quinta-feira, 15 de junho de 2017

Só 75 votantes?! Bem bom!!!

Terminou a sondagem de Tomar a dianteira 3. Houve 75 votos. Muito poucos, pensarão alguns. Bem bom, digo eu. Numa terra como Tomar, cujos habitantes, na sua grande maioria, fogem da política a sete pés, conseguir 75 votantes é uma proeza digna de registo. Sobretudo numa sondagem deste tipo, "a brincar", sendo evidente que apenas se pretendem obter resultados indicativos como curiosidade e nunca com a ilusão de que representem qualquer coisa em relação às opiniões do eleitorado concelhio. São apenas um espelho do leitorado deste blogue.
Nesses limites, verificou-se haver um sólida maioria a favor de uma candidatura com projecto, registando-se só 6 votos a favor da hipótese oposta.
Na questão sempre controversa de optar entre candidatura independente e candidatura partidária, a votação foi praticamente idêntica, o que demonstra não haver qualquer preferência maioritária.
Uma última nota para os dirigentes políticos locais. Só 75 votantes num universo de 400 leitores diários, não afecta minimamente Tomar a dianteira 3. Pode porém indicar que a abstenção nas próximas autárquicas pode vir a revelar-se uma catástrofe. Basta pensar no sucedido em França, no domingo passado.


Concluída e comentada uma sondagem, abre-se outra. Desta vez sobre o polémico mural "Velhos do Restelo". Qual é a sua opinião? Ignorar? Envernizar? Apagar? Substituir? Vá já ao ângulo superior direito desta página e vote.
Obrigado pela sua paciência e colaboração.

Uma história com turistas

Várias vezes tentei nestas colunas alertar os tomarenses e a autarquia para duas questões básicas na área do turismo. A necessidade de corrigir com urgência os vários dislates existentes em matéria de sinalética urbana, e a conveniência de sinalizar adequadamente todas as vias. Nessa minha campanha pró-sinalização, (que não teve êxito, como habitualmente),  confesso ter omitido involuntariamente uma vertente -a cabal identificação bem visível de todas as artérias, sobretudo as da cidade antiga.
Agi assim provavelmente porque me convenci, sem disso me dar conta, que ninguém se perde no núcleo histórico, devido à sua reduzida dimensão e à sua planta ortogonal. Só hoje me dei conta que estava enganado. Acabei por me esquecer dos turistas nesse detalhe.
Os tomarenses que olharem com um pouco mais de atenção para as ruas do centro histórico, vão verificar que umas só têm placa identificadora de um lado, outras em ambos os lados, mas não nos cruzamentos, outras enfim nem uma coisa nem outra. Para os residentes, tal estado de coisas só pode incomodar em termos de evidente desmazelo ou deixa andar. Nunca em termos práticos. Incomoda porém muitos turistas pedestres, e de que maneira.



Ontem, vinha eu da Avenida Cândido Madureira, vulgo Rua da Graça, para a Rua Infantaria 15, vulgo Rua Direita, quando ouvi um turista do meu grupo etário dizendo para os seus três companheiros, enquanto apontava para a placa respectiva: -"Calle património".
Referia-se à placa em mármore  que indica ser o antigo hospital "Património da Misericórdia de Tomar", identificando-a como topónimo: Rua Património. Compreende-se a confusão do visitante. Naquela esquina bastante movimentada não existe qualquer indicação do nome da rua.
Agora imagine-se que os ditos visitantes avançam até à Avenida Nuno Álvares, ou mesmo até próximo de Santa Maria dos Olivais, por exemplo. Aí, (como só não acontece a quem nunca viaja em turismo), perdem a noção do espaço urbano que de todo lhes é estranho e perguntam-lhe a si, que vai a passar por mero acaso, onde fica a Rua Património, para se orientarem de novo.
Já viu o 31 que era?
Tudo porque a autarquia, (cujos eleitos, salvo uma ou outra excepção, carecem de mundivivência), não tem a noção das reais necessidades dos novos modelos de vida, com centenas de milhares de pessoas a passarem anualmente apenas algumas horas em Tomar.
Para quando placas com os nomes das ruas em cada esquina? Fica muito mais barato que os espectáculos de som e luz, é muito mais útil, também pode ser financiado por Bruxelas,  e dura, e dura, e dura...

Adenda

A foto inicial foi substituída pelas duas actuais, às 08H57 de 15/06/2017.
Cerca de meia hora antes, fui surpreendido por uma situação insólita, quando descia a Corredoura. Próximo do café Paraíso, estava caído por terra um homem com uma bicicleta e  uma mochila. Como falava em francês para uma senhora que subia a rua de bicicleta, também com uma mochila às costas, deduzi que era a sua companheira de viagem e resolvi intervir, perguntando o que acontecera.
-Aconteceu o que não devia, respondeu ele em francês. Bati no poste e caí. -Está magoado? Precisa de ajuda? -Estou bem. Tive sorte. Bati só com o ombro. Mas estas coisas pintadas de branco deviam estar sinalizadas. Assim não se vêem. (Comme ça on ne les voit pas.)
Referia-se aos mastros brancos e bandeirinhas ridículas, com que pretendem ornamentar as ruas. Realmente aquilo devia ter umas faixas, em fita vermelha ou amarelo vivo, para evitar acidentes. Mas como estamos em Tomar...deixa andar! 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

JORNALISMO DE TOPO EM 8 QUADROS

Mesmo os faróis do jornalismo mundial têm os seus critérios editoriais, que nem sempre estão isentos de críticas, longe disso. Em França, o Le Monde, que continua sendo  o farol de toda a esquerda, apesar dos esforços do Libération, publicou uma edição especial sobre a primeira volta das legislativas. Tomar a dianteira 3 seleccionou 8 quadros dessa edição, para com eles tentar demonstrar que por vezes até os grandes jornalistas acabam publicando uma coisa mas dizendo outra bem diferente, devido ao alinhamento editorial. Ora faça o favor de ler:

 Na primeira página, a toda a largura, Macron sem oposição. Um record de abstenções.

Na página 6, igualmente a toda a largura, As ilusões perdida do partido Os Republicanos. François Baroin sonhava impôr a coabitação a Emmmanuel Macron. Uma esperança que levou uma banhada.

Na página sete, a elevada taxa de abstenção merece apenas duas colunas em cinco: Uma abstenção record fragiliza a legitimidade do escrutínio. Menos de um francês em cada dois foi votar.

 A extrema-direita de Le Pen tem direito a título a toda a largura da página 8: FN sofre um segundo fracasso. O partido de Marine Le Pen não tem condições para vir a formar um grupo parlamentar.


Mélenchon confirma a liderança à esquerda, é o título a toda a largura da página dez, com esta chamada: Apesar do reduzido número de vitórias potenciais, a França insubmissa ultrapassa de novo o Partido Socialista.


Ocupando toda a largura da página seguinte, este título demolidor: Ecologistas atirados de novo para a idade da pedra. Após um quinquenato que devia ser o da maturidade política, EELV - Europa Ecologia os Verdes paga as suas divisões e é varrido.


O enterro e a encomendação do PS estão a toda a largura da página 12: Solferino, ano zero [Solferino é o nome da Rua onde fica a sede do Partido Socialista Francês]. Após cinco anos de exercício do poder, o Partido Socialista corre o risco de desaparecer do mapa.

Contrastando com todas as outras notícias sobre as formações políticas, tanto a vencedora como as derrotadas, na parte de baixo da página 10, a mesma que fala de Mélenchon, aparece esta notícia praticamente necrológia a duas colunas, entalada entre anúncios legais obrigatórios e a conclusão da peça sobre a França Insubmissa:


O Partido comunista afunda-se
Era grande a decepção entre os comunistas, no passado domingo, após a primeira volta das eleições legislativas. "A divisão das forças de esquerda tem um custo muito elevado", opinou o secretário nacional do PCF, Pierre Laurent. "As forças que apoiaram Jean Luc Mélenchon [nas presidenciais] estavam agora em concorrência, devido às decisões tomadas pela França Insubmissa, o que é deplorável." Acrescentou que o resultado nacional do seu partido (2,7%) é muito baixo.
Em 2012, a Frente de Esquerda apenas conseguiu salvar dez deputados, tendo sido forçada a aliar-se com eleitos ultramarinos para conseguir formar um grupo parlamentar na Assembleia Nacional. No passado domingo, só oito candidatos comunistas ou apoiados pelo partido conseguiram passar à segunda volta, entre os quais três que já eram deputados: André Chassaigne, Marie-George Buffet e Nicolas Sansu.

Reza o adagiário popular que "quando vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho."



Muitos candidatos, pouca ou nenhuma clareza

A três meses e meio da próxima consulta eleitoral, em Tomar domina o nevoeiro cerrado, apesar do brilhante céu azul. Enquanto eleitores informados, que sabemos afinal nesta altura? Pouco, demasiado pouco para incitar ao voto. E há quatro anos a abstenção bruta (abstenção, mais votos brancos, mais votos nulos) já chegou aos 55%. Um dado que convém ter presente, sobretudo agora que, de acordo com os especialistas, em França, Macron venceu as presidenciais e conseguiu uma maioria esmagadora nas legislativas, graças à elevada taxa de abstenção, que atingiu os 51%  nestas últimas, com uma média de 14 candidatos para cada lugar em disputa. Situação praticamente oposta à de Tomar, em que apesar dos tais 55%  o PS apenas logrou uma maioria relativa em 2013.
Sistemas eleitorais diferentes. Uninominal a duas voltas além-Pirinéus, proporcional neste recanto à beira mar. Mas a mesma falta de clareza em ambos os casos. Ao que tudo parece indicar, um produto da convicção segundo a qual a ambiguidade e o mutismo possível granjeiam muitos sufrágios. Se assim é, em Tomar os candidatos já conhecidos são uns verdadeiros artistas captadores de votos.
Até agora apresentaram-se seis corredores, tendo cada um deles dito só o estritamente indispensável. Assim ao estilo quem pouco sabe, depressa o canta. Nenhum deles parece ter o hábito da escrita, comungando todos no uso de chavões, evidências e frases feitas, na oralidade. Uns mais do que outros, é claro. Vejamos mais em detalhe, por ordem do respectivo anúncio de candidatura.
Anabela Freitas apresentou até agora, mais de forma implícita que explícita, o resultado da sua acção no actual mandato. Com todo o ar de pensar que isso bastará para nova vitória, mesmo tangencial como em 2013. Logo veremos. Mas, à excepção de Bruno Graça, se nenhum outro candidato pode valer-se daquilo que já fez, Anabela Freitas e a CDU tão pouco podem contar com o benefício da dúvida.
No caso da candidata socialista, o nevoeiro adensou-se ainda mais com a recente apresentação do acordo PS/IpT, que não sendo uma coligação, ninguém consegue por enquanto vislumbrar o que possa vir a ser. Prova disso é que nem sequer foi ainda dito se Pedro Marques vai ou não na lista socialista, ou que poiso lhe está destinado. O seu lema parece ser votem Anabela Freitas, votem PS, o importante é a obra feita. o resto logo se vê. O programa e a lista podem vir a ser apresentados no próximo dia 23.
O candidato laranja, Luís Boavida, granjeou inicialmente algum apoio, mesmo fora do partido, ao vencer António Lourenço dos Santos, que antes apresentara, em vários actos pré-eleitorais bastante concorridos, as grandes linhas do seu programa. Após essa vitória interna, tem de reconhecer-se que as coisas não têm corrido de feição ao candidato social-democrata. Paira sobre ele um silêncio de chumbo e aquela infelicidade da sopa de corno. Nesta altura da disputa, não se conhece nada do seu eventual programa, nem se sabe quem virão a ser os seus parceiros, quanto mais agora porquê. Resta-nos o seu lema de campanha: "O importante são as pessoas".
Parece-me pouco, pois para os restantes concorrentes o importante também não são os animais. A não ser talvez para Américo Costa, mas já lá iremos.
O terceiro candidato foi o tomarense Luís Santos, pelo BE, que naturalmente sabe que vai apenas para animar a compita. Teve o mérito de elencar uma série de acções prioritárias caso seja eleito, coisa que nenhum outro fez ainda. O seu lema é claro, uma vez que representa a esquerda festiva: O importante é a festa. A dos Tabuleiros, no seu caso.
Concorro para ganhar é o lema de Nuno Ribeiro, pelo CDS, que está a lograr evidenciar uma insuspeitada implantação da direita civilizada no concelho. Infelizmente, quanto a programa eleitoral, tirando a cultura e a arqueologia, não se sabe por enquanto ao que vai.
Bruno Graça é o candidato veterano. Vai apresentar obra, nos pelouros que lhe foram confiados e marcou o próximo dia 24 para anunciar o seu programa. O seu lema é o da CDU, pela qual concorre como independente: Trabalho, honestidade, competência. O pior é o resto.
O mais recente candidato é o independente Américo Costa, pelo Partido Trabalhista. Único candidato que não é funcionário e conhecido militante ecologista, conquanto ainda não tenha apresentado qualquer programa, já se sabe qual será o seu lema: O importante é o Nabão sem pouluição.
Assim estamos, neste agora canicular mês de Junho. Depois queixem-se que os eleitores preferiram ir passear em vez de ir às urnas.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O método Macron e o resto

Mostra a estatística do Google que a crónica sobre a esmagadora vitória de Macron nas legislativas francesas foi a menos lida de ontem. Compreende-se. A extraordinária enxurrada de deputados macronistas caiu mal em todas as outras formações políticas, excepto no aliado MODEM, porque sofreram derrotas vergonhosas. Mais do que isso, já perceberam que os mais de 50% de abstencionistas são seus eleitores habituais, desta vez desiludidos ante tanta falta de clareza. Com efeito, em França não é habitual fazer campanha em festas. nem durante comezainas febras/feijoada/frango assado. Tão pouco se organizam caravanas automóveis. Lá para aquelas bandas, pratica-se política pura e dura, com comícios em que participam milhares de eleitores.
Forçados portanto a explicar ao que vão, só os candidatos LREM, a nóvel formação de Macron, escolhidos mediante anúncios e prévia análise curricular, bem como os do MODEM, souberam explicar ao eleitorado o seu programa, que é o mesmo do presidente da República: Reforçar a União europeia, liberalizar o mercado de trabalho, desparazitar o aparelho de Estado, reduzira função pública, acabar com a corrupção, unir os franceses rumo a um futuro melhor para todos. Tão simples quanto isto, que no entanto convenceu os eleitores. A tal ponto que até os ministros-candidatos aceitaram praticamente sem discussão a decisão de Macron: Ou vencem ou deixam de ser ministros.


A paisagem francesa que não agrada mesmo nada às luminárias políticas nabantinas. De cima para baixo, a assembleia nacional  em 2007, em 2012 e a previsão para 2017, tendo em conta o resultado da primeira volta.

Para que não restem dúvidas, sobretudo no espírito de alguns esquerdalhos e esquerdistas de serviço, uma análise fina do escrutínio de domingo passado  mostra-nos milhares de cadáveres de candidatos vencidos. De políticos que nem sequer conseguiram qualificar-se para a segunda volta. Pois bem, dos mais de 6 mil candidatos iniciais, 522 são do partido de Macron. E desses, apenas 19 não conseguiram ser eleitos ou passar à segunda volta. Imagine-se a amplitude do desastre para todos os outros partidos.
Revelando que não entendeu de todo a mensagem dos franceses, o tenor Mélenchon apressou-se a afiançar que a abstenção superior a 50% mostra que não existe em França uma maioria para alterar as leis laborais. Apesar de os macronistas virem a dispor, segundo tudo indica, de uma maioria de dois terços na Assembleia nacional. Não há pior cego que aquele que não quer ver.
A juntar a essa enorme desilusão que, por razões semelhantes, mais tarde ou mais cedo chegará a este país à beira-mar plantado, numa pequena cidade do interior centro, um analista amador, detestado por grande parte dos seus leitores, teve o desplante de prever o resultado das legislativas gaulesas com um mês de antecedência. E de acertar! Por puro acaso, garantirão as habituais sumidades locais, especialistas em ideias gerais. Que estarão mais uma vez enganados, pois o mesmo analista amador também previu, algumas semanas antes e contra a corrente dominante, a vitória folgada de Macron.
Temos assim, uma vez mais, a clássica obstinação tomarense. A realidade incomoda, logo não pode ser a realidade. Por isso estamos tão bem, ao cabo de mais de quatro décadas de democracia. Com luminárias assim, não é de admirar.

ADENDA

Henrique Monteiro, Macron, afinal há mais Mundo, Expresso online, 13/06/2017

Parece-me uma excelente iniciativa

HUMOR CORROSIVO

(Copiado de tomarnarede.blogspot.pt Aqui)

Parece-me uma excelente iniciativa. Sobretudo em ano eleitoral. Porque à raiva clubista se vêm juntar, de forma agudizada, a raiva ideológica, a raiva política e a raiva partidária, bem conhecidas como partidarite. Há também a raiva invejosa, particularmente florescente nas margens nabantinas. Quando alguém tem a infelicidade de se destacar pela positiva, seja em que actividade for, aparece logo uma chusma de incapazes a tentar deitar abaixo, em vez de ajudar a erguer, não vá dar-se o caso de lhes vir a roubar os lugarzitos, conseguidos como se sabe. É a chamada sina tomarense, que tão bons resultados tem dado.
Só não entendo a ilustração com o infeliz cachorro. Que eu saiba, por enquanto os animais de quatro patas ainda não votam no concelho de Tomar. Nem costumam sequer assistir aos jogos do União de Tomar. Estão portanto imunes a todos esse tipos de raiva. Assim sendo, porquê semelhante ilustração? Não seria melhor vacinar antes os animais de duas patas?
Se houver vacinas que cheguem, já se vê.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Vale sempre a pena protestar

Vale sempre a pena protestar. Mesmo quando o protesto caia em saco roto, como acontece quase sempre, fica-se pelo menos com a satisfação de ter cumprido o dever de cidadania. No caso do Caminho de Santiago pela Vala de Fábrica, que aqui foi abordado anteriormente, há novidades. Graças ao amigo jornalista António Freitas, que meteu botas ao terreno, sabe-se agora que já foram colocados avisos aos peregrinos. Por enquanto ainda apenas em papel, que vai desaparecer rapidamente, vítima das intempéries, ou de actos de vandalismo, mas algo é algo:

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Também no caso do protesto contra uma esplanada abusadora na Praça da República, cumpre registar que, após intimação camarária, acabou o dito abuso. Ainda bem.