segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Que apareçam projectos alternativos

Numa cidade de conformistas, com apenas uma pequena parte da população capaz de pensar de forma escorreita, é natural que a minha escrita incomode um pouco e uns poucos. Não sou candidato. Não preciso da política para nada. Não busco lugares ou vantagens. Nem para mim, nem para a minha família. Mesmo assim, há quem, em tom acusatório, diga que apoio A ou B. Lamento desiludir. Seria o meu direito mais elementar. Como eleitor no concelho e pontual pagador de impostos, podia dar o meu apoio a quem bem entendesse. Não é porém o caso. Porque não vislumbro qualquer razão para o fazer. Prefiro ficar-me por uma atitude que acho mais humilde mas mais útil. Mostrar as diferenças entre candidatos e indicar caminhos, mencionando onde conduzem, de acordo com a experiência.
É o que venho tentando fazer no caso da escolha do cabeça de lista do PSD. Não por qualquer simpatia particular, pois admiro e considero igualmente Lourenço dos Santos e Luís Boavida. Apenas porque, no meu entendimento, aquele personifica a hipótese de um projecto diferente, mais arriscado mas também bastante mais fecundo, enquanto que Boavida não passa praticamente, em termos políticos, de uma cópia de Anabela Freitas, excepto no facto de se tratar de cavalheiro e dama. No resto, ambos têm a mesma visão das coisas, ambos frequentam os mesmos meios, ambos usam os mesmos métodos, ambos procuram atrair os mesmos eleitores, ambos oferecem a mesma perspectiva de futuro, ambos têm a mesma atitude face Mundo: continuar a decair devagar e alegremente, mas com pouco esforço, como até aqui.
Não se trata de caso único. Se analisarmos com algum detalhe os programas partidários das eleições anteriores, constataremos que, exceptuando a CDU e o BE, todas as outras formações têm avançado com propostas programáticas que normalmente não deveriam fazer parte da sua cartilha, com especial destaque par o PSD e o CDS. No meio dessa baralhação, em que  ninguém  tem defendido a iniciativa privada, a redução do peso do Estado ou o fim da maré de ajudas e outras facilidades visando comprar votos, muitos eleitores sentem-se perdidos, o que é absolutamente normal. Porque, se o que se pretende é uma política  ao arrepio daquilo que propõe a Europa do norte, (produtividade, parcimónia, poupança, privatizações),  então mais vale ir votar no original, ou seja na CDU, cuja principal força, o PCP, nunca concordou nem concorda com a nossa adesão à União Europeia ou à NATO. Embora apoie agora a geringonça, cuja principal componente, o PS, defende o exacto oposto. Políticas...
Com meias palavras, meias tintas e meias decisões, procurando agradar em simultâneo a Deus e ao Diabo, a única coisa que temos conseguido é enfraquecer cada vez mais a cidade e o concelho. É por isso tempo, parece-me, de bater o pé e dizer bem alto Basta! Estamos fartos! Desta vez queremos propostas alternativas sem ambiguidades. Porque, bem vistas as coisas, se esquerda e direita já não querem dizer nada na prática, então o pluralismo partidário serve para quê? Para ornamentar?
Conforme escreve  J. R Guzzo, na "Veja", comentando a inesperada vitória nas autárquicas do empresário João Dória, em S. Paulo, a maior cidade brasileira, com 9 milhões de eleitores, mais do que em Portugal inteiro, "Os pobres, aparentemente, não querem o que a esquerda quer que eles queiram. Querem coisas diferentes, muitas vezes o oposto. E aí quem faz política precisa resolver de que lado está. Dória no início foi visto como uma "loucura". Como se vê agora, loucos parecem os outros." (Veja, 19/10/2016, página 110)
Assim sendo, que apareçam em Tomar candidatos com projectos alternativos, tão claros quanto possível. Tendo em conta que, nas margens do Nabão, a maior parte dos eleitores pobres são na realidade funcionários, aposentados e pensionistas. Muitos deles infelizmente só pobres de espírito, que nem disso se dão conta. Et pour cause...

Nota posterior

Pronto! Tem razão! Et pour cause é um francesismo, apenas ao alcance de quem domine a língua de Voltaire e de Proust. Coisa cada vez  mais rara nos tempos que vão correndo, com o inglês por aqui e o chinês por lá a tudo varrerem na sua frente respectiva. Aqui vai por isso a tradução na língua de Pessoa e Lobo Antunes: Et pour cause + ou - = a (mais ou menos igual a) "E como poderíam dar-se conta? Se o conseguíssem, deixariam de ser pobres de espírito.". Como vê, Et pour cause é bem mais simples. Foi por isso que o usei. Não tenho culpa nenhuma que os meus leitores...

Com opiniões erradas é difícil chegar a conclusões certas

O canal televisivo brasileiro NEWS, da rede GLOBO, costuma passar uns separadores com frases a reter. Uma delas postula que "Fazendo as perguntas erradas, dificilmente se obtêm as respostas certas." Assim acontece (involuntariamente, creio eu) com Luís Boavida. Na sua recente entrevista ao Templário declarou a dado passo que "Por vezes quer-se fazer crer que um percurso profissional na administração pública é indicativo de menor capacidade e potencial." 
Trata-se quanto a mim de uma opinião.  Antes de mais, porque a administração pública é uma noção vaga e demasiado vasta. Uma imensa nebulosa.  O único ponto comum entre um médico, um enfermeiro, um professor, um elemento das forças de segurança  um varredor, um operador do carro do lixo e os assistentes operacionais de secretaria, por exemplo, é que todos são funcionários públicos. Tudo o resto os separa. Aqueles são em geral trabalhadores dedicados, com tarefas precisas e jornadas laborais bem preenchidas, por vezes até em excesso. Estes, pelo contrário, quando não estão de baixa, passam os dias à secretária, olhando para o computador. Excepto os de primeira linha. Aqueles que têm de atender o público. A tarefa à qual todos procuram escapar. Porque será?

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Entre esses dois extremos, há a casta  dos senhores técnicos superiores da administração local, alguns dos quais, aqui em Tomar, agem como se fossem eles os gestores políticos da autarquia. Denotam considerar-se os verdadeiros donos da casa, porque os eleitos passam e eles vão ficando. O seu principal traço comportamental é que, em geral, levam meses para parir coisas que no privado são feitas em horas ou dias. Há até entre eles quem já tenha confundido uma rua urbana de S. João Baptista com um caminho vicinal. Ignorância? Conveniência? Ganância? Nunca se apurou.
A dita casta e os seus respectivos subordinados, constituem o chamado "império dos sentados", que os eleitos temem, e que até já conseguiu enxotar para bem longe os investidores privados, com os seus hábitos de fecundar moscas e/ou nadar em potes de iogurte. Agora, praticamente sem processos a estudar e informar, têm muito mais tempo para o computador. E o vencimento continua a ser o mesmo.
Para além dessas denúncias, nunca nestas linhas se tentou "fazer crer que um percurso profissional na administração pública é indicativo de menor capacidade e potencial". Mais modestamente, apenas se tem vindo a tentar apontar uma lamentável mentalidade, muito semelhante àquela que acabou por ser uma das causas fulcrais da implosão dos países do Leste, nos idos de 80/90 do século passado. A chamada mentalidade de funcionário público, que quer sempre mais Estado, mais impostos, mais despesa pública, mais vantagens para os funcionários, e o resto que se lixe, porque alguéin  há-de pagar.
Para ser mais claro, é meu entendimento que, no estado actual das coisas, seria uma excelente solução mandar para casa pelo menos metade do tal império dos sentados -os encafuados no sistema- contratando a seguir algumas dezenas de verdadeiros trabalhadores (pedreiros, carpinteiros, calceteiros, electricistas, jardineiros...) que tanta falta fazem. Tal não é possível, bem sei. Que pena!
Por isso mesmo,  não será melhor escolher como cabeça de lista adequado, e depois votar num candidato que aponte noutra direcção? Pergunto isto porque, nas anteriores eleições, praticamente não tem havido qualquer alternativa real. Todos defendem implicitamente o mesmo modelo estatista que temos. Ia a escrever estalinista. Porque terá sido?
Provavelmente porque a orgânica daquela casa ainda é a elaborada pela SISMET. Ou já não?


domingo, 16 de outubro de 2016

Para o caso de faltar algum candidato...

Tal como costuma acontecer no futebol, caso venha a faltar algum candidato numa lista para as próximas autárquicas, aqui vai um reforço brasileiro. De peso e muito adequado, dada a circunstância.
Há o problema da naturalização prévia, mas com um nome assim, será coisa rápida, porque já tem no país imensos familiares.

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sábado, 15 de outubro de 2016

O novo ou o costume?

Que me lembre, nunca a escolha partidária do cabeça de lista foi tão decisiva e difícil como desta vez, no PSD tomarense. De um lado a tradição, o costume, a mentalidade dominante, a ideia errada segundo a qual ainda é do domínio do possível viver à custa do orçamento de Estado e progredir. A situação que temos neste momento, com os resultados que são do conhecimento geral.
Dívida camarária de 26 milhões, debandada da população jovem, empresas que fecham, investimento privado que não vem, desemprego. E a água das torneira das mais caras do país. Porque a caridade autárquica tem de ser financiada. Não há passeios-comezaina grátis para todos. Para que alguns possam continuar a encher a pança à borla,  alguém tem de pagar.
Do outro lado, o entendimento de que a fase da predominância do Estado e das empresas públicas, das ajudas e dos subsídios vários, foi chão que já deu uvas, urgindo agora criar condições para atrair o investimento privado, via indispensável para criar empregos produtivos e crescer economicamente.
De um lado, o passado de má memória e o presente cinzento. O conformismo, o deixa andar e a falta de ambição. Do outro, a humildade para reconhecer os erros e a coragem para os emendar. A ambição e os sonhos possíveis para Tomar nesta fase.

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De um lado Luís Boavida e o seu currículo impressionante, mas também a sua caridade, a sua passividade política até agora, o seu conformismo e a sua mentalidade de funcionário público de carreira. Do outro, Lourenço dos Santos, a sua agenda, as suas ideias arejadas, a sua coragem e a sua tenacidade.
De um lado, "...o meu percurso desde jovem nos diferentes movimentos associativos, demonstra bem o meu apego às pessoas e às causas que essas organizações perseguem. Tenho muito orgulho nisso e considero-o mesmo um dos meus pontos fortes... ...Quanto a ideias e projectos para o concelho, no momento próprio... ...terei oportunidade de passar em revista o que pode e deve ser feito para levarmos todos o concelho para a frente." (Luis Boavida, entrevista ao Templário, 13/10/2016)
Do outro lado, "Tomar tem pessoas espalhadas por Portugal que são detentoras de competências úteis à implementação de um projecto que volte a colocar Tomar no lugar que já teve no passado. Tomar é detentora de activos específicos totalmente desaproveitados. Por isso, entendo que é importante desenvolver um projecto com essas competências e recursos... O caso de Tomar preocupa-me, pois em 180 concelhos do país ocupa a 171ª posição no índice de envelhecimento. ...Por este andar, se nada for feito de radical. concelhos como o de Tomar têm tendência à extinção. ...Há que criar emprego, para atrair população mais nova. Sem criar empresas e emprego não se consegue... O actual modelo económico europeu não serve." (Lourenço dos Santos, entrevista ao Cidade de Tomar, 13/10/2016)
Querem mais claro? De um lado, o costume: subsídios, ajudas, participações, organizações várias que vivem à custa, mais funcionários, tudo do Estado, directa ou indirectamente. Do outro lado, empresas privadas, emprego jovem, desenvolvimento, outro modelo económico, que o actual não serve.
Qual o melhor? Depende daquilo que se pretenda. Decadência, definhamento, desemprego, aumento dos impostos locais, êxodo da população jovem, ruína geral a médio-longo prazo? A Grécia como modelo? Tudo sem sobressaltos de maior, num aparente mar de rosas, porque a culpa é sempre dos outros? Nesse caso, Boavida é preferível, pois é esse afinal o seu modelo, implícito nas declarações antes citadas. O modelo da geringonça mais a crença em milagres.
Gosto pelo risco, mudança ágil e constante, prevalência do privado sobre o público e da actividade produtiva, em detrimento da burocracia estatal/municipal? Um grande projecto colectivo para Tomar? A Europa do norte como modelo? Então o melhor será votar Lourenço dos Santos, abrindo assim caminho a um futuro mais risonho para todos.
Fundamental é que ninguém se iluda na sua escolha e no que ela inevitavelmente implica. Seria um erro grave adoptar a postura dos alcoólicos já sem remissão, convencidos de que podem continuar a beber, porque vão conseguir parar quando quiserem... 
O tempo nunca regride e a marcha rumo ao futuro é implacável. Ai dos que ficam para trás!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Três entrevistas, três candidatos

A passada quinta-feira foi dia farto para mim. Fartei-me de ler. Fartei-me é só uma maneira de dizer. Na verdade gostei e fiquei  com ainda mais apetite de leitura. Que leitura? No caso, duas entrevistas escritas e uma falada. Tomar na rede, da melhor informação que por aí se faz (embora ultimamente demasiado estilo Correio da Manhã, para o meu gosto), titula "Duas entrevistas, dois candidatos". Esqueceu-se da outra entrevista, a da actual presidente, na Rádio Hertz. Temos assim portanto, António Lourenço dos Santos no Cidade de Tomar, Luis Boavida no Templário e Anabela Freitas na Hertz. Uma candidata já certa e dois candidatos a candidato.
Mandam os manuais de boas maneiras que primeiro as senhoras. Comecemos então pela candidata socialista e actual presidente do executivo tomarense. Com a sua bem conhecida facilidade de palavra, respondeu às perguntas do jornalista da Hertz durante quase uma hora. Fê-lo sem falhas de maior mas quer-me parecer que também sem garra nem convicção. Excesso de cansaço?
Começou por frisar que o PS já conseguiu endireitar um pouco as contas camarárias, tendo a dívida global passado de 34 para 26 milhões de euros. Seguiu-se a enumeração de obras já feitas e outras ainda a executar. Decorridos 17 minutos, António Feliciano introduziu o tema "Flecheiro", desencadeando as informações já conhecidas, com um único detalhe novo: os alojamentos a construir ao lado da GNR deverão estar concluídos no primeiro trimestre de 2017 e serão seis casas de piso térreo, o tipo mais adaptado ao estilo de vida dos seus futuros ocupantes, segundo a presidente. Pelos jeitos, temos de nos adaptar ao estilo de vida deles, e não eles ao nosso. São os novos tempos...  
A explicação prolongou-se em excesso, de tal forma que só aos 29 minutos chegou  a vez da saúde, de resto sem novidades. Reabertura da Medicina interna ainda este mês, conforme previsto. Urgência médico-cirúrgica ainda sem data marcada. Falou também, de forma pouco explícita, de evacuações para Coimbra ou para Lisboa, bem como do caso da ambulância avariada do INEM, entretanto já substituída.
Aos 43 minutos, entrou-se nos pilaretes e no estacionamento tarifado, que começa em Novembro, também sem novidades de maior, insistindo na estranha ideia da bolsa para os da Alameda e adiantando que o estacionamento no centro histórico será só para residentes.
Segurança na Praça da República e projectos para o próximo ano ocuparam os dez minutos seguintes, de forma que, só aos 53 minutos de uma entrevista de 58, se começou realmente a falar de política. Vai tudo bem na relação com Bruno Graça, compreende as recentes declarações de Paulo Macedo, ao falar de "alguma bagunça" em nome da CDU e considera a renúncia de Rui Serrano "um não-assunto". Mau sinal, quanto a mim, este de recusar debater assuntos relativos ao PS. Praticamente uma não-política.
Tratando-se da candidata socialista, decepcionou-me a evidente falta de ideias motoras, de sulcos rumo ao futuro. Fiquei com a impressão que Anabela Freitas está apenas a despachar os assuntos correntes, porque mais não pode, não quer ou não sabe fazer.

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Foto Tomar na rede, com os agradecimentos de Tad.

Inversamente, a entrevista de Lourenço dos Santos, que ainda não consegui ler na íntegra (ver nota no final),  evidencia a existência de ideias fecundas e indica mesmo um rumo: voltar aos anos gloriosos que Tomar em tempos conheceu. Para isso, o agora candidato a candidato conta já com a adesão de muitos empresários do concelho e da região.
Luís Boavida, o outro candidato a candidato laranja, parece ter escolhido um via diferente. Na sua entrevista, alardeou excelente relacionamento humano,  ligação forte à Igreja e às várias associações concelhias, bem como um currículo muito bem composto. Interrogado sobre o triste episódio do seu afastamento para a "unidade de queimados" da autarquia (ver foto) , mostrou um coração grande e generoso, garantindo não gostar de vinganças. No meu entender, só esteve menos bem ao não revelar as suas ideias mestras para o futuro de Tomar, caso venha a ser o escolhido para cabeça de lista do PSD. Preferiu deixar para depois, erro que talvez lhe venha a custar bem caro.
Com os candidatos PS, CDS e CDU já conhecidos, faltam ainda o IpT e o PSD, embora neste caso se possa dizer desde já que a lista laranja não andará longe de António João Luis, Luís João António, ou ainda João Luís António, em qualquer dos casos com mais Isabel, Celeste ou Luisa, embora seja cada vez mais evidente o risco de surgir uma lista independente, liderada por um laranja preterido, que tanto pode vir a ser Boavida como Santos, com mais probabilidade para este.
Já a formação de Pedro Marques carece de clarificação urgente, sabido como é que, em 2013, o ex-presidente só avançou à cabeça devido a uma desistência de última hora, segundo as suas próprias palavras. São coisas que em política têm sempre custos elevados.
Desejo muito boa sorte a todos!

Nota 

Ainda não consegui ler na íntegra a entrevista de Lourenço dos Santos por dois motivos inultrapassáveis até agora. 1 - Estou a sete horas de avião de Lisboa,  2 - O computador que uso indica-me sistematicamente que não consegue encontrar o servidor dos emails indicados nos sites da Rádio e do Semanário Cidade de Tomar.
Nestas condições, lanço uma garrafa ao mar com mensagem dentro. Caso alguém daquela casa faça o favor de me ler, aqui vai  o meu pedido: Quero receber regularmente  a edição online do jornal, a começar pela desta semana. Pagarei a respectiva assinatura semestral quando aí for, no início de Dezembro. Pode ser? Muito obrigado?

anfrarebelo@gmail.com

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Absolvição do PS-Tomar pode estar em mãos papais

Mário Cobra

Advertência prévia do editor: Este texto pretende ser irónico e como tal deve ser lido.

Fonte muito espiritual e oculta confidenciou-nos que forças ligadas ao PS-Tomar se encontram a mexer todos os cordelinhos paroquiais no sentido de o Papa Francisco vir a Tomar, aquando da visita a Fátima, em Maio de 2017, centenário das Aparições. Aonde vem como peregrino, mas também para anunciar a pré-beatificação do nosso novo santo, António de Guterres. Acreditam essas forças dos bastidores que será uma das únicas possibilidades do PS nabantino  minorar a perceptível má imagem do executivo na comunidade, em especial no seio  da ala tomarense ligeiramente mais exigente. Nomeadamente daqueles que não podem optar pela via "ala moço daqui para fora" (como já fez por exemplo o editor deste blogue, agora a fazer pirraças com as fotos do seu abrasileirado e fortalecido poiso marítimo).


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O Papa aceitando o convite para visitar Tomar

Segundo a antes citada fonte de informação, há divergências no seio do PS local sobre o programa a propor ao Protocolo Papal. Um grupo defende que o Papa devia fazer uma visita à Sinagoga, exemplo de abertura eucuménica, mas há receio da caliça das paredes poder vir a cair  sobre a pontifícia comitiva, um evidente incidente de lesa-santidade. Outro  grupo defende uma sessão solene no salão nobre dos Paços do concelho,  mas temem que o Sumo Pontífice não consiga subir semelhante escadaria. Outro grupo ainda, entende que o Papa se devia deslocar ao Convento de Cristo, mas há receio de que ali não haja disponibilidade para efectuar a respectiva visita guiada, dado o melindre da mesma, tendo em conta o velho contencioso entre o papado e os templários. Um último grupo enfim, entende que se devia realizar uma cerimónia no Mouchão Parque, convidando Sua Santidade para o Congresso da Sopa, uma verdadeira refeição em comum, tal como na eucaristia, mas aí ouviram-se logo comentários do género “Pois! É tudo muito bonito, mas quem é que limpa o rio?”
Outro aspecto assaz complicado, ainda em debate, é a hipotética pernoita de Sua Santidade em Tomar. O ideal para a maioria dos crentes presentes seria o Convento de Cristo, não fora o facto de estar situado dentro do Castelo Templário, com tudo o que isso evoca. Pensaram então no bairro da Senhora dos Anjos, o ideal para um Papa, porém cedo concluíram não haver alí condições. "Que pena o Convento de Santa Iria estar como está há anos e anos", murmurou alguém. "Tem razão", atalhou logo outro interveniente, que adiantou lesto, "mas aí penso que temos outra solução aceitável. Porque não a Estalagem de Santa Iria?! Porque na verdade, a bem dizer, o Sumo pontífice nem vem a Fátima, mas à Cova da Iria, que fica uns quilómetros ao lado. E Iria por Iria, entre a Cova e a Estalagem da Santa, a escolha é óbvia, não vos parece?! Foi então que voltou a ecoar na sala a pergunta já antes formulada e não respondida: "E quem é que limpa o rio?" "E a roda? E o açude?", inquietou-se outro, logo apoiado por mais irmãos participantes. Neste ambiente de dúvida, pairou no entanto uma certeza: A concretizar-se a pontifícia pernoita tomarense na Estalagem, a cidade passaria a ter mais uma atracção turística importante. Não faltariam interessados em visitar, ou mesmo alugar, as dependências antes frequentadas por Sua Santidade. Portanto, mais turismo para Tomar, que bem precisa, caso tudo venha a dar certo. E talvez a autarquia comece então a receber a renda mensal daquele imóvel municipa concessionado a uma sociedade privada.


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O Papa ao tomar conhecimento dos problemas inerentes à sua visita a Tomar

Sabe-se ainda que, à cautela, as diversas forças oposicionistas já prepararam a inevitável e esperada reacção política a este eventual golpe paroquiano do PS-Tomar, só possível porque Luís Ferreira, resolutamente ateu militante, entretanto já foi afastado do activo socialista.
Assim, o PSD optou  pelo slogan passoscoelhista “Em vez do Papa, vem aí mas é o diabo.”. Os Independentes por Tomar vão limitar-se ao comentário “ A nossa proposta é que o Papa não venha em dia de reunião da câmara, por causa das senhas de presença”. Quanto à CDU, vai emitir um comunicado com bastante conteúdo programático e grandes princípios, tudo na primeira pessoa do plural, o qual terminará dizendo “Para quem já engoliu tantos sapos aqui em Tomar, a visita papal para nós é refresco”. Finalmente, o BE vai recorrer ao tradicional dito “Com Papas e bolos se enganam os eleitores”. Ou será os tolos?
Questionadas por nós sobre tal matéria, as restantes forças políticas concelhias, cujo peso eleitoral não permite que estejam representadas nos órgãos municipais, fizeram-nos chegar um comunicado de última hora, no qual protestam contra a projectada visita papal, "porque a Cristo o que é de Cristo e a César o que é de César", não querendo contudo vir a ser por isso consideradas protestantes. "Somos resolutamente contra a eventual absolvição do PS-Tomar, mas cada qual com os seus princípios e com a sua  fé", referem a terminar. Amen!

Editado por António Rebelo
anfrarebelo@gmail.com

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Apagar o fogo com gasolina

Segundo O Mirante, na reunião camarária da passada segunda-feira, dia 10, a oposição aprovou uma proposta do vereador Pedro Marques, líder dos Independentes por Tomar, que muda a periodicidade daquelas reuniões, de quinzenais para semanais. Tive de reler várias vezes, para me certificar que não estava com alucinações. Feito isso, lá acabei por me convencer que estava mesmo na real.
Desde o início do actual mandato, que já dura há três anos, a oposição não se tem distinguido muito. A bem dizer, tirando uma ou outra picardia, nem se consegue vislumbrar a sua real utilidade. Quando confrontados com tão triste e condenável estado de coisas, os interpelados costumam dizer que, sendo minoritários, pouco ou nada podem fazer, pois são sempre derrotados. Desculpas de circunstância.
Agora que conseguiram o 4º elemento, que os torna maioritários, não por mérito próprio, mas apenas como resultado de divergências internas no PS, foi-se a dita argumentação. E que resolveram fazer? Informar a ex-relativa maioria que era bom, mas acabou-se a papa doce? Apresentar e aprovar uma moção de censura à actual gestão camarária? Propor e votar medidas de manifesto interesse geral, como por exemplo a limpeza urbana capaz em todas as ruas e não só nas principais, ou a conclusão da renovação da rede de saneamento do centro histórico?

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Nada disso. Tão só uma proposta que de facto aumenta substancialmente a remuneração eventual de cada vereador da oposição, mediante a duplicação das suas senhas de presença, uma vez que são os únicos que não estão a tempo inteiro. Justificação para tal absurdo? De acordo com a declaração de voto de Rui Serrano, que pelos vistos não teme cair no ridículo, "...é uma proposta oportuna tendo em conta a desejada celeridade e eficiência do funcionamento da gestão autárquica e o acompanhamento da dífícil situação financeira em que o município se encontra..." (Juro que copiei fielmente!)
Dado que, nos manuais de economia básica, se ensina que há só três maneiras de resolver uma situação financeira difícil (aumentar as receitas e diminuir as despesas; aumentar as receitas, mantendo as despesas; reduzir as despesas mantendo o nível de receitas.) e tendo em conta que a proposta agora aprovada vai duplicar os gastos usuais com senhas de presença, pode dizer-se, sem exagero, que a oposição tomarense acaba de adoptar a nova habilidade político-económica inaugurada por António Costa e a sua geringonça: Ultrapassar uma situação financeira difícil, como é a do país e a da autarquia tomarense, aumentando a despesa e mantendo as receitas. Assim como quem procura apagar um fogo com gasolina.
Muito vigiado por Bruxelas, Costa lá continua na sua de ilusionista. Diz uma coisa e faz outra. Vai aumentando a despesa, para calar o BE e o PCP, mas pela calada vai também aumentando os impostos. Os seus seguidores tomarenses tencionam aumentar que impostos locais? Vão tornar a água ainda mais cara?
Dirão os visados e pensarão os tomarenses moderados que têm o hábito de pensar, que se trata de um aumento de despesa praticamente insignificante. Pois que seja. Mas dá um sinal errado. E torna mais fáceis, legitimando-os de antemão, outros abusos do género. É afinal um problema de mentalidade.
Para que se possa  fazer uma ideia aproximada da febril actividade do executivo tomarense nos últimos tempos, esclarece-se que, durante todo o ano de 2015, deram entrada na divisão competente 5 pedidos 5 de licenciamento de obras particulares. Uma verdadeira cadência infernal, como se vê. Assim sendo, o executivo tomarense passa a reunir semanalmente para debater e decidir o quê? Ou será afinal para os seus membros aprenderem a tricotar e a fazer croché, em prol da igualdade sexual?
Resta assim aguardar, com a calma possível, como quem espera pelas prendas no sapatinho de Natal, as prometidas melhorias resultantes da duplicação das reuniões camarárias. Vou já comprar uma almofada confortável para pôr no assento...

anfrarebelo@gmail.com