quarta-feira, 20 de setembro de 2023


Promoção turística da região

Ofereceram a "VUELTA" 

e Ourém soube agarrá-la 

CICLISMO – Volta a Espanha coloca Ourém no centro do Mundo | Rádio Hertz (radiohertz.pt)

É o golpe publicitário do ano. Ourém acaba de anunciar que, no próximo ano, a  "Vuelta",  volta à Espanha em bicicleta, que começa em Lisboa, tem a meta final da 2ª etapa na cidade vizinha. Diz a nótícia que foi uma luta renhida, ganha pelo concelho de nossa senhora de Fátima. Parabéns Ourém! Aprenderam com Tomar e aprenderam bem. Em vez de Festa grande, durante dez dias, uma grande festa durante um dia, para não incomodar tanto os residentes. 
Já muito antes se desconfiava que um dia talvez, porque iive em Ourém, (ou residia no concelho), uma família Castelhano, quer dizer originária de Castela. E Castela é a base da Espanha toda. Falta saber ainda quanto vai custar a façanha, mas barata não será. Largamente compensada depois pela gigantesca promoção: mais de três mil figurantes, mil e duzentos jornalistas acreditados, transmissão em directo para 194 países, dois milhões de espectadores, segundo o texto noticioso. (link supra). Que me perdoe o sr. presidente, mas noto na notícia algumas coisas que não colam assim muito bem, julgo eu.
Desde logo, essa da competição renhida, para transformar a cidade da deusa Oureana no centro do mundo. Segundo consta, terá sido só conversa, para inflacionar o montante da participação camarária, uma vez que aqui na zona, só o conjunto Ourém-Fátima-Leiria dispõe de capacidade hoteleira para alojar todo o pessoal da Vuelta. E sem camas disponíveis... Oxalá venham também alguns para Tomar, que bem precisa.
Outro aspecto polémico é "Ourém centro do mundo". Já aqui há uns anos, quando o escriba visitou a Ilha da Páscoa, no Oceano Pacífico, a cinco horas e meia de avião desde Santiago do Chile, a simpática guia "hangarroana" (Hanga Roa é a capital da ilha, com pouco mais de 6 mil habitantes), veio com a mesma conversa. Apontou para uma pequena cavidade no solo, rodeada de pedras, e sentenciou: -"Aqui é o centro do mundo. Foi daqui que o deus..." Em que ficamos afinal? O centro do Mundo é na ilha da Páscoa? Ou em Ourém? Se calhar em ambos, dependendo da ocasião.
Outro detalhe discutível é aquele das três mil pessoas da caravana, mil e duzentos jornalistas acreditados e transmissão em directo para 194 países, com previsão de dois milhões de espectadores. Não bate a bota com a perdigota. Em Tomar, a srª vereadora Filipinha, com muito menos jornalistas e sem a transmissão televisiva para 194 países, conseguiu um milhão e meio de espectadores, segundo o mordomo dos tabuleiros. E durante dez dias, com nove pernoitas hoteleiras, em vez de uma só, como em Ourém. Tudo isto quase de borla. Ainda não chegou a milhão e meio de euros, embora já falte pouco. Uma ninharia, numa Câmara rica.
Parece  portanto, com o devido respeito, que o sr. presidente Albuquerque, agora também líder da câmara do centro do mundo, está a ser levado à certa.  Desta vez, já está, já está. Para a próxima, se houver próxima, aconselha-se a contratação da srª vereadora Filipinha, que entretanto deverá ficar livre em Outubro de 2025, como assessora especial para festarolas e comezainas. Ela saberá providenciar, por poucos milhões, para a próxima etapa da Vuelta em Ourém, um amplo festival de rua com muita "street food", para o estômago do pessoal não ficar fodido com a cozinha tradicional. Aqui fica a proposta. À borla e mesmo sem "street food".



Saneamento nas aldeias

Mais do que urgente 

é prioritário o saneamento em Santa Marta

https://radiohertz.pt/tomar-populacao-de-santa-marta-reforca-pedido-de-saneamento-e-uma-necessidade-cada-vez-mais-urgente/

Reivindica a população de Santa Marta que façam quanto antes o saneamento na aldeia, alegando que é cada vez mais urgente. Têm carradas de razão. É não só urgente, mas até prioritário. Uma vez que a Câmara gasta milhões com festarolas, animação de rua e "street food", deve antes preocupar-se também com a instalação de esgotos que possibilitem canalizar os resíduos de "street food" e outra "food", para evitar que o pessoal fique fodido ao não encontrar onde se aliviar, devido à falta de saneamento, que contrasta com o excesso de festarolas. Até já houve um pacato visitante que levou um choque ao urinar contra um poste. Passou na TV, toda a gente se riu. e a imagem de Tomar melhorou bastante.
Anabela Freitas, praticamente já de abalada, respondeu muito bem aos reclamantes. Sossegou-os, garantindo-lhes que toma boa nota do seu pedido, numa altura em que ela própria vai tomar notas para outras bandas. O assunto fica assim entregue ao vice presidente Cristóvão, que calhando, senta-se em cima do processo, para depois poder dizer sem mentir -"Fiquem descansados que está debaixo de olho".


terça-feira, 19 de setembro de 2023

 




Eleições autárquicas 2025

Cuidado com o triunfalismo prematuro

Foi aqui escrito anteriormente que, a priori, o CHEGA é o partido político com melhores perspectivas para as próximas autárquicas em Tomar. Todas as outras formações perderam eleitores em 2021 e o chamado "desgaste do poder" é evidente no que concerne ao PS e ao PSD, para não mencionar os outros.
Análises e comentários entretanto lidos, levam a concluir que há unanimidade quanto à vantagem inicial do CHEGA, o que tende a gerar algum triunfalismo talvez prematuro. Parece-me óbvio que o partido de Ventura, que é de protesto, só conseguirá um bom resultado em 2025, em Tomar como no resto do país, com gente capaz, programa à altura, grande capacidade de trabalho, humildade, abnegação e recursos materiais suficientes. Caso contrário, sobretudo se vierem a imperar a basófia e a auto-suficiência, haverá desastre pela certa. Nada de triunfalismos precoces. Fica o aviso.
A derrota clamorosa do PSD em 2013, que permitiu a inesperada ascensão ao poder da maioria Anabela Freitas, manifestamente impreparada, foi tão surpreendente que eclipsou um outro fenómeno local -o génio da Asseiceira. Discretamente, mas com grande eficácia, um jovem da freguesia, que não conheço e cujo nome ignoro, apresentou uma candidatura patrocinada pelo MPT e veio a conseguir um resultado global extraordinário para a época, como adiante se pode ver.
Sem apoio a nível regional ou nacional, fez campanha sobretudo na internet e convenceu muitos eleitores. A tal ponto que conseguiu em 2013, num quadro mais dífícil, percentagens superiores às do CHEGA em 2021, oito anos mais tarde. E só não foi o terceiro partido mais votado no concelho, como agora o CHEGA, porque havia então os Independentes por Tomar, que averbaram 15,56% (3.096 votos) e a CDU, com 9,19% (1.827 votos), contra os 6,86% (1.300 votos) do tal génio da Asseiceira, a comparar com os 6,15% (1.308 votos) do CHEGA, em 2021, oito anos passados, já sem os independentes e com CDU reduzida a menos de mil votos. Ora veja com atenção o quadro seguinte, elaborado por TAD3 com os dados oficiais que podem ser conferidos em resultadosautarquicasmai.gov.pt

Autárquicas em Tomar

                             2013 - MPT 6,86% 1.300 votos.......2021 - CHEGA 6,15% 1.308 votos

ASSEICEIRA................16,84%.........252 votos.........................5,63% ........71 votos
PAIALVO........................6,25%...........80 votos.........................9,21%.......107 votos
MADALENA...................6,58%.........127 votos.........................5,57%.........99 votos
CARREGUEIROS..........5,62%...........35 votos.........................5,13%.........31 votos
SABACHEIRA...............2,61%...........17 votos.........................1,56%...........8 votos
ALÉM DA RIBEIRA.......6,54%..........58 votos..........................3,02%........20 votos
CASAIS..........................5,75%..........84 votos..........................6,04%........86 votos
OLALHAS......................6,06%..........44 votos..........................7,02%........48 votos
SERRA..........................4,06%..........46 votos..........................7,46%........71 votos
S. PEDRO.....................5,45%..........82 votos...........................4,53%.......61 votos
URBANA........................6,82%........544 votos..........................6,61%.....506 votos

Conclusão: Há coincidências curiosas. Apesar do bom resultado inicial, o MPT 
não voltou a concorrer. Porquê? Por onde andará o tal jovem de então? Também emigrou?

segunda-feira, 18 de setembro de 2023



Economia e administração local

Migração da Misericórdia 

de Tomar para a Barquinha: 

uma bomba de efeitos imprevisíveis


Começa-se por responder antecipadamente às habilidosas aves de rapina locais, que vão fazendo o mal e a caramunha. Criam problemas para irem embolsando, e depois vão dizendo que outros exageram, quando escrevem sobre essas golpadas encobertas. No caso, não é de todo Tomar a dianteira 3 que insiste, mas os leitores que quase suplicam:

Quando é que alguma das entidades envolvidas neste estranho caso consegue explicar, com clareza e transparência, à população, a razão do investimento ser na Barquinha?" (Copiado do Tomar na rede, com os nossos agradecimentos.)


Quem conhece um pouco o provedor da Santa casa, António Alexandre, sabe que está longe de ser perfeito, como qualquer um de nós, mas é muito TOMARENSE. Terá sido portanto com mágoa profunda e as lágrimas nos olhos que decidiu mudar parte da instituição multicentenária que lidera, para o vizinho concelho da Barquinha. Porquê? 
Falou-se já no investimento de 7 milhões e nos futuros 80 postos de trabalho, que se vão para a Atalaia e tanta falta fazem em Tomar, mas as outras consequências, bem mais gravosas a médio-longo prazo, continuam ocultas, porque assim convém a determinado grupinho local.
Convém recordar que o actual provedor foi antes vereador  PS na Câmara de Tomar, nos mandatos de Pedro Marques, justamente quando foi elaborada e aprovada a primeira versão do PDM. Sabe por conseguinte o que a casa gasta, e tinha fundadas esperanças, nomeadamente após a recente revisão do referido plano. Daí as suas pressões, que foram até ao limite da denúncia pública.
Apesar disso, nada conseguiu em Tomar, porque a actual maioria PS pode ser considerada um simples embuste, na medida em que apenas se preocupa com a sua manutenção no poder, custe o que custar, doa a quem doer. Temos assim uma espécie de teatro trágico-cómico na autarquia: Os eleitos presidem, mas não dirigem nem governam, excepto naqueles sectores sem interesse para o tal grupinho: animação cultural, desporto, limpeza e por aí adiante.
Nos outros, sobretudo nas obras municipais, urbanismo e gestão do território, mandam os de sempre e são mandados os eleitos. -Já antes assim era e com o PSD ainda foi pior, dirão alguns papalvos defensores da actual maioria socialista. E daí? Uma desgraça não justifica a outra. Apenas falta coragem para enfrentar a realidade, porque daí pode resultar também a queda do executivo. Cá se fazem, cá se pagam.
Sabedores de que assim é, os ratões de serviço insistem, persistem e exageram. Impediram que a Câmara acedesse às pretensões da Santa casa, que sempre se recusou a "pagar portagem", porque já cá está desde há mais de quinhentos anos. Temos assim as tais consequências de gravidade imprevisível, pois um executivo camarário refém de um grupinho da casa, assusta qualquer investidor atento. E nenhum estudante minimamente informado quer vir para uma terra onde praticamente não há empregos produtivos, nem alojamento acessível, porque os construtores se foram, para concelhos com portagens menos gulosas. E assim sucessivamente.
Alguns comentadores, que se julgam bem informados, continuarão a culpar a aposta camarária no turismo, algo que realmente nunca. existiu nem existe. Houve, isso sim, quem aceitou "pagar a portagem". Temos assim um hotel 5 estrelas sem parque de estacionamento privativo, uma cafetaria municipal cujo concessionário privatizou de facto as instalações sanitárias públicas, outro hotel com estacionamento gratuito num jardim público para 25 veículos, ou uma célebre cadeia de comida rápida americana que até afixou durante as obras o obrigatório painel informativo, que incluía o nome do "facilitador do negócio". Ou seja, quem negociou os custos da tal portagem. Isto é que vai uma crise, diria a saudosa Ivone Silva.
Esta maioria autárquicas está esgotada. Vão ser mais dois anos dolorosos para todos, com Tomar a regredir de dia para dia. Se em 2025 não aparecer uma equipa vencedora, coesa e capaz de enfrentar e acabar de facto com o tal grupinho, o que não vai ser nada fácil, Tomar está perdida. Definitivamente. Pode levar o seu tempo, mas o cancro municipal acabará por triunfar.




Comissão dos tabuleiros ou de encher a pança?

Sou contra! Rigorosamente contra!

É UMA VERGONHA. MAIS UMA.


Isto é gozar com quem trabalha! Respeitem quem  paga impostos, dos mais altos da Europa. Tenham vergonha pelo menos na cara, já que não a têm noutro sítio. Anunciar nesta altura um divertimento-comezaina aberto a todos, é objectivamente fazer pouco dos tomarenses que não são tomaristas. Que não se servem de Tomar para encher os bolsos e/ou a pança.
O cartaz anuncia que é uma festarola-comezaina aberta a todos os tomarenses. Uma palermice. Imaginem que apareciam todos, ou mesmo a maior parte. Havia comida e bebida para todos? Vão mas é gozar com o Gualdim. Não brinquem com coisas assim.
Primeiro publiquem as contas, devidamente auditadas, que já ultrapassaram a soma anunciada pela padroeira Anabela. Depois expliquem à população qual a justificação para mais essa comezaina. A Festa dos tabuleiros é para promover Tomar e cumprir a tradição, dizem vocês. Esta festarola de confraternização é para quê? Para comemorar o saque orçamental deste ano, de mais de um milhão e quatrocentos mil euros, numa câmara que já tem dívidas de milhões? Ou para publicitar o perfil do Gualdim, com o escudo a proteger-lhe o traseiro?
Julgo conhecer os tomarenses, pois sou um deles há mais de 80 anos. Sei por isso que vão ficar mudos e quedos, naquela atitude usual de ensimesmados, tipo quero lá saber! Amanhem-se se puderem! Se estivesse em Tomar,  era bem capaz de iniciar uma greve da fome, nos arcos dos Paços do concelho, protestando contra esta iniciativa acriançada, que é mais uma vergonha para Tomar. As forças políticas locais, ditas de oposição, não têm nada a dizer? Concordam com esta borga?
Doa a quem doer, não me calo! Não é para coisas assim que pago impostos, numa altura em que falta dinheiro para tanta coisa indispensável. Médicos, professores, funcionários judiciais e dos registos, passeios em Carvalhos de Figueiredo, nas Algarvias e em Valdonas, saneamento novo na minha rua, estacionamento...
Não tem nada a ver, exclamarão os tomaristas do costume. Não tem mesmo? Não há pior cego do que aquele que não quer ver. O próprio título do cartaz "A festa continua", é afinal uma reles provocação. Realmente este mandato tem sido uma festa. Pelo menos até aqui. Usando o mesmo estilo, aí vai: "A vergonha continua, ponham os gajos na rua. Já!"


A tribuna de

Fernando Caldas Vieira


Tomar. A linha de partida

Introdução

É muito cedo para lançar a campanha para as autárquicas de 2025? Sim, é. Há problemas concretos, do país e da vida dos cidadãos, que nos deviam preocupar mais, a começar pela degradação do poder económico e o aumento do custo de vida.
Há também umas eleições antes, as europeias, que servirão para aferir muita coisa e que podem alterar o panorama atual dos partidos. Mas nada impede que se possa antecipar cenários, avaliar candidatos ou mesmo desejar resultados. Sonhar é fácil, já dizia Perdigão Queiroga.

Partidos

Atualmente os partidos são causas, são bandeiras, mais do que ideologias ou movimentos. Daí que existem temas que não os distinguem, como o “social”, e outros que deviam ser debatidos, porque diferenciadores, e se tentam atirar para debaixo do tapete. É o caso de algumas chagas sociais, como o tratamento de comunidades de origem estrangeira e outras. Veja-se no que se tornou o negócio dos “Ubers” em Lisboa, perante a passividade das autoridades.
O leque partidário que parecia cristalizado, ao contrário de outros países europeus, como a França e mesmo a Espanha, tem tido uma evolução (lenta), com o aparecimento de novas formações. É verdade que também houve a extinção de outras, apesar de não assumidas, como o CDS, os Verdes, ou o MRPP.
A implantação destes novos partidos inicia-se sempre da mesma maneira: Lisboa e mais um punhado de grandes círculos eleitorais. Em parte, é o resultado do método de Hondt, mas também da diversidade social que na província e no interior é mais limitada. Isto aconteceu com o PAN, IL, Livre, como anteriormente tinha acontecido com o próprio BE.
A exceção foi o Chega, que apesar do desespero das forças que o tentam marginalizar e colocar fora do sistema político, tem vindo a ganhar aquilo que podemos chamar de representatividade descentralizada. Até mesmo a nível autárquico, como em Tomar, tornou-se na 3ª força em votos, se bem que ainda não traduzida em mandatos. Este salto, a obtenção de mandatos autárquicos e porventura da liderança de autarquias, é o seu grande desafio em 2025. Todos os outros partidos pequenos ou recém-criados, incluindo o ambicioso BE, nunca conseguiram tal feito.

Tomar

Sem falar do fenómeno local dos independentes (em via de extinção com o limite de mandatos de Américo Pereira), Tomar tem sido um campo gerido em exclusivo pelo PS e pelo PSD. De tal modo que se torna ridículo falar de Executivo Camarário ou de Oposição, no interior da vereação. A parceria não foi só nas coroas da Festa, foi também nas contas da Tejo Ambiente.
Pior ainda: nos assuntos correntes mais importantes, não se sabe o que os podia distinguir. Por exemplo, o PSD teria conseguido evitar que o investimento da Misericórdia de Tomar fosse para a Atalaia, quando o seu próprio líder teve a necessidade de deslocalizar a sede da sua  empresa para fora do Concelho?


O que se alteraria em relação ao turismo, festividades, obras públicas? Ou, se quiserem temas mais escaldantes, o que fariam de diferente em relação à captação de empresas, criação e manutenção de parques empresariais, infraestruturas sociais e turísticas, espaços urbanos, ou mesmo em relação à educação e apoio à infância? O caso das creches devia ser uma angústia. O que se alterava na gestão de pessoal do município, que em média trabalha menos de 20 dias de 7 horas por mês? E os ajustes diretos?  E a dívida? E os impostos? Tomar é uma autarquia perdida na burocracia e com este binómio não acredito que possa mudar.
É aqui que entra o tema final: Quem pode mudar Tomar? E não vale dar a resposta, maioritária na população, ao estilo de Almeida Garrett –“Ninguém”.

A mudança

Inesperadamente, as alterações políticas podem vir dos dois partidos do poder. Hugo Cristóvão precisa desesperadamente de fazer   qualquer coisa, para que tudo fique na mesma. Vai ter de refazer pelouros, com a entrada da nova vereadora. Este tema demonstra alguma negligência com que um processo anunciado foi tratado. Rita Freitas já devia ter tido uma intervenção visível, porventura fazendo substituição temporária de outro vereador em altura de impedimento.
Se compararmos a atuação dos vereadores do PSD com os da anterior vereação, não conseguimos descortinar uma rotura, antes uma continuidade, muitas vezes mais carinhosa. É normal. Luís Francisco, em quem se depositavam tantas expetativas pelo seu percurso, não se tem distinguido e foi o autor da maior gafe política do mandato, ao elogiar a presidente cessante pelo seu “mérito pela dedicação à causa pública”. Mesmo com outras considerações pertinentes, este foi o título que ficou. Depois a crítica de falta de estratégia não significa nada. As marcas desta governação são, sem dúvida, a incompetência e a mentira. É por aí que tem de se atacar. É para alterar isso que vale a pena combater e mobilizar os tomarenses.
Quando falo em mobilizar as pessoas de Tomar, para pôr fim a este estado de governação, não acredito que haja pessoas que não participem por não se sentirem representadas nas organizações existentes. O mesmo já não posso assegurar em relação às respetivas lideranças. O problema é que incentivar o aparecimento de novas organizações é, objetivamente, dispersar votos e assim facilitar a vida do PS e de Hugo Cristóvão. Parece irónico, vindo de mim, que fui acusado da mesma coisa nas últimas eleições. Mas não, não se trata de tirar partido do voto útil, antes pelo contrário. O desafio político é o das forças concelhias agregarem pessoas (de preferência iniciantes nestas andanças) capacidades e competências. É chamar aqueles a que apelido de cobardes e dar-lhes a oportunidade de ganhar coragem, de trazer o melhor da sua sabedoria para a arena política – exercer a sua cidadania.
O PSD tornou-se o partido mais sectário da nossa sociedade e a abertura ao exterior é quase inexistente. A vontade de exercer o poder não deixa sobras.
O Chega tem essa responsabilidade, na qualidade de 3º partido. E em Tomar sabe-se disso. Há setores incomodados. De tal maneira que, apesar da sua representatividade, é o único dos grandes partidos que não tem ninguém a fazer comentário político numa das rádios de Tomar. Creio que essa situação poderá ser alterada, mas até lá, até parece ser censura. A Vera Ribeiro sabe o que tem de fazer. Cabe às pessoas aderir e engrossar a participação. 
Ao contrário do que foi dito em comentários no Blogue Tomar a dianteira -3, o desempenho político do Chega tem sido relevante nos órgãos onde foram eleitos. Na Assembleia de Freguesia da cidade não foram parte da maioria de que Augusto Barros necessitava. Na Assembleia Municipal, Américo Costa tem feito o que se esperava dele: Introduzir temas diferentes, elegendo as causas ambientais e evidenciando a forma atabalhoada com que Hugo Costa tem dirigido aquele órgão. Sem a retórica de qualquer advogado de Lisboa, mostrou as qualidades de sempre: conhecimento do Concelho e coragem. Acredito que ainda vai melhorar. Portanto o que eu digo é que, se houver mais cidadãos que queiram responder à chamada, têm boas alternativas para atuar.
O principal problema de Tomar é a falta de exigência, de massa crítica. Perante os maiores disparates, há sempre alguém que gosta. O recrutamento de novos atores deve ser uma preocupação, mas vimos como nas últimas eleições se perdeu dinâmica com 7 formações concorrentes. Até nos debates, se diluía a mensagem a ser passada. Anabela Freitas tirou bem partido disso, o que lhe permitia escolher criteriosamente as respostas a dar. A solução não era o debate a 2, de que o António Rebelo era adepto. Se isso tivesse tido lugar, eu, como candidato excluído, havia de barafustar até esgotar os meios.

Para terminar. 

E há espaço para os liberais? Liberais a sério, que se proponham reduzir o orçamento municipal para metade, que deixem de apoiar o que não dá resultados, ou que não tem mérito, reduzam significativamente o número de funcionários inertes e os organismos improdutivos, que criem espaço para a sociedade civil… Sim, para políticos desses, há lugar. Falta mesmo a sua representação, nem que seja como contrapoder. Se têm futuro eleitoral, na nossa sociedade tão acomodada, não acredito. Agora os liberais da despenalização da eutanásia ou das drogas, esses nem liberais são.

domingo, 17 de setembro de 2023

Tomar outrora cidade jardim 

Que se passa no jardim 

da Praceta Raul Lopes?

Em Julho passado, Tomar a dianteira 3 chamou a atenção para a evidente falta de manutenção no jardim da Praceta Raul Lopes, onde era evidente a necessidade de cuidar  das sebes e da relva:





Chegam-nos agora duas imagens alarmantes, mostrando que entretanto algo de anormal aconteceu no dito jardim. Falta de rega, como na Mata? Poda exagerada? O alegado fungo do buxo?
Curiosamente, a comunicação social tomarense nada diz sobre o assunto, apesar dos seus jornalistas viverem em Tomar. Que se passa afinal? Têm medo de falar em temas como este, que mostra as carências da maioria socialista? 
Dantes dizia-se "Quem tem medo, compra um cão." Agora até os cães já são quase todos de luxo. Só os do pessoal ex-Flecheiro é que ainda não. Esses até estão dispensados de licença. Ou não?


Imagens MRJN, a quem agradecemos.