor russo Navalny.
Ligados à pretensa sacralidade da festa, há depois outros factores locais, que vão do receio de errar, à necessidade de enganar os eleitores. Decretou-se que a festa não pode ser anual, apesar de ser das colheitas, embora nunca se tenha tentado. Determinou-se que tem de ser tudo à borla, porque com entradas pagas ficava-se a saber quantos pagaram, e já não se podiam aldrabar depois os eleitores locais, anunciando totais mirobolantes. Como o milhão e meio de visitantes, avançado logo no início, quando afinal nem 300 mil cá estiveram, durante toda a festa.
É claro que os tradicionalistas tacanhos vão continuar a insistir na imutabilidade da festa, porque sendo algo de sagrado, é intocável e indiscutível. Uma questão de fé. Até que a dada altura, dentro de 20-30 anos, se tanto, os tabuleiros morrem, como já aconteceu no passado, antes de 1950, porque o orçamento camarário será insuficiente para financiar a Festa grande com desfile e concertos à borla. Basta pensar que há quatro anos, em 2019, a câmara avançou com pouco mais de 600 mil euros. Este ano já ultrapassou o milhão. Por este caminho, nem é preciso ser muito bom a fazer contas ou a prever o futuro. Basta que acabem as esmolas de Bruxelas.

domingo, 6 de agosto de 2023

 Paisagem urbana

Uma imagem muito tomarense


Não se tapou a matrícula da autocaravana, porque Tomar a dianteira 3 não faz parte de nenhum organismo de protecção aos prevaricadores.

Repare-se no estado da relva, naquilo que já foi um pequeno espaço verde urbano, na Rua Manuel Matos. Atente-se depois na limpeza, bem representada por aquele montinho de lixo no passeio, que ali está há tempos. Tome-se nota daquela passagem para peões, naturalmente sem sinalização horizontal no parque. Tudo a mostrar que temos uma Câmara do melhor que há, em termos de ambiente urbano, de funcionários muito atentos, trabalhadores e diligentes, bem como de respeito por quem os elegeu.
Veja-se finalmente o veículo de turismo, que não é nada barato, cujo proprietário, certamente um respeitável cidadão acima de qualquer suspeita, e da classe média alta, dá um exemplo de excelente educação cívica e de consideração pelos direitos dos outros. Cumpre a tradição nabantina, digamos assim. Em conclusão, uma imagem muito tomarense, nos tempos que correm. Só alguns raros críticos é que vão estragando a festa. Ressabiados com mau feitio, é o que é. Os críticos ainda ao serviço, claro. Os outros cidadãos são todos exemplares, com feitio a condizer.