quarta-feira, 25 de abril de 2018

Foi há há 44 anos...

Pois foi! Há 44 anos,  corajosos militares profissionais, causticados por sucessivas comissões nas guerras de África, ousaram avançar contra os governantes de então. Venceram; são agora uns heróis. Bem-hajam!
Em Tomar, conquanto não haja nada para comemorar, a Assembleia Municipal reúne-se na biblioteca também municipal, sem que se saiba porquê, ou se perceba bem para quê. Haverá os discursos da praxe, como no dia 1 de Março. Só faltarão as usuais condecorações municipais, porque realmente neste caso não haveria ninguém digno de as receber. Com efeito, lamenta-se ter de o dizer mais uma vez, Tomar não teve rigorosamente nada a ver com a preparação ou com a execução da revolta libertadora do 25 de Abril.
Apesar de ser então um dos principais centros militares do país, com 3 unidades  instaladas na cidade -Quartel general da região centro, Regimento de infantaria 15 e Hospital militar regional 3- nenhuma delas teve qualquer participação no "movimento dos capitães". Pelo contrário. Em Março de 1974 houve um primeiro levantamento militar, no Regimento de infantria 5, nas Caldas da Rainha.
Uma coluna marchou sobre Lisboa, mas ficou-se pelas proximidades do aeroporto, por razões ainda hoje por esclarecer cabalmente, tendo depois regressado ao quartel, que continuou amotinado. Foi uma outra coluna, ida de Tomar, que cercou aquela unidade militar, tendo conseguido a rendição dos insubordinados, muitos dos quais -entre eles alguns oficiais organizadores do 25 de Abril- foram presos e deportados para os Açores.

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É claro que, com tal credencial, o 25 de Abril não podia ser bom para Tomar. Os militares de Abril eram cristãos, porém não ao ponto de darem a outra face após a primeira bofetada. Quartel general e Hospital militar foram-se. Resta  Infantaria 15. O nome, porque quanto a efectivos, já não será sequer um batalhão, quanto mais agora um regimento.
Isto quanto ao aspecto militar. Na área civil, Tomar vitoriou pouco depois o senhor general Spínola, numa grande manifestação na Praça da República. A partir daí, tem sido como todos sabemos. Os primeiros três presidentes de câmara livremente eleitos, foram antes servidores sem mácula do regime anterior.  E até hoje, só Pedro Marques, Carlos Carrão e Fernando Corvelo de Sousa não eram funcionários públicos quando se candidataram. Em 8 presidentes, temos de reconhecer que é pouco e que algo vai mal na Tomarilândia.
Entretanto, no patamar intermédio da escadaria dos Paços do concelho, substituiram o velho painel de azulejos por um mais moderno, pretensamente de acordo com os novos tempos. O painel antigo dizia "Tudo pela nação, nada contra a nação". No painel novo lê-se "O povo é quem mais ordena".
Sintetizando razões e tendo em conta a triste situação política que se vive em Tomar, onde é cada vez mais evidente o autocratismo tacanho e surdo, tipo quero, posso, mando, determino e mando publicar, Tomar a dianteira sugere que se mude de novo o painel de azulejos da escadaria dos Paços do concelho. Ficaria bem o dístico Tudo pela maioria eleita e pelos funcionários superiores municipais; nada contra a maioria eleita e os seus acólitos.
É assim que estamos, 44 anos após o Abril libertador. E a culpa é nossa., tomarenses de ascendência ou de residência. Só nossa.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Quatro casos nabantinos

1 - Uma aposta meio ganha

Algures no final do ano passado, a senhora presidente da câmara resolveu que, pela primeira vez em séculos, não seria desmanchado o açude provisório do Mouchão, ao que afirmou para poupar cerca de 5 mi euros. Contou com o posterior apoio parcial deste blogue, apesar de se temerem as consequências de tão afoita decisão, (que felizmente não ocorreram), por se tratar de uma atitude ousada. Ultrapassada a época invernosa, com as habituais subidas de caudal, eis o resultado:

 Foto António Freitas

O açude cedeu à força da corrente, sendo agora necessário proceder  à sua reabilitação. Mesmo com muito boa vontade, terão poupado metade dos alegados 5 mi euros. Pouca coisa, quando comparado com certas verbas mal gastas e tendo em conta os riscos que houve para parte da cidade antiga.
Idealmente, a roda deverá estar a funcionar no próximo dia 5 de Maio, para mais uma edição do congresso da sopa (que nunca percebi porque tem de ser no Mouchão, quando temos a Mata, com muito melhores condições). É porém duvidoso que tal possa ocorrer, pois o Nabão leva demasiada água para se poder montar o açude em condições de segurança.

2 - Outro aspecto indesmentível do afundamento de Tomar

Durante o primeiro trimestre de 2018, foram criadas no concelho de Tomar 19 novas empresas, mas durante esse mesmo período desapareceram 42, escreve o nosso colega Tomar na rede, citando dados do INE - Intituto Nacional de Estatística. Estamos portanto perante um registo oficial, que nada tem de partidário ou sequer de opinativo. São factos. Muito preocupantes, pois de acordo com a mesma fonte, refere o Tomar na rede, a tendência em todo o país é a inversa - criam-se mais empresas que as desaparecidas.
Dado que uma desgraça nunca vem só, segue-se que a actual maioria  camarária teima numa política negacionista, contra todas as evidências. Em vez de aceitarem a realidade, ouvirem os outros, incluindo os adversários,  e depois agirem em conformidade com os interesses da cidade e do concelho, como seria lógico, preferem enquistar-se em posições autocráticas pouco sustentáveis a médio prazo. 
A recente derrota à rasca, na Assembleia Municipal, de uma moção do PSD, que se limitava a constatar a realidade e propor alterações comportamentais na área da informação e da transparência, é um bom exemplo da confusão que por aí vai. E que parece sem solução, uma vez que a liderança da maioria denota cabeças com falta de conteúdo e formatação pouco adequada aos tempos que  correm.
(Só eu sei o que me custa ser forçado a escrever estas linhas, para que mais tarde se possa saber que nem todos alinharam nas asneiras. Nada ganho com isso, antes pelo contrário, mas prefiro viver em paz com a minha consciência.)

3 - A Agência Portuguesa do Ambiente anda a reinar com os cidadãos?

No caso da poluição do Nabão, que está a passar de drama para comédia, a Câmara de Tomar e a Agência Portuguesa do Ambiente formam um curioso par. Num país livre e em vésperas do 25 de Abril, como não podem continuar com a sua política negacionista, tentam escamotear o problema. Fecham-se em copas. Primeiro foi a senhora presidente da câmara, que prometeu resultados e até indicou uma data aproximada, mas depois enveredou por um silêncio tumular sobre o assunto. Porquê? É a pergunta que se impõe cada vez mais. Oxalá a oposição cumpra a sua função.
Agora é a própria Agência Portuguesa do Ambiente, um organismo governamental pago por todos nós, que resolve considerar que somos todos umas criancinhas, a quem não se pode contar toda a verdade. Cumprindo o seu dever de colher dados e informar, a Rádio Hertz contactou por duas vezes o referido organismo, tendo obtido apenas alguns silêncios eloquentes e várias respostas incompletas. Porquê? Estão a tentar proteger quem?
A seu tempo se saberá, que a verdade é sempre como o azeite.

4 - O estranho caso do concurso para director do Convento

Andreia Galvão é técnica superior da Direcção Geral do Património Cultural - DGPC. Exerceu, em comissão de serviço, as funções de directora do Convento de Cristo, como Chefe de Divisão, até Junho de 2017.  A partir daí manteve-se como directora interina até esta data, por ainda não ter sido substituída ou confirmada em nova comissão de serviço.
O curioso desta questão reside no facto de a tutela ter aberto concurso para recrutamento do director do monumento em Junho de 2017, mas só agora, 11 meses depois, ter decidido proceder às entrevistas previstas no respectivo regulamento . A que se deveu tão estranho atraso? O nosso colega Tomar na rede aborda o problema de forma um pouco mais detalhada.
Entretanto Tomar a dianteira 3 já solicitou informação complementar à DGPC, ao abrigo da Lei do direito à informação (Lei 26/2016, de 22 de Agosto, artigo 5º ponto 1).
  



segunda-feira, 23 de abril de 2018

Sobre o novo "Hotel República" - 2

Esclarecida a vertente secundária, mas recorrente, de qualificar qualquer crítica como mera rabugem de velhos do Restelo, passa-se agora ao essencial. Um casal de emigrantes no Luxemburgo, ele tomarense, ela francesa, resolveram investir em Tomar. É uma decisão audaciosa, que saúdo com todo o respeito, com alegria, e que merece apoio. Trata-se afinal de arriscar dois milhões de euros para criar inicialmente 15 postos de trabalho, contribuindo também para a requalificação do património edificado tomarense.
Por tudo isso, como ex-emigrante e ex-profissional de turismo em terras gaulesas, aqui expresso ao corajoso casal o meu apoio, com votos de que sejam bafejados por toda a sorte do mundo, pois me parece que bem a merecem e bem precisam. Quanto mais não  seja pela velha sentença latina, segundo a qual audaces fortuna juvat -a sorte ajuda os audazes.
Dito o básico em termos societais, há que encarar as coisas tal  como as vemos, e aí lamento ter de ser pessimista empedernido, em vez de optimista balofo. Isto porque, frontalmente aqui o deixo escrito, não acredito em duas premissas do anunciado projecto. Baseado no que conheço da realidade tomarense e portuguesa na área da construção civil, estou como S. Tomé. Só depois de ver o hotel concluído e a funcionar, acreditarei que foi possível terminá-lo antes da próxima festa dos tabuleiros, em Julho de 2019. Mas oxalá que sim!
Caso tal aconteça, ficarei muito feliz e apressar-me-ei a confessar nestas linhas que me enganei, dando a mão à palmatória, que é como quem diz, admitindo a minha culpa e procurando -então sim- remédio para o meu pessimismo, empedernido porque tendo por base uma muito longa experiência de vida.
Na mesma linha de raciocínio, tão pouco me parece que possa vir a ser rentável um hotel de 5 estrelas numa terra como Tomar e naquela localização, com dificuldades de acesso motorizado, sem estacionamento e com apenas 19 quartos. Oxalá me engane, mas mesmo considerando que o tomarense em questão é economista, bancário, e terá sido bem aconselhado, não posso deixar de ter igualmente em conta a usual megalomania, sob forma de afigurações, que é praticamente uma característica dos tomarenses mais evoluídos. Neste caso não propriamente dos investidores, mas de quem os assessorou.

Foto Tomar na rede

Como bem sabem os que se interessam por estas questões -que não são muitos- em Tomar é tudo hiperbólico. Do melhor que há no Mundo. E sempre sem mácula. Prova disso é, por exemplo, o comentário da senhora presidente da câmara, na cerimónia de apresentação do projecto do hotel. Disse a nossa autarca: "O que pretendemos são os turistas que fiquem pelo menos três noites e que Tomar seja a sua base, podendo a partir de Tomar visitar os pontos de interesse do Médio Tejo e da região." 
Tratando-se de uma opinião respeitável, está à vista tratar-se também de algo como um sonho de uma noite de primavera. De uma confusão entre o desejável e o possível. Na realidade em que vivemos, na área do turismo internacional a Região centro resume-se a Coimbra, Alcobaça, Batalha, Fátima, Nazaré e Tomar, esta exclusivamente por causa do Convento de Cristo. Ou seja, a partir de Lisboa, da Nazaré, de Coimbra ou de Fátima, pode-se visitar tudo num dia. O resto são balelas para agradar ao auditório..
Conforme a senhora autarca também deve saber, Portugal é um país relativamente pequeno, com apenas três aeroportos de grande afluência de turística: Lisboa, Faro e Porto, por esta ordem. Tais são por conseguinte, quer nos agrade ou não, as três plataformas distribuidoras de visitantes que há no país, por razões óbvias. Além delas, apenas algumas praias não algarvias, com relevo para a Nazaré e a Figueira,  que asseguram alguma distribuição de visitantes para o interior mais próximo, bem como Coimbra, devido ao seu ascendente cultural entre os povos lusófonos.
Tentar fazer de Tomar um centro de turismo residencial e uma base para visitar a região, é certamente um óptimo projecto, que contudo nunca poderá florescer desgarrado, não tendo nesta altura nada para o potenciar, para além do Convento de Cristo e, de quatro em quatro anos, os Tabuleiros. Convenhamos que é muito pouca coisa, quando por outro lado industriais, comerciantes e particulares pagam dos mais caros recibos de água e saneamento do país, o que naturalmente se repercute depois nos preços.
Acontece que também na área do turismo, e mesmo tratando-se de hotéis de cinco estrelas, o que os visitantes procuram não diverge muito, salvo raríssimas excepções: quanto mais barato melhor. Não é de todo o caso de Tomar, devido nomeadamente aos citados recibos e às tais afigurações supramencionadas. O que naturalmente tende a afastar as pernoitas turísticas para poisos mais clementes.
Restam dúvidas, apesar da argumentação apresentada? É natural. Nem todos dispõem da mesma bagagem analítica, nem de semelhante experiência do terreno. A situação é a que é. Em qualquer caso, convirá meditar no ocorrido com a Estalagem de Santa Iria que, com 12 quartos, 10 empregados e sem amortização do investimento, uma vez que tanto as instalações como o recheio e equipamento pertencem à Câmara, não se aguentou no balanço. Apesar da excelente localização, do fácil acesso,do estacionamento à frente da porta e da muito simpática renda mensal, só sobrevivia porque deixara de pagar dez anos antes do encerramento compulsivo.

domingo, 22 de abril de 2018

Sobre o novo "Hotel República" - 1

O velho do Restelo


Em Tomar, tornou-se corriqueiro usar a expressão velhos do Restelo. Se calhar devido a alguma influência daquele "magnífico" grafito no muro de suporte do ex-estádio municipal, financiado com dinheiros europeus que, como se vê, podem servir para tudo. Prova disso é este comentário sobre o anunciado novo hotel de cinco estrelas, copiado do nosso colega Tomar na rede, que tem a virtude assinável de não ser anónimo:

"Excelente noticia e muitas felicidades aos investidores. Embora devam aparecer por aí os velhos do restelo, a contestar por causa, de sei lá o quê."

Sendo bem conhecida a incomum densidade cultural tomarense, pensa-se que, quanto aos"velhos do restelo", o melhor será ir às origens, antes de administrar a inevitável estocada final que se impõe. A figura mítica do Velho do Restelo foi criada por Luís de Camões e aparece n'Os  Lusíadas, no Canto IV, Estrofes 90 a 104. Mais especificamente,  a Estrofe 94 reza assim:
Mas um velho d'aspecto venerando
Que ficava na praia entre as gentes
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça descontente
A voz pesada um pouco alevantada
Que nós no mar ouvimos claramente
C'um saber só de experiência feito
Três palavras tirou do experto peito:

Segue-se a estrofe 95, que abre com as tais três palavras:

Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama
... ... ...
Dessas três palavras -glória, fama e cobiça- as duas primeiras voltam a surgir na estrofe 96:
Chamam-te fama e glória soberana
Nomes com quem se o povo néscio engana
... ... ...

Aí temos o essencial. O Velho do Restelo é nitidamente contra os Descobrimentos e até explica porquê. Dado que naquela época, e depois durante vários séculos, se consideraram as navegações portuguesas um grande sucesso interno e global, a atitude do Velho do Restelo aparece como retrógrada, temerosa e virada para o passado. Contudo, vistas as coisas neste ano de 2018, forçoso é reconhecer que o velho do Restelo se mostrou prudente e estava afinal a ver longe. Teve frazão muito antes do tempo. Esse o seu erro.
Os descobrimentos foram no fim de contas uma gigantesca tragédia para os portugueses, sobretudo em termos de perdas humanas. Basta pensar que, para além dos milhares perecidos em naufrágios, e das enormes baixas nas várias guerras antigas de além-mar, só entre 1961 e 1975, ficaram nas savanas africanas 13 mil mortos e desaparecidos. Para um país de menos de 10 milhões, terá sido um êxito? Para os do poder e aqueles que ficaram, sem problemas de consciência, certamente que foi. Mas para os que partiram, tantos deles obrigados, bem como para as suas famílias...

E se acontecer em Tomar?

"O Mont-Saint-Michel está a ser evacuado. As autoridades procuram um indivíduo suspeito"

"Está a acontecer. Um dos locais turísticos mais visitados de França [2,3 milhões de visitantes em 2017] está a ser evacuado neste domingo de manhã, por precaução, devido à presença de um indivíduo suspeito.

Le Monde/AFP, 22/04/2018, às 10H50. Actualizado às 11H13, hora de Paris"

O  Mont-Saint- Michel foi evacuado na manhã deste domingo "por precaução". Todos os habitantes e visitantes foram afastados da localidade, devido à presença de um indivíduo suspeito, que ameaçou atacar as autoridades.




Várias testemunhas tinham assinalado esta pessoa quando entrou na povoação, uma das mais visitadas de França, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, anunciou a Guarda Republicana [gendarmerie]. O presidente da câmara local, Yann Galton, confirmou à TV France 3 Normandie, que as autoridades procuram um indivíduo com um comportamento suspeito.
Cerca das 07H45, no vai-vem que transporta os turistas entre o estacionamento obrigatório e o Mont-Saint-Michel, um guia turístico avisou as autoridades que um homem tinha feito durante o transporte ameaças à polícia e à guarda republicana. O visitante em questão foi depois seguido pelas câmaras de vigilância da polícia municipal, tendo conseguido escapar-se a partir de dada altura, esclareceu uma fonte próxima do processo.

Bloqueado o afluxo de turistas

O ingresso na ilha de novos visitantes foi bloqueado. Os clientes dos hotéis foram evacuados com calma e não se registaram incidentes. A Abadia foi encerrada como medida de precaução. Um helicóptero da polícia sobrevoa a baixa altitude a povoação e a secção de investigação da PJ de Caen foi accionada.
A Prefeitura da Mancha marcou uma conferêcnia de imprensa para o final da manhã.
"Estávamos no hotel e pediram-nos para evacuar o Mont-Saint-Michel, disse um jovem turista presente no local. Vi que alguns estabelecimentos comerciais estavam fechados e que toda a gente fora evacuada. Agora estou à espera do vai-vem para regressar ao carro e ir-me embora. Há muita gente a fazer o percurso a pé, a partir da entrada principal. Todos estão calmos, tal como as forças policiais", concluiu o jovem turista."

Mais informações no Le Monde online, logo que disponíveis.

Actualização às 15H16 de Lisboa

Segundo o prefeito da Mancha, tudo voltou à normalidade, a partir das 14H00 locais, com a reabertura dos estabelecimentos e da Abadia. O suspeito não foi encontrado, supondo-se que tenha aproveitado a acção de evacuação para se misturar com os turistas e abandonar a região.

Autocracia, obstinação ou algo a esconder?

Sou capaz de estar a ver mal e a perceber pior. Contudo, a notícia da Rádio Hertz parece-me bastante clara. A Assembleia municipal, na sua sessão de 20/04/2018,  chumbou uma moção do PSD, propondo à câmara que melhore a informação aos cidadãos, na sequência da publicação de um ranking nacional sobre o tema, em que o município de Tomar é último no Médio Tejo, último no Ribatejo e ocupa a 253º posição entre os 308 concelhos portugueses. Pois mesmo assim, além dos proponentes, só a CDU foi digna e coerente, apoiando o documento. Os restantes parlamentares concelhios jogaram à defesa. Até a rapaziada do Bloco, em geral muito fracturante, desta vez resolveu abster-se, tal como os Independentes do Nordeste. O que possibilitou a derrota da moção, graças ao voto com valor a dobrar do presidente do órgão. Tudo isto porquê? Para quê?

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O que terá levado presidentes de junta e deputados municipais socialistas, em princípio tudo gente de bem, partidária da transparência na política, e portanto da informação atempada, a proceder de tal forma?  Há três hipóteses possíveis. A primeira, para os presidentes de junta que votaram contra a proposta ou se abstiveram, bem como para o BE, resume-se numa outra pergunta: Que lhes prometeu o executivo como moeda de troca?
As duas outras hipóteses para tão estranho comportamento, valem para a generalidade dos eleitos que votaram contra. Na melhor delas, que é ao mesmo tempo a situação mais grave em termos de futuro para o concelho todo, o executivo não tem nada a esconder, mas trata-se de uma questão de princípio: Ninguém tem nada que andar a tentar meter o nariz nos assuntos do município e por isso, quanto menos informação disponível melhor é. Por conseguinte nada de dar o braço a torcer, para evitar perder a face. Está mal, mas para os do poder é assim que está bem. Há que mostrar quem manda. Trata-se em suma da postura autocrática, resultante daquela doença assaz frequente nos eleitos -quando sobem ao poder, mais tarde ou mais cedo o poder sobe-lhes à cabeça. Só resta então um remédio: Esperar pela primeira oportunidade e correr com eles, antes que seja demasiado tarde. Os coitados dos venezuelanos, por exemplo, que o digam. Não agiram enquanto ainda era tempo, e agora...
A outra hipótese pode ser ainda mais problemática, apesar de se resumir numa pergunta bem simples: Que tem o executivo tomarense a esconder? Conforme disse Lincoln (1809-1865), "Pode-se enganar alguém durante algum tempo, mas é impossível enganar toda a gente durante muito tempo." 
E pelo andar da carruagem...


sábado, 21 de abril de 2018

Que tempos! Que modos!

Mau começo nos tabuleiros

A escolha de uma tomarense para erguer a Festa Grande em 2019 despertou na minha pobre cabeça alguma esperança. Jovem, bem formada, docente de História, já com experiência da organização, cuidei (e ainda continuo com um fio de esperança) que  ia acontecer no próximo ano a grande mudança de que a organização da Festa dos Tabuleiros tanto carece, em prol de Tomar. Para deixar de ser uma muito pesada despesa e passar a ser uma boa fonte de valor acrescentado transaccionável. Em palavras simples, engrandecer Tomar, mas em euros, pois só com a fama não vamos longe. Pelo contrário, mostra a experiência que estamos a ficar cada vez mais para trás.
Foi por conseguinte um balde de água fria ler, no Tomar na rede, esta situação que tem tanto de tomarense como de condenável, pelo que indicia: "Maria João Morais revelou que já tem constituída a Comissão Central da Festa, mas não quis adiantar nomes." Ou seja, os contribuintes tomarenses, sobretudo aqueles que vão dar o dinheiro e o corpo ao manifesto, são afinal umas criancinhas, que só devem saber as coisas quando os adultos responsáveis e conhecedores julgarem conveniente. A informação atempada é como os doces. Faz mal à saúde, considera a mordoma.
A composição da Comissão Central dos Tabuleiros é em grande parte protocolar, ou pelo menos assim tem sido. Encabeçada obrigatoriamente por quem preside à autarquia, inclui o provedor da Misericórdia, o pároco, o comandante do regimento, e assim sucessivamente. Mais uma razão para temer pelo futuro, caso esta atitude da mordoma indicie mesmo a sua  linha de acção, no que toca à informação.

Lugar muito apetitoso

Li na capa d'O Templário que há sete candidatos para dirigir o Convento de Cristo, numa altura em que a comissão de serviço da actual directora já findou há mais de seis meses. Ainda estive tentado a usar "Sete cães a um osso" como título, mas depois resolvi abster-me, por uma questão de boa educação. Mas no fundo, em sentido figurado, bem entendido, é disso mesmo que se trata. Um lugar com um vencimento acima de três mil euros, mais mordomias, e os chefes a mais de cem quilómetros, não é coisa que abunde no vale nabantino.
Desconheço quem são os candidatos, dado que O Templário ainda  não chegou aqui. Mas aposto que serão, na sua grande maioria pelo menos, historiadores, arquitectos, arqueólogos e especialistas de restauro. Sucede que o Convento precisa, nesta fase, sobretudo de um especialista em turismo operacional, com formação e experiência reconhecidas internacionalmente, conhecedor do mundo e do terreno, capaz de prestigiar o monumento. Assim um Centeno do turismo.
E tal como seria insólito colocar um especialista desses a leccionar numa escola, a elaborar projectos de arquitectura ou a efectuar escavações arqueológicas, também não se entende muito bem o que pretendem fazer na gestão do Convento de Cristo, o principal e mais complexo monumento do país, excluindo Mafra, arquitectos, formados em História, arqueólogos, e por aí adiante.

Uma surpresa das grandes

Lê-se na capa do Cidade de Tomar, com foto em grande formato, "Músico Pedro Barroso recorda o 25 de Abril". 44 anos após a revolução dos cravos, temos assim o conhecido esquerdista Pedro Barroso com honras de primeira página no também conhecido semanário de esquerda Cidade de Tomar. Trata-se de uma evidente prova de grande tolerância. Que todavia não evita um desabafo: Bem dizia a minha mãe que lá mais para o fim do mundo íamos assistir a coisas extraordinárias. Esta do semanário dirigido por António Madureira é uma delas.