domingo, 27 de novembro de 2016

Tomar entre os 35 municípios portugueses que mais gastam com pessoal

       Percentagem gasta com pessoal em relação ao orçamento global de cada câmara
(Não inclui serviços municipalizados, nem empresas municipais)


           Concelho                         Situação em 2005                                 Situação em 2016

   1 - Mourão................................43,1%  -  PS...........................................55,4%  -  PS
   2 - Montijo................................43,0%  -  PS...........................................51,7%  -  PS
   3 - Barrancos............................43,0%  -  CDU........................................51,4%  - CDU
   4 - Alvito..................................48,2%  -   I..............................................50,5%  - CDU
   5 - Alcochete............................49,8%  -  CDU........................................48,5%  - CDU
   6 - Grândola.............................37,8%  -  PS............................................47,5%  - CDU
   7 - Alpiarça..............................38,9%  -  PS............................................47,0%  - CDU
   8 - F. do Alentejo.................... 38,7%  -  PS............................................46,1%  - PS
   9 - Redondo.............................38,7%  -   I...............................................45,5%  -  I
 10 - Moita do Ribatejo...............45,4%  -  CDU.........................................45,0%  - CDU
 11 - Sardoal................................54,4%  - PSD...........................................44,4%  - PSD
 12 - Alcácer do Sal....................40,8%  -  PS.............................................44,2% -  CDU
 13 - Vendas Novas.....................37,5%  - CDU..........................................43,7% - PS
 14 - Castelo de Vide..................43,2%  -  PSD..........................................43,7%  - PSD
 15 - Seixal.................................42,7%  -  CDU........................................43,4% - CDU
 16 - Alter do Chão....................30,2%  -  PSD..........................................43,0% - PSD
 17 - Palmela..............................41,7%  -  CDU.........................................43,0% - CDU
 18 - Terras de Bouro.................23,5%  -  PSD..........................................42,8% - PS
 19 - Tarouca..............................26,4%  -  PS.............................................42,8% - PSD
 20 - Monforte............................43,7%  - CDU..........................................42,6% - CDU
 21 - Avis....................................41,2%  - CDU.........................................42,4% - CDU
 22 - S. Pedro do Sul..................39,1%  - PSD...........................................41,9% - PS
 23 - Évora.................................31,6%  - PS..............................................4-1,9%  -CDU
 24 - Borba.................................35,7%  - PS..............................................41,6%  - I
 25 - Santiago do Cacém...........39,8%  - CDU...........................................41,6%  - CDU 
 26 - Funchal.............................34,0%  - PSD............................................41,5%  - PS/BE/MPT...
 27 - Sesimbra...........................40,3%  - CDU...........................................41,4% - CDU
 28 - Portel................................40,9% -  PS................................................41,1% - PS  
 29 - Resende............................31,4% -  PS................................................41,1%  - PS
 30 - Alenquer...........................23,7% -  PS................................................37,7%  - PS
 31 - Machico............................24,1% -  PSD.............................................40,6%  - PS
 32 - Santa Cruz das Flores.......18,2% -  xxx...............................................40,4% - PS
 33 - Ourique.............................45,9% -  PS................................................40,3% - PS
 34 - TOMAR...........................28,9% -PSD..............................................39,9% - PS/CDU
 35 - Salvaterra de Magos.........38,5% -  BE................................................39.1% - PS

Fonte: Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses - 2015 e resultados eleitorais de 2005, 2013 e 2016. Peço desculpa, mas ainda não aprendi a fazer quadros estatísticos com os dados todos muito bem alinhados.

É um dos grandes problemas do país, da região e desta terra. Há pouco gosto pela leitura. E pelos números, ainda é pior. Depois queixam-se que a crise nunca mais nos larga. Ou somos nós que não conseguimos sair da crise, devido aos nossos péssimos hábitos?
Os dados acima, permitem visualizar a triste situação em que nos encontramos enquanto eleitores e contribuintes tomarenses. A nossa outrora orgulhosa e florescente urbe, integra agora o grupo dos desgraçadinhos. Os municípios que gastam mais de 39% das suas receitas totais para pagar aos funcionários.
São 35 concelhos (apenas 11,36% do total de 308 que conta o país), de importância variável, encabeçados por 4 que gastam mais de metade do que recebem só com vencimentos, não incluindo ainda assim os serviços municipalizados e as empresas municipais, onde existam. Esses 4 municípios em situação mais difícil são, por ordem decrescente da % de gastos com pessoal, Mourão (Alentejo), autarquia PS, 2.275 eleitores inscritos; Montijo (Setúbal), PS, 42.124 eleitores inscritos; Barrancos (Alentejo), CDU, 1.389 eleitores inscritos e Alvito (Alentejo), CDU, 1.935 eleitores inscritos. Exceptuando Montijo, são municípios que, mesmo como freguesias já ganhariam em se agrupar.
Comparando, Tomar encontra-se em 34º lugar, gastando 39,9% para pagar aos seus  funcionários, não incluindo os SMAS. Poderá não parecer exagerado, uma autarquia que entrega aos seus funcionários praticamente 40 euros de cada 100 que recebe. A verdade porém é que essa despesa tem vindo a aumentar muito acima da inflação. De tal forma que, em 2005, o município de Tomar gastava com as remunerações certas e permanentes + outros encargos anexos apenas 29,8%. Ou seja, essa despesa aumentou 11 pontos percentuais em apenas dez anos. Por este caminho, onde vamos parar?
Continuando a interpretar o quadro estatístico, parece-me muito significativo que nenhum concelho algarvio faça parte deste grupo de 35, que também integra apenas 4 municípios  situados acima do rio Mondego: Terras de Bouro (Braga), PS, 7.527 eleitores; Resende (Viseu), PS, 10.927 eleitores; Tarouca (Viseu), PSD, 7.822 eleitores e S. Pedro do Sul (Viseu), PS, 16.899 eleitores.
Outro dado de relevo, no meu entender, reside na inclusão nesta lista das três sedes das grandes ordens militares portuguesas: Avis (Avis), Cristo (Tomar)  e Santiago (Palmela). O que parece indicar que essas outrora opulentas organizações dinamizavam as regiões em que se inseriam, realidade que findou com a sua brusca extinção, em 1834, logo seguida da nacionalização e venda ao desbarato dos respectivos bens fundiários.
Para não alongar demasiado, vou directo ao que mais me preocupa. Neste grupo de 35 municípios, cujo futuro poderá ser tudo menos risonho, a manter-se a tendência verificada até aqui. há apenas dois da nossa igualha, em passado e em prestígio -Évora e Palmela. Todos os outros, ou são demasiado pequenos, ou demasiado recentes, não passando afinal de arrabaldes de cidades maiores. Tal é o caso designadamente do Montijo, a antiga Aldeia Galega, agora um dos dormitórios da capital.
Em termos partidários, este grupo dos financeiramente mais desgraçados integra 14 autarquias PS, 14 autarquias CDU, 3 autarquias PSD e 4 autarquias dirigidas por grupos de independentes.
Temos portanto 28 autarquias do Alentejo (17), Estremadura (5), Ribatejo (6), Madeira (2) e Açores (1) para apenas 4  a norte do Rio Mondego e nenhuma no Algarve. Porque será? Não haverá autarcas a confundir municípios com instituições de acesso ao emprego?
O que quero dizer com tudo isto? Apenas que há eleições lá para Outubro, o que dá tempo para ir pensando na vida. O resto, você já sabe e eu também, pelo que seria condenável perder tempo a enumerar evidências consensuais. Não lhe parece?
Apenas um propósito conclusivo. A velha ideia segundo a qual os contribuintes pagam tudo, já foi. Agora preferem calçar os patins logo que possível, rumando para paragens mais acolhedoras e confortáveis em termos de algibeira. Não é decerto por mero acaso que em Tomar  a população concelhia está a diminuir, à média de menos 300 eleitores/ano (aos quais se devem acrescentar  os descendentes menores, por isso mesmo ainda não inscritos nos cadernos eleitorais). Enquanto isso,  a de Ourém, por exemplo, vai subindo. Conforme reparou certamente, Ourém não está nesta lista dos desgraçados. O que a dispensa de ir carregando nos impostos, assim se tornando mais atractiva. Porque ninguém gosta que lhe vão ao bolso, sobretudo quando se trata de fazer face a evidentes erros de governação. Ou simples favores a amigos.

Actualização

Para confirmar, se necessário fosse, que o Município de Tomar tem excesso de funcionários, mas falta de trabalhadores, basta ler isto. 



sábado, 26 de novembro de 2016

À cautela, não será melhor ir à bruxa?

Os militantes do PS local, pelo menos os que ainda não desanimaram, estão agora de papinho cheio. Apesar das águas  agitadíssimas, conseguiram levar a barca a bom porto. À quarta tentativa, lá encontraram alguém para se integrar num cortejo fúnebre rumo a Marmelais, já em pleno andamento. Sara Costa, 7ª na lista PS e Mestre em Direito, aceitou sacrificar-se. (Sabendo ao que vai?). O que levou o presidente rosa, por acaso também Costa, a publicar um comunicado com a oração fúnebre a Rui Serrano e a certeza de que a nova vereadora "Vai reforçar a estabilidade na governação do Município de Tomar e que as suas competências são uma mais-valia para o futuro do concelho de Tomar."
Oxalá assim fosse, pois bem precisados estão os tomarenses, tanto de estabilidade na governação como de mais-valia, sobretudo na conta bancária. Infelizmente, vejo-me mais uma vez forçado a expressar as minhas dúvidas. Fundamentadas, como sempre. Neste caso graças ao Tomar na rede, de onde extraí a citação supra e onde consegui ler algumas linhas da tese da novel autarca.
A meu cepticismo baseia-se em duas ordens de factores. Por um lado, o tema da tese da nova vereadora e a sua citação inicial. Por outro lado, o estilo de escrita, que não é de todo do meu agrado. Mas gostos não se discutem.


Para um executivo autárquico minoritário sem coligação, acolher um novo elemento, cuja tese de mestrado em Direito versa sobre a morte assistida ou eutanásia, não será propriamente, julgo eu, do mais tranquilizador que há. Mormente quando a citação inicial, extraída de Immanuel Kant, reza assim: "Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer também vale a pena."  Quanto mais tarde melhor! Lagarto! Lagarto! Lagarto! Longe vá o agoiro!
No outro lado, no estilo de escrita, admito que a prosa até possa ser excelente, posto que de direito não pesco nada. Confesso porém que não consegui ir além  da introdução e de algumas linhas do resumo. Eis porquê: "Este presente trabalho versa sobre... ...O objectivo deste estudo, que resultou neste trabalho, consiste em perceber a influência que determinados fatores têm no privilegiamento deste tipo de homicídio."
"O homicídio a pedido da vítima comporta, um menor grau de ilicitude e consequentemente um menor desvalor da ação, ou seja uma culpa acentuadamente diminuída, devido ao consentimento prévio por parte da vítima onde renuncia à tutela penal da sua vida."
Sou franco: Prefiro o Eça, que era só bacharel em leis, mas por Coimbra. E escrevia bem.
Concluindo, no que concerne à anunciada estabilidade reforçada, e sobretudo à mais-valia, caso me chamasse Anabela Freitas e fosse confrontada com toda esta série de curiosos e algo sinistros presságios e coincidências, à cautela iria consultar uma bruxa competente. Tal como dizem os espanhóis, "Eu não acredito em bruxas, mas lá que as há, isso há!"

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Está na hora de avançar!

António Freitas
Acabei de ler n'O Templário a excelente e oportuna entrevista, de Fernando Silva, tomarense e técnico de turismo, na sua tese sobre a candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património Cultural Imaterial da UNESCO. Relembro que na 11.ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que decorre entre 28 de novembro e 02 de dezembro, em Adis Abeba, Portugal volta a ser contemplado certamente, com o Barro Negro de Bisalhães. O presidente da Câmara de Vila Real já afirmou que a classificação do processo de fabrico do barro preto de Bisalhães pela Unesco, dará um novo impulso a esta arte ancestral.
Esta foi a candidatura que o Estado português escolheu para representar o país, na sessão que  este ano se realiza na Etiópia. A Câmara de Vila Real avançou com a candidatura da olaria negra de Bisalhães à Unesco por ser uma atividade que está em vias de extinção.

Em março de 2015, o processo de confecção do barro negro de Bisalhães foi reconhecido como património cultural nacional.



Em Tomar marcamos passo. Continuamos nesta inércia de nada fazer, ou fazer que anda e não anda, e a Festa dos Tabuleiros nem é património cultural nacional, quanto mais da UNESCO!
Depois do Fado, do Cante, dos Chocalhos e do Barro Negro, não seria de pintarmos a nossa cara de preto, a cor deste barro, mas de vergonha, por tanta vaidade demonstrada nas últimas edições da Festa dos Tabuleiros? Por tantos contributos e tanta mais valia que o autor desta tese desenvolveu, tal como o professor Carlos Trincão, mas que alguns "donos da festa", teimam em não aceitar? Porque não criar uma Comissão que, juntamente com a presidente de câmara, que de verdade não tem com ela gente de grande mais valia, que consiga ser um pouco mais que vencimento ao fim do mês e que com vontade, bata à porta, sem passar por impecilhos que se atravessem pelo caminho e diga:  "Senhora presidente, vamos a isto; está na hora; vamos avançar!”
Pouco a pouco, os outros avançam e nós sem sairmos da zona de conforto... a esperar sentados. Continuamos na teimosia de não sabermos aproveitar as mais valias e contributos; que são dados de borla! 
Afinal quem tem interesse em que tudo fique na mesma como a lesma?

Câmara de Tomar já tem nova vereadora

Mesmo aqui bem longe, Tomar a dianteira já apurou que temos fumo branco. Após três recusas (Anabela Estanqueiro, Virgílio Saraiva e Rui Sant'Ovaia), todas por motivos profissionais, bem entendido, o PS Tomar lá conseguiu encontrar alguém para tomar posse e passar a arrecadar cerca de três mil euros mensais. Trata-se de Sara Costa, licenciada em Direito, que era a 7ª da lista.

A equipa inicial, quando ainda não havia sido sucessivamente acometida por lesões de diversa índole. Todas lamentáveis naturalmente, todavia umas mais do que outras. E o desafio ainda não acabou...

A pouco mais de um ano do fim do mandato, Tomar a dianteira considera que se trata em simultâneo da melhor escolha possível, porque praticamente já não havia mais ninguém, mas também da pessoa mais adequada. Com efeito, tendo em conta o estado manifestamente muito comatoso do executivo tomarense, nada mais conveniente que uma autarca que Sara doenças e quem sabe se feridas, mesmo profundas, ainda para mais na Costa. O que significa que, com um pouco mais de esforço, até pode passar a sarar também um pouco para o  interior. Na alma, por exemplo.
Tomar a  dianteira deseja à nova autarca executiva as facilidades possíveis, tendo em conta o contexto assaz complexo, bem como as maiores felicidades.
E se depender só deste blogue, pode ficar descansada. Em sentido figurado, lenha nas costas e água nos olhos nunca lhe hão-de faltar por culpa nossa. Basta que mereça. Embora Tomar a dianteira deteste e condene aquele aforismo que aconselha: "Bate todos os dias na tua mulher. Mesmo que não saibas porquê, ela sabe."

Tomar cidade de prodígios?

Um opinador caprichoso, pelos jeitos adepto do achismo, resolveu achar só agora que Tomar se está transformando numa cidade de prodígios. Com o natural respeito, parece-me um problema de hipermetropia (dificuldade para ver coisas próximas). Na verdade, há muito que a nossa querida cidade-aldeia alberga mais prodígios que qualquer outra no país. Excluindo naturalmente as grandes, que só devemos comparar o comparável. Há dúvidas a respeito?
Passo a desfiar o rol, que não é nada pequeno. O Convento de Cristo tem 8 claustros. Conhece algum outro que tenha tantos ou mais ? A célebre janela do mesmo conjunto monumental não dá para o exterior da construção, mas sim para o seu interior, o que muito desilude milhares de visitantes, que bem gostariam de poupar os 6 euritos da entrada. Conhece outro caso semelhante? O concelho alberga quatro bandas de música (Nabantina, Gualdim Pais, Paialvo e Pedreira). Indique outro com tal riqueza. Há na cidade duas rádios locais, dois semanários e um quinzenário. Mesmo assim, muitos tomarenses consideram-se mal informados. Mencione outra cidade pequena onde tal ocorra.
No domínio do desporto, só na cidade temos três clubes importantes (União, Sporting e Ginásio), mais não sei quantas agremiações desportivas mais modestas. Onde encontrar tal proliferação longe do concelho de Tomar?
Poderia continuar. Ir nomeadamente até ao perfil do Gualdim. Ou, melhor ainda, até ao único estádio da Península Ibérica transformado em campo de treinos, por mais do dobro do custo inicial do estádio, a preços constantes! Não o farei, para não enfastiar.
Na verdade, só mencionei tais prodígios para melhor destacar um facto recente que, tendo passado algo despercebido, me parece bem importante para o futuro de todos nós. Refiro-me à notícia sobre uma alegada sondagem, para ajudar na escolha do cabeça de lista PSD, publicada n'O Templário da semana passada.


Oito dias depois, sem que entretanto alguma outra fonte tenha confirmado ou desmentido a realização da mencionada sondagem, o mesmo semanário resolveu, muito acertadamente a meu ver, questionar os cinco alegados candidatos a candidatos, aos quais endereçou três perguntas bem simples: 1- Quer comentar a sondagem? 2 -  Concorda com todos os nomes mencionados? Será a sondagem a melhor maneira de escolher um cabeça de lista? (A redacção das perguntas não era exactamente esta, mas o conteúdo sim.)
João Tenreiro foi igual a si próprio. Medularmente  educado e respeitador. Não comenta nesta fase. O PSD está preocupado nesta fase com a oposição ao desgoverno PS/CDU. (Tem-se notado!). O PSD apresentará candidatos para ganhar, dentro dos prazos definidos pelo conselho nacional.
António Lourenço dos Santos foi também fiel aos seus princípios. Respondeu à americana, mas não à Trump, que diz tudo e o oposto: "Não comento".
Luís Boavida foi o mais detalhado. Achou que o deviam ter contactado previamente. Negou-se a fazer qualquer comentário sobre os outros nomes. Referiu haver partidos que recorrem a primárias para definir escolhas, o que lhe parece sinal de democraticidade. Concluiu avançando que, a haver sondagem, o resultado da mesma não terá qualquer influência no seu futuro. Político, deduzo eu.
José Delgado agradeceu as perguntas, às quais considerou não ser oportuno responder, em virtude de o processo estar a decorrer, remetendo-se à tranquilidade que a situação impõe.
A fechar, Lurdes Fernandes foi sucinta, mas bem clara. Disse que desconhecia totalmente tal matéria, pois soube só pelo jornal, abstendo-se por isso de emitir qualquer comentário.
Após o que, a interrogação surge naturalmente: Tomar está a tornar-se numa cidade de prodígios? Ou já é há muito uma cidade prodigiosa, centro de um concelho prodigioso, com gente geralmente prodigiosa?
Aceitam-se opiniões, desde que não sejam anónimas. Porque os anónimos não votam. Embora o voto se torne  depois  anónimo.

anfrarebelo@gmail.com

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

De tasca a café, assim vai a Assembleia, ó Zé!



Mário Cobra

O comum dos munícipes deve nutrir compreensível beneplácito por quantos descontraídos senhores deputados municipais, ao longo dos tempos, sempre participaram nas sessões da respectiva assembleia como se  estivessem num recreio. Isso mesmo - num recreio. Dirão “Vamos ali passar um bocado”. Soa bem. Vamos ali passar um bocado. As cadeiras são razoáveis, há água engarrafada nas mesas (antes das restrições havia), os pombos esvoaçam na praça pública. O costume, nestas descrições. Desabafo entre dentes dos deputados “Então, pá, acusam-nos do tu cá-tu lá, então, pá, queriam que levássemos isto a sério?”. Referem-se ao lamento expresso no “Tomar na rede”, que assim se transcreve Quem assistiu à última reunião da assembleia municipal de Tomar poderia pensar que, por vezes, estava a assistir a uma conversa de café”.
Rebuscando no arquivo das memórias, se agora parece um café, já foi em tempos acusada de parecer uma tasca, ó Zé!. Há c´anos, bons tempos que já não voltam, talvez por excesso de novas posturas de liberdades ao peito, um grupo de deputados municipais levava petisco para o recreio das nocturnas sessões da digníssima Assembleia Municipal. O garrafão de vinho caseiro, os enchidos de porco doméstico, o pão de fabrico próprio, que um dos deputados era padeiro. Enquanto os mais compenetrados parlamentares dissertavam retóricas sobre os alegados e chatos problemas do concelho, no gabinete anexo os mais descontraídos ferravam o dente no petisco, empinando tinto do bom, daquele ainda feito com uvas. Às tantas, uma bela noite, estranhou-se a falta de quórum para uma votação. Soou então a  pergunta incómoda: “Mas onde estão os deputados municipais?”. E logo a resposta, numa voz serena “Estão ali no gabinete ao lado, a encher a mula e a emborcar uns canecos”. Atente-se nesta subtileza de estratégia autárquica “Encher a mula e emborcar uns canecos”.


Chamados à pressa, ainda limpando os beiços, sentaram-se com ar compenetrado, ouvindo-se “Vamos lá então votar”, logo complementado com o gracejo de um deles “Vamos mas é arrotar”. Os folgazões acabavam por aprovar, mas sabiam lá bem o quê. Em vez de aprovar a proposta, preferiam aprovar a pinga.
Assumimos que o episódio foi por nós mais valorizado porque, enquanto representantes da comunicação social, nunca fomos convidados a proceder à cobertura jornalística do conluio, sempre discriminados neste entremeio gustativo. Lembras-te dessas farras, ó Zé? Sentados no espaço reservado à comunicação social, só os víamos passar, os senhores deputados. Intrigados, lá íamos comentando “Mas que raio, deu a vontade ao pessoal de irem todos ao mesmo tempo à casa de banho?”, “Será aperto de bexiga por meterem tanta água?”. Afinal eram apenas simples comezainas. Qual foi a solução para este esquema gastronómico nas sessões nocturnas? Isso mesmo, a sessão da assembleia passou a realizar-se na parte da tarde. Todos recordamos a anedota do presidente de um grande clube, ao marcar uma reunião de direcção para uma sexta-feira. A secretária perguntou:“Senhor presidente, sexta escreve-se com um ésse ou com um xis?" E o ilustre dirigente foi rápido na resposta: "Olha rapariga, é melhor marcar para sábado”.
Ainda nesse tempo das reuniões nocturnas, finda a avassaladora contenda ideológica, os deputados municipais das forças políticas do arco do poder dirigiam-se para um restaurante da zona, aí deglutindo à ceia a estimada senha de presença. Os deputados da CDU presume-se que não iam, por considerarem os repastos como desvios próprios de pequenos burgueses (pequenos consoante o tamanho do bife). O deputado do BE, esse não ia, por não lhe dar jeito comer sozinho.
Nessa época, em vez de “Vamos à assembleia” diziam “Vamos ao petisco”. Agora, em vez de “Vamos à assembleia” dirão “Então pá, logo vamos ao café”. Na hora dos mágicos lanches, quando o apetite também ataca o vizinho, comentam “Ó pá, agora ia um pastelinho”. Ou um beija-me depressa, ou uma fatia de Tomar, ou uma rodela de toucinho, mas daquele do céu, que o de porco faz engordar..
Por isso, de tasca a café, na Assembleia Municipal, houve ou não evolução, ó Zé? Pois houve sim senhor. Falta é o pão quente da Asseiceira, o tintol dos Casais ou os enchidos da Sabacheira. Por exemplo.

Porque concordo com quase tudo...

Porque sou visceralmente tomarense, nunca fui de rancores, quando está em jogo o futuro da minha amada terra. Embora nem sempre tenha concordado com as opções do PS local, quando liderado por Luís Ferreira, e muito menos com o a todos os títulos lamentável folhetim, que já dura pelo menos desde Janeiro de 2016, não posso deixar de concordar e até de aplaudir o texto seguinte do mesmo Luís Ferreira, que reproduzo com a devida vénia, do seu blogue vamosporaqui.blogspot.com
É meu entendimento que, a partir de agora, nada poderá voltar a ser como antes. Caso queira evitar vergonhas ainda maiores, Anabela Freitas apenas têm uma saída digna e elegante -demitir-se quanto antes. Porque já nem a eventual conferência de imprensa para explicar tudo a poderá salvar.

anfrarebelo@gmail.com

24.11.16


Demissão de Serrano - FAZER TUDO MAL FEITO


O estado maior socialista de Tomar – de Cristóvão à Anabela, deve estar por estas horas rejubilante de autossatisfação, pela demissão do anterior vice-presidente da Câmara, Serrano. É o roda bota fora perfeito, de quem não vê, porque não sabe, que a política não se escreve no curto prazo e que os fins não justificam, nunca, os meios usados. Serrano percebeu, tarde demais, ser a marioneta perfeita e útil, às mãos de quem nunca quis que a gestão da mudança, prometida e ainda por concretizar, fosse efetivamente implementada em Tomar.

Quem governa a medo e pelo medo, só pode esperar morrer pelo medo. A História não regista os fracos, mas sim os que com coragem apontam e fazem o caminho. E em Tomar, a estratégia seguida, afunda a comunidade nas contradições das incapacidades latentes e cada vez mais evidentes dos seus gestores públicos.
Serrano não era perfeito, mas era à entrada do mandato o único eleito, tirando eu próprio, que sabia da poda. Tinha uma visão diferente, tinha nível e pensava fora da caixa. Tudo características demasiado perigosas, numa macroestrutura avessa a pensar e a gerir com transparência e que, ao longo do tempo, demonstrou ser incapaz de liderar qualquer processo de afirmação de Tomar no contexto regional e/ou nacional. Tomar deixou de contar. Infelizmente.

No momento em que escrevo não sei quem substitui Serrano, nem isso importa. Agora, uma oportunidade se abre, para um de dois quadros do PS há muito preparados para o exercício de funções públicas: a advogada síndica da Câmara, Anabela Estanqueiro ou o atual chefe de gabinete, Dr. Virgílio Saraiva. Só a opção da promoção do atual chefe de gabinete não comporta riscos, para o envolvido ou para a organização. Anabela Estanqueiro é, há muitos anos, a sombra política de Anabela Freitas, nunca tendo sido por si apoiada no seu percurso político, por motivos óbvios. Participar na primeira linha de uma estratégia mal desenhada e com resultados demasiado incertos, seria hipotecar o futuro, porque ele precisa dos que sabem e contam.
Alguém imaginava, há apenas um ano atrás, que a gestão da autarquia de Tomar pudesse estar envolvida em tamanha confusão?

Pois. Alea iacta est (os dados estão lançados).