Autárquicas 2025
TRIBUNA DE TIAGO CARRÃO - PSD
TOMAR PRECISA
DE UM “ABANÃO ECONÓMICO” (PARTE 2)
Na primeira parte deste artigo, partilhei uma análise crua e preocupante dos dados e da realidade económica de Tomar. Hoje, quero falar de futuro — porque há caminho, há soluções. E, acima de tudo, há vontade de fazer diferente.
Tomar, pela sua localização estratégica e acessibilidades, pelo seu património, pessoas e instituições, e identidade, tem tudo para liderar na região do Médio Tejo e no distrito de Santarém. Mas para isso, é preciso visão, capacidade de execução e coragem para liderar com ambição. As próximas eleições autárquicas são o momento de pôr fim ao conformismo, à gestão do dia a dia e à estagnação que se instalou. Chegou o tempo de crescer.
Uma nova liderança tem de colocar o desenvolvimento económico no centro das prioridades do Município e, logo em 2026, refletir no orçamento municipal esse compromisso com verbas mais significativas para apoiar as empresas, atrair investimento e promover emprego qualificado. Porque sem ação concreta, não há transformação.
O crescimento económico começa por quem já cá está. As empresas tomarenses, apesar das dificuldades, resistem, inovam, criam emprego. Precisam de uma autarquia presente e envolvida, com visão e com soluções. Vamos investir na requalificação e expansão das zonas industriais, com infraestruturas modernas, acessibilidades adequadas e serviços de apoio eficientes. Vamos incentivar a digitalização, automação e transição energética, apoiando os processos de candidaturas a fundos comunitários e lançando programas como o ‘Tomar Verde Sustentável’, que irá promover a adoção de práticas empresariais ambientalmente responsáveis.
Mas não chega apoiar quem cá está, é urgente ir mais longe e ser proativo na captação de novos investimentos. Tomar tem de saber atrair investidores, empresas, projetos e pessoas. Vamos disponibilizar incentivos fiscais para projetos estratégicos, criar o ‘Balcão Digital do Investidor’, uma plataforma online que reduza a burocracia e simplifique os processos de licenciamento, e implementar um modelo de ‘Licenciamento Expresso’, com prazos curtos e maior agilidade nos processos administrativos. Investir em Tomar deixará de ser um ato de resistência e passará a ser uma oportunidade clara.
Este caminho só faz sentido com uma articulação próxima com o Instituto Politécnico de Tomar e outros estabelecimentos de ensino, para reter talento jovem, promover o emprego qualificado e ligar os jovens às empresas locais. É fundamental um maior aproveitamento do ensino superior como verdadeiro motor de inovação para o concelho.
Vamos também recuperar uma ambição iniciada em 2013 (com a instalação do Centro de Inovação e Tecnologia da Softinsa/IBM), mas que ficou pelo caminho: fazer de Tomar o polo tecnológico de referência no centro do país. Vamos instalar uma incubadora de empresas, criar um Programa de Aceleração de Startups e de apoio a pequenos negócios, retomar a criação do Centro de Conhecimento e Valorização no IPT, e atrair empresas tecnológicas, empreendedores criativos e projetos inovadores. Tomar pode — e deve — ser um território de inovação, com emprego qualificado e futuro para os mais jovens.
O Turismo é um setor incontornável da nossa economia, mas não podemos estar à mercê da conjuntura nacional e internacional. Temos de crescer para além disso, através de uma estratégia integrada e com uma oferta diferenciada, alicerçada em diferentes eixos, como a sustentabilidade, a cultura, o património, a religião, a natureza, o desporto, o digital, etc. Há ainda muito a fazer, desde logo um melhor aproveitamento da marca “Tomar Cidade Templária”, oportunamente registada pela governação PSD em 2001; a construção de um Centro de Congressos e Negócios, para reforçar o turismo de negócios, receber eventos culturais e outros, e, finalmente, um espaço digno para a Feira de Santa Iria; a criação do verdadeiro Museu da Festa dos Tabuleiros; a musealização adequada do património industrial; a criação da ‘Agenda Tomar365’, para uma calendarização distribuída ao longo de todo o ano da atividade municipal, das forças vivas do concelho, cruzando cultura e turismo.
Sejamos claros: o Turismo é importante, sim. Mas não é suficiente. O modelo económico que propomos para Tomar será diversificado e abrangente. Assentará também na Indústria, Construção Civil, Comércio Local, Serviços, Tecnologia, Inovação, Agricultura, Floresta, Economia Social e Saúde.
No setor da Construção Civil, o impacto é duplo: dinamiza a economia e é um importante parceiro na resolução da crise na habitação, uma das causas da perda de população. Vamos reorganizar os serviços de Urbanismo da Câmara, acelerar licenciamentos e iniciar a revisão do PDM — um plano recente, mas cheio de lacunas e incoerências que têm de ser corrigidas. Os políticos reúnem com os investidores enquanto os técnicos municipais reúnem com os técnicos dos promotores. Cada um no seu papel com o mesmo objetivo, com transparência e eficiência.
No Comércio e nos Serviços, vamos revitalizar a economia local com o programa “Comércio Vivo”, reduzindo taxas e lançando campanhas de apoio e de digitalização do comércio tradicional. Queremos uma cidade vibrante e cheia de energia, gerada por um esforço concertado entre Município, comerciantes e associações, pela requalificação urbana e uma programação cultural que envolve a cidade e o comércio local.
Também a Agricultura e a Floresta serão áreas estratégicas. Com apoio da autarquia, incentivos e ligação aos mercados, estas atividades serão motores de recuperação económica, sobretudo nas freguesias rurais, onde é urgente voltar a criar oportunidades a bem do equilíbrio e coesão territorial.
A Economia Social, por seu lado, será tratada com o respeito e a atenção que merece. Porque, para além do impacto social junto dos setores mais desprotegidos da população, emprega centenas de pessoas e dinamiza a economia local, substituindo o Estado em muitas das suas responsabilidades sociais. A Câmara Municipal será uma parceira ativa, disponível e presente, que valoriza o trabalho das instituições e que lhes fornece as ferramentas e meios para poderem continuar a cuidar dos outros.
No seu conjunto, estas medidas complementadas com outras ainda por anunciar, formarão um ecossistema económico sólido e dinâmico, onde diferentes setores trabalham com a ciência, a tecnologia e a inovação. Esta visão será executada por uma Câmara Municipal com capacidade, conhecimento e proximidade, apostada em estabelecer parcerias e atrair oportunidades.
No Compromisso Eleitoral, que oportunamente apresentaremos aos tomarenses, iremos detalhar o plano para fazer de Tomar um concelho amigo das empresas e capaz de construir o futuro, com seriedade, competência e ambição. Com a convicção de que só através do crescimento económico criaremos as bases para enfrentar os três grandes desafios demográficos do nosso tempo: a baixa natalidade, a perda de população e o envelhecimento.
A escolha, dentro de poucos meses, estará nas mãos dos tomarenses: continuar no caminho da estagnação ou acreditar que é possível um novo rumo para Tomar, virado para o futuro e para o crescimento económico.
Tiago Carrão
Candidato a Presidente da Câmara Municipal de Tomar pelo PSD