segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Carta aberta ao presidente do PSD Tomar

Senhor presidente:
Conhecemo-nos o suficiente para que eu pudesse usar outra forma de me dirigir ao senhor. É contudo meu entendimento que, nestas coisas da política e não só, é de toda a conveniência respeitar as normas societais. As que indicam nomeadamente que presidente deve ser sempre, em público, antecedido de senhora ou senhor. Dito isto vamos ao que importa.
Também já fui dirigente político, tanto em França como aqui em Tomar. Julgo por isso saber quanto custa decidir, sobretudo quando se trata de escolher entre companheiros e amigos. Essa é todavia a sua principal tarefa e o senhor sabia que assim era ao aceitar o cargo que agora desempenha.
Segundo os jornais locais, procurando facilitar a tarefa e, ao que soa por aí, instado pela direcção nacional do partido, no quadro das suas normais atribuições, o senhor está aguardando os resultados de uma sondagem concelhia, para depois deliberar com os seus companheiros a escolha do cabeça de lista para 2017.
Já por duas ou três vezes tomei a liberdade de alertar o senhor e os seus companheiros para as incertezas das sondagens. Fi-lo não por amor ao PSD, mas sim porque daí podem resultar graves inconvenientes para Tomar e para os tomarenses. Por exemplo, a reeleição da actual câmara PS, ou o que dela resta.


Após o desastre Trump, que venceu contra todas as previsões e sondagens, a primária de ontem em França, na qual foram às urnas, doando 2 euros cada, cerca de 4 milhões de eleitores, veio reforçar tudo o que tenho dito. A eleição primária aberta é o processo menos mau de todos para escolher um candidato.
Aqui chegado, nem o senhor nem os seus companheiros o dirão, porque pareceria mal, porém o problema fulcral que vos assusta cabe numa pequena interrogação -Como fazer? Compreende-se que assim seja. Aqui pelas margens nabantinas nunca ninguém ousou meter-se corajosamente por esse sulco fundador de futuro.  Por isso, aqui tem a minha proposta, cujo único objectivo é ajudar Tomar e os tomarenses, neste caso por intermédio do PSD.
Estou pronto a assumir, sob a égide da direcção social-democrata, mas num quadro de larga autonomia, a organização de uma eleição intercalar aberta no concelho de Tomar, tendo por fim designar o cabeça de lista do PSD para 2017. Esta disponibilidade inclui a redacção do respectivo regulamento a aprovar previamente, como é lógico.
Que experiência tenho eu nessa área? Pouca, mas alguma. Assegurei com sucesso toda a organização de dois processos eleitorais na universidade que frequentei e cujos órgãos de gestão integrei, por escolha dos meus colegas estudantes. Um vez que éramos um pouco mais de 30 mil, aqui em Tomar o único problema novo será a relativa dispersão geográfica.
Pense nisso e no futuro da nossa terra, senhor presidente. Estarei por aí no próximo mês.
Cumprimento-o respeitosamente,

António Rebelo

Mais um aviso sério para o PSD Tomar...

...e para os poetas da geringonça. Na eleição primária do centro e da direita, que teve lugar ontem em França, aconteceu novamente o chamado "acidente Trump" dos USA. Previa-se a vitória de Alain Juppé, antigo primeiro-ministro e actual presidente da câmara de Bordéus, ou de Nicolas Sarkozy, ex-presidente da República, batido em 2012 pelo socialista François Hollande. Terminada a votação, que atraiu 4 milhões de eleitores, cada um dos quais entregou 2 euros para pagamento das despesas, ao mesmo tempo que metia o boletim na urna, verificou-se que o vencedor destacado é o antigo primeiro-ministro e actual deputado por Paris, François Fillon, o mais direitista dos sete concorrentes. Conseguiu 44,1% dos votos, contra 28,6% para Alain Juppé e apenas 20,6% para Nicola Sarkozy. A segunda volta, inevitável uma vez que nenhum candidato conseguiu pelo menos 50% dos votos entrados nas urnas, será no próximo domingo. Com uma vantagem tão clara, tratando-se de candidatos da mesma família política, e com o apoio já anunciado dos vencidos, Fillon tem a vitória praticamente garantida. Será ele o próximo candidato do centro-direita à presidência da República, cuja eleição está prevista para Abril de 2017.

François Fillon em 2015

De acordo com os comentadores, a opinião geral em França é a de que venceu o candidato mais direitista, que contudo pouco ou nada tem a ver com Trump. Apenas os aproxima a opção liberal em economia. Caso vença as presidenciais de Abril próximo, Fillon já anunciou que tenciona reduzir as despesas do estado em 110 mil milhões de euros, em cinco anos, nomeadamente mediante a supressão de 500 mil empregos na função pública. Pretende também aumentar a idade da reforma para os  65 anos até 2022 e passar das 35 para as 39 horas de trabalho no funcionalismo, permitindo que no sector privado possam ser celebrados contratos com uma duração semanal do trabalho até um máximo de 48 horas. Anunciou igualmente o fim do monopólio sindical em cada empresa, podendo cada trabalhador negociar directamente, se assim o entender.
Tudo isto, que é afinal o oposto do que vem fazendo a geringonça em Lisboa, para que, na opinião do claro vencedor de ontem, a França possa voltar a ser a primeira potência económica europeia. Os eleitores gauleses, pelo menos os de ontem, parecem concordar.
Voltando a Tomar, que é afinal, para nós tomarenses, praticamente o centro do Mundo, esta eleição primária francesa é mais um sério aviso, sobretudo para o PSD, ainda em processo de escolha do seu cabeça de lista. Mais uma vez, os comentadores, os jornalistas, os especialistas e as sondagens falharam redondamente. Após o desastre estado-unidense, confirma-se assim que afinal nada pode substituir as urnas e os votos, num clima de total liberdade e de total responsabilidade. Todos os cidadãos-eleitores podiam votar. Cada eleitor pagou 2 euros para as despesas. Para evitar brincalhões, brincadeiras ...ou votos comprados.

Actualização

Além de permitir uma escolha muito mais segura do candidato, as eleições primárias são também um excelente negócio para os partidos organizadores. Em 2012, os socialistas franceses escolheram François Hollande como candidato, mediante a doação de um euro/pessoa "no mínimo". Contas feitas, noticia agora o Le Monde, uma vez pagos todos os custos, o PS francês registou e declarou junto da respectiva Alta Autoridade um lucro de um milhão de euros.
Desde vez, o Partido Republicano prevê despesas totais de ordem dos 8 milhões de euros, já cobertas nesta primeira volta, refere o Le Monde, com cerca de 4 milhões de votantes que doaram no mínimo dois euros cada. Agora, tudo o que vier na segunda volta, no próximo domingo, é lucro. Recorde-se que só há segunda volta quando nenhum dos candidatos conseguiu obter pelo menos 50% dos votos expressos e nela apenas podem concorrer os dois mais votados.
Pergunta pouco inocente: O PSD Tomar não precisa de dinheiro? Então estão à espera de quê? De subsídios camarários ou governamentais? É melhor procurarem um banco ...para esperarem sentados!

Análise comparativa de resultados


Dependendo a respectiva percentagem do continente, do país e do local de residência, a ignorância é das coisas mais disseminadas na sociedade. Regra geral, em política, os ignorantes pertencem a três grandes grupos: Os que não vêem porque não querem, os que não vêem porque não podem e os que não vêem porque não sabem. Este texto destina-se apenas aos que não vêem porque não sabem e querem ir aprendendo qualquer coisinha pela leitura atenta.  Os outros que se amanhem.
Começo com um pequeno conjunto de resultados eleitorais concelhios, que qualquer um pode consultar nos locais próprios:

Eleições autárquicas
Concelho de Tomar
Câmara municipal

Formações concorrentes...........PSD.........PS.........IpT........CDS........CDU.......MPT....... .BE
Data das eleições 
2005.........................................9.995......4.236.....4.948.......767.........1.446.........---..........672

2009........................................7.959.......4.756.....4.552.....1.210........1.667.........---..........829

2013........................................5.198.......5.479.....3.094........560........1.827......1.369........585

A partir destes números, que são oficiais e portanto não sujeitos a contestação, cada leitor poderá ver o que mais lhe aprouver, designadamente naquela óptica do copo meio cheio ou meio vazio. Mas as coisas são o que são. Assim, objectivamente, as minhas conclusões são as seguintes:
A - Em 8 anos, o PSD perdeu quase cinco mil eleitores (4,797, mais precisamente), mas esse autêntico exército não se transferiu para o PS, que apenas recuperou nesse mesmo período 1.243 votos, nem para os IpT, que até perderam 1.854 votos nesses precisos 8 anos.
B - Tendo em conta o que antecede, a pergunta que se impõe é esta: Para onde foram então esses votos social-democratas e IpT, num total de 6.651? Os números mostram que os beneficiados foram apenas, além dos socialistas, a CDU, com cerca de 400 e sobretudo o MPT, em 2013, com 1.369 votos. Os restantes terão ido para a abstenção, para os nulos ou para os votos em branco. Situação nada comum em democracia plena. A demonstrar que falta algo em Tomar.
C - Uma vez que nem mesmo com o PSD em acentuada queda e o PS em muito lenta recuperação, os IpT  conseguiram em 8 anos capitalizar tal descontentamento, continuando pelo contrário a perder votos, não se vislumbra qual a sua real utilidade no panorama político concelhio. A menos que entretanto procedam a alterações corajosas e dolorosas. 
D - A CDU tem vindo a subir muito lentamente (381 votos em 8 anos), mas ainda não conseguiu voltar aos resultados do tempo do Rosa Dias, apesar do indiscutível prestígio de Bruno Graça. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...
E - Tanto o CDS como o BE confirmam no concelho de Tomar aquilo que usualmente se diz deles a nível nacional e mesmo europeu, que os extremos se tocam. Na verdade, ambas as formações têm obtido resultados modestos e oscilantes, do tipo acordeão ou sobe e desce. A mostrar a sua evidente inadaptação às circunstâncias locais, dado que em 2013 o até aí desconhecido MPT não teve qualquer dificuldade em ultrapassá-las em todas as freguesias.
F - Quanto ao MPT, o magnífico resultado conseguido em 2013, por um candidato extremamente jovem, veio demonstrar, em conjunto com o aumento dos votos em branco e nulos, que apesar de em geral avessos à mudança, os eleitores tomarenses anseiam afinal poder votar em algo de novo, de diferente, mas também e sobretudo adequado e seguro.
G - É isto. Os habituais três clientes do poder, PS, PSD e IpT que se cuidem. O PS porque ganhou, em 2013, sem saber bem como, mas as coisas não lhe têm corrido nada de feição, no meu entender exactamente por causa dessa vitória inesperada. O que leva inevitavelmente a que uma eventual reeleição de Anabela Freitas seja por agora do domínio do milagre. Salvo se entretanto o PSD insistir em enfiar os pés pelas mãos, confundido bexigas de porco com lampiões eléctricos.
H - Os outros dois, PSD e IpT porque mostram já algumas dificuldades para conseguir algo urgente e essencial: arranjar maneira de estancar a hemorragia de votantes. O hemostático mais eficaz seria naturalmente uma coligação pré-eleitoral entre eles, associada a um programa encorpado e coerente. Mas isso é bem capaz de ser excessivamente complicado. A menos que consigam consenso sobre um candidato agregador, exterior e acima de qualquer suspeita. O que não é nada fácil. Mas às vezes...
Em qualquer caso, convirá que todos interiorizem em tempo útil esta verdade elementar: A fase das facilidades, em que bastava praticamente debitar promessas e outras balelas, já foi.

domingo, 20 de novembro de 2016

Uma insólita visita guiada

Para os que eventualmente estejam convencidos de que, em matéria de turismo, como no resto, já sabem tudo, segue-se a tradução de uma notícia do Le Monde on line de hoje, intitulada Cinco visitas guiadas surpreendentes. Traduzi apenas a referente a Barcelona. As outras 4 são, respectivamente "No rasto de Jack o Estripador", em Londres; "Bares e cervejas", em Lille; "Sabores", em Praga e "Visita detectivesca" em Lyon.


"O homem que nos aguarda em frente da catedral de Santa Cruz tem mesmo tudo do guia turístico. Até a mochila com plantas da cidade e o chapéu na cabeça, para que o clientes o possam reconhecer entre a multidão.
Mas no olhar de Ramon, 65 anos, há uma espécie de fragilidade que atrai. "Vou mostrar-vos a minha Barcelona." A Barcelona que calcorreou de lés a lés durante vários anos, quando vivia na rua. Tal como ele, quatro outros ex-sem abrigo, todos trilingues catalão-espanhol-inglês, catalão-espanhol-francês ou catalão-espanhol-alemão, tiveram uma formação específica de 80 horas, para se tornarem guias turísticos locais. Uma iniciativa privada, da Hidden City Tours, uma empresa fundada em 2014, pela inglesa Lisa Grace.
Chegados à Praceta S. Filipe Neri, no Bairro Gótico, Ramon explica a "grande" história. A do bombardeamento durante a guerra civil espanhola (1936/39), que causou 42 mortos e cujos vestígios persistem. Mas conta igualmente a "pequena" história: "Esta praceta é um dos locais mais procurados pelos SDF (Sem Domicílio Fixo) em Barcelona. No inverno estamos abrigados da chuva e do vento. No verão é fresca. O paradoxo é que os sem abrigo dormem no chão, frente a este soberbo hotel de quatro estrelas."
Durante a visita, Ramon fala também da sua vida passada, de cozinheiro em restaurantes de luxo em Manhattan, das suas conversas ocasionais com Jack Nicholson ou Omar Sharif... E depois do regresso trágico a Espanha, aquando da morte do irmão e do pai...
Uma visita turística, sem dúvida. Mas sobretudo alguém que vale a pena conhecer.
Deseja reservar uma visita (15 ou 25 euros/pessoa, sem ou com tapas e bebidas)?:
lisa.grace@hiddencitytours.com

Yonna Sultan R'bibo, Le Monde on line, 20/11/2016
Tradução e adaptação de António Rebelo

Como Santo António pregando aos peixes

Peço antecipadamente perdão. Vou ser franco e directo. Dirijo-me a dois grupos de conterrâneos, um extremamente reduzido mas obstinado. Outro extremamente numeroso mas conformista, fatalista e por isso sossegado em excesso, na minha opinião.
O que desde há longos anos me incomoda em Tomar, não é tanto a evidente falta de oportunidades fora da função pública. É o escancarado declínio da cidade e do concelho, que aparentemente ninguém vê, ou não quer ver.
Permitam-me uma comparação entre duas cidades. Estou a escrever em Fortaleza, capital do Ceará, no nordeste brasileiro. Foi fundada em 13 de Abril de 1726, no século XVIII portanto. Já Tomar existia há 566 anos. Actualmente, Tomar tem 856 anos e cerca de 40 mil habitantes, que para o ano serão ainda menos, tendo em conta que na última década perdeu perto de 3 mil eleitores. Enquanto isso, Fortaleza completa 290 anos e caminha a passos largos para os 3 milhões de habitantes. Leu bem: três milhões de habitantes! Quais serão as causas desta diferença tão abissal?
No meu entender duas, representadas pelos dois grupos acima referidos. Os vesgos obstinados e os conformistas-fatalistas instalados. Começando por aqueles e escrevendo exactamente aquilo que penso, trata-se de meia dúzia de cidadãos, cuja principal qualidade não é  a inteligência, mas  que disso se não dão conta. Não por má vontade. Obviamente porque  a cabeça não dá para mais. É triste e cruel, custa escrevê-lo, mas é assim mesmo, creio eu, enquanto não me demonstrarem que estou enganado. 
Para essa pobre gente, tudo serve para tentar desacreditar quem procure, mesmo de forma desinteressada, alterar o nefasto rame-rame local. Uma vez que as respectivas bagagens intelectuais não permitem grandes voos, recorrem sempre aos mesmos argumentos, que são três. Acusam-me de procurar tacho, de ser demasiado agressivo e de nunca ter feito nada por Tomar, seja lá isso o que for.
A primeira acusação, a do tacho, é tão ridícula que nem resposta merece. Cheira a mofo. A segunda não passa afinal da velha habilidade, que consiste em procurar que olhem só para o dedo quando ele aponta para a Lua.



Já a terceira, a de que nunca fiz nada por Tomar, me parece mais justificada, uma vez que pode resultar da ignorância. Merece por isso resposta detalhada.
Realmente, pouco ou nada fiz por Tomar, em relação àquilo que gostaria e poderia ter feito, se me tivessem ajudado, ou pelo menos facilitado a vida. Ainda assim, peço licença para lembrar alguns aspectos mais relevantes. A - Assegurei gratuitamente, ao longo de décadas, centenas e centenas de visitas guiadas à cidade e ao Convento de Cristo, procurando sempre valorizar a minha amada terra; B - Solicitado pela então AD, perdi com muito prazer e sem qualquer remuneração algumas noites de sono, na elaboração do processo de candidatura que veio a culminar com a classificação do Convento de Cristo como Património da Humanidade; C - A pedido do então vereador da Cultura, redigi grátis um plano de gestão para o Convento de Cristo, que previa a transferência do monumento para o município e veio a ser aprovado em conselho de ministros; D - A pedido do respectivo vereador PSD, defendi em Santarém -sozinho perante todos os autarcas do distrito e sem auferir qualquer remuneração- a criação de uma comissão regional de turismo em Tomar. Venci e convenci. Infelizmente, após lhe ter também arranjado o nome, galifões incompetentes foram-lhe deitando sucessivamente a mão e a mesma já não existe sequer. Até a sede, entretanto paga pelos municípios da zona, pertence agora ao Turismo de Lisboa e está à venda. Fica ali ao fundo da Corredoura. E - A solicitação de um professor da casa, meu antigo aluno, sugeri a criação de um curso superior de turismo no Politécnico de Tomar e até especifiquei que devia ser na área do turismo cultural. Foi quanto bastou. Outros lhe deitaram logo a mão  e se agora aquilo não vai mal, também podia ser outra coisa. É a velha história. Regra geral, os filhos desenvolvem-se sempre melhor sob a égide dos pais biológicos.
É pouco o que acabo de explicitar? É sim senhor. Também eu estou insatisfeito e por isso continuo a escrever. Mas há tantos que, não procurando tachos, não sendo agressivos nem extremistas, e alardeando supostas boas maneiras, fizeram até agora muito menos. O que me leva  a citar partes do conhecido Sermão de Santo António aos peixes, dito em 13 de Junho de 1655, em S. Luís do Maranhão, pelo padre jesuíta António Vieira, que apesar de sacerdote teve problemas sérios com a Santa Inquisição. É sempre assim. Não convém destacar-se no rebanho.
"O efeito do sal é impedir a podridão, mas quando a terra se vê tão podre como está a nossa, havendo nela tantos que têm o ofício do sal, qual será, ou qual pode ser a causa dessa podridão? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar.
Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
Isto suposto, quero hoje, imitando santo António, voltar-me da terra ao mar e, já que os homens se não aproveitam, pregar aos peixes. O mar está aqui tão perto, que bem me ouvirão. Os homens podem deixar este sermão, pois não é para eles."
Lido tudo isto, está à espera de quê para mudar de atitude, num mundo em constante mudança, colocando-se finalmente no lugar que lhe compete em função das suas capacidades reais?
Sem isso estará a contribuir deliberadamente para que esta nossa querida Tomar se afunde cada vez mais. Porque, peço perdão pela franqueza bruta, no estado actual das coisas, na sua grande maioria, incluindo respeitáveis autarcas, os tomarenses visivelmente, nem f...., nem saem de cima.
Essa é que é essa! E eu tinha de escrever tudo isto. Para poder ser lido pelos vindouros. Para memória futura, em linguagem mais cuidada.

sábado, 19 de novembro de 2016

Agreste eu, António Rebelo?!?!

"Precisamos de quem governe o município. Não de quem arranje desculpas."



Foto vamosporaqui.blogspot.com

..."Honestamente nunca julguei que a demência do poder pudesse afectar tanto uma pessoa. à qual dei o meu empenho, trabalho e ajuda durante 11 anos da minha vida, para que pudesse, com sucesso vir a ser tudo aquilo que tem sido.
...a cidadã Presidente Anabela Freitas ter recorrido à mentira para se tentar vitimizar. Quem assim age com quem vivia, imagine-se o que não tem feito e o que não será capaz de fazer com outras e com outros, que tenham opiniões não totalmente coincidentes com as suas, que tenham ou venham a ter o azar de se lhe atravessar no caminho.
O risco para todas e para todos é grande, demasiado grande, para poder ser ignorado.
E porque Tomar é de todos, devemos estar avisados que há mesmo Lobos que se tentam travestir de cordeiros, que não deixam se ser lobos."


..."A Grande questão é: Se Anabela Freitas é capaz de fazer isto [queixar-se judicialmente] a quem com ela vivia há mais de uma década, do que terá já sido capaz de fazer e o que fará no futuro, a quem dela discorde mesmo que pontualmente sobre qualquer assunto?"


Agreste eu, António Rebelo?!?!

A trapalhada do parqueamento tarifado

Segundo o site da Rádio Hertz, está a acontecer com o parqueamento tarifado o mesmo que tem acontecido com muitas outras decisões da câmara. Só depois de postas em prática é que se conclui que não foram assaz estudadas e/ou projectadas. Para dar apenas um exemplo, ainda hoje ninguém sabe ao certo para que serve aquela coisinha do Mouchão, que está concluída há mais de cinco anos. E no entanto alguém terá aprovado o respectivo projecto. Caso único? Claro que não. Só depois de terminadas as respectivas obras de melhoramento (!), a autarquia chegou à conclusão que não podiam cruzar-se dois autocarros na Estrada do Convento, ao contrário do que acontecia anteriormente. E só após a inspecção da ASAE, os senhores autarcas concluíram que o parque municipal de campismo tem estado a funcionar ilegalmente, Trata-se portanto, por assim dizer, de uma doença crónica naquela casa. Dá pelo nome genérico de gestão do improviso.
Agora, para tentar remendar o problema do parqueamento tarifado, nomeia-se uma comissão e aguarda-se, mas também aqui o resultado já é conhecido. Nos anos 30 do século passado, o político francês Georges Clémenceau terá pronunciado a frase que depois se veio a tornar lapidar: Se querem resolver o problema, vamos a isso. Caso contrário nomeia-se uma comissão.
Indo ao essencial, se a maior parte dos autarcas e dos tomarenses não fossem afinal uns simples campónios armados em cidadãos urbanos com Mundo, não estaríamos agora, uma vez mais, enterrados na marmelada até aos joelhos. Porque o problema parece-me simples, desde que encarado e depois planeado a partir de premissas realistas. Que são as seguintes: 1- Os carros estacionados na área urbana são, na sua esmagadora maioria, de residentes, excepto junto ao Convento, frente aos correios, à volta do tribunal, na Várzea grande e próximo do mercado, às sextas-feiras. 2 - Estes residentes dividem-se em dois grandes grupos, a saber a) - os que usam o carro todos os dias, excepto aos fins de semana, mas querem um lugar para estacionar, à porta ou próximo, naturalmente sem pagar; b) - os que, pelo contrário, usam o carro uma vez por semana ou nem isso e utilizam a via pública como garagem ao ar livre. 3 - Grande parte dos carros do grupo 2 b) atravancam sistematicamente as ruas do Centro histórico onde é possível estacionar, até que um dia algum acidente de maiores proporções obrigue finalmente os autarcas que temos a entender que é muito perigoso estacionar no casco histórico, sobretudo tratando-se de carros-ventosa. Sei do que falo pois já uma vez estive deitado dentro de uma ambulância durante perto de meia hora, aguardando que aparecesse o dono de determinado carro, para o retirar e permitir a manobra do veículo de socorro urgente. Felizmente não era nenhum AVC...
Assim sendo, tarifar determinadas áreas, mas reservar outras para estacionamento gratuito dos moradores, não lembrava ao diabo mas lembrou ao executivo que temos. Certamente porque ignoram um dado essencial: estudos recentes demonstram que, nas cidades médias e grandes, os carros dos respectivos residentes não cabem nos locais de estacionamento gratuito, caso estejam lá todos ao mesmo tempo. Resta portanto  encarar o problema de outro modo, enquanto é tempo.
Modo esse que a meu ver poderá ser o seguinte: A - Aprovar nos órgãos próprios uma deliberação proibindo o trânsito e o parqueamento, excepto nos locais tarifados, em todo o Centro histórico, entre a Rua da Graça e o Largo do Pelourinho; B - Acabar com as bolsas de estacionamento gratuito para residentes em toda a área urbana, porque andar a pé nunca fez mal a ninguém; C - Tarifar todos os restantes locais de parqueamento. Como bem diz o povo, "quem não tem dinheiro não tem vícios". Por conseguinte, só deve ter carro quem tenha garagem ou meios para pagar o respectivo parqueamento. O imposto automóvel é para circular nas ruas e estradas. Não é para as atravancar, transformando-as em garagens improvisadas.
A época não é a melhor, dado haver eleições no horizonte. Mas quanto mais tarde pior maré. E não há outra saída viável. Cada vez haverá mais carros, as ruas e largos não vão esticar, e milagres já nem em Fátima, quanto mais agora em Tomar.