sexta-feira, 20 de abril de 2018

Uma notícia poluída sobre a poluição do Nabão

Cumprindo com qualidade a sua função informativa, a Rádio Hertz contactou a Agência Portuguesa do Ambiente, no sentido de obter esclarecimentos sobre a poluição do rio Nabão. Segundo a notícia que pode ser lida clicando aqui, na sua resposta, aquele organismo governamental escreveu a dado passo este belo naco de prosa: "Da análise já feita por um dos municípios às redes de saneamento, já foram detectadas algumas ligações incorrectas, [de esgotos domésticos ao colector de esgotos pluviais], situações que irão ser corrigidas."
Procurando informar-se com mais detalhe, Tomar a dianteira consultou a lista dos 308 concelhos portugueses, não tendo encontrado nenhum com esse nome de "um dos municípios". Razão mais do que suficiente para que a Rádio Hertz solicite um esclarecimento afinal bem simples: como estão em causa apenas Tomar e Ourém, é cuco ou mocho?

Resultado de imagem para imagens poluição do Nabão

Ainda na mesma mensagem do organismo governamental citado pela Rádio Hertz, sobressai esta magnífica construção frásica: "...a contaminação apresenta fortes indícios de contaminação fecal." Pudera! Era o que faltava, que a poluição não apresentasse indícios de poluição. Todavia, para além deste português que apresenta fortes indícios de poluição por deficiente manuseio, o importante era saber qual a verdadeira natureza dos indícios detectados: coliformes fecais? outros micro-organismos? de origem humana? de origem animal? de ambas?
Há um mês que a senhora presidente da câmara prometeu publicamente aos tomarenses o resultado das análises mais detalhadas, para daí a uma semana. Pelos jeitos as ditas estão a ser muito mais complicadas que o previsto, e por isso muito mais demoradas. 
Na tosca opinião de Tomar a dianteira, deve ser porque, no mapa, de Lisboa para Tomar é sempre a subir., mas na realidade acontece sempre o oposto. Da cidade templária para a cidade alfacinha, é que é sempre a subir. E o laboratório de análises deve ser na capital. Só pode.  Se calhar no próprio palácio de S. Bento...

Uma pequena correcção

Aqui há tempos, um daqueles artistas comentadores anónimos disse num blogue local que o administrador de Tomar a dianteira estava em Fortaleza, no Brasil, assim uma espécie de Reboleira. Enganou-se por pouco. Apenas uma letra. Realmente aqui no apartamento é a REBELEIRA, por razões evidentes.
E vive-se bem por estas bandas. 60 metros quadrados, ar condiconado no quarto, TV de 70X110 cms., ampla varanda virada a nascente, dois ascensores e um monta cargas, segurança vinte e quatro horas, com controle e registo de entradas, lugar de garagem, com porta automática accionada pelos seguranças a partir da portaria, tudo isto a menos de cem metros do mar. Da praia de Iracema.
O panorama aqui da varanda, numa manhã de chuva, é este:

(Clique sobre a foto, para ampliar)

À esquerda, prédios de habitação, em baixo a Rua Atualpa e o Hotel Alfa, logo a seguir o Hotel Ibis. À direita, lá mais ao fundo, do lado direito da Avenida Monsenhor Tabosa, o Hotel Coimbra e antes deste o Hotel Aquário, perto do Banco Bradesco.
Do lado esquerdo da imagem, naquela nesga entre o prédio azul e branco e o prédio branco lá mais em baixo, é possível aperceber o mar. Usando a tele-objectiva, o resultado é este (a coluna ao meio é o poste de iluminação pública):


Perguntará quem leu até aqui se ficam muito caras umas férias por estes lados de Fortaleza - Ceará. Nem por isso. O maior problema é a viagem de ida e volta, pela TAP. Contar entre 800 e 1.200 euros por pessoa, consoante a época do ano. O alojamento é barato, sobretudo agora que um euro rende 4,30 reais. Um bom quarto de hotel, com casa de banho  ar condicionado e próximo da beira-mar, rondará os 35 euros/dia para duas pessoas, com o café da manhã incluído. Mas há apartamentos privados, com todo o conforto, em regime de alojamento local, a 25 euros/dia, sem pequeno almoço, mas com capacidade para 3 pessoas.
A comida é boa e em geral acessível, contando que não venham à procura de sardinhas (que não há) ou de bacalhau. Uma refeição com um prato do fiel amigo, no restaurante João do Bacalhau, pode chegar aos 25/30 euros. Há porém selfservices a peso e livres. Nos primeiros, dependendo do apetite de cada um, uma refeição pode custar 5 euros, mais a bebida. Mas cuidado: a fruta é mais cara que em Portugal. Ainda ontem no Pão de Açúcar da Avenida da Abolição, um quilo de kiwis custava 19 reais = 4, 50€. Consequência do turismo. Afinal, há centenas e centenas de hotéis, por causa dos 6 quilómetros de praia e da temperatura entre 26 e 35 graus, durante todo o ano.
Quanto à cultura, além do espectáculo diário de humor na Piadaria, a meio quilómetro daqui fica o Centro Cultural Dragão do Mar, com biblioteca, ludoteca, conferências, teatro e dança de quando em vez, folclore/música aos fins de semana e cinema todos os dias. Todos os meses há concertos gratuitos ao ar livre, no aterro da praia de Iracema.
É assim a Reboleira do informado artista comentador anónimo. Até parece a ultracultural cidade nabantina. Haja paciência para aturar ignorantes!

Uma jornalista maltesa assassinada

O caso foi muito pouco moticiado em Portugal. Só agora, com a constituição de uma cadeia de 18 órgãos de informação internacionais, tendo como objectivo principal que o assassinato premeditado de uma jornalista não fique impune, se começam a encontrar mais referências. Por isso, pareceu importante reproduzir uma parte do editorial do LE MONDE, de 17/04/2018, subscrito pelo seu director, Jérôme Fenoglio.
Felizmente, no nosso país de brandos costumes, não há notícia de profissionais da informação assassinados. Convém todavia realçar que é cada vez mais difícil ousar escrever o que se pensa, dando a cara e o peito às balas, porque regra geral tanto os detentores transitórios do poder como os seus serventuários mais caninos se julgam acima da crítica, simplesmente porque têm o condão da infalilibilidade. Nunca cometem erros. O autor destas garatujas também gostava de ser assim.

Editorial do LE MONDE

"Daphne Caruana Galizia foi assassinada a 16 de Outubro de 2017. Uma bomba explodiu debaixo do assento do seu carro de aluguer. Um vizinho ouviu-a gritar. Morreu queimada. Esta jornalista maltesa de investigação, perseguia desde há anos a corrupção na ilha de Malta, e não hesitara em atacar as mais altas autoridades do seu país.
Daphne lutava com raiva controlada, num blogue bastante lido, no qual nem sempre respeitava meticulosamente as regras do jornalismo. Tinha pendentes várias queixas contra si por difamação, mas abriu pistas sérias de inquérito, designadamente a implicação de próximos do primeiro ministro maltês nos "Panamá papers", ou a conta offshore, na ilha de Jersey,  do chefe da oposição. Daphne era corajosa, polémica e muito pessimista. Tinha medo de sair de casa e escreveu, pouco antes de morrer, uma última constatação: "Doravante há vigaristas por todo o lado. A situação é desesperada."
18 órgãos de informação internacionais resolveram agrupar as suas capacidades, visando impedir que a morte de Daphne Caruana fique por esclarecer. É inaceitável que uma jornalista tenha sido atacada fora dos tribunais e das regras do direito, conhecidas e acatadas por todos.
65 jornalistas foram mortos no mundo em 2017, segundo a contagem de Reporters sans frontières. 27 tombaram em zonas de guerra. 39 foram friamente assassinados, entre os quais Daphne Caruana."

Jerôme Fénoglio, Le Monde online, 17/04/2018
Tradução e adaptação de António Rebelo UPARISVIII

Adenda de Tomar a dianteira 3

Na muito modesta medida das suas possibilidades, o autor destas linhas, que não é jornalista nem a tal pretende, tem procurado denunciar, em tom cordato e  neutro, o que lhe parece que não está certo, para um leitorado manifestamente pouco preocupado com a liberdade de informação ou o contraditório. Continuam agarrados ao estilo no qual foram educados -a chamada voz do dono, num contexto político tipo quero posso e mando. Daqui têm resultado alguns mal entendidos, felizmente sem consequências de maior. Apenas amuos, evidente falta de estofo político e algumas tentativas de assassinato de carácter, crê-se que sem grande convicção ou eficácia.
Ao contrário da malograda Daphne Caruana, o administrador deste blogue ainda está vivo. Porém, infelizmente e tal como ela, já está "queimado" por aqueles que se julgam acima do comum, quando a situação triste é aquela a que todos assistimos dia após dia...

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Comer à custa, enquanto outros se esforçam para engrandecer a cidade e o concelho

A escandalosa comezaina durante a Festa dos Tabuleiros

Quem mal não faz, mal não pensa, diz o povo. O autor destas linhas já por cá anda há muito tempo. Conheceu e conversou com João Simões, Fernando de Oliveira, Mota Lima, Bento Baptista, Nini Ferreira, Tó Carvalho, Manuel Bonet, Luís Santos e muitos outros. Quando já depois da guerra em Angola e da emigração em França, viu que o modelo da Festa grande continuava o mesmo, apesar de manifestamente desactualizado, tendo em conta a péssima situação financeira da autarquia, estranhou mas calou-se. Ainda não acontecera o 25 de Abril e naqueles tempos criticar publicamente não era assim muito saudável.
Nunca imaginou todavia que, quatro décadas mais tarde, perante tantos defensores da tradição e uma câmara apoiada por tantos tomarenses, a Festa dos Tabuleiros pudesse dar azo a uma situação tão escandalosa. Tanto mais que, quando se fala em compra de votos, os senhores eleitos mostram-se injustiçados. A verdade porém é que tem acontecido e este humilde escriba de nada sabia, pois nem imaginava que tal fosse possível.
Durante a Festa dos Tabuleiros, que é afinal um cortejo de oferendas a favor dos mais pobres, como bem demonstra a distribuição da peza, carne, pão e vinho, os que vivem do sistema -os eleitos e os que se consideram donos da autarquia- aproveitam para encher a pança à custa dos contribuintes. As imagens seguintes, do jornalista António Freitas, não deixam dúvidas. Havia mais gente para comer e beber que no início deste mês, para escolher a mordoma.







 

Enquanto centenas de tomarenses, do mordomo e seus ajudantes aos que ornamentam as ruas e aos que angariaram donativos de porta em porta, no âmbito da Comissão do peditório, passando pelos presidentes de junta e, sobretudo, pelas portadoras de tabuleiros, que alombam durante perto de quatro horas com 12 quilos à cabeça; enquanto isso, gente endomingada e manifestamente sem vergonha, convidada não se sabe bem por quem, nem porquê -embora se veja para quê- enche a pança à custa do orçamento, em pleno salão nobre dos Paços do concelho. É um escândalo, que chega a ser ignóbil, tão evidente é a compra de votos. Numa câmara que tem uma dívida global superior a 22 milhões de euros. E que paga aos credores com mais de seis meses de atraso.
E tudo isto aconteceu em 2015, durante o mandato de uma maioria relativa PS, apoiada pela CDU. Por isso a actual maioria absoluta tem tantos adeptos. Por isso o obsoleto modelo organizativo da Festa  grande continua a ser tão defendido por alguns. É que já cheira a nova comezaina!
Bom proveito. Mas depois não se queixem. É bem sabido que as lautas refeições provocam quase sempre problemas gástricos e não fazem nada bem à saúde. É só esperar para ver.
No seu texto no Facebook, António Freitas diz que só faltou o caviar. Todavia, pelo que mostram as fotos, mal abriram as portas, foi logo um toca a aviar, antes que se fizesse tarde.
Quanto às portadoras de tabuleiros -afinal o principal pilar da festa- contentam-se com uma sandes, embrulhada em plástico, e uma garrafita de água. Ou meia caneca de tintol, escondido nalgumas enfusas.
Não está mal, não senhor. Está péssimo! E devia envergonhar tanto quem compra como quem se deixa comprar. Mas se até o senhor presidente nacional do partido, e líder da bancada parlamentar do PS, sustenta que pedir o reembolso de bilhetes de avião pagos pela Assembleia da República, nada tem de ilegal ou contra a ética, e que sempre assim se tem feito, estamos conversados. Por este caminho, não tardará uma década estamos todos atascados na dita e mal cheirosa até ao pescoço.
Infeliz país que tais filhos tem!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Duas realidades em rotas de perdição

Parecem-me duas realidades paralelas, ambas em rotas de perdição. Falo da realidade autárquica tomarense, com todos os seus satélites e outros dependentes, e da realidade dos outros, a chamada sociedade civil. Conquanto estreitamente imbricadas, percebe-se que na verdade estão separadas por um fosso, cada vez mais largo e profundo. Ambas em rota de perdição, por manifesta inviabilidade.
Vivem no mesmo contexto geográfico e político, falam grosso modo a mesma língua, vestem-se de forma semelhante, porém têm valores cada vez mais díspares. O principal é a noção de tempo, com todas as suas implicações. Para os integrantes da realidade autárquica, um ano de espera corresponde a uma semana, ou nem isso. Têm o vencimento garantido ao fim do mês. Para os outros, a sacrificada e explorada sociedade civil, que não vive do Estado, uma semana é um ano, porque têm de deitar contas à vida. Cada fim de mês é um problema.
Sem  concorrência, graças ao monopólio que garante também clientela e receitas fixas; sem patrões a quem imperativamente prestar contas; eleitos e funcionários superiores  em geral usam e abusam da situação, arranjando sucessivamente as desculpas e as argumentações mais alambicadas, para tentar justificar aquilo que a população começa a perceber cada vez melhor, mas não pode dizer, porque o seguro morreu de velho: No concelho de Tomar, a realidade autárquica só atrapalha, e atrapalha cada vez mais.
Contrariando de antemão os instalados que vão alegar má-língua, crítica sistemática, e mais não sei quê, não sei quantos, seguem três exemplos actuais, verificáveis por quem queira e tenha capacidade para tanto:


Exemplo 1

O inferno de Palhavã

Os habitantes desta localidade, da área urbana de Santa Maria dos Olivais, lamentam-se amargamente.  A via que atravessa a povoação está intransitável há mais de um ano e já nem merece a designação de rua ou estrada, tal o desconforto, tanto para habitantes como para os simples atravessantes. O nosso colega tomar na rede faculta um retrato completo da situação, que pode consultar aqui.
Pois apesar de tanta miséria estrutural, os defensores da realidade autárquica que temos, em vez de providenciarem com urgência umas carradas de serrisca ou de tout venant, para remediar provisoriamente a situação, tapando os buracos, já conseguiram arranjar três bodes expiatórios  - O Tribunal de contas, a EDP e os SMAS, conforme se pode ler no tomar na rede nos comentários anónimos, mas de origem conhecida. O executivo camarário não tem culpa nenhuma, está claro. O costume. Entretanto a desgraça continua.

Exemplo 2

O PDM e a revisão que nunca mais acaba

Na reunião do passado dia 2 do corrente mês de Abril, os vereadores do PSD apresentaram uma declaração de voto, da qual consta isto:

"O processo de revisão do PDM tem muitos anos. Iniciou-se em 2007, com base numa cartografia homologada de 2005, na posse da Câmara de Tomar.
Passaram muitos anos e nesta fase a DGT-Direcção Geral do Território sugeriu a utilização da cartografia existente em 2015... ...No entanto essa cartografia não foi considerada ... ...e a sua introdução nesta fase poderá pôr em causa todo o trabalho desenvolvido até agora."

A situação é de tal forma indefinida que os próprios autarcas PSD, em princípio com acesso a todos os documentos, acabaram por inserir três perguntas na antes citada declaração de voto:

1 - Qual o ponto real da situação da revisão do PDM de Tomar?

2 - Qual o motivo de se estar a trabalhar com uma cartografia desactualizada?

3 - Qual a data prevista para a conclusão da revisão?

Que se saiba, a actual maioria ainda não respondeu, sendo mesmo pouco provável que alguma vez o venha a fazer de forma cabal. Seja como for, onze anos para rever o PDM de um pequeno concelho, até agora sem nada de substantivo, levam um leigo na matéria, como o autor destas linhas, a perguntar: Não seria melhor, mais rápido e mais económico, encomendar a quem saiba, mediante prévio concurso público, um novo PDM? Certo, mesmo certo, porque demonstrado pela experiência recente, é que com coisas assim, só gente desgarrada e/ou mal informada pode resolver investir em Tomar. E sem investimento suficiente... a desgraça continua e agrava-se.

A reunião camarária aqui noticiada no mediotejo.net, aconteceu em 21 de Junho de 2016. A declaração de voto dos eleitos PSD foi lida na reunião do executivo  de 02 de Abril de 2018. Quase dois anos mais tarde.
Confuso? Sem dúvida. Trata-se visivelmente de um dos cancros da autarquia, a justificar o conhecido provérbio "Aquilo que nasce torto, tarde ou nunca se endireita".

Exemplo 3

Os xilófagos do Convento de S. Francisco

Desde pelo menos Maio do ano passado que se ouve falar da requalificação do Convento de S. Francisco. Soube-se agora, um ano depois, que ainda não há projecto, que o gabinete contratado (o mesmo da desgraça da Levada) ainda só entregou o projecto de arquitectura e que há divergências sobre as áreas a recuperar, bem como sobre o custo final. A autarquia pretende obras para 800 mil euros, o citado gabinete aponta para 1,2 milhões de euros. 
Como se tudo isto não bastasse, só há um mês, durante uma sondagem parcial, os técnicos superiores da autarquia concluiram que toda a cobertura do ex-convento está em risco de ruir, devido a infestação por xilófagos, nome técnico para bicho da madeira.
E só agora, quase um ano depois, é que chegaram a semelhante conclusão? Abençoada terra, que consegue sobreviver, apesar de tais servidores públicos.

Conclusão
Os aproveitadores do sistema, aqueles a quem interessa que nada mude, ou que mude apenas qualquer coisinha, para tudo poder continuar na mesma, como escreveu Lampedusa, vão alegar decerto que são outros os responsáveis e que se trata de casos isolados, desgarrados do seu contexto. Mentem, como sempre, com quantos dentes têm na boca. Uns deliberadamente, outros por ignorância e seguidismo.
Na verdade, atrasos intoleráveis em qualquer outra autarquia, erros clamorosos, falta de planos adequados e impasses evidentes, são a marca da casa da realidade autárquica que temos. E que já vem de longe. Vicios antigos que se preservam, porque tal é do interesse de alguns.
Só falta saber até quando vai ser possível trilhar tal caminho, sem que os tomarenses digam de sua justiça. Ou deixe de haver recursos para sustentar tantos apoiantes.
É bem sabido que casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Por enquanto ainda vai havendo dinheiro para "o pão". Mas depois? Logo se vê?

terça-feira, 17 de abril de 2018

A fama, o proveito e a actualidade política


Uma vez que me consideram afrancesado, o que até nem me desagrada, vou aproveitar, tendo como objectivo que os eleitos locais, e as eleitas também, vão aprendendo qualquer coisinha. Sobre comunicação, sobre respeito pelos eleitores, sobre comportamento cidadão.
Há um ano no poder, Emmanuel Macron, presidente da República francesa, confrontado com os problemas de um grande país (evacuação dos ocupantes de terrenos públicos de Notre Dame des Landes, Bloqueio pelos estudantes de várias universidades, Greves sucessivas nos caminhos de ferro, bombardeamento na Síria, imigração...), entendeu dever explicar-se perante o país que o elegeu.
Numa mesma semana, concedeu duas longas entrevistas. Na primeira, feita a partir de uma pequena escola primária de uma aldeia da Normandia, respondeu às questões de um jornalista, durante hora e meia. A  seguinte durou perto de três horas, com perguntas de dois jornalistas, representando três órgãos de informação, e teve lugar no Palais de Chaillot, no Trocadero, em Paris.
"Não confundamos os papéis; os senhores são jornalistas entrevistadores, eu sou o presidente da República e devo explicações aos franceses", disse a certa altura o entrevistado, visivelmente agastado com o tom de algumas perguntas. Ora leia as várias opiniões sobre a conversa entre o presidente e os jornalistas, como habitualmente numa peça do jornal "Le Monde", a Bíblia do jornalismo francófono:

"O estilo rugoso da entrevista provoca mais reacções que o seu conteúdo"

"O tom impertinente dos entrevistadores irritou alguns partidários do chefe de Estado e a oposição de direita."

Emmanuel Macron le 15 avril.

"A forma impõe-se visivelmente sobre o fundo. No rescaldo da conversa de Emmanuel Macron no domingo passado, as reacções não tardaram. O frente a frente tenso e depois agressivo entre os dois jornalistas, Jean-Jacques Bourdin e Edwy Plenel, e o chefe de Estado, suscitou muitos tweet e outras declarações, até esta segunda-feira de manhã. O tom e o carácter menos solene da conversa marcaram para muitos uma viragem na comunicação do Eliseu [palácio presidencial].
Os apoiantes do presidente louvaram, como se esperava, essa inovação. O porta-voz do governo, Christophe  Castaner, considerou que "vimos um presidente que sabe encaixar, aceitar a crítica, mas também responder taco a taco quando foi necessário. Aguentou o debate."Richard Ferrand, lider do grupo parlamentar La République en Marche [o partido de Macron], confirma a opinião de Castaner, vendo na prestação de Macron "um exercício inédito, entre entrevista e debate, com uma convicção rara."

"Muita agressividade"

Alguns partidários do chefe de Estado irritaram-se contudo face ao estilo considerado demasiado impertinente dos dois entrevistadores, lamentando que o presidente tenha sido tratado pelo seu nome e apelido. "Os senhores nunca se dirigiram a Emmanuel Macron, chamando-lhe simplesmente Senhor presidente da República", agastou-se a ministra Jacqueline Gourault. Opinião confirmada no tweetter por Sacha Houilé, deputado LRM[partido de Macron] da região de Vienne: "Afinal, mais de duas horas de entrevista, foi para facilitar a exibição dos dois entrevistadores durante a primeira hora ?"
A oposição de direita também não gostou do estilo demasiado agreste. "A forma secundarizou o fundo. O debate não esteve ao nível da função presidencial, houve demasiada agressividade", criticou Annie Genevard, deputada LR do Doubs, na segunda feira de manhã, na rádio Europa 1. O seu colega de bancada Dino Cinieri escreveu no Tweeter que se assistiu a um "combate de galos".
A extrema direita também opinou. A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, considerou esta segunda feira, na TV France 2, que Macron "mostrou finalmente a sua verdadeira cara", a do "pior da direita" e do "pior da esquerda". Já Gilbert Collard, deputado independente do Gard, lamentou ter-se assistido a "um espectáculo; um combate de boxe oral."
À esquerda, as reacções são mais entusiásticas, saudando uma entrevista sem concessões. "Incrível conversa noticiosa. Não se escutam as respostas, aguardam-se as perguntas", reagiu Jean-Luc Malenchon no domingo à noite, no Tweeter. Benoit Hamon, fundador de Génération S, congratulou-se  com tal novidade: "Este formato, seja qual for a opinião sobre este ou aquele jornalista, é bem melhor que os exercícios de boa vontade ou coniventes, a que nos habituou a 5ª República."
Finalmente, Esther Benbassa, senadora EELV [verdes] entusiasmou-se e escreveu na rede social "um grande aplauso para os jornalistas Jean-Jacques Bourdin e Edwy Plenel, graças aos quais esta entrevista foi autêntica."

Sylvia Zappi, Le Monde online, 16/04/2018, às 10H46 de Paris
Tradução e adaptação de António Rebelo UParisVIII

Comentário de Tomar a dianteira

Entretanto, pelas bandas de Tomar, nem o poder instalado considera ter a obrigação de se explicar perante os eleitores, nem o corpo informativo ousa abandonar o confortável conformismo. E a população continua a honrar o dito popular "o calado foi a Lisboa e veio e não pagou nada". Quem tenta mostrar as coisas como elas são, "é demasiado agressivo, critica tudo e só sabe dizer mal". Nem mais nem menos. Por isso estamos cada vez melhor.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ideias para a Festa dos Tabuleiros de 2019



António Freitas

Eis as ideias que vou apresentar à mordoma, pois nos moldes seguidos até agora, a festa é anti turismo.
Defendo na Alameda 1 de Março bancadas que levem 25 000 lugares sentados, a 10 euros, o que dará 250 mil euros. Uma empresa para montar e desmontar, mais seguranças, cobrará 70 mil no máximo.
Porém, analisando as horas do desfile, ninguém quer ver um cortejo neste local, que é o mais largo e vistoso DA CIDADE, às 19H30.
Isto é matar o turismo

Portanto só há uma solução:
Alteração do percurso e dos horários.


Esta foto foi tirada às 16h00 do dia 12 de Julho de 2015
Tem que passar a ser às 14h00
O argumento do calor é uma falácia, pois às 16H00 ainda faz mais calor.
O almoçar descansado e ir depois para a varanda tem que acabar.

Esta foto da bênção foi tirada às 17h35

Portanto há que ganhar tempo.
O cortejo saído da Mata às 14H00, vai direto pela Rua Infantaria 15 até à Praça de forma a que a bênção comece às 14H45 e acabe às 15H30.
Depois desce a Rua Serpa Pinto ( Corredoura), sobindo a Marques de Pombal, e a Alameda 1 de Março.
Quem paga tem que ver o primeiro par A PASSAR NA ALAMEDA às 16H00.
Continua pela Angela Tamagnini, Rua Miguel Maria ferreira, Rua Manuel de Matos, sem paragfem paragem para bucha, pois em lado algum se verifica tal coisa.

Esta foto de distribuição da bucha foi tirada às 18H45. Demasiado tarde.

A que horas passou o cortejo na Alameda? Quando a maior parte dos visitantes já foram forçados a ir-se embora, para chegarem a horas decentes a casa.
Finalmente, continua pela Norton de Matos, passa a Ponte Nova, Rotunda, Cândido Madureira  e Travessa Misericórdia, acabando junto convento S. Francisco.
Ou seja, não anda aos SSS por zonas acatitadas, que não comportam visitantes, e tem que acabar às 18H00
Portanto com uma duração de quatro horas, contando com paragens, usando ruas e avenidas onde se concentram mais pessoas e tem que se contar que um autocarro para chegar ao destino, mesmo com dois motoristas, não pode sair de Tomar depois das 18H30.

Será que estas ideias são aproveitadas? Julgo que não.
A nobreza quer passar na Levada, subir e descer a Corredoura, voltar à Levada, subir a Norton de Matos e descer a Alameda um de Março, para ir dar a Volta à Silva Magalhães e voltar a  passar na Praça da República.

Isto não é nada.
Bancadas pagas, para dar segurança e conforto a quem visita, horas para os turistas defrutarem, parques pagos e controlados, ( autocarros e ligeiros), publicidade estática nas baias de segurança (grades), menos PSP que é anti turismo, e  a festa pode arrecadar receitas na ordem dos 350 mil euros, respeitando a tradição.


Para quê 4 Km, se pode ser feito em 3, e com mais vistas?

Água mole em pedra dura….

Texto editado por Tomar a dianteira