segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Tomar a dianteira vai para o calor

Tomar a dianteira 3 vai viajar, rumo ao calor e às praias com coqueiros. Tal como seu Cabral, vai para porto seguro, embora não para Porto Seguro. Ficará um pouco mais acima, em Fortaleza. À beira-mar, claro. Com um calçadão de quilómetros para as caminhadas. E sombra de coqueiros na praia, para beber água de coco descansado, enquanto vai meditando na tragédia nabantina. Que vista de lá será forçosamente muito mais pequenina. Tanto mais que em Tomar nada é grande, excepto o Convento de Cristo, a Torre de S. João, os Pegões, a dívida camarária, a inveja, a sorna, a incompetência, a prosápia e a ignorância. Já não é nada pouco!
Tendo em conta a necessária adaptação ao novo enquadramento, poderá vir a acontecer alguma irregularidade na publicação de novos textos. Apelamos desde já para a habitual compreensão dos leitores, prometendo remediar logo que possível os problemas detectados e entretanto comunicados para anfrarebelo@gmail.com
Podem fazer o favor de escrever sem qualquer temor, pois só revelarei eventualmente o nome do ou da correspondente após ter obtido o seu consentimento prévio por escrito.
Desejo saúde, boa disposição e alegria para todos. Na medida do possível, claro. Não se pode ter tudo ao mesmo tempo. A vida é também uma longa sucessão de opções, nem sempre fáceis.







Obras na ponte das ferrarias

Úteis mas não prioritárias

A câmara está a fazer obras, por administração directa, no que resta da Ponte das Ferrarias. Essas ruínas são de uma antiga ponte romana que fazia parte do itinerário Olisipo (Lisboa) - Scalabis (Santarém) - Sellium (Tomar) - Conimbriga - Aeminium (Coimbra) -... ... ... Bracara Augusta (Braga), descrito por Antonino Pio, um viajante romano que por aqui andou já lá  vão  muitos séculos. Para se ter uma ideia da importância dessa ponte, que até ao início do século XVI foi a única travessia do rio existente em Tomar, cujo principal núcleo urbano era então no interior do castelo templário, convém saber que, até ao primeiro quartel do século XX, existiu uma estátua na sua cabeceira nascente, a qual chegou aos nossos dias, encontrando-se agora guardada no piso inferior do Claustro da Lavagem, no Convento de Cristo. (Foto 1)

Foto 1

Como sempre acontece, essa estátua corroída pelos séculos, provocou acesa polémica entre os raros eruditos locais nestas artes. De tal jeito que actualmente já nem se sabe muito bem se representa um imperador romano, S. Cristóvão, D. Sebastião ou S. Tiago, o de Compostela. 
Mais tarde, durante o reinado de D. Manuel, que findou em 1521, aproveitaram a estrutura da ponte para fazer um açude, tendo para isso instalado uma pequena adufa (a que agora chamamos comporta) do lado poente. Aí situaram igualmente uma fábrica de armas medievais (espadas, punhais, lanças, machados...), que na época designavam por ferraria, uma vez que fazia armas e outros utensílios de ferro. Daí o nome actual de Açude das Ferrarias.

Foto 2

Fruto do assoreamento do Nabão, da proximidade do acampamento do Flecheiro e da geral falta de civismo, desde há muito que, durante a maior parte do ano, a Ponte das Ferrarias, já com a primitiva adufa entupida, e com a água passando apenas por uma outra abertura, feita mais tarde, em data indeterminada, estava transformada num amontoado de plásticos de todo o tipo. O que naturalmente provocou os protestos de ecologistas locais, nomeadamente do grupo Acqua.
No segredo dos seus gabinetes, guarnecidos de fechaduras de código, decerto para evitar uma eventual invasão de cidadãos, querendo agradecer os bons serviços prestados, mas não sabendo como, a autarquia foi elaborando planos, tendo agora iniciado as obras Trata-se de vedar  a abertura mais recente, de instalar uma comporta metálica onde em tempos funcionou a de madeira, de reparar sumariamente a estrutura existente e de cobrir depois tudo com toneladas de pedra grossa, de forma a conseguir uma subida do  nível do rio  e o respectivo espelho de água. (Ver foto 2)
No meu humilde entendimento, são obras úteis, uma vez que acabam com alguns cagatórios do tipo do documentado na foto 3, e propiciaram a limpeza algo apressada das margens. Digo algo apressada pois o entulho removido foi deixado logo mais acima, nas margens, pelo que  não tardará a voltar ao leito do rio, com as próximas chuvas de inverno e uma ou outra inundação.

Foto 3

Além do já descrito, creio haver dois ou três problemas por resolver. O primeiro prende-se justamente com as inundações. Quando acontecerem, o açude insuflável do Flecheiro abate, restabelecendo o normal leito do rio. E ali, como vai ser? Esperam resolver o problema com uma minúscula comporta de metro e meio de largura? As pedras vão fugir à frente da cheia?
Outro óbice resultou da precipitada dragagem do leito do Nabão, junto ao açude. Tão apressada que facilitou aquilo que convinha evitar a todo o custo: a passagem das águas por baixo dos alicerces da antiga ponte, do lado nascente, que vão minar tudo a médio prazo, provocando o inevitável aluimento da estrutura, caso não seja entretanto encontrada uma solução. Foi o que aconteceu em tempos com a sapata em cimento do açude da desaparecida roda do Hotel dos Templários. Saindo do seu curso usual, a água minou primeiro a muralha do Mouchão, e depois grande parte dos alicerces da estalagem de Santa Iria.
Enfim, sou de opinião que a referida obra, apesar de útil conforme já referi, não era de modo algum prioritária. Sobretudo numa zona urbana em que a estrada é estreita e não tem passeios, colocando assim em risco qualquer cidadão que resolva por ali transitar a pé. (Ver fotos 4, 5, 6 ) Os moradores de S. Lourenço, da Borda da Estrada, de Carvalhos de Figueiredo, ou mesmo os do centro histórico, todos eleitores na antiga freguesia de S. João Baptista, também têm o direito de fazer caminhadas por ali,  sem que as suas vidas corram perigo. Tal como acontece com os da estrada de Leiria e os da rua de Coimbra, ambas já dotadas de passeios. Ou não?

Foto 4

Foto 5

Foto 6
anfrarebelo@gmail.com

domingo, 2 de outubro de 2016

Vale mais prevenir...

"Vale mais prevenir que remediar", diz a tradição popular. Que logo acrescenta "Homem prevenido, vale por dois". Pois vamos lá então à prevenção.
Quem ouve António Costa fica com a ideia que está tudo bem e que vamos pelo bom caminho, não havendo razões para nos preocuparmos. O que facilita a tarefa reivindicativa dos seus parceiros na geringonça. A tal ponto que a experiente (julga ela) Catarina Martins até afirmou não entender o veto presidencial ao diploma de quebra do sigilo bancário acima dos 50 mil euros. 
A própria informação nacional nada difunde que possa pôr em causa o evidente optimismo e a irradiante simpatia de António Costa. Assistiu-se até ao exacto oposto. A proliferação de informações e opiniões várias, todas condenando o excessivo pessimismo de Pedro Passos Coelho.
Pois pasmem leitores. Além fronteiras, o clima é outro e as opiniões sobre o nosso país não são mesmo nada optimistas. Eis aqui a primeira página do Le monde datado de ontem (ver fotocópia): "Crise do Deutsche Bank: A Europa treme pelo seu sistema financeiro"




"Além do caso alemão, o sector bancário europeu tem dificuldades provocadas pelas baixas taxas de juro. E comporta bolsas de fragilidade na Itália e em Portugal."
Mais adiante, na página 3 do Le Monde economia e empresa, as notícias são ainda menos animadoras: "Muito foi feito nestes últimos meses, tanto pelo BCE como pelas autoridades nacionais de tutela, para aumentar as reservas bancárias e portanto a capacidade de resistência a eventuais futuros choques económicos. Mas mesmo assim subsistem duas bolsas de fragilidade na zona euro: a Itália e Portugal.
O problema destes dois países não resulta da situação difícil de um ou de vários bancos. É geral. É uma consequência do contexto nacional de crise económica e dos créditos incobráveis, tanto de particulares como de pequenas e médias empresas.
Embora menos mediatizados que o Deutsche Bank, os casos italiano e português são considerados pelos economistas como mais graves e de mais difícil resolução. Potencialmente mais explosivos que o banco alemão, caso não venham a ser solucionados rapidamente."
.... .... ....
"Em Portugal, apesar da ajuda recebida no âmbito do Plano de salvação da União europeia e do FMI de 2012, o sector bancário mostra muitas dificuldades para ultrapassar a crise e a explosão das imparidades. Os bancos portugueses receiam aumentos bruscos e acentuados dos seus custos de financiamento, caso a notação do país venha a ser degradada pelas agências especializadas, devido à elevada dívida, aquando do novo exame, em Outubro."
Por conseguinte, lamento ter de o dizer, ao contrário do que parece, sendo que em política o que parece é, Passos Coelho tem razão. Após leitura atenta do prestigiado jornal francês, penso que o excessivo optimismo de António Costa ou é hipócrita, ou resulta de bem disfarçada ignorância.

anfrarebelo@gmail.com 


Excelente ideia


Casamento cigano no Alentejo. À esquerda os noivos. Ao meio, com boné na cabeça como símbolo de autoridade, o chefe do clã. À direita as matriarcas, que são quem realmente manda em tudo, mas de forma tão dissimulada quanto possível. Há que respeitar os machos, conforme  a tradição.

Na reunião da Assembleia Municipal da passada sexta-feira, o representante do Bloco de esquerda avançou com uma ideia brilhante. Incitou todas as formações políticas a incluírem nas suas listas para as autárquicas, previstas para Outubro de 2017, pelo menos um cidadão cigano. Não disse "cigano". Preferiu "de etnia cigana". É mais chique. Denota logo outra cultura. A da aparência, do drible rápido, da realidade paralela. Em França os bem pensantes usam "rom", de romani = de origem romena.
Cigano, de etnia cigana ou rom, parece-me uma excelente ideia. Tanto mais que, como não é do conhecimento geral, a dita comunidade está bastante politizada. Não parece, mas está. Aqui há dois/três anos, estando o entretanto falecido patriarca Pascoal, chefe do clã homónimo, na fila dos correios para receber o vale da pensão, constatou que a longa fila andava com demasiada lentidão. O que o levou a clamar para as surpreendidas empregados do balcão um sonoro "Vamos lá a despachar! Somos nós que estamos a pagar!" Donde se deduz que alguns ciganos sabem muito bem criar uma realidade paralela mais favorável, tal como usam fazer os políticos em geral.
Do meu ponto de vista, há só uma pequena alteração a fazer na proposta fracturante do eleito do BE. Em vez de um cigano, acho que cada formação política nabantina deveria incluir nas suas listas para 2017 uma cigana. Por dois motivos principais. Desde logo porque, nas suas comunidades, geralmente são elas que trabalham e dirigem tudo, mas aparentemente os homens é que mandam.  Com a notável excepção da Faraona, no Sacromonte (Granada - Espanha) dos anos 60 do século passado, nunca conheci nenhuma chefe de clã. São sempre homens.
Por outro lado e sobretudo, só uma cigana estaria em condições de ler capazmente a sina na palma da mão aos nossos ilustres políticos. Exactamente aquilo que me parece  estar  a fazer falta ao ex-mentor do PS-Tomar, agora caído em desgraça. Talvez então acabasse por entender que, ao contrário do que pensa e propala, não está a ser vítima de nenhuma ciganice. É apenas vítima do bem conhecido complexo de Édipo. Os seus filhos políticos actualmente no poder, que  no PS são todos menos o inócuo Zeca Pereira, resolveram liquidar o pai, para melhor poderem amar a mãe. Nem mais nem menos. Quem com ferros mata, com ferros morre. Remember 2009.
Não têm por isso, digo eu, qualquer razão de ser os seus ataques descabelados contra o vereador CDU, que se limitou e limita a tentar navegar o melhor possível entre os destroços da cidadela socialista tomarense. Rumo a Outubro de 2017, onde espera vir a colher os frutos do seu manifesto frete político.
Assim vão os tempos!

anfrarebelo@gmail.com

Uma coisa explica a outra

anfrarebelo@gmail.com

Isto anda tudo ligado, como bem se dizia aqui há uns anos. No tempo das vacas gordas. Agora, num contexto em que é cada vez mais evidente a crispação política a nível local, com o PS a esfrangalhar---se na pior altura, o PSD com evidentes dificuldades para escolher o cabeça de lista e os IpT outra vez sem definição clara e atempada dos seus objectivos, a cidade esvai-se e a população vai-se. Vai saindo pouco a pouco. Em busca de melhores horizontes. Não tem outra hipótese, perante a manifesta incapacidade dos manhosos políticos locais, incapazes de levar a cidade e o concelho a mudar de rumo
As fotos seguintes mostram uma nova faceta tomarense -os cenários da tragicomédia nabantina. Edifícios que já foram habitados ou usados para outras coisas, são agora apenas fachadas. Bem pintadas, mas apenas cenários para enganar incautos. Por trás daquilo não há vida, não há nada. Não vive ninguém. Não funcionam. Nem há condições para tanto. E o mal vai alastrando.
Enquanto isso, ali nos Paços do Concelho tem lugar a quotidiana tragicomédia nabantina. No último andar, é a comédia permanente. Uns fingem que governam, enquanto outros fazem de conta que se opõem. Nos outros andares é a tragédia. Muitos já perceberam que as coisas não vão bem, nem para lá caminham. Por isso desesperam, ao constatar que nada podem fazer. Pela positiva, que pela negativa já fizeram bem mais do que a conta. Alguns, bem conhecidos. Não todos.
Quanto aos eleitores em geral , para eles está tudo bem, no melhor dos mundos possíveis. Enquanto os vencimentos, as diversas rendas, as pensões e as aposentadorias continuarem a cair nas contas pontualmente, não contem com eles para mudanças, que atrás de ruim quase nunca vem melhor. Já Voltaire constatou exactamente a mesma situação em Lisboa, nos idos do século XVIII, no seu célebre Candide ou l'optimisme. (Na tradução portuguesa existente, apenas "Cândido"). Os tempos vão mudando, mas os hábitos  da malta nem por isso.
Pobre terra! Pobre gente!







sábado, 1 de outubro de 2016

Situações caricatas

Foto 1
Estão em curso obras importantes na antiga ponte romana das Ferrarias, em S. Lourenço (Foto 1). Delas falarei no próximo texto, devidamente ilustrado. Entretanto aproveito para denunciar três situações caricatas. A primeira é também triste e pode ser resumida numa frase: A comunicação social local, devido a ter poucos meios e muitos compromissos, tem enormes dificuldades para cobrir a actualidade local, razões pelas quais ainda não abordou com detalhe as obras na dita ponte romana das Ferrarias.
 Foto 2

Foto 3

A segunda situação involuntariamente cómica resulta também das antes citadas obras. Para sinalizar dificuldades no trânsito, a câmara mandou colocar painéis informativos, o que naturalmente se aplaude. Infelizmente, para quem lê o painel, ali não é a entrada mas sim a saída da cidade (Foto 2). E depois os infortunados condutores vindos da rotunda da Av. Fonseca Simões, dificilmente conseguirão ler alguma coisa no painel de esguelha. (Foto 3). 
A terceira situação que daria para rir se não fosse triste, acontece na rotunda da GNR (foto4). Aquela indicação ao fundo, que ninguém consegue ler a partir da rotunda, serve afinal para quê? Indica que por ali se vai para as Cabeças,  mas é preciso ir lá ver a pé, única forma de evitar uma inversão de marcha a quem não queira ir para a conhecida capital, sem ofensa, cabeçal ou outra, para os seus moradores, que não têm culpa alguma.(Foto 5)

Foto 4

Foto 5

anfrarebelo@gmail.com

Era uma vez numa aldeia lusitana



Era uma vez uma aldeia lusitana em acentuada decadência, cujos habitantes se tinham habituado durante séculos a viver sobretudo à custa do erário público. Eram quase todos funcionários, pensionistas ou aposentados. Os restantes eram descendentes subsídiodependentes. Do estado ou da respectiva família. Apesar de tão calamitosa situação, gostavam muito de protagonismo, a que chamavam penacho, em gíria local.
Vai daí, apesar de praticamente não terem sequer dinheiro disponível para dar esmola a um cego, organizavam de quando em quando um evento a que chamavam Festa grande. Dada a penúria reinante, tanto no que concerne a dinheiro como a ideias realistas, aliada à obstinada recusa em se adaptar aos tempos que corriam, eram os capatazes eleitos lá do sítio que assumiam antecipadamente os custos da realização dessa folgança comunitária. Isto apesar de gerirem transitoriamente e nem sempre com acerto uma entidade pública com um passivo da ordem dos 30 milhões de euros.
Procurando disfarçar tanto quanto possível o seu papel de vera organizadora da festança, a antes citada entidade -a capatazia (conjunto de capazes)- convocava sempre, através do capataz chefe e no ano anterior aos previsto para a festança, que era de 4 em 4, (pois o orçamento não dava para mais), um ajuntamento dito popular, onde iam por assim dizer sempre os mesmos. Uma vez ajuntados no salão nobre do palácio da aldeia, faziam de conta que  decidiam o que afinal já estava antes assente -a realização do folguedo. Logo depois. lançados os foguetes anunciadores da boa nova, procediam da mesma maneira, homologando a escolha antes efectuada pela capatazia que pré-indicara o indispensável organizador executivo, a que chamavam mordomo. O daí em diante subcapataz da folgança.
A última vez que houve festa foi em 2015, ano da geringonça em Lisboa e da geringoncinha em Tomar. Por essa altura, os cofres autárquicos estavam tão mal que o capataz chefe, dessa vez e por mero acaso uma capatázia, já prometia e anunciava subsídios vários, que depois tardava em pagar, por falta de verba, vulgo euros. E dos infelizes fornecedores, coitados, é melhor nem falar... Dado que o mordomo, decerto por simples obra do acaso, era o mesmo havia mais de uma década e até era funcionário da capatazia, o que dava muito jeito, porque assim nada cobrava pela liderança da festança, para ele uma espécie de forçada ocupação dos tempos livres, o longo percurso até ao cortejo e ao bodo começava com apenas o saldo da festa anterior. Que em 2015 fora de 16 mil euros... 
E assim se foi vivendo até que, 15 meses mais tarde, ao publicarem as contas do evento, um aposentado da aldeia, com um feitio bastante difícil, resolveu denunciar a estranha contabilidade. De acordo com as contas oficiais então vindas a público, a festança custara 365.425€ e gerara receitas várias de apenas 237.979€. Donde um défice ou prejuízo de 127.445€. Sem contar com toda uma série de custos não contabilizados: comunicações, combustíveis, meios de transporte, água, luz, aluguer de edifícios, ocupação de recintos, ocupação da via pública, mão de obra. etc.
Em ano anterior a eleições, a capatázia e seus acólitos, vendo que não podiam decentemente apresentar o óbvio, mais um buraco de quase 130 mil euros, resolveram o problema à boa maneira portuguesa. Ordenaram ao mordomo para acrescentar nas contas, a título de receita, 142 mil euros de subsídio teórico. Só para compor a coisa, que assim passava a apresentar um saldo positivo de 14.500 euros. Quanto a honrar esse subsídio e várias outras facturas da capatazia por pagar, os fornecedores que fossem esperando. Sentados, para evitar cansar-se.
Assim à distância de anos, só não se percebe o que terá impedido a capatázia da altura de dizer ao mordomo para acrescentar 192 mil euros, em vez dos 142 mil. Ficava um saldozito mais bonito e folgado para a festança seguinte e, como de qualquer forma não era para pagar no imediato, depois logo se veria. Mas até nisso eram pequeninos! Um saldo de 14 mil euros, para uma festança de 365 mil!
E teria sido afinal tão simples, sabe-se hoje, rever a organização da festança, sem trair a tradição e respeitando os naturais e os residentes da aldeia lusitana, porém de forma a pô-la a dar lucro. A imprensa  local já noticiou por diversas vezes que vieram à festa grande centenas de milhares de visitantes. Se não erro até já mencionou um milhão de forasteiros. Assim sendo, não é nada complicado fazer contas de merceeiro: 50 mil entradas para o grande cortejo, a 5 euros cada = 250 mil euros. 30 mil entradas para ver o conjunto das ruas populares ornamentadas, a 5 euros cada = 150 mil euros. E assim tínhamos a festança paga e até com algum lucro.. Sem peditório, sem patrocínios, sem subsídio da capatazia e contado apenas com 10% dos visitantes indicados pela comunicação social nabantina.
Mas quê! Ficava-se finalmente a saber quantos visitantes vêm mesmo à festa. Se 100 mil se um milhão, se bem menos. E libertava-se a capatazia para outras despesas, bem mais urgentes e úteis do que a festança. Porém e infelizmente, a experiência evidencia que  "Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré", dizem os brasileiros, lá da outra margem do Atlântico. Que também não estão lá grande coisa, é bem verdade.  Ou não fossem eles em grande parte descendentes de lusitanos. E como sentenciou o Lavoisier há já muitos anos "As mesmas causas, nas mesmas condições exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos". Nefastos no caso presente.

anfrarebelo@gmail