sexta-feira, 20 de abril de 2018

Uma pequena correcção

Aqui há tempos, um daqueles artistas comentadores anónimos disse num blogue local que o administrador de Tomar a dianteira estava em Fortaleza, no Brasil, assim uma espécie de Reboleira. Enganou-se por pouco. Apenas uma letra. Realmente aqui no apartamento é a REBELEIRA, por razões evidentes.
E vive-se bem por estas bandas. 60 metros quadrados, ar condiconado no quarto, TV de 70X110 cms., ampla varanda virada a nascente, dois ascensores e um monta cargas, segurança vinte e quatro horas, com controle e registo de entradas, lugar de garagem, com porta automática accionada pelos seguranças a partir da portaria, tudo isto a menos de cem metros do mar. Da praia de Iracema.
O panorama aqui da varanda, numa manhã de chuva, é este:

(Clique sobre a foto, para ampliar)

À esquerda, prédios de habitação, em baixo a Rua Atualpa e o Hotel Alfa, logo a seguir o Hotel Ibis. À direita, lá mais ao fundo, do lado direito da Avenida Monsenhor Tabosa, o Hotel Coimbra e antes deste o Hotel Aquário, perto do Banco Bradesco.
Do lado esquerdo da imagem, naquela nesga entre o prédio azul e branco e o prédio branco lá mais em baixo, é possível aperceber o mar. Usando a tele-objectiva, o resultado é este (a coluna ao meio é o poste de iluminação pública):


Perguntará quem leu até aqui se ficam muito caras umas férias por estes lados de Fortaleza - Ceará. Nem por isso. O maior problema é a viagem de ida e volta, pela TAP. Contar entre 800 e 1.200 euros por pessoa, consoante a época do ano. O alojamento é barato, sobretudo agora que um euro rende 4,30 reais. Um bom quarto de hotel, com casa de banho  ar condicionado e próximo da beira-mar, rondará os 35 euros/dia para duas pessoas, com o café da manhã incluído. Mas há apartamentos privados, com todo o conforto, em regime de alojamento local, a 25 euros/dia, sem pequeno almoço, mas com capacidade para 3 pessoas.
A comida é boa e em geral acessível, contando que não venham à procura de sardinhas (que não há) ou de bacalhau. Uma refeição com um prato do fiel amigo, no restaurante João do Bacalhau, pode chegar aos 25/30 euros. Há porém selfservices a peso e livres. Nos primeiros, dependendo do apetite de cada um, uma refeição pode custar 5 euros, mais a bebida. Mas cuidado: a fruta é mais cara que em Portugal. Ainda ontem no Pão de Açúcar da Avenida da Abolição, um quilo de kiwis custava 19 reais = 4, 50€. Consequência do turismo. Afinal, há centenas e centenas de hotéis, por causa dos 6 quilómetros de praia e da temperatura entre 26 e 35 graus, durante todo o ano.
Quanto à cultura, além do espectáculo diário de humor na Piadaria, a meio quilómetro daqui fica o Centro Cultural Dragão do Mar, com biblioteca, ludoteca, conferências, teatro e dança de quando em vez, folclore/música aos fins de semana e cinema todos os dias. Todos os meses há concertos gratuitos ao ar livre, no aterro da praia de Iracema.
É assim a Reboleira do informado artista comentador anónimo. Até parece a ultracultural cidade nabantina. Haja paciência para aturar ignorantes!

Uma jornalista maltesa assassinada

O caso foi muito pouco moticiado em Portugal. Só agora, com a constituição de uma cadeia de 18 órgãos de informação internacionais, tendo como objectivo principal que o assassinato premeditado de uma jornalista não fique impune, se começam a encontrar mais referências. Por isso, pareceu importante reproduzir uma parte do editorial do LE MONDE, de 17/04/2018, subscrito pelo seu director, Jérôme Fenoglio.
Felizmente, no nosso país de brandos costumes, não há notícia de profissionais da informação assassinados. Convém todavia realçar que é cada vez mais difícil ousar escrever o que se pensa, dando a cara e o peito às balas, porque regra geral tanto os detentores transitórios do poder como os seus serventuários mais caninos se julgam acima da crítica, simplesmente porque têm o condão da infalilibilidade. Nunca cometem erros. O autor destas garatujas também gostava de ser assim.

Editorial do LE MONDE

"Daphne Caruana Galizia foi assassinada a 16 de Outubro de 2017. Uma bomba explodiu debaixo do assento do seu carro de aluguer. Um vizinho ouviu-a gritar. Morreu queimada. Esta jornalista maltesa de investigação, perseguia desde há anos a corrupção na ilha de Malta, e não hesitara em atacar as mais altas autoridades do seu país.
Daphne lutava com raiva controlada, num blogue bastante lido, no qual nem sempre respeitava meticulosamente as regras do jornalismo. Tinha pendentes várias queixas contra si por difamação, mas abriu pistas sérias de inquérito, designadamente a implicação de próximos do primeiro ministro maltês nos "Panamá papers", ou a conta offshore, na ilha de Jersey,  do chefe da oposição. Daphne era corajosa, polémica e muito pessimista. Tinha medo de sair de casa e escreveu, pouco antes de morrer, uma última constatação: "Doravante há vigaristas por todo o lado. A situação é desesperada."
18 órgãos de informação internacionais resolveram agrupar as suas capacidades, visando impedir que a morte de Daphne Caruana fique por esclarecer. É inaceitável que uma jornalista tenha sido atacada fora dos tribunais e das regras do direito, conhecidas e acatadas por todos.
65 jornalistas foram mortos no mundo em 2017, segundo a contagem de Reporters sans frontières. 27 tombaram em zonas de guerra. 39 foram friamente assassinados, entre os quais Daphne Caruana."

Jerôme Fénoglio, Le Monde online, 17/04/2018
Tradução e adaptação de António Rebelo UPARISVIII

Adenda de Tomar a dianteira 3

Na muito modesta medida das suas possibilidades, o autor destas linhas, que não é jornalista nem a tal pretende, tem procurado denunciar, em tom cordato e  neutro, o que lhe parece que não está certo, para um leitorado manifestamente pouco preocupado com a liberdade de informação ou o contraditório. Continuam agarrados ao estilo no qual foram educados -a chamada voz do dono, num contexto político tipo quero posso e mando. Daqui têm resultado alguns mal entendidos, felizmente sem consequências de maior. Apenas amuos, evidente falta de estofo político e algumas tentativas de assassinato de carácter, crê-se que sem grande convicção ou eficácia.
Ao contrário da malograda Daphne Caruana, o administrador deste blogue ainda está vivo. Porém, infelizmente e tal como ela, já está "queimado" por aqueles que se julgam acima do comum, quando a situação triste é aquela a que todos assistimos dia após dia...

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Comer à custa, enquanto outros se esforçam para engrandecer a cidade e o concelho

A escandalosa comezaina durante a Festa dos Tabuleiros

Quem mal não faz, mal não pensa, diz o povo. O autor destas linhas já por cá anda há muito tempo. Conheceu e conversou com João Simões, Fernando de Oliveira, Mota Lima, Bento Baptista, Nini Ferreira, Tó Carvalho, Manuel Bonet, Luís Santos e muitos outros. Quando já depois da guerra em Angola e da emigração em França, viu que o modelo da Festa grande continuava o mesmo, apesar de manifestamente desactualizado, tendo em conta a péssima situação financeira da autarquia, estranhou mas calou-se. Ainda não acontecera o 25 de Abril e naqueles tempos criticar publicamente não era assim muito saudável.
Nunca imaginou todavia que, quatro décadas mais tarde, perante tantos defensores da tradição e uma câmara apoiada por tantos tomarenses, a Festa dos Tabuleiros pudesse dar azo a uma situação tão escandalosa. Tanto mais que, quando se fala em compra de votos, os senhores eleitos mostram-se injustiçados. A verdade porém é que tem acontecido e este humilde escriba de nada sabia, pois nem imaginava que tal fosse possível.
Durante a Festa dos Tabuleiros, que é afinal um cortejo de oferendas a favor dos mais pobres, como bem demonstra a distribuição da peza, carne, pão e vinho, os que vivem do sistema -os eleitos e os que se consideram donos da autarquia- aproveitam para encher a pança à custa dos contribuintes. As imagens seguintes, do jornalista António Freitas, não deixam dúvidas. Havia mais gente para comer e beber que no início deste mês, para escolher a mordoma.







 

Enquanto centenas de tomarenses, do mordomo e seus ajudantes aos que ornamentam as ruas e aos que angariaram donativos de porta em porta, no âmbito da Comissão do peditório, passando pelos presidentes de junta e, sobretudo, pelas portadoras de tabuleiros, que alombam durante perto de quatro horas com 12 quilos à cabeça; enquanto isso, gente endomingada e manifestamente sem vergonha, convidada não se sabe bem por quem, nem porquê -embora se veja para quê- enche a pança à custa do orçamento, em pleno salão nobre dos Paços do concelho. É um escândalo, que chega a ser ignóbil, tão evidente é a compra de votos. Numa câmara que tem uma dívida global superior a 22 milhões de euros. E que paga aos credores com mais de seis meses de atraso.
E tudo isto aconteceu em 2015, durante o mandato de uma maioria relativa PS, apoiada pela CDU. Por isso a actual maioria absoluta tem tantos adeptos. Por isso o obsoleto modelo organizativo da Festa  grande continua a ser tão defendido por alguns. É que já cheira a nova comezaina!
Bom proveito. Mas depois não se queixem. É bem sabido que as lautas refeições provocam quase sempre problemas gástricos e não fazem nada bem à saúde. É só esperar para ver.
No seu texto no Facebook, António Freitas diz que só faltou o caviar. Todavia, pelo que mostram as fotos, mal abriram as portas, foi logo um toca a aviar, antes que se fizesse tarde.
Quanto às portadoras de tabuleiros -afinal o principal pilar da festa- contentam-se com uma sandes, embrulhada em plástico, e uma garrafita de água. Ou meia caneca de tintol, escondido nalgumas enfusas.
Não está mal, não senhor. Está péssimo! E devia envergonhar tanto quem compra como quem se deixa comprar. Mas se até o senhor presidente nacional do partido, e líder da bancada parlamentar do PS, sustenta que pedir o reembolso de bilhetes de avião pagos pela Assembleia da República, nada tem de ilegal ou contra a ética, e que sempre assim se tem feito, estamos conversados. Por este caminho, não tardará uma década estamos todos atascados na dita e mal cheirosa até ao pescoço.
Infeliz país que tais filhos tem!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Duas realidades em rotas de perdição

Parecem-me duas realidades paralelas, ambas em rotas de perdição. Falo da realidade autárquica tomarense, com todos os seus satélites e outros dependentes, e da realidade dos outros, a chamada sociedade civil. Conquanto estreitamente imbricadas, percebe-se que na verdade estão separadas por um fosso, cada vez mais largo e profundo. Ambas em rota de perdição, por manifesta inviabilidade.
Vivem no mesmo contexto geográfico e político, falam grosso modo a mesma língua, vestem-se de forma semelhante, porém têm valores cada vez mais díspares. O principal é a noção de tempo, com todas as suas implicações. Para os integrantes da realidade autárquica, um ano de espera corresponde a uma semana, ou nem isso. Têm o vencimento garantido ao fim do mês. Para os outros, a sacrificada e explorada sociedade civil, que não vive do Estado, uma semana é um ano, porque têm de deitar contas à vida. Cada fim de mês é um problema.
Sem  concorrência, graças ao monopólio que garante também clientela e receitas fixas; sem patrões a quem imperativamente prestar contas; eleitos e funcionários superiores  em geral usam e abusam da situação, arranjando sucessivamente as desculpas e as argumentações mais alambicadas, para tentar justificar aquilo que a população começa a perceber cada vez melhor, mas não pode dizer, porque o seguro morreu de velho: No concelho de Tomar, a realidade autárquica só atrapalha, e atrapalha cada vez mais.
Contrariando de antemão os instalados que vão alegar má-língua, crítica sistemática, e mais não sei quê, não sei quantos, seguem três exemplos actuais, verificáveis por quem queira e tenha capacidade para tanto:


Exemplo 1

O inferno de Palhavã

Os habitantes desta localidade, da área urbana de Santa Maria dos Olivais, lamentam-se amargamente.  A via que atravessa a povoação está intransitável há mais de um ano e já nem merece a designação de rua ou estrada, tal o desconforto, tanto para habitantes como para os simples atravessantes. O nosso colega tomar na rede faculta um retrato completo da situação, que pode consultar aqui.
Pois apesar de tanta miséria estrutural, os defensores da realidade autárquica que temos, em vez de providenciarem com urgência umas carradas de serrisca ou de tout venant, para remediar provisoriamente a situação, tapando os buracos, já conseguiram arranjar três bodes expiatórios  - O Tribunal de contas, a EDP e os SMAS, conforme se pode ler no tomar na rede nos comentários anónimos, mas de origem conhecida. O executivo camarário não tem culpa nenhuma, está claro. O costume. Entretanto a desgraça continua.

Exemplo 2

O PDM e a revisão que nunca mais acaba

Na reunião do passado dia 2 do corrente mês de Abril, os vereadores do PSD apresentaram uma declaração de voto, da qual consta isto:

"O processo de revisão do PDM tem muitos anos. Iniciou-se em 2007, com base numa cartografia homologada de 2005, na posse da Câmara de Tomar.
Passaram muitos anos e nesta fase a DGT-Direcção Geral do Território sugeriu a utilização da cartografia existente em 2015... ...No entanto essa cartografia não foi considerada ... ...e a sua introdução nesta fase poderá pôr em causa todo o trabalho desenvolvido até agora."

A situação é de tal forma indefinida que os próprios autarcas PSD, em princípio com acesso a todos os documentos, acabaram por inserir três perguntas na antes citada declaração de voto:

1 - Qual o ponto real da situação da revisão do PDM de Tomar?

2 - Qual o motivo de se estar a trabalhar com uma cartografia desactualizada?

3 - Qual a data prevista para a conclusão da revisão?

Que se saiba, a actual maioria ainda não respondeu, sendo mesmo pouco provável que alguma vez o venha a fazer de forma cabal. Seja como for, onze anos para rever o PDM de um pequeno concelho, até agora sem nada de substantivo, levam um leigo na matéria, como o autor destas linhas, a perguntar: Não seria melhor, mais rápido e mais económico, encomendar a quem saiba, mediante prévio concurso público, um novo PDM? Certo, mesmo certo, porque demonstrado pela experiência recente, é que com coisas assim, só gente desgarrada e/ou mal informada pode resolver investir em Tomar. E sem investimento suficiente... a desgraça continua e agrava-se.

A reunião camarária aqui noticiada no mediotejo.net, aconteceu em 21 de Junho de 2016. A declaração de voto dos eleitos PSD foi lida na reunião do executivo  de 02 de Abril de 2018. Quase dois anos mais tarde.
Confuso? Sem dúvida. Trata-se visivelmente de um dos cancros da autarquia, a justificar o conhecido provérbio "Aquilo que nasce torto, tarde ou nunca se endireita".

Exemplo 3

Os xilófagos do Convento de S. Francisco

Desde pelo menos Maio do ano passado que se ouve falar da requalificação do Convento de S. Francisco. Soube-se agora, um ano depois, que ainda não há projecto, que o gabinete contratado (o mesmo da desgraça da Levada) ainda só entregou o projecto de arquitectura e que há divergências sobre as áreas a recuperar, bem como sobre o custo final. A autarquia pretende obras para 800 mil euros, o citado gabinete aponta para 1,2 milhões de euros. 
Como se tudo isto não bastasse, só há um mês, durante uma sondagem parcial, os técnicos superiores da autarquia concluiram que toda a cobertura do ex-convento está em risco de ruir, devido a infestação por xilófagos, nome técnico para bicho da madeira.
E só agora, quase um ano depois, é que chegaram a semelhante conclusão? Abençoada terra, que consegue sobreviver, apesar de tais servidores públicos.

Conclusão
Os aproveitadores do sistema, aqueles a quem interessa que nada mude, ou que mude apenas qualquer coisinha, para tudo poder continuar na mesma, como escreveu Lampedusa, vão alegar decerto que são outros os responsáveis e que se trata de casos isolados, desgarrados do seu contexto. Mentem, como sempre, com quantos dentes têm na boca. Uns deliberadamente, outros por ignorância e seguidismo.
Na verdade, atrasos intoleráveis em qualquer outra autarquia, erros clamorosos, falta de planos adequados e impasses evidentes, são a marca da casa da realidade autárquica que temos. E que já vem de longe. Vicios antigos que se preservam, porque tal é do interesse de alguns.
Só falta saber até quando vai ser possível trilhar tal caminho, sem que os tomarenses digam de sua justiça. Ou deixe de haver recursos para sustentar tantos apoiantes.
É bem sabido que casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Por enquanto ainda vai havendo dinheiro para "o pão". Mas depois? Logo se vê?

terça-feira, 17 de abril de 2018

A fama, o proveito e a actualidade política


Uma vez que me consideram afrancesado, o que até nem me desagrada, vou aproveitar, tendo como objectivo que os eleitos locais, e as eleitas também, vão aprendendo qualquer coisinha. Sobre comunicação, sobre respeito pelos eleitores, sobre comportamento cidadão.
Há um ano no poder, Emmanuel Macron, presidente da República francesa, confrontado com os problemas de um grande país (evacuação dos ocupantes de terrenos públicos de Notre Dame des Landes, Bloqueio pelos estudantes de várias universidades, Greves sucessivas nos caminhos de ferro, bombardeamento na Síria, imigração...), entendeu dever explicar-se perante o país que o elegeu.
Numa mesma semana, concedeu duas longas entrevistas. Na primeira, feita a partir de uma pequena escola primária de uma aldeia da Normandia, respondeu às questões de um jornalista, durante hora e meia. A  seguinte durou perto de três horas, com perguntas de dois jornalistas, representando três órgãos de informação, e teve lugar no Palais de Chaillot, no Trocadero, em Paris.
"Não confundamos os papéis; os senhores são jornalistas entrevistadores, eu sou o presidente da República e devo explicações aos franceses", disse a certa altura o entrevistado, visivelmente agastado com o tom de algumas perguntas. Ora leia as várias opiniões sobre a conversa entre o presidente e os jornalistas, como habitualmente numa peça do jornal "Le Monde", a Bíblia do jornalismo francófono:

"O estilo rugoso da entrevista provoca mais reacções que o seu conteúdo"

"O tom impertinente dos entrevistadores irritou alguns partidários do chefe de Estado e a oposição de direita."

Emmanuel Macron le 15 avril.

"A forma impõe-se visivelmente sobre o fundo. No rescaldo da conversa de Emmanuel Macron no domingo passado, as reacções não tardaram. O frente a frente tenso e depois agressivo entre os dois jornalistas, Jean-Jacques Bourdin e Edwy Plenel, e o chefe de Estado, suscitou muitos tweet e outras declarações, até esta segunda-feira de manhã. O tom e o carácter menos solene da conversa marcaram para muitos uma viragem na comunicação do Eliseu [palácio presidencial].
Os apoiantes do presidente louvaram, como se esperava, essa inovação. O porta-voz do governo, Christophe  Castaner, considerou que "vimos um presidente que sabe encaixar, aceitar a crítica, mas também responder taco a taco quando foi necessário. Aguentou o debate."Richard Ferrand, lider do grupo parlamentar La République en Marche [o partido de Macron], confirma a opinião de Castaner, vendo na prestação de Macron "um exercício inédito, entre entrevista e debate, com uma convicção rara."

"Muita agressividade"

Alguns partidários do chefe de Estado irritaram-se contudo face ao estilo considerado demasiado impertinente dos dois entrevistadores, lamentando que o presidente tenha sido tratado pelo seu nome e apelido. "Os senhores nunca se dirigiram a Emmanuel Macron, chamando-lhe simplesmente Senhor presidente da República", agastou-se a ministra Jacqueline Gourault. Opinião confirmada no tweetter por Sacha Houilé, deputado LRM[partido de Macron] da região de Vienne: "Afinal, mais de duas horas de entrevista, foi para facilitar a exibição dos dois entrevistadores durante a primeira hora ?"
A oposição de direita também não gostou do estilo demasiado agreste. "A forma secundarizou o fundo. O debate não esteve ao nível da função presidencial, houve demasiada agressividade", criticou Annie Genevard, deputada LR do Doubs, na segunda feira de manhã, na rádio Europa 1. O seu colega de bancada Dino Cinieri escreveu no Tweeter que se assistiu a um "combate de galos".
A extrema direita também opinou. A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, considerou esta segunda feira, na TV France 2, que Macron "mostrou finalmente a sua verdadeira cara", a do "pior da direita" e do "pior da esquerda". Já Gilbert Collard, deputado independente do Gard, lamentou ter-se assistido a "um espectáculo; um combate de boxe oral."
À esquerda, as reacções são mais entusiásticas, saudando uma entrevista sem concessões. "Incrível conversa noticiosa. Não se escutam as respostas, aguardam-se as perguntas", reagiu Jean-Luc Malenchon no domingo à noite, no Tweeter. Benoit Hamon, fundador de Génération S, congratulou-se  com tal novidade: "Este formato, seja qual for a opinião sobre este ou aquele jornalista, é bem melhor que os exercícios de boa vontade ou coniventes, a que nos habituou a 5ª República."
Finalmente, Esther Benbassa, senadora EELV [verdes] entusiasmou-se e escreveu na rede social "um grande aplauso para os jornalistas Jean-Jacques Bourdin e Edwy Plenel, graças aos quais esta entrevista foi autêntica."

Sylvia Zappi, Le Monde online, 16/04/2018, às 10H46 de Paris
Tradução e adaptação de António Rebelo UParisVIII

Comentário de Tomar a dianteira

Entretanto, pelas bandas de Tomar, nem o poder instalado considera ter a obrigação de se explicar perante os eleitores, nem o corpo informativo ousa abandonar o confortável conformismo. E a população continua a honrar o dito popular "o calado foi a Lisboa e veio e não pagou nada". Quem tenta mostrar as coisas como elas são, "é demasiado agressivo, critica tudo e só sabe dizer mal". Nem mais nem menos. Por isso estamos cada vez melhor.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ideias para a Festa dos Tabuleiros de 2019



António Freitas

Eis as ideias que vou apresentar à mordoma, pois nos moldes seguidos até agora, a festa é anti turismo.
Defendo na Alameda 1 de Março bancadas que levem 25 000 lugares sentados, a 10 euros, o que dará 250 mil euros. Uma empresa para montar e desmontar, mais seguranças, cobrará 70 mil no máximo.
Porém, analisando as horas do desfile, ninguém quer ver um cortejo neste local, que é o mais largo e vistoso DA CIDADE, às 19H30.
Isto é matar o turismo

Portanto só há uma solução:
Alteração do percurso e dos horários.


Esta foto foi tirada às 16h00 do dia 12 de Julho de 2015
Tem que passar a ser às 14h00
O argumento do calor é uma falácia, pois às 16H00 ainda faz mais calor.
O almoçar descansado e ir depois para a varanda tem que acabar.

Esta foto da bênção foi tirada às 17h35

Portanto há que ganhar tempo.
O cortejo saído da Mata às 14H00, vai direto pela Rua Infantaria 15 até à Praça de forma a que a bênção comece às 14H45 e acabe às 15H30.
Depois desce a Rua Serpa Pinto ( Corredoura), sobindo a Marques de Pombal, e a Alameda 1 de Março.
Quem paga tem que ver o primeiro par A PASSAR NA ALAMEDA às 16H00.
Continua pela Angela Tamagnini, Rua Miguel Maria ferreira, Rua Manuel de Matos, sem paragfem paragem para bucha, pois em lado algum se verifica tal coisa.

Esta foto de distribuição da bucha foi tirada às 18H45. Demasiado tarde.

A que horas passou o cortejo na Alameda? Quando a maior parte dos visitantes já foram forçados a ir-se embora, para chegarem a horas decentes a casa.
Finalmente, continua pela Norton de Matos, passa a Ponte Nova, Rotunda, Cândido Madureira  e Travessa Misericórdia, acabando junto convento S. Francisco.
Ou seja, não anda aos SSS por zonas acatitadas, que não comportam visitantes, e tem que acabar às 18H00
Portanto com uma duração de quatro horas, contando com paragens, usando ruas e avenidas onde se concentram mais pessoas e tem que se contar que um autocarro para chegar ao destino, mesmo com dois motoristas, não pode sair de Tomar depois das 18H30.

Será que estas ideias são aproveitadas? Julgo que não.
A nobreza quer passar na Levada, subir e descer a Corredoura, voltar à Levada, subir a Norton de Matos e descer a Alameda um de Março, para ir dar a Volta à Silva Magalhães e voltar a  passar na Praça da República.

Isto não é nada.
Bancadas pagas, para dar segurança e conforto a quem visita, horas para os turistas defrutarem, parques pagos e controlados, ( autocarros e ligeiros), publicidade estática nas baias de segurança (grades), menos PSP que é anti turismo, e  a festa pode arrecadar receitas na ordem dos 350 mil euros, respeitando a tradição.


Para quê 4 Km, se pode ser feito em 3, e com mais vistas?

Água mole em pedra dura….

Texto editado por Tomar a dianteira

Tabuleiros 2019

Vamos mudar, respeitando a tradição?

Aqueles tomarenses que já perceberam ser não só necessário como até indispensável mudar, sob pena de perdermos para sempre o comboio do progresso, são um ínfima minoria. A grande maioria continua apegada a uma situação que já cumpriu o seu papel histórico, estando por isso condenada ao desaparecimento. A expressão não é minha, mas de Paul Krugman, Nobel de Economia, numa peça jornalística sobre a evolução das cidades.
Apesar de minoria, esses tomarenses que ousam manifestar as suas opiniões divergentes, como o autor destas linhas, assustam os conservadores locais, a esmagadora maioria. Cujos representantes disparam imediatamente com o canhão maior da guarnição: -Temos que respeitar a tradição.
Pois seja. Mas que tradição? A tradição multissecular, ou a tradição do século passado, quando o regime não era lá muito apresentável? No caso da Festa dos Tabuleiros, os seus guardiões defendem a manutenção do "modelo João Simões", ou seja a festa de 1950. Quando grande parte das portadoras de tabuleiros eram operárias da Fábrica de Fiação, dirigida pelo referido João Simões, enquanto muitos rapazes ajudantes eram soldados de Infantaria 15, que cumpriam o serviço militar obrigatório. Pouco ou nada a ver portanto com a situação mais recente. E ainda bem.
João Simões, "o Jone",  não era tomarense, mas era um cavalheiro com berço. Um estrangeirado culto e com Mundo, formado em Inglaterra. Tendo visto cortejos anteriores, percebeu ser necessário "folclorizar" a festa, para a integrar no turismo então nascente, dando-lhe ao mesmo tempo unidade, de forma a torná-la mais vistosa. Daí nasceram os trajes das portadoras e dos respectivos ajudantes, bem como a forma-padrão dos tabuleiros, o conjunto ainda hoje respeitado e até venerado, a que chamam tradição, a preservar custe o que custar.


Esta fotografia de Aires Grandela, de 1948, copiada do nosso colega Tomar na rede, mostra como eram os cortejos de oferendas a que terá assistido João Simões. Nem uniformidade de trajes, nem modelo único de formato do tabuleiro. Trajes "de ir ver a Deus" e cestos ornamentados. Ah, mas eram cortejos de oferendas! Pois eram. E o cortejo dos tabuleiros é afinal o quê?
Olhando bem para a foto, que tem exactamente 70 anos, forçoso é reconhecer que o modelo João Simões é mais imponente, mais espectacular como se diz agora. Tem mais dignidade. Razões mais do que suficientes para não o pôr em causa. Só que, para que possa manter-se, é imperioso alterar completamente o modelo organizativo da Festa Grande, enquanto ainda é tempo.
Há que ter a coragem de, mantendo o essencial da tradição, dar à Festa a autonomia e os recursos orgânicos de que carece, de forma a alcançar dois objectivos: A - Deixar de ser só de quatro em quatro anos, quando já foi de dois em dois, nos anos 60 (ver imagem a cores). B - Transformar-se numa manifestação prestigiada, criadora de riqueza transaccionável, não dependente do orçamento municipal e da encapotada compra de votos, como tem vindo a suceder. A dignidade e o futuro de Tomar e dos tomarenses assim o exigem. Haverá alento e determinação para tanto? De  justificações falaciosas estamos todos fartos.
É agora ou nunca!


"Em Julho todos os anos pares", diz a legenda em francês e em inglês. Logo por azar, 2019 é ano ímpar. É assim que respeitam a tradição? Que tradição afinal?


Adenda

Fica para ocasião mais propícia uma abordagem detalhada sobre a actuação de alguns tomarenses, que na altura foram contra a "reforma João Simões", mas décadas mais tarde acabaram a defendê-la como tradição. Um deles até foi mordomo. Muito competente, por sinal.
A vida tem destas coisas.

domingo, 15 de abril de 2018

Brasilês, português e tomarês

Dizem-me, aqui em casa, que hoje não é boa altura para escrever, por ser sexta-feira 13. Como nasci num dia 13 e no Hospital de Nª Sª da Graça, encostado à igreja do mesmo nome, na urbe nabantina, pode ser que me seja concedida a graça de escrever  mais um cronicazita sem percalços de maior.
Desde que resolvi começar a passar os invernos aqui em Fortaleza, tem sido uma alegria. Antes de mais porque a cidade vai a caminho dos três milhões de habitantes (um terço de toda a população portuguesa), apesar de existir há apenas 292 anos, que se comemoram hoje. Logo à noite vai haver espectáculo em grande, ali no Aterrinho da Praia de Iracema, a cem metros daqui de casa, com Caetano Veloso, entre outros. Tudo à borla, pois claro. Ou não fossem de descendência portuguesa. Mas tudo em grande, patrocinado por uma marca de cerveja. Além do palco monumental, há sanitários portáteis por todo o lado, posto médico avançado E polícia com força,  até em pequenas "torres de segurança",  que estamos no bairro dos ricos, onde moram as autoridades.




Temos também a língua dita comum, que afinal está a afastar-se cada vez mais. Por causa nomeadamente do vocabulário específico das vinte e tantas tribos de descendentes dos habitantes anteriores à chegada dos europeus, (a que chamamos índios, só porque Colombo julgou ter chegado à Índia, quando aportou a uma ilha deste continente). Além desse tal vocabulário dito caipira (do campo), que me abstenho de reproduzir por ignorância, há toda uma série de palavras em brasilês, que nada têm a ver com o português. Exemplos: Uma fita métrica é uma trena, um berbequim é um bisouro e uma poleia uma mãozinha francesa.
Tudo isto acompanhado da frase ocasional "fale mais devagar para mim perceber melhor". Há depois expressões mais rebuscadas e bem portuguesas, que aqui assumem outro significado. Todas as tardes, durante a caminhada no calçadão da beira-mar, me cruzo com um carrinho de venda ambulante, empurrado por uma moça, cuja marca é uma promessa. A moça vende sopas e bebidas quentes, pelo que se compreende a designação comercial inscrita no carrinho: "A quentinha da Ivone". O que me leva a recordar aquele restaurante popular, ali numa das esquinas da Rua Ildefonso Albano: o "Tempero da Marlene", "Aberto de Segunda Á Sábado". O próprio autor destas destas linhas é sucessivamente tratado como "doutor", quando dá um real ao "flanelinha" arrumador de carros, ou simplesmente Antônio (assim mesmo com ^ no primeiro o) RAbelo, porque têm dificuldade na pronúncia de vogais elididas. Preferem-nas abertas,  fechadas ou nasais.



Isto como prólogo, para agora poder escrever que Tomar, apesar de ter menos população residente que um bairro de Fortaleza, também tem dado o seu contributo para aquilo a que poderemos chamar tomarês.
A começar pelos tabuleiros. Quem nunca tenha visto a nossa festa grande, ou imagens da mesma, também não ficará a saber do que se trata. Porque apelidar de tabuleiro um cesto de vime com uma armação de canas, ornamentadas com flores e pães, e encimadas por uma coroa, é tomarês puro, temos de reconhecer. Normalmente deveria ser fogaça ou cesto ornamentado, porque tabuleiro não é de certeza, respeitando o dicionário: Tabuleiro: peça de madeira ou metal com as bordas levantadas; bandeja; superfície de madeira, marfim, plástico ou metal, para jogos de xadrês, damas, gamão, etc.; soalho do carro; parte do piano onde assenta o teclado; banco de areia que emerge na vazante; patim, patamar de escada; espaço plano em qualquer edifício ou terreno; talhe das marinhas; porção de terra para flores, hortaliças, etc; tabuleiro de pão, que serve para levar o pão ao forno; masseira.
Conforme se constata, significados não faltam, porém só o último tem a ver, e mesmo assim pouco, com o campo semântico em tomarês. Mas além de tabuleiro, temos outros vocábulos típicos da cidade e do concelho: uma selha é um copo de vinho grande, uma cadela é uma bebedeira e alguém meio ébrio está "com meia casa passada". Outra palavra muito usada em tomarês é penacho, em frases do tipo "gostam muito do penacho." Procurando evitar quiproquós, eis o rol de sinónimos possíveis: vaidade, presunção, soberba, gala, ostentação, jactância, poder, mando. Quer conferir? clique aqui.
Sobretudo depois do 25 de Abril, tem também sido muito usada no vale nabantino a expressão "respeitar a tradição", que em tomarês deve ser traduzida por: "as coisas não estão nada bem, mas se lhes mexermos ainda ficam piores, portanto o melhor é não mudar nada, não vá a gente cair do cavalo".
Fruto das circunstâncias e do empedernido, conquanto disfarçado, machismo local, temos agora uma nova variante em tomarês, assaz engraçada. Segundo a informação nacional e  local, os tomarenses acabam de eleger uma mulher como mordomo da festa. Em qualquer outra terra seria uma mordoma, como já se demonstrou nestas colunas. Mas estamos em Tomar, que diabo! Já demos novos mundos ao mundo (ou pelo menos estamos convencidos disso), e agora começamos a criar uma língua nova -o tomarês. Passaremos a ter mulheres médicos, mulheres arquitectos, mulheres mecânicos. E, com um pouco de sorte, até mulheres polícios, mulheres motoristos, mulheres enfermeiros, ou mulheres freiros.
Seguindo esse mesmo normativo tomarês, quando a soberana britânica Isabel II se finar, a informação tomarense terá de noticiar que lhe sucedeu o príncipe Carlos como rainha. Outro tanto deverá ocorrer caso Filipe VI, que reina em Espanha, venha a estar impedido de forma definitiva (oxalá que não!). Nessa circunstância, já estou a ver a primeira página da informação nabantina: Em Espanha,  filha mais velha de Felipe VI aclamada como rei.
Com tudo isto,  depois ainda se admiram quando os de fora começam a olhar para nós com cara de caso, logo que dizemos que somos de Tomar...
Siga a música, que o baile vai animado.

sábado, 14 de abril de 2018

Opções camarárias mal calculadas

A notícia também chegou aqui, pois é um lugar comum dizer que o mundo está tranformado numa aldeia. Foi um lindo sábado em Tomar, com juventude por todos os cantos. Graças ao Festival de Tunas e ao encontro nacional de alunos de Religião e moral católicas. Este trouxe até à cidade cerca de duas mil pessoas, o que pode constituir uma excelente acção de promoção turistica se...
Para acolher esses jovens, resolveu o vereador responsável mandar montar uma tenda gigante no Mouchão. Houve quem não gostasse da ideia, o que gerou protestos nas redes sociais. O autarca em causa -honra lhe seja feita- respondeu prontamente nas mesmas redes, afirmando que era uma excelente acção em prol do turismo tomarense e que o Mouchão não é um jardim, mas sim um local para eventos.
Tomar a dianteira concorda com a primeira se... conforme já foi dito acima, mas discorda frontalmente da segunda. Por três razões centrais. Primeiro, porque o Mouchão não tem estruturas de apoio para eventos. Há apenas uns sanitários minúsculos ao lado do ex-estádio municipal, faltando por exemplo acessos amplos e contentores de resíduos sólidos, o que deu este lindo resultado, prontamente denunciado, com inteira justiça, por tomar na rede:

Foto Tomar na rede

Agora, por um lado os jovens católicos são acusados pelos tomarenses de serem pouco asseados, quando a culpa não lhes cabe de todo. Por outro lado, não é difícil vaticinar que poderão não ir dizer muito bem da organização tomarense, o que será péssimo para o turismo local.
Segundo, porque o Mouchão sempre se chamou "Mouchão parque" exactamente por ser um jardim, como de resto bem mostram as plantas, a relva, (ou o que dela resta), e os canteiros. Porque a autarquia optou por transformá-lo em local de eventos, de quando em vez o lamentável aspecto é este:


Fotos José Jorge

Em terceiro lugar, a menos de um quilómetro dali, na antiga Cerca conventual, actual Mata dos Sete Montes, há sanitários modernos e espaçosos, com recepção e tudo:


construídos com fundos europeus e da autarquia, no tempo de António Paiva, mas agora praticamente abandonados. E, logo mais acima, um magnífico terreiro, maior que o do Mouchão, também ao abandono:


Fotos Fernando Henriques

É um contraste chocante. No Mouchão, a relva semeada está como documentado acima. Na Mata, a relva espontânea está uma verdadeira maravilha. E a mata é que não é de certeza um jardim.
Temos assim um local fechado, próximo do centro da cidade e dos transportes públicos, óptimo para eventos, com amplas entradas, muito espaço, contentores de lixo, sanitários modernos e espaçosos, parque para merendar, local para tomar e deixar passageiros sem prejudicar o trânsito, que está praticamente esquecido.
Não é da autarquia, bem sei. Mas  que impede a autarquia, que até lá instalou um parque infantil, de reivindicar a sua utilização e gestão? Daria muito trabalho, é isso?

Crise demográfica em Tomar

Situação no Centro escolar de Casais

O texto seguinte é uma notícia, daquelas desagradáveis. Tratando-se de uma notícia, há apenas  factos, que qualquer pessoa pode verificar, se assim o entender. Não  há portanto qualquer opinião, favorável ou desfavorável. Apenas a realidade. Alguns desses factos já foram publicados na parte final da postagem anterior.

O Centro Escolar de Casais começou a funcionar no ano lectivo 2011/2012. Nesse ano, contava com sete professores, para 132 alunos matriculados. Desse total, 86 residiam na Freguesia de Casais, 19 na Freguesia de Alviobeira, 18 na Freguesia de Santa Maria dos Olivais, 5 na Freguesia de Olalhas, 2 na Freguesia de Carregueiros, 1 na Freguesia da Pedreira e 1 no concelho do Entroncamento.


Seis anos volvidos, no ano lectivo 2017/2018, o mesmo Centro escolar conta com mais um professor, num total de 8, para 96 alunos matriculados, com a seguinte origem geográfica: 52 alunos da Freguesia de Casais, 19 Alunos da Freguesia de Alviobeira, 13 Alunos da Freguesia de Santa Maria dos Olivais, 3 Alunos da Freguesia da Junceira, 2 alunos de Além da Ribeira, 2 alunos de Carregueiros,  1 aluno de cada uma das seguintes freguesias: Olalhas, Serra, S. Pedro, Pedreira e Asseiceira. Os 96 alunos do actual ano lectivo estão divididos em 6 turmas. Dado que o Centro escolar dispõe de 14 salas de aula, há forçosamente 8 salas sem qualquer utilização lectiva.


Comparando os dois anos lectivos considerados, verifica-se que o Centro escolar perdeu em 6 anos 27,27% de matriculados, e 35,41% de alunos provenientes de Casais. Durante esse mesmo lapso de tempo a citada freguesia  registou menos 9,3% de eleitores inscritos. Na mesma linha de análise, em 2017/18, 26,5% dos alunos inscritos não residem na freguesia de Casais, sendo 13,54% residentes na Freguesia urbana de Santa Maria dos Olivais.
Estando anunciada a construção de um Centro Escolar na Linhaceira, freguesia de Asseiceira, cabe recordar que actualmente há 2.554 eleitores inscritos na Freguesia de Casais-Alviobeira e 2.557 eleitores inscritos na Freguesia de Asseiceira. Não foi possível apurar em tempo oportuno quantas salas de aula terá o  Centro escolar da Linhaceira.

Fonte  dos dados escolares, obtidos ao abrigo da Lei 26/2016, de 22 de Agosto:

Agrupamento de Escolas Templários – Código 172479
Descrição: Logo Agrupamento(cor)-original   LOGO MEC
* Av. D. Maria II, Apartado 450 · 2304–909 Tomar 
( 249 310 050 – Ê 249 323 065       




sexta-feira, 13 de abril de 2018

Tradição ou imobilismo?

O tomarense António Freitas, que além de jornalista é um experiente operacional de turismo, mandou umas fotos e um comentário irónico, que se publicam com todo o gosto.

 "Casa de brasileiro", visível no trajecto entre o parque de estacionamento e o Mosteiro de Alcobaça

Desvio do Rio Alcoa na cozinha do Mosteiro de Alcobaça


 Dois aspectos dos amplos e modernos sanitários públicos, situados a 30 metros do Mosteiro

O terreiro frente ao Mosteiro, que recuperou o aspecto primitivo, após terem desmantelado o jardim e proibido o estacionamento, já neste século.

O comentário irónico de António Freitas diz  que são uns bimbos os de Alcobaça porque, em vez de respeitarem a tradição recente, como em Tomar, preferiram respeitar a tradição multi-secular. Restabeleceram o terreiro fronteiro ao Mosteiro, velho de séculos, e assim obrigaram os visitantes motorizados a irem estacionar um quilómetro mais longe, o que os leva a percorrer depois uma parte do casco urbano antigo a pé. Os comerciantes locais agradecem.
Quem tem razão? Os alcobacences, que se adaptam ao progresso, respeitando tradições de séculos? Os tomarenses, que  apenas vão mantendo o imobilismo, a que para disfarçar chamam tradição?
Tomar a dianteira resolveu comparar de novo resultados práticos incontroversos. Em 2001, Alcobaça contava 46.552 eleitores inscritos e Tomar 39.338. Menos 7.214. 16 anos mais tarde, em 2017, Alcobaça contava 48.895 eleitores inscritos (mais 2.343 que em 2001) e Tomar 34.814, (menos 4.524 que em 2001), menos 14.081 em relação a Alcobaça. Ou seja, em 16 anos o  fosso demográfico nabantino em relação a Alcobaça praticamente duplicou. Não se trata de invenção deste blogue. São dados oficiais, que podem ser verificados aqui e depois aqui.
Perante isto, os ponderados optimistas tomarenses, especialistas em achismo, imobilismo, confusões, ódios de estimação e frases feitas, vão alegar que Alcobaça está na faixa costeira e Tomar no interior. Conquanto já anteriormente aqui se tenha mostrado que Bragança está bem mais no interior, o que não a impede de atrair investimento e emprego, aceitemos o argumento dos achistas nabantinos. Até porque a faixa costeira, sendo uma faixa, só pode ter as costas largas.
O problema é que mesmo no concelho de Tomar, como também já aqui foi mostrado antes, há freguesias que se aguentam muito melhor do que outras, em termos demográficos. Aqui vai mais um exemplo, numa outra vertente  da mesma crise.
Segundo dados oficiais do Agrupamento de Escolas Templários, obtidos ao abrigo da Lei do direito à informação, no ano lectivo 2011/12, o Centro Escolar de Casais tinha 132 alunos matriculados, entre os quais 86 de Casais e 19 de Alviobeira. Seis anos mais tarde, no ano lectivo 2017/2018, verifica-se que o referido Centro Escolar perdeu 36 alunos, contando agora só 52 alunos de Casais, mas o mesmo total de 19 de Alviobeira, mais 25 de outras origens, o que dá um total geral de 96.
Ou seja, enquanto Alviobeira conseguiu manter a sua situação demográfica nos últimos 6 anos, Casais registou menos 34 crianças matriculadas (menos 39,53%). O que só pode significar que várias famílias resolveram mudar de ares. 
Porquê?

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Comparando, os SMAS-Tomar ficam muito mal na fotografia

Esta coisa de ser afrancesado, ou inglesado, ou americanizado, ou espanholizado, e por aí adiante, tem um pequeno inconconveniente e grandes vantagens. O pequeno inconveniente provém do facto de alguns conterrâneos detestarem quem possa ver mais longe do que  eles. Inveja mal disfarçada, é o que é. Uma das grandes vantagens é a de permitir, graças a informações noutras línguas, fazer comparações com outras cidades, outras regiões, outros países, outros continentes. Ter Mundo, como é uso dizer-se. Um remédio para muita coisa, que infelizmente não se vende nas farmácias. Para se obter, só metendo os pés ao caminho.
Aqui vai uma  dessas  comparações, lembrando desde já que em França o nível de vida é bastante superior ao nosso. A título comparativo, o ordenado mínimo gaulês é de 1.498,47 euros mensais, contra apenas 580 euros em Portugal.

"Região dos Alpes Marítimos: Pode uma empresa de águas provocar o afundamento de um concelho?"

Todos nos lembramos ainda da recente emissão televisiva de Élise Lucet,  Negócios chorudos, feita a partir de Nimes e que abordava o negócio da água. Nimes é a cidade recordista das perdas de rede. 30% da água paga pelos consumidores perde-se pelo caminho, nunca chegando às torneiras domésticas. ... ... ...

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Quem pense que Nimes é uma excepção engana-se redondamente, pois na Riviera francesa começa a reinar a inquietação, particularemnte na cidade de Roquebrune-Cap-Martin. Este concelho assinou uma concessão por vinte anos com a empresa Véolia/Orféo, para a construção de uma ETAR, que entrou em serviço em 2012, mas começou a ser paga a partir de 2010, ao que tudo indica.
Desde então, os recibos têm levantado voo. O custo do primeiro metro cúbico de água é de 6,30€ (tarifa fixa), quando  em Menton, uma cidade vizinha, se fica pelos 4,90€. Perante tais custos, alguns concelhos já municipalizaram novamente o serviço de águas, ou renegociaram os respectivos contratos. É o caso da cidade de Antibes, que conseguiu uma redução de 44%.
Marie Christine Franc de Ferrière, vereadora em Roquebrune, diz-se espantada com tais tarifas proibitivas da água, pelo que solicitou ao presidente da câmara, Patrick Cesari, e sobretudo ao seu vice-presidente Richard Ciocchetti, que consigam uma negociação com a empresa fornecedora de água e saneamento."
... ... ...

Christian Gallo, Le Ficanas, 10 de Abril de 2018
Tradução e adaptação de António Rebelo, UPARISVIII

Exposta assim sucintamente a situação nalgumas cidades do sul da França, vamos às comparações, relembrando a diferença de nível de vida entre os dois países, que é de mais de 2 em França (1.498,47€), para 1 em Portugal (580€).
De acordo com o tarifário em vigor, que pode consultar aqui, em Tomar, um consumidor do primeiro escalão paga obrigatoriamente o primeiro metro cúbico de água 4,5894 € sem taxas, ou 11,7307€, incluindo as taxas de saneamento e resíduos sólidos, mas sem  TRH. Como se vê, uma  diferença abissal em relação a Roquebrune-Cap-Martin, (6,30€). O que de certa forma se entende, sendo porém inaceitável.. Naquela cidade francesa, diz o texto traduzido, as perdas de rede são da ordem dos 30%, enquanto em Tomar, segundo afirmou recentemente um vereador do PSD, em plena reunião do executivo camarário, metade da água comprada à EPAL desaparece na rede. 50%, portanto. E depois ainda temos a ETAR de Santa Cita a tratar água da chuva no Inverno, com a EPAL a cobrar pontualmente cada metro cúbico tratado.
Se em vez de consumidor doméstico do primeiro escalão, considerarmos um  pequeno comerciante tomarense, por mais reduzido que seja o seu volume de negócios, terá de pagar obrigatoriamente aos SMAS, no final de cada mês,  10,3906€ pelo primeiro metro cúbico de água, sem taxas, ou 28,8895€ já com as taxas de saneamento e resíduos sólidos, mas sem  TRH.
Será justo? Estará certo? Não será uma das causas da acentuada fuga da população?
Têm a palavra os tomarenses, que doravante já não vão poder alegar, respeitando a verdade, que não sabiam da evidente espoliação legal em curso no concelho de Tomar, via recibo da água. Quem beneficia de um regime de monopólio, tem sempre tendência a abusar.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

Acontece cada uma...

No EXPRESSO CURTO de hoje pode ler-se isto:

"Bem sei que ao pé desta, todas as outras noticias parecem pequenas. Mas como gostar de saber que há crianças no Hospital de S. João do Porto que fazem quimioterapia no corredor, sendo que o próprio presidente do hospital admite que as condições do atendimento pediátrico são “indignas” e “miseráveis”? Ou que doentes oncológicas em Viseu também não podem fazer monografias porque o aparelho está obsoleto?" 
(O destaque colorido é de Tomar a dianteira )


Uma vez que "o aparelho está obsoleto", de tal forma que já nem dá para fazer monografias, supõe-se que novelas, ensaios ou romances, nem pensar. Talvez relatórios e de certeza composições curtas.
Mas para as mamografias, as utentes terão de demandar outras unidades hospitalares. É triste.