terça-feira, 17 de abril de 2018

A fama, o proveito e a actualidade política


Uma vez que me consideram afrancesado, o que até nem me desagrada, vou aproveitar, tendo como objectivo que os eleitos locais, e as eleitas também, vão aprendendo qualquer coisinha. Sobre comunicação, sobre respeito pelos eleitores, sobre comportamento cidadão.
Há um ano no poder, Emmanuel Macron, presidente da República francesa, confrontado com os problemas de um grande país (evacuação dos ocupantes de terrenos públicos de Notre Dame des Landes, Bloqueio pelos estudantes de várias universidades, Greves sucessivas nos caminhos de ferro, bombardeamento na Síria, imigração...), entendeu dever explicar-se perante o país que o elegeu.
Numa mesma semana, concedeu duas longas entrevistas. Na primeira, feita a partir de uma pequena escola primária de uma aldeia da Normandia, respondeu às questões de um jornalista, durante hora e meia. A  seguinte durou perto de três horas, com perguntas de dois jornalistas, representando três órgãos de informação, e teve lugar no Palais de Chaillot, no Trocadero, em Paris.
"Não confundamos os papéis; os senhores são jornalistas entrevistadores, eu sou o presidente da República e devo explicações aos franceses", disse a certa altura o entrevistado, visivelmente agastado com o tom de algumas perguntas. Ora leia as várias opiniões sobre a conversa entre o presidente e os jornalistas, como habitualmente numa peça do jornal "Le Monde", a Bíblia do jornalismo francófono:

"O estilo rugoso da entrevista provoca mais reacções que o seu conteúdo"

"O tom impertinente dos entrevistadores irritou alguns partidários do chefe de Estado e a oposição de direita."

Emmanuel Macron le 15 avril.

"A forma impõe-se visivelmente sobre o fundo. No rescaldo da conversa de Emmanuel Macron no domingo passado, as reacções não tardaram. O frente a frente tenso e depois agressivo entre os dois jornalistas, Jean-Jacques Bourdin e Edwy Plenel, e o chefe de Estado, suscitou muitos tweet e outras declarações, até esta segunda-feira de manhã. O tom e o carácter menos solene da conversa marcaram para muitos uma viragem na comunicação do Eliseu [palácio presidencial].
Os apoiantes do presidente louvaram, como se esperava, essa inovação. O porta-voz do governo, Christophe  Castaner, considerou que "vimos um presidente que sabe encaixar, aceitar a crítica, mas também responder taco a taco quando foi necessário. Aguentou o debate."Richard Ferrand, lider do grupo parlamentar La République en Marche [o partido de Macron], confirma a opinião de Castaner, vendo na prestação de Macron "um exercício inédito, entre entrevista e debate, com uma convicção rara."

"Muita agressividade"

Alguns partidários do chefe de Estado irritaram-se contudo face ao estilo considerado demasiado impertinente dos dois entrevistadores, lamentando que o presidente tenha sido tratado pelo seu nome e apelido. "Os senhores nunca se dirigiram a Emmanuel Macron, chamando-lhe simplesmente Senhor presidente da República", agastou-se a ministra Jacqueline Gourault. Opinião confirmada no tweetter por Sacha Houilé, deputado LRM[partido de Macron] da região de Vienne: "Afinal, mais de duas horas de entrevista, foi para facilitar a exibição dos dois entrevistadores durante a primeira hora ?"
A oposição de direita também não gostou do estilo demasiado agreste. "A forma secundarizou o fundo. O debate não esteve ao nível da função presidencial, houve demasiada agressividade", criticou Annie Genevard, deputada LR do Doubs, na segunda feira de manhã, na rádio Europa 1. O seu colega de bancada Dino Cinieri escreveu no Tweeter que se assistiu a um "combate de galos".
A extrema direita também opinou. A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, considerou esta segunda feira, na TV France 2, que Macron "mostrou finalmente a sua verdadeira cara", a do "pior da direita" e do "pior da esquerda". Já Gilbert Collard, deputado independente do Gard, lamentou ter-se assistido a "um espectáculo; um combate de boxe oral."
À esquerda, as reacções são mais entusiásticas, saudando uma entrevista sem concessões. "Incrível conversa noticiosa. Não se escutam as respostas, aguardam-se as perguntas", reagiu Jean-Luc Malenchon no domingo à noite, no Tweeter. Benoit Hamon, fundador de Génération S, congratulou-se  com tal novidade: "Este formato, seja qual for a opinião sobre este ou aquele jornalista, é bem melhor que os exercícios de boa vontade ou coniventes, a que nos habituou a 5ª República."
Finalmente, Esther Benbassa, senadora EELV [verdes] entusiasmou-se e escreveu na rede social "um grande aplauso para os jornalistas Jean-Jacques Bourdin e Edwy Plenel, graças aos quais esta entrevista foi autêntica."

Sylvia Zappi, Le Monde online, 16/04/2018, às 10H46 de Paris
Tradução e adaptação de António Rebelo UParisVIII

Comentário de Tomar a dianteira

Entretanto, pelas bandas de Tomar, nem o poder instalado considera ter a obrigação de se explicar perante os eleitores, nem o corpo informativo ousa abandonar o confortável conformismo. E a população continua a honrar o dito popular "o calado foi a Lisboa e veio e não pagou nada". Quem tenta mostrar as coisas como elas são, "é demasiado agressivo, critica tudo e só sabe dizer mal". Nem mais nem menos. Por isso estamos cada vez melhor.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ideias para a Festa dos Tabuleiros de 2019



António Freitas

Eis as ideias que vou apresentar à mordoma, pois nos moldes seguidos até agora, a festa é anti turismo.
Defendo na Alameda 1 de Março bancadas que levem 25 000 lugares sentados, a 10 euros, o que dará 250 mil euros. Uma empresa para montar e desmontar, mais seguranças, cobrará 70 mil no máximo.
Porém, analisando as horas do desfile, ninguém quer ver um cortejo neste local, que é o mais largo e vistoso DA CIDADE, às 19H30.
Isto é matar o turismo

Portanto só há uma solução:
Alteração do percurso e dos horários.


Esta foto foi tirada às 16h00 do dia 12 de Julho de 2015
Tem que passar a ser às 14h00
O argumento do calor é uma falácia, pois às 16H00 ainda faz mais calor.
O almoçar descansado e ir depois para a varanda tem que acabar.

Esta foto da bênção foi tirada às 17h35

Portanto há que ganhar tempo.
O cortejo saído da Mata às 14H00, vai direto pela Rua Infantaria 15 até à Praça de forma a que a bênção comece às 14H45 e acabe às 15H30.
Depois desce a Rua Serpa Pinto ( Corredoura), sobindo a Marques de Pombal, e a Alameda 1 de Março.
Quem paga tem que ver o primeiro par A PASSAR NA ALAMEDA às 16H00.
Continua pela Angela Tamagnini, Rua Miguel Maria ferreira, Rua Manuel de Matos, sem paragfem paragem para bucha, pois em lado algum se verifica tal coisa.

Esta foto de distribuição da bucha foi tirada às 18H45. Demasiado tarde.

A que horas passou o cortejo na Alameda? Quando a maior parte dos visitantes já foram forçados a ir-se embora, para chegarem a horas decentes a casa.
Finalmente, continua pela Norton de Matos, passa a Ponte Nova, Rotunda, Cândido Madureira  e Travessa Misericórdia, acabando junto convento S. Francisco.
Ou seja, não anda aos SSS por zonas acatitadas, que não comportam visitantes, e tem que acabar às 18H00
Portanto com uma duração de quatro horas, contando com paragens, usando ruas e avenidas onde se concentram mais pessoas e tem que se contar que um autocarro para chegar ao destino, mesmo com dois motoristas, não pode sair de Tomar depois das 18H30.

Será que estas ideias são aproveitadas? Julgo que não.
A nobreza quer passar na Levada, subir e descer a Corredoura, voltar à Levada, subir a Norton de Matos e descer a Alameda um de Março, para ir dar a Volta à Silva Magalhães e voltar a  passar na Praça da República.

Isto não é nada.
Bancadas pagas, para dar segurança e conforto a quem visita, horas para os turistas defrutarem, parques pagos e controlados, ( autocarros e ligeiros), publicidade estática nas baias de segurança (grades), menos PSP que é anti turismo, e  a festa pode arrecadar receitas na ordem dos 350 mil euros, respeitando a tradição.


Para quê 4 Km, se pode ser feito em 3, e com mais vistas?

Água mole em pedra dura….

Texto editado por Tomar a dianteira

Tabuleiros 2019

Vamos mudar, respeitando a tradição?

Aqueles tomarenses que já perceberam ser não só necessário como até indispensável mudar, sob pena de perdermos para sempre o comboio do progresso, são um ínfima minoria. A grande maioria continua apegada a uma situação que já cumpriu o seu papel histórico, estando por isso condenada ao desaparecimento. A expressão não é minha, mas de Paul Krugman, Nobel de Economia, numa peça jornalística sobre a evolução das cidades.
Apesar de minoria, esses tomarenses que ousam manifestar as suas opiniões divergentes, como o autor destas linhas, assustam os conservadores locais, a esmagadora maioria. Cujos representantes disparam imediatamente com o canhão maior da guarnição: -Temos que respeitar a tradição.
Pois seja. Mas que tradição? A tradição multissecular, ou a tradição do século passado, quando o regime não era lá muito apresentável? No caso da Festa dos Tabuleiros, os seus guardiões defendem a manutenção do "modelo João Simões", ou seja a festa de 1950. Quando grande parte das portadoras de tabuleiros eram operárias da Fábrica de Fiação, dirigida pelo referido João Simões, enquanto muitos rapazes ajudantes eram soldados de Infantaria 15, que cumpriam o serviço militar obrigatório. Pouco ou nada a ver portanto com a situação mais recente. E ainda bem.
João Simões, "o Jone",  não era tomarense, mas era um cavalheiro com berço. Um estrangeirado culto e com Mundo, formado em Inglaterra. Tendo visto cortejos anteriores, percebeu ser necessário "folclorizar" a festa, para a integrar no turismo então nascente, dando-lhe ao mesmo tempo unidade, de forma a torná-la mais vistosa. Daí nasceram os trajes das portadoras e dos respectivos ajudantes, bem como a forma-padrão dos tabuleiros, o conjunto ainda hoje respeitado e até venerado, a que chamam tradição, a preservar custe o que custar.


Esta fotografia de Aires Grandela, de 1948, copiada do nosso colega Tomar na rede, mostra como eram os cortejos de oferendas a que terá assistido João Simões. Nem uniformidade de trajes, nem modelo único de formato do tabuleiro. Trajes "de ir ver a Deus" e cestos ornamentados. Ah, mas eram cortejos de oferendas! Pois eram. E o cortejo dos tabuleiros é afinal o quê?
Olhando bem para a foto, que tem exactamente 70 anos, forçoso é reconhecer que o modelo João Simões é mais imponente, mais espectacular como se diz agora. Tem mais dignidade. Razões mais do que suficientes para não o pôr em causa. Só que, para que possa manter-se, é imperioso alterar completamente o modelo organizativo da Festa Grande, enquanto ainda é tempo.
Há que ter a coragem de, mantendo o essencial da tradição, dar à Festa a autonomia e os recursos orgânicos de que carece, de forma a alcançar dois objectivos: A - Deixar de ser só de quatro em quatro anos, quando já foi de dois em dois, nos anos 60 (ver imagem a cores). B - Transformar-se numa manifestação prestigiada, criadora de riqueza transaccionável, não dependente do orçamento municipal e da encapotada compra de votos, como tem vindo a suceder. A dignidade e o futuro de Tomar e dos tomarenses assim o exigem. Haverá alento e determinação para tanto? De  justificações falaciosas estamos todos fartos.
É agora ou nunca!


"Em Julho todos os anos pares", diz a legenda em francês e em inglês. Logo por azar, 2019 é ano ímpar. É assim que respeitam a tradição? Que tradição afinal?


Adenda

Fica para ocasião mais propícia uma abordagem detalhada sobre a actuação de alguns tomarenses, que na altura foram contra a "reforma João Simões", mas décadas mais tarde acabaram a defendê-la como tradição. Um deles até foi mordomo. Muito competente, por sinal.
A vida tem destas coisas.

domingo, 15 de abril de 2018

Brasilês, português e tomarês

Dizem-me, aqui em casa, que hoje não é boa altura para escrever, por ser sexta-feira 13. Como nasci num dia 13 e no Hospital de Nª Sª da Graça, encostado à igreja do mesmo nome, na urbe nabantina, pode ser que me seja concedida a graça de escrever  mais um cronicazita sem percalços de maior.
Desde que resolvi começar a passar os invernos aqui em Fortaleza, tem sido uma alegria. Antes de mais porque a cidade vai a caminho dos três milhões de habitantes (um terço de toda a população portuguesa), apesar de existir há apenas 292 anos, que se comemoram hoje. Logo à noite vai haver espectáculo em grande, ali no Aterrinho da Praia de Iracema, a cem metros daqui de casa, com Caetano Veloso, entre outros. Tudo à borla, pois claro. Ou não fossem de descendência portuguesa. Mas tudo em grande, patrocinado por uma marca de cerveja. Além do palco monumental, há sanitários portáteis por todo o lado, posto médico avançado E polícia com força,  até em pequenas "torres de segurança",  que estamos no bairro dos ricos, onde moram as autoridades.




Temos também a língua dita comum, que afinal está a afastar-se cada vez mais. Por causa nomeadamente do vocabulário específico das vinte e tantas tribos de descendentes dos habitantes anteriores à chegada dos europeus, (a que chamamos índios, só porque Colombo julgou ter chegado à Índia, quando aportou a uma ilha deste continente). Além desse tal vocabulário dito caipira (do campo), que me abstenho de reproduzir por ignorância, há toda uma série de palavras em brasilês, que nada têm a ver com o português. Exemplos: Uma fita métrica é uma trena, um berbequim é um bisouro e uma poleia uma mãozinha francesa.
Tudo isto acompanhado da frase ocasional "fale mais devagar para mim perceber melhor". Há depois expressões mais rebuscadas e bem portuguesas, que aqui assumem outro significado. Todas as tardes, durante a caminhada no calçadão da beira-mar, me cruzo com um carrinho de venda ambulante, empurrado por uma moça, cuja marca é uma promessa. A moça vende sopas e bebidas quentes, pelo que se compreende a designação comercial inscrita no carrinho: "A quentinha da Ivone". O que me leva a recordar aquele restaurante popular, ali numa das esquinas da Rua Ildefonso Albano: o "Tempero da Marlene", "Aberto de Segunda Á Sábado". O próprio autor destas destas linhas é sucessivamente tratado como "doutor", quando dá um real ao "flanelinha" arrumador de carros, ou simplesmente Antônio (assim mesmo com ^ no primeiro o) RAbelo, porque têm dificuldade na pronúncia de vogais elididas. Preferem-nas abertas,  fechadas ou nasais.



Isto como prólogo, para agora poder escrever que Tomar, apesar de ter menos população residente que um bairro de Fortaleza, também tem dado o seu contributo para aquilo a que poderemos chamar tomarês.
A começar pelos tabuleiros. Quem nunca tenha visto a nossa festa grande, ou imagens da mesma, também não ficará a saber do que se trata. Porque apelidar de tabuleiro um cesto de vime com uma armação de canas, ornamentadas com flores e pães, e encimadas por uma coroa, é tomarês puro, temos de reconhecer. Normalmente deveria ser fogaça ou cesto ornamentado, porque tabuleiro não é de certeza, respeitando o dicionário: Tabuleiro: peça de madeira ou metal com as bordas levantadas; bandeja; superfície de madeira, marfim, plástico ou metal, para jogos de xadrês, damas, gamão, etc.; soalho do carro; parte do piano onde assenta o teclado; banco de areia que emerge na vazante; patim, patamar de escada; espaço plano em qualquer edifício ou terreno; talhe das marinhas; porção de terra para flores, hortaliças, etc; tabuleiro de pão, que serve para levar o pão ao forno; masseira.
Conforme se constata, significados não faltam, porém só o último tem a ver, e mesmo assim pouco, com o campo semântico em tomarês. Mas além de tabuleiro, temos outros vocábulos típicos da cidade e do concelho: uma selha é um copo de vinho grande, uma cadela é uma bebedeira e alguém meio ébrio está "com meia casa passada". Outra palavra muito usada em tomarês é penacho, em frases do tipo "gostam muito do penacho." Procurando evitar quiproquós, eis o rol de sinónimos possíveis: vaidade, presunção, soberba, gala, ostentação, jactância, poder, mando. Quer conferir? clique aqui.
Sobretudo depois do 25 de Abril, tem também sido muito usada no vale nabantino a expressão "respeitar a tradição", que em tomarês deve ser traduzida por: "as coisas não estão nada bem, mas se lhes mexermos ainda ficam piores, portanto o melhor é não mudar nada, não vá a gente cair do cavalo".
Fruto das circunstâncias e do empedernido, conquanto disfarçado, machismo local, temos agora uma nova variante em tomarês, assaz engraçada. Segundo a informação nacional e  local, os tomarenses acabam de eleger uma mulher como mordomo da festa. Em qualquer outra terra seria uma mordoma, como já se demonstrou nestas colunas. Mas estamos em Tomar, que diabo! Já demos novos mundos ao mundo (ou pelo menos estamos convencidos disso), e agora começamos a criar uma língua nova -o tomarês. Passaremos a ter mulheres médicos, mulheres arquitectos, mulheres mecânicos. E, com um pouco de sorte, até mulheres polícios, mulheres motoristos, mulheres enfermeiros, ou mulheres freiros.
Seguindo esse mesmo normativo tomarês, quando a soberana britânica Isabel II se finar, a informação tomarense terá de noticiar que lhe sucedeu o príncipe Carlos como rainha. Outro tanto deverá ocorrer caso Filipe VI, que reina em Espanha, venha a estar impedido de forma definitiva (oxalá que não!). Nessa circunstância, já estou a ver a primeira página da informação nabantina: Em Espanha,  filha mais velha de Felipe VI aclamada como rei.
Com tudo isto,  depois ainda se admiram quando os de fora começam a olhar para nós com cara de caso, logo que dizemos que somos de Tomar...
Siga a música, que o baile vai animado.

sábado, 14 de abril de 2018

Opções camarárias mal calculadas

A notícia também chegou aqui, pois é um lugar comum dizer que o mundo está tranformado numa aldeia. Foi um lindo sábado em Tomar, com juventude por todos os cantos. Graças ao Festival de Tunas e ao encontro nacional de alunos de Religião e moral católicas. Este trouxe até à cidade cerca de duas mil pessoas, o que pode constituir uma excelente acção de promoção turistica se...
Para acolher esses jovens, resolveu o vereador responsável mandar montar uma tenda gigante no Mouchão. Houve quem não gostasse da ideia, o que gerou protestos nas redes sociais. O autarca em causa -honra lhe seja feita- respondeu prontamente nas mesmas redes, afirmando que era uma excelente acção em prol do turismo tomarense e que o Mouchão não é um jardim, mas sim um local para eventos.
Tomar a dianteira concorda com a primeira se... conforme já foi dito acima, mas discorda frontalmente da segunda. Por três razões centrais. Primeiro, porque o Mouchão não tem estruturas de apoio para eventos. Há apenas uns sanitários minúsculos ao lado do ex-estádio municipal, faltando por exemplo acessos amplos e contentores de resíduos sólidos, o que deu este lindo resultado, prontamente denunciado, com inteira justiça, por tomar na rede:

Foto Tomar na rede

Agora, por um lado os jovens católicos são acusados pelos tomarenses de serem pouco asseados, quando a culpa não lhes cabe de todo. Por outro lado, não é difícil vaticinar que poderão não ir dizer muito bem da organização tomarense, o que será péssimo para o turismo local.
Segundo, porque o Mouchão sempre se chamou "Mouchão parque" exactamente por ser um jardim, como de resto bem mostram as plantas, a relva, (ou o que dela resta), e os canteiros. Porque a autarquia optou por transformá-lo em local de eventos, de quando em vez o lamentável aspecto é este:


Fotos José Jorge

Em terceiro lugar, a menos de um quilómetro dali, na antiga Cerca conventual, actual Mata dos Sete Montes, há sanitários modernos e espaçosos, com recepção e tudo:


construídos com fundos europeus e da autarquia, no tempo de António Paiva, mas agora praticamente abandonados. E, logo mais acima, um magnífico terreiro, maior que o do Mouchão, também ao abandono:


Fotos Fernando Henriques

É um contraste chocante. No Mouchão, a relva semeada está como documentado acima. Na Mata, a relva espontânea está uma verdadeira maravilha. E a mata é que não é de certeza um jardim.
Temos assim um local fechado, próximo do centro da cidade e dos transportes públicos, óptimo para eventos, com amplas entradas, muito espaço, contentores de lixo, sanitários modernos e espaçosos, parque para merendar, local para tomar e deixar passageiros sem prejudicar o trânsito, que está praticamente esquecido.
Não é da autarquia, bem sei. Mas  que impede a autarquia, que até lá instalou um parque infantil, de reivindicar a sua utilização e gestão? Daria muito trabalho, é isso?

Crise demográfica em Tomar

Situação no Centro escolar de Casais

O texto seguinte é uma notícia, daquelas desagradáveis. Tratando-se de uma notícia, há apenas  factos, que qualquer pessoa pode verificar, se assim o entender. Não  há portanto qualquer opinião, favorável ou desfavorável. Apenas a realidade. Alguns desses factos já foram publicados na parte final da postagem anterior.

O Centro Escolar de Casais começou a funcionar no ano lectivo 2011/2012. Nesse ano, contava com sete professores, para 132 alunos matriculados. Desse total, 86 residiam na Freguesia de Casais, 19 na Freguesia de Alviobeira, 18 na Freguesia de Santa Maria dos Olivais, 5 na Freguesia de Olalhas, 2 na Freguesia de Carregueiros, 1 na Freguesia da Pedreira e 1 no concelho do Entroncamento.


Seis anos volvidos, no ano lectivo 2017/2018, o mesmo Centro escolar conta com mais um professor, num total de 8, para 96 alunos matriculados, com a seguinte origem geográfica: 52 alunos da Freguesia de Casais, 19 Alunos da Freguesia de Alviobeira, 13 Alunos da Freguesia de Santa Maria dos Olivais, 3 Alunos da Freguesia da Junceira, 2 alunos de Além da Ribeira, 2 alunos de Carregueiros,  1 aluno de cada uma das seguintes freguesias: Olalhas, Serra, S. Pedro, Pedreira e Asseiceira. Os 96 alunos do actual ano lectivo estão divididos em 6 turmas. Dado que o Centro escolar dispõe de 14 salas de aula, há forçosamente 8 salas sem qualquer utilização lectiva.


Comparando os dois anos lectivos considerados, verifica-se que o Centro escolar perdeu em 6 anos 27,27% de matriculados, e 35,41% de alunos provenientes de Casais. Durante esse mesmo lapso de tempo a citada freguesia  registou menos 9,3% de eleitores inscritos. Na mesma linha de análise, em 2017/18, 26,5% dos alunos inscritos não residem na freguesia de Casais, sendo 13,54% residentes na Freguesia urbana de Santa Maria dos Olivais.
Estando anunciada a construção de um Centro Escolar na Linhaceira, freguesia de Asseiceira, cabe recordar que actualmente há 2.554 eleitores inscritos na Freguesia de Casais-Alviobeira e 2.557 eleitores inscritos na Freguesia de Asseiceira. Não foi possível apurar em tempo oportuno quantas salas de aula terá o  Centro escolar da Linhaceira.

Fonte  dos dados escolares, obtidos ao abrigo da Lei 26/2016, de 22 de Agosto:

Agrupamento de Escolas Templários – Código 172479
Descrição: Logo Agrupamento(cor)-original   LOGO MEC
* Av. D. Maria II, Apartado 450 · 2304–909 Tomar 
( 249 310 050 – Ê 249 323 065       




sexta-feira, 13 de abril de 2018

Tradição ou imobilismo?

O tomarense António Freitas, que além de jornalista é um experiente operacional de turismo, mandou umas fotos e um comentário irónico, que se publicam com todo o gosto.

 "Casa de brasileiro", visível no trajecto entre o parque de estacionamento e o Mosteiro de Alcobaça

Desvio do Rio Alcoa na cozinha do Mosteiro de Alcobaça


 Dois aspectos dos amplos e modernos sanitários públicos, situados a 30 metros do Mosteiro

O terreiro frente ao Mosteiro, que recuperou o aspecto primitivo, após terem desmantelado o jardim e proibido o estacionamento, já neste século.

O comentário irónico de António Freitas diz  que são uns bimbos os de Alcobaça porque, em vez de respeitarem a tradição recente, como em Tomar, preferiram respeitar a tradição multi-secular. Restabeleceram o terreiro fronteiro ao Mosteiro, velho de séculos, e assim obrigaram os visitantes motorizados a irem estacionar um quilómetro mais longe, o que os leva a percorrer depois uma parte do casco urbano antigo a pé. Os comerciantes locais agradecem.
Quem tem razão? Os alcobacences, que se adaptam ao progresso, respeitando tradições de séculos? Os tomarenses, que  apenas vão mantendo o imobilismo, a que para disfarçar chamam tradição?
Tomar a dianteira resolveu comparar de novo resultados práticos incontroversos. Em 2001, Alcobaça contava 46.552 eleitores inscritos e Tomar 39.338. Menos 7.214. 16 anos mais tarde, em 2017, Alcobaça contava 48.895 eleitores inscritos (mais 2.343 que em 2001) e Tomar 34.814, (menos 4.524 que em 2001), menos 14.081 em relação a Alcobaça. Ou seja, em 16 anos o  fosso demográfico nabantino em relação a Alcobaça praticamente duplicou. Não se trata de invenção deste blogue. São dados oficiais, que podem ser verificados aqui e depois aqui.
Perante isto, os ponderados optimistas tomarenses, especialistas em achismo, imobilismo, confusões, ódios de estimação e frases feitas, vão alegar que Alcobaça está na faixa costeira e Tomar no interior. Conquanto já anteriormente aqui se tenha mostrado que Bragança está bem mais no interior, o que não a impede de atrair investimento e emprego, aceitemos o argumento dos achistas nabantinos. Até porque a faixa costeira, sendo uma faixa, só pode ter as costas largas.
O problema é que mesmo no concelho de Tomar, como também já aqui foi mostrado antes, há freguesias que se aguentam muito melhor do que outras, em termos demográficos. Aqui vai mais um exemplo, numa outra vertente  da mesma crise.
Segundo dados oficiais do Agrupamento de Escolas Templários, obtidos ao abrigo da Lei do direito à informação, no ano lectivo 2011/12, o Centro Escolar de Casais tinha 132 alunos matriculados, entre os quais 86 de Casais e 19 de Alviobeira. Seis anos mais tarde, no ano lectivo 2017/2018, verifica-se que o referido Centro Escolar perdeu 36 alunos, contando agora só 52 alunos de Casais, mas o mesmo total de 19 de Alviobeira, mais 25 de outras origens, o que dá um total geral de 96.
Ou seja, enquanto Alviobeira conseguiu manter a sua situação demográfica nos últimos 6 anos, Casais registou menos 34 crianças matriculadas (menos 39,53%). O que só pode significar que várias famílias resolveram mudar de ares. 
Porquê?