terça-feira, 13 de março de 2018

Inconvenientes de não fazer ronha


estar na ronha• [Informal]  Não fazer nada.
• [Informal]  Fingir que se está a trabalhar ou a fazer algo.
• [Informal]  Fingir algo para conseguir o que se quer.
fazer ronha• [Informal]  O mesmo que estar na ronha.


"ronha", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/ronha [consultado em 12-03-2018].

Crónica de uma segunda-feira

Após mais um domingo tranquilo, com caminhada no calçadão da beira-mar, a 50 metros daqui, e a tradicional água de coco debaixo dos cajueiros, à beira da Praia do Meireles, tencionava escrever, como usualmente, sobre política local. Desta vez falando dos fracos resultados eleitorais dos socialistas tomarenses, que ganharam mas não logram convencer.
Em 2013 venceram inesperadamente o PSD, por 281 votos. Em 2017, após um mandato com alguns sobressaltos, aumentaram essa diferença para apenas 1.155 votos. O que representa um acréscimo de 874 votos. Se tivermos em conta que entretanto celebraram um acordo com os moribundos IpT, que em 2013 averbaram 3.094 votos, forçoso é concluir que o resultado final poderá ser tudo menos brilhante.

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De resto, se o PS nabantino conseguiu arrecadar mais 2.493 votos entre 2013 e 2017, melhor fez o PSD que, sem qualquer acordo com os desaparecidos IpT, registou mais 1.619 sufrágios durante o mesmo período.
Tudo isto numa altura em que há cada vez mais sinais de que os socialistas tomarenses, salvo uma ou outra excepção, se estão a transformar no partido das obras ornamentais. Aquelas que, uma vez concluídas, não se sabe para que servem afinal, em termos práticos. Por enquanto, o melhor exemplo existente é o do propalado Museu poli-nucleado da Levada. Na ideia inicial, era para haver um museu da fundição, um museu da electricidade e um museu da moagem. Gastaram-se seis milhões de euros e afinal, quanto a museus nada. Nem as instalações estão dotadas dos requisitos técnicos mínimos para tal efeito, nem a autarquia dispõe de recursos humanos ou materiais para manter tal sorvedouro de dinheiros públicos. De maneira que vão fazendo ronha. Organizam de tempos a tempos umas coisas, como na Casa dos cubos, para fingir que aquilo serve mesmo para algo. Vão mobilando. Fazem de conta. Tentam tapar o sol com uma peneira.
Mas pronto. No caso da Levada a responsabilidade é do PSD, que foi quem mandou fazer as obras. O pior é que a maioria PS já anunciou obras da mesma natureza, cujos objectivos a médio e longo prazo estão por determinar. É o caso da Várzea Grande, das Avenidas dos Combatentes, Nun'Álvares e Torres Pinheiro, bem como da Praceta Raul Lopes.

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Aquele templário está ali mesmo a propósito, uma vez que foi a central eléctrica do Mendes Godinho que forneceu energia eléctrica às betoneiras que o Gualdim Pais usou para edificar o castelo. Há cada uma!

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Nestes três casos, uma vez concluídas as obras, tudo ficará praticamente como dantes. O Lampedusa foi certeiro: "É preciso ir mudando qualquer coisinha, para que tudo possa continuar na mesma." Na Várzea Grande, decerto mais bonita, continuará a faltar um parque de estacionamento subterrâneo. Sobretudo depois de suprimirem o estacionamento de superfície. No cruzamento das antes mencionadas avenidas continuará a faltar a indispensável rotunda da ARAL. No caso da praceta, continuará a faltar um plano de trânsito à altura e adequada manutenção.
Em todos estes casos, de evidente faz que faz mas não faz, a Exma. Câmara está a arranjar lenha para se queimar. Está a aumentar despesas sem que se veja onde vai conseguir depois receitas para as suportar. É bem conhecido o adágio "Demasiado imposto mata o imposto", e em Tomar as coisas já estão como sabemos. Designadamente no que toca à factura/recibo da água.
Estava nisto quando li a crónica do embate Paços de Ferreira - F.C Porto, que os tripeiros perderam, averbando assim a sua primeira derrota ao fim de 35 jogos na Liga. E foi um tomarense que os derrotou, ao que parece com um recurso muito tomarense -a ronha. De forma que paira uma dúvida no meu tosco espírito: Será a ronha a melhor táctica para esta terra e para este país? Ou é só na política e agora no futebol?

segunda-feira, 12 de março de 2018

Parabéns Ganda João!!!

Usualmente, Tomar a dianteira 3 não se mete nas questões de desporto, sobretudo de futebol, um mundo excessivamente complexo em todos os sentidos. Desta vez porém, a ocasião é demasiado excitante para a deixar passar sem um comentário. Corrosivo, como convém.
Comandado pelo nosso conterrâneo João Henriques, (neto do Bernardino da taberna, ali na esquina da Rua de S. Sebastião, frente ao turismo municipal, onde agora está um prédio moderno de habitação e serviços), o Paços de Ferreira  infligiu ao Porto a primeira derrota no campeonato. Excelente portanto para  o seu treinador, filho do amigo João Bernardino.

Foto Fábio Poço/Global imagens

O pior é que aquilo parece que nem foi um jogo de futebol. Fala-se de anti-jogo deliberado e o próprio técnico vencedor admitiu, refere o Expresso curto, que houve apenas 40 minutos de jogo útil nos 90 regulamentares. É obra! Na mesma onda, o treinador do Porto, acrescenta a mesma fonte, naturalmente agastado com o desaire, declarou que se estivesse a ver o jogo em casa, pedia o reembolso à Sport Tv.
Para os tomarenses, esta vitória de João Henriques, apesar do anti-jogo, é um sinal de esperança, por assim dizer uma luz ao fundo do túnel. Ficou demonstrado, com um exemplo prático, que a usual postura tomarense, não faz nem deixa fazer, não concorre nem deixa concorrer, não joga nem deixa jogar, não coisa nem sai de cima, afinal também tem as suas vantagens, desde que se saiba usar de forma adequada. O F.C. do Porto que o diga!

Parabéns Ganda João!!!

Mazelas tomarenses

Chove na Igreja de S. João Baptista e na Biblioteca municipal

Quer mesmo ler o que segue? Então faça favor de se concentrar. É um bocado emaranhado...
Já está concentrado. Vamos a isto.
Abre-se como naquelas séries americanas. Com os prévios. Lembra-se da obras clandestinas em S. Gregório, feitas pela Paróquia? Do catavento manuelino em ferro forjado que nunca mais voltou a ser visto? Das obras de fachada em S. João Baptista, também custeadas pela Paróquia? Das obras nos Pegões, com fundos europeus e da Câmara de Tomar? Das obras no telhado e nas paredes exteriores de Santa Maria dos Olivais, pagas pela Paróquia?
Conhece a situação muito difícil da informação local, forçada a praticar a autocensura, porque tem ordenados para pagar ao fim do mês, e se for vítima de represálias não dura muito? Está ao corrente da criticável gestão da DGPC - Direcção-geral do património cultural, que devia tomar conta  de todo o património do Estado, mas se interessa sobretudo por aqueles monumentos que facultam uma confortável receita, proveniente das entradas pagas?
Tudo devidamente assimilado? Passemos então à actual situação tomarense, bastante desconfortável para todos os envolvidos. Uns porque desesperam por uma solução, outros porque bem queriam manifestar a sua indignação, mas não podem; outros ainda porque se vêem abusivamente metidos em problemas para os quais não contribuíram.


                                Fotos Ana Felício

Tomar a dianteira 3 sabe que chove bastante na sacristia de S. João Baptista, (ver fotos) situação que incomoda o clero local, os fiéis da Comissão fabriqueira e o responsável de um órgão de informação local mais chegado à Igreja. Segundo a versão desta tendência, havia fundos europeus disponíveis para reparar o telhado em questão, mas só a Câmara se podia candidatar, o que não fez em tempo oportuno. Uma atitude interpretada como uma afronta à igreja local.
Sendo insuspeito quanto ao seu posicionamento em relação à senhora presidente da Câmara, Tomar a dianteira 3 pode afirmar neste caso que, a ser verdade o relatado, a eleita do PS agiu em conformidade com os melhores interesses dos tomarenses todos, pelo que não houve qualquer intenção de afrontar a Igreja. Com efeito:
A - A igreja de S. João Baptista, monumento nacional desde 1910, pertence ao Estado, cabendo portanto à DGPC assegurar a sua manutenção e restauro.
B - Sendo essa a situação legal, não se percebe o que levou o clero local a mandar fazer e custear anteriormente obras na fachada e só na fachada. É dos livros que a casa se deve começar sempre pelos alicerces, mas uma vez concluída a prioridade é cuidar do telhado. O que de resto foi feito e bem feito pela Paróquia em Santa Maria dos Olivais, que também é monumento nacional e pertence ao Estado, estando portanto a sua manutenção e restauro a cargo da DGPC.
C - Por conseguinte, a Paróquia evidenciou dois pesos e duas medidas na obras que assumiu. Em S. João Baptista apenas mandou rebocar e pintar  a fachada, negligenciando o telhado. Em Santa Maria dos Olivais, pelo contrário, mandou recuperar as paredes exteriores e reparar o telhado.
D - Lógico seria portanto que agora a Paróquia mandasse limpar e reparar o telhado de S. João Baptista, para restabelecer a equidade em relação a Santa Maria dos Olivais.
E - Dirão os defensores da igreja local que tudo o que antecede será verdade, mas que, mesmo assim, a Câmara apresentou uma candidatura para recuperação de alguns arcos dos Pegões Altos, que também são monumento nacional e pertencem ao Estado, sendo até parte integrante do Convento de Cristo, Património da Humanidade, que rendeu à DGPC em 2017 um pouco mais de 1,5 milhões de euros.
F - A argumentação avançada em D é pertinente, omitindo porém o ponto essencial: Tomar a dianteira 3 sabe que a Câmara de Tomar só decidiu apresentar uma candidatura a fundos europeus, visando recuperar alguns arcos dos Pegões Altos, tarefa que em princípio lhe não competia nem compete, uma vez obtido o acordo da DGPC e munida de pareceres técnicos, asseverando que era urgente aquela obra, pois havia elevado risco de derrocada naquele ponto, o que não é de todo o caso na Igreja de S. João Baptista,  por enquanto.

Foto Tomar na rede

G - Sendo as coisas o que são, não se compreenderia de todo que a autarquia tomarense apresentasse uma candidatura a verbas europeias para a limpeza e reparação do telhado de S. João Baptista, que é do Estado, quando nem sequer o fez, tanto quanto se sabe, para  a cobertura da biblioteca Cartaxo da Fonseca, onde também chove  (ver foto), e que pertence à própria Câmara. 
Entretanto, elementos obtidos por Tomar a dianteira 3 permitem avançar que, caso viesse a ser recolocado o desaparecido catavento manuelino de S. Gregório, e reconhecido que aquele templo pertence de facto ao Estado, retirando a placa abusiva e inestética que lá está, as relações entre a igreja nabantina e alguns departamentos do governo de Lisboa eram bem capaz de melhorar. Permitindo nomeadamente a reparação logo que possível do telhado da sacristia de S. João Baptista, templo onde foi baptizado o autor destas linhas.
Embora um velho provérbio garanta que "Deus escreve direito por linhas tortas", está por demonstrar que algum director de jornal de província consiga fazer outro tanto. Mas às vezes tudo é possível.

domingo, 11 de março de 2018

Isto só pode acabar mal

Os mais novos não se dão conta, por falta de referencial, porém, a triste verdade é que a situação política em Tomar se assemelha cada vez mais à de antes do 25 de Abril, com uma ou outra diferença importante, é verdade.  Nessa época, a urbe nabantina era um conhecido centro militar. Uma cidade de guarnição, com regimento de infantaria, quartel general, hospital militar e imponente messe de oficiais. Mas o regime era ditatorial, de partido único e com a PIDE, a polícia política que não era para brincadeiras.
Nesse contexto sombrio, muitos exilaram-se, sobretudo para fugir à guerra colonial, havendo também resistência interior, protagonizada principoalmente pelo PCP. Em Tomar eram pouco mais de uma dúzia os oposicionistas assumidos. Alguns, os mais jovens de então, ainda aí estão, mas calam-se os seus nomes. Eles que se manifestem, se assim o entenderem.
Apodados de comunistas, do contra ou do reviralho, nunca as suas reivindicações foram tidas em conta, porque implicavam a mudança de regime. Apontados a dedo, praticamente ninguém queria ser visto com eles na rua ou no café, simplesmente porque não eram "da situação". Entenda-se apoiantes do governo e da União Nacional, o partido único de Salazar ou, mais tarde, da Acção Nacional Popular - ANP, o partido único de Marcelo Caetano, cujo primeiro congresso teve lugar em Tomar. Nesta terra pouco acontece simplesmente por acaso...

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Toda esta introdução passadista para tentar mostrar um inquietante paralelismo político. Marginalizados e forçados ao silêncio, os oposicionistas do século passado nunca foram atendidos nas seus apelos em prol da abertura do regime, porque quem governava sempre preferiu transformar a oposição numa seita de criminosos e traidores, que agiam contra o governo, contra os costumes e contra a pátria. E a maior parte da população também ia nessa conversa. Quem tem cu tem medo e todos temos cu. Por isso era corrente ouvir dizer a frase terrível "a minha política é o trabalho". O que significava "governem como quiserem, façam o que acharem melhor, que eu nisso não me meto".
Meio século depois, muita coisa mudou e ainda bem. Mas persistem alguns traços de então e ainda mal. É indesmentível que a classe política local, sobretudo a instalada no poder autárquico, convive mal com a crítica. De tal forma que, em vez de suputar se os opositores que ousam publicar têm ou não razão, se não será melhor ter em conta aquilo que dizem e as soluções que avançam, de parar para pensar, os senhores autarcas maioritários preferem usar a mesma táctica de Salazar e Caetano. Tentam desacreditar quem não está de acordo com a actual situação, alcunhando os críticos mais ácidos -que são Tomar a dianteira, Sérgio Martins, Tomar na rede de quando em vez, e Américo Costa- de pessimistas, derrotistas, gente que só sabe criticar, mas que nunca fez nada por Tomar. Uns malvados, em suma. Uma argumentação tão quadrada que nem sequer tem em conta uma evidência: numa ditadura ou em democracia, criticar já é fazer algo importante em prol da sociedade. E não venham com esse outro postulado tacanho da crítica construtiva. Tudo não passa de uma questão de perspectiva.
Sabe-se como tudo acabou da outra vez. Cansados da guerra, os militares revoltaram-se e mudaram de regime, apesar de o país e Tomar estarem em franco progresso económico. Pelo contrário, em 2018, Tomar está em crise profunda. Porém agora não necessitamos dos militares com as suas armas para mudar, pois felizmente vivemos em democracia. Bastará portanto que os cidadãos saibam concluir quem tem razão afinal? Os que apesar de pouco capazes pretendem continuar no poder? Ou os críticos, que apenas querem melhorar as coisas para Tomar e para os tomarenses?
Com o actual ódio contra a liberdade crítica, semeado em Tomar pelos instalados,  que é inaceitável e muito corrosivo numa democracia adulta, caso entretanto não tenham coragem para mudar a espingarda de ombro, isto só pode acabar mal. Para todos.


ADENDA

Além do acima exposto há uma outra questão fundamental que será bom ter em conta. Os críticos não se candidataram, não apresentaram programas, nem foram eleitos. Não são pagos pelos contribuintes, nem prometeram mundos e fundos para alcançarem as cadeiras do poder. Portanto, os eleitos é que devem ser confrontados com as promessas que fizeram, que contrastam e muito com os tristes resultados práticos. Nada de realidade às avessas. É sabido que os arguidos, e até os condenados, criticam sempre os magistrados instrutores dos processos, ou os que os julgaram. Sócrates é um excelente exemplo.

sábado, 10 de março de 2018

Os turistas italianos multados em Tomar não se calaram

Quem leu a informação local recorda-se decerto daquela bronca dos turistas italianos multados em Tomar, quando pararam o carro em plena via para descarregar a bagagem, por não haver local dedicado a esse fim em frente ao hotel. Segundo o complemento de informação, colhido na altura por Tomar a dianteira, esse local de estacionamento dedicado não existe porque foi requerido em tempo oportuno, mas a Câmara indeferiu o pedido, com o fundamento de que já existe um lugar reservado para esse efeito frente aos CTT. Tomar a dianteira acaba de ter acesso ao comentário dos turistas multados, entretanto publicado no TripAdviser, um site de reservas online de hotéis e de viagens, com mais de cem milhões de utilizadores. Eis a tradução do comentário do Sr. Vincenso:

"Na última semana de Fevereiro de 2018, eu e a minha mulher visitámos Portugal pela primeira  vez. Um país maravilhoso pela cultura, pela história e pelo clima. Visitámos Lisboa e parte da região centro. Estivemos em Tomar, cidadezinha belíssima e cheia de história (Sede da Ordem dos Templários, mais tarde Ordem de Cristo), que nos fascinou muitíssimo. Ficámos hospedados no Hotel Cavaleiros Cristo, carinhoso, acolhedor, económico e tranquilo. O seu proprietário mostrou-se cortês, gentil, sempre disponível e muito generoso. Podemos dizer que foi o melhor sítio em que estivemos em Portugal, com uma única excepção: Um polícia que mais pareceu um sherife à antiga, resolveu multar-nos, porque estávamos parados na via para descarregar as bagagens, dado não haver local próprio para esse efeito frente ao hotel. Uma pessoa absolutamente incapaz para a missão que desempenha, e cuja miopia o impede de ver os reflexos da sua atitude intransigente na economia turística do seu país.
Perante a sua insistência, lá acabámos por pagar de má vontade os 60 euros da multa, por uma paragem de cinco minutos em plena calçada.
Na manhã seguinte tivemos a grata surpresa de recuperar os 60 euros da multa, entregues pela direcção do hotel, que assim se mostrou generosa, inteligente e capaz de ver mais longe. Agradecemos a gentileza, prometemos que vamos manter o contacto e que voltaremos como hóspedes."

Perante isto, Tomar a dianteira não resiste a perguntar: Afinal quem é que vai fazendo alguma coisa pelo turismo em Tomar? A Câmara que indefere requerimentos, usando uma fundamentação nada consensual? A PSP, que se mostra intransigente perante turistas que naturalmente não conhecem as leis locais? Ou a direcção de um hotel que resolve devolver a soma da uma multa do próprio bolso?

Qual a audiência de Tomar a dianteira 3?

Numa altura em que praticamente só o autor deste blogue assume de forma permanente o seu dever de cidadania e exerce publicamente, de cara descoberta, o seu direito à critica e à indignação, alguns visados, à falta de melhor argumento, alegam que Tomar a dianteira 3 tem pouca audiência. Estão certos. Aquando das eleições autárquicas, de acordo com as estatísticas da Google, a média diária de visualização de páginas ultrapassava as 500. Ontem, sexta-feira 09/03/2017, apenas se registaram 217 visualizações. O rebanho tomarense do Senhor está em paz consigo próprio, evitando frequentar leituras que lhe lembrem desgraças e/ou provoquem tentações. É melhor assim.
A redução da audiência de Tomar a dianteira 3 não causa qualquer transtorno ao seu administrador, porquanto se trata principalmente de manter a cabeça ocupada, para não perder o hábito nem a capacidade, e de escrever para memória futura. Caso o objectivo fosse uma grande audiência, bastaria ir para o Facebook, o que nunca vai acontecer. Nunca se devem misturar, mesmo durante a lavagem, toalhas com panos de cozinha.
Desde o início desta versão 3, em 2015, segundo a Google, o quadro estatístico é este:

Portugal      147.704 visualizações
USA              45.987
Brasil              9.972
Rússia             4.996
Inglaterra        1.350
Suiça               1.128
Noruega             890
Alemanha          759
Espanha             702
França                689

Ou seja, além das 147.704 visualizações no país em menos de três anos, houve 66.475 fora de Portugal. Por conseguinte, 45% do leitorado de Tomar a dianteira 3 reside no estrangeiro. É uma pena os dados normalmente fornecidos pela Google não permitirem saber quantas visualizações foram efectuadas no concelho de Tomar. Para confirmar ou não a teoria segundo a qual a comida aqui servida é geralmente demasiado forte para muitos estômagos locais.
O administrador do blogue pede muita desculpa, por não saber fazer outra comida. Entre o manto diáfano da fantasia e a nudez crua da verdade, escolhe sempre esta, com todos os inconvenientes daí resultantes. É a vida.
Saúde e alegria para todos!

O drama tomarense

A presente conjuntura tomarense não é muito diferente da de outras cidades do interior do país, a braços com problemas semelhantes. O nosso drama reside no facto de, ao contrário dessas outras terras, cujos autarcas buscam afanosamente ultrapassar os constrangimentos que encontraram ao tomar posse, a actual maioria autárquica nabantina insistir em fingir que faz, em vez de simplesmente fazer. Ou admitir que não sabe e pedir ajuda.
A senhora presidente Anabela Freitas é simpática, trabalhadora, corajosa, pecuniariamente honesta, tem presença, tem discurso e tem alguma experiência. Tudo factores favoráveis em termos de imagem. Infelizmente tem também, como qualquer outra pessoa, as suas limitações, os seus inconvenientes. Não sabe ouvir, não sabe pedir ajuda, não aceita críticas. Mantém as suas opções, mesmo quando manifestamente erradas, contra ventos e marés. Numa palavra: pesporrência.
Qualquer curioso, com bagagem e algum vagar, não terá grande dificuldade em elencar os principais problemas tomarenses:

1 - Aproveitamento das ruínas do Convento de Santa Iria e do ex-Colégio feminino
2 - Utilização plena e adequada do Museu polinucleado da Levada, o seu nome de origem
3 - Reabilitação e reutilização dos Pegões
4 - Instalação do Museu do brinquedo
5 - Alargamento da Estrada do Convento
6 - Resolução do problema da falta de estacionamento junto ao Convento de Cristo
7 - Parque subterrâneo na Várzea Grande
8 - Rotunda no Cruzamento junto à ARAL
9 - Concessão da Estalagem de Santa Iria
10 - Falta de postos de trabalho
11 - Falta de investimento
12 - Sangria demográfica
13 - Excesso de funcionários nalgumas áreas da autarquia e falta de trabalhadores noutras
14 - Prazos de pagamento demasiado longos (mais de um ano)
15 - Estacionamento na zona urbana para ligeiros e autocarros de turismo
16 - Tarifário dos SMAS
17 - Acampamento cigano do Flecheiro
18 - Gestão turística do Convento de Cristo
19 - Informação municipal
20 - Promoção da cidade e do concelho
21 - Modernização da rede de saneamento em parte do Núcleo histórico
22 - Ligação rápida e não poluente Cidade-Castelo-Cidade
23 - Sinalização rodoviária e pedonal
24 - Instalações sanitárias
25 - Falta de um plano abrangente e consequente

Perante tudo isto, e o mais que fica para outra ocasião, que tem para apresentar a senhora presidente? Em geral, apenas discurso e obras de fachada, para enfeitar, para alindar. Nada que melhore de forma substancial a vida de centenas de cidadãos.

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Estado actual do Pego de Santa Iria, o local onde, de acordo com a tradição, a padroeira de Tomar foi morta e atirada ao Nabão. Como habitualmente, a Câmara mandou fazer obras de fachada, mas quanto ao resto...

A Várzea grande é um caso paradigmático. A construção ali de um parque de estacionamento subterrâneo, como já existe em muitas cidades do país e por essa Europa fora, melhoraria muito a vida diária de centenas de cidadãos. A senhora presidente alegou que o dinheiro disponível se calhar não ia ser suficiente e recorreu a uma habilidade usual. (Atente-se no rigor da expressão "se calhar...") Avançou então com uma pretensa alternativa em estudo, coisa para 400 ou 500 lugares. Onde? Quando? Em que condições? Mistério.
Outro tanto sucede com o investimento. Fala de empresários estrangeiros, de investidores nacionais, mas entretanto nada, só conversa. Como no caso da poluição do Nabão. As análises revelaram 12 possíveis focos de poluição, segundo declarações da própria senhora presidente, mas os tomarenses que pagam os seus impostos, e por isso têm direito à informação, continuam a aguardar pelos nomes dos bois e respectivos currais.
Já no caso do novo local para a Feira de Santa Iria, apenas se sabe que há 3 alternativas. Quais? É segredo. Para a actual maioria, ao que parece (e em política o que parece é) os cidadãos só são adultos em três ocasiões: quando liquidam impostos; quando pagam a água dos SMAS, e quando votam. E mesmo assim, neste último caso, a julgar pelos resultados desde o 25 de Abril, os brasileiros costumam dizer "não sei não!" Mas aí a culpa não é só dos eleitos. É sobretudo dos eleitores.
Trata-se, segundo tudo indica, de uma política que procura dissimular, manipular, enganar, encher o olho e ficar no ouvido, raramente de resolver problemas. Uma política que não pode ir longe porque, como disse Lincoln, "é possível enganar alguns durante um certo tempo; mas é impossível enganar a todos durante muito tempo."
E estão previstas autárquicas para 2021. Com a candidatura eventual de António Paiva, que obteve 15.163 votos e 5 eleitos em 2001. O ano passado, o PS (mais os restos dos IpT) conseguiu apenas 7.972 votos, apesar de ter obtido 4 eleitos. Em 2013 tinha registado 5.479 votos. Mas entretanto os eleitores inscritos baixaram de 39.841 em 2001 para 34.518 em 2017. Cinco mil e tal foram às minhocas para outros lados...
E depois os culpados são "aqueles que só sabem dizer mal". "Pessimistas que nunca fizeram nada por Tomar".
Não há pior cego do que aquele que não quer ver.