Causou grande celeuma a recente decisão da presidente Anabela Freitas que, sem consulta prévia ao seu parceiro de coligação, resolveu alterar as normas de escolha do Provedor do munícipe. Só o texto de Tomar a dianteira 3 sobre o assunto já ultrapassou a 850 visualizações. Agora imagine-se o que irá pelo facebook e assim.
Convenhamos que o caso não é para menos, de tão mal gizado que foi, numa altura que não podia ser pior. Estamos a três semanas da próxima consulta eleitoral. Tanto assim que o vereador da CDU, de longe o mais experiente membro do executivo em termos políticos, resumiu numa palavra bem escolhida toda a situação. Declarou-se perplexo.
Tudo só para garantir a nomeação, sem problemas de maior, de Pedro Marques como provedor do munícipe? Conquanto também tenha embarcado nessa de que o primeiro provedor seria o líder dos IPT, pensando melhor resolvi mudar a espingarda de ombro. Parece-me que o objectivo é outro e que Pedro Marques poderá ser, isso sim, o próximo chefe de gabinete, caso o PS vença em Tomar.
No meu tosco entendimento, o que se procurou acautelar com as alterações aprovadas, foi apenas a hipótese de uma eventual futura oposição coligada vir a impor um provedor do munícipe claramente adversário da maioria relativa. Assim uma espécie de empecilho-mor. Qual o interesse? Evitar autênticas batalhas campais quando o futuro chefe de gabinete se transformar em presidente-sombra, com a ida de Anabela Freitas para a Assembleia da República, a sua velada ambição, ficando ao mesmo tempo a governar o concelho por intermédio do chefe de gabinete, mesmo eventualmente contra a vontade de Hugo Cristóvão, o obrigatório sucessor.
Análise demasiado rebuscada? Poderei concordar, se fizerem o favor de arranjar outra explicação plausível para tão estranho comportamento de Anabela Freitas, numa altura tão pouco favorável para as suas aspirações. Conforme referiu um homólogo de Pedro Marques, dificilmente algum profissional do direito virá a aceitar aturar os munícipes várias vezes por mês, por apenas 400 euros. Logo, não será esse o futuro papel do líder IpT, o que justifica a prudência da candidata socialista. Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Como dizem usualmente os gauleses, depois da hora já não é a hora. Tarde piaste, diz-se por cá. E Anabela Freitas sabe-o muito bem. Tal como está longe de ignorar que candeia que vai à frente, alumia duas vezes.







