sábado, 20 de maio de 2017

Agora com a malta nova...

Aconteceu ontem, em ocasional e curta conversa com um dos profissionais da informação local. Por acaso um dos melhores. Ou dos menos maus, depende dos pontos de vista. Trocadas duas frases sobre o estado a que isto já chegou, avancei a minha opinião. Moderadamente negativa, por já saber que não convém chocar a usual auto-condescendência tomarense. Resultou. Houve apenas discordância sorridente. O interlocutor foi pronto da resposta: -Isto agora com a malta nova...
Fiquei logo com mais alguma esperança no curto futuro que ainda me cabe. O pior é que, chegado a casa, comecei a lei a informação disponível, topando logo com dois fragmentos, que passo a citar:
"Do Minho ao Algarve -ou a Timor, que as orgias patrióticas favorecem a reabilitação do Império- não há sentença tão repetida quanto a velha "A mim ninguém me engana". E o engraçado é que também não é preciso. Os portugueses enganam-se sozinhos."

Alberto Gonçalves, Portugal: 12 pontos, Observador online, 20/05/2017

"Na última meia dúzia de anos, os portugueses passaram por dois regimes noticiosos. Entre 2011 e 2015, não podia haver boas notícias. Desde 2015, não pode haver más notícias... ... ...
... De boa notícia em boa notícia, arriscamo-nos a chegar a uma má notícia final."

Rui Ramos, O país onde todas as notícias são boas, Observador online, 19/05/2017

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Bem sei que se trata em ambos os casos de comentadores que não são do PCP, do BE, nem do PS. Perigosos direitistas, portanto. Mas em França aquilo não está também a ir para direita a toda a velocidade, após quatro anos de governo socialista? E não de lá que nos chegam as novidades, pelo menos desde o tempo do Eça?
Nesse tempo vinham pelo Sud-Expresso. Agora há mais de uma dezena de voos diários.

Um dó de alma

Tal como o algodão do célebre anúncio, as imagens não mentem, desde que não sejam deliberadamente modificadas, de forma a enganarem mesmo. Não é o caso. Por conseguinte elas aqui vão:



Indo o turismo em Portugal de vento em popa, governo e autarcas não se cansam de dizer ou de dar a entender que graças a eles... quando afinal na prática nada têm a ver com tal sucesso. A presente conjuntura internacional, sobretudo a ameaça terrorista nos países tradicionalmente grandes receptores de turistas, bem como nos países muçulmanos, estão a ajudar-nos poderosamente. Mas esse maná não vai durar sempre, sobretudo caso se insista em práticas que já demonstram a sua inoperância e são um verdadeiro dó de alma aqui em Tomar.
Atente-se nos três casos acima documentados. Na Nazaré, a autarquia tem sabido aproveitar as ondas fora do comum do canhão homónimo, que facultaram um recorde mundial a MacNamara. Em Alcobaça, colocaram antes do topónimo o logotipo de Património Mundial da UNESCO, uma vez que o respectivo mosteiro está classificado como Património da Humanidade.
Ao invés, em Tomar ficam-se por um envergonhado e pouco legível "Cidade Templária", com um estranho ícone muito semelhante a uma bolota, que afinal reproduz um quarto da cruz templária com um acento circunflexo inclinado, no ângulo superior direito. Não só tal iconografia é infeliz e nada apelativa, como está mal colocada (devia estar ao alto, antes do topónimo) e nem sequer corresponde à realidade factual. 
Tomar nunca foi cidade templária, porque quando foi elevada à categoria de cidade, em 1844, já as ordens religiosas militares -entre as quais a de Cristo, sucessora em Portugal dos Templários- tinham sido extintas dez anos antes. Por conseguinte, para respeitar a verdade histórica, convirá usar o dístico "Tomar - Capital Templária". Exactamente aquilo que ela foi durante sete séculos. E nada obsta, antes tudo aconselha, que se use igualmente o logotipo do Património Mundial da UNESCO, seguindo o exemplo de Alcobaça, uma vez que o Convento de Cristo, tal como o mosteiro alcobacense,  integra a lista do Património da Humanidade desde os anos 80 do século passado, não constando que fique fora de Tomar.
Ia a acrescentar que, igualmente em Alcobaça, os autarcas de serviço arranjaram maneira de os turistas chegarem ao mosteiro após terem atravessado parte da cidade a pé, como convém aos comerciantes, pois assim...  Para quê afinal? Em Tomar, para os senhores dos Paços do Concelho, importante, mesmo importante é transformar a Várzea grande numa praça, para fruição dos habitantes que ela não tem. Os turistas e os comerciantes que se desenrasquem. 
Como sempre tem acontecido, quando sapateiros se metem a tentar tocar rabecão, só muito raramente sai música aceitável. A maior parte da vezes é um verdadeiro dó de alma. Como neste caso.
Depois queixem-se que a população concelhia continua a escapulir-se, em busca de melhores ares.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Está mesmo tudo a mudar

Já Camões constatou que "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/ todo o mundo é feito de mudança, tomando sempre novas qualidades". Pois é, ou melhor, pois era! Porque a mudança tem continuado sempre, porém nestes últimos tempos cá com uma velocidade que até nos deixa tontos.
Houve tempo em que, apesar da constante mudança, era costume dizer-se, parafraseando determinado autor castelhano, "eu não acredito em bruxas, mas lá que as há, há!" Onde isso já vai. Agora, segundo relata O Mirante, não só há mesmo bruxas, como até já existem bruxas falsas. Pelo menos uma delas acaba de ser condenada pelo competente tribunal de Santarém, a uma pena pesada, por ter extorquido 30 mil euros a uma cliente que almejava o regresso do marido.
Há aqui duas questões. Por um lado, seria muito apreciado que alguém esclarecesse, eventualmente os meritíssimos juizes, como pode um honrado cidadão distinguir uma bruxa verdadeira de uma bruxa falsa, uma vez que não consta haver uma carteira profissional de bruxa. Por outro lado, se tendo extorquido 30 mil euros, a dita falsa bruxa vai ter de cumprir 5 anos e oito meses de prisão, aquele outro que é acusado de ter provocado a morte de uma  cliente no Brasil, para se apropriar de 4 milhões de euros, caso venha a ser finalmente julgado e considerado culpado, vai ter de cumprir quantos anos?
Realmente isto está mesmo tudo a mudar.

Afinal, na política tomarense, o que parece não é

Os leitores estarão recordados que a agora tão falada aproximação dos IpT (ou de parte deles) ao PS, foi noticiada nestas colunas há já algum tempo. Há precisamente dois meses, com a mesma foto que agora publica O Templário Houve então muito boa gente que não acreditou, porque tal não lhe convinha. Agora que já é do domínio público, parece que também não convém a posição aqui defendida antes sobre as cinco vinganças.
A bem dizer, sendo consensual o conhecido axioma de Salazar, segundo o qual na política o que parece é, em Tomar passa-se praticamente o contrário. O Templário titula na sua edição de hoje que Pedro Marques "apoia Anabela e faz as pazes com o PS", quando afinal, tendo em conta todas as vertentes da situação, é o PS e Anabela que deixam de se opor a Pedro Marques, sem que este tenha feito qualquer acto de contrição. Aceitam a sua colaboração, apenas porque tal convém circunstancialmente a ambas as partes. A Pedro Marques como forma de resolver o evidente impasse dos IpT e alcançar um fonte de rendimento.A vida custa a todos. A Anabela e ao PS para melhorar as hipóteses de vencer as eleições. A Pedro e Anabela para assim retaliarem contra Luís Ferreira, que foi sempre o intransponível obstáculo socialista no caminho de Pedro Marques.


Mera questão de detalhe, pensarão alguns. Que não, que não. Uma vez que Pedro Marques nunca manifestou qualquer arrependimento, nem "pediu batatinhas" ao PS, nunca se rendeu, é Anabela Freitas e com ela o PS que ficam na mó de baixo. Pedro Marques venceu e poderá proclamar onde convier que sempre teve razão e que aquilo que parecia, afinal não era assim.
Caso o PS ganhe, o que nas actuais circunstâncias é o mais provável, um mandato de quatro anos é muito longo. Quem já foi presidente durante dois mandatos, muito dificilmente se deixará liderar por outrem, sem criar graves problemas. Exactamente como nos casamentos, é após a lua de mel que começam as atribulações. Logo se verá...
Se o PS se está a meter num saco de complicações sem disso se dar conta, no PSD as coisas também não vão na boa direcção, segundo fontes credíveis. Reina a confusão, a desunião, o desânimo, a descrença e sobretudo a evidente incapacidade para controlar as tropas, o que se compreende. No laranjal tomarense há sempre muito mais candidatos que lugares disponíveis. De resto, Luís Boavida confirma, de modo sibilino, assim a modos que à contre-coeur, a complicada situação social-democrata, numa opinião publicada esta semana nos dois semanários locais:


Realmente, nada mais adequado no meio das desavenças do que enaltecer o papel da família e da sua indispensável união. Sobretudo quando se pensa que Boavida ainda não perdeu. Já não lidera folgadamente no seio da opinião pública, é verdade. Mas continua a contar com o apoio das colectividades concelhias e dos católicos da vigararia, o que não é pouca coisa.
Nesta altura, mesmo com a manobra PS/Pedro Marques, os socialistas ainda estão longe de garantir a vitória, tendo em conta nomeadamente as críticas justificadas mas muito penalizadoras da CDU.
Afinal, na política tomarense o que parece não é.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Bizarro

Ao chegar de novo à minha terra, tive duas surpresas na área da acção municipal. A primeira bem agradável. Na rua onde moro, ao fim de tantos anos, lá deixou de haver estacionamento. Desapareceram os carros-ventosas, que tanto contribuiram para danificar portas e paredes devido à projecção da chuva e quase sempre dificultavam o trânsito de viaturas de socorro. Trata-se portanto de uma medida camarária que só pecou por tardia e que aqui se aplaude, embora se saiba que não agrada a todos. Na vida é sempre assim. Nunca se consegue agradar em simultâneo a gregos  e a troianos. Por isso se diz que a política é a arte do possível.
A outra surpresa é bem desagradável. O grafito no muro da antiga Horta Torres Pinheiro parece-me ainda pior -e bem pior- do que aquilo que eu já imaginava. O tema é descosido e absconço, a execução está longe de uma maravilha e o sítio escolhido totalmente despropositado. Abrindo pelo tema, trata-se no meu entender de uma completa bizarria. Da direita para a esquerda, um cisne branco perdido, caravelas no rio Nabão e três rostos de um filme de terror, todos com ar anglo-saxónico. Em fundo, letras garrafais mostram "Velhos do Restelo". Porquê velhos do Restelo? Eis o mistério.

Foto Sónia Pais, copiada de Tomar na rede

Na sua obra-prima, Camões dá vida ao Velho do Restelo, cuja voz é introduzida por um marinheiro da armada que se preparava para zarpar, entre as estrofes 94 e 104. Para não massacrar o leitor, passo a reproduzir apenas as duas primeiras:

"Mas um velho d'aspecto venerando
Que ficava nas praias entre as gentes
Postos em nós os olhos meneando
Três vezes a cabeça descontente
A voz pesada um pouco alevantando
Que nós no mar ouvimos claramente
C'um saber só de experiência feito 
Tais palavras tirou do experto peito:

Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a que chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
C'uma aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama
Que mortes que perigos que tormentas
Que crueldades neles experimentas!"

Ou seja, um velho cheio de experiência lamenta aquilo que agora se designa como primeira globalização, e as consequências nefastas que ele antevê, preferindo que se ficasse pelo norte de África: guerras, naufrágios, doenças, genocídios, tráfico negreiro, escravatura, colonização...

No caso do anedótico mural, os pretensos Velhos do Restelo nele retratados, intentam ser uma crítica a quê? A que futuro? Que me conste, todas as gerências camarárias que já tivemos têm mostrado ser surdas, cegas e mudas. Surdas porque nunca ouvem os protestos da população. Cegas porque nunca sabem para onde vão e nos levam. Mudas porque nunca explicam nada. Nestas condições conviria que o autor do grafito, que se tem por afamado, explicasse os fundamentos da sua obra. Na sua óptica, os velhos nabantinos protestam contra quê? Contra a modernidade? Que modernidade? Paredes decoradas com coisas de qualidade duvidosa?
Como se ainda não bastasse o que já basta, alguém resolveu tapar parcialmente a dita obra com um pano branco, naturalmente pela calada da noite. (ver foto) Cheira-me a marosca de encomenda. O dito pano ainda deve ter custado uns cobres e a sua adaptação à função outro tanto. Pelo que, se a ideia era mesmo protestar contra aquilo, algumas latas de tinta branca, cinzenta, preta, ou de qualquer outra cor, teriam sido bem mais eficazes. Assim, a ideia com que fico é que se tratou de dar mais alguma publicidade a algo que pelo contrário me parece ser mais para ignorar e esquecer, uma vez que o executivo que está se acobarda, como habitualmente. Pretendendo agradar a uns e a outros, acaba por desagradar a todos.



quarta-feira, 17 de maio de 2017

A vingança é inaceitável como programa eleitoral

O regresso à muito amada terra mãe provoca-me sempre duas reacções. Por um lado, uma irritante alergia, que felizmente até agora  nunca ultrapassou os espirros e alguma expectoração. Bem gostaria de saber qual a origem de semelhante maleita, mas nada. Decerto partículas em suspensão na atmosfera citadina. Mas quais?
A outra reacção é mais complexa. Uma coisa é discorrer e escrever sobre as gentes de Tomar, confortavelmente instalado num andar alto a 50 metros do mar, mas a sete horas de avião e no outro hemisfério, outra bem diferente é escrever na cidade antiga, à sombra tutelar das muralhas templárias, após conversas esparsas com vários conterrâneos.
Nessas conversas veio forçosamente à baila aquilo a que se costuma chamar a situação política local, que no caso tomarense seria mais adequado referir como conjuntura apolítica local. Adiante. Salvo entre os próprios intervenientes e apaniguados mais chegados, que ainda não tive o prazer de ouvir ou ler, parece-me que o clima é já de descrença profunda. E ainda faltam mais de 4 meses para o acto eleitoral. Faço votos para que as coisas ainda se possam compor até lá.
Além de estarmos a ir contra a corrente, conforme já aqui foi referido anteriormente, disseram-me algumas fontes que é cada vez mais evidente a incapacidade de todas as candidaturas para parirem planos, projectos, ou sequer escritos ou discursos que ultrapassem o nível das generalidades chãs. A esta primeira chaga, vem agora juntar-se o afunilamento. Em vez de surgirem novas propostas, nomeadamente pelo menos uma candidatura de projecto, pois não senhor. O que se prepara é uma ainda há poucos meses inesperada junção de pessoas.
Ao longo de três mandatos, os IpT nunca conseguiram, apesar de alguns esforços nesse sentido, mostrar a diferença. Os eleitores tomarenses nunca se sentiram satisfeitos por terem votado na formação liderada por Pedro Marques. Tal ausência de ideias resultou na constante queda ao nível dos resultados eleitorais.
Sendo a realidade obstinada, Pedro Marques intuiu, apesar da sua evidente sede de protagonismo, que tinha de conseguir um outro cabeça de lista, sob pena de lançar o seu grupo para a irrelevância total. Nesse sentido, asseveram as usuais fontes geralmente bem informadas, obteve a anuência  de Luís Boavida, agradecido por ter sido Pedro Marques a contratá-lo no século passado para funcionário superior da autarquia, mas também e sobretudo porque assim se iria vingar da afronta PS, que o atirou como se sabe para a agora célebre "unidade de queimados".
Apesar de celebrado com espumante numa das instituições de que ambos são dirigentes, esse acordo Pedro Marques - Boavida não vingou. Algum tempo mais tarde, Boavida terá concluído que com o PSD a vitória era mais provável, tendo Pedro Marques ficado de novo sem cabeça de lista. A simples lógica política teria conduzido qualquer outro protagonista a pelo menos tentar convencer António Lourenço dos Santos como alternativa. Mas não. O líder dos IpT optou pela desistência e pela via da vingança fácil. Consta que será o segundo na lista PS, encabeçada novamente por Anabela Freitas.
A ser assim, vão os eleitores tomarenses ter pela primeira vez umas eleições da quíntupla vingança. Pelo PSD, Boavida não tem programa mas espera vingar-se do enxovalho do PS. Pelos socialistas, Anabela Freitas também não tem programa, mas vinga-se do seu ex-chefe de gabinete, que não podia ver Pedro Marques nem pintado. Finalmente o pivot de toda a situação, o actor principal Pedro Marques, vinga-se de Luís Ferreira, que em tempos o impediu de concorrer ao terceiro mandato pelo PS; vinga-se de Luís Boavida, que assim pode muito bem vir a ser derrotado, uma vez que Roma não paga a traidores, e vinga-se do eleitorado que nunca lhe concedeu a almejada vitória, após os seus dois mandatos como presidente, que ele considera terem sido muito bons.
A situação ainda pode evoluir para melhor, pois até às férias grandes ainda não é tarde. Oxalá assim aconteça. Porque caso contrário, cinco vinganças é capaz de ser demasiado para o estômago de muitos eleitores tomarenses, entre os quais me incluo. Como assim?
1 - Boavida procura vingança em relação a Luís Ferreira;
2 - Boavida procura vingança em relação a Anabela Freitas;
3 - Anabela procura vingança em relação a Luís Ferreira;
4 - Pedro Marques procura vingança em relação a Luís Boavida
5 - Pedro Marques procura a vingança final em relação a Luís Ferreira.
Reconheça-se que, em qualquer caso, além de sempre negativa e perniciosa, a vingança é inaceitável como programa eleitoral.

Pelo discurso se vê o decurso

Alguns leitores terão cogitado que as observações sobre a oratória da senhora presidente da câmara, contidas na peça Tais pais tais filhos, configuram questões pessoais. Devo esclarecer que não é de todo  o caso. Mantenho com Anabela Freitas um relacionamento cordato. Conversamos normalmente sempre que necessário, sem qualquer atitude retaliatória ou menos correcta da parte da senhora presidente para comigo. Não existe portanto qualquer quezília entre o cidadão António Rebelo e a senhora presidente Anabela Freitas.
Do que se tratou na citada crónica foi apenas de alertar para a prática de um discurso degradado, muito pernicioso tanto para quem o usa como para a comunidade tomarense. Com efeito, enquanto seres humanos, não temos outra maneira de pensar e de comunicar que não seja através da palavra. Oralmente ou por escrito. Com tudo o que isso implica. Ou seja, quem não tem vocabulário suficiente, revela dificuldade no seu uso, falhas na construção frásica e/ou deficiências na articulação discursiva, também não será capaz de manter um comportamento coerente e impecável ao nível dos raciocínios complexos, estando portanto na prática muito limitado na elaboração de planos correctos e adequados à realidade envolvente. Poderá encomendá-los, é verdade. Mas também aí surgirá o mesmo problema, agora ao nível da interpretação operativa.
É portanto para o autor destas linhas apenas e só questão de chamar a atenção (e não de chamar à atenção, com também por aí se começa a ouvir) para o problema, tendo em vista possibilitar quanto antes as correcções adequadas. Tempo perdido? Muito provavelmente. Contudo, se nada fosse escrito ou dito a tal respeito, então é que de certeza os faltosos iriam continuar nos erros, convencidos de que estão a dizer maravilhas. Assim também vão? Se calhar será infelizmente o caso. Mas os tomarenses , enquanto comunidade multi-secular, merecem melhor, mesmo não sendo também sempre exemplares naquilo que fazem ou dizem. A cada um segundo as suas necessidades. De cada um segundo as suas possibilidades.
Em conclusão, pelo discurso se vê o decurso. Por aquilo que dizemos, seja escrevendo, seja falando, se pode ver não só qual o nosso decurso anterior, o nível aproximado de preparação que concluímos, mas também o decurso dos acontecimentos, despoletados por interpretações menos correctas ou por discursos defeituosos, que originam quase sempre procedimentos menos óbvios.