segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

De mal a pior

O Natal tem também essa vantagem. Levantando-se cedo percorre-se um centro histórico deserto. Sem vivalma. O que permite meditar com mais vagar. Discorrer sobre a desgraça e sobre os desgraçados. Tão desgraçados que nem disso sequer se dão conta.
O que já foi e ao que está reduzida esta minha pobre terra! Foi-se a tropa, que a sustentou durante quase um século, começou a decadência. Falta iniciativa, sobram casas vazias. Falta emprego, sobram parvoices. A principal consiste em dizer, e nisso acreditar, que "a culpa é dos outros". Não se dar conta que é uma frase feita. Que já Sartre escreveu, no século passado, que "o inferno são os outros". Só que ele ponderava o que escrevia. Não se limitava a repetir frases feitas, que não passam de insanidades no actual contexto local.
Atascada em técnicos superiores, cuja prática tem demonstrado que de superior apenas ostentam o título, a autarquia vai sofrendo, encolhendo, mirrando. Aproximando-se cada vez mais do derradeiro suspiro, enquanto poder local vivo e actuante. Gente que andou pelas universidades e de lá saiu com canudo, porém perfeitos analfabetos culturais em muitos casos. E sem as Humanidades não se pode ir longe. Nem pensar para além do horizonte.
Após as múltiplas palermices e velhaquices interesseiras, que daqui conseguiram afastar todos os investidores, tais eram as exigências insensatas, lançaram-se nas parvoices avulsas. Esta das caixas exteriores, por exemplo. Quem raio é que lhes meteu na cachimónia que mandar instalar nas fachadas contadores da água, da luz ou do gás, logo seguidos por caixas de correio, traz alguma vantagem? É mais confortável para quem vem "entregar" ou "fazer a leitura"? Pode ser. Mas os inconvenientes? Quebra da reserva pessoal, perigo de roubo, risco de vandalismo, falta de estética, mau gosto, pensaram nisso? Onde é que foram pescar semelhante coisa? Em que outro centro histórico?
E agora com os contadores "inteligentes", de leitura remota, que já estão a ser instalados pela EDP, e com os mails, servem para quê, essas instalações de fachada? Para emparceirar com diplomas que por vezes também são só de fachada?
Fervem de indignação e de irritação quando aqui se escreve Pobre gente. Pobre terra que tal gente tem.
Não consigo perceber porquê. Não gostam da verdade nua e crua? Não será apenas intolerância mal disfarçada? Falta de capacidade de encaixe?
Tenham vergonha!









domingo, 25 de dezembro de 2016

Não é por aí o melhor caminho

Em Tomar, o candidato do PSD para as próximas autárquicas continua por escolher. Situação delicada, que obriga o actual presidente da concelhia, João Tenreiro, a "mostrar serviço". Por isso, numa recente reunião da autarquia, segundo relata a Rádio Hertz, aquele vereador social democrata criticou asperamente aquilo que apelidou de "imagem de desleixo" na limpeza urbana. Foi uma boa jogada política, nesta época do ano em que o cair da folha torna mais evidente a inoperância do serviço camarário de limpeza.
Sucede que do outro lado da mesa estava o vereador da CDU, actual responsável pelos serviços municipalizados e de limpeza. Que naturalmente não gostou do reparo. E que, amparado na sua experiência política de décadas, respondeu com argumentação ideológica a uma questão concreta.
Avançou Bruno Graça que só agora foi possível modificar a orientação anterior, que apontava para a privatização ou para a concessão dos serviços de limpeza, o que permitiu contratar pessoal, mencionando a recrutamento de 11 trabalhadores. Três anos para conseguir reverter uma simples orientação, é obra! E mostra bem a elasticidade intelectual dos membros do actual executivo.
De acordo com o relato supracitado, Tenreiro derivou para a falta de equipamentos urbanos, em vez de contestar frontalmente a posição do vereador CDU. Fez mal. Porque o melhor caminho para melhorar os serviços urbanos não passa pela contratação de pessoal, mas sim pela concessão a uma empresa privada. Isto porque, como se pode confirmar aqui, na última década as despesas da autarquia com pessoal passaram de 28,9 para 39,9% do orçamento e os ditos serviços não melhoraram. Mas colocou-nos no grupo das câmaras madeirenses e alentejanas:

Correio da Manhã, 21/12/2016

O que terá decerto contribuído para a fuga de Tomar de quase três mil residentes durante essa mesma década. Por conseguinte, não pode ser a ideia de concessão ou privatização dos serviços de higiene e limpeza que está na origem do actual desmazelo, mas exactamente o oposto. É por não ter havido concessão que a autarquia continua com problemas praticamente insolúveis sem concessionar ou privatizar os serviços, como por exemplo os trabalhadores de férias ou com baixa por doença e as máquinas avariadas ou em manutenção.
Compreende-se a posição de Bruno Graça. Trata-se afinal de difundir as normas da CDU e portanto do PCP, cuja direcção sabe muito bem de onde lhe vêm os votos que são cada vez menos. Vêm dos funcionários, no activo ou aposentados, e praticamente só daí. Mas isso não implica que  PS, PSD ou IpT tenham de concordar com tal posição ideológica, que nada sustenta. Bem pelo contrário, muitos anos após a queda do muro de Berlim, continua sem resposta capaz em Portugal esta pergunta singela: Se o "tudo do Estado" era assim tão bom, porque colapsaram afinal todos os regimes comunistas europeus, onde nem sequer havia ou podia haver oposição organizada?
Por conseguinte, não, senhor vereador da CDU. Não é por aí o melhor caminho. Mesmo e sobretudo quando a oposição não vale grande coisa e a situação é quase trágica.

sábado, 24 de dezembro de 2016

A inútil e vergonhosa marca da casa



É o orgulho da Excelentíssima Presidente e dos Excelentíssimos governantes municipais que temos. Uma rampa para os cidadãos que no Brasil são designados por cadeirantes. Por aqui preferimos "com dificuldades de locomoção" ou "em cadeira de rodas". Para simplificar à portuguesa.
A Direcção-Geral do Património reprovou a coisa, mas a Câmara insistiu. Contra os mandões, marchar marchar. Resta agora ver no que isto vai dar. Porque ainda há leis no País, que em princípio são para cumprir. Sobretudo por quem integra o Poder.
De forma que temos agora uma modernaça rampa, com apoio de cor castanha e corrimão em aço inoxidável, a conspurcar uma bela fachada renascença, com cinco séculos. Já havia, é certo, os corrimãos também em aço inoxidável na igreja de Santa Maria dos Olivais. Mas esses foi o senhor padre que mandou instalar, e ao clero tudo se perdoa, porque agem ou dizem agir em nome de Deus. O que mesmo assim não impediu alguns cidadãos corajosos de denunciar a anomalia grosseira.
Agora, quanto a esta nova vergonha local, cabe dizer que não nos deve orgulhar, conquanto transmita aos visitantes uma realidade insofismável. Quem vem de fora, dado que os Paços do concelho não ostentam qualquer identificação, dirá decerto para os seus botões "Ali está um belo edifício quinhentista com a fachada desfigurada por uma horrível rampa de acesso, porque devem lá viver deficientes." Será portanto doravante, enquanto lá se mantiver aquela coisa a sujar a fachada, a nossa marca da casa, aos olhos de quem nos honra com a sua visita. Porque é a pura verdade, com um ligeiro reparo. Os utentes do edifício só lá vivem de dia, como os tomarenses bem sabem.
Toda esta vergonha para quê? Apenas para satisfazer o ego de quem pouco pensa e mesmo assim mal. Na realidade, o novo orgulho dos autarcas nem sequer serve para grande coisa. É praticamente inútil. Não permite o acesso aos pisos superiores. Quem quiser falar com a presidente ou com os vereadores não pode porque tem a escadaria a impedir. Quem pretender assistir ou intervir nas sessões da Assembleia Municipal, ou nas reuniões da Câmara, continua a não poder pela mesma razão. Ou seja: Os cidadãos cadeirantes já podem pedir, requerer, reclamar e sobretudo PAGAR, graças à nova e tosca engenhoca. Para incomodar os autarcas ou participar nos principais órgãos municipais, isso é melhor deixar para outra ocasião.
E no entanto é tão simples preservar a fachada e facultar o acesso dos deficientes motores a todo o edifício:

Basta instalar um ascensor exterior, daqueles transparentes, e proceder a uma pequena adaptação no acesso ao piso térreo, uma vez que as portas já lá estão, ao nível do solo e sem qualquer necessidade de rampas exteriores feiosas de fugir. Mas, para quem não está habituado, pensar um bocadinho cansa, não é verdade?
Um bom Natal para todos, apesar de tudo. Que eu não quero mal a ninguém. Apenas não tenho estômago para digerir certas coisas...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O negociador é tudo

Nunca compreendeu o imbróglio ParqT, que estamos todos a pagar? Não compreende como conseguiram os clientes lesados do BES uma solução engenhosa que lhes minimiza as perdas? A resposta está nesta foto:

Copiado do Expresso - Economia, 23/12/2016, página 6

É sempre indispensável arranjar um negociador à altura. Coisa que os tomarenses não lograram aquando do litígio com a ParqT. Mas a outra parte conseguiu. E o processo parece que continua em segredo de justiça. Foi pelo menos a informação camarária que me foi dada, para o meu pedido de consulta, ao abrigo da Lei do direito à informação, formulado há três anos.
Ganda câmara! Ganda país!

IMPROVAVELOGIA

Afinal só há dinheiro sujo

"Depois de ler esta crónica, você é bem capaz de começar a olhar de soslaio para o seu gestor de conta (se ainda não era o caso), para o Multibanco, para o mealheiro, ou mesmo para a sua carteira. Porquê? Porque todos eles são potenciais difusores bacteriológicos perigosos. Por causa do dinheiro que, mesmo se foi ganho honestamente, é sempre dinheiro sujo, biologicamente falando. Que o paranoico, o misófobo ou o nosófobo que há em si, mesmo sem você disso se aperceber sequer, se entretenham a refazer mentalmente o percurso de toda essa massa, que passa de mão pouco limpa para outra mal lavada; de uma carteira colocada no bolso junto ao sovaco, para outra no bolso das calças; da caixa de um protólogo para a de um negociante de tripas, antes de vir parar às suas mãos...
"Vector passivo de contágio", tal é a terminologia oficial para designar objectos cuja superfície pode ser contaminada por patogénicos. E o graveto é um deles. Tanto as notas grandes como as pequenas, de acordo com um estudo franco-saudiano publicado em 2014, na revista Future Microbiology. Os seus autores fazem a síntese de toda a literatura biomédica consagrada à capacidade das espécies (no sentido monetário do termo), para darem boleia aos micróbios. Diga-se a propósito que essa questão não é nova, pois o texto até menciona um estudo de 1924 intitulado "Papel-moeda sujo".
Mergulhemos então na análise do arame e digamos frontalmente que nada é poupado: mesmo se o cobre, muito frequente nas moedas, limita o número de micro-organismos, mesmo se as notas em plástico, já em circulação na Austrália e Nova Zelândia, são mais "higiénicas" que as de papel, a ciência demonstra que o dinheiro acaba sempre por ser contaminado. Sobretudo as notas em papel. Existem diferenças, consoante os países, porém, entre os exemplos citados no referido estudo, nunca se desce abaixo dos 80% de notas sujas, com um extraordinário 100% para as notas ganesas analisadas.


Resultado de imagem para notas banco

O total de 100 bactérias por centímetro quadrado não é raro, todavia o record nessa matéria pertence a algumas notas birmanesas com 10 milhões de bactérias nessa mesma superfície, entre as quais muitas de origem fecal. A tal ponto que até cabe interrogar-se se alguns não terão confundido as notas com papel higiénico.
Que encontramos nesse autêntico viveiro de micro-organismos? Nos 17 países e regiões auscultados (da Europa aos Estados Unidos, passando nomeadamente pela Índia, China, Nigéria e Canadá), há de tudo, por assim dizer. A célebre bactéria intestinal Escherichia coli, o estafilococo dourado, salmonelas, estreptococos, enterococos, fungos, ovos de ténia ou de ascaris. No Bangladesh até se encontrou a bactéria na origem da cólera, em notas obtidas junto de vendedores de legumes, de carne e de peixe...
O estudo acentua que a transmissão de bactérias e de virus por intermédio das notas de banco é possível entre humanos. É portanto indispensável lavar as mãos sempre que se tocou em dinheiro, sobretudo se lhe pagaram para preparar comida ou para tratar de uma cárie.
Os leitores que, preocupados com a higiene, queiram passar rapidamente à tecnologia de pagamento sem contacto, e desfazer-se rapida e definitivamente das notas de banco, vectores de graves doenças, podem enviá-las em envelope fechado e lacrado para" Tomar a dianteira, Rua Dª Aurora de Macedo, 73, 2300 -556 Tomar Portugal. Mesmo as notas mais sujas.
Não têm nada que agradecer! Eu é que fico muito grato.

Pierre Barthélémy, Le Monde, Science & Médecine, 21/12/2016, pág. 6
Tradução e adaptação de António Rebelo

Esclarecimento
Como decerto já intuiram aqueles leitores capazes disso, trata-se de um texto rigoroso mas irónico, de uma ironia fina, hoje em dia cada vez mais rara. Infelizmente, pelo que isso significa.
A parte final, que está fora das aspas e do itálico, é minha. Substitui o que consta do original: "o autor destas linhas, 80, Boulevard Auguste Blanqui, 75013 Paris." É o endereço da redacção do Le Monde.
Como é óbvio, tratando-se de mera ironia, não estou de modo algum a tentar ludibriar os leitores. Dito isto, para ficar de consciência tranquila, o que em Tomar não é coisa fácil, pelas razões que todos conhecemos, se está preocupado com a sua saúde e tem por aí algumas notas contaminadas, das quais queira desfazer-se e não saiba como...Tomar a dianteira 3 agradece a atenção natalícia.
Um bom Natal para todos! (Mesmo para os meus inimigos, que sei serem numerosos, porque a verdade magoa quase sempre e eu recuso-me a ser hipócrita.)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Parque de campismo = Um beco sem saída

Se, em vez de entrar pelo sul, por estrada ou caminho de ferro, o desprevenido e nada afortunado viajante que demanda Tomar resolve entrar pelo norte ou por nascente, também não tem sorte nenhuma. Entrando pelo norte, chega ali àquela hipótese de rotunda da Várzea pequena e fica todo contente, por constatar que há sinalização bem visível:


Erro dele. Uma vez na Rotunda Alves Redol, se queria ir para o Parque de Campismo, qual o caminho a seguir? Conclui então que lá haver sinalização há, mas não é a adequada;

O campismo fica para que lado?

Se vem pela Estrada de Coimbra, o viajante integra um de dois grandes grupos -o dos que habitam nas proximidades e os outros, os turistas propriamente ditos. Chegado à zona dos hipermercados, o viajante de proximidade nem sequer olha para esta absurda sinalização:


Está farto de conhecer o caminho, o que lhe permite ir eventualmente matutando maldades do género "Estes gajos da câmara têm cá cada ideia..."
Já o viajante de logo curso, o dito turista que os nossos queridos autarcas gostariam mais de ver longe, porque só dá chatices, esse olha para as placas sinalizadoras e benze-se, caso seja católico praticante. Para que quer ele saber dos campos de ténis, das piscinas, do recrutamento militar ou do Politécnico? E da A13 Lisboa? De lá, da A 13, vem ele. Boa ideia era indicar o Convento, que foi para o visitar que veio, o turismo, para perguntar como lá chegar, ou um bom alojamento para descansar... Mas isso pelo jeito é pedir demasiado aqui aos provincianos, com a mania que são urbanos e modernaços. Vê-se!
Ultrapassada a rotunda do Bonjardim e seguindo a indicação Parque de Campismo, o viajante chega aqui e fica na dúvida:


Campismo em frente? Ou campismo para a esquerda? Aquela seta branca em fundo azul indica em frente. Errado! É para a esquerda.
Poucos metros percorridos, surge esta maravilha:


Se é proibido virar à direita, qual a utilidade da placa indicando que  o parque de campismo é para a esquerda?
E finalmente o ansiado Parque de campismo, agora encerrado em circunstâncias estranhas:




E cá temos -finalmente!- a cabal explicação para o imbróglio do Parque de campismo. De acordo com a sinalização, colocada durante o mandato de António Paiva, ir em frente é sentido proibido e para a direita, rumo à entrada do parque, é um beco sem saída. Ele Paiva, bem dizia e repetia que não queria cá turistas de pé descalço, na ideia dele todos campistas.
Anos mais tarde, lá se acaba por perceber porque encerraram o Parque. Foi porque, para os nossos queridos autarcas, o parque sempre foi um beco sem saída, um cu de saco, na equivalente expressão francesa cul de sac. Tratando-se de um cu, só podia sair merda. E saiu mesmo!

Adenda
Ainda não teve tempo para clicar em Seguir no ângulo superior direito? Está à espera de quê? Olhe que sem os tais 200 seguidores até Maio, em Outubro próximo acabou-se a papa doce. É só para lembrar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Maneiras de ver

Por causa do encerramento do parque de campismo e das placas de sinalização que a câmara ainda não retirou, resolvi dar a volta à cidade como se fosse um turista. Ou seja, agi como se fosse o outro, de forma a olhar de fora para dentro. Exactamente o inverso do que usa fazer o Leonardo Capricho, que olha sempre de dentro para fora. Como se a câmara fosse o umbigo do Mundo. Fá-lo por capricho, claro. Marcado pela agora célebre Unidade de queimados, suprema afronta para quem se julgava parte integrante da casta dos intocáveis. Porque o nome do Leonardo que serviu de modelo é Capri, Leonardo di Capri. E Capri é uma belíssima ilha. Logo, essa do capricho tem muito que se lhe diga.
Eu, por exemplo, se tivesse que adoptar um pseudo, escolheria também um Leonardo. Mas não o di Capri. Antes o da Vinci, ou o Cohen, Leonard Cohen. Para dar música ao pessoal. Como venho fazendo.
Nessa ronda pelas entradas da urbe na pele de um turista, fiquei bastante triste com alguns detalhes do que vi, mas também me ri com outros. Afinal, constatei, é sempre o mesmo problema. Há muitas maneiras de ver, porém todas subordinadas a um de dois posicionamentos -de dentro para fora, como faz o  Capricho, como fazem quase todos os políticos instalados; e o inverso, de fora para dentro, procurando sempre entender o outro e portanto todos os outros. Aquilo a que usualmente se chama abertura de espírito.
Mas vamos lá então à minha ronda como turista. Aos aspectos tristes e aos caricatos.
O incauto turista que resolva usar o caminho de ferro para chegar a Tomar e não preveja um GPS ou no mínimo um guia impresso, ao sair da gare está perdido:


Como se constata, não existe sinalização alguma. Nem sequer uma reles seta a apontar para o centro da cidade. Uma cidade cujos autarcas, apesar destas falhas clamorosas, continuam a proclamar que é uma cidade de turismo. Pois...


Se o desditoso visitante, vindo de sul, optou pelo carro próprio ou de aluguer sem condutor, tendo resolvido sair em Santa Cita, teve manifestamente pouca sorte. Ao chegar ao primeiro cruzamento urbano, a sinalização é abundante mas praticamente inútil para turistas, com duas excepções: Santa Maria dos Olivais e S. Francisco. Quanto ao resto, minha nossa senhora! Falta o essencial, mas abunda o redundante: Terminais, Tribunal, Comunidade intermunicipal, Escolas, Cemitério, Casa mortuária, são indicações úteis para quem?  
Convento de Cristo? Turismo? Centro histórico? Isso só interessa aos turistas. Não aos do Império dos sentados. Por isso é melhor não pôr.

Para não cansar o leitor, continua no próximo capítulo. Amanhã também é dia.