sexta-feira, 21 de julho de 2017

Excelente ideia



Li algures, (mas quando tentei voltar a ler já não encontrei, razão porque me abstenho de mencionar a fonte), que o vereador João Tenreiro, do PSD, disse na recente reunião do executivo que alguns eventos realizados recentemente e outros já previstos, deviam integrar um Plano Municipal de Turismo. Excelente ideia. Que só peca por tardia e irrealizável no estado actual das coisas. Tardia posto que, se fora no início do presente mandato, quem sabe se o PS não teria agido de modo diferente? Assim, a menos de três meses úteis do final do mandato...
Irrealizável no estado actual das coisas, simplesmente porque tal plano nunca existiu nem existe. Duvido até que alguém por estas bandas saiba exactamente do que se trata realmente. Têm uma vaga ideia. Pertencem à numerosa classe daqueles que sabem falar das coisas, mas não as sabem fazer.
Razões mais que suficientes para que a candidatura PSD, da qual Tenreiro também faz parte, aproveite o ensejo para elaborar ou mandar elaborar o dito plano municipal de turismo, integrando-o depois no programa eleitoral, que os tomarenses continuam a aguardar com a pachorra possível.
Alegará talvez o conterrâneo Tenreiro, ou alguém por ele, que o PS também não tem o tal plano nem o ansiado programa. É verdade, mas não é justificação capaz. Não é porque o meu vizinho também vê mal que eu evito de comprar óculos e/ou lentes de contacto.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Na desportiva

Há para mim, nesta altura de férias anuais para tantos outros, duas actividades desportivas que acompanho com interesse. A Volta à França em bicicleta e a Maratona tomarense das autárquicas. Claro que não vou alongar-me sobre o tour gaulês, nesta altura a atravessar os Alpes, a parte mais acidentada da prova, pois todos podem seguir a competição alternadamente na RTP 1 e RTP 3. Não me perguntem porquê, pois também não entendo tal alternância.
Ao contrário da prova ciclista além Pirinéus, a maratona tomarense das autárquicas continua a passo de caracol alentejano. Ontem por exemplo, no noticiário local, os três factos novos eram, por esta ordem, o reaparecimento da candidatura PSD, o ordenado dos autarcas e a rotura de uma canalização, quando tentavam colocar um daqueles painéis publicitários king size, como manda a tradição.
À cautela, pois procuro sempre evitar ser enxovalhado na medida do possível, sobre o primeiro assunto limito-me a recomendar a leitura atenta dos comentários a esta mensagem. Considero ser do "melhor" que já se produziu nessa área por estas bandas. Outro tanto recomendo àcerca do vencimento da autarca Anabela Freitas. Convém, também aí, ler e meditar os respectivos comentários
Resta a antes referida rotura, prontamente reparada pelos SMAS, apesar de ao que consta lutarem com falta de pessoal. O que é bem possível, no que concerne aos lugares em que é mesmo preciso trabalhar.
Esta última ocorrência conta-se em poucas linhas. Ao abrirem um buraco para instalar os postes de um gigantesco painel eleitoral, na rotunda frente ao quartel do 15, furaram inadvertidamente uma conduta de água. Digo inadvertidamente, pois estou seguro que antes havia sido fornecido àqueles trabalhadores o indispensável mapa urbano de implantações subterrâneas. Mais a mais tratando-se de propaganda da actual presidente. Deviam saber portanto que passava ali uma canalização, mas se calhar ninguém lhes disse a que horas. Donde o pequeno incidente.
Atento, um dos cães de fila ao serviço da candidatura Anabela Freitas, avançou logo: Agora só falta... Leia o resto nos comentários aqui, que no meu entender vale bem a pena. Sobretudo aquela transição imediata para a candidatura adversária.
Conclusão minha: É cada vez mais agradável e intelectualmente estimulante viver em Tomar, aí procurando exercer os seus direitos de cidadania. Desde que, ao regressar a casa, se tenha sempre a cautela de lavar o calçado, por causa do cheiro. 
Por enquanto, a candidatura de Anabela Freitas vai de vento em popa, sobretudo devido a não haver adversários à altura, no que concerne a actividades de pré-campanha. Na recente apresentação da respectiva Comissão de honra, que integra 87 personalidades, umas mais conhecidas que outras, constatou-se isso mesmo. Entre os 87, há gente do BE, do PCP, do PS, do PSD, do CDS e até do PNR.  É um bom sinal para a candidata. Tal como começam a abandonar o navio quando pressentem o naufrágio próximo, os ratos também são sempre os primeiros a embarcar, quando lhes cheira a viagem rumo a bom porto, com o porão a abarrotar de comida... Oxalá não estejam enganados.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O rei vai nu

A história é conhecida. Bem conhecida até. Mas só por quem lê e percebe mesmo aquilo que lê. Uma minoria. 
Alfaiates habilidosos e gananciosos, tendo percebido a vaidade e a credulidade do seu rei, resolveram ganhar um pequena fortuna, usando apenas conversa da treta em vez de tecidos e habilidade no respectivo corte. Conseguiram assim convencer o rei, antes de determinado desfile, que o seu traje era o último grito da moda, tanto em figurino como em qualidade dos tecidos e do corte.
Contente, o soberano lá foi, todo orgulhoso, até que já a meio do percurso, uma criança daquelas ainda não contaminadas pelo imperativo da conveniência, lançou o alerta: -O rei vai nu! E foi o choque. A multidão só então se deu conta, uma vez quebrados os óculos da subserviência, graças ao grito desinibido da criança, que era mesmo o caso. O rei estava nu. E logo ali apareceram lenços, mantas e outro vestuário despido à pressa, para tentar ultrapassar o problema, vestindo o rei.
Anteontem, o presidente da Câmara de Alijó, ante um incêndio pavoroso e logo a poucos meses das autárquicas, fez como a criança desinibida da história anterior. Lançou o alerta: -"Tem de vir alguém que saiba apagar incêndios." Sintetizou assim, muito provavelmente sem disso se dar conta, o triste estado das coisas neste país, com um clima tão agradável e uma população tão boa e acolhedora. Somos os reis do improviso. Não há planos para nada. Nem quem esteja habituado a elaborar programas de actuação. Quem saiba, em suma.  Com os resultados que todos conhecemos, nomeadamente na área dos incêndios, mas não só. E depois a culpa é sempre do contexto, do material e dos outros.


Ia a escrever que, aqui pelas bandas nabantinas, também havia de vir alguém que saiba fazer planos, escrever programas, estruturar campanhas eleitorais e governar bem uma autarquia. Mas depois, pensando melhor, dei-me conta que tal seria considerado como uma crítica injusta, feita por quem os candidatos consideram inimigo, uma vez que nunca aprenderam a viver numa democracia plural, forçosamente com informação livre. Coisa que os políticos que temos detestam. Se calhar - lá está!- por falta de adequados planos de aprendizagem e devido aos exemplos lá de casa.
Se bem me recordo, há quem acuse alguns docentes de não saberem ensinar, mas nunca ouvi ninguém reconhecer que também há muitos alunos que não sabem aprender. Nem querem saber. Seguem o exemplo lá de casa.
Chegamos assim a outra história, desta feita uma antiga lengalenga, todavia tão actual: 
Diálogo ocorrido durante a fase de selecção de uma empregada doméstica (quando ainda havia tal categoria laboral).
-Sabes fazer chá como deve ser? 
-Sei sim senhor. 
-Então como é que se faz?
-Pega-se nos grãos pretos, põe-se a moer, mete-se o pó no saco, enfia-se na cafeteira, acrescenta-se água, vai ao lume...
-Mas isso é café de saco!
-Pois é sim senhor.
-Mas tu disseste que sabes fazer chá a preceito.
-E sei.
-Então como é que fazes? Explica lá!
-Pega-se nos grãos pretos, põe-se a moer, mete-se o pó no saco... 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Para comparação

Antes desta civilização da imagem em que agora vivemos, era uso dizer-se que mais valia uma boa fotografia que mil palavras. Nessa linha, aqui vão algumas fotos para descansar a vista... e comparar.

Mont Saint Michel - França

 Salzburgo - Áustria

Kremlin - Moscovo - Rússia

 Muralhas de Carcassonne - França

Alhambra - Granada - Espanha

Pirâmides de Guizé - Egipto

Um moai - Ilha da Páscoa

 Pequim - China

Rio de Janeiro - Brasil 

Chambord - França


Castelo e Convento de Cristo - Tomar - Portugal

Há um equívoco

Abordam-me, pessoalmente ou via mail, para dizerem que Tomar a dianteira 3 não escreveu sobre isto ou não informou sobre aquilo, ou opinou assado e não devia. Agradeço a atenção, uma vez que são leitores bem intencionados, mas devo dizer que, no meu entender, há um equívoco.
Nunca fui, não sou, nem tenciono vir a ser jornalista, com todo o respeito que me merecem esses profissionais. Tão pouco alguma vez disse ou escrevi que este blogue foi ou é de informação. Sempre tenho procurado esclarecer que é um blogue de opinião, que por arrasto acaba por noticiar alguns assuntos. Por outras palavras, trata-se de um blogue de comentários, no qual as novidades ou notícias são simples decorrências das opiniões e temas versados, exclusivamente escolhidos pelo administrador. Carecem portanto de qualquer justificação pertinente as observações dos leitores quando referem que não abordei os assuntos X ou Y. Nunca foi, nem é esse o objectivo de Tomar a dianteira 3. É provável que tais queixas/observações resultem de alguma carência informativa a nível local e/ou regional.
Se assim é, convirá queixar-se nos locais adequados e às pessoas convenientes. Apesar de ser um concelho pequeno, com a população a encolher, Tomar conta com 4 órgãos informativos diários (Rádio Cidade de Tomar, Rádio Hertz, Tomar TV e Tomar na rede), 3 órgãos de informação semanais (Cidade de Tomar, Templário e O Mirante) e um quinzenário (Despertar do Zêzere). Conheço cidades maiores que não têm tal oferta informativa. Oito órgãos informativos, para pouco mais de 40 mil habitantes, é obra. Dá uma média de um órgão informativo para cada 5 mil habitantes. Por conseguinte, salvo melhor opinião, se mesmo assim há gente a queixar-se de falta de informação adequada e atempada, o problema não será da quantidade, mas da qualidade. E da assiduidade dos leitores reclamantes.
Se for mesmo esse o caso, então convém evitar equívocos e adoptar um comportamento coerente. Eu, por exemplo, se tenho problemas com o fisco, dirijo-me às Finanças, agora Autoridade tributária e aduaneira. Da mesma forma, os que se julgam sistematicamente mal informados devem reclamar junto dos órgãos informativos acima indicados e depois agir em consequência. Deixar de ler, de ouvir ou de comprar, consoante os casos, quando entendam que a situação não melhorou.
O que é igualmente válido em relação a Tomar a dianteira 3, mas fora da área informativa. Ninguém é obrigado a ler, ou forçado a concordar. Se o estilo, as opiniões ou os temas não agradam, pois passem muito bem, com votos de boa saúde e a felicidade possível. 
Tomar a dianteira 3 continuará a ser o que sempre tem sido em Tomar -a opinião publicada, com assinatura por baixo. Incómodo portanto. Procurando  seguir aquele princípio ensinado em todas as boas escolas de jornalismo: Os meios de saber, o hábito de pensar e a coragem para o dizer. Convenha ou não.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

ILUMINAÇÃO DO CASTELO E DO CONVENTO

Uma vergonha para todos nós


Escrevi anteriormente aqui e aqui sobre a iluminação do Castelo e do Convento. Juntei até imagens assaz explícitas, julgava eu. Tudo em vão, segundo aquilo que vou sabendo em retorno. Os poucos que emitiram opinião acham que está muito bem assim. Uma lástima. Se não erro, a actual rede de iluminação já é a quarta ou a quinta versão. Centenas de milhares de euros gastos e o problema continua por resolver. Se as anteriores iluminações não prestavam, a actual também não vale grande coisa.
Conquanto muitos, por ignorância, possam pensar que está o melhor possível, na verdade não está. Nem coisa parecida. Passo a tentar explicar porquê. Quando qualquer entidade decide mandar iluminar um monumento ou uma paisagem, fá-lo para valorizar. De noite, na penumbra, um monumento, um trecho urbano ou uma paisagem ganham enorme destaque, livres do enquadramento diurno, que contribui para distrair a atenção de quem olha e procura ver.
Desgraçadamente, em Tomar não é isso que acontece, apesar dos montantes consideráveis gastos com iluminação. Tanto para as respectivas instalações como em termos de consumo. Ficando-me pelo Castelo-Convento, apesar de já ir na quarta ou quinta versão, apenas se conseguiu apoucar em vez de engrandecer, ridicularizar em vez de exaltar. Ora faça o favor de ver, com olhos de ver, os dois pares de imagens seguintes. Cada uma foi captada no mesmo local, uma vez de dia, outra de noite: (Clique sobre a foto para ampliar)





É isto que estamos oferecendo aos visitantes, em termos de panoramas. No primeiro par, um magnífico monumento, que é o 2º mais vasto de Portugal, mas de longe o 1º em riqueza arquitectónica, transformado durante a noite, por obra e graça de uma iluminação mal enjorcada e sem manutenção adequada, numa espécie de conjunto de galinheiros no meio do mato.
No segundo caso, o mesmo riquísssimo monumento aparece durante a noite como um simples conjunto de muralhas sem mais nada, nem sequer Torre de menagem, tipo cenário cinematográfico pobre.
É isto que a DGPC, a autarquia e todos nós tomarenses, queremos que os cada vez mais numerosos visitantes possam apreciar? Não seria melhor projectar finalmente com cuidado, e só depois instalar uma iluminação digna desse nome, garantindo a indispensável manutenção?
Tal como está, na minha opinião de simples ignorante em termos de luminotecnia, valia mais manter tudo apagado. Sempre se poupava no consumo de energia e se evitava mais este enxovalho. Já basta a falta de casas de banho e de estacionamento. Ou os turistas perdidos dentro do Convento. Uma vergonha para todos nós.  Os que sabemos o que isso é, já se vê.

Nota de rodapé

Peço desculpa pela evidente má qualidade técnica da 4ª imagem. Dada a distância, foi necessário usar tele-objectiva e a muito fraca luminosidade nocturna não permitiu que o focagem automática funcionasse a contento. Faltou-me um bom tripé, para compensar uma abertura f  4 àquela distância.

domingo, 16 de julho de 2017

Uma herança pesadíssima

A actual maioria PS na autarquia tomarense tem os seus defeitos. Estou à vontade para o dizer, uma vez que nunca calei as minhas críticas, que sempre procurei fundamentar. Uma delas tem sido para zurzir no hábito de atribuir as dificuldades todas à herança recebida, prática que me parece descabida e mesmo contraproducente, sobretudo agora no último ano de mandato.
Dito isto, Anabela Freitas, Hugo Cristóvão, Hugo Costa e respectivos apoiantes têm razão num ponto. A herança recebida das anteriores câmaras PSD não foi só pesada ou muito pesada. Foi mesmo pesadíssima. Designadamente na área financeira, onde chegaram até a ter algumas dificuldades para assegurar o pagamento aos funcionários.
A maior chaga nessa área era o encargo resultante do conflito com a ParqT, que implicou numa dívida total de mais de sete milhões de euros, com juros leoninos de 9%. Solucionado este monumental desastre municipal, após morosa e delicada negociação com a banca, o município vai continuar a pagar durante os próximos vinte anos, agora porém com taxa de juro inferior a 2%. São aspectos que convém realçar, sobretudo em véspera de eleições.
Dizem os gauleses que por vezes o acaso é muito oportuno. É o que acaba de acontecer. Quando lia o EXPRESSO em suporte papel, o que faço regularmente quando estou em Tomar, deparei-me com este anúncio de meia página:

Expresso, 15/07/2017, 1º caderno, página 26

É do domínio público que o parque tomarense atingiu o custo total obsceno de sete milhões e duzentos mil euros. Tudo na sequência de manigâncias que ainda ninguém conseguiu apurar integralmente. Eu próprio já solicitei várias vezes a consulta do processo, ao abrigo do direito à informação. Tenho sido informado que o processo se encontra em segredo de justiça, mas que logo que deixe de estar me será comunicado e facultada a consulta:



Continuo portanto a aguardar, agora surpreendido com esta discrepância enorme: Um parque de estacionamento de dimensão comparável ao de Tomar, com estação de serviço, situado na baixa coimbrã, a dois passos de tudo, à venda por apenas 390 mil euros, obriga a perguntar, mesmo sem esperança alguma de um dia vir a obter respostas: Quem se abotoou com os milhões do parque tomarense? O Tribunal administrativo de Lisboa conseguiu chegar a alguma conclusão? Se afirmativo, qual?