segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Experiência tem ele...

HUMOR
Foto V. Kessler - AFP

Primeiro-ministro francês, Manuel Valls demitiu-se há pouco, para poder concorrer às primárias da esquerda para presidente da República. Fez mal. Não era preciso largar uma função tão rendosa e honrosa para poder no futuro submeter-se ao voto popular, tendo em vista o mais alto cargo da nação gaulesa. Bastava-lhe mudar a residência para Tomar. Aqui, como se sabe, todos podem concorrer, sem necessidade de eleições primárias ou sequer de qualquer experiência prévia.
Por falar em experiência, vê-se na fotografia que Manuel Valls gosta de pôr a mão na massa e tem até uma experiência prática muito útil por estes lados. Está habituado a distribuir tachos. O que não é pouca coisa, num país onde se gosta muito de pôr a mão na massa, mediante uma condição prévia sine qua non: Desde que não seja massa de padeiro ou de pedreiro, mas sim de banqueiro. Mesmo salgada.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Núvens negras no horizonte

Marcelo vai distribuindo afectos, Costa respira optimismo, Catarina e Jerónimo apregoam vantagens para os trabalhadores, Até parece que vai tudo bem. Que Passos Coelho se enganou redondamente, ao anunciar que vinha aí o diabo. Vinha e já não vem? Infelizmente a comunicação social portuguesa tarda em dar uma, quanto mais várias respostas. Donde a necessidade de procurar alhures. É o que tenho tentado fazer.
Numa longa peça bem ao seu estilo, o conceituado Le Monde ocupa toda uma página sob o título "Os mercados financeiros preferem ver o futuro cor de rosa". Segue-se uma apresentação e depois nove curtos capítulos, 4 favoráveis e 5 desfavoráveis. Os 4 favoráveis, marcados com uma flechinha verde são: 1 - A conjuntura económica mundial que vai melhorando; 2 - Os mercados acreditam nas promessas de Trump; 3 - A retoma orçamental recomeçou; 4 - Começou a"grande rotação" (para os menos conhecedores destas coisas, a "grande rotação" acontece quando os investidores decidem vender as obrigações que detêm para comprar acções, que começam a proporcionar maiores ganhos em bolsa).
Os 5 capítulos desfavoráveis, ou pelo menos problemáticos, marcados com flechinhas vermelhas, são os seguintes: 1- A subida do dólar pode vir a fragilizar os países emergentes; 2 - As promessas de Trump podem não passar no Congresso americano; 3 - Continua a incerteza sobre o impacto das medidas do BCE; 4 - O risco político pode voltar a surgir na Europa; 5 - O receio de uma crise bancária continua presente.

Deutsche Bank enfrenta uma das maiores crises da sua história. Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach
A sede do Deutsch bank (Foto Reuters)

Dado o interesse para os portugueses, passo a traduzir o referido capítulo 5:
"Ainda não decorreram dez anos sobre a crise de 2007, mas eis que a Zona Euro começa de novo a tremer por causa dos seus bancos, temendo que estes venham a comprometer a estabilidade. A limpeza sem concessões das respectivos contas e o desaparecimento dos bancos "zombies" não foram levados ao seu termo com o vigor necessário. Subsistem bolsas de fragilidade, que agora se tornam evidentes, quando se trata de financiar a retoma da economia. Essas bolsas são três. Duas em Portugal e em Itália, dois países em que todo o sector bancário, subcapitalizado, sufoca sob o peso da crise e das imparidades. Uma na Alemanha, cujos problemas se cristalizam no número um, o Deutsch Bank, com um volume de negócios que representa 10% do PIB da Zona Euro.
A Itália é, de longe, o primeiro problema bancário dos europeus. Porque a instabilidade resultante da vitória do não no recente referendo de 4 de Dezembro, sobre a reforma da Constituição, hipoteca a recapitalização, que é vital, dos seus bancos, entre os quais avulta o Monte dei Paschi di Siena. O processo de saneamento dos créditos duvidosos dos bancos italianos (360 mil milhões de euros) vai também sofrer atrasos." 
Marie Charrel, Anne Michel e Audrey Tonnelier, Le Monde, Economie et Entreprise, 10/12/2016, página 2.
Tradução e adaptação de António Rebelo 

É o desmazelo que nos vai enterrando

O nosso colega Tomar na rede noticia a visita de uma administradora de blogue à nossa cidade. Movido pela curiosidade, também lá fui espreitar
Referências muito agradáveis, escrita escorreita, visitante encantada e muitas fotos da urbe. Uma delas chamou a minha atenção, pelo que aqui a reproduzo, com os meus agradecimentos à autora e duas perguntas incómodas à Câmara. Aquele chão é coisa que se apresente, no principal parque da cidade? Já não há vergonha na cara de quem nos devia governar?

 

Actualização

Para não correr o risco de estar a noticiar uma situação ultrapassada, fui ao local onde a nossa amável visitante tirou a fotografia. É o usual cais das canoas e o estado em que se encontra é lamentável, conforme mostra a fotografia. Mas se fosse só ali...
Junto ao turismo municipal, o triste panorama era hoje este: lixo de há vários dias e a (rara) sinalização turística no chão. Estranha forma de incrementar o turismo local.
E Outubro ainda é lá tão longe!




Stress e pachorra

Dizem ser um dos grandes problemas das sociedades modernas. Com o aumento constante do ritmo de vida e das cadências laborais, o stress, stresse ou estresse é cada vez mais uma doença nervosa em acentuada expansão. Em Tomar, felizmente, factos recentes demonstram que tal fenómeno societal ainda não nos apoquenta. Nem virá a apoquentar nos tempos mais próximos. Na sua forma europeia, que também temos a nossa.
Atente-se nesta local da Rádio Hertz. Ficamos assim a saber que uma estação de rádio local só noticia no sábado à tarde factos ocorridos na segunda-feira anterior. Quase uma semana depois. Má vontade? Falta de habilidade? É claro que não! Apenas respeito pelo ritmo de vida nabantino. E sobretudo evidente falta de recursos humanos, por óbvia falta de recursos para lhes pagar.
De resto, neste caso, o atraso até se justifica, porquanto a matéria em questão também não é nada urgente, antes pelo contrário. Afinal, só passado um ano os eleitos do PSD resolveram voltar a questionar a presidente sobre um assunto ao que tudo indica pendente de um parecer. Parecer esse que, segundo o próprio interpelante, o vereador João Tenreiro, advogado, costuma demorar em média seis meses. Leu bem. Seis meses para elaborar um parecer jurídico. Como é longe a Europa além-Pirinéus, onde um parecer se faz em meia dúzia de horas. Excepcionalmente, em meia dúzia de dias, quando seja demasiado complexo.
Lá está! É por isso que os europeus do norte andam sempre estressados, a engolir remédios e a caminho dos psiquiatras. Enquanto isso, aqui pelas margens nabantinas, temos o problema inverso. Há quem não aguente esta persistente e exagerada pachorra, que até acaba por tirar o sono, tanta é a calma ambiente. Porque o silêncio também cansa.
Regressando à questão levantada pelos eleitos laranja e à actuação da Rádio Hertz, julgo útil acrescentar algumas linhas. Quanto às práticas informativas da Rádio Hertz, fortemente condicionadas pelos recursos disponíveis, conforme já foi referido, entende-se perfeitamente que vá debitando a conta-gotas ao longo da semana a informação recolhida às segundas-feiras nas reuniões camarárias. No fim de contas, quem por aqui vive há anos sabe bem que nem todos os dias acontece por estas paragens algo que mereça notícia.
Resta a questão levantada uma vez mais pelos eleitos social-democratas: A nomeação do chefe da divisão financeira da autarquia, em regime de mobilidade. No meu pobre entendimento, há apenas três hipóteses possíveis, a saber: 1 - O citado parecer nunca foi solicitado; 2 - A entidade solicitada nunca deu andamento ao pedido; 3 - O parecer já veio há muito, tendo sido engavetado porque contraria o que se esperava.
Em qualquer dos casos, mais este exemplo da exagerada pachorra nabantina dá que pensar, por demonstrar como somos e porque estamos como estamos. E não é caso único, muito longe disso. Há mais de três anos que quem escreve estas linhas aguarda acesso ao Processo ParqT, o qual, ao que lhe tem sido respondido, continua em segredo de justiça...
Mas pronto. Pelo menos do ritmo de vida não nos podemos queixar! O pior é o resto!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Crónica de uma cidadezinha aconchegante

Vem uma pessoa da grande urbe, com todos os problemas inerentes, e sente-se logo envolvido pelo aconchego da terra-berço. Por aqui não há corrupção, nem crimes violentos, nem grandes tramóias políticas. Apenas o trivial, que nem sequer é sempre bem feitinho:
"Quanto ao papel da Câmara, o vice-presidente Hugo Cristóvão recorreu a um auto da Polícia de Segurança Pública que refere a existência de suínos, não especificando a presença de javalis, algo que limita a actuação da autarquia, refere o eleito do Partido Socialista." (Site da Rádio Hertz, a quem agradecemos e desejamos Festas Felizes)
Pois é! Estava eu convencido até agora que nem todos os suínos são javalis, mas todos os javalis são suínos, e afinal vai-se a ver... Agora só falta explicar porque é que a (falsa) divergência semântica limita a actuação da autarquia.
Entretanto ouso avançar o meu ponto de vista. Segundo a mesma local da Rádio Hertz, o executivo já mandou iniciar um processo disciplinar contra o fiscal que mentiu, tendo também intimado o cidadão prevaricador, porque criador de suínos-javalis na área urbana, a proceder à demolição das instalações ilegais. Tudo bem. Oxalá no decorrer do dito processo disciplinar apurem igualmente, devidamente apurada, a causa próxima da mentira do fiscal. 
Seria outrossim de muito boa política, conforme já aqui referi anteriormente, indicar um outro local para o cidadão suinicultor poder continuar a governar a sua vida. De preferência já com pavilhões, pelos quais naturalmente pagaria renda. Porque se, felizmente, a autarquia arranja habitações para as famílias ciganas, que depois pagam as respectivas rendas e outros encargos mensais, não se vê o que possa obstar a igual tratamento para com um munícipe que apenas procura ganhar a  vida e não é de etnia cigana.
Outra notícia muito aconchegante é esta, copiada do nosso querido colega Tomar na rede, a quem agradecemos, com votos de feliz Natal lá longe:

 Polícia apreende TUT e passageiros ficam a pé


"Um autocarro dos Transportes Urbanos de Tomar (TUT) foi apreendido pela polícia por apresentar um pneu em mau estado e que poderia pôr em perigo os passageiros.

O caso aconteceu na manhã desta sexta feira e afetou dezenas de passageiros. A viatura apreendida foi substituída por outra que também estava ao serviço na outra linha mas isso afetou horários e percursos que não foram cumpridos.
Por exemplo o TUT que deveria passar por Serôdia e Carvalheiros por várias vezes não completou o percurso e alguns passageiros saíram na paragem do hospital.
Débora Cordeiro é uma mãe revoltada porque as suas duas filhas, que utilizam diariamente o serviço, ficaram a pé. Teve de ir buscá-las de carro na avenida do hospital. Considera esta situação “intolerável” e promete ir segunda feira à câmara apresentar uma reclamação por escrito. Até porque diz que já não é a primeira vez que fica mal servida com os TUTs. “Esta câmara de Tomar está cada vez pior, uma autêntica vergonha. Não tem dinheiro para a manutenção dos TUTs, mas investiu dinheiro na iluminação de Natal (...)”, critica."

Perante uma coisa assim, nem sei bem por onde começar. Se pela manifesta má gestão camarária, se pela inconsciência dos munícipes utentes dos TUTs. Da péssima gestão autárquica se pode dizer que foi megalómana ao meter-se na aventura que são os transportes colectivos urbanos, numa pequena urbe a caminho da aldeização. Agora, perante despesas não cobertas de centenas de milhares de euros anuais, sem poderem aumentar impostos ou taxas municipais, por causa das eleições que estão à porta, concluem decerto os autarcas que não têm meios para assegurar a indispensável manutenção e requalificação da frota. Situação que se agravará, e de que maneira, quando for necessário comprar mini-autocarros novos. Ainda há bocado, ao ouvir chiar um ali pela Rua Direita fora, disse para com os meus botões: -Tens os dias contados.
Totalmente fora da realidade, porque simplesmente não a entendem, em muitos casos por manifesta falta de capacidade para tanto, alguns munícipes convencem-se que tudo aquilo que lhes é oferecido uma vez, passa a ser um direito adquirido e para sempre. Sem cuidar de saber se a autarquia tem recursos para tanto, ou se, pelo contrário, tem maior olho que barriga e tendência para dar passos maiores que as pernas.
Pobre gente. Pobre terra que tal gente tem. Mas tudo isto é muito aconchegante. São apenas problemas comuns em todas as famílias numerosas. Citando um saudoso conterrâneo: "Deus nosso senhor não tem culpa nenhuma de ser pai de tanto filho bruto." Eu pecador me confesso...


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Antes e depois...

Devido a dificuldades técnicas que impedem a reprodução de uma das fotografias do texto Há quem tenha sorte, a seguir se voltam a publicar as duas vistas essenciais. O que existia antes e o que lá está agora:



Perante isto, resta agora conseguir respostas para as perguntas seguintes:
1 - A  nova construção respeita as normas do PDM?
2 - Quem aprovou o projecto e autorizou a emissão da indispensável licença de obras?
3 - Qual ou quais as informações técnicas que fundamentaram o deferimento do projecto?
5 - Havendo desconformidades evidentes entre o projecto aprovado e o executado, designadamente a abertura de janelas e janelos para um telhado confinante, a obra já foi embargada?
6 - Caso a obra não tenha sido ainda embargada, qual a justificação?

Ser e não parecer

Lê-se n'O Mirante on line que em Tomar foi "Rejeitada proposta para designação de um Provedor do Munícipe". O que coloca dois problemas de consciência graves ao tomarense que sou. Desde a Roma antiga que se tornou usual em política a frase "À mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo também". O que significa, por analogia, que qualquer pessoa acima da multidão anónima, se realmente quer que a considerem séria, é praticamente obrigada a portar-se de modo sério. Infelizmente tal não tem sido, como é do domínio público, o caso dos eleitos tomarenses. Este triste caso vem evidenciar que a situação tende a piorar. Trata-se para mim do primeiro problema de consciência, que vou tentar detalhar, para melhor entendimento.
Pouco depois do início do actual mandato, os novos vencedores nabantinos começaram a falar da edventual escolha e nomeação de um provedor do cidadão. Tendo-me constado que o meu nome havia sido mencionado, apressei-me a dizer publicamente que nunca aceitaria tal cargo. O que não obstava a que outros pudessem sentir-se honrados com tal escolha. Muito dependeria dos proventos ao fim do mês, como quase sempre acontece.
Pouco tempo depois, soube-se que a Assembleia Municipal havia aprovado uma proposta sobre essa matéria, encarregando a senhora presidente da Câmara de escolher e apresentar uma lista de candidatos, a votar posteriormente. Ignoro se pelo executivo, se pelo legislativo, se por ambos os órgãos, mas isso agora pouco importa.

Ficheiro:Pompeia-Q P.jpg

O importante é que o tempo passou e, decorrido mais de um ano, os eleitos dos PSD decidiram avançar com uma proposta de designação do tal provedor, que PS, CDU e IpT se apressaram a rejeitar. Segundo alegaram Anabela Freitas e Pedro Marques, não faria sentido nomear agora um provedor do cidadão, uma vez que estamos a menos de um ano do final do mandato.
Encantados com o presente inesperado, logo os eleitos social-democratas retorquiram, atacando a presidente da câmara, por não ter cumprido a deliberação da Assembleia Municipal. No que estão cheios de razão. Só é pena, no meu entender, que tudo isto pareça um mera brincadeira de gaiatos. De adultos eleitos e teoricamente bem formados e bons cidadãos, que todavia nem sempre demonstram saber portar-se como tal. O que é lamentável, por estar em causa o bom nome de uma cidade respeitável e de toda uma população, que não gosta que dela façam chacota, como infelizmente começa a suceder na capital e nas cidades vizinhas. A tal ponto que até eu já começo a dizer que sou dos arredores de Fátima, para evitar males maiores.
Tudo por causa da tal frase milenar citada no início: A quem está oficialmente um pouco mais acima, pelas funções em que se encontra investido pelo voto popular, não basta ser sério. Tem também que comportar-se de forma séria. O que manifestamente nem sempre tem sido o caso. Infelizmente para todos.
Por falar em todos, a frase aplica-se igualmente ao não eleitos que, em virtude da profissão que exercem, se situam naturalmente uma pouco acima do comum dos mortais. É o caso, por exemplo, dos jornalistas, dos directores de jornais e/ou de rádios locais, dos comentadores, e assim. Que neste triste caso voltam a ficar um bocado tremidos na fotografia, dado que, como vem sendo habitual, quando há berbicacho na autarquia, é sempre O Mirante o primeiro e por vezes até o único a noticiar a coisa. Trata-se do meu segundo problema grave de consciência.
Admito que possa ser mais rentável, nomeadamente em termos de publicidade e de textos encomendados, porém não é sério nem moralmente sustentável, ocultar por omissão tudo o que possa incomodar. Tal como acontece com os eleitos, também aos que integram o microcosmo informativo local não lhes basta ser sérios, têm de parecê-lo. E uma informação local que ou não informa, ou o faz demasiado tarde, não pode ser de modo algum considerada séria. Lamento ser praticamente forçado a dizê-lo, por me parecer a lamentável realidade. Se estou a nadar no erro, por favor esclareçam-me quanto antes. Com situações concretas, que de conversa começo a estar cheio.

anfrarebelo@gmail.com