sábado, 5 de maio de 2018

E se fosse uma médica, uma pastora protestante ou uma sindicalista?

O caso do pagamento pela autarquia das despesas da deslocação privada à Índia da cidadã Filipa Fernandes, além de causar uma saudável controvérsia entre os tomarenses, tem outras vertentes. Uma delas é a evidente capacidade da organização a que aquela senhora pertence para manipular pessoas, alterar aparências e camuflar factos.
Quase um ano após a sua escolha para integrar a lista PS, continua sem se saber o que a motivou e de quem foi tal decisão. Com efeito, Filipa Fernandes nunca foi nem é filiada socialista. Não tem qualquer currículo político relevante. A sua anterior experiência profissional conhecida resume-se a monitora de campos de férias. A sua formação académica é na área do serviço social.
Nestas condições, salvo melhor explicação, que ainda não houve, a única razão evidente para a sua inclusão na lista e posterior designação para a área da cultura e turismo, é o facto de fazer parte da parish local da WEF/ALL, uma congregação de ajuda espiritual, que terá valido a Anabela Freitas, numa altura mais difícil da sua vida privada, que naturalmente não é para aqui chamada, por razões óbvias.

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De acordo com o que foi possível apurar, dado que nestas coisas o segredo é sempre a alma do negócio, a viagem à Índia paga pela autarquia, evidencia também que a cidadã em causa pode muito bem ser, no seio da organização a que pertence, a conselheira espiritual e directora de consciência de Anabela Freitas. Nada de ilegal, note-se bem. Cada qual integra as associações que entende e participa nas actividades que mais lhe convenham, desde que no quadro da legalidade e sem dispêndio para o erário público.
Infelizmente, neste caso da ida à Índia, -não fora a oportuna doença da Anabela Freitas-  teríamos tido uma situação deveras curiosa: A câmara de Abrantes representada pela sua presidente, atraída com o pretexto de uma homenagem como "figura da década". A câmara de Tomar representada pela sua presidente, aliciada com o mesmo argumento, porém acompanhada pela sua directora de consciência. Três autarcas vizinhas e convidadas para um mesmo evento, a milhares de quilómetros de distância, num universo de trinta e duas presidentes de câmara e mais de 400 vereadoras, em 308 municípios portugueses. Há cada coincidência!!!

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Abreviando argumentos, que o assunto já provocou demasiado alarido, sobretudo nessa obra-prima chamada Facebook, a melhor montra da extraordinária riqueza intelectual tomarense, (entre outras coisas), a interrogação que ainda falta é esta:
Supondo que Anabela Freitas -na sequência da ajuda psicológica recebida- tivesse escolhido uma pastora calvinista ou luterana, uma médica psiquiátrica, ou uma dirigente sindical, teríamos agora essa pessoa como vereadora do turismo e cultura, (ou de quaisquer outros pelouros). Realizando-se na Índia um encontro mundial da igreja da hipotética pastora-vereadora, um congresso de psiquiatria, ou um simpósio sindical, também iriam a presidente e essa vereadora com tudo pago, com o pretexto de ir lateralmente representar Tomar?
É esta a questão. Com ou sem fingidas indignações.
Quanto ao alarido no Face, que contrasta com o silêncio alhures, cabe assinalar que a WEF - ALL está muito bem implantada em Tomar. Num forum realizado na segunda quinzena de Março na cidade nabantina, tendo a autarquia como patrocinador principal, e cujo programa pode consultar aqui e aqui, participaram, entre outras:

- Lurdes Ferromau Fernandes - Professora
- Graça Costa - Conselheira de emprego
- Elsa Ribeiro Gonçalves - Jornalista
- Filipa Fernandes - Vereadora

Com a preciosa ajuda de terceiros, cruzando e interpretando dados de diversas origens, vai-se compreendendo melhor a realidade politico-social do vale nabantino.
Este vosso servidor estava convencido que a cidadã Lurdes Ferromau Fernandes era presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro (PSD), candidata à liderança do PSD local, (cuja eleição é hoje, sábado 5 de Maio), e funcionária pública na área do emprego.  Vai-se a ver, de acordo com o programa citado, é professora. 
Andamos sempre a aprender, e ainda bem.


sexta-feira, 4 de maio de 2018

A confirmação do carácter particular da viagem de Filipa Fernandes à Índia

Na querela sobre a viagem à Índia da cidadã Filipa Fernandes, tem sido evidente que a falta de tradição democrática impede uma visão clara das diferentes situações. Por falta de hábito, muitos cidadãos -a maior parte- pensam que estes desacordos não passam afinal de questões pessoais, de embirrações de inimigos, ou de adversários políticos.
Sucede que neste caso, pelo menos no que toca a Tomar a dianteira 3, trata-se tão só de tentar defender a legalidade vigente, que o mesmo é dizer as instituições democráticas e os procedimentos conformes com a Lei. Não há portanto nada de pessoal, no facto de discordar quanto ao verdadeiro objectivo central da referida viagem à Índia da cidadã em causa.
Para a actual maioria, seus apoiantes e outros seguidores, que são muitos enquanto houver maná, a cidadã foi representar Tomar e promover o concelho na Índia, pelo que é normal que todas as suas despesas de deslocação e estada sejam pagas pelos contribuintes tomarenses.
Para os discordantes, que são raros a manifestar-se de cara descoberta, entre os quais quem escreve estas linhas, tratou-se apenas e só, para a citada cidadã, de cumprir determinações, não da população, da autarquia, ou da maioria que integra, mas da organização a que pertence, pelo que deverá ser ela, ou essa organização, a custear as ditas despesas.
Quem ainda não esteja convencido do carácter privado da viagem, que naturalmente a cidadã envolvida e as suas amigas e amigos procuram ocultar por razões óbvias, fará o favor de ler com atenção estas ilustrações, copiadas d'O Templário recebido esta manhã:




Pede-se licença para destacar o seguinte: "A ser recebida pela nossa embaixadora da Índia". Embaixadora de Portugal? Da União Europeia? Do Médio Tejo?
Apenas representante da organização WEF, a que pertence a cidadã Filipa Fernandes. Nada de grave portanto. A não ser a eventual confusão com a representação diplomática de Portugal na Índia, actualmente assegurada pelo senhor embaixador João da Câmara, tendo em conta a expressão "recebida pela nossa embaixadora". Nossa, dela. Não dos outros tomarenses, excepto naturalmente os que também integram aquela nova irmandade feminista.
Igualmente esclarecedora sobre o verdadeiro objectivo da viagem é a legenda da segunda foto, publicada pela cidadã no FBook: "Mentora da WEF a receber o tabuleiro". Até agora nunca fora mencionado que a tal WEF, forum mundial de mulheres, também tinha mentoras. Falta agora apurar, mentoras de quê ? Para quê? Para quem?
De acordo com os dicionários, MENTORA, feminino de MENTOR = pessoa experiente que encaminha e aconselha outras; orientadora, guia, conselheira; pessoa que inspira outras, guia espiritual.
"Foi com todo o prazer e orgulho que, em nome de todos os Tomarenses, lhe ofereci [à tal "nossa embaixadora da Índia"] este fantástico Tabuleiro", escreveu a cidadã Filipa Fernandes, conforme reproduzido n'O Templário.
Perante isto, os leitores farão o que entenderem. São cidadãos teoricamente livres. Pela minha parte, ficam aqui  exaradas cinco coisas:

1 - O tabuleiro não é nada fantástico, mas bem real. E custou dinheiro aos contribuintes tomarenses, tal como a viagem e estada da cidadã Filipa Fernandes.
2 - Apesar de ter votado PS nas últimas autárquicas, não me  considero representado pela cidadã Filipa Fernandes, que de resto também não aceitaria representar-me, se fosse o caso. Por conseguinte, o tabuleiro terá sido entregue em nome de ALGUNS tomarenses. Ou de todos os tomarenses, menos um, na pior da hipóteses. Trata-se portanto de um abuso de linguagem. Mais um.
3 - Tanto a maioria como a oposição, (sobretudo a oposição), agirão como lhes aprouver e parecer melhor, em relação às despesas relacionadas com a referida deslocação da cidadã Filipa Fernandes, pagas pela autarquia.
4 - Tomar a dianteira 3 tenciona ir tão longe quanto for possível, até apurar de forma definitiva e sem apelo se cabia mesmo ao Município de Tomar financiar uma deslocação e estada de uma cidadã manifestamente ao serviço de determinada organização internacional privada, de contornos e objectivos mal definidos, mas com "embaixadoras" e "mentoras". 
5 - É melhor estar de sobreaviso, não vá aparecer por aí um dia destes algum "caso Manuela Pinha", com gente a jogar ao mesmo tempo em dois tabuleiros, e recebendo dois ordenados ao fim do mês. Com tanta pinheira que há por aí, apesar dos incêndios, nada mais natural que aparecerem umas pinhas à mão de semear.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Hotel República - Uma aposta arriscada de um investidor corajoso


Foi um sucesso, como merecia, o lançamento publicitário do futuro Hotel República, o primeiro cinco estrelas da região, a instalar na Praça homónima. Toda a comunidade informativa noticiou com grande relevo e visível satisfação o acontecimento, aqui, aqui e aqui. Um grande sucesso actual e futuro para o turismo local, terá sido o pensamento dominante. Só Tomar a dianteira destoou.
Excesso de pessimismo? Posição injusta? Má vontade contra os investidores? Insatisfação crónica? Não. Nada disso. Apenas informações que os outros não possuem e o desejo de alertar, porque quem  avisa, amigo é:

Copiado do El Pais online

"Um hotel de luxo destruído pelo vandalismo
O único cinco estrelas de Valhadolid fechou em 2017 e desde aí tem sido saqueado"

"Durante anos foi o únco hotel de cinco estrelas na cidade de Valhadolid, mas fechou repentinamente em em 2017. O dono confessou que estava arruinado e vendeu em leilão alguns móveis, antes do embargo da justiça. Tudo o resto foi saqueado e destruído pelo vandalismo. No passado fim de semana, o estabelecimento inaugurado em 2010, numa antiga moagem requalificada, até sofreu um incêndio criminoso. Restos de botijas entre portas destruídas, tomadas eléctricas arrancadas, lavatórios partidos... As imagens do antes e do depois podem ser vistas no video supra (não disponível). E os habitantes de Valhadolid resumem o que sentem numa palavra -Pena"

elnortedecastilla.es 03/03/2017

"Investigam o encerramento inesperado do Hotel Marquez de la Ensenada, com prejuízos para os empregados. O Parlamento europeu  aborda o assunto, graças à iniciativa da deputada europeia Marina Albiol, da Esquerda Unida"

O hotel vítima de actos de vandalismo é o Hotel Marquez de la Ensenada, de cinco estrelas, em Valhadolid - Espanha, que faliu e fechou portas em Janeiro de 2017. Oferecia 29 quartos, tinha ao seu serviço 16 profissionais e abriu ao público em 2010, numa antiga moagem recuperada, datada de 1842. Durou portanto apenas 7 anos. Porquê?
Valhadolid é uma cidade monumental muito visitada, antiga capital de Espanha, com 299.715 habitantes em Janeiro de 2017. O Hotel Marquez de la Ensenada era o único cinco estrelas da oferta hoteleira local e estava bem situado, em pleno centro histórico.
Falta de clientes? Certamente. Mas Valhadolid conta com um importante parque hoteleiro, que em 2017 registou um total de 773.347 dormidas, sendo 616.325 de espanhóis e 157.022 de estrangeiros (ver quadro):


Para que os leitores possam ter uma ideia de grandeza mais precisa, se considerarmos que Tomar dispõe (com alguma generosidade) de 600 camas hoteleiras e regista uma ocupação anual (também muito generosa) de 80%, teremos 600 X 80% = 480 X 365 = 175.200 dormidas hoteleiras/ano. Muito, muito longe das 773.347 de Valladolid, em 2017. Mas os hotéis são comparáveis. O de lá era de 5 estrelas, tinha 29 quartos e 16 empregados. O de Tomar terá também 5 estrelas, dez quartos a menos, mas 15 funcionários. O de lá aguentou-se 7 anos. O  de Tomar vai aguentar-se quanto tempo?
Muito arriscado, como se vê.
Valladolid é a 13ª cidade espanhola em população e fica a pouco mais de 200 quilómetros da fronteira de Vilar Formoso, num país que recebeu em 2017 82 milhões de visitantes estrangeiros. Portugal ficou-se pelos 12 milhões e Tomar é uma pequena cidade, que infelizmente definha de dia para dia, perante a geral indiferença e passividade do poder local e dos seus habitantes.
Porquê este aviso? Antes de mais porque todos têm direito a saber a verdade toda. Particularmente aqueles que arriscam o seu capital. Depois porque, quando e se a futura unidade vier a fechar portas (o que de modo algum se deseja, antes pelo contrário, mas os factos disponíveis parecem mostrar tal rumo), será muito mau para a reputação de Tomar, como concelho para investir. Se a actual fama já não é nada boa, imagina-se o que, na pior das hipóteses, pode ser depois...

Foi representar o ConSelho, não o ConCelho

Nota prévia
Graças à boa vontade do jornalista António Freitas, que antes tinha copiado a crónica entretanto eliminada por engano, ela aqui vai de novo. Com um abraço de agradecimento pela ajuda.
Reposta assim a situação anterior, eliminou-se o pedido de desculpa e outro material anexo, parte do qual ofendia o bom senso e até a pituitária.

Os fumos da Índia
Salvo melhor e mais fundamentada opinião, parece haver um  equívoco em relação às recentes declarações de Anabela Freitas, sobre a viagem à Índia da sua colega e amiga, a vereadora Filipa Fernandes. Já se sabe, porque é da praxe, que correu tudo muito bem, estreitaram-se laços, promoveu-se Tomar, e vêm aí investidores interessadíssimos, que infelizmente depois nunca mais investem. O que nem surpreende neste caso porque, quando se sabe que Nova Delhi, onde teve lugar o forum, é uma metrópole de 25 milhões de habitantes, imagina-se sem grande dificuldade o relevo que ali terá tido uma reunião internacional de um milhar de participantes. Basta olhar para a imagem intimista, e para a expressão agastada da hospedeira...
Desta vez porém, a senhora presidente acrescentou duas novidades. Uma de peso, outra lateral. A de peso é a repetição do anúncio do próximo forum da WEF, a realizar em Tomar, lá para Março de 2019, informação já anteriormente avançada pelo vereador Cristóvão.  A lateral é que "O conCelho esteve representado..." conforme titula a Rádio Hertz aqui
Comecemos por esta. De acordo com o protocolo usual nestas coisas, parece haver um equívoco. Quem representa o País é o Presidente da República, ou o presidente da Assembleia da República. na sua ausência. Nunca o primeiro-ministro ou um ministro. Da mesma forma, quem representa o Município -que é realmente a entidade jurídica equivalente ao conCelho- é o/a presidente da câmara ou o/a da Assembleia Municipal. Nunca um vereador, e muito menos quando nem sequer houve delegação dessa competência, formalizada perante o executivo em funções.
https://radiohertz.pt/wp-content/uploads/2018/04/31444637_10211321525657300_882369772538885336_n.jpg
Imagem copiada da Rádio Hertz online

O que Anabela Freitas terá querido dizer é que a vereadora foi representar o conSelho local da WEF, do qual faz parte desde 2014, conforme se pode conferir aqui, uma vez que a responsável nacional, Teresa Silveira, não se terá deslocado. Trata-se de qualquer forma de um mero pormenor protocolar
Bem mais importante é a reiterada afirmação de que a próxima reunião do forum vai ser em Tomar. A confirmar-se tal facto, bem como o mencionado milhar de participantes, podemos estar perante um desastre turístico, local mas de grandes proporções. Vejamos mais em detalhe.
Se, como informou à Hertz Anabela Freitas, a prevista reunião do forum “movimenta” cerca de mil pessoas, tratando-se de um encontro internacional, em que a  maior parte dos participantes viajam individualmente, porque com as despesas suportadas pelas entidades que as enviam, estamos a falar, no mínimo, de 800 camas de 4 estrelas, em quartos twin ou individuais. Em Tomar não existe tal capacidade. O Hotel dos Templários, única unidade  local de 4 estrelas, dispões de apenas 167 quartos e 10 suites, ou seja um total de 354 camas. Os restantes  600 congressistas serão alojados onde? Nos 3 estrelas da cidade? Também não têm capacidade suficiente, nem os ilustres visitantes iriam aceitar, sejamos realistas. (Aposta-se que a senhora vereadora também não ficou alojada em nenhum hotel de 3 estrelas...)
Irão portanto para Fátima, o que equivale a 12 autocarros  e 80 quilómetros diários (40 para cada lado). Uma vez que a autarquia apenas dispõe de um autocarro...
Além das questões de alojamento e de  transporte  há também a considerar o desenrolar das actividades, a começar pela sessão plenária de boas vindas e a de encerramento. Que vão ter lugar onde? No cine-teatro não cabem, nem há condições. Na biblioteca municipal ou no salão nobre dos Paços do Concelho, é melhor nem pensar. No hotel dos Templários a junção das salas Infante 1 e Infante 2 permite alinhar, no máximo, uma plateia de 600 lugares. Demasiado pouco para os previstos quase mil participantes. Se calhar vão acabar por realizar os plenários do forum em Fátima. Ou será em Leiria?
Mesmo quando solucionadas a situações anteriores, restam ainda dois problemas por resolver: 1 - Onde realizar o jantar de boas-vindas e o de despedida? Quase mil pessoas é muita gente. No refeitório do Convento, mesmo bem arrumadinhos, só cabem uns 250/300. E os outros? 2 - Outra obrigação dos anfitriões tomarenses é mostrar aos visitantes o Convento e a cidade, tudo em boas condições. Mesmo em grupos de 55, que é o máximo dos máximos, vão ser precisos 20 autocarros, cada um com o seu guia. E onde vai a autarquia desencantar 20 profissionais de turismo competentes, anglófonos, bons conhecedores da cidade e sobretudo do Convento? Não vai ser fácil, até porque se e quando souberem que serão 20 grupos em simultâneo, mais de metade vão alegar que estão doentes, eventualmente com alguma otite. 
Ao contrário do que possa parecer, não é nada fácil guiar grupos no Convento de Cristo, quando os visitantes são numerosos. Para apreciar a Janela do capítulo, ouvindo o guia respectivo, só cabem dois grupos de cada vez. Um no terraço por cima da escada de ligação Santa Bárbara/D. João III (o mais habitual), outro no primeiro piso do claustro de Santa Bárbara. Uma vez que uma boa explicação da janela manuelina necessita no mínimo de um quarto de hora, a dois grupos de cada vez, vai levar  hora e meia. Só na janela. E o resto da visita? E os percursos? Vinte grupos de 55 pessoas dificilmente cabem na Charola ao mesmo tempo...
E os 20 autocarros vão estacionar onde? No aparcamento da fachada norte, o único que há para pesados, só cabem 7.

O improviso e o desenrascanço são muito importantes, mas é capaz de ser melhor ponderar as coisas com tempo, para evitar qualquer desastre. Aqui fica o aviso, quando ainda há muito tempo para rectificar o tiro, procurando evitar que saia pela culatra.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Em Veneza e em Tomar

"Veneza estreia os polémicos pórticos automáticos para limitar a entrada de turistas"


"A medida provocou as primeiras altercações entre residentes e grupos de esquerdistas, que denunciam a degradação da cidade, a qual recebe 30 milhões de visitantes por ano"

Daniel Verdú, El País online, 29/04/2018

"Depois das hordas de turistas, dos cruzeiros e da queda da população residente, alguns dizem em tom de chalaça que em Veneza já só faltam os bonecos de pelúcia para se sentirem num verdadeiro parque temático. Procurando de algum modo controlar o problema, a cidade estreou no sábado passado os novos pórticos automáticos para regular os fluxos de visitantes que acedem na alta estação às zonas mais delicadas do município, cuja lagoa já está ameaçada desde há algum tempo pela afluência descontrolada de turistas. Com os seus 50 mil habitantes permanentes, Veneza recebe anualmente 30 milhões de visitantes. Uma proporção cada vez mais nociva para a sua normal sobrevivência como urbe. Assim, o presidente da câmara, Luigi Brugnaro, decidiu mandar instalar quatro pórticos automáticos de acesso: dois na Praça de Roma, antes da Ponte Calatrava,  e outros dois antes da Igreja dos Descalços. Quando a afluência for considerada excessiva, são encerrados e só passam os habitantes permanentes, dotados de um passe electrónico.

Os polémicos pórticos automáticos, à entrada da ponte  Calatrava, também autor da Estação do Oriente, em Lisboa.

O autarca, eleito numa lista cívica independente de centro direita, e propenso a polémicas mediáticas, confessou-se muito contente com a ideia. "É a primeira vez que se tentam limitar os fluxos de visitantes em Veneza. Claramente, vamos cometer muitos erros e vamos ser muito criticados, mas por agora está  tudo a funcionar perfeitamente", declarou no passado sábado. Contudo, algumas horas mais tarde a revolta de alguns residentes e de grupos de esquerdistas já havia estalado. Um dos pórticos automáticos, instalado antes da Ponte Calatrava, foi arrancado e uns 30 manifestantes apareceram com cartazes onde se lia que "Veneza não é um reserva, não estamos em perigo de extinção".
A verdade porém é que há algo seriamente ameaçado na cidade. Enquanto prossegue o incremento das visitas turísticas -especialmente com o fenómeno dos cruzeiros, que em 2017 ali desembarcaram 2,5 milhões de visitantes- a população residente diminuiu dois terços desde meados do século passado. E ainda que as marés altas e respectivos estragos nas partes mais baixas da cidade também tenham tido a sua influência, o turismo de massa -bem como a corrosão do tecido comercial e social da cidade que implica- são os principais factores.
A população residente continua a diminuir, à média de mil residentes por ano, um ritmo alarmante
para manter o equilíbrio social. Mas os críticos contra os pórticos automáticos de acesso assinalam que Veneza recebeu 10 milhões de euros durante o mandato de Renzi, tendo como objectivo a regulação dos fluxos de visitantes de maneira engenhosa, não cortando o acesso quando é já demasiadop tarde.
A medida agora implementada por Brugnaro, em conjunto com as restrições ao acesso de navios de cruzeiro de grandes dimensões à lagoa, responde às ameaças da UNESCO de retirar Veneza da lista das cidades Património da Humanidade, se nada for feito para controlar o turismo. Desde então, a cidade tenta limitar os efeitos das chegadas massivas de turistas, que também provocaram o aumento das insolvências e arruinaram os princípios de qualidade na oferta do comércio do centro da cidade."

Tradução e adaptação de António Rebelo

Comentário de Tomar a dianteira 3

Naturalmente, esta situação  em Veneza não tem qualquer relação com Tomar. O velho dito "quando vires as barbas do vizinho a arder..." obviamente não se aplica. Veneza é lá longe. Não sejamos alarmistas.  Na próxima edição dos tabuleiros, as entradas podem continuar  sem qualquer controlo, que não há-de acontecer nada.
E tem mesmo duas enormes vantagens. Dá muito menos trabalho e permite depois dizer que foi um sucesso estrondoso, com mais de milhão e meio de visitantes, quando se calhar, bem feitas as contas, nem 250 mil terão vindo. E ainda bem, porque não iam caber. Mas a tradicional megalomania nabantina...
Há depois a enorme desproporção entre Veneza e Tomar. Na terra dos canais -a Sereníssima- já vão nos 30 milhões de visitantes anuais. Tomar ainda não chegou sequer aos três milhões, nem lá perto. O local mais visitado, o Convento de Cristo, ficou-se pelos 400 mil visitantes em 2017.
Há todavia um sector em que Tomar e Veneza se comparam -a demografia. Veneza conta actualmente 50 mil habitantes. O concelho de Tomar andará pelo 40 mil. Veneza está a perder população, ao ritmo de menos mil habitantes por ano, por causa das marés altas e do turismo. Tomar perdeu entre 2013 e 2017 2.496 eleitores. Uma média de 624 em cada ano, "porque está no interior", segundo a versão autárquica.
O jornalista do El Pais considera na notícia que perder mil habitantes/ano é "um ritmo alarmante para manter o equilibrio social". Mas isso será em Veneza. Em Tomar o ritmo de menos 624 eleitores/ano não é nada alarmante, nem exige quaisquer medidas adequadas. Enquanto os vencimentos continuarem a pingar regularmente, vai tudo bem. Fátima fica a apenas 30 quilómetros e um milagre é sempre possível.
O autor destas linhas é que continua demasiado pessimista e a dizer mal de tudo, segundo o ponto de vista dos instalados.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Informação assim, porra!

Calar-se é consentir!

Apareceu na região, há relativamente pouco tempo, um novo órgão informativo, cujo nome já é todo um programa. Chama-se mediotejo.net. Exactamente porque é suposto noticiar a actualidade do Médio Tejo. Tendo contratado em Tomar dois profissionais de reconhecida qualidade, cujos nomes se omitem pois pouco ou nada têm a ver com a matéria a apresentar, até nem começou mal. As primeiras reportagens em directo das reuniões do executivo camarário tomarense, a exemplo do que sucede nos outros municípios do mesmo agrupamento, eram interessantes porque realmente informativas. Quem lia, ficava com a ideia de estar a assistir ao conclave, mesmo encontrando-se a milhares de quilómetros, como é o caso
Infelizmente foi sol de pouca dura. Não decerto por culpa da competente e briosa jornalista, mas visivelmente em virtude de instruções recebidas, as antes reportagens passaram a pouco mais que simples repetições da ordem de trabalhos. Se por acaso tiver dúvidas a tal respeito, ou se desconfiar que se está a ser excessivamente exigente ou pessimista, faça o favor de verificar com os seus próprios olhos, clicando aqui e procurando depois os textos sobre as sucessivas reuniões.



Como se não bastasse tal vergonha -porque é disso que se trata, uma vez que os profissionais, por mais competentes, briosos e honrados que sejam, precisam de ganhar a vida, o que os força a acatar as ordens de quem lhes paga- a direcção editorial da mediotejo.net resolveu ultrapassar a última barreira. A da simples decência.

Elsa Ribeiro Gonçalves
Problemas informáticos impediram-nos de acompanhar a reunião desde o seu início. Neste momento, ainda se discute o período antes da Ordem do Dia
Elsa Ribeiro Gonçalves
Reunião entra na Ordem de Trabalhos quando são 15h23
Na reunião de 30 de Abril do executivo tomarense, cujo "período de antes da ordem do dia" se previa algo movimentado, a jornalista presente informou que, devido a dificuldades informáticas, não tinha podido reportar essa parte da reunião. Pode ter sido apenas uma infeliz coincidência. Mais uma, porque em Portugal, regra geral, as coincidências são sempre muito úteis e oportunas. Mas mesmo nesse caso, não é possível deixar de exarar aqui um protesto, em alentejano contemporâneo:  Informação assim, porra! O melhor é nem mandarem  ninguém  às reuniões, porque para faz de conta já chega. Os competentes serviços camarários tratam disso. Basta ler as ordens de trabalhos.
Infelizmente, impõe-se uma vez mais a citação do presidente Lincoln: Podem-se enganar alguns durante um certo tempo, mas é impossível enganar toda a gente durante muito tempo.
Tomem nota e ajam em consequência, que de manipuladores já estávamos bem servidos, mesmo antes de aparecerem novos órgãos informativos.

Tomar na Feira Internacional de Turismo na Guarda


Tomar promove-se na segunda maior feira de Turismo (FIT na Guarda), que apostou há cinco anos no mercado espanhol, com 60 milhões de pessoas

"Península Ibérica quer ser maior destino turístico mundial", disse a Secretária de Estado do Turismo

António Freitas

Tem crescido tanto nos últimos anos, que é já considerada a segunda maior feira de turismo do país, logo a seguir à Bolsa de Turismo de Lisboa. Além disso é  a única de âmbito ibérico, garante a organização. Na sua 5.ª edição, a Feira Ibérica de Turismo (FIT), realizou-se entre 28 de abril e 1 de maio, na Guarda, e contou com 200 expositores, 20 dos quais de Espanha.
A feira é vocacionada para profissionais do setor e para outros interessados.  Participaram  regiões de turismo, agências de viagens, hotéis, termas, associações de municípios, comunidades intermunicipais, autarquias, empresas de enoturismo e ligadas ao desporto de aventura, gastronomia ou artesanato, e organismos oficiais.
A FIT  decorreu no Parque Urbano do Rio Diz,  celebrando este ano a eleição de Portugal, pela World Travel Awards, como o ‘Melhor Destino Turístico do Mundo’ em 2017. A cidade espanhola de Salamanca é o destino convidado, mas como feira ibérica, Portugal e Espanha estão sempre em destaque.
O recinto da feira tem cerca de 10 mil metros quadrados de área coberta e para o percorrer “o visitante terá que andar perto de um quilómetro”, segundo a organização.
O espaço é composto por cinco estruturas, e a Feira Ibérica de Turismo tem também animação, espetáculos musicais, atividades de lazer e desporto. A FIT foi uma aposta da câmara liderada por Álvaro Amaro, que antes foi secretário de Estado e presidente da Câmara de Gouveia
A sessão inaugural contou com a presença da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho. O bilhete diário custa dois euros e o geral, para os quatro dias, cinco euros. Os miúdos até aos 12 anos não pagam
Segundo a  secretrária de Estado do Turismo, tomarense por afinidade “Portugal está a trabalhar com Espanha para transformar a Península Ibérica no maior destino turístico do mundo e a Feira Ibérica da Guarda mostra que o trabalho conjunto "é inevitável. "[A Feira Ibérica de Turismo] é mais uma ação que mostra como é inevitável e é ótimo que trabalhemos em conjunto. Se juntarmos Portugal e Espanha, a Península Ibérica transforma-se no maior destino [turístico] do mundo. Isto é um ativo que nenhum dos países quer desperdiçar", disse Ana Mendes Godinho, na Guarda.


Portugal e Espanha estão a fazer um trabalho conjunto no setor do Turismo, existindo várias ações "para promover quer as regiões transfronteiriças quer os produtos, que são produtos que comunicam entre os dois países". A título de exemplo, referiu que um dos produtos turísticos que une ambos os países é o rio Douro. "Se pensarmos no rio Douro/Duero, o rio transforma-se no melhor e maior rio produtor de vinho do mundo", apontou.
Segundo Ana Mendes Godinho, se for tida em conta a "lógica ibérica", verifica-se a existência de "um mercado de 60 milhões [de pessoas], que é um mercado muito mais apelativo para todos, em termos até de captação de investimento".
"E, depois, ganhamos escala em termos de capacidade de comunicar que o melhor destino do mundo, que é Portugal, faz parte do maior destino do mundo que é a Ibéria", concluiu.

O evento, que tem vindo a afirmar-se como "um dos mais importantes certames do setor do Turismo do país", tem a cidade espanhola de Salamanca como destino convidado e dias dedicados a outros destinos turísticos do país vizinho.
Com a realização da feira, a Câmara da Guarda pretende "incentivar a troca de experiências, abrindo as portas a novos mercados, bem como a produtos turísticos diferenciadores, e ainda dar a conhecer o património natural e histórico e a gastronomia, atraindo turistas, visitantes e também investidores".
A autarquia considera ainda que, "como plataforma transfronteiriça no panorama nacional e ibérico dos eventos ligados ao turismo, a FIT é uma oportunidade singular de divulgação, promoção, captação e desenvolvimento de fluxos turísticos e de valorização dos recursos endógenos de uma vasta e riquíssima região". 
Tomar marcou presença com um dos mais atractivos stands e com a dedicação das funcionárias do turismo do município, tendo o  mesmo sido visitado pela presidente da Câmara, como mostra a foto acima, copiada do facebook pessoal das referidas técnicas tomarenses presentes. A primeira participação de Tomar é salutar e de louvar, já que estamos na Rota das Judiarias e a Guarda é uma das principais portas de entrada de turistas por via terrestre. Depois desta participação, espera-se que Madrid, ou outras cidades como Paris, estejam no plano estratégico de divulgação da nossa cidade.
O caminho  faz-se andando, mas a Índia é por agora demasiado longe e pode agravar otites, por causa das viagens aéreas.

Texto editado por Tomar a dianteira 3