sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Era agora se...


A notícia é do CM e o título à moda da casa. Algo equívoco. Na verdade, os referidos monumentos não vão para os privados. Mantêm-se na posse do Estado. conforme se lê no texto. São apenas concessionados a privados, mediante contratos claros e rentáveis.
Era agora, se tivéssemos uma câmara com suficiente envergadura de asa, que se poderia apresentar um plano conjunto para o turismo local, para os próximos 10 anos. Esse plano passaria por obter do Estado a administração do Convento de Cristo, uma vez que não faz qualquer sentido que um monumento Património da Humanidade seja gerido a partir do palácio da Ajuda, a mais de cem quilómetros, e tenha como responsável máxima uma chefe de divisão que não tem vivência tomarense e de turismo moderno pouco ou nada sabe como profissional, até prova em contrário.
Obtida essa cedência e concluído o projecto, a autarquia abriria então um concurso para a concessão do monumento. A qual englobaria o estacionamento cá em baixo na cidade, a construção e subsequente exploração de uma dupla escada rolante enterrada entre o parque P 1 e a entrada do Convento, a exploração turística, a exploração hoteleira e a animação cultural do mesmo.
Estou certo que, com um projecto bem estruturado e uma garantia de estabilidade para 10 anos no mínimo, não faltariam candidatos credíveis. A começar por José Cristóvão, que já deu bastas provas do seu empenho em prol do turismo tomarense.
Recentemente, a senhora presidente da câmara disse publicamente que a autarquia pretendia a gestão partilhada do Convento de Cristo. Foi a surpresa geral. Designadamente porque  ninguém percebeu para que poderia servir tal modelo. Que até já existe em parte. É o IGESPAR que dirige o monumento, contrata os seus funcionários e cobra as respectivas entradas, o que lhe rende mais de um milhão de euros/ano, mas é a câmara que assume a (má) iluminação parcial daquele monumento. Resultado: Há mais de um ano que a torre de menagem do castelo templário desaparece durante a noite, porque os respectivos projectores deixaram de funcionar e ainda não terá havido tempo para os reparar...
Uma vez que a nossa câmara é como está à vista, resta esperar que o movimento Todos por Tomar e/ou outros do mesmo tipo venham a assumir a ideia da concessão conforme exposta sucintamente acima, como eixo da sua candidatura e futura actuação, se eleitos. Aqui deixo o alvitre e ofereço a minha fraca ajuda, caso dela venham a necessitar para aprofundar a proposta. Vamos a isso?!?
Mas nada de ilusões. Não bastam algumas frases bonitas. O turismo moderno é uma arte toda feita de execução, em que os erros se pagam muito caro.

anfrarebelo@gmail.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Bruno-oposição e Bruno-poder

Um eleito do actual executivo, mais precisamente da oposição, lastimava-se há dias que "Este não é o Bruno que conhecíamos; anda com eles ao colo." Peço licença para discordar. Desde logo porque, segundo creio saber, o Bruno só excepcionalmente andou com os seus próprios filhos ao colo, quanto mais agora com os filhos dos outros. Ainda por cima adultos e, pelo menos em princípio, responsáveis pelos seus actos. Que se passa então? Quanto a mim, é simples.
Sucedeu-lhe o mesmo que ao Jerónimo, à Catarina e ao Tsipras. Foram forçados pelas circunstâncias, que a vida está difícil para todos, a envergar o paletó do poder. Por interposta pessoa o Jerónimo e a Catarina, directamente o Bruno e o Tsipras.
Ao envergarem o dito paletó do poder, ostensivamente ou de forma algo envergonhada, deixaram de ser oposição, com tudo o que isso implica. Em Atenas, é o que se tem visto. Um partido de extrema-esquerda -o Bloco lá do sítio- a promulgar e implementar medidas de direita, impostas por Bruxelas mais o FMI, para os gregos não virem a passar fome. Temos portanto o Ciriza-oposição, todo vermelho e o Ciriza-poder, de paletó azul.
Em Lisboa, PCP e BE aceitaram apoiar um governo, que à cautela não querem integrar, por ser muito mais prático e cómodo conseguir arranjar quem faça aquilo que nós queremos, sem termos de nos comprometer. Mas em troca deixaram de incomodar o PS-Costa. Como já sucedia na câmara de Lisboa. Passaram a ser o PCP-poder e o BE-poder, quando antes tínhamos em ambos os casos a versão oposição.
Então e a Mariana? perguntará o leitor mais atento e conhecedor destas coisas. A Mariana procura em Estrasburgo e Bruxelas honrar a memória do seu pai, Camilo, difundindo tanto quanto possível as suas ideias revolucionárias. Tal como tem feito em Lisboa, onde desempenha muito bem o papel de espalha-brasas. É a Mariana-oposição, ajudada pelo vento norte (cantado pelo saudoso Jacques Brel) que sopra tanto em Estrasburgo como na terra do menino que mija e da Rua da Putaria (ver fotos), símbolos de uma cidade e de um povo que nunca se acomodam nem se submetem aos alegados bons costumes. Outros ares, outras vidas, outras maneiras de ver o Mundo. E a Mariana está visivelmente encantada por poder sulcar essas águas no barco da contestação. Vantagens de um parlamento sem poderes, como o de Estrasburgo. Ganha-se bem e ninguém se compromete com a realidade.



E o Bruno?!? O Bruno é um homem inteligente, astuto e prudente, que sabe muito bem o que faz, aquilo que querem que ele faça aqueles que o acolheram na lista, bem como aquilo que não pode fazer de forma nenhuma. Por outras palavras, parece-me que o Bruno sabe bem até onde pode ir demasiado longe, enquanto Bruno-poder.
Como cidadão pagador de impostos, o que me preocupa não é propriamente o apoio do Bruno ao actual executivo, coisa normal em suma. Mesmo tendo em conta a qualidade da relativa maioria PS, que não é muita. O que me apoquenta seriamente é constatar que estão ambos, ele e o poder socialista, a ir na direcção errada. Tal como sucede com a geringonça a nível nacional.
Dou um exemplo. Compraram há pouco, aqui na urbe nabantina, uma máquina varredora que custou um dinheirão (150 mil euros). Agora têm de assegurar a respectiva manutenção e, quando vier a avariar, ou o respectivo condutor estiver com baixa por doença, ficarão outra vez descalços. Como já aconteceu com as anteriores, em tempos idos. (Apesar dos teus erros, descansa em paz, Lino Cotralha!)
Se, em vez de se meterem em despesas discutíveis, tivessem resolvido concessionar os diferentes serviços que agora integram os SMAS, perdiam votos, se calhar. Mas também reduziam pessoal, baixavam custos para os consumidores/contribuintes, melhoravam o serviço e gastavam menos. Afinal, os exemplos abundam, mesmo em Portugal. Aqui ao lado, em Ourém e Leiria, para não ir mais longe. A demonstrar que é tudo uma questão coragem e de modelo de sociedade. E aí encontramos as autarquias que falharam estrondosamente e as que vão de vento em popa. É só indagar porquê. E depois ter a decência de aceitar a realidade, o que implica quase sempre pôr a ideologia de parte. Ou seja: envergar o paletó do poder sempre e quando necessário e vantajoso para todos. E não só quando convém...

O corridinho das presidências

Mário Cobra

Regressado de uns dias de férias no fresquíssimo Agroal, fui confrontado com buliçosas notícias relativas a este nossa urbe à beira Nabão plantada. Segundo os bastidores do costume, o vereador da CDU, Bruno Graça, é agora o presidente da Câmara municipal em exercício. Não ganhou as eleições? Dizem os inconformados que também o Costa não venceu as legislativas e é primeiro-ministro. Ou é a Mariana?
Sabe-se que, dando corda aos patins socialistas, o virtual ex-presidente da autarquia, Luís Ferreira, foi-se à vida (terá sido convidado para ir salvar o Deutsche Bank, mas de momento tenta academizar-se em Coimbra), indicando como seu substituto o requalificado Luís Boavida. Numa cidade conservadora até ao tutano, Luís Ferreira entendeu indicar um homem para redimir a autarquia, certamente porque, em seu douto conceito, as mulheres, corações mais generosos, enquadram-se melhor na presidência da Cáritas paroquial.
Debilitada por causa das diversas coisas, a presidente honorária da autarquia, Anabela Freitas, terá regougado "Sendo assim, vale mais ficar o Bruno como presidente em exercício." Mais decidiu, em arroubo decidido, "A partir de agora Luís Ferreira passa a tratar o pessoal do PS por você." E assim foi retirada a confiança política ao virtual ex-presidente. Não mais o socialismo do tu cá - tu lá. O respeitinho afinal é muito bonito.
Perante semelhante inversão de presidências, um grupo de voluntários, intitulado de forma ambiciosa "Todos por Tomar" (Será tomar um copo?), promove no dia 17 de Outubro, num restaurante rodeado por amplo parque de estacionamento (prevê-se larga afluência, correspondente à promessa de um parque temático cujo título entusiasma logo qualquer um: "A caça ao desenvolvimento"). Haverá também um opíparo jantar, onde se prevê que, após sobremesa com Fatias de Tomar e uns cálices de Porto vintage, seja escolhido o futuro putativo presidente da câmara...se vier a vencer as eleições e, antes disso, a oposição interna dos outros laranjas. Senão, restará ainda a independência.
Não foi até agora divulgada a ementa do jantar a 15 euros, sendo todavia certo que o pessoal já está farto do eleitoral frango assado de aviário. Vamos por isso aos palpites:
-Entradas à lista
-Linguado bem passado
-Papos de aves à tomarense
-Tornedó ao tacho
Tudo regado a preceito, que o momento a tanto obriga.
Seja como for, tratando-se mesmo de pessoal a querer o melhor para Tomar, realizavam antes um jantar de enchidos tomarenses (há por aí cada chouriço!) na Feira de Santa Iria, já a funcionar em 17 de Outubro. Promoviam assim os nossos produtos, nomeadamente a morcela de arroz e os pipis. Não esquecendo o conhecido lema "Pipi, pipi, quem não vem não come!"


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Sobre sinalização

Tendo em conta o estado actual da arte, em matéria de sinalização Tomar continua muito mal servida. O que me leva a suspeitar que quem dirige esse sector na autarquia, se calhar nunca viajou assim um bocadinho mais longe. Já terá ido mais além que o Algarve? Ou nem tanto sequer?
Procurando obviar, na medida do possível, a evidente falta de hábito democrático e a manifesta falta de mundo de quem devia tratar da sinalização na área urbana e concelhia, aqui vão quatro fotos muito adequadas. Trata-se de sinalização urbana para peões, sucessivamente em Viena, (Áustria) Salzburgo, (Áustria), e Bruges, (Bélgica). Mais ou menos como em Tomar, não é?
E depois andam por aí a dizer que Tomar é uma cidade de turismo...
Cambada de gabarolas incompetentes, é o que são!







Ficamos bem entregues

Ao regressar do Brasil, em Julho passado, não fazia parte dos meus planos encarar sequer a hipótese de me candidatar nas próximas autárquicas. Todavia, ouvindo os conterrâneos, lendo a imprensa local e constatando a miséria a que isto chegou, comecei a mudar de opinião. De tal forma que, quando um ou outro me encorajava com argumentos lisonjeiros, (naquele jeito tão tomarense de lutar, tipo "avance que pode contar com o meu apoio", mas depois, quando se olha para trás, já não está lá ninguém), comecei apesar disso a pensar com afinco nos meus deveres de cidadania, entre os quais avulta o de eleger e ser eleito, e tendo também em linha de conta que gosto muito desta terra, porém nem tanto assim de alguns dos seus habitantes.
Andava nessa meditação, e quando até já admitira, perante alguns amigos, a hipótese de poder vir a encabeçar uma larga coligação de salvação local, (que é do que isto está mesmo a precisar) englobando no mínimo um dos tradicionais "grandes" (PS, PSD, IpT), eis que surgiu a frase salvadora. O ilustre e honrado cidadão Luís Ferreira proclamou, numa entrevista ao semanário Cidade de Tomar, que os dois eleitores mais qualificados para exercer funções na câmara, são afinal ele próprio e o Luís Boavida. Respirei logo de alívio, ante semelhante e tão boa novidade. Havendo dois conterrâneos mais qualificados do que eu, estava definitivamente dispensado de encabeçar qualquer lista. E portanto de pensar sequer mais nisso. Adeus problemas de consciência! Adeus obrigação cívica! Adeus deveres de cidadania!
Nada disse na altura, posto que Luís Ferreira, nas suas cautelosas palavras, omitiu a argumentação que daria fundamento à sua afirmação. Mais qualificados porquê? Vai daí, tenho andado todo este tempo a suputar. O que me permitiu chegar às conclusões que a seguir exponho, com vossa licença.
Mais qualificados, desde logo porque ambos são de outra geração. Viveram menos, o que lhes permite continuar a ter sonhos e a acalentar ainda esperanças num futuro mais promissor. Ainda têm ilusões. E têm tempo. Muito tempo.
Também não foram, nem um nem outro, até ao doutoramento académico, (apesar do Luís dos frangos ter andado pelos escanhos universitários até ao Dr), o que os dispensa de alguma humildade  perante o saber. Apanágio dos que chegaram ao cume, e aí constataram "Afinal só sei que nada sei."  Outrossim, nunca combateram numa guerra a sério, nem comandaram homens em combate, o que os torna menos exigentes para com os seus subordinados. Mas também menos credíveis. Porque geralmente se acredita mais em quem já deu e continua a dar o peito às balas. Antes em sentido próprio. Agora em sentido figurado.
Tão pouco têm mundo, experiência ou formação aprofundada em Economia política, que lhes faculte perceber, nesta altura do drama local e nacional, que em termos macro-económicos o país e a cidade estão a trilhar a passos largos um caminho errado, que nos leva a todos  para a ruína. Isto quanto ao que não têm, mas os avantaja em relação a mim.
Inversamente, as vantagens pela positiva, são também várias. Usam telemóvel e eu não. Frequentam o facebook e eu não. Fazem selfies e eu não.  Frequentam festas populares e eu não. Gostam de frango de aviário assado e eu não. Bebem vinho e eu não. Bebem cerveja e eu não. Precisam da política e eu não. Ainda ambicionam e podem vir a fazer carreira e eu já não.
Assim, tendo em conta todos os atributos acima enumerados, que não são nada poucos, bem como outros que terei omitido sem querer, que a idade não perdoa, tomei uma decisão. Está doravante totalmente fora de questão que eu encare sequer a possibilidade de me candidatar a candidato. Digo mais: Caso os dois ilustres, honrados e qualificados cidadãos nabantinos venham a encabeçar cada qual a sua lista; ou mesmo se forem os dois na lista PSD (tendo em conta os últimos desenvolvimentos no PS, já faltou mais...) podem ficar descansados que apenas tenciono votar Boavida. Não por opção política. Apenas por realismo. Na minha idade, se resolvesse votar na má vida, não iria longe.
Que fique contudo bem claro que, no meu humilde entendimento, ganhe um ou ganhe o outro, ficamos bem entregues. Ó se ficamos!  Nunca o futuro de Tomar terá sido tão risonho. Só faltará então determinar o tipo de riso. Riso franco? Riso conformado? Riso amarelo? Em qualquer caso, a situação é tão má que rir ainda continua a ser o melhor remédio perante certas coisas.
Mas tenhamos em conta o velho adágio: "Dá tempo ao tempo irmão. O tempo dar-te-à todas as respostas." A seu tempo, claro!

anfrarebelo@gmail.com

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Angústia até aos resultados eleitorais

Mais um disparate

Confirmando o que aqui escrevi, ao falar de cisão, o PS Tomar decidiu por unanimidade retirar a confiança política ao militante Luís Ferreira, na reunião da Comissão política de sábado passado, noticia a Rádio Hertz. Anteriormente o citado militante já se demitira de todos os órgãos partidários, excepto da Comissão política da Federação de Santarém, tendo também anunciado que passava a deputado municipal independente. Não se vislumbra por isso qual a necessidade de agravar a evidente cisão, anunciando a perda de confiança política.
Numa longa declaração algo atabalhoada, a denotar natural nervosismo, Ferreira anuncia que vai continuar a lutar contra os aspectos negativos da coligação com a CDU, acrescentando que, nas condições actuais, não fará parte da candidatura PS nas próximas autárquicas.
São tudo complicações escusadas e algo disparatadas de parte a parte, numa conjuntura particularmente difícil para os socialistas nabantinos. Com efeito, Tomar a dianteira sabe que a presidente Anabela Freitas não se encontra nas melhores condições físicas e psíquicas para exercer o seu cargo. Tal situação resulta da complexidade da actual situação económica e política no concelho, mas não só. Há igualmente problemas conexos bastante graves, de natureza privada mas com óbvias implicações na sua actuação política. De tal forma assim é que no PS local paira já uma evidente angústia, a qual pode ser sintetizada em três interrogações: 1 - Aguentará até à campanha eleitoral, que se anuncia bem renhida? 2 - Conseguirá chegar ao fim da campanha eleitoral? 3 - Ainda tem condições para vencer?
As respostas atempadas a estas perguntas valem mais um mandato de quatro anos, uma vez que delas depende o futuro político do PS no concelho, sendo certo que, caso a actual presidente se mostre incapaz de ir com êxito até ao fim, o melhor será substituí-la quanto antes. Sob pena de derrota inapelável.
Embora sem o dizerem abertamente, os socialistas mais empenhados na política local não conseguem esquecer o inesperado abandono de Corvêlo de Sousa, também por razões psíquicas, e o que daí veio a resultar.

O logro da Levada

Aqui há uma década, um grupo de patuscos, uns de inteligência média, outros abaixo disso, tomando-se infelizmente por génios, pariram uma ideia para eles forçosamente genial. Resolveram desencadear o processo de recuperação dos Lagares da Ordem, da Central Eléctrica e da Moagem. Leu bem. Lagares, Central e Moagem. Para quê? Simples! Para aí instalar três museus, segundo uns; um museu polinucleado, segundo outros. Fundição, Electricidade e Moagem. Eis segundo eles as três mamelas do progresso turístico local. Ainda ninguém tivera antes tal ideia, nem no país nem no estrangeiro, o que só excitou ainda mais os ditos entusiastas. Algo original e muito grande em Tomar, uma terra tão pequenita! A megalomania, ou mania das grandezas, é uma maleita do foro psiquiátrico, raramente diagnosticada e para a qual não se conhece terapêutica eficaz.


A ideia louca foi fazendo o seu caminho e ninguém cuidou de estudar a coisa mais a fundo. O habitual neste país e nesta desgraçada terra. Até Jorge Sampaio, à época Presidente da República, se deixou enfeitiçar e veio visitar a moagem, apesar de ser geralmente considerado uma pessoa inteligente e de cultura. Não há ninguém que não erre. E Sampaio também foi fundador e militante do MES...
Quando mais tarde apareceu dinheiro europeu em catadupa, Paiva apressou-se a saltar para o barco dos patuscos. Candidatada a obra à la va vite, como quase tudo na época, o dinheiro veio e chegou-se ao total vergonhoso de seis milhões de euros. Seis milhões de euros para fazer uma  mini-ponte, um contentor a fingir de auditório, telhados novos, rebocar paredes e pouco mais. Foi um fartar vilanagem!
Agora com a obra concluída, patuscos e autarcas esbarraram na realidade. Mas não querem que se saiba. Usam o silêncio como arma de defesa. É por isso necessário e urgente denunciar o problema, antes que se venha a agravar singularmente. Não é por escondermos as coisas que elas deixam de existir.
Conforme sempre disse, é agora evidente que:
1 - A autarquia não tem nem nunca virá a ter recursos materiais para custear o equipamento indispensável dos museus a instalar;
2 - A autarquia não tem recursos humanos para instalar e manter em funcionamento os ditos museus;
3 - A autarquia já tem excesso de quadros médios e superiores, pelo que não dispõe de capacidade financeira nem legal para ir mais além;
4 - No seu estado actual, concluídas que foram as obras, nem a Fundição, nem a Central, nem a Moagem dispõem de condições de segurança ou de higiene para poderem receber visitantes, seja a que título for;
5 - Mesmo com mais obras, não se vê como seja possível remediar o enunciado no ponto anterior na Central e na Moagem.
6 - Entre outras carências, não existem planos para instalar estruturas de visita (corredores, corrimãos e plataformas), em conformidade com as normas europeias, sem as quais os almejados museus nunca poderão vir a funcionar legalmente.


Pela calada, já cientes do monumental logro em que também caíram, os autarcas em exercício vão procurando mobilar a manifesta inutilidade prática do pomposamente designado "Complexo da Levada", problema realmente bem complexo. Concertos de filarmónicas, Conjuntos de jazz, Feiras do livro, Colóquios, Conferências, Exposições, tudo serve para tentar enganar o Zé Nabâncio.
Com um elevado risco. Tudo aquilo carece ainda de licença de utilização. Parte da instalação eléctrica continua a ser  a das obras (ver foto infra). Não há extintores nem bocas de incêndio. O pó acumula-se por todo o lado. De tal forma que um participante naquela coisa sobre habitat se queixava com amargura de ter saído de lá com uma pieira persistente e quase afónico. Os autarcas podem andar a dormir, mas os  ácaros não dormem.


Reza um ditado popular que "não há duas sem três". A ASAE já selou o Mercado Municipal, por falta de condições de higiene. E multou a câmara em 80 mil euros, pelo funcionamento ilegal do Parque de Campismo, por não ter licença de utilização. Se um dia destes desembarcam ali pela Levada, durante uma dessas manifestações para tentar enganar os eleitores, temo que mandem selar tudo aquilo e voltem a multar a câmara.
Quem ousa brincar com Bruxelas, geralmente aleija-se. E a Levada foi até agora uma dispendiosa brincadeira de crianças grandes. Paga por todos nós. Como sempre. Porque o pilim vindo de Bruxelas foi para lá antes. É uma simples devolução parcial.
Aqui fica o aviso.

anfrarebelo@gmail.com