quarta-feira, 21 de março de 2018

Aspectos inerentes à autarquia nabantina

Da Ordem de trabalhos da última reunião do executivo camarário de Tomar, transcreve-se, para posterior crítica:

"Divisão de Turismo e cultura


Nº 10 - XXV Congresso da sopa
Proposta de deliberação da Vereadora Filipa Fernandes, referente à informação nº 380/2018, da Divisão de Turismo e cultura, submetendo à aprovação do Executivo Municipal aspectos inerentes à realização do 25º Congresso da sopa, no dia 5 de Maio de 2018.
Proposta de deliberação: Entrega das receitas de bilheteira (exceptuando os resultados da venda de kits) no montante máximo de 5 mil euros (cinco mil euros) ao CIRE - Tomar; aprovar tabela de preços: -Ingresso no evento - Bilhetes (sem kit) Adultos 5 euros, Crianças dos 6 aos 12 anos 2 euros, Família de 2 adultos + 2 crianças 12 euros.
Outros: Kit Congresso da sopa (copo, taça, colher e guardanapo) 3 euros por unidade. Atribuir subsídio no valor de 100 euros (cem euros) para as adegas participantes no evento."


Ignoro o resultado da votação, mas aposto singelo contra dobrado que houve unanimidade. Parece-me que não está bem e passo a explicar porquê.
1 - O respeito e a consideração, devidos aos órgãos de poder e aos seus titulares, têm de começar neles próprios. Sob pena de abandalhamento crescente. Na cultura portuguesa, qualquer eleito tem direito à designação obrigatória de "senhora" ou "senhor", antes do nome ou das funções que exerce. Em Espanha, por exemplo, as coisas são ainda mais solenes. Qualquer eleito passa a ser "senhoria". Mesmo o Rei, ou o Presidente do governo (equivalente ao nosso Primeiro-ministro), quando se dirigem a eleitos, sejam deputados, presidentes de câmara ou vereadores, começam sempre por "Senhoria", se for só um, ou "Senhorias", se forem vários, atributo que anteriormente apenas cabia à nobreza.
No caso presente, onde está "da vereadora...", devia estar "da senhora vereadora..." Línguagem familiar só deve ser usada em família ou com amigos. Nunca em documentos oficiais. Dá mau aspecto, sendo meio caminho andado para a desconsideração.
2 - O Congresso da Sopa, uma iniciativa do beirão Dr. Manuel Guimarães, já falecido, pode ser, consoante as circunstâncias, Congresso da sopa do Espírito Santo, (como nos Açores), Congresso da sopa do Espírito franco, ou Congresso da Sopa do espírito manco. Sopa do Espírito Santo não é, porque se paga, o que resulta estranho numa terra onde quase todos os eventos liderados pela câmara, com dinheiro de todos nós, são à borla (julgam os eleitores mais simplórios, os outros sabem bem que tudo se paga,e de que maneira!). Sopa do Espírito franco tão pouco, pela mesma razão, e uma vez que a deliberação camarária será tudo menos franca. Resta portanto a sopa do Espírito manco, que é o mesmo que coxo.


3 - Congresso da sopa do Espírito manco, ou coxo, porque não conheço outra terra cujo executivo aceitasse debater e votar "aspectos inerentes à realização do XXV Congresso da sopa". Antes de mais, por ser manifestamente ilegal. Debatem-se e votam-se regulamentos, normas, leis, posturas, avisos, e por aí fora. "Aspectos inerentes" é assim uma realidade demasiado vaga, que vejo pela primeira vez, e não nasci ontem. Você, leitora ou leitor, já alguma vez ouviu falar, ou leu, àcerca de um executivo municipal a deliberar sobre inerências?
4 - Com essa cobertura genérica dos "aspectos inerentes", ficam os munícipes sem saber se existe ou não um regulamento do evento e, mais grave ainda, quanto recebem, caso recebam alguma coisa, os fornecedores das sopas e os fornecedores de pão, por exemplo. Será tudo à borla? Se não é, porque menciona o documento unicamente as adegas, sem aliás especificar se os cem euros de subsídio são para cada uma ou a dividir por todas.
5 - Dirão talvez as habituais sumidades, luminárias, sentados e outros apoiantes da actual maioria, incluindo até os de boa fé, que se trata de detalhes sem importância. Creio que não será tanto assim, como a seu tempo fará constar uma eventual sindicância da entidade competente e independente. Se houver. Além disso, já anteriormente circularam rumores, segundo os quais havia fornecedores de sopa que recebiam e outros que não recebiam, bem como alguns outros casos de discriminação, com determinadas entidades a receber mais do que outras. Só boatos? A Câmara nunca se explicou, o que de resto é habitual. 
Mas é do adagiário popular que "não há fumo sem fogo". A falta de transparência dos "aspectos inerentes" só pode enfraquecer a democracia local e prejudicar, quiçá injustamente, a reputação dos próprios eleitos.

terça-feira, 20 de março de 2018

SMAS - TOMAR: Será desta?

Em declarações publicadas no OBSERVADOR online, o ministro do Ambiente defendeu a substituição total das redes de distribuição de água a cada cinquenta anos, à média de 2% ao ano. No caso de Tomar, e na área urbana onde reside o autor destas linhas, a ideia chega um bocadinho atrasada. A rede actual data de 1937. Tem portanto a bonita idade de 81 anos. Com todos os inconvenientes daí resultantes. Nomeadamente roturas frequentes e condutas cancerígenas de amianto, há muito proibidas na União Europeia.
"O passo seguinte, sublinha a ministro, é o aumento da eficiência da gestão da distribuição de água por parte das autarquias, de forma a reduzir a água não facturada, que se deve sobretudo à inexistência de sistemas de facturação fiáveis, à utilização de pressões muito maiores que as necessárias, ao desconhecimento do cadastro das redes, e à inexistência de piquetes que possam a todo o momento ir tapar uma fuga."

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Traduzindo toda esta gíria governamental em português padrão, o ministro refere-se às chamadas "perdas de rede". Água que não é facturada devido a roturas e a roubos. No caso de Tomar, trata-se de metade da água comprada à EPAL, que não sendo devidamente facturada pelos SMAS, é paga por todos os consumidores, mediante o aumento dos preços e taxas anexas. O que até acaba por agradar a quem manda naqueles serviços municipais. Como as taxas anexas obrigatórias são calculadas em percentagem, quanto mais elevadas forem as tarifas...
De acordo com o ministro, o governo dispõe de 100 milhões de euros para renovar as redes, metade dos quais provenientes da União Europeia. Há portanto alguma esperança no vale nabantino, mas também algum receio. Alguma esperança, porquanto a nossa presidente, que também preside aos SMAS, está para os fundos europeus como as moscas estão para o mel.
Algum receio também, porque Anabela Freitas já demonstrou que gosta mesmo é de obras ornamentais, de espavento, que dêem nas vistas. Mesmo que a sua utilidade prática seja reduzida ou nula. Basta pensar na Várzea grande e na Praceta Raul Lopes, por exemplo. Com as obras previstas, vão ficar bonitas. E depois?
Uma vez que a modernização da rede de água e saneamento não se vê, porque tem de ficar enterrada, provavelmente ainda não será desta que haverá requalificação, ali para as bandas da Rua Infantaria 15 (ver foto), Rua Joaquim Jacinto, sector Oeste, Rua Aurora Macedo, Rua do Teatro, Largo do Quental, Rua do Pé da Costa de Baixo... Tanto mais que mora por ali tão pouca gente, apenas umas centenas de votos. E há também, durante o tempo quente, aquele tão típico cheiro a esgoto, nomeadamente no cruzamento Aurora Macedo/Rua Direita, que agrada tanto a turistas e moradores.
Vamos esperar para ver.

segunda-feira, 19 de março de 2018

A propósito da proliferação dos patos em Badajoz

A extraordinária multiplicação dos patos, num parque público da cidade espanhola e raiana de Badajoz, implica um olhar atento e crítico sobre duas outras cidades. Sobre Elvas, que é vizinha. Fica a apenas 8 quilómetros. Sobre Tomar, que fica mais longe, mas também tem patos. (ver foto)
De acordo com os dados recolhidos, Elvas é a cidade mais antiga. Foi conquistada pelos árabes em 714, que a baptizaram El Bash. Segue-se Badajoz, fundada pelo árabe Ibn Maruan em 798. Só três séculos e meio mais tarde, Gualdim Pais resolveu "começar a construção deste castelo por nome Thomar". 
Os séculos foram passando, nem sempre na paz do Senhor e, em 1864, Badajoz tinha 23.434 habitantes, Elvas 17.685 e Tomar 21.894. Tudo relativamente equilibrado em termos demográficos, nas três cidades do interior, das quais duas -Badajoz e Elvas- no interior profundo. A pelo menos 200 quilómetros da costa mais próxima. Tomar está a apenas 60 kms da Nazaré.
Passados 150 anos, o fosso é agora enorme entre a cidade espanhola e as duas portuguesas. Em 2011, Badajoz registava 151.565 habitantes, contra apenas 23.078 em Elvas e 40.677 em Tomar. Que se passou durante esse período, que provocou tamanho desnível? Certamente erros vários, a elencar e debater noutro local e noutro tempo. Por agora convém só tomar nota e não esquecer, porque nada acontece só por acaso.


Sobretudo para responder às usuais sumidades tomaristas, que vêm com a desculpa da interioridade, logo que ouvem falar da decadência de Tomar. Pior ainda, quando se lhes aponta o caso de Ourém, que também está no interior, mas vai crescendo e já ultrapassou Tomar, são rápidos na resposta: -É porque têm Fátima! Pois seja. Mas seguindo tal raciocínio, e perante o extraordinário desenvolvimento urbano e demográfico de Badajoz, dá vontade de perguntar: -Será porque não têm Fátima?
Frente a Badajoz, apenas separada pelo Guadiana, Elvas está ainda no mesmo escalão de Tomar, porém com duas diferenças fundamentais. Por um lado, parece já ter conseguido estabilizar a população. Tinha 19.679 eleitores inscritos em 2005, e 19.314 em 2017. Por outro lado, ousou encarar a realidade e procurou soluções. Decidiu assinar, em 2013, um convénio com Badajoz, sob a égide da União Europeia, que transforma aquele conjunto urbano na Eurocidade Elvas-Badajoz, tendo em vista os fundos europeus. "Se não os consegues vencer, junta-te a eles..."
-Então e Tomar, no meio disto tudo? perguntará você, alegando que o texto já vai longo. Tomar tinha 38.724 eleitores inscritos em 2009 e apenas 34.814 oito anos mais tarde, em 2017. Durante o primeiro mandato de Anabela Freitas, que depois disso já ganhou com maioria absoluta, desapareceram dos cadernos eleitorais 2.496 eleitores. Pouca coisa, é claro. Só 7,16% dos inscritos. A demonstrar que vai tudo bem no doce vale nabantino. E com nítida tendência para melhorar...
Falta a relação com os patos de Badajoz, não é? Pois vamos a isso. Naquela cidade raiana, de acordo com a reportagem do El Pais online, em apenas 3 anos, 40 patos deram origem a 500. Em Tomar, há mais de 20 anos que temos patos no rio. E até já houve cisnes. Cisnes, julgo que já se foram. E os patos, quantos são agora?
Como querem que se desenvolva uma cidade, cujas condições básicas nem sequer permitem que os patos se reproduzam? Ou haverá predadores desconhecidos, tal como acontece com os poluidores do Nabão? Inclino-me para esta hipótese.
Perante isto, seguir-se-à a usual reacção bem tomarense. Uma minoria concordará, os restantes discordarão. É normal em democracia, todavia anormal neste caso. Porque uma coisa é discordar de opiniões, outra bem diferente é recusar a dureza dos factos. Não acreditar nos factos, como dizia há uns dias Noam Chomsky. Quando se diz ou escreve, por exemplo, que a população está a diminuir, que há falta de investimento produtivo, ou que o ano passado houve fogos com muitas vítimas mortais, seria uma perfeita parvoíce discordar. Porque são factos indesmentíveis. Inconvenientes, mas indesmentíveis. Como neste caso dos patos, das populações e das condições de desenvolvimento.
Mas pronto. Para evitar quezílias, sempre nefastas, eu pecador me confesso. Admito, constrangido pelos inquisidores locais, que em Tomar está tudo bem; que vamos pelo caminho certo, uma vez que a senhora presidente até ganhou com maioria absoluta. Eu é que sou um velho rabujento, ainda por cima pessimista crónico. Insisto contudo, recordando Galileu: -E no entanto ela move-se! Mas quem é que nas margens nabantinas conhece o caso  Galileu, durante cujo julgamento pronunciou a célebre frase E pur se muove! ?!?
Quando por vezes vejo passar camiões carregados de suínos, todos muito calmos porque bem alimentados, penso para comigo: -Coitados! Se soubessem para onde vão... Mas provavelmente os suínos nem pensam de forma articulada, actividade que mesmo nos humanos tende a cansar um bocadinho a cabeça.
Haja saúde!

domingo, 18 de março de 2018

O declínio económico acentua-se

É mais uma notícia a confirmar que o declínio tomarense é cada vez mais rápido. Segundo a NERSANT, citada pelo Mirante, seguindo a tendência dos últimos meses, em Fevereiro passado Santarém e Ourém lideraram a criação de empresas no distrito, com 12 e 11 registos, respectivamente. No mesmo período Tomar registou apenas quatro novas empresas.
O mais grave é que enquanto Santarém mantém a liderança da Lezíria do Tejo, Ourém passou a ser a cidade líder do Médio Tejo. Lider destacada, pois Tomar, com a criação de apenas 4 empresas em Fevereiro, ficou ao nível de Torres Novas.
Mas vai tudo bem na economia tomarense. Estamos no caminho certo. E o PS ganhou com maioria absoluta.
O autor destas linhas é que é um pessimista crónico, dizem algumas sumidades locais. Logo veremos até onde podemos ir demasiado longe.

Badajoz não sabe o que fazer aos patos

Por favor leia a reportagem seguinte, que é importante para ajudar a entender a crise tomarense. No texto de amanhã ficará a perceber porquê. Obrigado.

Manuel Viejo - EL PAIS online

"Em apenas três anos, 40 patos passaram a 500, e constituem agora um grave problema para os habitantes e para a Câmara"

Una treintena de gansos atraviesa un camino del parque del Guadiana.

"Nem a Câmara, nem o governo regional da Estremadura, nem os biólogos, nem tão pouco os habitantes da zona. Ninguém sabe de onde vieram os patos. Há duas teorias. Segundo a mais corrente, há um outro parque a cem metros, o Jardim Castelar, no qual vivem 60 patos em liberdade, controlados pelos serviços municipais. Daí podem talvez ter-se escapado alguns. A outra teoria aponta para alguns residentes, que teriam patos como aves de companhia e a dada altura resolveram soltá-los.
"Construímos este parque para os cidadãos e não para os patos", declara o alcaide (presidente da Câmara) Francisco Fragoso, do PP, que se inclina mais para a hipótese do abandono por alguns moradores de aves de companhia.
"No próximo verão podem chegar aos mil e criar um problema de saúde pública para os 150 mil habitantes da cidade", avisa José Marin, presidente da ordem dos veterinários de Badajoz, que acrescenta: "Se continuarem a multiplicar-se, podem transmitir a gripe aviária ou as salmonelas."
Marcelino Cardalliquet, delegado da Sociedade espanhola de ornitologia na Estremadura, opina que se trata de um problema sério, apesar de parecer uma brincadeira: "Como não têm predadores por perto, estão a transformar-se numa ameaça para centenas de aves."
Os patos gansos deslocam-se geralmente em grandes bandos. No caso presente estão repartidos em bandos de 30 a 40 aves, em várias zonas do parque público. As patas têm uma postura anual média de 4 a 6 ovos, que levam 27 a 28 dias a chocar. Por isso se multiplicam com tanta facilidade. Em comparação com outras aves de capoeira, vivem mais anos, aprendem mais depressa e podem tornar-se agressivos.

Un ganso entra en la cocina del bar del parque.


José António, de 52 anos, que costuma vir correr todos os dias no parque, declarou que os gansos nunca o incomodaram. Mais adiante, Angel, de 34 anos, que brincava com a sua filha Eva,  referiu que "Está tudo cheio de fezes. Acho que não devem levá-los daqui, porque as crianças ficam encantadas, mas há que reduzi-los bastante." Jana, de 26 anos, que trabalha como empregada de mesa num dos cafés do parque disse que "Metem-se na cozinha, sobem às mesas, incomodam os clientes, enchem tudo de merda. Tem de se fazer alguma coisa quanto antes."
Perante tanta polémica, Pablo Ramos, coordenador de Ecologistas Estremadura, propõe que sejam doados para explorações agrícolas da região que os aceitem, enquanto Artur Lopez, biólogo e técnico da Assembleia municipal de Badajoz, é de opinião que devem ser abatidos. "Pode ser impopular, mas mesmo assim devem matá-los. Eu também sou defensor dos animais, mas trata--se de uma espécie invasora."
A hipótese do abate está em cima da mesa, em conjunto com a da captura e posterior deportação das aves. A possibilidade de recorrer a contraceptivos já foi afastada, porque poderia afectar outras espécies. A adopção por residentes da zona também já foi posta de parte. "É um problema resultante do hábito de oferecer patinhos. Agora é capturá-los quanto antes", declarou José Martinez, presidente da Confederação hidrográfica do Guadiana. Tanto a Confederação como o governo regional da Estremadura (PSOE) -que não considera que haja um problema porque não se trata de animais selvagens-, e a Câmara municipal, já se reuniram várias vezes, na busca de uma solução, mas até agora sem êxito.

Los gansos picotean el césped por un tramo del parque del Guadiana.

"Se não fizerem nada, cada vez vão ser mais", diz um trabalhador da JOCA, a empresa que assegura a limpeza e manutenção do parque. "Há toneladas de excrementos; andamos sempre a limpar e agora é a época da reprodução, de forma que daqui a pouco vão ser muitos mais."
O jornal Hoy publicou há dias que a cidade de Alicante, na costa mediterrânica, poderia acolher alguns patos, para instalar num campo de golfe. Don Benito e outras cidades da zona sul de Espanha também já manifestaram interesse. Há até uma empresa ecológica da região que estaria disposta a comprar os patos para os transformar em paté.
Entretanto a Câmara espera poder concluir em breve um acordo com o governo regional para começar com as capturas, de forma a reduzir o contingente de gansos. Enquanto isto, um bando de 36 patos encaminha-se lentamente para alguns restos, que Vitória, 40 anos, acaba de despejar na relva, apesar de ser proibido dar de comer aos patos. "Se o parque não é para eles, é para quem?", pergunta ela.
Os gansos comem lentamente, porém reproduzem-se rapidamente. É esse o problema."

Manuel Viejo, EL PAIS online, 17/03/2018, às 09H53
Tradução e adaptação de António Rebelo

sábado, 17 de março de 2018

A triste e preocupante situação tomarense

Volta e meia, um caso concreto vem mostrar a triste situação que se vive em Tomar, uma urbe em acentuado declínio em todos os domínios. Até as lojas chinesas vão fechando. O exemplo mais recente foi publicado no nosso colega Tomar na rede. Num estilo seco e factual, como é próprio do jornalismo, informa que foi publicada no Diário da República a nomeação do "staff" da senhora presidente da Câmara de Tomar. Identificados os nomeados, limita-se a acrescentar que são todos militantes e dirigentes do Partido Socialista.
Como habitualmente, acoitados  no confortável anonimato, surgiram logo dois comentadores, um favorável, outro adversário feroz. Escreveu o primeiro "Acho muito bem serem do PS, porque quando estiver outro partido será o contrário." Respondeu o outro "Que pensamento miserável. É precisamente por causa destes mentecaptos que o país está refém de tachos."
Indo por partes, no meio desta tristeza. O que primeiro aflige são os quase cinco meses que mediaram entre as nomeações de facto e a respectiva publicação no jornal oficial obrigatório. A culpa é de quem? Da entidade que nomeou? Do Diário da República? De ambos? Seja como for, estamos perante uma confrangedora realidade, que só pode contribuir para afastar potenciais investidores. Porque se em Tomar uma simples nomeação camarária leva cinco meses, imagina-se quanto tardará a aprovação de um projecto e a emissão do respectivo alvará, com todas a tribulações, designadamente pecuniárias, que o percurso burocrático local implica. Até a própria presidente já foi condenada judicialmente duas vezes, por não responder atempadamente às reclamações de um munícipe.
Aparece a seguir o primeiro comentário, que só peca pelo "será o contrário". Não, não será nada o contrário. Acontecerá exactamente o mesmo: Serão nomeados militantes e quadros do partido que entretanto tiver vencido, uma vez que se trata de nomeações políticas, para cargos de confiança partidária, os quais cessam logo que o partido que fez as nomeações for derrotado em eleições, ou for forçado a abandonar o poder, por qualquer imponderável.

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Foto Tomar na rede

Quanto ao segundo comentador (ou comentadora), é evidente que está a ver mal o problema, apesar de ter razão quanto ao fundo. O país não está atafulhado de funcionários incompetentes, ou "na prateleira", por causa destas nomeações, mas sim por causa das nomeações para os quadros de forma menos transparente. Neste caso do PS, tanto quanto se sabe, há apenas uma nomeação técnica de um quadro partidário, que muito provavelmente regressará à entidade de origem quando o PS perder. Trata-se do chefe da Divisão financeira.
O outro caso será o de Virgílio Saraiva, que é funcionário de carreira, crê-se que em comissão de serviço como chefe de divisão. Tendo ascendido a chefe de gabinete para substituir Luís Ferreira, situação em que se manteve até ao final do mandato anterior, foi agora nomeado secretário do gabinete de apoio aos vereadores, em paridade com um tal senhor Graça. Não se pode dizer que tenha sido uma promoção. Mas o problema é dele, uma vez que aceitou.
Não é necessário ser especialista em futurologia para prever desde já que, derrotado o PS, Virgílio Saraiva regressará à categoria de técnico superior, uma vez terminada a comissão de serviço como chefe de divisão, indo integrar a nova "unidade de queimados", que entretanto os futuros vencedores não deixarão de instituir. Conquanto Virgílio Saraiva seja um funcionário íntegro, competente e cumpridor, o facto de ser também quadro influente do PS, designa-o como vítima praticamente inevitável do velhos princípios bárbaros "quem com ferros mata, com ferros morre", ou "olho por olho, dente por dente". Sorte semelhante terá o seu camarada da Financeira, igualmente competente e probo, caso não tenha antes regressado à origem. Tomar é uma cidade cujos habitantes, na sua maior parte, nunca perdoam, porque não sabem sequer o que isso é.
Apesar de irem à missa, e aí suplicarem "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido", em muitos casos é só uma ladainha hipócrita. Na verdade, praticam uma mescla de intolerância e ódio, que confundem com hombridade. Que Deus lhes perdoe!
Triste gente! Triste terra! Que com sol e bom clima ainda se atura, mas com frio, chuva e humidade, nem pensar! É demasiado desconforto junto.

sexta-feira, 16 de março de 2018

António Lourenço dos Santos candidata-se ao PSD local

Companheiras e Companheiros,

Tomar precisa de um novo Destino, e é tempo de parar e inverter o declínio que alastrou no Concelho.

Os Militantes do PSD terão proximamente a responsabilidade de escolher um novo futuro e de construir uma alternativa capaz de levar o Concelho e as 11 Freguesias a caminhos de desenvolvimento e de prosperidade.

Para tanto, vencer as eleições autárquicas e ganhar a Câmara Municipal é o grande objectivo que nos move, e nos une.

Convido-vos, por isso, a assistir ao lançamento da minha candidatura à Presidência da Comissão Politica Concelhia,  na próxima 4.ª  feira,dia 21 de Março às 19:00, na nossa sede, na Rua da Fábrica da Fiação.

Nesta sessão participarão também o candidato a Presidente da Mesa da Assembleia de Militantes, João Tenreiro, o Mandatário da Candidatura, Professor Luís Maria Pedrosa dos Santos Graça e Manuela Ferreira Leite que fará uma pequena palestra sobre o novo ciclo do PSD.

Queremos um novo rumo para Tomar. Este é um caminho que queremos fazer com Todos.


Saudações Social Democratas
António Lourenço dos Santos