sábado, 3 de dezembro de 2016

Mais uma séria advertência aos políticos que temos

Por se enquadrar bastante bem na presente situação política portuguesa, particularmente em Tomar, transcrevo a parte final do editorial do Le Monde datado de 02/12/2016, e assinado pelo seu director Jérôme Fenoglio:

"No passado dia 27 de Novembro, na segunda volta das primárias directas, os eleitores de direita acabaram pelo voto com a carreira política nacional do antigo primeiro-ministro Alain Juppé. Já antes, em 20 de Novembro, na primeira volta das mesmas eleições, os mesmos eleitores tinham afastado pelo voto o ex-presidente da República Nicolas Sarkozy, que pretendia voltar a candidatar-se. Agora, foi o próprio Chefe de Estado em exercício de funções que, constrangido e forçado, anunciou em directo na televisão que não tenciona recandidatar-se, mantendo-se contudo em funções até ao final do mandato.
Há 20, há 10 e há 5 anos, respectivamente, estes três homens políticos anunciaram a mudança, a reforma e a recuperação do país. Cada um paga agora, à sua maneira, o preço dessas promessas, que ou não resultaram, ou ficaram pelo caminho. Trata-se simultaneamente da primeira causa e da primeiro efeito do fosso que se vai alargando, cada vez mais perigosamente, entre os governantes e os governados.
Esperemos que os candidatos para 2017 acabem por compreender finalmente este novo aviso." 

Jérôme Fenoglio, Le Monde, 02/12/2016, Net



O texto refere-se a presidentes da República Francesa e a candidatos a esse lugar. Há, no entanto, dois detalhes importantes a destacar. 1 - Aqui, na nossa algo trôpega República gualdina, também vamos ter eleições presidenciais em 2017. 2 - Conforme estabeleceu Lavoisier, que era francês, as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos.
Sendo certo que os candidatos do burgo nabantino fogem de eventuais eleições primárias abertas, como os gatos fogem dos cães, ou o diabo da cruz, aos eleitores não restará outra hipótese que afastar os incapazes só na eleição final, por não haver oportunidades anteriores. Vamos ter portanto, como tem acontecido até agora, uma espécie de póquer mentiroso em 2017. É pena.
Tanto mais que, conforme documenta a foto, por estas bandas também se propagandeou a mudança, e afinal só nos resta agora perguntar: Mudança? O que mudou afinal, além do sexo do regedor concelhio e da sua vida privada, que só a ela devia dizer respeito?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Tabuleiros a património mundial?

4 - Conclusão: Vamos a isso?

Como bem sabemos, é próprio da natureza humana: Tendemos a adorar, a idolatrar aquilo que amamos muito. E nós tomarenses amamos muito a nossa Festa grande, que é um dos principais elos de ligação entre nós e as centenas de gerações que nos antecederam. Não surpreendem por isso algumas iniciativas que fora de Tomar surgem como algo demasiado peculiar. É o caso nomeadamente do tão falado museu dos tabuleiros.
Dito de forma agreste, mas clara: Museu dos tabuleiros com quê? Para quê? Com que recursos próprios? Quem vai assegurar as verbas para a instalação e depois para o funcionamento?
Sendo óbvio que nem a própria festa consegue, no seu  modelo actual, equilibrar as suas contas sem recorrer, e de que maneira, ao orçamento camarário, de onde virá a disponibilidade orçamental para idealizar, montar e sustentar o tal museu?
Mesmo quanto à festa em si, é meu entendimento desde há muito que ela carece de alterações substanciais, para se reforçar e poder enfrentar os novos tempos. Concordo que se deva respeitar a tradição, mas só a tradição e nada mais que a tradição -o tabuleiro, a portadora, o ajudante, os aguadeiros, os gaiteiros galegos, as flores, as ruas populares ornamentadas, o cortejo do mordomo, a  distribuição da peza, a bênção e o levantar dos tabuleiros na Praça.


O resto tem forçosamente de mudar, pois tudo o que não se adapta acaba por desaparecer. A começar pelo modelo de gestão da festa. A época do mordomo pau mandado da autarquia, trabalhando sem qualquer remuneração inerente, já passou. Outro tanto acontece com o percurso dos cortejos parciais e, sobretudo, com o do cortejo final. 
E depois vem o que me parece essencial e prévio. Que eu saiba, a UNESCO apenas aceitou até agora, na área do património vivo e/ou imaterial, candidaturas de eventos no mínimo anuais. O que faz todo o sentido. Para o comum dos mortais, que não habite nem tenha vivido em Tomar, realizar só de quatro em quatro anos um festa das colheitas que, como todos sabemos, são anuais, é algo de bizarro. De gente que não é capaz de pensar em termos de século XXI. Que não tem coragem para assumir que não sabe fazer melhor, nem de admitir que, devido ao modelo esgotado em vigor, também não há disponibilidade orçamental para mais. Vamos ultrapassar isso, com muita coragem e determinação?
Nós merecemos melhor e todos juntos valemos mais que esta apagada e vil tristeza.

Conclusão resumida 

Estou pronto a ajudar em tudo aquilo que puder,  dentro das minhas capacidades, a aprontar uma candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património vivo da Humanidade, vulgo Património Mundial, mediante três condições prévias:
1 -A festa passa a realizar-se anualmente.
2 -O Cortejo dos jovens, os cortejos parciais e o Cortejo final terão percursos ligeiramente diferentes dos praticados até agora.
3 -A área dos cortejos será vedada e haverá venda de bilhetes de acesso. Terão entrada livre os residentes na cidade e no concelho, bem como os naturais de Tomar, todos mediante apresentação do Cartão de cidadão, ou documento oficial equivalente, que prove essa qualidade.

anfrarebelo@gmail.com


Tabuleiros a património mundial?

3 - Vantagens e inconvenientes do estatuto de Património Mundial

Desde que me conheço que ouço dizer que os tomarenses gostam de "penacho". Que gostam de dar nas vistas. Que são cabotinos. Se a isso juntarmos, regra geral, um ego sobredimensionado, temos o tomarense típico: espaventoso, bairrista, orgulhoso da sua cidade, julgando-se de facto  acima dos demais, por ter tido o privilégio de nascer nas margens nabantinas. São agora  aqueles cidadãos e cidadãs que ainda se não adaptaram aos novos tempos. Que ainda não entenderam, ou não querem perceber, que essa Tomar mítica, raínha do norte do distrito, já não existe. Agora e cada vez mais, não passamos de uma aldeia ainda grande, com um belo e rico património, porém em acentuada decadência. Numa frase simples: Com passado mas sem grande futuro.  
Esta introdução, nada agradável para a esmagadora maioria dos meus concidadãos, nem tão pouco para mim, pareceu-me todavia indispensável para fazer aquilo que os nossos vizinhos espanhóis reputam ser indispensável e prévio em qualquer situação -poner las cosas en su sítio. Creio ser supérfluo traduzir.


Postas as coisas nos seus devidos lugares, podemos agora passar ao essencial. Tendo em conta o antecedente, entende-se que praticamente todos os protagonistas locais achem necessário e urgente a candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património Mundial vivo da UNESCO. Será para eles mais uma ocasião de se mostrar, de protagonizar, de ostentar o tal penacho. Mas então, assim sendo, o que tem impedido que arranque e vá avante o processo da dita candidatura? No meu entender, três ordens de factores. Por um lado, todos falam, porém ninguém tem o básico -o know-how, o saber fazer indispensável para o longo percurso até ao resultado final. Por outro lado, o processo de candidatura não é nada barato. Mesmo conseguindo que quem o lidere, ou para ele contribua com o seu trabalho, não seja remunerado, o que nos tempos que correm é cada vez mais raro. E a Câmara não está propriamente a nadar em dinheiro. Em terceiro e último lugar, a experiência tomarense com o Convento de Cristo - Património mundial, mostra na prática que essa classificação não traz só vantagens.
Explicando melhor, estou mais preocupado do que entusiasmado com uma eventual candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património mundial, porque tenho presentes os inconvenientes do Convento de Cristo. Sendo indiscutível que o estatuto, a reputação, a conservação, o restauro e a manutenção daquele conjunto monumental melhoraram muito, há também consequências menos felizes.
As entradas passaram a ser pagas, mesmo para os tomarenses, e não são nada baratas. Acabaram as sistemáticas visitas guiadas, que antes eram a norma. O horário de funcionamento passou a ser de facto menos adequado, pois antes os guardas, na mira das gratificações, mantinham-se em serviço praticamente até haver visitantes. Agora temos apenas o horário da função pública.
Os sucessivos directores do monumento são nomeados pela tutela lisboeta, tendo por vezes como única justificação o facto de os quererem ver longe do Palácio da Ajuda, sede do IGESPAR.
A receita arrecadada com as entradas (cerca de 1,5 milhões de euros em 2015) vai na sua totalidade para Lisboa. Mas é a Câmara que assume a limpeza no exterior, a iluminação, o estacionamento e as vias de acesso. Será isto justo? Deixo a cada um a oportunidade de se manifestar.
Concluindo mais este capítulo, acrescentarei apenas uma bem conhecida frase feita: À primeira, todos caem. À segunda já só cai quem quer.

anfrarebelo@gmail.com

Tabuleiros a Património mundial?

2 - Procurando esclarecer os que se julgam já esclarecidos

Refiro-me àqueles tomarenses, não tão raros quanto isso infelizmente, que por sistema julgam já saber tudo, o que os leva a não aprenderem nada. Nesta matéria referente à lista do Património mundial da UNESCO, julgo conveniente esclarecer que o Convento de Cristo já faz parte dessa lista, desde o início dos anos 80 do século passado. E o Centro histórico também já podia ser Património mundial, não fora o que mais adiante se explica .
O Conjunto monumental Castelo dos Templários-Convento de Cristo foi declarado Património da Humanidade em 1983, conjuntamente com o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Centro histórico de Angra do Heroismo. Três pessoas tiveram o protagonismo essencial nessa candidatura vencedora, aprovada durante a reunião do comité da UNESCO em Friburgo - Suiça. Esses três protagonistas foram o então vereador da cultura, Duarte Nuno Vasconcelos (CDS), o autor destas linhas e o então presidente da câmara Amândio Murta (AD).
Ainda que essencial, o contributo dos três protagonistas foi bastante desigual. O citado vereador da cultura foi quem me solicitou ajuda, mas depois nunca mais apareceu e, tendo acompanhado o presidente da Câmara à reunião de Friburgo, lá padeceu de um arreliador problema de saúde, que o forçou a ficar no hotel, conforme posteriormente me foi dito pelo próprio presidente Amândio Murta. O que impediu a aprovação da candidatura referente ao Centro histórico de Tomar, que simplesmente não teve quem a defendesse, dado que o presidente da câmara não dominava de forma capaz nenhuma das línguas de trabalho da UNESCO (Inglês, Francês, Árabe) e estava sozinho.


Ao contrário daquilo que nessa altura esperava, após três dias e três noites de intenso labor na então Gráfica de Tomar, com a inestimável colaboração do Carlos Alves, já falecido, e do António Maria, felizmente ainda vivo e que aqui faço questão de lembrar, porque sem o esforço deles nada teria sido possível, o autor destas linhas nem sequer foi convidado para acompanhar a delegação tomarense a Friburgo. Hábitos tomarenses. E provavelmente, já então por ser algo agreste. Perdeu a cidade. Cujo Centro histórico já podia ser e bem merece ser Património da Humanidade, tal como o Convento de Cristo.
Sei portanto o que é e como se faz uma candidatura a apresentar à UNESCO, solicitando a inscrição na lista do Património da Humanidade, simplificadamente Património Mundial. Quer agrade ou não, em Tomar só eu tenho esse privilégio que é, como referia Camões "um saber de experiência feito".
Não sendo demasiado complexa, a candidatura a Património Mundial tão pouco é coisa fácil. Que o digam o Câmara de  Santarém ou a de Marvão, que gastaram cada uma centenas de milhares de euros dos contribuintes com grupos de trabalho, e nada conseguiram. Porque, nestas questões de candidaturas internacionais, a basófia, o gargarejo e o fraseado oco não contam, nem agradam. Há que mostrar substância, capacidade, perseverança, organização e desembaraço. Saber estar à altura das situações. Coisa que não se aprende senão numa escola -a da Vida. Idealmente após ter passado por uma Universidade reconhecida.
Concluindo: 
Pode-se candidatar a Festa dos Tabuleiros a Património Mundial vivo da UNESCO? 
-Pode-se e deve-se. Mas... 
Há hipóteses de obter a aprovação da UNESCO? 
-Há. Muitas. Mas...

anfrarebelo@gmail.com

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Um presidente corajoso e politicamente lúcido

Face aos péssimos resultados das sondagens e à manifesta insatisfação da opinião pública, François Hollande, presidente da República francesa, anunciou esta tarde que se mantém em funções até ao final do mandato, mas não se recandidata. Esta corajosa e lúcida decisão do presidente socialista francês, mostra um indiscutível sentido de estado, assim como uma diferença profunda entre a política francesa e a política portuguesa.


Se Hollande fosse, por exemplo, presidente da Câmara de Tomar, estou convencido de que manteria a sua recandidatura, mesmo com mais um escândalo. Apesar das centenas de milhares de euros gastos com juristas externos, a câmara presidida por Anabela Freitas não conseguiu reverter a decisão da ASAE e o Parque de Campismo encerrou ontem, vítima da manifesta incompetência dos eleitos e dos funcionários superiores da área respectiva. Com efeito, tudo parece indicar que, durante quase três anos, senão mais, nem uns nem outros se deram conta de que o campismo municipal estava a funcionar ilegalmente, devido a uma série de aselhices da própria câmara e dos seus serviços. Ou, pior ainda, sabiam muito bem, mas convenceram-se de que a autarquia tomarense estava acima das leis do país. Resta agora perguntar: Haverá alguma relação entre a bronca do campismo e a renúncia de Serrano? Até prova em contrário, parece-me que há.
Seja como for, a diferença de atitude entre a evidente dignidade e nobreza do presidente François Hollande e a manifesta inconsciência e apego ao poder da presidente Anabela Freitas, é mais uma achega importante para perceber porque é que a França é uma grande potência em crise e Tomar apenas uma aldeia cada vez menos povoada por causa da crise.

anfrarebelo@gmail.com

Tabuleiros a Património mundial?

1 - Procurando fazer o ponto da situação

É o costume. Aproximam-se as eleições e como ainda por cima está reunido em Adis Abeba - Etiópia, até amanhã, o Comité executivo da UNESCO para a classificação dos bens culturais, apareceu de novo na informação local o problema da candidatura à almejada inclusão da Festa dos tabuleiros na lista do Património mundial da UNESCO. Deste vez, conforme se pode ler aqui, foi o incansável jornalista António Freitas, o grande despertador de consciências da zona, que com a sua coragem rústica bastantes problemas tem arranjado, num concelho onde, como é do domínio público, a generalidade da população prefere continuar a dormir, porém sempre de mão estendida, aguardando as esmolas governamentais, que não deixarão de vir de Lisboa, pensam eles. Por isso estamos tão bem.
Segundo a imprensa internacional, na citada reunião da UNESCO estão a ser examinadas 37 candidaturas de bens culturais, essencialmente de duas áreas -Património vivo e Património cultural imaterial. Eis algumas das candidaturas mencionadas pelo insuspeito LE MONDE:  A Rumba, música e dança cubana, o Ano novo de 21 de Março, em vários países muçulmanos, o Mangal Shobhajatra, uma cerimónia estudantil do Bangladesch, o Merengue, música e dança da República Dominicana, o Jogo do pau do Egipto, as Fallas de Valência - Espanha, o Gada, sistema tradicional de governança dos Oromo, na Etiópia e os 24 períodos solares chineses.
Como se pode ver a lista é vasta e a variedade imensa. Para já, foram estes os contemplados, aos quais há que juntar dois outros: A Falcoaria Real de Salvaterra de Magos, aqui no distrito, (a cuja Câmara apresentamos os nossos parabéns) e a Cerveja belga, que segundo a respectiva candidatura é naquele país um autêntico modo de vida, como mais de 1.700 variedades.  À valentes belgas! Agora já percebo melhor porque razão a União Europeia tem a sua SEDE em Bruxelas. Dispondo de 1.700 variedades de cerveja, não há SEDE que resista.
Como sempre procuro fazer, seguem algumas fotos devidamente identificadas, que isto é sempre melhor preparar e documentar adequadamente cada trabalho, ao contrário do que alguns pensam nas margens nabantinas:

 A cerveja belga Património mundial, aqui na sua versão escura



Falcoaria Real de Salvaterra de Magos e respectivo logotipo

 Fallas de Valência. Conforme documenta a foto, cada falla é um conjunto monumental efémero, porque feito em madeira, cartão e tecido, ao qual se lança fogo no dia da festa.

 O merengue, dança tradicional dominicana, aqui numa rua da capital.

A Rumba, dança popular cubana de origem africana, agora Património mundial

anfrarebelo@gmail.com

Que devir para a Várzea grande?

Fiel ao seu método de recolher opiniões para posterior elaboração do seu programa eleitoral, a CDU Tomar organizou uma tertúlia sobre a requalificação da Várzea grande e já anunciou que haverá várias outras oportunamente. Só posso aplaudir, numa terra onde ouvir a população nunca foi a principal preocupação das formações políticas. Para quê perder tempo, se já sabem a música toda, pensam os seus dirigentes,
Apesar de convidado, não estive presente, por manifesta impossibilidade prática, o que me levou a escrever e publicar, antes da realização do evento, conforme pode ser lido aqui.
Abordo agora parte  do que se passou na citada tertúlia, tendo por base o relato dela feito pelo Cidade de Tomar. Antes de mais, o que continua a espantar-me em Tomar é o à vontade de cidadãos respeitáveis para discorrer sobre matérias que manifestamente não dominam de modo algum. Não cito nomes, pois não se trata de arranjar inimizades, ou de tentar prejudicar quem quer que seja. Apenas de procurar clarear a matéria e assim evitar, na medida do possível, a repetição de certas coisas, que não menciono aqui, por pensar que sou educado. Embora agreste, é claro, pois tenho a desdita de ter nascido e viver numa terra que adoro, mas onde de facto não se pode urinar a direito, sob pena de imediata e quase geral  condenação, por manifesta falta de conformismo, que os tomarenses infelizmente confundem com educação e boas maneiras. Adiante, que se faz tarde.

Foto Tomar na rede

Houve por exemplo nesse encontro-tertúlia quem avançasse, de forma categórica, que a Várzea grande nunca poderá ser um local para a recepção de turistas. "De todo", foi mesmo a expressão usada. Não sei em que se terá baseado o honrado cidadão autor da ideia, que à primeira vista me parece perceber tanto de turismo industrial quanto eu de arquitectura caldaica. Isto porque, nessa como em qualquer outra matéria, a realidade é o que é e os factos são indesmentíveis. Eis alguns com interesse para este assunto.
De acordo com dados oficiais, em 2015 visitaram Portugal cerca de  17 milhões de turistas estrangeiros, dos quais vieram ao Convento de Cristo 250 mil (supondo que eram todos estrangeiros, para maior facilidade expositiva, porém sabendo bem que não é o caso, sendo no entanto indesmentível que os portugueses também usam automóvel, tal com os visitantes estrangeiros), o que corresponde a apenas 1,47% do total. Apesar disso, em Julho e Agosto, já houve por lá, o que é habitual todos os verões, salganhadas tais que dariam um filme de grande audiência, caso houvesse quem o fizesse. Tudo por causa da gritante falta de estacionamento (60 lugares para automóveis e apenas seis (!!!) para autocarros).
Uma vez que o governo português não teve nem podia ter qualquer influência no incremento desse turismo estrangeiro, conforme já antes aqui referi, dentro de alguns anos, quando à revelia da vontade dos tomarenses, aumentar significativamente a percentagem de turistas portugueses e estrangeiros que visitam Tomar, digamos para 3 ou mesmo 5% do total, o equivalente a 850 mil, se considerarmos os dados do ano passado, como vamos poder recebê-los? Onde vão poder estacionar? Como vão poder deslocar-se até ao Convento, em cujas proximidades manifestamente não há lugar para tanta gente, nem coisa que se pareça? Instalamos estacionamentos em torre, lá em cima e na Praça da República? Colocamos cancelas em cada entrada da cidade, de forma a que só entre quem nós queiramos e na estrita medida das nossas tacanhas capacidades?
São tudo perguntas a exigir respostas atempadas e adequadas aos tempos que correm. Porque, uma de duas: Num mundo em constante e cada vez mais acelerada mudança, ou lideramos as transformações indispensáveis, ou continuamos a reboque dos acontecimentos e ficamos cada vez mais para trás, o que não é nada bom, como já está à vista de quem saiba e queira ver. Não há terceira via.