segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ideias para a Festa dos Tabuleiros de 2019



António Freitas

Eis as ideias que vou apresentar à mordoma, pois nos moldes seguidos até agora, a festa é anti turismo.
Defendo na Alameda 1 de Março bancadas que levem 25 000 lugares sentados, a 10 euros, o que dará 250 mil euros. Uma empresa para montar e desmontar, mais seguranças, cobrará 70 mil no máximo.
Porém, analisando as horas do desfile, ninguém quer ver um cortejo neste local, que é o mais largo e vistoso DA CIDADE, às 19H30.
Isto é matar o turismo

Portanto só há uma solução:
Alteração do percurso e dos horários.


Esta foto foi tirada às 16h00 do dia 12 de Julho de 2015
Tem que passar a ser às 14h00
O argumento do calor é uma falácia, pois às 16H00 ainda faz mais calor.
O almoçar descansado e ir depois para a varanda tem que acabar.

Esta foto da bênção foi tirada às 17h35

Portanto há que ganhar tempo.
O cortejo saído da Mata às 14H00, vai direto pela Rua Infantaria 15 até à Praça de forma a que a bênção comece às 14H45 e acabe às 15H30.
Depois desce a Rua Serpa Pinto ( Corredoura), sobindo a Marques de Pombal, e a Alameda 1 de Março.
Quem paga tem que ver o primeiro par A PASSAR NA ALAMEDA às 16H00.
Continua pela Angela Tamagnini, Rua Miguel Maria ferreira, Rua Manuel de Matos, sem paragfem paragem para bucha, pois em lado algum se verifica tal coisa.

Esta foto de distribuição da bucha foi tirada às 18H45. Demasiado tarde.

A que horas passou o cortejo na Alameda? Quando a maior parte dos visitantes já foram forçados a ir-se embora, para chegarem a horas decentes a casa.
Finalmente, continua pela Norton de Matos, passa a Ponte Nova, Rotunda, Cândido Madureira  e Travessa Misericórdia, acabando junto convento S. Francisco.
Ou seja, não anda aos SSS por zonas acatitadas, que não comportam visitantes, e tem que acabar às 18H00
Portanto com uma duração de quatro horas, contando com paragens, usando ruas e avenidas onde se concentram mais pessoas e tem que se contar que um autocarro para chegar ao destino, mesmo com dois motoristas, não pode sair de Tomar depois das 18H30.

Será que estas ideias são aproveitadas? Julgo que não.
A nobreza quer passar na Levada, subir e descer a Corredoura, voltar à Levada, subir a Norton de Matos e descer a Alameda um de Março, para ir dar a Volta à Silva Magalhães e voltar a  passar na Praça da República.

Isto não é nada.
Bancadas pagas, para dar segurança e conforto a quem visita, horas para os turistas defrutarem, parques pagos e controlados, ( autocarros e ligeiros), publicidade estática nas baias de segurança (grades), menos PSP que é anti turismo, e  a festa pode arrecadar receitas na ordem dos 350 mil euros, respeitando a tradição.


Para quê 4 Km, se pode ser feito em 3, e com mais vistas?

Água mole em pedra dura….

Texto editado por Tomar a dianteira

Tabuleiros 2019

Vamos mudar, respeitando a tradição?

Aqueles tomarenses que já perceberam ser não só necessário como até indispensável mudar, sob pena de perdermos para sempre o comboio do progresso, são um ínfima minoria. A grande maioria continua apegada a uma situação que já cumpriu o seu papel histórico, estando por isso condenada ao desaparecimento. A expressão não é minha, mas de Paul Krugman, Nobel de Economia, numa peça jornalística sobre a evolução das cidades.
Apesar de minoria, esses tomarenses que ousam manifestar as suas opiniões divergentes, como o autor destas linhas, assustam os conservadores locais, a esmagadora maioria. Cujos representantes disparam imediatamente com o canhão maior da guarnição: -Temos que respeitar a tradição.
Pois seja. Mas que tradição? A tradição multissecular, ou a tradição do século passado, quando o regime não era lá muito apresentável? No caso da Festa dos Tabuleiros, os seus guardiões defendem a manutenção do "modelo João Simões", ou seja a festa de 1950. Quando grande parte das portadoras de tabuleiros eram operárias da Fábrica de Fiação, dirigida pelo referido João Simões, enquanto muitos rapazes ajudantes eram soldados de Infantaria 15, que cumpriam o serviço militar obrigatório. Pouco ou nada a ver portanto com a situação mais recente. E ainda bem.
João Simões, "o Jone",  não era tomarense, mas era um cavalheiro com berço. Um estrangeirado culto e com Mundo, formado em Inglaterra. Tendo visto cortejos anteriores, percebeu ser necessário "folclorizar" a festa, para a integrar no turismo então nascente, dando-lhe ao mesmo tempo unidade, de forma a torná-la mais vistosa. Daí nasceram os trajes das portadoras e dos respectivos ajudantes, bem como a forma-padrão dos tabuleiros, o conjunto ainda hoje respeitado e até venerado, a que chamam tradição, a preservar custe o que custar.


Esta fotografia de Aires Grandela, de 1948, copiada do nosso colega Tomar na rede, mostra como eram os cortejos de oferendas a que terá assistido João Simões. Nem uniformidade de trajes, nem modelo único de formato do tabuleiro. Trajes "de ir ver a Deus" e cestos ornamentados. Ah, mas eram cortejos de oferendas! Pois eram. E o cortejo dos tabuleiros é afinal o quê?
Olhando bem para a foto, que tem exactamente 70 anos, forçoso é reconhecer que o modelo João Simões é mais imponente, mais espectacular como se diz agora. Tem mais dignidade. Razões mais do que suficientes para não o pôr em causa. Só que, para que possa manter-se, é imperioso alterar completamente o modelo organizativo da Festa Grande, enquanto ainda é tempo.
Há que ter a coragem de, mantendo o essencial da tradição, dar à Festa a autonomia e os recursos orgânicos de que carece, de forma a alcançar dois objectivos: A - Deixar de ser só de quatro em quatro anos, quando já foi de dois em dois, nos anos 60 (ver imagem a cores). B - Transformar-se numa manifestação prestigiada, criadora de riqueza transaccionável, não dependente do orçamento municipal e da encapotada compra de votos, como tem vindo a suceder. A dignidade e o futuro de Tomar e dos tomarenses assim o exigem. Haverá alento e determinação para tanto? De  justificações falaciosas estamos todos fartos.
É agora ou nunca!


"Em Julho todos os anos pares", diz a legenda em francês e em inglês. Logo por azar, 2019 é ano ímpar. É assim que respeitam a tradição? Que tradição afinal?


Adenda

Fica para ocasião mais propícia uma abordagem detalhada sobre a actuação de alguns tomarenses, que na altura foram contra a "reforma João Simões", mas décadas mais tarde acabaram a defendê-la como tradição. Um deles até foi mordomo. Muito competente, por sinal.
A vida tem destas coisas.

domingo, 15 de abril de 2018

Brasilês, português e tomarês

Dizem-me, aqui em casa, que hoje não é boa altura para escrever, por ser sexta-feira 13. Como nasci num dia 13 e no Hospital de Nª Sª da Graça, encostado à igreja do mesmo nome, na urbe nabantina, pode ser que me seja concedida a graça de escrever  mais um cronicazita sem percalços de maior.
Desde que resolvi começar a passar os invernos aqui em Fortaleza, tem sido uma alegria. Antes de mais porque a cidade vai a caminho dos três milhões de habitantes (um terço de toda a população portuguesa), apesar de existir há apenas 292 anos, que se comemoram hoje. Logo à noite vai haver espectáculo em grande, ali no Aterrinho da Praia de Iracema, a cem metros daqui de casa, com Caetano Veloso, entre outros. Tudo à borla, pois claro. Ou não fossem de descendência portuguesa. Mas tudo em grande, patrocinado por uma marca de cerveja. Além do palco monumental, há sanitários portáteis por todo o lado, posto médico avançado E polícia com força,  até em pequenas "torres de segurança",  que estamos no bairro dos ricos, onde moram as autoridades.




Temos também a língua dita comum, que afinal está a afastar-se cada vez mais. Por causa nomeadamente do vocabulário específico das vinte e tantas tribos de descendentes dos habitantes anteriores à chegada dos europeus, (a que chamamos índios, só porque Colombo julgou ter chegado à Índia, quando aportou a uma ilha deste continente). Além desse tal vocabulário dito caipira (do campo), que me abstenho de reproduzir por ignorância, há toda uma série de palavras em brasilês, que nada têm a ver com o português. Exemplos: Uma fita métrica é uma trena, um berbequim é um bisouro e uma poleia uma mãozinha francesa.
Tudo isto acompanhado da frase ocasional "fale mais devagar para mim perceber melhor". Há depois expressões mais rebuscadas e bem portuguesas, que aqui assumem outro significado. Todas as tardes, durante a caminhada no calçadão da beira-mar, me cruzo com um carrinho de venda ambulante, empurrado por uma moça, cuja marca é uma promessa. A moça vende sopas e bebidas quentes, pelo que se compreende a designação comercial inscrita no carrinho: "A quentinha da Ivone". O que me leva a recordar aquele restaurante popular, ali numa das esquinas da Rua Ildefonso Albano: o "Tempero da Marlene", "Aberto de Segunda Á Sábado". O próprio autor destas destas linhas é sucessivamente tratado como "doutor", quando dá um real ao "flanelinha" arrumador de carros, ou simplesmente Antônio (assim mesmo com ^ no primeiro o) RAbelo, porque têm dificuldade na pronúncia de vogais elididas. Preferem-nas abertas,  fechadas ou nasais.



Isto como prólogo, para agora poder escrever que Tomar, apesar de ter menos população residente que um bairro de Fortaleza, também tem dado o seu contributo para aquilo a que poderemos chamar tomarês.
A começar pelos tabuleiros. Quem nunca tenha visto a nossa festa grande, ou imagens da mesma, também não ficará a saber do que se trata. Porque apelidar de tabuleiro um cesto de vime com uma armação de canas, ornamentadas com flores e pães, e encimadas por uma coroa, é tomarês puro, temos de reconhecer. Normalmente deveria ser fogaça ou cesto ornamentado, porque tabuleiro não é de certeza, respeitando o dicionário: Tabuleiro: peça de madeira ou metal com as bordas levantadas; bandeja; superfície de madeira, marfim, plástico ou metal, para jogos de xadrês, damas, gamão, etc.; soalho do carro; parte do piano onde assenta o teclado; banco de areia que emerge na vazante; patim, patamar de escada; espaço plano em qualquer edifício ou terreno; talhe das marinhas; porção de terra para flores, hortaliças, etc; tabuleiro de pão, que serve para levar o pão ao forno; masseira.
Conforme se constata, significados não faltam, porém só o último tem a ver, e mesmo assim pouco, com o campo semântico em tomarês. Mas além de tabuleiro, temos outros vocábulos típicos da cidade e do concelho: uma selha é um copo de vinho grande, uma cadela é uma bebedeira e alguém meio ébrio está "com meia casa passada". Outra palavra muito usada em tomarês é penacho, em frases do tipo "gostam muito do penacho." Procurando evitar quiproquós, eis o rol de sinónimos possíveis: vaidade, presunção, soberba, gala, ostentação, jactância, poder, mando. Quer conferir? clique aqui.
Sobretudo depois do 25 de Abril, tem também sido muito usada no vale nabantino a expressão "respeitar a tradição", que em tomarês deve ser traduzida por: "as coisas não estão nada bem, mas se lhes mexermos ainda ficam piores, portanto o melhor é não mudar nada, não vá a gente cair do cavalo".
Fruto das circunstâncias e do empedernido, conquanto disfarçado, machismo local, temos agora uma nova variante em tomarês, assaz engraçada. Segundo a informação nacional e  local, os tomarenses acabam de eleger uma mulher como mordomo da festa. Em qualquer outra terra seria uma mordoma, como já se demonstrou nestas colunas. Mas estamos em Tomar, que diabo! Já demos novos mundos ao mundo (ou pelo menos estamos convencidos disso), e agora começamos a criar uma língua nova -o tomarês. Passaremos a ter mulheres médicos, mulheres arquitectos, mulheres mecânicos. E, com um pouco de sorte, até mulheres polícios, mulheres motoristos, mulheres enfermeiros, ou mulheres freiros.
Seguindo esse mesmo normativo tomarês, quando a soberana britânica Isabel II se finar, a informação tomarense terá de noticiar que lhe sucedeu o príncipe Carlos como rainha. Outro tanto deverá ocorrer caso Filipe VI, que reina em Espanha, venha a estar impedido de forma definitiva (oxalá que não!). Nessa circunstância, já estou a ver a primeira página da informação nabantina: Em Espanha,  filha mais velha de Felipe VI aclamada como rei.
Com tudo isto,  depois ainda se admiram quando os de fora começam a olhar para nós com cara de caso, logo que dizemos que somos de Tomar...
Siga a música, que o baile vai animado.

sábado, 14 de abril de 2018

Opções camarárias mal calculadas

A notícia também chegou aqui, pois é um lugar comum dizer que o mundo está tranformado numa aldeia. Foi um lindo sábado em Tomar, com juventude por todos os cantos. Graças ao Festival de Tunas e ao encontro nacional de alunos de Religião e moral católicas. Este trouxe até à cidade cerca de duas mil pessoas, o que pode constituir uma excelente acção de promoção turistica se...
Para acolher esses jovens, resolveu o vereador responsável mandar montar uma tenda gigante no Mouchão. Houve quem não gostasse da ideia, o que gerou protestos nas redes sociais. O autarca em causa -honra lhe seja feita- respondeu prontamente nas mesmas redes, afirmando que era uma excelente acção em prol do turismo tomarense e que o Mouchão não é um jardim, mas sim um local para eventos.
Tomar a dianteira concorda com a primeira se... conforme já foi dito acima, mas discorda frontalmente da segunda. Por três razões centrais. Primeiro, porque o Mouchão não tem estruturas de apoio para eventos. Há apenas uns sanitários minúsculos ao lado do ex-estádio municipal, faltando por exemplo acessos amplos e contentores de resíduos sólidos, o que deu este lindo resultado, prontamente denunciado, com inteira justiça, por tomar na rede:

Foto Tomar na rede

Agora, por um lado os jovens católicos são acusados pelos tomarenses de serem pouco asseados, quando a culpa não lhes cabe de todo. Por outro lado, não é difícil vaticinar que poderão não ir dizer muito bem da organização tomarense, o que será péssimo para o turismo local.
Segundo, porque o Mouchão sempre se chamou "Mouchão parque" exactamente por ser um jardim, como de resto bem mostram as plantas, a relva, (ou o que dela resta), e os canteiros. Porque a autarquia optou por transformá-lo em local de eventos, de quando em vez o lamentável aspecto é este:


Fotos José Jorge

Em terceiro lugar, a menos de um quilómetro dali, na antiga Cerca conventual, actual Mata dos Sete Montes, há sanitários modernos e espaçosos, com recepção e tudo:


construídos com fundos europeus e da autarquia, no tempo de António Paiva, mas agora praticamente abandonados. E, logo mais acima, um magnífico terreiro, maior que o do Mouchão, também ao abandono:


Fotos Fernando Henriques

É um contraste chocante. No Mouchão, a relva semeada está como documentado acima. Na Mata, a relva espontânea está uma verdadeira maravilha. E a mata é que não é de certeza um jardim.
Temos assim um local fechado, próximo do centro da cidade e dos transportes públicos, óptimo para eventos, com amplas entradas, muito espaço, contentores de lixo, sanitários modernos e espaçosos, parque para merendar, local para tomar e deixar passageiros sem prejudicar o trânsito, que está praticamente esquecido.
Não é da autarquia, bem sei. Mas  que impede a autarquia, que até lá instalou um parque infantil, de reivindicar a sua utilização e gestão? Daria muito trabalho, é isso?

Crise demográfica em Tomar

Situação no Centro escolar de Casais

O texto seguinte é uma notícia, daquelas desagradáveis. Tratando-se de uma notícia, há apenas  factos, que qualquer pessoa pode verificar, se assim o entender. Não  há portanto qualquer opinião, favorável ou desfavorável. Apenas a realidade. Alguns desses factos já foram publicados na parte final da postagem anterior.

O Centro Escolar de Casais começou a funcionar no ano lectivo 2011/2012. Nesse ano, contava com sete professores, para 132 alunos matriculados. Desse total, 86 residiam na Freguesia de Casais, 19 na Freguesia de Alviobeira, 18 na Freguesia de Santa Maria dos Olivais, 5 na Freguesia de Olalhas, 2 na Freguesia de Carregueiros, 1 na Freguesia da Pedreira e 1 no concelho do Entroncamento.


Seis anos volvidos, no ano lectivo 2017/2018, o mesmo Centro escolar conta com mais um professor, num total de 8, para 96 alunos matriculados, com a seguinte origem geográfica: 52 alunos da Freguesia de Casais, 19 Alunos da Freguesia de Alviobeira, 13 Alunos da Freguesia de Santa Maria dos Olivais, 3 Alunos da Freguesia da Junceira, 2 alunos de Além da Ribeira, 2 alunos de Carregueiros,  1 aluno de cada uma das seguintes freguesias: Olalhas, Serra, S. Pedro, Pedreira e Asseiceira. Os 96 alunos do actual ano lectivo estão divididos em 6 turmas. Dado que o Centro escolar dispõe de 14 salas de aula, há forçosamente 8 salas sem qualquer utilização lectiva.


Comparando os dois anos lectivos considerados, verifica-se que o Centro escolar perdeu em 6 anos 27,27% de matriculados, e 35,41% de alunos provenientes de Casais. Durante esse mesmo lapso de tempo a citada freguesia  registou menos 9,3% de eleitores inscritos. Na mesma linha de análise, em 2017/18, 26,5% dos alunos inscritos não residem na freguesia de Casais, sendo 13,54% residentes na Freguesia urbana de Santa Maria dos Olivais.
Estando anunciada a construção de um Centro Escolar na Linhaceira, freguesia de Asseiceira, cabe recordar que actualmente há 2.554 eleitores inscritos na Freguesia de Casais-Alviobeira e 2.557 eleitores inscritos na Freguesia de Asseiceira. Não foi possível apurar em tempo oportuno quantas salas de aula terá o  Centro escolar da Linhaceira.

Fonte  dos dados escolares, obtidos ao abrigo da Lei 26/2016, de 22 de Agosto:

Agrupamento de Escolas Templários – Código 172479
Descrição: Logo Agrupamento(cor)-original   LOGO MEC
* Av. D. Maria II, Apartado 450 · 2304–909 Tomar 
( 249 310 050 – Ê 249 323 065       




sexta-feira, 13 de abril de 2018

Tradição ou imobilismo?

O tomarense António Freitas, que além de jornalista é um experiente operacional de turismo, mandou umas fotos e um comentário irónico, que se publicam com todo o gosto.

 "Casa de brasileiro", visível no trajecto entre o parque de estacionamento e o Mosteiro de Alcobaça

Desvio do Rio Alcoa na cozinha do Mosteiro de Alcobaça


 Dois aspectos dos amplos e modernos sanitários públicos, situados a 30 metros do Mosteiro

O terreiro frente ao Mosteiro, que recuperou o aspecto primitivo, após terem desmantelado o jardim e proibido o estacionamento, já neste século.

O comentário irónico de António Freitas diz  que são uns bimbos os de Alcobaça porque, em vez de respeitarem a tradição recente, como em Tomar, preferiram respeitar a tradição multi-secular. Restabeleceram o terreiro fronteiro ao Mosteiro, velho de séculos, e assim obrigaram os visitantes motorizados a irem estacionar um quilómetro mais longe, o que os leva a percorrer depois uma parte do casco urbano antigo a pé. Os comerciantes locais agradecem.
Quem tem razão? Os alcobacences, que se adaptam ao progresso, respeitando tradições de séculos? Os tomarenses, que  apenas vão mantendo o imobilismo, a que para disfarçar chamam tradição?
Tomar a dianteira resolveu comparar de novo resultados práticos incontroversos. Em 2001, Alcobaça contava 46.552 eleitores inscritos e Tomar 39.338. Menos 7.214. 16 anos mais tarde, em 2017, Alcobaça contava 48.895 eleitores inscritos (mais 2.343 que em 2001) e Tomar 34.814, (menos 4.524 que em 2001), menos 14.081 em relação a Alcobaça. Ou seja, em 16 anos o  fosso demográfico nabantino em relação a Alcobaça praticamente duplicou. Não se trata de invenção deste blogue. São dados oficiais, que podem ser verificados aqui e depois aqui.
Perante isto, os ponderados optimistas tomarenses, especialistas em achismo, imobilismo, confusões, ódios de estimação e frases feitas, vão alegar que Alcobaça está na faixa costeira e Tomar no interior. Conquanto já anteriormente aqui se tenha mostrado que Bragança está bem mais no interior, o que não a impede de atrair investimento e emprego, aceitemos o argumento dos achistas nabantinos. Até porque a faixa costeira, sendo uma faixa, só pode ter as costas largas.
O problema é que mesmo no concelho de Tomar, como também já aqui foi mostrado antes, há freguesias que se aguentam muito melhor do que outras, em termos demográficos. Aqui vai mais um exemplo, numa outra vertente  da mesma crise.
Segundo dados oficiais do Agrupamento de Escolas Templários, obtidos ao abrigo da Lei do direito à informação, no ano lectivo 2011/12, o Centro Escolar de Casais tinha 132 alunos matriculados, entre os quais 86 de Casais e 19 de Alviobeira. Seis anos mais tarde, no ano lectivo 2017/2018, verifica-se que o referido Centro Escolar perdeu 36 alunos, contando agora só 52 alunos de Casais, mas o mesmo total de 19 de Alviobeira, mais 25 de outras origens, o que dá um total geral de 96.
Ou seja, enquanto Alviobeira conseguiu manter a sua situação demográfica nos últimos 6 anos, Casais registou menos 34 crianças matriculadas (menos 39,53%). O que só pode significar que várias famílias resolveram mudar de ares. 
Porquê?

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Comparando, os SMAS-Tomar ficam muito mal na fotografia

Esta coisa de ser afrancesado, ou inglesado, ou americanizado, ou espanholizado, e por aí adiante, tem um pequeno inconconveniente e grandes vantagens. O pequeno inconveniente provém do facto de alguns conterrâneos detestarem quem possa ver mais longe do que  eles. Inveja mal disfarçada, é o que é. Uma das grandes vantagens é a de permitir, graças a informações noutras línguas, fazer comparações com outras cidades, outras regiões, outros países, outros continentes. Ter Mundo, como é uso dizer-se. Um remédio para muita coisa, que infelizmente não se vende nas farmácias. Para se obter, só metendo os pés ao caminho.
Aqui vai uma  dessas  comparações, lembrando desde já que em França o nível de vida é bastante superior ao nosso. A título comparativo, o ordenado mínimo gaulês é de 1.498,47 euros mensais, contra apenas 580 euros em Portugal.

"Região dos Alpes Marítimos: Pode uma empresa de águas provocar o afundamento de um concelho?"

Todos nos lembramos ainda da recente emissão televisiva de Élise Lucet,  Negócios chorudos, feita a partir de Nimes e que abordava o negócio da água. Nimes é a cidade recordista das perdas de rede. 30% da água paga pelos consumidores perde-se pelo caminho, nunca chegando às torneiras domésticas. ... ... ...

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Quem pense que Nimes é uma excepção engana-se redondamente, pois na Riviera francesa começa a reinar a inquietação, particularemnte na cidade de Roquebrune-Cap-Martin. Este concelho assinou uma concessão por vinte anos com a empresa Véolia/Orféo, para a construção de uma ETAR, que entrou em serviço em 2012, mas começou a ser paga a partir de 2010, ao que tudo indica.
Desde então, os recibos têm levantado voo. O custo do primeiro metro cúbico de água é de 6,30€ (tarifa fixa), quando  em Menton, uma cidade vizinha, se fica pelos 4,90€. Perante tais custos, alguns concelhos já municipalizaram novamente o serviço de águas, ou renegociaram os respectivos contratos. É o caso da cidade de Antibes, que conseguiu uma redução de 44%.
Marie Christine Franc de Ferrière, vereadora em Roquebrune, diz-se espantada com tais tarifas proibitivas da água, pelo que solicitou ao presidente da câmara, Patrick Cesari, e sobretudo ao seu vice-presidente Richard Ciocchetti, que consigam uma negociação com a empresa fornecedora de água e saneamento."
... ... ...

Christian Gallo, Le Ficanas, 10 de Abril de 2018
Tradução e adaptação de António Rebelo, UPARISVIII

Exposta assim sucintamente a situação nalgumas cidades do sul da França, vamos às comparações, relembrando a diferença de nível de vida entre os dois países, que é de mais de 2 em França (1.498,47€), para 1 em Portugal (580€).
De acordo com o tarifário em vigor, que pode consultar aqui, em Tomar, um consumidor do primeiro escalão paga obrigatoriamente o primeiro metro cúbico de água 4,5894 € sem taxas, ou 11,7307€, incluindo as taxas de saneamento e resíduos sólidos, mas sem  TRH. Como se vê, uma  diferença abissal em relação a Roquebrune-Cap-Martin, (6,30€). O que de certa forma se entende, sendo porém inaceitável.. Naquela cidade francesa, diz o texto traduzido, as perdas de rede são da ordem dos 30%, enquanto em Tomar, segundo afirmou recentemente um vereador do PSD, em plena reunião do executivo camarário, metade da água comprada à EPAL desaparece na rede. 50%, portanto. E depois ainda temos a ETAR de Santa Cita a tratar água da chuva no Inverno, com a EPAL a cobrar pontualmente cada metro cúbico tratado.
Se em vez de consumidor doméstico do primeiro escalão, considerarmos um  pequeno comerciante tomarense, por mais reduzido que seja o seu volume de negócios, terá de pagar obrigatoriamente aos SMAS, no final de cada mês,  10,3906€ pelo primeiro metro cúbico de água, sem taxas, ou 28,8895€ já com as taxas de saneamento e resíduos sólidos, mas sem  TRH.
Será justo? Estará certo? Não será uma das causas da acentuada fuga da população?
Têm a palavra os tomarenses, que doravante já não vão poder alegar, respeitando a verdade, que não sabiam da evidente espoliação legal em curso no concelho de Tomar, via recibo da água. Quem beneficia de um regime de monopólio, tem sempre tendência a abusar.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

Acontece cada uma...

No EXPRESSO CURTO de hoje pode ler-se isto:

"Bem sei que ao pé desta, todas as outras noticias parecem pequenas. Mas como gostar de saber que há crianças no Hospital de S. João do Porto que fazem quimioterapia no corredor, sendo que o próprio presidente do hospital admite que as condições do atendimento pediátrico são “indignas” e “miseráveis”? Ou que doentes oncológicas em Viseu também não podem fazer monografias porque o aparelho está obsoleto?" 
(O destaque colorido é de Tomar a dianteira )


Uma vez que "o aparelho está obsoleto", de tal forma que já nem dá para fazer monografias, supõe-se que novelas, ensaios ou romances, nem pensar. Talvez relatórios e de certeza composições curtas.
Mas para as mamografias, as utentes terão de demandar outras unidades hospitalares. É triste.

Promessas de políticos

Há algum tempo, a senhora presidente da Câmara prometeu intervir junto da empresa que executa as obras na Sinagoga, no sentido de aquele templo hebraico estar de novo aberto aos visitantes em Março. Suponho que por causa da Pêssach, a páscoa judaica. E não é que cumpriu mesmo? Segundo informações recentes, com alguma sorte, a Sinagoga vai estar de novo aberta aos turistas em Março... de 2019! Calha mesmo bem.  É ano de Festa dos Tabuleiros.


Fotos de F.H. obtidas em 10/04/2018

Outra promessa com a mesma origem, foi a de que, no fim de semana de há já três semanas, seriam conhecidos os resultados mais detalhados das análises à água do Nabão, e revelados os nomes dos prevaricadores. Ou pelo menos a localização dos focos de poluição.
Tal não aconteceu ainda, supõe-se que devido ao facto de entretanto terem encarregado a PSP de perseguir os coliformes fecais, que fugiram do laboratório de análises, onde se procedia à sua identificação completa. Sem fotografias e nada habituados a semelhantes fugitivos, de merda como se sabe, compreende-se que os agentes daquela honrada corporação de segurança levem o seu tempo.
Conhecedores da situação, os manhosos e usuais causadores da poluição vão aproveitando para, pela calada da noite, efectuarem as suas descargas. Um deles engata ao seu tractor um daqueles reservatórios de 15 mil litros, que dantes despejava em terrenos dos vizinhos, mas agora tem vindo a fazê-lo a partir da margem do rio. Dá menos nas vistas e incomoda menos a pituitária dos vizinhos. Outros limitam-se a abrir as comportas. Seguem a velha máxima, segundo a qual a água lava tudo, mas esquecendo a segunda parte: Menos a consciência de cada um.

Foto de José Jorge, em 09/04/2018

Duas perguntas finais, apenas retóricas porque sem qualquer esperança de que surtam algum efeito, mesmo mínimo, ou venham sequer a ser respondidas: 
Até quando vamos ter de aturar situações destas? 
E se os eleitos e alguns funcionários superiores passassem a receber só passados oito meses a um ano, tal como acontece nesta altura com os fornecedores da autarquia?

terça-feira, 10 de abril de 2018

Até os tunantes já perceberam

Registam os diversos dicionários da língua portuguesa que tunantes podem ser vadios, embusteiros, trampolineiros, tratantes, malandros, ou só membros de tunas. O título supra, Até os tunantes já perceberam, refere-se exclusivamente aos membros da Tuna Templária, do Instituto Politécnico de Tomar. Pensem os leitores o que pensarem.
De acordo com a notícia d'O Mirante online, que pode ser lida aqui, até os tunantes já perceberam o óbvio: que um evento cultural só pode vingar se não depender, inteiramente ou mesmo em grande parte, de subsídios directos ou indirectos, provenientes do orçamento do Estado. Por isso, cobram bilhetes que custam até 10 euros por pessoa, no espectáculo que vão levar a efeito no Cine Teatro Paraíso, no próximo dia 14.

Foto O Mirante

Só os políticos que vamos tendo, cuja experiência de vida, salvo raras excepções, também não é nada por aí além, continuam obstinadamente fechados a qualquer evolução. Em nome de uma pretensa tradição, que nem sabem bem o que seja, já conseguiram que uma festa das colheitas -a Festa dos Tabuleiros- se realize só a cada quatro anos, por não haver fundos para mais. Como se não houvesse colheitas todos os anos. (Ver adenda) 
Além disso, de forma ardilosa, têm submetido sempre os sucessivos mordomos a longuíssimas e angustiantes esperas de meses e mais meses. Primeiro para conseguirem verbas para funcionamento, depois para poderem apresentar as contas. Tudo porque insistem em confundir eventos culturais com actividades de compra de votos, e a câmara tem cada vez menos disponibilidade orçamental para financiar a festa. Os contribuintes são cada vez menos, posto que a população vem diminuindo de forma preocupante, e a festa fica cada vez mais cara.
Fontes bem informadas garantiram a Tomar a dianteira 3 que, tudo bem contado, a edição de 2015 custou mais de 400 mil euros aos cofres da autarquia. Quanto vai custar a de 2019? Quantos votos vai render em 2021? Valerá a pena continuar a hipotecar o futuro da cidade e do concelho, para conseguir mais alguns votos? Admitindo que o método dos subsídos a fundo perdido seja eficaz, uma vez que o PS conseguiu em Outubro passado mais 2.493 votos que em 2013, em termos de conjectura é legítimo dividir os 400 mil euros que custou a festa  (e que poderiam ter sido poupados, não fora a compra de votos) por esses ditos votos, o que nos dá 160 euros e 44 cêntimos cada voto. É muito dinheiro! Dirão alguns que nem todo esse dinheiro foi só para comprar votos. É verdade. Mas a despesa com a festa também não foi a única com esse objectivo implícito. Longe disso.
Para ultrapassar a actual fase de decadência acentuada, e começar a crescer de novo, Tomar e o concelho só podem contar com as suas gentes, com o Convento, a Festa Grande, o Nabão e a Albufeira. São excelentes trunfos. Infelizmente, no estado actual das coisas, as gentes estão acomodadas, para não dizer adormecidas, ou compradas pelo poder local. O dinheiro das entradas no Convento vai todo para Lisboa. A Festa custa um dinheirão e não produz valor acrescentado transaccionável, por cauda da oculta compra de votos, com o falso pretexto de respeitar a tradição. O Nabão está cada vez mais poluído e desprezado. Quanto à  Albufeira do Castelo do Bode, rende bom dinheiro, mas é à EDP e à EPAL. Apesar de os lisboetas pagarem a água que vai da barragem mais barata que os tomarenses. Políticas...
É assim, com um executivo que se recusa a ver as coisas como elas são, com uns SMAS que exploram os tomarenses, mas só facturam metade da água que compram à EPAL; com um município que gasta com pessoal 40% do seu orçamento anual, e só paga aos fornecedores um ano mais tarde, mas continua a financiar eventos sem retorno acrescentado; é assim que esperam que a cidade e o concelho possam progredir?
Se não mudarem radicalmente e quanto antes, não se vê como.

ADENDA, às 15H00 de Lisboa, em 10/04/2018

Quem não seja completamente ignorante em matéria de turismo moderno, sabe que um evento realizado apenas de 4 em quatro anos, não serve para nada, no âmbito do turismo organizado, cuja programação é plurianual. Apenas pode atrair aqueles visitantes ocasionais, os chamados excursionistas, sucessores dos que em tempos eram designados como "turistas de cabaz e garrafão". Ou de "chapéu preto e kodak". Os tais que sujavam muito, nos parques de merendas, mas pouco ou nada gastavam. É isso que Tomar ambiciona, com o actual modelo organizativo da festa?



segunda-feira, 9 de abril de 2018

Tomar a dianteira 3 não diria melhor

Tomar a dianteira 3 não diria melhor. Apenas reforçaria o impacto, assinando por baixo, como sempre faz. Eis aqui uma opinião anónima, copiada do nosso prestigiado colega Tomar na rede, com os agradecimentos devidos, ao blogue e ao autor do comentário. É sempre agradável constatar que não se está só, embora mais valha estar só que mal acompanhado:


"Foi uma eleição do sistema para os do costume garantirem presença na feira de vaidades. Meia dúzia vai trabalhar e dezenas vão pavonear-se. O modelo de organização está esgotado e só uma câmara fraca como a que temos é que pode continuar a meter dinheiro no problema. A Festa precisa de mudar e embandeirar na tradição é cobardia. O sinal não podia ser pior, porque as moscas são as mesmas, logo..."

Para quem goste e queira ler mais sobre o poder, a crítica e as suas consequências, o que explica porque somos tão poucos a contestar, e ainda menos a dar a cara, basta clicar aqui:

https://observador.pt/opiniao/coragem/

Deliberação autocrática dos SMAS há seis meses por noticiar

É estranho, numa sociedade livre e aberta como a nossa, que uma deliberação de carácter autocrático, que prejudica gravemente milhares de cidadãos, nunca tenha sido noticiada na informação local, regional ou nacional. É porém exactamente o que aconteceu em Tomar durante seis meses, como se passa a demonstrar.
No primeira reunião do actual mandato, em 30 de Outubro de 2017, o Conselho de administração dos SMAS deliberou isto:



Poderá parecer pouca coisa aos menos advertidos, mas trata-se na verdade de uma grave decisão autocrática, justificada com um argumento mentiroso. Indo por partes, quem administra os SMAS decidiu rejeitar uma recomendação da ERSAR - Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Saneamento. Colocou assim aqueles serviços municipalizados acima da lei geral do país, num alarde de autoritarismo balofo.
No actual contexto, os SMAS são em Portugal uma espécie em vias de extinção. Subsistem por enquanto apenas em 36 dos 308 municípios, o que mostra bem a sua real eficiência e utilidade. No caso tomarense, têm ainda outras particularidades assaz curiosas, todas tendo em vista sacar dinheiro aos consumidores forçados, que somos nós todos, uma vez que se trata de uma entidade monopolista.
A principal dessas particularidades é a divisão arbitrária entre Saneamento e Resíduos sólidos, cada um com as suas taxas altamente gravosas. Como se os excrementos humanos fossem todos líquidos, ou os resíduos domésticos fossem todos sólidos, a começar pelos óleos de cozinha, uma vez utilizados e despejados nos contentores para esse efeito.
Tal divisão arbitrária, que permite a duplicação de tarifas e taxas, não existe em qualquer outro concelho da região centro e se calhar nem no país. Falta efectuar o respectivo rastreio. A situação é tão insólita, grave e injusta, que a própria ERSAR recomendou a sua supressão, ao propor aos SMAS uma tarifa plana e única, que a administração tomarense recusou, "para não penalizar aqueles que se encontram nos primeiros escalões de consumo". É realmente de um cinismo  a toda a prova.
Se os SMAS quisessem realmente "não penalizar aqueles que se encontram nos primeiros escalões", bastaria isentá-los, ou adaptar as respectivas tarifas. Sucede na verdade que os SMAS, há muito a braços com uma cada vez mais assustadora falta de recursos financeiros, visam exactamente o contrário. A coberto dessa pretensa protecção aos desgraçadinhos, ainda não abrangidos por isenções, pretendem afinal continuar a explorar livremente os clientes forçados.
Eis alguns exemplos do tarifário actual, apenas no que se refere à Taxa de resíduos sólidos, vulgo recolha do lixo. Um consumidor do 3º escalão, paga em função de cada metro cúbico de água consumida e liquidada à parte, o dobro do 2º escalão e 3 vezes a tarifa do 1º escalão.
O infeliz consumidor que tem a pouca sorte de morar em Tomar e integrar o 4º escalão, terá de desembolsar 7 vezes mais por cada metro cúbico, que outro consumidor do 1º escalão. Cabe na cabeça de alguém, que não tenha uma mentalidade de cleptocrata, que um consumidor doméstico do 4º escalão produza sistematicamente sete vezes mais lixo que um outro do 1º escalão? Então qual o fundamento ético para lhe cobrar uma taxa de resíduos sólidos sempre sete vezes superior? Porque consome muita água? Mas quando em qualquer estabelecimento se compram, por exemplo, 7 camisas e 4 polos, em vez de um de cada, o comerciante vendedor aumenta ou reduz o respectivo preço por unidade?

Outra prova de que o SMAS agem com má-fé, visando sacar quanto mais melhor, está no seu próprio tarifário (ver quadro). Por um lado, alinham preços e percentagens por metro cúbico com 4 dígitos decimais, manifestamente para melhor confundirem os consumidores: 0,1995€, 0,1575€, 0,7883€... Ninguém de bom senso acredita que tais números possam resultar de cálculos sérios. 
Por outro lado, acabam até por meter os pés pelas mãos nessa arte da camuflagem. No caso da tarifa fixa de resíduos sólidos para consumos domésticos e não domésticos, respectivamente 2,5200€ e 12,6000€, (ver no ângulo superior direito dos dois primeiros quadrinhos supra), para que servem aqueles zeros à direita, senão para baralhar os desgraçados dos consumidores? Não seria mais simples indicar 2,52€ e 12,6€?
E já agora, que se aborda o detalhe, porque razão um consumidor doméstico paga à cabeça, qualquer que seja o consumo de água, 2,52 euros de taxa fixa mensal de resíduos sólidos, mas um comerciante, industrial ou empresário do terciário, nas mesmas condições, tem de pagar 12,6 euros, exactamente 5 vezes mais? É um castigo? Um incentivo para se ir embora?
Foi também para acabar com todos estes embustes que a ERSAR recomendou a adopção de uma tarifa plana e única. Tal como foi para manter esta mama que, de forma autocrática e vesga, ao arrepio das leis do país, o conselho de administração dos SMAS resolveu não acatar a recomendação daquela entidade reguladora do sector. E foi por saber que se trata de uma decisão escandalosa, que a câmara nunca a comunicou à informação local, que por isso nunca a noticiou. Querem poder continuar a sacar, aos consumidores forçados, recursos para alimentar a máquina burocrática cada vez mais voraz, para depois nos irem oferecendo alguns chouriços (Subsídios, festas, excursões à borla...).
Perante tudo isto, cabe agora aos tomarenses decidir. Ou acham, como é habitual, que vai tudo bem, apesar de, mesmo com todos estes abusos, os SMAS estarem praticamente falidos. Ou resolvem finalmente agir, de forma pacifica e no âmbito da lei, para acabar com situações que bradam aos céus, prejudicam o futuro da cidade e ofendem o bom senso e a moral.
Como? Agrupando-se e manifestando educadamente, mas com firmeza, nos locais próprios. Exigindo uma auditoria urgente aos SMAS. Se continuarmos mudos e quedos, aguardando que outros resolvam os nossos problemas, já nem sequer se poderá dizer com propriedade que estamos civicamente vivos. Apenas que ainda não fomos parar ao cemitério.


domingo, 8 de abril de 2018

Festa dos Tabuleiros 2019

Já começaram a escorregar


É um chavão, um lugar comum, dizer-se que a lingua portuguesa é muito traiçoeira, escorregadia. Vendo bem, não é uma coisa nem outra. Sucede apenas que, como diz o povo, para o mau dançarino  o chão é sempre torto. No caso, a língua pátria não é agora mais escorregadia que em tempos. Há é cada vez mais lusofalantes a escorregar, o que é bem diferente.
Contrariando a tradição, os tomarenses reunidos para o efeito escolheram pela primeira vez, por unanimidade e aclamação, uma conterrânea em vez de um conterrâneo para organizar e dirigir a próxima Festa Grande. Foi ontem, mas infelizmente já há a registar pelo menos uma escorregadela:


É óbvio, mas manda a prudência deixar escrito, que nada tenho contra O Mirante, que considero um jornal bem informado, credível e geralmente com boa redacção. Sucede contudo que aquela expressão a mordomo" não se deve aceitar de todo em português corrente. Pode até considerar-se uma deselegância para com a Maria João, tal como seria o seu contrário: escrever que João Victal foi o mordoma das festas de 2007, 2011 e 2015.
Isto porque, na nossa língua, a particula colocada antes do substantivo ou nome, designada como artigo definido na gramática clássica, ou determinante definido, na nova gramática, obriga à concordância em género (masculino-feminino) e em número (singular-plural), com a palavra imediatamente a seguir. Por conseguinte, o mordomo ou a mordoma, consoante o caso. Nunca a forma atabalhoada usada n'O Mirante.
A regra geral é sempre O/UM para masculino singular, A/UMA para o feminino singular. Só quando o nome seguinte termina em E se pode usar O ou A consoante o caso, por se tratar de um nome comum de dois. Exemplo: O presidente Marcelo viaja muito. A presidente Anabela Freitas abriu a sessão.
Por ignorar esta particularidade, a ex-presidente do Brasil, Dilma Roussef, mandou alterar a placa da matrícula do Rolls-Royce presidencial, que passou a ostentar Presidenta da República. Ainda bem que o seu sucessor, Michel Temer, foi sensato e não mandou emendar para Presidento da República.  Mas Brasília é  bem longe de Lisboa e por estas bandas de Vera Cruz, onde estou a escrever, fala-se cada vez mais brasilês. A tal ponto que, aqui há uns dias, o vizinho Aurélio, que é professor de inglês, mas viveu na Suiça durante uns anos, disse que me  percebe melhor quando falo francês.
Será devido à pronúncia e ao vocabulário. Conforme afirmou por estes lados José Saramago, quando lhe pediram para falar mais devagar, por causa do sotaque -Peço desculpa mas a língua é minha; o sotaque é vosso.
Regressando à questão inicial, convém esclarecer que o feminino de mordomo é mordoma, designando em ambos os casos quem organiza, participa, dirige e/ou custeia, no todo ou em parte, manifestações festivas de carácter religioso. Uma vez que na Festa dos Tabuleiros há múltiplos organizadores, divididos em comissões, o mais lógico seria portanto haver um ou uma mordoma-mor, coadjuvada por vários mordomos e/ou várias mordomas.
Para que dúvidas não restem, o melhor será mesmo consultar qualquer dicionário, ou então apreciar as belas fotos das mordomas da Romaria da Senhora da Agonia, que se realiza todos os anos em Viana do Castelo, com o seu ouro e os seus palmitos, semelhantes a miniaturas de tabuleiros, uma tradição no mínimo tão antiga como a Festa dos Tabuleiros:



ADENDA, às 19H30 de Fortaleza -Brasil

Entretanto o nosso estimado colega Tomar na rede refere a "primeira mulher Mordomo" e, logo mais abaixo, menciona a "escolha inédita de uma mulher como Mordomo". Em conformidade com os cânones da lingua pátria, que é sempre conveniente respeitar, é obvio que se trata da "primeira mulher Mordoma" e de "uma mulher como Mordoma."
Não consta que Tomar já tenha o privilégio de língua própria, ou sequer de gramática à vontade de cada um. Por saber isso, nunca me veio à cabeça, ao longo da vida, escolher uma mulher para pai dos meus filhos. As coisas são o que são.

sábado, 7 de abril de 2018

Gestão "criativa" na autarquia tomarense

Não. Não se trata de uma opinião. É mesmo uma notícia, devidamente documentada. Aqui vão os factos e os documentos:
Em 30 de Outubro de 2017, o Conselho de administração SMAS-Tomar, numa reunião ordinária presidida pela sua presidente, Anabela Gaspar de Freitas, deliberou propor à Câmara a contratação, via Orçamento municipal, de um empréstimo bancário para "reforço orçamental, que viabilize o avançar das empreitadas...":

Figura  1

Cinco meses mais tarde, em 12 de Março de 2018, o mesmo Conselho de administração, desta vez presidido por Helder Henriques, na ausência não justificada ou sequer mencionada na acta da presidente Anabela Freitas, deliberou anular a deliberação supra e propor à autarquia a contratação de um empréstimo bancário de 1 milhão e 100 mil euros, já não para viabilizar o avançar das empreitadas, mas para assegurar pagamentos a fornecedores permanentes:


Figura 2

Na reunião do executivo camarário de 2 de Abril, tendo o vereador Luís Ramos, do PSD, solicitado esclarecimentos sobre o proposto empréstimo, a senhora presidente lançou-se numa emaranhada explicação de carácter técnico, que a jornalista do mediotejo.net, resumiu em directo da forma seguinte:

Figura 3

"O objectivo passa por lançar as empreitadas já contratualizadas", resumiu a referida profissional. A ser assim, estará tudo certo e dentro da legalidade. A mim, contudo, simples cidadão cliente forçado dos SMAS do nosso descontentamento, não me parece que assim seja. Impõem-se, no meu tosco entender, três perguntas:

1 - Se o objectivo é mesmo financiar empreitadas, porque resolveram anular a deliberação de 30 de Outubro de 2017, que dizia exactamente isso? (Figura 1)

2 - Qual a utilidade prática de indicar que um espréstimo bancário se destina a pagar a fornecedores permanentes(despesas correntes), (Figura 2) quando afinal se trata de financiar empreitadas (despesas de investimento)? (Figura 3)

3 - Sendo a senhora presente uma excelente oradora, porque avançou com uma explicação tão complexa e confusa ao vereador social-democrata?

Para não chocar inutilmente os leitores, usou-se, no título supra, a expressão "gestão "criativa". Manda porém a verdade dizer que, sob reserva de melhores esclarecimentos por parte da senhora presidente, os tomarenses estão a ser enganados mediante uma vigarice administrativa, devidamente documentada acima, cujos objectivos finais estão por determinar, e que, mais cedo ou mais tarde, vamos todos ter de pagar. 
Já no século passado, António Variações cantava que "Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que as paga." Neste caso, o corpo são os consumidores forçados dos SMAS, que funcionam em regime de monopólio no concelho.
Numa outra autarquia, deste ou de outro país moderno, seria normal haver agora lugar para explicações detalhadas e esclarecedoras à população. Logo seguidas de um inquérito administrativo, para não deixar quaisquer dúvidas. Mas como estamos em Tomar...
Uma nota final: O governo lá vai garantindo que os impostos não aumentaram. Entretanto,  a Taxa de recursos hídricos - TRH, que todos pagamos, incluída no recibo da água, passou para 0,029€/metro cúbico, o que representa um acréscimo de 12,5%. 
Com governantes tão respeitadores da verdade, só podemos ir longe. O problema, para eles e para todos nós, é que "Há mar e mar, há ir e voltar".







sexta-feira, 6 de abril de 2018

Há Festa dos Tabuleiros em 2019

O mais fácil está feito

Tal como aqui se vaticinou, "o povo de Tomar", ou seja umas poucas centenas de pessoas, reunidas para o efeito no Salão nobre dos Paços do concelho, apoiaram por aclamação a realização de mais uma Festa grande em 2019. E quando a senhora presidente da Câmara, por inerência de função, perguntou se havia algum candidato para o cargo de mordomo, houve aplausos para Maria João Morais, que logo a seguir fez uma curta intervenção convencional e consensual. Houve depois foto com João Victal, o mordomo anterior, fixando a passagem de testemunho para a posteridade. Pode portanto escrever-se que o mais fácil está feito e que correu tudo muito bem. O pior é o resto...
A agreste maratona até Julho de 2019 vai começar agora. E vai ser necessária muita coragem e muito empenhamento de todos para que a festa tomarense possa sair mais uma vez prestigiada. O anterior mordomo, tomarense até à medula, mas também cidadão experiente e por isso consciente, já deixou escrito o seu recado para os sucessores, que aqui reproduzo com muito gosto, para que, na modesta capacidade deste blogue, não passe despercebido.
Em declaração ao Cidade de Tomar, afirmou: "O estado de espírito de quem entrega a festa é o de que a entrega em condições. A Festa dos tabuleiros não pode ser muito mexida." E logo mais adiante desejou aos sucessores "Coragem para continuar com o legado que nos deixaram, sem ligar muito ao que circula à volta. Foi o que me disseram a mim. Não vai ser fácil..." (Cidade de Tomar, 06/04/2018, pág. 7)
Realço com satisfação duas expressões, que considero importantes para o futuro da festa e do concelho: "A Festa não pode ser muito mexida" e "não ligar muito ao que circula à volta". Não pode ser muito mexida, mas convém alterar o fundamental, sem contudo trair o essencial. Jamais um exército conseguiu vitórias sem uma boa intendência. E a Festa dos tabuleiros nunca teve uma intendência capaz. O João Victal sabe isso melhor que ninguém. Ele que, meses e meses após o cortejo e o bodo, continuava aguardando a entrada de umas verbas prometidas, para então poder apresentar finalmente as contas...
Não ligar muito ao que circula à volta, mas também nunca perder o contacto com todos aqueles que apenas desejam o melhor para Tomar e para os tomarenses. Tal como os humanos, os animais e as plantas, também as instituições nascem, crescem, evoluem, definham e morrem. É a regra. E quando não evoluem em tempo oportuno, mirram e morrem mais rapidamente.
Consoante o modo como for organizada, a Festa dos tabuleiros pode passar a ser um excelente motor para o crescimento económico de Tomar ou, pelo contrário, aquilo que tem sido até agora -um encargo cada vez mais pesado para um orçamento municipal que já conheceu melhores dias. 
Estou a repetir-me, bem sei. Mas há pessoas tão obstinadamente surdas e cegas...