terça-feira, 15 de novembro de 2016

Inovar nunca fez mal a ninguém

Conforme dito no texto anterior sobre esta matéria, o tempo passa e os dirigentes do PSD tomarense continuam mudos e quedos quanto à escolha e posterior indicação do cabeça de lista para as próximas autárquicas. Deve tratar-se de alguma norma ensinada na escola política tomarense, uma vez que também Pedro Marques continua aguardando melhor ensejo para anunciar o futuro cabeça de lista dos IpT. Neste caso porém, manda a verdade acrescentar que o citado dirigente já assegurou pessoalmente ao autor destas linhas que haverá novidades até Dezembro. Ainda dispõe portanto de 15 dias para cumprir o prometido.
No que ao PSD Tomar diz respeito, compreende-se o imobilismo dos seus dirigentes. Enquanto em Abrantes as hipóteses de vencer não são muitas, nas margens nabantinas, pelo contrário, o eleitorado está com os olhos postos na formação política que dispõe de todas as condições para ganhar. E só não ganhará se cometer erros monumentais, daqueles sem remissão possível. Como por exemplo partir-se todo, logo após a designação do cabeça de lista.
Salvo melhor e mais fundamentada opinião, creio poder avançar, sem grande risco de erro, que é isso mesmo que se vai passar. Haverá cisões no PSD nabantino, tal como já está a suceder em Abrantes. Essas cisões serão provocadas por dois factores principais já perfeitamente visíveis, mesmo pelos menos versados nesta matéria.  Refiro-me à existência de vários candidatos a candidatos (quatro pelo menos), todos com algum apoio interno, bem como ao obsoleto método de escolha do cabeça de lista.
Quatro décadas após as primeiras autárquicas livres, até a lei eleitoral está a precisar, como todos sabemos e quase todos defendemos, de uma profunda reforma, que acabe com o oligopólio partidário, permitindo que cada cidadão se submeta ao eleitorado, mesmo só ou mal acompanhado. E se a lei eleitoral carece de urgente reforma, os próprios partidos e as suas práticas internas não são flores que se cheirem. Bem pelo contrário.

PSD Partido Social Democrata

Uma dessas práticas curiosas é o método de escolha do cabeça de lista, regra geral a olho e a dedo. Muito raramente mediante uma votação primária interna, com vencedor combinado antes. Foi o que fez nomeadamente o PS Tomar em 2009, sob a batuta de Luís Ferreira, tendo-se saído bastante mal, conforme demonstrado pelo que veio a acontecer a seguir. E a telenovela que aí nasceu, ainda não findou. Geralmente, quem com ferros mata, como ferros morre.
Julgo que uma boa maneira de melhorar a selecção interna em cada partido, seria exigir aos aspirantes a candidatos que apresentassem previamente à direcção partidária um resumo das suas ideias, em duas ou três folhas A4, no máximo, especificando o que cada um pretende fazer se vencer e como conta proceder se vier a integrar a oposição.
Num segundo tempo, uma semana depois de terem sido distribuídos a todos os militantes os antes referidos esboços programáticos, marcar-se-ia uma nova AG, durante a qual cada candidato disporia de 15 minutos para defender oralmente o seu projecto, podendo a mesa da reunião, ou o público presente, fazer-lhe perguntas para esclarecimento. Seguir-se-ia então a votação interna, em boletim único com todos os candidatos, devendo cada eleitor marcar com uma cruz frente ao nome a sua preferência. Ou anular, ou deixar em branco.
A ideia aqui fica, livre de quaisquer ónus ou encargos. Se vier a ser aproveitada, tanto melhor para todos nós, que bem precisamos que as coisas melhorem quanto antes por estas bandas.

anfrarebelo@gmail.com

Preocupado e cheio de dúvidas

Ambiente de cortar à faca na Platex? Parece que sim, de acordo com uma notícia de Tomar na rede. Será razoável tal situação, numa zona em forte crise e com acentuado desemprego? E quais serão as razões? Os patrões são uns monstros, que só pensam em explorar os trabalhadores? Os operários são todos uns santinhos, que se matam a trabalhar por salários de miséria? Não há condições mínimas de higiene? O que levou os gestores a deixarem de assegurar a guarda das viaturas dos trabalhadores durante a noite? Há rescisões abaixo do legalmente  estipulado?  Só agora é que os empregados repararam que as coberturas são em amianto?
Segundo o informador na origem da notícia, houve instalação de câmaras de vigilância. Para evitar que os operários trabalham demasiado?  Apenas porque os gestores são sádicos? Aquele comentário ameaçador no Tomar na rede, naturalmente anónimo, pretende o quê? Sentar as partes desavindas à mesma mesa, para negociar?
Refere também a notícia que foram instalados novos portões e que, durante a noite, a chave distribuída a cada trabalhador apenas permite o acesso pedonal. Só para irritar o pessoal? Ou será que algumas placas produzidas tinham o hábito lamentável de ir dar uma volta motorizada para fora da fábrica, justamente no período nocturno?


Ambiente de cortar à faca, delegados sindicais afastados aquando da reestruturação, atmosfera de medo, atitudes menos tolerantes de parte a parte, tudo isto cheira a filme já visto na Fábrica de fiação, na Matrena, em Porto de Cavaleiros, na Fábrica da resina e por aí fora. Acabou como se sabe. Com o encerramento e a supressão definitiva dos respectivos postos de trabalho. Sem quaisquer indemnizações para a maior parte dos trabalhadores assim atirados para o desemprego. É isso que querem conseguir na IFM - Platex? O regresso à incerteza de 2009?
Não, de modo nenhum? Então o melhor, penso eu, será mudar de atitude, enquanto é tempo. Porque nem patrões nem empregados têm nada a ganhar com o actual estado de coisas. Nem com denúncias anónimas. Segundo reza a sabedoria popular, "Não é com vinagre que se apanham moscas". Assim sendo, como poderão os políticos locais atrair investidores, como forma de aumentar postos de trabalho, se há trabalhadores que visivelmente tentam arruinar uma das raras empresas industriais que ainda resistem em Tomar? Por falar em políticos locais: Não seria oportuno que a autarquia tentasse uma mediação entre as partes manifestamente desavindas? 

A sete horas e meia de avião de Lisboa, impressionado com o carácter inesperado da notícia, pode muito bem dar-se o caso de eu estar a ver mal o problema. De não entender cabalmente a situação. Se tal for o caso, agradeço desde já todos os esclarecimentos possíveis. E prometo publicá-los aqui, desde que cabalmente identificados, podendo mesmo vir a ocultar essa identificação, se tal se vier a justificar. Vamos a isso?

anfrarebelo@gmail.com

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Um projecto para Tomar

Um amigo que muito estimo, respondendo a um reparo meu, esclareceu-me que andava em demanda de uma causa tomarense, apadrinhável pelos tomarenses todos. Entendi que queria dizer um projecto para Tomar, que consiga congregar uma maioria de tomarenses. Um pouco o que infelizmente acaba de ocorrer nos Estados Unidos, com a imprevista eleição de Trump, só que de sinal contrário.
Limitei-me na resposta, desejando-lhe boa sorte. Isto por ser minha convicção que tal demanda será em vão, porque os piores inimigos de Tomar são os próprios eleitores tomarenses. Não de forma deliberada, bem entendido. Simplesmente porque não entendem nem se dão conta das consequências para a urbe e para o concelho daquilo que vão fazendo. Já aqui foi dito, porém nunca será demais repetir, enquanto a situação se mantiver.
Numa rápida pesquisa na net, concluí que se vendem diariamente em Portugal cerca de 200 mil exemplares de jornais desportivos (120 mil A bola, 60 mil Record, 25 mil o Jogo). É verdade! 200 mil exemplares desportivos para 10 milhões de habitantes. Comparativamente, em Espanha, os diários desportivos Marca e AS ficam-se conjuntamente pelos 300 mil exemplares, para uma população de quase 47 milhões. Mais de quatro vezes e meia a população portuguesa. Na mesma linha, em França o L'équipe e o France Football, respectivamente diário e bi-semanário, vendem  230 mil e 75 mil exemplares cada um. Um total de 300 mil exemplares, para 67 milhões de habitantes.

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Há portanto algo de particular em Portugal, no que se refere à leitura de jornais, com números bem superiores aos europeus no que concerne aos desportivos, mas muito aquém dos mesmos europeus em termos de imprensa generalista. O Expresso não vai além dos 120 mil por semana e o Correio da Manhã anda também por aí, mas diariamente. Quanto aos diários ditos de referência -Diário de Notícias e Público- ficam-se aquém dos 20 mil exemplares vendidos. Uma verdadeira miséria cultural.
Que significa tudo isto, para quem, como eu, nada tenha contra a imprensa desportiva? Quanto a mim, indicam apenas -e já não é nada pouco- que a população em geral prefere leituras leves, suaves, que abordem assuntos sem consequências práticas na vida de cada um. Que o Benfica ganhe, o Sporting perca ou o Porto empate, as implicações na vida de todos e de cada um, excepto para o próprio clube, são nulas, para além da alegria ou tristeza consoante o resultado. Mas essa atitude de preferir sistematicamente embrenhar-se na leitura da imprensa desportiva, em detrimento da outra (no fundo, uma forma de alienação), vai prejudicando e muito as nossas comunidades urbanas, Porque não é sinónimo de boa cidadania implicar-se nos resultados desportivos, mesmo do clube da terra, mas estar-se nas tintas para o buraco ao fundo da rua, as aselhices dos autarcas ou a fuga da população. Atitude que pesa muito aquando de cada consulta eleitoral.
Esta problemática situação é particularmente evidente em Tomar, onde até já prosperou, no tempo das vacas gordas, um jornal desportivo -o Remate. Que fechou portas não por falta de leitores e apreciadores, mas apenas porque as vacas emagreceram e os seus patrocinadores foram forçados a retrair-se. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Só a qualidade média dos eleitos tomarenses é que se mantém inalterada  desde as primeiras eleições autárquicas, em 1976. Por alguma razão será...
De resto, essa tal tendência para preferir leituras leves que não atinjam o leitor nas partes mais sensíveis, nota-se mesmo aqui, neste modesto blogue. Basta consultar as estatísticas insuspeitas do Google. Aí se constata que, regra geral, a excelente e sempre bem-vinda prosa do meu amigo Mário Cobra é mais lida do que a  minha. Porque ele escreve bem, de acordo. Mas também porque aborda as coisas com sábia ironia e fica-se sempre pelas generalidades. Nunca vai ao tutano. Ao contrário do que eu procuro fazer, dando sistematicamente caneladas nos meus conterrâneos. Procurando ir ao osso de cada questão. Aonde dói. Com boa intenção, mas mesmo assim caneladas psicologicamente dolorosas. Que todavia só magoam por óbvia falta de hábitos democráticos. Dos visados, não minha. Por isso consta por aí que sou agreste, que sou ríspido, que sou malcriado. Pois sou, mas propositadamente. E não tenciono mudar. Pelo menos enquanto os meus concidadãos se mantiveram como são, e a minha amada terra necessitar, no meu entender, de quem seja sempre franco, directo, bruto e mal educado, quando necessário. Embora salvaguardando as boas maneiras e a não violência física, que são sempre valores  essenciais e irrenunciáveis.
Nestas trágicas condições, com esta população que temos, (e infelizmente não há outra, como diria o Beresford), elaborar um projecto para Tomar, susceptível de congregar à partida uma larga maioria favorável, não me parece tarefa fácil. A menos que se trate de planear uma passeata colectiva, com comezaina à fartazana, muito tintol, bailarico e animação. Tudo à custa do orçamento municipal, evidentemente! Os contribuintes assumem tudo. Que remédio. Como bem cantou o Variações, já lá vão duas ou três décadas, "Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que as paga...é só pagar, é só pagar, é só pagar."
É desgraçadamente uma situação sem remédio, enquanto não houver uma maioria eleitoral capaz de intuir a relação  para mim evidente entre o cu e as calças.
Em conclusão, este escrito é mesmo muito desagradável, não é? E o culpado é o autor, claro! Boa altura portanto para relembrar aquele dito milenar chinês, atribuído por vezes a Confúcio, segundo o qual, "Quando o dedo aponta para a Lua, os idiotas só olham para o dedo." Mas se calhar preferem aquele outro, que também vem a propósito, escrito por Bertold Brecht: "Todos acusam o rio violento, que tudo  vai destruindo na sua passagem. Mas todos esquecem as margens que o oprimem."

anfrarebelo@gmail.com 

Mau sinal vindo de Abrantes

Segundo o semanário O Mirante, há cisões no PSD Abrantes, provocadas pela escolha do cabeça de lista para as próxima autárquicas. É um mau sinal para o PSD Tomar. Conforme já aqui foi demonstrado, Tomar e Abrantes têm população comparável e problemas semelhantes, nomeadamente crise económica grave, desemprego, falta de investimento e fuga da população mais nova. Além disso, Abrantes tem outra parecença importante com Tomar - um oneroso equívoco chamado Complexo da Levada, que lá designam por Museu Ibérico de Arte e Arqueologia.
Mas aí cessam os pontos comuns às duas cidades, Abrantes desde 1917, Tomar desde 1844, o que faz dela a mais antiga do distrito. Enquanto Tomar é, sem contestação possível, uma cidade de recursos turísticos, que explora com alguns erros crassos, a vocação turística de Abrantes não é evidente, por nítida carência de atractivos nessa área. O que vai forçar a autarquia abrantina, mais tarde ou mais cedo, a procurar alternativas mais realistas e promissoras para o desenvolvimento económico da cidade e do concelho. Dizer o contrário só para agradar, seria enganar os abrantinos e por isso desonesto. As coisas são o que são.

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Aspecto do Castelo de Abrantes

Também em termos de eleitos,  o panorama é bem diferente. Em Abrantes o PS dispõe de ampla maioria absoluta, com 5 eleitos, enquanto o PSD se contenta com um só, uma vereadora que foi cabeça de lista vencida em 2013. O outro vereador pertence à CDU. Em Tomar, como se sabe, o PS já nem de maioria relativa dispõe, mesmo em coligação, após o auto-afastamento do vereador Serrano, enquanto que o PSD conta com dois vereadores. Temos assim outra diferença de monta. Em Abrantes não há oposição devido à esmagadora maioria socialista. Nas margens nabantinas só não há oposição por nítida falta de habilidade para tanto. O PS minoritário agradece. A CDU esfrega as mãos de contente. 
Se calhar ainda traumatizado pelo magro resultado de 2013, o PSD Abrantes resolveu desta vez agir com tempo e já escolheu o seu cabeça de lista para 2017. Acto continuo, verificaram-se divisões graves entre os laranjas. Refere O Mirante, na notícia citada, que a única vereadora social democrata se desvinculou do partido (terá aprendido com Luís Ferreira e Rui Serrano?), enquanto os deputados municipais laranja já deixaram de se reunir na sede do partido. Clima tempestuoso nas hostes social-democratas em Abrantes.
Graças a Deus em Tomar não temos nada disso, não há cisões. O partido está unido, dirão os dirigentes laranja  nabantinos. Pois está, concordo eu. Mas à volta de quê? De quem? Para quê? Por quanto mais tempo?
Se bem entendo, os PSD tomarenses estão unidos no imobilismo, na inoperância política e no evidente nevoeiro espesso quanto ao futuro próximo. O que não augura nada de bom. Na minha tosca opinião, mostra apenas que há receio de avançar, sabendo os dirigentes que qualquer decisão fora do comum vai provocar alterosas vagas internas. E o comum é o imobilismo absoluto no que toca ao essencial. 
Por conseguinte, a pergunta é inevitável: Até quando poderá a actual direcção social-democrata de Tomar continuar a fingir que está morta? Quer queira, quer não, mais cedo que tarde vai ser forçada a ressuscitar e a decidir. Uma chatice, mas tem de ser! E quanto mais tarde, pior maré, porque quanto maior a expectativa, maior o perigo de contestação. E se depois, devido ao adiantado da hora, já não houver tempo para reparar os estragos?

domingo, 13 de novembro de 2016

Finalmente alguém consegue explicar

Não é costume abordar aqui questões de âmbito internacional. Desta vez porém, não consigo resistir. Perante rios e rios de conversa sobre a vitória de Trump,  que praticamente ninguém previra, uma reporter do jornal O POVO, de Fortaleza, disse em poucas linhas o que me parece essencial e convenceu-me. Segue-se a transcrição da sua prosa:

Isabel Filgueiras
Reporter do Núcleo de Conjuntura
O POVO, Fortaleza 13/11/2016
Página 2

"Os democratas que elegeram Donald Trump"

"Os sinais estavam lá, evidentes. Havia muito tempo que o povo pedia algo diferente, um jeito novo de governar. mas o partido democrata resolveu apostar na velha fórmula. Em vez de Bernie Sanders, escolheram Hillary Clinton. A derrota do senador septuagenário não ocorreu nas urnas, no voto popular. Perdeu por falta de apoio dos caciques do partido. Sanders não tinha delegados para competir com Clinton nas primárias, porque quis uma campanha mais independente, que rompesse com o sistema, ficando bem à esquerda, longe das grandes empresas. Tal como Donald Trump do lado oposto.
Os democratas preferiram uma campanha com a segurança dos grandes donativos dos lobistas e o apoio quase total da comunicação social nacional. Não arriscaram com aquele que podia oferecer o que o povo queria -ideias e um outro modelo. Tiraram às pessoas a escolha entre direita e esquerda, que transformaram na disputa entre mais do mesmo e o extremismo.
Até se esqueceram da campanha de Barak Obama, que tinha como lema "esperança", algo novo, e deixaram que o mesmo povo que elegeu o primeiro presidente negro dos Estados Unidos escolhesse agora um multimilionário sem plano de governo. Apenas com um discurso de ódio, que acabou ofuscado pela vontade de mudança."

O meu comentário
Em Tomar, como no resto do país, os partidos controlam eficazmente as candidaturas, graças aos homens de mão de espinha maleável que os servem. Não é portanto plausível que o próximo presidente da câmara venha a ser um extremista de direita. E ainda menos de esquerda. Mas podemos muito bem vir a ter mais um ou uma incapaz. Os sinais premonitórios não são nada animadores, numa terra que como bem sabemos odeia as ideias novas, os espíritos livres e os insubmissos que continuam com as mãos limpas. 
Por isso estamos cada vez melhor.

Indicação muito oportuna e um retrato possível

Numa terra extremamente carenciada em termos de sinalização rodoviária e para peões, fiquei muito satisfeito ao reencontrar, algures na net, um painel que julgava perdido no sótão das minhas recordações. Publico-o com todo o gosto, por dois motivos. Antes de mais, por estar convencido de que tanto a Anabela como o Luís, embora não praticantes, nestes últimos tempos devem rezar muito a essa santa. Porque ambos querem vencer. Na vida e no resto. É portanto com todo o gosto que, graças ao moderno painel, lhes posso mostrar o caminho para o respectivo templo. Consta que são mais ouvidas as preces rezadas nos templos adequados, como de resto também sucede nas agremiações partidárias. E pelos jeitos este templo até fica para a esquerda, para onde também parece encaminhar-se o Papa Francisco, com aquela sua recente referência ao ideário comunista.
Em segundo lugar porque, forçosamente estressada (como dizem brasileiros) com tanta trapalhada, a nossa presidente, nestes últimos meses, pouco mais terá sido, infelizmente para ela e para muitos munícipes, que isso mesmo que mostra o painel, assim transformado em retrato possível: Uma senhora que apenas pensa no vencimento. No duplo sentido do vocábulo. Vencer na sua luta contra circunstâncias várias, uma das quais dá pelo nome de Luís, e receber o dito cujo, a que tem direito mensalmente.


Falemos então de turismo

Turismo, do francês tourisme, acto de faire un tour = dar uma volta. Em português actual, deslocar-se para ver algo. Enquanto actividade individual, ou mesmo familiar, é  muito mais antiga do que geralmente se pensa. O arqueólogo francês Lauer identificou nas ruínas da necrópole de Sakara, próxima do Cairo (Egipto), nos anos 60/70 do século passado, comentários de visitantes com mais de 45 séculos. Serão mesmo os mais antigos?

Vista parcial da Capela Sistina, com as célebres pinturas de Miguel Ângelo. Ao fundo, a figura central é Cristo ressuscitado. Se não pode ir ao Vaticano, nem se contenta com a TV, pode ir ao Convento de Cristo, em cuja Charola está uma réplica exacta do século XVI, na parede exterior virada para o coro manuelino.

Como indústria para criar  valor acrescentado e satisfazer as necessidades de quem viaja em lazer, o turismo é algo contemporâneo, Começou a expandir-se, transformando-se pouco a pouco em movimento de massas, a partir da concessão de férias pagas a todos os trabalhadores salariados, pelo governo da Frente popular, em França, em 1936. Antes, só as camadas mais privilegiadas, uma ínfima minoria, podiam dispôr de tempo livre e de dinheiro para viajar, ou para descansar à beira-mar e na montanha (desportos de Inverno).
Em Portugal, país de turistas trotamundos, (para usar um muito expressivo vocábulo espanhol moderno), a partir da empresa dos Descobrimentos do Infante D. Henrique, o turismo desenvolveu-se relativamente tarde, sobretudo com as peregrinações a Fátima em autocarro, a partir do fim da 2ª guerra mundial, em 1945. Paralelamente, dada a relativa proximidade e tendo em conta os custos elevados do transporte aéreo, assistiu-se a um incremento acentuado de turistas estrangeiros, sobretudo franceses e ingleses. Mas o turismo de multidões, tal como agora o começamos a conhecer aqui em Tomar, só se tornou possível com a acentuada redução de custos do transporte aéreo, a generalização do automóvel e das férias pagas, a abolição de vistos, a abertura das fronteiras e a grande melhoria das condições de vida.
Indústria de serviços do mundo contemporâneo, o turismo não traz só vantagens para os países e cidades receptoras como a nossa. Que o digam Veneza - Itália , Granada - Espanha, Guizé - Egipto, o Vaticano ou Guadalupe - México, forçadas a limitar entradas, tempos de visita ou mesmo dias de abertura.
Quando visitei Roma, fiz fila a partir das 6 da manhã, para ser dos primeiros a entrar no Museu do Vaticano. Já lá dentro, acelerei o passo, de forma a poder contemplar mais demoradamente a Capela Sistina (ver foto acima)  De nada me valeu. 15 minutos mais tarde, fui empurrado para a saída, de forma a permitir a entrada dos grupos seguintes.
Em Guadalupe (México), para acabar com o congestionamento frente ao altar principal, foi instalado um tapete rolante...

A Festa dos Tabuleiros, tal como são obrigados a vê-la muitos visitantes e residentes.

Além das filas para estacionar, para  adquirir ingressos, para visitar, para almoçar, para jantar, para os sanitários, para comprar água ou recordações, há o barulho, o lixo, a salganhada, as fotos onde fica sempre alguém indesejado (Ver foto). O turismo moderno não é portanto só vantagens, ou uma panaceia para o desenvolvimento económico, nem sequer algo de muito agradável para os residentes. Tinha razão aquele vendedor do mercado portuense do Bolhão, que estava a lavar o solo com uma mangueira. Veio uma estrangeira, passou o braço por cima dos ombros dele, enquanto uma amiga fotografava, e lá foi dizendo Very nice! Very nice uma porra, que me estão a atrapalhar no meu trabalho!, exclamou o homem.
Porque  o turismo é benéfico como gerador de riqueza, potenciador de amizade entre os povos e os turistas são os melhores promotores de um destino. Mas contentar-se com ter apenas muitos turistas, pouco ou nada contribui para expandir a economia local. O que deve interessar é aquilo que os visitantes cá gastam em alojamento, estacionamento, transporte, alimentação, bebidas, animação, recordações, presentes para a família e amigos,  entradas nos monumentos e em eventos...
Organizar e financiar eventos bastante onerosos mas com entrada livre, só para depois poder dizer que estiveram cá milhões de pessoas, e que por conseguinte se promoveu a cidade, não é sensato. Primeiro porque Tomar já não precisa de promoção turística, dada a manifesta incapacidade para receber com dignidade os que nos honram agora com a sua visita. Precisa é de mentalidade aberta à mudança, de ideias fecundas, de organização, de infraestruturas capazes e de qualidade. Depois porque esses milhões sujaram, incomodaram, estorvaram, mas nem sequer chegaram a pagar a sua estada. O que gastaram não chegou para cobrir os custos dos inconvenientes causados. O que, entre outros resultados menos agradáveis, vai obrigar posteriormente  os indígenas consumidores de água a suportarem custos escaldantes, para financiar os devaneios camarários e a evidente falta de arcaboiço político dos nossos eleitos. Finalmente porque, sem um plano local de turismo, não se pode saber  o que queremos ou para onde vamos nessa área, nem para que servem os bem pagos técnicos superiores camarários da especialidade, cujas atribuições e competências ninguém conhece ao certo fora dos Paços do Concelho. E mesmo aí...
Talvez a Exma Câmara possa vir a esclarecer os eleitores a tal respeito, quando acabar a já demasiado longa e insólita telenovela rosa-mãozinha. Oxalá!