segunda-feira, 30 de abril de 2018

Quem sabe?!

Foi uma actividade desportiva pouco publicitada. Até agora só a Rádio Hertz a noticiou, como pode conferir clicando aqui. Sucintamente, um grupo de entusiastas de geocaching, actividade de recreio que consiste em encontrar objectos antes escondidos numa determinada área, actuou nas margens do Nabão, tendo aproveitado para ir limpando o curso de água que já foi o orgulho dos tomarenses.
Digo que já foi o orgulho dos tomarenses, porque os actuais habitantes da cidade e do concelho, na sua esmagadora maioria, exceptuando as actividades humanas básicas (comer, dormir, caminhar, falar...), dão a ideia lamentável de estar de passagem. Tirando talvez algum desporto, nada lhes interessa. Estão naquela posição de quem morreu de sede ao lado de uma bica, só para evitar o trabalho de virar a cabeça.

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Foto Tomar na rede

No caso do Nabão, apesar dos repetidos surtos de poluição e das sucessivas promessas de quem devia governar, os poucos que se interessam mesmo pelo rio continuam sem saber de forma detalhada qual o tipo de poluição e qual a sua origem. Ministério do Ambiente, GNR, presidente da Câmara,  formações políticas (excepto a CDU), mantêm um curioso silêncio, cujas causas conviria também apurar.
Enquanto tal não acontece, talvez fosse boa ideia solicitar aos antes referidos praticantes de geocaching que a próxima actividade tenha lugar no Rio Nabão, mais precisamente entre o viaduto do IC9 e o Mouchão. Objectivo -localizar a origem ou origens da poluição, pelo aspecto das margens e pelo cheiro pestilento. Caso aceitem, correm o risco de dizer depois que no fim de contas era bem simples o problema, uma vez despido das roupagens políticas de circunstância. Quem sabe?!?

O álcool faz mal à saúde

Quem bebe álcool regularmente, aumenta o risco de demência precoce

Numa crónica de Ophélie Neiman, o jornal de Le Monde de 28/04/2018 aborda uma situação inédita em França. Pela primeira vez, um presidente da República em funções -no caso Emmanuel Macron- diz publicamente que consome vinho a todas as refeições, embora de forma muito moderada. Acrescenta a jornalista que se compreende esta posição do presidente. Em França, o vinho é o segundo sector económico mais importante em termos de exportação, com um total de 13 mil milhões de euros de negócios e 500 mil empregos.
Os médicos é que não estão nada agradados com tal posição presidencial, tendo presentes os problemas provocados pelo consumo de vinho e outras bebidas alcoólicas na saúde dos franceses. Daí o título do artigo do conceituado jornal: "O presidente da República faz constar que gosta de vinho, irritando a classe médica".


Michel Reynault, médico-professor catedrático de psiquiatria, especialista em adictologia e presidente do "Fond Actions et Adictions" mostra-se muito severo perante tal situação, que é nova Até agora os sucessivos presidentes franceses nunca tinham abordado publicamente tal matéria. "O grande problema do vinho e das outras bebidas alcoólicas, diz o prestigiado clínico, reside no facto de terem conseguido gravar falsas informações nas consciências das pessoas. Querem convencer-nos que o consumo moderado de bebidas alcoólicas é benéfico para a saúde. É totalmente falso! A verdade é que o risco de se tornar dependente alcoólico aumenta a partir do primeiro copo bebido, mesmo à refeição. E convém não esquecer que [em França] o consumo de bebidas alcoólicas é a principal causa da demência precoce, a segunda causa de cancro e a origem de numerosos conflitos familiares graves. Mas em vez de nos esclarecerem, põem-nos a nadar num banho de informações positivas, porém incompletas ou claramente falsas."


Portugal
51,4
Francia
51,2
Italia
43,6
Suecia
41
Suiza
39,1
Bélgica
31,8
Argentina
28,7
Alemania
28,3
Australia
28,3
España
25,2
P. Bajos
24,1
R. Unido
23,8
Rumanía
22,8
Chile
17,1
Canadá
16,5
EE UU
12,1
Sudáfrica
11
Rusia
7,6
Japón
3,2
Brasil
1,9
China
1,5

Copiado do El Pais online, de 30/04/2018
A aselhice não permitiu reduzir o gráfico, pelo que faltam números na parte mais larga. Assim, a percentagem completa para Portugal é de 51,4 litros por pessoa/ano e para França 54,2 litros/pessoa/ano.
Repetindo a velha piada, uma vez que cá o escriba não bebe, no caso de Portugal haverá alguém a beber 108,8 litros por ano. Bom proveito!

Os leitores mais curiosos indagarão decerto, porque raio foi Tomar a dianteira 3 buscar semelhante matéria para um blogue de âmbito local. À primeira vista estarão cheios de razão. Realmente, é um tema algo afastado das preocupações diárias dos tomarenses. Porém, aprofundando um bocadinho, não muito, para não magoar, surgem dois motivos.
O primeiro é o reconhecido nível local de consumo de álcool, que em Tomar não é dos mais moderados do país (ver por exemplo festas e desfiles dos alunos IPT), ligado à evidente apatia política, ou abulia, da generalidade da população, o que pode ser um primeiro sinal da demência precoce referida pelo médico catedrático francês. Mais tarde, irão provavelmente falar da "doença do alemão", de parkinson... Ou simplesmente constatar que A, B, C... coitados, "estão chéchés". E no entanto...
O outro motivo é uma esperança, para quem queira deixar de ser dependente do álcool. Há um medicamento à venda nas farmácias que, não sendo milagroso, tem contudo conseguido maravilhas. Trata-se do Baclofène, Baclofeno, ou Baclofen, geralmente receitado pelos médicos para problemas musculares, mas que em França é também usado como inibidor da vontade de beber álcool. Em Portugal é vendido nas farmácias como LIORESAL 25 mg, NOVARTIS FARMA. No Brasil é Baclofeno Zentiva, existindo outras designações comerciais.
Mas trata-se já de matéria para especialistas. O escriba destas linhas não quer ser acusado de exercício ilegal da medicina. Por conseguinte, se tem problemas com o álcool, encha-se de coragem e fale com o seu médico, referindo o LIORESAL ou o Baclofeno. Boa sorte.

domingo, 29 de abril de 2018

Todos idiotas? Custa a crer...

Todos já tivemos momentos menos felizes. E até mesmo claras e inequívocas infelicidades. Impõe-se portanto ser tolerante  com o erro alheio, omitindo neste caso o nome do seu autor. Trata-se de um eleito que teve um deslize de linguagem. Escreveu no Facebook que todos os que criticam as opções da actual maioria autárquica são "idiotas que tentam destruir e enlamear o trabalho dos outros". Exactamente assim, sem tirar nem pôr:


(clique na imagem para ampliar)

A coisa é de tal forma violenta, que nem este vosso escriba, apesar de há muito crismado como demasiado agreste,  e beneficiando do estatuto facultado pela idade, ousaria ir tão longe no insulto aos conterrâneos. Questão de educação. Mal vão as coisas, quando um autarca geralmente ponderado perde as estribeiras no exercício das suas funções. Mas está dito, está dito.
No nosso colega Tomar na rede, a postagem que está na origem do comentário  supra reuniu até agora 24 comentários, na sua grande maioria contra a anunciada viagem à Índia das senhoras autarcas PS. Tudo opiniões da autoria de idiotas? Custa a crer... Faça o favor de ler ou reler os citados comentários, clicando aqui, para fundamentar uma posição que não seja idiota, tanto quanto possível.


Entretanto, emergem duas questões importantes. A primeira, para dizer que certamente o autarca em questão, uma pessoa sensata, honesta, bem formada, trabalhadora, devotada e com Mundo, uma vez recuperados os espíritos, vai concerteza concluir que procedeu menos bem e pedir desculpa aos visados. Quanto mais não seja, porque é inaceitável e sem fundamento a prática socratina, (que alguns consideram também só cretina), de condenar os que pensam de maneira diferente, como conspiradores e inimigos de facto. Na verdade, não são inimigos, nem conspiradores, nem adversários sistemáticos e de má fé. Nem procuram "enlamear o trabalho dos outros".  São apenas eleitores e conterrâneos, com direitos e deveres de cidadania iguais aos dos autarcas, que se limitam a discordar de algumas opções da maioria actual. Tal como já discordaram de maiorias anteriores. E dizem-no por escrito. Assinando sempre por baixo, no que concerne cá  ao escriba. Que se fosse realmente mais idiota que os autarcas em funções, decerto não incomodaria tantos instalados. Como escreveu Millor Fernandes, "Idiota mesmo é o sujeito que, ouvindo ou lendo uma história com duplo sentido, não entende nenhum dos dois."
A segunda questão apresenta-se bem mais complexa e inquietante. No mesmo texto onde apelida os eleitores discordantes de idiotas, o autarca em questão refere também "o esforço que iniciamos no mandato anterior, de promover, promover, promover o mais possível Tomar e as nossas coisas..."
Este vosso servidor e escravo da verdade, há mais de cinquenta anos que lê e ouve dizer "promover Tomar", "trabalhar por Tomar", "fazer coisas pela cidade e pelo concelho", "engrandecer Tomar", "lutar em prol de Tomar", "conseguir o melhor para Tomar", "honrar Tomar", e assim sucessivamente. 
Uma vez que, como todos podemos constatar, a cidade e o concelho vão de mal a pior; mesmo sem pretender enlamear o trabalho dos outros, forçoso é constatar que algo deve estar errado. Porque as coisas não batem certo. Tanto trabalho, tanto esforço, tanta boa vontade, e os resultados favoráveis não aparecem?!
Que tal um debate alargado e sereno, como propunha aqui há tempos o socialista Ferroma, para diagnosticar enfim a doença tomarense?
Era capaz de ser bem mais eficaz do que andarmos à pedrada uns nos outros.

sábado, 28 de abril de 2018

Uma controversa viagem à Índia - 3


Se soubessem a história toda...

Nas redes sociais, são numerosos e entusiásticos os apoios à viagem à Índia da senhora vereadora Filipa Fernandes, em geral confundindo o essencial com o acessório, alegando perseguição e culpando os outros. Que são todos uns malandros, porque não concordam. O pensamento socratino no seu melhor. Ele nada fez de reprovável. O juíz instrutor e os procuradores é que querem à viva força prejudicá-lo.
O que está em causa desde o início, não é a viagem à Índia em si, mas simplesmente quem paga. E aqui, é muito provável que, se soubessem a história toda, pelo menos alguns dos apoiantes entusiastas tivessem outra atitude. Em qualquer caso, é  extravagante uma cidade e um concelho, assolados por grave crise demográfica, com dificuldades de toda a ordem, incluindo pagamentos a fornecedores, custearem uma viagem à Índia de uma sua representante eleita, para defender os direitos das mulheres e promover a urbe naquele país asiático.
Ao que parece, estaremos perante o novo caminho para a Índia. Desta vez aéreo, quando o outro foi marítimo, com os infelizes resultados que os entendidos bem conhecem. Sabem portanto do que se está a falar, após se ter visitado Nova Delhi, Bombain, Agra, Jaipur, Varanasi, Kajurau e, mais para lá, Hong-Kong e Macau, na China. Mas, caso haja dúvidas, pode-se estender a toalha e servir todo um repasto histórico/sociológico sobre a colonização portuguesa nos ditos territórios, de meter nojo mesmo aos mais entusiastas, quando comparada com a inglesa. De forma que a nossa reputação por aquelas paragens...

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No caso presente, para que dúvidas não restem sobre a muito hipotética eficácia promocional do passeio da senhora vereadora, o tal painel de meia hora sobre Portugal de que ela fala no Facebook, o "Special Country Focus" é assaz curioso. Primeiro, cada orador dispõe de apenas três minutos para intervir, uma vez que estão inscritos 10, para 30 minutos. Depois, os oradores inscritos, mostram bem o que é na verdade aquele fórum. Além de Anabela Freitas, que já desistiu, e da senhora vereadora Filipa, (ao que se nota cheia de ilusões), temos este belo cardápio: (dados pessoais fornecidos pela própria organização do evento, que podem ser confirmados clicando aqui e depois no nome de cada um dos participantes.)

Tânia Castilho - Autora, conferencista e treinadora pessoal. Professora de inglês na Linda'a School, em Tomar, durante 23 anos. Especialista em meditação, consciência e ciência da mudança.

Pedro Fernandes - Terapeuta holístico e treinador pessoal, quirologista e numerologista, discípulo de Flávia de Monsaraz.

Joana Ferreira - Osteopatia, massagem, linguagem e marcha reflexiva.

Carla Ferreira - Secretária da ALL Ladies League em Tomar. Gosta de ajudar pessoas a organizar a vida e a promover uma abordagem positiva perante os desafios.

Goreti Coutinho - Consultora independente de educação.

Teresa Silveira - Chefe coordenadora para Portugal WEFx - Tomar. Vice chairperson da ALL Ladies League - Tomar

Zaleh Zandieh - Passion Project Success Strategic. Fundadora da Hip Hop meditation. Ensina estratégias liderantes, que ajudam a começar, consolidar e expandir a sua missão influenciadora.

José Carlos Gil Santos - YOPI/Consciência - Portugal

Perante tal listagem, impõe-se uma pergunta: Que pode dizer sobre Tomar e sobre Portugal um grupo de oradores assim? Mais: Tratando-se de defender os direitos das mulheres na Índia, e  acessoriamente de promover Tomar, conforme referiu no Facebook a senhora vereadora Filipa Fernandes, convenhamos que, para representar a cidade e o país, não teria sido nada difícil arranjar um grupo mais credível e menos específico. Incluindo por exemplo historiadores, economistas, sociólogos, antropólogos, cientistas sociais, politólogos, operacionais de turismo, jornalistas, em vez de profissionais ligados às ajudas espirituais e/ou comportamentais. Os chamados gurus.
Mas não há piores cegos...

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Uma controversa viagem à Índia - 2

Prevaleceu o bom senso possível

Na sequência dos desenvolvimentos a ler aqui e aqui, Tomar a dianteira 3 apurou que a senhora presidente da câmara decidiu anular a sua prevista viagem à Índia, alegando motivos de saúde. Prevaleceu portanto o bom senso possível, tendo em conta os antecedentes. No que concerne a Anabela Freitas, este assunto está portanto encerrado nestas colunas. Cada qual integra as organizações que entende, desde que isso não implique fundos públicos. Resta agora a situação da senhora vereadora Filipa Fernandes, que manteve a viagem e a esta hora já estará mesmo a caminho de Nova Delhi, na Índia, onde tem lugar o previsto encontro mundial de mulheres.



Viajando com tudo pago pelo Município de Tomar, a referida eleita declarou que vai em representação da autarquia e que foi convidada por ser vereadora, não sendo membro da organização que leva a efeito o referido evento. Tomar a dianteira 3 tem na sua posse elementos que permitem afirmar o contrário. A assistente social Filipa Alexandra Ferreira Fernandes aderiu ao capítulo de Tomar da ALL/WEF em 2014 e foi agora convidada nessa condição.
Durante o previsto fórum mundial, estão anunciados dois eventos específicos com participantes de Tomar, o "Special Country focus" com uma delegação portuguesa, em 29 de Abril, e "Conversando com líderes da década", em 30 de Abril. (ver detalhes do programa, copiados da Net):


No "Special country focus", que dura 30 minutos, há 8 oradoras e 2 oradores inscritos, cinco dos quais ligados a Tomar - Anabela Freitas, Filipa Fernandes, Tânia Castilho, Carla Filipa Ferreira e Teresa Silveira.  Num país com 308 concelhos, um  deles com cinco representates num fórum mundial, é bastante estranho, não é? Até parece um encontro de amigas de bairro, em vez de um fórum mundial.
Mais estranho ainda, sendo Tomar e Abrantes as únicas autarquias portuguesas representadas, a presidente de Abrantes não integra, como oradora, a delegação portuguesa no "Special country focus". Porque será?


O outro painel previsto, o de 30 de Abril, "Conversando com líderes da década", dura uma hora, prevendo a participação de Anabela Freitas - Tomar, Maria do Céu Albuquerque - Abrantes, Lisa Gillmor, Santa Clara - USA e a deputada Sophie Hebron, da Tanzânia. Salta aos olhos o evidente interesse para Tomar deste painel  " Conversando com líderes da década". Ou não ?
Perante isto, que configura um escândalo, agora todavia menor, após a adequada decisão de Anabela Freitas, a única atitude digna da senhora vereadora Filipa Fernandes é o reembolso integral ao município dos gastos com a deslocação, um pedido de desculpa aos seus colegas do executivo e, idealmente, a demissão do cargo para que foi eleita. Por ter faltado à verdade  e por nem sequer ter sido uma escolha do PS para integrar a lista na qual foi eleita, mas apenas opção de Anabela Freitas, eventualmente  por causa da pertença à citada organização WEF/ALL, de acordo com elementos fornecidos a Tomar a dianteira 3 e provenientes  de  um membro  do PS - Tomar. 
Mas isso já são contas de outro rosário. Vivemos felizmente em democracia plena, no seio da qual cada um adere aos organismos que entende, como já antes foi dito, e participa nos eventos que lhe agradem, desde que assuma as respectivas despesas, bem entendido. E a mentira, explícita ou por omissão, nunca  é aceitável em funções públicas. Por respeito para com os eleitores.

Três perguntas, a fechar: A viagem das duas autarcas à Índia, em representação do Município,  foi previamente apresentada e debatida no executivo, como mandam as boas regras democráticas? Que disse a oposição a tal respeito? E o que vai dizer agora, em nome dos seus eleitores?

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Consegue identificá-los?

Se é leitor assíduo de Tomar a dianteira 3, será decerto porque se interessa pela política, sobretudo local e regional. Saberá portanto que os autarcas podem ser divididos, grosso modo, em duas grandes categorias. Temos por um lado os práticos, de acção, mais de fazer que de falar, que gostam mais de apresentar o já feito, do que de anunciar o que vão fazer. E, por outro lado, os adeptos do blábláblá, os chamados profissionais das intenções e das promessas, com discursos sempre algures entre os projectos, os sonhos e os delírios.
Naturalmente, a esmagadora maioria dos eleitores prefere eleger gente de acção, de trabalho, em detrimento dos vendedores de ilusões. O problema é que, no contexto da campanha eleitoral, regra geral, as candidaturas são como os melões, que só depois de abertos mostram a qualidade. Embora haja também, convém recordar, aquele caso de candidatos eleitos apenas porque, apesar de já se saber que não são de primeira água, os seus adversários foram considerados pelos eleitores como ainda piores.
Agora que as próximas autárquicas ainda estão longe, é tempo para comparar discursos e obras, bem como a evolução económica e demográfica dos diversos concelhos. Aqui vão dois exemplos de discursos recentes, de autarcas do PS da nossa região. Faça favor de ler atentamente e depois tente localizar cada um desses eleitos:

Excerto do discurso A:

"... presidente da câmara realçou o facto de o município ter encerrado o exercício de 2017 sem pagamentos em atraso, e de apresentar um prazo médio de pagamento de cinco dias. Acrescentou que o resultado líquido do exercício foi positivo... ...tendo as receitas correntes suplantado as despesas correntes, gerando um saldo positivo de 2,7 milhões de euros." (Agência Lusa)

Excerto do discurso B:

"O que pretendemos são os turistas que fiquem pelo menos três noites e que [a nossa terra] seja a sua base, podendo a partir [daqui] visitar os pontos de interesse do Médio Tejo e na região. ...Queremos ter uma oferta hoteleira de qualidade, diferenciadora,  e que as pessoas fiquem por mais de uma noite." (mediotejo.net)

Ainda não conseguiu descobrir? Então aqui vai mais uma achega, para o discurso B: A dívida global actual é da ordem dos 23 milhões de euros, o prazo médio de pagamento é de sete meses, mas já foi bem pior. Quanto ao resto, segundo a posição oficial, a casa foi arrumada durante o mandato anterior e agora vai tudo bem. Salvo melhor e mais fundamentada opinião, bem entendido.
E agora? Já lá chegou? É isso! O discurso A é do presidente socialista de Torres Novas, cujo concelho vai crescendo, em termos económicos e demográficos. De tal forma que acaba de suspender o Plano de Saneamentop Financeiro, em vigor desde 2013. Quanto ao discurso B, é da presidente socialista de Tomar, cujo concelho  se vai afundando.
Dá para perceber porquê.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Uma controversa viagem à India

Está a causar alguma controvérsia, no nosso colega Tomar na rede, a anunciada viagem à Índia da senhora presidente, DR. Anabela Freitas e da senhora vereadora Filipa Fernandes (ver ilustração), para participarem numa reunião do Forum Mundial de Mulheres para a Economia. Já comentei o assunto no Tomar na rede, pelo que agora vou tentar alargar a questão, já sem os comentadores anónimos ratões a conspurcar a comunicação.


A primeira coisa a esclarecer, no meu pobre entendimento, é bem simples: Vão a título pessoal, assumindo as respectivas despesas? Ou vão ao serviço do Município de Tomar, em sua representação, com todos os custos pagos pelos contribuintes?
No primeiro caso, não haveria mais nada a dizer. Cada um viaja para onde quer, com quem quer e quando quer, sem ter de prestar contas a estranhos. Conviria portanto esclarecer previamente esse ponto, interrogando as interessadas ou a autarquia. A experiência ensina porém que seria tempo perdido, porquanto a actual maioria tem o lamentável hábito de pouco responder e nada esclarecer. O caso mais recente, mas não o único, é o dos resultados das análises à água do Nabão. Continuamos sem saber de onde vêm os coliformes fecais e se são de origem humana ou animal. Há mais de um mês.
Sendo a situação o que é, parte-se do princípio que vão ao serviço do Município de Tomar, como suas legítimas representantes, porque livremente sufragadas em eleições justas e não contestadas. Assim, deve a oposição toda, tanto no executivo como na Assembleia Municipal, tentar por todos os meios legais a abtenção de respostas para as perguntas seguintes:

1 - Qual ou quais os objectivos da viagem?
2 - Qual o seu itinerário completo?
3 - Que actividades e contactos estão previstos?
4 - Qual a necessidade de duas representantes, quando Abrantes tem só uma e os restantes municípios do país não têm ninguém?
5 - Porque razão Filipa Fernandes não aparece como "City councilor" de Tomar?

Além destas perguntas, e outras que eventualmente considerem pertinentes, penso que devem os eleitos da oposição exigir que, regressadas a Tomar, cada uma das eleitas apresente um relatório detalhado da sua viagem, tanto no executivo como na Assembleia Municipal.
Caso os membros da oposição prefiram assobiar para o lado, como já tem acontecido, em nome da conveniência e das boas maneiras, em vez de providenciarem a obtenção de respostas fundamentais para os munícipes, passarão a ser considerados coniventes num assunto cujos contornos não parecem inteiramente definidos. Estou a pensar nos dois galardões de qualidade, adquiridos pelos SMAS.
Quanto às respeitáveis eleitas, na falta desses esclarecimentos detalhados, lá terá de haver perguntas ao abrigo do direito à informação e, eventualmente, apelo ao Tribunal de contas, alegando que há suspeitas de um delito chamado peculato.
A vida política municipal está cada vez mais complicada.